Um novo ciclo de Copa do Mundo tem início nesta segunda-feira (20). Na contagem regressiva, são 1.419 dias até o próximo Mundial. Após a pior campanha desde 1990, com eliminação nas oitavas de final para a Noruega, o torcedor brasileiro se questiona sobre a jornada rumo a 2030. Entre as várias interrogações, uma diz respeito a continuidade ou não de Neymar com a Amarelinha. Ainda há espaço para ele?

A última rodada do estudo Eu Vi o Brasil – O país do futebol?, que foi realizado semanalmente pela agência de pesquisas de mercado IMO Insights, com homens e mulheres a partir dos 18 anos, identificou 46% consideram finalizado o ciclo de Neymar pelo Brasil. A percepção, contudo, não chega a ser uma maioria absoluta. Ou seja, superior a 50%.
Na contramão, 36% do público acredita que o atacante de 34 anos merece, sim, continuar na Seleção. Ele terá 38 anos na próxima Copa, mais novo, por exemplo, que o argentino Lionel Messi na edição deste ano. E 18% das respostas da pesquisa – que integra uma plataforma que realiza análises de comportamento, valores e percepções para o mercado desde 2023 – “não concordam e nem discordam” sobre a permanência.
Apesar de alguma divisão a respeito das opiniões acerca do futuro de Neymar na Seleção, a imagem do atacante junto ao torcedor sofreu um desgaste sensível. Não à toa, para 67% dos pesquisados, a saída de Neymar abre espaço para uma renovação pensando em 2030. Apenas 14% pensam diferente e, novamente, 18% não têm opinião definida.
“Em relação ao levantamento antes do início da Copa, ele [Neymar] perdeu seis pontos percentuais como jogador preferido, aumentou três pontos como jogador de quem os brasileiros menos gostam, inclusive liderando esse indicador com folga, e caiu cinco pontos como jogador que melhor representa o espírito da seleção brasileira”, argumentou a diretora de Operações da IMO, Simona Karen Miranda, à Agência Brasil.
“Os números sugerem que a discussão em torno de Neymar deixou de ser apenas técnica e passou a refletir um desejo de mudança de ciclo por parte de uma parcela significativa dos brasileiros. Não indica apenas uma perda de popularidade do jogador, mas também uma maior disposição do torcedor para enxergar o futuro da Seleção sem ele”, completou.
Neymar conviveu com lesões ao longo do último ciclo, a ponto de se apresentar à Seleção para a Copa deste ano, ainda no Brasil, com uma lesão grau dois na panturrilha direita. Ao todo, o camisa 10 esteve em campo por apenas 55 minutos no Mundial, sendo 15 na terceira rodada, diante da Escócia, e cerca de 40 na eliminação para a Noruega, quando balançou as redes batendo pênalti.
O futuro de Neymar como profissional é incerto. Neymar da Silva Santos, pai e empresário, divulgou uma carta aberta, depois da eliminação para a Noruega, pedindo que o filho não pare. O camisa 10 tem contrato até o fim deste ano com o Santos. Ele se reapresentou ao clube na última sexta-feira (17).
Caso a passagem pela Seleção tenha acabado, Neymar se despede com 80 gols em 130 jogos considerados oficiais pela Federação Internacional do Futebol (Fifa). No recorte, o atacante é o maior artilheiro da Amarelinha, à frente de Pelé (77 gols). Além da medalha olímpica de ouro nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, ele foi campeão da Copa das Confederações de 2013, realizada no Brasil.
Soccer Football – FIFA World Cup 2026 – Round of 16 – Brazil v Norway – New York New Jersey Stadium, East Rutherford, New Jersey, U.S. – July 5, 2026 Brazil’s Neymar in action IMAGN IMAGES via Reuters/Caean Couto – Reuters/Caean Couto/Arquivo/Proibida reprodução
O peso da CBF
Mais do que Neymar, a percepção do público é que o novo ciclo de Copa deve vir acompanhado de uma transformação na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nos quatro anos entre os Mundiais de 2022 (Catar) e 2026, a entidade teve trocas polêmicas na presidência e quatro mudanças de treinador: foram quatro, do interino Ramon Menezes a Carlo Ancelotti, passando ainda por Fernando Diniz e Dorival Júnior.
Segundo a pesquisa, 86% dos entrevistados concordam que a CBF precisa de “mudanças profundas para que o Brasil volte a ser uma potência no futebol mundial”. Além disso, 72% são favoráveis à perspectiva de que os problemas de gestão contribuíram para a queda precoce da Seleção”.
Curiosamente, somente 14% do público avaliou que a confederação foi a principal responsável pela eliminação nas oitavas. O desempenho dos jogadores (30%), as decisões de Ancelotti (20%) e a convocação (19%) foram mais responsabilizados do que a entidade em si. E apenas 6% consideraram que a Noruega, seleção que despachou o Brasil, simplesmente foi melhor.
“Nossa pesquisa mostra que grande parte da conexão do brasileiro com o futebol é construída sobre a nostalgia das grandes conquistas do passado, o que mantém viva a crença de que o Brasil continua sendo uma potência. Em vez disso, os brasileiros tendem a responsabilizar fatores circunstanciais”, considerou Simona.
“Em outras palavras, embora 70% reconheçam que o Brasil perdeu protagonismo no cenário mundial, ainda prevalece a percepção de que o problema está na forma como esta Seleção jogou esta Copa e não em uma perda definitiva da capacidade do país de revelar talentos ou voltar a disputar títulos”, finalizou a diretora da IMO.