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Rodrigo Santoro não se interessou de cara por vilão de ‘Três Horas para Viver’: ‘Protocolar, tradicional’

Por Liberal FM•29/10/2026 às 03:00
Rodrigo Santoro não se interessou de cara por vilão de ‘Três Horas para Viver’: ‘Protocolar, tradicional’

Rodrigo Santoro chegou ao set de “Três Horas para Viver” com a impressão de que o vilão Damián Zaldívar era um retrato demasiado convencional dos antagonistas de ação. Ao ler o roteiro, o ator brasileiro sentiu que o personagem carecia de personalidade e, em vez de aceitar o papel como estava, passou duas semanas em conversas por Zoom com o diretor Scott Waugh, responsável por “Os Mercenários 4”. O diálogo acabou resultando em mudanças significativas, entre elas a decisão de inserir falas em português, o que acabou por transformar a origem do personagem ao sugerir que seu pai fosse brasileiro.

A ideia de fazer Damián alternar entre português e inglês surgiu de forma inesperada durante um ensaio, quando Santoro soltou um palavrão improvisado que o diretor inicialmente confundiu com espanhol. Ao perceber o equívoco, Waugh abraçou a proposta e incorporou a mistura de idiomas ao roteiro, permitindo que o vilão passasse a provocar o protagonista com um “sotaque de merda”. Essa “brincadeira” linguística acabou por gerar uma camada adicional de humor e, ao mesmo tempo, abrir espaço para reflexões sobre preconceitos linguísticos, embora Santoro tenha defendido que a piada se dirige mais ao fato de não ser australiano do que a questões de imigração.

O longa, filmado na Austrália, acompanha Hank Malone – interpretado por Alan Ritchson – um “runner” de elite encarregado de transportar um fígado que pode salvar a vida de uma menina de sete anos. O órgão, porém, desperta a cobiça de Damián, um chefe de cartel violento, que tem seus próprios motivos para roubar a carga. Ao lado de Hank, o médico tagarela Ben Bishop, vivido por Owen Wilson, luta contra o tempo e os perigos da jornada para garantir que o órgão chegue intacto ao hospital. A trama combina ação frenética com um dilema moral que ganha ainda mais peso ao abordar a doação de órgãos e o sacrifício de desconhecidos.

Santoro aproveitou a oportunidade para destacar, dentro da própria entrevista, a importância dos profissionais que arriscam a própria vida para salvar outras pessoas, como médicos, enfermeiros e bombeiros. Ele ressaltou a admiração que sente por esses trabalhadores, que, assim como os personagens de Hank e Ben, colocam suas próprias existências em risco por um bem maior. Essa mensagem, inserida em um filme de ação, demonstra como a narrativa pode servir de ponto de partida para discussões sobre solidariedade e responsabilidade social.

Com mais de duas décadas de carreira em Hollywood, o ator mantém um critério de escolha de papéis que ainda gira em torno da conexão pessoal com a história. Embora reconheça que sua visão evoluiu com a experiência, a essência permanece: buscar personagens que lhe permitam se relacionar com o enredo. Recentemente, Santoro participou de projetos como “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, que aborda o etarismo, e “Corrida dos Bichos”, que traz à tona questões de catástrofe climática e desigualdade social. Para ele, o mercado internacional mudou, oferecendo mais oportunidades a atores estrangeiros, e um filme de ação, ao entreter, ainda tem o potencial de fazer o público refletir.

Fonte: G1 Pop & Arte