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Santiago Peña, presidente do Paraguai que sofreu impeachment, é de direita ou esquerda? Entenda a posição política

Por Liberal FM•06/11/2026 às 19:20
Santiago Peña, presidente do Paraguai que sofreu impeachment, é de direita ou esquerda? Entenda a posição política

O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta‑feira (6), o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, em meio ao escândalo provocado pelo fechamento repentino do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos seus recursos. A medida foi impulsionada por denúncias de que o Banco Central teria encoberto irregularidades na instituição, cuja controladora incluía o próprio presidente como acionista. A crise bancária, que se tornou símbolo de uma gestão marcada por controvérsias, acabou por desencadear a perda de apoio político necessário para a manutenção de Peña no cargo.

Peña, de 47 anos, chegou ao Palácio da Independência em abril de 2023, sucedendo Mario Abdo Benítez, também do Partido Colorado. Economista formado nos Estados Unidos, com passagem pelo Fundo Monetário Internacional, ele foi visto como um tecnocrata de orientação pró‑mercado, mas com posições conservadoras em temas sociais, como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Essa combinação de perfil econômico liberal e valores tradicionais o aproximou de lideranças como Donald Trump e Javier Milei, embora sem adotar a retórica mais agressiva desses políticos.

Durante a campanha, Peña destacou a necessidade de enfrentar desafios estruturais, especialmente na área da saúde, que ele reconheceu como um dos principais entraves ao desenvolvimento do país. Em seu discurso, apontou a falta de investimentos e a precariedade dos serviços como fatores que exigem reformas urgentes, mas a crise bancária acabou ofuscando essas prioridades, gerando um clima de instabilidade que dificultou a implementação de políticas públicas mais amplas.

A trajetória política de Peña inclui a passagem como ministro da Fazenda entre 2013 e 2018, durante o governo de Horácio Cartes, período em que consolidou sua ligação ao Partido Colorado, o mais antigo da história paraguaia. Antes de assumir a pasta, trabalhou no Banco Central e, após uma pós‑graduação na Universidade de Columbia, integrou o FMI, onde atuou no departamento dedicado à África. Seu retorno ao Paraguai culminou na candidatura presidencial, que só se concretizou após perder as primárias em 2018 para o então futuro presidente Mario Abdo Benítez.

Além da vida pública, o presidente tem uma história pessoal marcada por desafios. Pai adolescente, teve seu primeiro filho aos 17 anos, enquanto ainda cursava o ensino médio, e atualmente é casado com Letícia Ocampo, com quem tem outro filho. Essa experiência de vida, aliada à formação acadêmica e à passagem por organismos internacionais, moldou um perfil que, até o momento, combina ambição política, visão econômica liberal e conservadorismo social, elementos que agora serão reavaliados à luz do processo de impeachment em curso.

Fonte: G1 Mundo