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‘Balansamba’ de Roberto Menescal resiste bem na pista com os seis DJs que atuam no EP ‘Pure bossa remixes’

Por Liberal FM•29/10/2026 às 08:25
‘Balansamba’ de Roberto Menescal resiste bem na pista com os seis DJs que atuam no EP ‘Pure bossa remixes’

Aos 89 anos, Roberto Menescal celebra mais um marco em uma trajetória que atravessa quase oito décadas de música brasileira. Depois de lançar em janeiro o álbum “Bossa Sempre Nova”, onde a pop star Luísa Sonza interpreta standards da bossa nova sob a batuta de Menescal e Toquinho, o violonista e compositor carioca volta os olhos para o futuro com o EP “Pure bossa remixes”, divulgado pela Universal Music. A obra chega dois dias após o aniversário do artista, reforçando a imagem de uma lenda viva que continua a abrir caminhos para novas gerações.

O disco reúne seis faixas, nas quais cinco composições da parceria histórica com o letrista Ronaldo Bôscoli são reinterpretadas por DJs e produtores de diferentes nacionalidades. “Você”, canção de 1964, abre o EP com a versão de Gui Boratto, que traz timbres reminescentes dos anos 1980 e a voz da cantora Mariana de Moraes, e reaparece ao final na reimaginação de DJ Marlboro, referência do funk carioca. Essa duplicidade de “Você” demonstra a intenção de explorar a mesma melodia sob perspectivas distintas, ainda que o resultado não surpreenda radicalmente a pista de dança.

A proposta de fundir bossa nova e eletrônica não é novidade; já nos anos 1990 grupos como BossaCucaNova experimentavam essa convergência. No entanto, “Pure bossa remixes” traz um equilíbrio entre reverência ao material original e a busca por novas texturas sonoras. Diogo Strausz revisita “Balansamba” (1963) a partir da gravação de Aloysio de Oliveira, mantendo o balanço característico da peça. O DJ italiano Nicola Conte, por sua vez, destaca a conexão entre a bossa e suas raízes africanas ao rework afro‑bossa de “A morte de um Deus de sal”. Tata Ogan, percussionista que mescla tambores e sintetizadores, conduz “Nós e o mar” (1962) por quatro minutos e quarenta‑e‑um segundos de ondas eletrônicas, enquanto o produtor norte‑americano DJ Spinna traz “Rio” para o universo do funk, soul e rap, provando que o “barquinho” de Menescal pode navegar por mares musicais diversos sem perder o compasso da bossa.

A produção, assinada por Patty Ascher e Béco Dranoff, garante que o EP se mantenha coeso apesar da variedade de intervenções. Em cerca de 21 minutos e meio, as versões conseguem preservar a elegância melódica de Menescal ao mesmo tempo em que oferecem um convite ao movimento nas pistas. O resultado é um “aperitivo” saboroso que antecipa a grande celebração que se avizinha: o nonagésimo aniversário do compositor, marcado para 25 de outubro de 2027.

Ao olhar para o futuro, Menescal demonstra que a bossa nova, longe de ser um relicário nostálgico, continua a se reinventar. Sua disposição em dialogar com produtores eletrônicos e a abertura para novas sonoridades reforçam o legado de quem ajudou a definir o gênero e, ao mesmo tempo, prova que a música pode permanecer sempre nova quando se permite o encontro entre tradição e inovação.

Fonte: G1 Pop & Arte