Questões fáceis do Enem desafiam alunos da rede privada, mostra levantamento

Um levantamento realizado pela Geekie Educação, com base nos microdados do Enem 2025, revelou que uma parcela considerável de estudantes de escolas particulares errou questões classificadas como de baixa dificuldade. Dos 240 mil alunos da rede privada analisados – que representaram cerca de 20% dos 1,17 milhão de participantes – mais de quatro em cada dez não acertaram itens que, em princípio, deveriam ser mais acessíveis.
Os índices de erro foram superiores a 40% em três das quatro áreas avaliadas. Em Ciências da Natureza, 45,67% dos candidatos privados responderam incorretamente; em Ciências Humanas, a taxa chegou a 43,9%; em Linguagens, 43,63% das respostas foram equivocadas. Apenas em Matemática o percentual ficou abaixo desse patamar, com 32,84% de respostas erradas, embora ainda represente um número expressivo.
Especialistas apontam que, na lógica da Teoria de Resposta ao Item (TRI), o desempenho em questões fáceis tem peso relevante na pontuação final, pois candidatos que acertam itens de menor complexidade tendem a receber notas mais altas. O fato de estudantes capazes de resolver questões difíceis ainda falharem nas mais simples sugere falhas de interpretação e de leitura do enunciado, e não necessariamente lacunas de conteúdo. Comentários de professores de Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza destacam que a atenção ao contexto, à formulação da pergunta e à relação entre os dados apresentados são decisivas para evitar erros evitáveis.
O cenário indica que, apesar de apresentarem médias superiores às da rede pública, os alunos de escolas particulares ainda enfrentam dificuldades em transformar conhecimento em respostas corretas quando a prova exige compreensão textual e análise crítica. O estudo reforça a necessidade de reforçar habilidades de interpretação e de leitura atenta nos processos de preparação para o Enem, de modo a reduzir a incidência de “chutes” e melhorar a coerência entre a proficiência real e a pontuação atribuída.
Fonte: G1 Educação





