Seis meses de salário, MacBook e bolsas de R$ 55 mil: como é o pacote de demissão da Canva

A plataforma australiana de design Canva anunciou nesta terça‑feira uma reestruturação que afetará 1.271 colaboradores, o que corresponde a cerca de 22% da força de trabalho. A medida foi justificada pela própria empresa como resposta à primeira desaceleração de crescimento em dez anos, além da necessidade de adaptar a estrutura organizacional às mudanças tecnológicas e às novas exigências dos usuários. Entre as mudanças previstas, a companhia pretende reduzir níveis hierárquicos, integrar os departamentos de Produto, Crescimento e Plataforma em uma única estrutura e concentrar as equipes de produto em Sydney, que passará a ser a principal base desses profissionais.
Para minimizar o impacto da demissão, a Canva definiu um pacote de apoio que inclui o pagamento de, no mínimo, seis meses de salário a todos os funcionários desligados, independentemente do país onde atuam, respeitando os direitos trabalhistas locais. A assistência médica será mantida por doze meses nos países onde o benefício já é oferecido, por meio do programa Canva Care, que também pode ser utilizado por familiares. Além disso, os colaboradores terão a possibilidade de ficar com o MacBook que utilizavam no trabalho, reconhecendo que nem todos dispõem de equipamento próprio.
O suporte à recolocação profissional também faz parte do pacote. A empresa disponibilizará orientação individual de carreira, preparação para entrevistas e uma assinatura anual do LinkedIn Premium, além de contar com parte da própria equipe de recrutamento para revisar currículos e treinar os profissionais para os processos seletivos. Um cadastro voluntário de ex‑funcionários será criado e compartilhado com investidores, parceiros e contatos do setor, com o objetivo de aproximar os desligados de possíveis oportunidades de emprego.
Para aqueles que desejam empreender, a Canva lançou o Canva Collective Fund, um fundo que concederá bolsas de US$ 10 mil (cerca de R$ 54,8 mil) a ex‑colaboradores que apresentarem projetos próprios. O recurso pode ser usado tanto para abrir um novo negócio quanto para desenvolver iniciativas voltadas à comunidade local, sem que a empresa exija participação nos empreendimentos nem retenha direitos sobre eles. Os interessados têm até 14 de dezembro para manifestar interesse.
A reestruturação também traz mudanças na forma de trabalho. A partir de janeiro, a maioria dos funcionários que permanecem em regime híbrido deverá comparecer ao escritório de dois a três dias por semana, conforme a região. Segundo a cofundadora e presidente‑executiva Melanie Perkins, a empresa avaliou diversas alternativas antes de concluir que ajustes menores não seriam suficientes para prepará‑la para os desafios dos próximos anos, reforçando o compromisso de apoiar todas as pessoas afetadas pela decisão.
Fonte: G1 Tecnologia





