Acusada de participar nos ataques de 8 de janeiro é presa no Paraguai


Uma mulher suspeita de participação nos ataques de 8 de janeiro, em Brasília, foi presa na noite dessa sexta-feira (29) pela Polícia Federal. A informação foi confirmada pela PF na manhã deste sábado (30). Ela estava foragida no Paraguai e era procurada por causa de um mandado de prisão determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A prisão foi realizada por meio de uma cooperação internacional entre a Polícia Federal e as autoridades paraguaias. A mulher se apresentou voluntariamente ao escritório Central Nacional da Interpol em Assunção, capital do Paraguai.

De acordo com o protocolo entre os dois países, a mulher foi entregue a policiais federais brasileiros na cidade de Foz de Iguaçu, no Paraná, onde foi presa.

A mulher, que não teve a identidade confirmada, segue à disposição do STF, e aguarda transferência para o Distrito Federal.

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Fonte: Agência Brasil

Idoso de 71 anos é preso suspeito de torturar o filho portador de necessidades especiais, em Presidente Bernardes



Vítima acamada foi encontrada desacordada, com sinais de desnutrição e desidratação. Um homem, de 71 anos, foi preso nesta sexta-feira (29) suspeito de tortura contra o próprio filho, de 42 anos, em Presidente Bernardes (SP).
Durante uma visita de rotina, os assistentes sociais do município constataram a situação de abandono vivenciada por um portador de necessidades especiais acamado, diagnosticado com esquizofrenia e totalmente dependente de cuidados.
A Polícia Civil foi acionada e solicitou socorro médico. A vítima foi encontrada desacordada e desorientada, exalando forte cheiro de urina e com visíveis sinais de desnutrição. Além disso, o homem estava coberto por um cobertor mesmo com o calor intenso e com indícios de desidratação.
Conforme a corporação, o portão da casa estava trancado, mas assistentes ouviram a televisão e o rádio ligados com volume alto. A vítima, por sua vez, estava em uma casa localizada na sala do imóvel.
O homem foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Misericórdia e Nossa Senhora Aparecida, onde permaneceu internado e sem risco de morte.
Ainda conforme a Polícia Civil, o pai da vítima, que é o único responsável, não estava no imóvel no início do atendimento da ocorrência, mas chegou depois com sinais visíveis de ingestão de bebida alcoólica e demonstrou nervosismo.
Após a perícia examinar o local, todos foram conduzidos à Delegacia de Polícia.
Na unidade policial, foram chamados todos que tinham contato com o núcleo familiar de forma direta ou indireta.
Falta de cuidados
Conforme os relatos, ficou evidente que além do pai não cuidar do filho, ele impedia qualquer tipo de ajuda externa, seja de equipes da Saúde Municipal, Assistência Social, do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), cuidadores ou de vizinhos.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima permanecia sozinha por longos períodos no dia a dia, sem qualquer cuidado e auxílio externo devido o portão estar sempre trancado.
Além disso, ela era exposta a volumes altos de sons de rádio e televisão a várias horas de forma habitual. O homem acamado também não recebia alimentação, água e vivia em uma casa com situação precária de higiene e mal cheiro.
Diante de todas as situações, o pai da vítima foi preso em flagrante por crime de tortura e permanece à disposição da Justiça.

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Fonte: G1

Casa onde viveu Lélia Gonzalez recebe placa em sua homenagem


Neste sábado (30), a prefeitura do Rio de Janeiro e o Projeto Negro Muro lançam projeto relacionado à cultura da população negra. Imóveis de relevância histórica para a memória negra serão identificados como patrimônio cultural.

Rio de Janeiro (RJ), 30/09/2023 - Casa em que morou a autora, antropóloga, filósofa e política Lélia Gonzalez, em Santa Tereza, região central da cidade, recebe placa (Detalhe) em sua homenagem . Prefeitura do Rio e o Projeto Negro Muro lançam projeto relacionado à cultura da população negra. Imóveis de relevância histórica para a memória negra serão identificados como Patrimônio Cultural.
 Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Prefeitura do Rio e o Projeto Negro Muro lançam projeto relacionado à cultura da população negra. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A primeira placa foi em homenagem à autora, antropóloga, filósofa e ativista negra Lélia Gonzalez. A placa foi colocada no número 106 da Ladeira de Santa Teresa, na região central do Rio.

