Recuo de geleiras revela cerca de 250 munições da Primeira Guerra em montanhas da Itália

O recuo das geleiras nas Dolomitas, na região de Trentino‑Alto Ádige, tem revelado um legado bélico que ficou soterrado sob o gelo por mais de um século. À medida que o inverno de 2025 trouxe pouca neve e o verão de 2026 registrou temperaturas extremas, o degelo acelerado expôs munições da Primeira Guerra Mundial que permaneciam preservadas nas camadas glaciais. Esse fenômeno natural obrigou as autoridades italianas a intensificar as ações de desativação, pois os explosivos, embora antigos, ainda representam risco para a população e para os visitantes das áreas montanhosas.
A Brigada Alpina Julia, integrante do 2º Regimento de Engenharia Alpina do Exército italiano, conduziu a campanha de remoção que se estendeu de agosto até meados de outubro. Durante esse período, cerca de 250 artefatos foram desativados, entre eles projéteis de artilharia, bombas de morteiro e fragmentos de bombarde. O primeiro achado deste ano ocorreu em junho, quando um carro despencou em um barranco próximo a Caldonazzo; ao retirar o veículo, bombeiros encontraram um projétil de morteiro de 90 mm ao pé de uma árvore, que foi imediatamente encaminhado a uma equipe especializada para neutralização.
Na última semana da operação, em Canal San Bovo, na região de Primiero, os militares neutralizaram cinquenta e cinco artefatos. Dentre eles estavam dezoito projéteis de artilharia italianos de 75 mm e trinta e sete projéteis da bombarda Thevetot, de fabricação francesa, mas também utilizada pelo exército italiano durante o conflito. As intervenções não se limitaram a esse ponto; equipes trabalharam em locais como Carè Alto, Vedretta di Lares, no maciço Adamello‑Brenta, bem como nas áreas da Val Martello e do Parque Nacional do Stelvio, na província de Bolzano, ampliando a abrangência da limpeza.
Embora munições de ambas as guerras mundiais reapareçam anualmente nas montanhas alpinas, a remoção só pode ser realizada entre o fim do verão e o início do outono, antes que as primeiras nevascas dificultem o acesso e aumentem o risco de acidentes. As condições climáticas recentes, marcadas por verões mais quentes e invernos mais secos, intensificaram a necessidade de intervenções rápidas, pois o degelo expõe cada vez mais objetos que há muito tempo estavam congelados e, portanto, relativamente seguros.
Para evitar tragédias, as autoridades lançaram uma campanha de segurança dirigida a trilheiros, moradores e turistas. O procedimento recomendado consiste em não tocar nem tentar mover qualquer objeto suspeito, comunicar imediatamente o achado às autoridades locais e, se possível, enviar fotografias que auxiliem na identificação. A retirada e a neutralização dos explosivos são tarefas exclusivas de equipes treinadas, garantindo que o risco seja mitigado de forma profissional e eficaz.
Fonte: G1 Mundo





