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A cidade no Alasca onde quase todos os moradores vivem no mesmo prédio

Por Liberal FM•07/11/2026 às 06:00
A cidade no Alasca onde quase todos os moradores vivem no mesmo prédio

A pequena cidade de Whittier, no Alasca, está enclausurada entre montanhas e o mar, e o único caminho terrestre que a liga ao resto do estado é um túnel estreito de quase cinco quilômetros que serve simultaneamente a carros e trens. O acesso ao túnel funciona em mão única, alternando a direção a cada trinta minutos para permitir a passagem dos veículos que vêm do sentido oposto. Dentro da passagem, os motoristas são obrigados a respeitar um limite de velocidade de 40 km/h, manter uma distância mínima de 50 metros do carro à frente e não podem parar ao longo do trajeto, regras que garantem a fluidez e a segurança em um espaço tão limitado.

Ao emergir do túnel, o visitante chega a Whittier, conhecida pelos passeios de barco e pela pesca abundante, mas que chama ainda mais atenção por concentrar quase toda a sua população em um único edifício. O Begich Towers, construído em 1957 como quartel militar durante a Guerra Fria, foi convertido em residência a partir de 1969 e hoje abriga cerca de 270 moradores distribuídos em apartamentos de um a três quartos ao longo de seus 14 andares. Essa transformação fez do prédio o coração da comunidade, reunindo não apenas moradias, mas também a maioria dos serviços essenciais.

No saguão do Begich Towers, um quadro de avisos exibe informações da prefeitura, comunicados e avisos de audiências públicas, enquanto fotografias antigas da cidade lembram a história local. O edifício conta ainda com clínica médica, delegacia, agência dos Correios, restaurante, bicicletário e elevadores que dão acesso direto aos apartamentos. A escola da cidade fica nas proximidades, mas a maior parte das necessidades diárias dos residentes pode ser atendida dentro do próprio prédio, o que justifica o apelido de “prédio‑cidade”.

A concentração de serviços e moradias em um único local também facilita a vida dos poucos visitantes que chegam à região. Whittier serve como ponto de partida para excursões marítimas e atividades de pesca, e sua posição elevada no relevo ajuda a proteger a comunidade contra possíveis tsunamis. Contudo, fora da alta temporada turística, encontrar estabelecimentos abertos pode ser um desafio, já que a cidade depende fortemente da presença dos moradores para manter o comércio em funcionamento.

Assim, Whittier oferece um exemplo singular de adaptação ao isolamento: um túnel que regula o fluxo de entrada e saída, um arranha‑céu que funciona como condomínio, escola, posto de saúde e centro administrativo, e uma paisagem natural que atrai aventureiros, tudo isso mantendo viva a tradição de uma comunidade que aprendeu a viver sob o mesmo teto.

Fonte: G1 Mundo