Lélia é uma referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe no Brasil e no mundo, sendo considerada uma das principais autoras do feminismo negro no país. Foi pioneira em pesquisas sobre a cultura negra no Brasil e co-fundadora do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro (IPCN-RJ) e do Movimento Negro Unificado.

Lélia morreu no dia 11 de julho de 1994 aos 59 anos.




Fonte: Agência Brasil

Polícia Ambiental resgata cachorra com larvas enroscada em arame e porco doente em sítio, em Rosana




Uma leitoa em decomposição também foi encontrada. Sitiante foi multado em R$ 12 mil. Cachorra é encontrada presa e enroscada em arame, em Rosana (SP)
Polícia Ambiental
Ao chegar na propriedade rural, os agentes encontraram o animal em situação crítica de saúde, pois estava magro e com uma lesão no dorso tomada por a.
Um homem, de 63 anos, foi multado em R$ 12 mil nesta sexta-feira (29) por maus-tratos a porcos e uma cachorra, em Rosana (SP).
A Polícia Militar Ambiental foi até o assentamento Gleba XV de Novembro atender uma denúncia de maus-tratos contra uma cadela, que estaria doente e sendo mantida amarrada em uma árvore sem alimentação e água.
Ao chegar na propriedade rural, os agentes encontraram o animal em situação crítica de saúde, pois estava magro e com uma lesão no dorso tomada por larvas.
Além disso, a cachorra estava presa em uma corrente curta e enroscada em vários fios de arame, não conseguindo se locomover. Ela também estava sem alimentação e água disponíveis.
O dono do sítio informou que mantinha a cadela presa pois ela já havia matado sete carneiros e que vinha tratando a “bicheira” apenas com o medicamento Lepecid.
Conforme a Polícia Ambiental, ela foi resgatada e levada até uma clínica veterinária, que prestou o atendimento emergencial e forneceu medicação. A cachorra precisou ficar internado para dar continuidade ao tratamento.
Policiais também encontraram uma leitoa em decomposição, em Rosana (SP)
Polícia Ambiental
Porco em decomposição e doente
Ainda durante vistoria no sítio, os policiais encontraram uma leitoa morta em estado de decomposição, tomada por moscas e larvas no chiqueiro.
No compartimento ao lado, ainda localizaram um porco em estado de magreza, com respiração ofegante e pernas cambaleantes.
Devido a situação precária, foi solicitada a presença da equipe da Vigilância Sanitária Municipal e uma médica veterinária, que constatou que o porco estava caquético, com anorexia, dispneia e hipotonia muscular.
O dono do sítio informou que a leitoa que estava morta havia engolido sacolas plásticas e, após evacuação, não conseguiu ficar em pé e morreu dias depois. Ele ainda disse que apenas forneceu cálcio ao animal, sem qualquer acompanhamento especializado.
Sobre a leitoa ainda estar no local mesmo após ter morrido, disse que não a enterrou pois estava aguardando a decomposição ser concluída para enterrar apenas os ossos depois.
A respeito do porco vivo, o idoso alegou que vem fornecendo ração diariamente, mas o animal não apresenta melhoras e não procurou um médico veterinário.
Porco estava com magreza excessiva, dispneia e hipotonia muscular, em Rosana (SP)
Polícia Ambiental
Multa de R$ 12 mil
Considerando as condições precárias dos animais encontrados no sítio, o proprietário recebeu uma multa de R$ 12 mil por prática de ato de maus-tratos a animais domésticos.
Após o tratamento ser concluído, a cachorra será encaminhada para uma Organização Não Governamental (ONG) de animais e disponibilizada para adoção.
O porco vivo, por sua vez, foi apreendido e deixado com o dono, visto que não era possível realizar uma doação imediata.
A leitoa morta, já em estado de decomposição, foi apreendida e também depositada ao homem, que deverá enterrar os restos do animal.
Diante dos fatos, o envolvido ainda responderá criminalmente pelos atos praticados.
Cachorra é encontrada presa e enroscada em arame, em Rosana (SP)
Polícia Ambiental

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Fonte: G1

ICMBio vai apurar causas da morte de botos no Amazonas


O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou hoje (30) que vai apurar as causas das mortes de botos em Tefé, no Amazonas.

