Itaipu tinha cerca de R$ 1 bilhão no Ueno Bank, banco do Paraguai que teve operações suspensas, e tenta recuperar dinheiro na Justiça

A crise bancária no Paraguai tem gerado preocupação entre milhares de brasileiros que vivem na fronteira, depois que o Ueno Bank, instituição financeira local, teve suas operações suspensas na terça‑feira (3) por problemas identificados pelo Banco Central. A medida deixou clientes sem acesso aos recursos depositados, entre eles trabalhadores, estudantes e investidores brasileiros que dependem da estabilidade financeira para suas atividades cotidianas.
A situação ganhou destaque porque a margem paraguaia da Itaipu Binacional mantinha, até a suspensão, cerca de um bilhão de reais em contas no Ueno Bank. Segundo comunicado da administração paraguaia, os depósitos somavam US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis, totalizando aproximadamente US$ 182,2 milhões – o equivalente a pouco mais de R$ 1 bilhão. Essa quantia fazia parte dos recursos destinados ao pagamento de obrigações contratuais, convênios e repasses provenientes da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE). Entre 2024 e 2026, a Itaipu transferiu mais de US$ 2,4 bilhões do Brasil para o Paraguai, gerando cerca de US$ 450 milhões em rendimentos financeiros, e o valor retido no Ueno representava 7,6 % das remessas recebidas nesse período.
Diante do bloqueio, a administração paraguaia da usina informou que já havia iniciado medidas judiciais junto à Procuradoria‑Geral do Estado para tentar recuperar os recursos. O comunicado também destacou que a Itaipu acompanha os procedimentos estabelecidos pelo Banco Central para a devolução dos valores e que, desde janeiro de 2025, os depósitos eram realizados apenas em instituições financeiras autorizadas e classificadas segundo critérios de risco aprovados pela diretoria executiva. A Itaipu tem, ainda, uma política de diversificação de recursos entre diferentes bancos para mitigar riscos.
Por sua vez, a administração brasileira da Itaipu afirmou que nenhum recurso sob sua gestão estava depositado no Ueno Bank e que a operação da usina continua normal, sem impacto na produção ou no fornecimento de energia. A entidade ressaltou que suas aplicações financeiras seguem critérios internos de segurança, liquidez e rentabilidade, reforçando a autonomia financeira de cada margem da hidrelétrica, ainda que a energia produzida seja dividida igualmente entre Brasil e Paraguai.
O bloqueio do Ueno Bank ocorre em meio a uma profunda instabilidade política no Paraguai. Na sexta‑feira (6), o processo de impeachment do ex‑presidente Santiago Peña foi concluído, resultando na ascensão do vice‑presidente Pedro Alliana à presidência. Peña, agora alvo de acusações criminais ligadas à crise do Ueno Bank, teve prisão preventiva decretada. Enquanto as autoridades paraguaias trabalham nos processos judiciais e nas medidas de recuperação dos fundos, não há prazo definido para a liberação dos recursos nem para a eventual devolução à Itaipu, deixando os brasileiros na região em situação de incerteza.
Fonte: G1 Mundo





