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Reino Unido exigirá que parte dos migrantes espere 10 anos por residência

Por Liberal FM•02/11/2026 às 14:43
Reino Unido exigirá que parte dos migrantes espere 10 anos por residência

O governo britânico revelou nesta segunda‑feira uma reforma abrangente nas normas de imigração, que eleva o tempo de espera para a maioria dos estrangeiros que desejam obter a residência permanente de cinco para dez anos. A medida faz parte de uma estratégia de endurecimento da política migratória, intensificada após o aumento de fluxos migratórios decorrentes do Brexit. Ao mesmo tempo, foram introduzidas exceções que beneficiam determinados trabalhadores do setor de cuidados, que poderão solicitar o status de residência permanente após cinco anos, desde que atendam a requisitos como fluência em inglês, ausência de antecedentes criminais e contribuição regular ao sistema de seguridade social.

Para os migrantes com rendimentos elevados, a nova legislação traz um tratamento mais célere: quem ganha mais de £125 mil por ano poderá alcançar a residência permanente em apenas três anos. Essa diferenciação reflete a intenção de premiar aqueles que mais contribuem para a economia do país. Por outro lado, quem chega ao Reino Unido de forma irregular, especialmente em pequenas embarcações que cruzam o Canal da Mancha, enfrentará um período de espera muito mais longo, que pode variar entre 20 e 30 anos antes de ter direito ao status de residência indefinida.

A mudança também afeta os trabalhadores de baixa qualificação que ingressaram no país após o Brexit. Estima‑se que cerca de 350 mil desses profissionais e seus dependentes deverão, nos próximos anos, cumprir o novo prazo de dez anos para solicitar a autorização de permanência indefinida, conhecida como ILR (Indefinite Leave to Remain). Essa autorização garante o direito de viver e trabalhar no Reino Unido sem restrições temporais e abre acesso a determinados benefícios sociais.

A proposta encontrou resistência de sindicatos e de membros do Partido Trabalhista, que governam o país, levando a ministra do Interior, Shabana Mahmood, a manter o prazo de cinco anos para os trabalhadores da saúde e assistência social. Em pronunciamento, Mahmood destacou que “quem mais contribui poderá obter a residência permanente mais rapidamente”, ao mesmo tempo em que advertiu que quem descumprir as regras terá o pedido negado ou precisará aguardar um período ainda maior.

As alterações chegam em um contexto de crescente pressão popular por uma redução da imigração e do avanço de partidos como o Reform UK, liderado por Nigel Farage, que defendem políticas migratórias ainda mais restritivas. O governo, porém, sustenta que o ajuste nas regras é essencial para equilibrar a demanda por mão‑de‑obra qualificada e a necessidade de controlar o fluxo migratório, ao mesmo tempo em que oferece caminhos diferenciados para categorias específicas de trabalhadores.

Fonte: G1 Mundo