Desde a última segunda-feira (23) até ontem (29), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá registrou a morte de mais de 100 mamíferos aquáticos como o boto vermelho e o tucuxi, que viviam no lago.

Até o momento, as causas não foram confirmadas, mas há indícios de que o calor e a seca histórica dos rios estejam provocando as mortes de peixes e mamíferos na região. O ICMBio disse que já mobilizou para a região equipes de veterinários e servidores do seu Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA) e da Divisão de Emergência Ambiental, além de instituições parceiras para apurar as causas dessas mortes.

“Protocolos sanitários foram adotados para a destinação das carcaças. O ICMBio segue reforçando as ações para identificar as causas e, com isso, adotar medidas para proteger as espécies”, informou o ICMBio.

Diante do cenário, ontem (29), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá lançou um alerta à população que mora nas proximidades do Lago Tefé para evitar o contato com as águas do lago e o uso recreativo. Segundo o Mamirauá, em alguns pontos do lago a temperatura está ultrapassando a marca dos 39°.

Neste sábado (30), em entrevista ao programa Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia, um dos veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a coordenadora do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Mamirauá, Miriam Marmontel, disse que esses animais acabam atuando como sentinelas da qualidade da água e são os primeiros a ser afetados com mudanças provocadas no ambiente.

“Eles nos deram o alerta e agora a gente tem que ficar atento a isso. A tendência, se não mudarmos os nossos hábitos, esses eventos vão continuar acontecendo, mais aquecimento global, mudança nos parâmetros climáticos e eles estão utilizando um ambiente que utilizamos muito, especialmente no Amazonas. A água para é primordial para os amazônidas e essa água, que atualmente não está propícia para o boto, também não é propícia para o humano. Tanto para nadar, como consumir. Então, que a gente fique muito alerta quanto a isso”, disse a pesquisadora.

“O corpo [dos animais] sente, a fisiologia sente e, certamente, os animais estão sofrendo com isso. É parte do problema associado à mortalidade deles”, afirmou.

“A situação é muito crítica, é emergencial, é uma coisa inusitada. Nunca tínhamos visto algo semelhante, embora já tenhamos passado por várias secas grandes aqui grandes na Amazônia, aqui na região de Tefé, mas esse ano, além da seca, da diminuição da superfície dos rios, da dificuldade dos ribeirinhos, conseguirem água, de se deslocarem de suas casa até o rio principal, nós tivemos esse evento de uma mortalidade muito grande de golfinhos. Temos animais, o boto vermelho e o tucuxi perecendo aqui na nossa frente, em um lago que, normalmente, é cheio de vida, cheio de água e os animais estão encalhados na praia ou boiando ao longo do lago”, completou.

Em nota, o instituto, que atua na promoção do desenvolvimento sustentável e para a conservação da biodiversidade, disse que vem trabalhando para identificar as causas da mortandade extrema desses animais, realizando ações de monitoramento dos animais ainda vivos, busca e recolhimento de carcaças, coletas de amostras para análises de doenças e da água, e “monitoramento das águas do lago, incluindo a temperatura da água e batimetria dos trechos críticos.”

As ações são realizadas em parceria com a prefeitura de Tefé, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Defesa Civil. Para tentar diminuir os danos, entre hoje (30) e domingo (1.º), será realizada uma ação emergencial para a retirada dos animais ainda vivos.

“A partir desse final de semana vão chegar equipes que vão nos dar apoio e com experiência em resgate de cetáceos vivo para que nós possamos capturar e resgatar alguns dos animais ainda com vida, analisar a saúde, o sangue, alguns parâmetros vitais dos animais para entender melhor o que está acontecendo. E a partir daí tomarmos decisões do que fazer com esses animais, como melhorar a situação deles, se é possível fazer alguma coisa para que eles não continuem perecendo aqui no lago”, disse Miriam.




Fonte: Agência Brasil

Entenda por que o governo não pretende adotar o horário de verão


Amado por muitos, odiado por outros tantos, o horário de verão foi por muito tempo motivo de discussões e polêmicas entre os brasileiros. Muita gente gostava de aproveitar o período mais quente do ano e curtir o fim de tarde mais longo para praticar esportes ou em um happy hour com amigos. Mas quem acorda cedo para trabalhar reclamava das manhãs mais escuras, com o adiantamento do relógio em 1 hora.

