Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai, é preso em Assunção

O ex‑presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido nesta sexta‑feira logo após o Senado concluir a votação que resultou na perda de seu mandato. A prisão, que será cumprida em regime domiciliar, foi ordenada por quatro promotores do Ministério Público que conduzem as investigações sobre suposta gestão fraudulenta e outros crimes ligados ao escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. A polícia federal compareceu à residência de Peña imediatamente após o encerramento do julgamento e executará a ordem judicial.
As suspeitas recaem sobre a forma como Peña e seu entorno administraram recursos públicos e privados. Em 2023, o ex‑mandatário declarou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, cerca de 5,28 bilhões de reais, e manteve um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no próprio banco. Além disso, ele detinha um título da empresa Itti, especializada em softwares financeiros, e seu irmão figura como sócio da U Holding SARL, empresa que teria sido utilizada como veículo para controlar o Ueno Bank.
A investigação ganhou novo impulso depois que um grupo de parlamentares apresentou, na quinta‑feira, uma denúncia ampliada que acrescenta três fatos a uma representação já protocolada em outubro de 2025. Entre as acusações, destaca‑se a alegação de conflito de interesse envolvendo Peña, pessoas próximas a ele e o conglomerado Ueno, bem como a suposta omissão do Banco Central do Paraguai, que teria sido informada sobre os problemas financeiros do banco já em abril de 2026, mas não adotado as medidas necessárias para conter a crise. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, é citado como um dos responsáveis por essa falha institucional.
Outro ponto crítico da denúncia refere‑se ao uso de recursos públicos depositados no Ueno Bank. Entre as instituições que mantinham fundos na instituição estão o Instituto de Previdência Social, a usina binacional de Itaipu – da qual o Brasil detém metade – a entidade binacional Yacyretá, compartilhada com a Argentina, e o Ministério da Economia. Os parlamentares solicitaram que a investigação examine detalhadamente as decisões que levaram à alocação desses recursos, a fim de determinar se o Estado foi prejudicado ou se houve conluio entre os responsáveis pelas operações.
Em meio ao processo judicial, Peña reconheceu que a saúde continua sendo um dos principais desafios do Paraguai, mas sua fala foi ofuscada pelas graves acusações que pairam sobre sua gestão. O caso, que ainda está em desenvolvimento, promete aprofundar o debate sobre a transparência e a responsabilidade dos dirigentes públicos no país, enquanto as autoridades continuam a apurar possíveis desvios e irregularidades que podem ter comprometido tanto o setor financeiro quanto o erário nacional.
Fonte: G1 Mundo





