Canais estrangeiros inspirados no ‘Exército do Lula’ de Janones dobram de tamanho em dois dias

A virada histórica de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras contou com uma mobilização digital intensa, liderada pelo deputado federal André Janones. O método, que se inspirou no “Exército do Lula”, passou a ser observado por lideranças de outros continentes, que buscaram adaptar a estratégia para impulsionar suas próprias campanhas. Assim, surgiram iniciativas semelhantes na Argentina, na França e na Espanha, todas estruturadas em torno de grupos de mensagens instantâneas que reuniam milhares de apoiadores em poucos dias.
Na Argentina, o chamado Ejército del Peronismo, ligado à ala jovem e mais à esquerda do peronismo, viu seu número de integrantes saltar de 41 mil para 60 mil, um aumento de quase 46 %. Na França, a equipe oficial de Jean‑Luc Mélenchon registrou um crescimento ainda mais impressionante: de 57 mil participantes, o grupo chegou a 147 mil, o que representa um acréscimo de quase 158 %. Já na Espanha, a força criada em apoio ao primeiro‑ministro Pedro Sánchez passou de 25 mil para 42 mil membros, um incremento de 68 %. Somando os três casos, o total de participantes dobrou, passando de 123 mil para 249 mil em apenas dois dias.
Esses números chamaram a atenção de figuras políticas de destaque. O próprio Pedro Sánchez convidou Janones para colaborar em sua campanha, que se encaminha para as eleições previstas para o fim de novembro. Do outro lado da fronteira, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, estendeu um convite ao deputado para uma visita de trabalho, antecipando as eleições presidenciais de junho de 2027. As propostas de cooperação demonstram como a tática de mobilização digital está sendo considerada um recurso valioso em diferentes cenários eleitorais.
Entretanto, o cientista político Giuliano Salvarani alerta que a simples replicação do modelo brasileiro pode encontrar obstáculos. Segundo ele, os hábitos de uso das redes sociais e dos aplicativos de mensagens variam significativamente entre os países, assim como as particularidades de cada conjuntura política. “Não acredito que a estratégia de Janones tenha o mesmo impacto nesses outros países, até porque eles possuem outra forma de se socializar nas redes sociais e nos aplicativos”, afirma Salvarani, que vê a proposta como um ponto de partida a ser adaptado às especificidades culturais de cada região.
Mesmo reconhecendo essas limitações, Salvarani destaca que o Brasil se destaca como um dos maiores usuários de plataformas digitais do mundo, onde a política permeia o cotidiano das pessoas. Essa combinação de alta conectividade e engajamento político foi decisiva para o sucesso da iniciativa de Janones, que, segundo o especialista, pode se tornar um modelo exportável. “O que funcionou aqui certamente vai ditar o rumo das campanhas eleitorais no Brasil para a próxima década e tem potencial de se transformar em um produto de exportação”, conclui, comparando a inovação de Janones ao famoso “tiki‑taka” de Guardiola no futebol ou à revolução da bossa‑nova de João Gilberto.
Fonte: G1 Mundo