Preferências à parte, havia razões técnicas para que o governo determinasse a adoção da medida, que vigorou no país todos os anos de 1985 até 2018. Em 2019, a medida foi extinta pelo então presidente Jair Bolsonaro e, neste ano, apesar da troca de governo, não há sinais de que o horário de verão possa ser adotado novamente.

Tanto a área técnica do Ministério de Minas e Energia quanto o próprio ministro da pasta já falaram que, por enquanto, não há necessidade de adiantar os relógios neste ano, principalmente por causa das boas condições atuais de suprimento energético do país. A pasta diz que o planejamento seguro implantado desde os primeiros meses do governo garante essa condição.

O ministro Alexandre Silveira também diz que não há sinais de que será necessário adotar o horário de verão este ano, porque os reservatórios das usinas hidrelétricas estão nas melhores condições de armazenamento de água dos últimos anos. “O horário de verão só acontecerá se houver sinais e evidências de uma necessidade de segurança de suprimento do setor elétrico brasileiro. Por enquanto, não há sinal nenhum nesse sentido. Estamos com os reservatórios no melhor momento dos últimos 10 anos”.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os níveis de Energia Armazenada (EAR) nos reservatórios devem se manter acima de 70% em setembro na maioria das regiões, o que representa estabilidade no sistema. Para se ter uma ideia, em setembro de 2018, por exemplo, no último ano de implementação do horário de verão, a EAR dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, um dos mais importantes do país, estava em 24,5%. Este ano, esse percentual está em 73,1%.

Outro fator que serve como argumento para não retomar o horário de verão no Brasil é o aumento da oferta de energia elétrica nos últimos anos, com maior uso de usinas eólicas e solares. “O setor de energia que era quem dava a ordem, não está vendo a necessidade de dar essa ordem, não está vendo grandes ganhos com a medida”, diz o professor de Planejamento Energético Marcos Freitas, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Mudança de hábito

Quando foi criado, em 1931, o adiantamento do relógio em 1 hora entre os meses de outubro e fevereiro tinha o objetivo de aproveitar melhor a luz natural e reduzir a concentração do consumo no horário de pico, que era no horário entre 18h e 20h. No entanto, nos últimos anos, houve mudanças no padrão de consumo de energia dos brasileiros e no horário de pico, com maior uso da eletricidade no período da tarde, principalmente por causa da intensificação do uso de aparelhos de ar-condicionado.

Além disso, a iluminação, que antes representava uma parte significativa do consumo, especialmente no horário de pico, hoje não é mais tão importante do ponto de vista elétrico. Até o início da década de 2000, era comum o uso de lâmpadas incandescentes nas residências, empresas e na iluminação pública. Após a crise energética de 2001, foram adotadas políticas de eficiência energética, com o aumento do uso de lâmpadas mais econômicas, como as fluorescentes, e eletrodomésticos mais eficientes.

“Hoje o fator iluminação já não é mais um fator importante para o setor elétrico, como era no passado, quando cerca de um terço do consumo de energia de uma casa vinha da iluminação. Hoje, o grande vilão nas residências se chama climatização”, destaca o professor Freitas.

Para ele, a adoção do Horário de Verão este ano seria mais por uma questão de hábito da população do que pela necessidade do setor elétrico. “Eu, particularmente, gosto muito do Horário de Verão, gosto de chegar em casa com a luz do dia, acho simpática a ideia. Mas sei que tem limitações, os trabalhadores que acordam muito cedo sofrem muito com esse horário”.




Fonte: Agência Brasil

Temporais no Sul e seca no Norte; entenda efeitos de El Niño no Brasil


Nas últimas semanas, muitos brasileiros viram os termômetros das cidades atingirem marcas recordes acima de 40ºC por causa de uma onda de calor escaldante. No Rio Grande do Sul, temporais inundaram centenas de municípios. O Amazonas pede por água diante de uma das secas mais severas do Rio Negro.

Afinal, por que cada região do país está enfrentando situações climáticas diferentes? O que está acontecendo é explicado pelos efeitos do fenômeno El Niño.

