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‘Ela me mostrou o que é ser um herói’, diz pai de copiloto brasileira que morreu em queda de avião nos EUA

Por Liberal FM•06/11/2026 às 17:35
‘Ela me mostrou o que é ser um herói’, diz pai de copiloto brasileira que morreu em queda de avião nos EUA

A tragédia que abalou o condado de Palm Beach, na Flórida, ocorreu na manhã de 1º de novembro, quando um Learjet 60, que partiu de Austin, no Texas, com destino às Bahamas, despencou sobre uma área residencial, provocando uma explosão que deixou nove mortos. O avião, que decolou às 9h36 (horário local) e desapareceu dos radares pouco antes das 13h, foi encontrado em ruínas, com uma cratera profunda no asfalto e destroços espalhados ao redor. As autoridades americanas ainda investigam as causas do acidente, mas as gravações de comunicação entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo já revelam momentos críticos nos minutos que antecederam a queda.

Allan Filgueiras, pai da jovem piloto, participou de coletiva nesta sexta‑feira e descreveu a filha como um exemplo de coragem e profissionalismo. Ele afirmou que, ao ouvir repetidas vezes as gravações, percebeu a determinação de Nathalia ao declarar emergência e relatar a perda rápida de altitude, mesmo diante de condições adversas de gelo e turbulência. Para o pai, a postura da filha nos últimos instantes – “lutar até o último minuto” – foi a prova de que ela havia se tornado, na prática, a própria instrutora de voo, superando as expectativas que ele tinha quando ainda a ensinava a pilotar.

Nathalia Gadelha Filgueiras nasceu em Miami, mas cresceu em um lar onde o português era a única língua permitida, preservando a identidade cultural de seus pais brasileiros. Desde a adolescência, a aviação despertou sua paixão, influenciada pelo pai, que começou a voar por lazer em 2018. Ainda no segundo ano do ensino médio, em 2020, ela ingressou em um programa de pilotagem oferecido pelo distrito escolar de Palm Beach County, acumulando 88 horas de voo antes de concluir o ensino. Em setembro de 2023, aos 17 anos, obteve a licença de piloto particular, antes mesmo de tirar a carteira de motorista, e continuou a trilhar seu caminho na aviação executiva.

A jovem ganhou visibilidade na imprensa americana em 2023, quando foi entrevistada pela CBS12 News, declarando que preferia pilotar aviões a dirigir carros e almejava uma carreira em companhias aéreas comerciais ou na aviação executiva. Nas redes sociais, compartilhava registros de sua rotina nos hangares e, em março de 2026, celebrou publicamente a conquista de se tornar piloto em comando de um Learjet 60, reforçando seu compromisso com a profissão que tanto amava.

Nos momentos finais antes da tragédia, a gravação da cabine revela um cenário de urgência: a copiloto anuncia “Mayday, Mayday” e informa que o avião perdia altitude a cerca de dez mil pés por minuto, chegando a relatar uma taxa de descida de vinte mil pés por minuto e velocidade excessiva. Em meio ao pânico, ela exclamou “Vamos bater no chão” e, ao lado do piloto Jeff, gritou “Olhe lá fora, Jeff, olhe lá fora! Estamos sem tempo”. Poucos minutos depois, o Learjet colidiu, encerrando a jornada de uma jovem que, para seu pai, representava o verdadeiro significado de heroísmo.

Fonte: G1 Mundo