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Mortes por câncer do colo do útero podem aumentar quase 40% no mundo até 2050, aponta estudo

Por Liberal FM•02/11/2026 às 12:00
Mortes por câncer do colo do útero podem aumentar quase 40% no mundo até 2050, aponta estudo

Um estudo publicado na revista *Nature Medicine* projeta que, até 2050, o número de mortes por câncer do colo do útero pode subir quase 40 % no mundo, ultrapassando meio milhão de óbitos anuais, enquanto os novos diagnósticos devem ultrapassar a marca de um milhão. A pesquisa, que analisou dados de 204 países, revela que, apesar de ser um dos tumores mais evitáveis – sua causa principal é a infecção persistente por tipos de alto risco do papilomavírus humano (HPV) – a doença continuará a causar milhares de mortes nas próximas décadas, sobretudo em regiões de baixa renda onde o acesso à vacinação, ao rastreamento e ao tratamento ainda é limitado.

No Brasil, os modelos estatísticos do levantamento apontam para cerca de 26,5 mil casos e 10,9 mil mortes em 2023, números que diferem das estimativas oficiais do Instituto Nacional de Câncer, mas que evidenciam um aumento quase dobrado de casos absolutos desde 1990. Embora a taxa de mortalidade ajustada por idade tenha recuado quase 40 % no mesmo período, o risco ainda é elevado nas regiões Norte e Nordeste, onde o acesso a exames preventivos e à vacinação permanece mais precário. Essa disparidade reflete a realidade global: em países de baixa renda a incidência é quatro vezes maior e a mortalidade, sete vezes maior, do que em nações de alta renda.

A pesquisa destaca que a redução das taxas de incidência e mortalidade não é suficiente para conter o crescimento absoluto da doença, já que o envelhecimento e a expansão da população aumentam o número total de mulheres expostas ao risco. Nesse cenário, a Organização Mundial da Saúde mantém a meta de eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública, definindo como critério menos de quatro casos por 100 mil mulheres ao ano. Contudo, nenhum dos sete grandes blocos regionais analisados deverá atingir esse objetivo até 2050 se as tendências atuais persistirem.

No Brasil, a estratégia de prevenção combina a vacinação gratuita contra o HPV, oferecida a meninas e meninos de 9 a 14 anos, com cobertura que chegou a 87 % entre as meninas em 2025, e a ampliação de um novo método de rastreamento baseado na detecção do DNA do vírus. Essa tecnologia, já disponível em 26 unidades federativas, permite identificar infecções de alto risco antes mesmo do aparecimento de lesões, reduzindo a frequência dos exames para até cinco anos quando o resultado é negativo. Enquanto o teste molecular se consolida, o exame de Papanicolau continua a ser oferecido, garantindo uma transição gradual e ampliando a capacidade de diagnóstico precoce.

Os autores do estudo alertam que suas projeções são baseadas em tendências históricas e não incorporam os efeitos futuros de uma maior cobertura vacinal ou de novas políticas de saúde. Ainda assim, os resultados reforçam a necessidade de acelerar a implementação de programas de vacinação universal, de expandir o acesso a testes moleculares de rastreamento e de garantir tratamento adequado para lesões precursoras. Somente com um esforço coordenado entre governos, sistemas de saúde e a comunidade científica será possível impedir que o crescimento demográfico e as desigualdades de acesso transformem o câncer do colo do útero em uma tragédia evitável nas próximas décadas.

Fonte: G1 Mundo