O fenômeno ocorre quando as águas do Pacífico, próximas à Linha do Equador, passam por um aquecimento acima do normal por um período de no mínimo seis meses. Ele altera a formação de chuvas, a circulação dos ventos e a temperatura e impacta de forma diferente as regiões da América do Sul, consequentemente do Brasil, como informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Saiba o que é o El Niño

Chuvas no Sul

Um dos efeitos de El Niño é o aumento de chuvas no Sul do país. Isso porque há uma grande circulação de ventos, que acaba interferindo no movimento de outros ventos, impedindo o avanço de frentes frias pelo território brasileiro. Com isso, as frentes ficam estacionadas por mais tempo na Região Sul, diz o Inmet.

Um boletim, divulgado neste mês, revela que as chuvas no Rio Grande do Sul chegaram a aproximadamente 450 milímetros, de 1º a 19 de setembro, quando a média histórica no estado varia de 70 mm a 150 mm.

Para outubro, novembro e dezembro, a tendência de chuvas acima do normal na região permanece.

“Nos primeiros 19 dias de setembro, a precipitação acumulada está acima da média em todo o estado do Rio Grande do Sul. Entretanto, nos demais estados do país, há um déficit de precipitação, com volumes superiores a 50 mm abaixo da média histórica na Região Norte. Esta previsão reflete as características típicas de El Niño sobre o Brasil. Já a previsão de temperatura indica maior probabilidade de valores acima da faixa normal na maior parte do país”, diz o relatório produzido pelo Inmet, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastre (Cenad).

Em razão dos fortes temporais, o Lago Guaíba, em Porto Alegre, subiu mais de 3 metros e transbordou, alagando ruas e avenidas. A prefeitura precisou fechar comportas e reforçar a contenção das águas com sacos de areia.

Seca no Norte

Enquanto o Sul enfrenta enchentes, estados do Norte sofrem com a estiagem. No Amazonas, a capital, Manaus, decretou, nesta quinta-feira (28), situação de emergência em razão da seca do Rio Negro, que está em 16,11 metros (m), nível mais baixo para o período. Já são 17 municípios amazonenses em alerta por causa da estiagem.

A seca intensa e prolongada tem relação com El Niño. Durante o fenômeno climático, chove com intensidade e frequência no meio do Oceano Pacífico. Nessas chuvas, o ar quente e seco continua circulando, porém desce no norte da América do Sul, dificultando a formação de nuvens carregadas e de chuvas nas regiões Norte de Nordeste do Brasil.

“A previsão climática para o Brasil para Outubro-Novembro-Dezembro 2023 indica maior probabilidade de chuva abaixo da faixa normal entre o leste, o centro e a faixa norte do Brasil, com maiores probabilidades sobre o norte do país”, informa boletim do Inmet.

De acordo com nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), com base na quantidade de chuvas observada nos meses de setembro e outubro de 2015, quando foi registrado El Niño de grande intensidade, o número de municípios do Norte do país que irão sofrer com seca severa este ano deve ser maior, pelo menos 34% superior maior em a agosto de oito anos atrás.

Até quando vai El Niño?

As previsões indicam grande probabilidade de El Niño se manter até, pelo menos, o fim de 2023.

“Esperava-se que este El Niño não fosse muito intenso, nem prolongado. Pois nós enfrentamos um período prolongado do La Niña, que resultou em efeitos inversos, ou seja, no resfriamento das águas do Pacifico por um bom tempo. Esse resfriamento também resultou em mudanças nos padrões climáticos.  E, antes que nos recuperássemos dos efeitos do La Niña, já estamos enfrentando um El Niño mais forte”, afirmou o especialista em gestão de recursos hídricos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Rodrigo Lilla Manzione, em reportagem publicada pelo Jornal da Unesp.

Veja aqui os efeitos previstos de El Niño para cada região do país:

Região Norte: secas de moderadas a intensas

Região Nordeste: secas de diversas intensidades

Região Sudeste: aumento moderado das temperaturas médias, principalmente, no inverno e no verão.

