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Quem é Pedro Alliana, vice que vai assumir a Presidência do Paraguai após impeachment

Por Liberal FM•06/11/2026 às 19:10
Quem é Pedro Alliana, vice que vai assumir a Presidência do Paraguai após impeachment

O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta‑feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, que renunciou diante da crescente pressão política e de um processo de destituição já em curso. A decisão foi motivada pelo escândalo envolvendo o fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos seus recursos e suscitou acusações de que o presidente, acionista do grupo controlador da instituição, teria sido protegido pelo Banco Central. Com a saída de Peña, o vice‑presidente Pedro Alliana assume a chefia do Estado em meio a uma grave crise financeira e institucional.

Alliana, de 52 anos, nasceu em Pilar, no estado de Ñeembucú, e tem uma trajetória que combina esportes, formação acadêmica e experiência no comércio antes de ingressar na política. Na juventude integrou a seleção paraguaia de basquete e participou de torneios nacionais, enquanto concluía o curso de Relações Internacionais na Universidade San Sebastián. Casado e pai de quatro filhos, ele traz para o cargo uma imagem de homem de família e de origem regional, distante dos círculos de poder de Asunción.

Politicamente, Alliana pertence ao Partido Colorado – a Associação Nacional Republicana – que historicamente domina a cena política paraguaia. Seu percurso dentro do partido inclui a governança da província de Ñeembucú entre 2008 e 2012, seguida por uma década como deputado federal de 2013 a 2023, período em que também liderou a bancada colorado na Câmara entre 2015 e 2023. Em abril deste ano, anunciou sua pré‑candidatura à presidência nas eleições de 2028, contando com o apoio explícito de Santiago Peña e do ex‑presidente Horacio Cartes, o que reforça sua posição como herdeiro político dentro do movimento.

A Constituição paraguaia estabelece que o vice‑presidente assume o cargo com a renúncia do presidente, mas a situação de Alliana permanece incerta, já que ele também figura como réu em um processo de impeachment que tramita no Congresso. Essa ambiguidade gera dúvidas sobre a legitimidade plena de sua posse e alimenta a instabilidade política que já se refletiu nos mercados financeiros e na confiança da população. Enquanto o novo governo tenta conter a fuga de capitais e restaurar o acesso dos clientes ao dinheiro bloqueado, a oposição continua a pressionar por investigações mais aprofundadas sobre o papel do Banco Central e dos acionistas do Ueno.

A crise no Paraguai, iniciada com o colapso do banco digital, tem repercussões que ultrapassam as fronteiras do país, afetando investidores e consumidores brasileiros que mantinham recursos na instituição. Analistas apontam que a resposta do novo presidente será decisiva para conter o pânico e reestabelecer a credibilidade do sistema bancário nacional. O futuro imediato de Alliana dependerá, portanto, não apenas da resolução do processo de impeachment, mas também da capacidade de conduzir reformas que garantam transparência e estabilidade ao setor financeiro paraguaio.

Fonte: G1 Mundo