Rússia testa míssil nuclear intercontinental disparado por submarino

A Rússia realizou, nesta quarta‑feira (28), o disparo de um míssil balístico intercontinental do tipo RSM‑56 Bulava a partir do submarino nuclear Generalíssimo Suvorov, ancorado nas águas do mar de Okhotsk. Segundo o Ministério da Defesa russo, o projétil percorreu cerca de 8,3 mil quilômetros, cruzando praticamente todo o território nacional antes de atingir a zona de testes no noroeste, no estado de Arkhangelsk. O comunicado oficial destacou que o lançamento faz parte de um exercício de treinamento e serve para confirmar a prontidão do sistema para operações de combate.
Embora o órgão não tenha especificado se o míssil transportava uma ogiva nuclear, a prática costuma envolver apenas cargas convencionais em testes desse tipo. O Bulava, porém, possui capacidade para acomodar até 16 ogivas nucleares de múltiplos focos, com potencial de explosão dez vezes maior que a bomba lançada sobre Hiroshima. Submarinos da classe Borei, como o Generalíssimo Suvorov, podem transportar até 16 unidades desse míssil, reforçando a força de dissuasão estratégica da Marinha russa.
O ensaio ocorre em um cenário de crescente tensão entre Moscou e a Europa, alimentado pela guerra na Ucrânia e por incidentes híbridos, como o ataque de drone ao aeroporto de Leipzig, na Alemanha. A OTAN tem intensificado seu rearmamento, apontando a Rússia como principal ameaça. Paralelamente, surgem temores de uma nova escalada no Oriente Médio, com relatos da imprensa norte‑americana indicando que o governo dos Estados Unidos consideraria retomar operações militares contra o Irã, o que poderia ampliar ainda mais o risco de conflito.
Na mesma semana, a França conduziu um teste de seu míssil balístico nuclear M51.3 no Mar do Norte, ação que o presidente Emmanuel Macron descreveu como uma “mensagem em alto e bom som”. A Dinamarca, por sua vez, anunciou a aquisição de seus primeiros mísseis de precisão de longo alcance, justificando a compra como medida para reforçar a defesa nacional diante de um ambiente de segurança cada vez mais instável. Esses movimentos evidenciam uma corrida de demonstrações de poder militar entre as principais potências.
Fonte: G1 Mundo





