Quem era Nathalia Filgueiras, filha de brasileiros que atuava como copiloto em avião que caiu na Flórida

Um avião particular caiu na tarde de domingo em Palm Beach, no condado de Palm Beach, Flórida, deixando nove mortos. A aeronave, um Learjet 60, decolou de Austin, no Texas, às 9h36 (horário local) com destino às Bahamas e se precipitou sobre uma área residencial de Greenacres por volta das 12h50, provocando explosão, cratera no asfalto e destroços espalhados pela vizinhança. Entre as vítimas estava a jovem de 20 anos, filha de brasileiros, que ocupava a cabine como copiloto.
A jovem, nascida nos Estados Unidos de pais imigrantes, havia conquistado a licença de piloto particular aos 17 anos, antes mesmo de obter a carteira de motorista. Seu interesse pela aviação começou em 2020, quando ainda estava no segundo ano do ensino médio, e foi incentivado pelo pai, que pilotava por lazer desde 2018. Durante o último ano na West Boca Raton High School, ela acumulou 88 horas de voo, permitindo-lhe conduzir aeronaves particulares de forma autônoma e transportar passageiros sem remuneração. O programa de formação, financiado pelo distrito escolar de Palm Beach County, incluía aulas teóricas, simuladores, prática em voo e avaliações técnicas.
Além da paixão por voar, a estudante via a aviação como um caminho diferenciado em relação aos colegas, que preferiam esportes ou encontros sociais. Em entrevista à CBS12 News, ela brincou ao afirmar que, embora não soubesse dirigir, sabia pilotar, e revelou o desejo de obter a habilitação de motorista ainda naquele ano. Seu objetivo profissional era ingressar em uma companhia aérea comercial ou atuar na aviação executiva, pilotando jatos particulares, e ela compartilhava nas redes sociais registros de sua rotina na cabine, celebrando conquistas como o comando de um Learjet 60.
Gravações da comunicação entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo revelaram que, pouco antes da queda, a voz feminina na cabine relatou problemas com gelo e turbulência, declarando emergência e indicando uma perda de altitude extremamente rápida – “Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto”. Em seguida, a tripulante mencionou velocidade excessiva e uma taxa de descida de cerca de 20 mil pés por minuto, antes de gritar que o avião estava prestes a colidir com o solo. Ainda não foi confirmado se a voz registrada pertencia à jovem copiloto.
As causas do acidente permanecem sob investigação do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA). Especialistas apontam a formação de gelo e a turbulência como possíveis fatores, mas ressaltam que uma conclusão definitiva ainda não foi alcançada. O NTSB deve realizar uma coletiva de imprensa nesta segunda‑feira, às 15h (horário de Brasília), para detalhar os procedimentos adotados e as próximas etapas da apuração, enquanto autoridades locais continuam a recolher evidências no local do desastre.
Fonte: G1 Mundo





