Noite 92
NO AR
Noite 92Liberal FM
Liberal FM
Aqui é Bem Melhor - Liberal FM
TOCANDO AGORA
Aqui é Bem MelhorLiberal FM
Assista Ao VivoEstúdio ao vivo
Peça Sua Música(18) 99668-9200
VoltarArte

Pop? Rock? Sertanejo? O que ouvir durante a atividade física e como a música interfere na performance?

Por Liberal FM•29/10/2026 às 03:00
Pop? Rock? Sertanejo? O que ouvir durante a atividade física e como a música interfere na performance?

A música tem se tornado um aliado frequente nas academias e nas rotinas de treinamento, mas ainda há dúvidas sobre o real impacto dos ritmos sonoros na performance esportiva. Um estudo conduzido em 2009 pelo pesquisador Costas I. Karageorghis apontou que a playlist adequada pode acelerar a sensação de passagem do tempo, ajudar a estabelecer um ritmo mais constante, reduzir a percepção de cansaço e melhorar o humor do praticante. A ideia central do pesquisador é que a batida por minuto (BPM) da música deve acompanhar a zona cardíaca de esforço, de modo que quanto maior a intensidade do exercício, mais rápida deve ser a trilha sonora, criando um “casamento” entre o ritmo corporal e o musical.

Na Universidade Federal do Paraná, o professor Sérgio Gregorio da Silva, diretor do Centro de Educação Física e Desportos, reforça que a música pode dar ânimo e tornar o exercício mais agradável, influenciando tanto o estado emocional quanto a escolha do ritmo de movimento. Já a musicoterapeuta Cléo Monteiro França Correia, do setor de Neurologia da Escola Paulista de Medicina, destaca que as batidas musicais ativam redes cerebrais sensoriomotoras, promovendo neuroplasticidade e desviando a atenção do esforço físico. Ambas concordam que, embora a música não elimine a fadiga, ela altera a percepção de esforço, permitindo que o praticante mantenha a mesma intensidade de treino com uma sensação de maior bem‑estar.

A relação entre BPM e atividade física costuma ser usada como referência prática. Para quem caminha, músicas entre 100 e 130 batidas por minuto – como “Don’t Start Now” de Dua Lipa ou “Poker Face” de Lady Gaga – acompanham bem o passo confortável. Corredores que buscam uma cadência de 160 a 180 passos por minuto podem optar por faixas como “Blinding Lights” de The Weeknd ou “Já faz tanto tempo” de Lulu Santos com Fresno, que se alinham ao ritmo desejado. Ciclistas que mantêm entre 70 e 90 rotações por minuto encontram suporte em músicas como “I Wanna Be Sedated” dos Ramones ou “Dog Days Are Over” de Florence + The Machine. No caso de treinos intervalados de alta intensidade (HIIT), a escolha recai mais sobre a energia motivadora da canção, com letras que incitam ação, como “Born to Run” de Bruce Springsteen ou “Run the World” de Beyoncé. Para práticas como yoga, a preferência costuma ser por sons tranquilos ou até mesmo o silêncio, respeitando a necessidade de concentração e relaxamento.

Uma pesquisa recente da Maximum Boxing revelou que o pop lidera as preferências musicais dos brasileiros durante o treino, seguido de perto pela música eletrônica, rock/metal e sertanejo. Entre os artistas mais citados estão Alok, Anitta e a dupla Henrique e Juliano, embora a pesquisa não tenha correlacionado esses gostos ao BPM das faixas. O produtor musical conhecido como Hitmaker, que comanda o projeto Hitdance voltado para academias, argumenta que a energia transmitida por uma música – seja pela letra, pelos instrumentos ou pelas variações rítmicas – supera a simples contagem de batidas. Ele compara a montagem de um set de DJ a um treino: iniciar com faixas mais calmas para o aquecimento, acelerar no meio com músicas de alta energia e fechar com um impulso final, sempre atento ao estado de ânimo dos ouvintes.

No fim das contas, a eficácia da trilha sonora depende tanto da adequação técnica quanto da conexão emocional que o praticante estabelece com a música. Quando o ritmo da canção acompanha o movimento e a letra desperta motivação, o treino deixa de ser apenas um esforço físico e passa a ser uma experiência mais prazerosa. Assim, a recomendação dos especialistas é que cada atleta experimente diferentes estilos, ajuste o BPM ao tipo de atividade e, sobretudo, escolha aquelas faixas que realmente “tocam” seu interior, transformando o suor em sinfonia.

Fonte: G1 Pop & Arte