Justiça impede ação de Trump sobre eleição para o Senado no Alasca

Uma juíza federal de Anchorage, Sharon Gleason, negou neste domingo a tentativa do governo de Donald Trump de impedir que o Alasca reconheça a derrota do senador republicano Dan Sullivan nas eleições de meio de mandato. A ação, movida pela Casa Branca, alegava que a presença de um candidato com nome idêntico – o professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr. – poderia ter alterado o resultado ao confundir eleitores. A decisão judicial representa mais um revés para a estratégia de Trump de ampliar a intervenção federal nas eleições, que tradicionalmente são organizadas pelos estados, conforme a Constituição dos EUA.
A disputa pelo Senado do Alasca ganhou contornos inesperados após as primárias de agosto, nas quais a ex‑deputada federal democrata Mary Peltola liderou com 49,5% dos votos, seguida por Dan S. Sullivan, que obteve 41,4%. O terceiro colocado, Daniel J. Sullivan Jr., recebeu 2,5% – cerca de 4.100 votos – suficiente para garantir sua presença na cédula geral, já que o sistema eleitoral do estado permite que os quatro candidatos mais votados nas primárias avancem. A presença dos dois Sullivan na eleição geral tem despertado suspeitas de que a semelhança de nomes poderia fragmentar o apoio ao republicano, favorecendo a candidata democrata.
Investigações do New York Times revelaram que, desde meados de 2025, membros da equipe de campanha de Peltola teriam sido instruídos a identificar eleitores chamados Dan Sullivan e incentivá‑los a concorrer ao Senado. Documentos, mensagens de texto e entrevistas apontam para a participação de advogados e funcionários do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC) na elaboração de uma estratégia que incluía, inclusive, a criação de um novo partido para atrair eleitores conservadores. Embora o DSCC tenha negado envolvimento e acusado os republicanos de práticas semelhantes, a ex‑gerente de campanha de Peltola, Elisa Rios, afirmou que a candidata estava ciente da iniciativa.
O candidato Daniel J. Sullivan Jr., residente de uma pequena comunidade pesqueira, tem defendido que sua participação não foi motivada por intenção de confundir eleitores, mas por um desejo legítimo de representar sua região. Em entrevistas, ele ressaltou seu histórico como professor e sua ligação com a vida local, tentando dissociar sua candidatura de qualquer manobra política. Enquanto isso, críticos da administração Trump apontam que a pressão crescente do governo federal para obter dados de registro de eleitores e impor regras mais rígidas representa uma intromissão indevida nos processos eleitorais estaduais, gerando preocupação sobre a confiança do público no voto.
A corrida pelo Senado do Alasca, portanto, não se resume apenas à disputa entre Peltola e Dan S. Sullivan, mas também ao debate mais amplo sobre a autonomia dos estados nas eleições e os limites da intervenção federal. O resultado da eleição geral, marcada para a próxima terça‑feira, poderá definir se os republicanos, aliados de Trump, manterão o controle da câmara alta, ou se os democratas avançarão com uma vitória que poderia influenciar o equilíbrio de poder em Washington.
Fonte: G1 Mundo





