Quem é Santiago Peña? Presidente de direita do Paraguai enfrenta crise política e pode renunciar

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta uma crise política que pode culminar em seu afastamento do cargo. Na última quinta‑feira, o Congresso deu início ao processo de impeachment contra o mandatário e seu vice, motivado por uma turbulência no sistema bancário que tem gerado grande instabilidade econômica e social. Em meio a esse cenário, Peña reconheceu que a saúde pública permanece como um dos maiores desafios do país, reforçando a necessidade de medidas urgentes para melhorar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde.
A origem da crise bancária remonta ao colapso do banco digital Ueno, que encerrou suas atividades deixando milhares de clientes sem acesso aos seus recursos. A situação ganhou contornos ainda mais delicados quando surgiram denúncias de que o Banco Central do Paraguai teria encoberto irregularidades na operação da instituição. A oposição apontou que Peña era acionista do grupo controlador do Ueno, alimentando suspeitas de conflito de interesses e de uma possível conivência entre o governo e o setor financeiro.
Eleito presidente em abril de 2023 pelo Partido Colorado, de orientação conservadora, Peña sucedeu Mario Abdo Benítez, também do mesmo partido. Essa foi a segunda tentativa de chegar ao Palácio da Independência; em 2018, ele havia perdido as primárias para o então futuro presidente. Desde então, sua trajetória política tem sido marcada por uma combinação de experiência técnica e alianças partidárias, que o posicionaram como uma figura central no cenário nacional.
A vida pessoal de Peña também chama atenção. Pai adolescente, ele teve seu primeiro filho aos 17 anos, ainda estudante, e hoje é casado com Letícia Ocampo, com quem tem outro filho. Formado em economia pela Universidad Católica Nuestra Señora de Asunción, ele buscou aprimoramento acadêmico nos Estados Unidos, concluindo uma pós‑graduação na Columbia University. Sua carreira inclui passagem pelo Fundo Monetário Internacional, onde trabalhou no departamento dedicado à África, e cargos no Banco Central do Paraguai, antes de assumir a pasta da Fazenda entre 2015 e 2017, durante o governo de Horácio Cartes.
Com o processo de impeachment em andamento, o futuro de Peña permanece incerto. Enquanto o Congresso debate a possibilidade de sua destituição, o presidente tenta equilibrar a pressão política com a necessidade de avançar em reformas estruturais, sobretudo no setor de saúde, que ele descreve como prioritário. A combinação de desafios econômicos, acusações de má gestão bancária e a crescente insatisfação popular coloca o mandatário em uma posição delicada, que exigirá respostas rápidas e eficazes para evitar um agravamento da crise institucional.
Fonte: G1 Mundo





