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Chamado de ‘vendido’, ex-candidato à Presidência do Paraguai é expulso de protesto em meio à crise política

Por Liberal FM•06/11/2026 às 16:02
Chamado de ‘vendido’, ex-candidato à Presidência do Paraguai é expulso de protesto em meio à crise política

O Parlamento paraguaio retomou, nesta segunda‑feira, o julgamento de impeachment contra o presidente Santiago Peña, que deverá apresentar sua defesa nos próximos dias. A decisão surge em meio a uma profunda crise política desencadeada pela liquidação do banco digital Ueno, medida tomada pelo Banco Central após constatar que a instituição não dispunha de recursos suficientes para honrar seus compromissos. O fechamento do banco, que reunia cerca de três milhões de clientes e aproximadamente 850 milhões de dólares em depósitos, inclusive recursos do Instituto de Previdência Social, gerou revolta popular e alimentou suspeitas de conflito de interesses, já que Peña havia sido acionista do grupo controlador do Ueno até o início de 2025.

A tensão nas ruas se intensificou na noite de quinta‑feira, quando o ex‑candidato à presidência Paraguayo Cubas, conhecido como Payo Cubas, foi surpreendido por manifestantes que o carregaram e o expulsaram do local de protesto. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram a hostilidade sofrida pelo político, enquanto internautas comentavam de forma irônica e acusavam-no de oportunismo, lembrando que ele havia prometido ser bem‑recebido pelos manifestantes. A reação popular contra Cubas reflete o clima de insatisfação que se espalha pelo país, alimentado tanto pela crise bancária quanto pelas disputas políticas.

Cubas, figura de extrema direita e conhecido por seu discurso antissistema, tem um histórico marcado por controvérsias. Durante sua passagem pelo Senado, foi envolvido em episódios de violência, incluindo a agressão a um policial em 2019 e declarações hostis contra brasileiros residentes no Paraguai. Na corrida presidencial de 2023, representou o partido Cruzada Nacional e terminou em terceiro lugar, com 23 % dos votos, atrás de Santiago Peña, eleito com 43 %, e de Efraín Alegre, que obteve 27 %. Após a derrota, contestou o resultado alegando fraude sem apresentar provas e incentivou manifestações, o que culminou em sua prisão preventiva em maio daquele ano sob acusação de perturbação da tranquilidade pública.

A abertura do processo de impeachment contra Peña foi aprovada por unanimidade pelos deputados, que registraram 78 votos favoráveis. Embora o presidente tenha anunciado a intenção de renunciar, o Congresso rejeitou a proposta de encerrar o processo de forma sumária, mantendo a tramitação. A oposição acusa o governo de manipular regras e desviar recursos previdenciários, além de apontar falhas na fiscalização do Banco Central. Enquanto o país aguarda a defesa de Peña, a população permanece atenta às consequências políticas e econômicas da crise bancária, que ainda deixa milhões de clientes sem acesso aos seus depósitos.

O cenário no Paraguai evidencia um impasse institucional que pode redefinir o futuro da liderança nacional. A combinação de protestos nas ruas, a hostilidade a figuras como Cubas e a pressão sobre o presidente em exercício cria um ambiente de instabilidade que exige respostas rápidas e transparentes. Observadores internacionais acompanham de perto o desenrolar dos acontecimentos, cientes de que o desfecho do impeachment poderá influenciar não apenas a estabilidade política interna, mas também a confiança dos investidores na economia paraguaia.

Fonte: G1 Mundo