Aborto, armas, direitos trans, taxa para bilionários: eleições nos EUA tem referendos em 39 estados

Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça‑feira, os eleitores de 39 estados decidirão não apenas a composição do Congresso, mas também uma série de questões que podem remodelar políticas estaduais em áreas tão distintas quanto o direito ao aborto, a participação de pessoas trans em esportes escolares e a tributação de grandes fortunas. Ao todo, 145 propostas – conhecidas como “ballot measures” – serão submetidas ao voto popular, permitindo que a população crie, altere ou revogue leis já existentes. A Califórnia e o Colorado concentram o maior número de iniciativas, com quatorze medidas cada, refletindo a intensidade dos debates locais.
No campo do aborto, quatro estados apresentam propostas contrastantes. Em Idaho, Nevada e Virgínia, os eleitores avaliarão emendas que buscam garantir ou ampliar a proteção ao procedimento até a viabilidade fetal, enquanto o Missouri propõe a revogação de uma garantia constitucional aprovada no ano passado, impondo restrições mais severas e, simultaneamente, proibindo determinados tratamentos de transição de gênero para menores. Essa divergência evidencia como o tema continua polarizado, com alguns estados reforçando direitos reprodutivos e outros avançando em direção a limitações mais rígidas.
As questões de identidade de gênero também ganham destaque nas urnas. Em Arizona, Colorado, Nebraska e Washington, as propostas pretendem limitar a participação de meninas e mulheres trans em equipes esportivas femininas, exigindo verificações do sexo biológico. O Arizona vai além, ao propor restrições ao uso de banheiros e vestiários escolares com base no sexo registrado na certidão de nascimento. Já no Missouri e no Colorado, os votantes decidirão sobre a possibilidade de impedir procedimentos médicos de afirmação de gênero para menores, refletindo um debate nacional sobre a autonomia dos jovens e a intervenção estatal.
O tema das armas de fogo aparece em duas frentes distintas. Enquanto Idaho coloca na votação a escolha simbólica de uma arma histórica para representar o estado – medida não vinculante, mas que busca mobilizar o eleitorado – Massachusetts decide se mantém a lei aprovada em 2024 que ampliou o registro de armas, proibiu armas sem número de série e reforçou mecanismos para a retirada temporária de armas de indivíduos considerados perigosos. Essas iniciativas revelam a tensão entre a tradição cultural ligada às armas e os esforços de controle mais rigoroso.
Por fim, as urnas também serão palco de discussões sobre justiça criminal, regras eleitorais e tributação. Em cinco estados, propostas preveem endurecimento de penas, como a prisão perpétua sem liberdade condicional para traficantes de menores no Colorado. Seis estados contemplam a exigência de cidadania americana para o voto em eleições locais, enquanto outros seis debatem a necessidade de documentos adicionais ou números de identificação para votar presencialmente ou por correio. No âmbito fiscal, a Califórnia avalia um imposto extra de 5 % sobre o patrimônio de bilionários e a permanência de alíquotas adicionais sobre rendas elevadas, enquanto Washington decide se revoga um tributo de 9,9 % sobre rendas milionárias e a Flórida considera ampliar a isenção de impostos sobre imóveis residenciais. O conjunto dessas medidas demonstra que, além de definir o futuro do Congresso, os midterms de 2024 podem gerar mudanças profundas nas políticas estaduais americanas.
Fonte: G1 Mundo





