Vitória de Lula deu ‘nova esperança’ a progressistas nos EUA, diz brasileiro eleito na Flórida

Felipe Sousa‑Lazaballet, de 40 anos, tornou‑se o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Flórida, um marco que ele atribui à combinação de sua trajetória pessoal e ao clima político internacional. Nascido no Rio de Janeiro e criado em Santa Cruz da Serra, no interior de Duque de Caxias, ele superou uma infância marcada pela pobreza para alcançar a vitória em um distrito tradicionalmente dominado pelos republicanos. A conquista foi celebrada pelos democratas do estado, que viram a eleição como um sinal de que a bancada pode ganhar terreno em uma região historicamente conservadora.
Em entrevista à TV Globo, Sousa‑Lazaballet relacionou sua vitória à “nova esperança” gerada pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. O presidente brasileiro foi confirmado com 51,79% dos votos válidos no segundo turno, enquanto a taxa de abstenção recuou para 19,21%, a menor desde 2006. Para o deputado eleito, a mobilização dos eleitores brasileiros demonstrou ao mundo que a participação nas urnas pode derrotar a direita, inspirando movimentos progressistas nos Estados Unidos, inclusive na Flórida, onde ele busca replicar esse engajamento.
O cenário político da Flórida também reflete mudanças significativas. Embora o governador tenha sido eleito republicano, a disputa foi extremamente acirrada, com o candidato democrata chegando a poucos pontos percentuais do triunfo apesar de contar com um orçamento de campanha dez vezes menor. Na Assembleia, os democratas conquistaram 16 cadeiras que antes eram ocupadas por republicanos, um avanço que, segundo Sousa‑Lazaballet, abre caminho para que políticas mais alinhadas às necessidades da classe trabalhadora ganhem espaço. Ele vê esse movimento como a base para uma nova estratégia política no estado.
Os desafios, porém, permanecem. Como membro de uma minoria na Casa, o deputado reconhece que avançar nas prioridades de seu mandato — ampliar o acesso à saúde, aumentar os investimentos em educação, reduzir os custos da moradia e proteger o meio ambiente — exigirá negociação e alianças estratégicas. Ainda assim, ele mantém a convicção de que a organização coletiva pode transformar realidades. “Quando pessoas comuns se juntam, se organizam e permanecem enraizadas no amor e na justiça, tudo é possível”, afirmou, reforçando a importância da mobilização popular.
Ao olhar para o futuro, Sousa‑Lazaballet espera que sua presença na Assembleia Legislativa sirva de exemplo tanto para a comunidade brasileira nos Estados Unidos quanto para os trabalhadores da Flórida. Ele acredita que a experiência de mobilização que marcou a eleição de Lula pode ser adaptada ao contexto americano, incentivando uma participação cidadã mais robusta e, assim, contribuindo para a construção de políticas públicas mais inclusivas e sustentáveis.
Fonte: G1 Mundo





