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Ativista Joshua Wong é condenado a 10 anos de prisão em Hong Kong

Por Liberal FM•05/11/2026 às 02:01
Ativista Joshua Wong é condenado a 10 anos de prisão em Hong Kong

O tribunal de magistrados de Hong Kong condenou nesta quinta‑feira o ativista Joshua Wong a dez anos de prisão, marcando sua segunda sentença baseada na Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim. A decisão, recebida como mais um sinal da repressão ao movimento pró‑democracia que ganhou força nos últimos anos, reforça a estratégia das autoridades de manter presos de destaque por longos períodos.

Wong, de 30 anos, foi acusado em 2025 de conspiração para se aliar a forças estrangeiras com o objetivo de comprometer a segurança nacional. Embora tenha reconhecido a culpa – medida que costuma atenuar a pena – o juiz William Tam considerou o delito grave e descartou a alegação de que seu papel fosse limitado. A sentença inicial poderia chegar a treze anos, mas foi reduzida em razão da confissão. O ativista já cumpre quatro anos e oito meses por um caso anterior, relacionado a uma eleição primária não oficial, e antes da nova condenação esperava ser libertado em janeiro de 2027. O magistrado ainda determinou que as duas penas possam ser cumpridas simultaneamente, restando apenas cerca de dois meses da condenação anterior.

No momento da leitura da sentença, Wong manteve a postura calma e agradeceu aos presentes, enquanto seus apoiadores acenavam e a ex‑integrante do Scholarism, Tiffany Chin, chorava. A mãe de Wong, ET Wong, recordou que o filho já demonstrava, na adolescência, uma visão ampla que poucos adultos possuíam, e lamentou que ele tenha passado “um único dia preso injustamente”. O advogado Derek Chan pediu ao tribunal que a pena deixasse alguma esperança ao cliente, ressaltando o desejo de Wong de cuidar dos pais ao ser libertado.

Especialistas apontam que a condenação de Wong ilustra a determinação das autoridades em usar a Lei de Segurança Nacional como ferramenta para desestimular a dissidência. Desde os protestos de 2019, a cidade viu a redução de opções eleitorais, o fechamento de veículos de imprensa críticos e a dissolução de dezenas de organizações da sociedade civil. Eric Lai, pesquisador do Centro de Direito Asiático da Universidade Georgetown, alertou que a legislação pode ser repetidamente empregada como arma para manter presos políticos na cadeia sempre que o governo julgar necessário.

A trajetória de Wong, que começou como líder estudantil durante o último período do domínio colonial britânico, inclui tentativas de lobby internacional ao lado de outros ativistas como Nathan Law, buscando apoio para a autodeterminação democrática. A acusação destacou encontros com políticos americanos e a divulgação de campanhas de sanções contra Hong Kong e a China. Mesmo encarcerado, Wong manteve hábitos de leitura, exercícios e aprendeu a tocar violão, demonstrando resiliência. Seu impacto continua a gerar controvérsia: um documentário de 2017 sobre sua vida chegou ao topo da lista de popularidade da Netflix em Hong Kong, ao passo que autoridades locais anunciaram medidas contra a produção, acusando-a de “embelezar” seus crimes.

Fonte: G1 Mundo