Eleições nos EUA: decisão para juiz em localidade do Kentucky é feita no ‘cara ou coroa’ após empate

Uma eleição no condado de Robertson, no Kentucky, terminou em empate perfeito: o republicano Benny Ray Renner e a democrata Kristen Fryman receberam exatamente 91 votos cada um. Diante da igualdade de números, as autoridades locais recorreram a um método simples e antigo – o lançamento de uma moeda de 25 centavos – para definir quem ocuparia o cargo de magistrado do 2º Distrito. No sorteio realizado pela emissora pública WEKU, a moeda caiu em favor de Fryman, que assim se tornou a vencedora da disputa.
Nos Estados Unidos não existe uma norma nacional que regule o desempate em eleições; cada estado estabelece seus próprios procedimentos, que podem incluir recontagens, decisões judiciais ou métodos aleatórios. Um levantamento da Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais indica que 28 dos 50 estados adotam sorteios ou outras formas de aleatoriedade para resolver empates em cargos legislativos estaduais, variando entre a extração de nomes de um chapéu e o tradicional cara ou coroa.
No caso do Kentucky, a legislação estadual determina que, quando dois ou mais candidatos alcançam o mesmo número máximo de votos, o vencedor deve ser escolhido por sorteio, preservando ainda o direito de contestação e a possibilidade de solicitar nova apuração. Essa regra foi aplicada imediatamente após a constatação do empate, evitando atrasos no preenchimento da vaga e garantindo que o processo eleitoral seguisse seu curso normal.
Vale lembrar que, ao contrário do Brasil, o sistema eleitoral americano permite que eleitores escolham representantes não apenas para os poderes Executivo e Legislativo, mas também para o Judiciário em diversas localidades. Além das candidaturas, as urnas podem decidir sobre questões como a legalização do aborto, a regulamentação da maconha ou até a adoção de símbolos oficiais, como ocorreu recentemente com a aprovação de um rifle inspirado em filmes de faroeste como arma estadual.
O empate de terça‑feira não foi o primeiro registrado no Kentucky. Em junho de 2018, uma primária democrata para magistrado no condado de Logan também terminou com 127 votos para cada candidato. Na ocasião, o secretário do condado, Scottie Harper, organizou um sorteio usando uma moeda de prata, e Boyce Coles saiu vencedor ao obter a coroa. Esses episódios demonstram como, em algumas regiões dos Estados Unidos, a sorte ainda pode ser o fator decisivo para definir o futuro político de uma comunidade.
Fonte: G1 Mundo