Região Centro-Oeste: chuvas acima da média e temperaturas mais altas

Região Sul: chuvas acima do normal

*Com informações do Inmet




Fonte: Agência Brasil

Guerra às drogas é elemento central em onda de violência na Bahia


A política de guerra às drogas está no centro da onda de violência na Bahia, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles afirmam que o modelo precisa ser revisto e indicam a necessidade de se investir mais em ações de inteligência para a prevenção do crime e também na articulação de políticas públicas voltadas para dar melhores condições de vida e mais acesso à cultura e educação como estratégia para evitar que as pessoas sejam cooptadas pelo crime organizado.

Em setembro, cerca de 60 pessoas morreram em confrontos com forças de segurança, a maior parte delas realizados em bairros periféricos de Salvador. Entre as vítimas também está um policial federal.

O diretor-executivo da ONG Iniciativa Negra e coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, Dudu Ribeiro, disse à Agência Brasil que últimos anos houve uma reorganização territorial e geopolítica das organizações criminosas que já atuavam no estado, mas de forma pulverizada. O movimento levou a uma disputa por território que foi intensificada com a migração das principais organizações criminosas do Sudeste, que fizeram alianças com as facções locais, gerando novos conflitos.

“Um conjunto de fatores explicam o momento de hoje na Bahia. Um deles tem a ver com a reorganização territorial e geopolítica das organizações criminosas ligadas ao tráfico de armas e de drogas e como resultado da insistência do estado brasileiro na ideia da guerra as drogas. Isso impacta e de certa forma fortalece as organizações criminosas a partir do momento em que sua força também está diretamente relacionada a sua capacidade de arregimentar mais indivíduos e o superencarceramento tem propiciado isso para as organizações.”

Ribeiro, que é professor e especialista em Gestão Estratégica de Políticas Públicas pela Unicamp e atualmente faz parte do Conselho de Segurança Pública do estado, considera que para lidar com esse tipo de situação, o estado acabou adotando um modelo de segurança “militarizado”, com o incremento dos batalhões especializados de polícia militar. Como são voltados para o confronto, acabam sendo letais. Para o conselheiro, é preciso acabar com a lógica de que segurança se faz com mais violência.

“Há uma insistência nessa lógica de que a segurança pública se faz com violência, inclusive incorporando a ideia de que é possível conjugar letalidade e eficiência em uma mesma proposta”, disse Ribeiro. Ele ainda aponta como problemática a ideia de que o debate sobre segurança pública fique restrito aos órgãos e forças de segurança.

“É ruim a centralidade do tema da segurança pública permanecer quase com exclusividade das polícias, sem a gente pensar qual o papel das outras secretarias na promoção de segurança para a população, sem a gente pensar o que a secretaria de educação tem a ver, a de cultura, a de direitos humanos. Isso fortalece o papel do militarismo, o que obviamente reduz o poder civil, compromete a democracia e responde à violência com mais violência, o que nos coloca nesse ciclo interminável. Como resultado nós temos o fortalecimento das organizações ligadas ao trafico de drogas e armas”, afirmou.

“Não é uma crise de gestão, é uma crise do modelo que se centraliza no aparelho de guerra, porque a Polícia Militar, constitucionalmente é um aparelho de guerra, é força auxiliar do Exército. A gente precisa pensar a segurança pública a médio e longo prazo, fazer com que o militarismo saia do centro e a prevenção, a partir da ampliação do acesso a direitos, seja um dos mecanismos centrais na espinha dorsal da política de produzir segurança para as pessoas”, defendeu.

Para Ribeiro, a guerra às drogas no Brasil acaba sendo uma justificativa política para a manutenção da opressão racial sobre a população negra. Ele argumenta que a ausência de políticas públicas, a exemplo de educação, saúde, cultura, saneamento, entre outras, favorece a penetração dessas facções no bairros periféricos, tratados como violentos e facilita a arregimentarão de pessoas para os grupos criminosos.

Outro ponto levantado é o fato do cenário acabar se refletindo na estigmatização das pessoas que moram nessas localidades. Segundo Ribeiro, as pessoas que moram nesses locais não são violentas, mas foram violentadas pela ausência do Estado.

“Violentados pela ausência de outras políticas públicas que, obviamente, a partir da não apresentação de outras possibilidades de vida, impactam significativamente na capacidade das organizações de arregimentar pessoas, a partir de um processo de altíssimo encarceramento, prisão de pessoas varejistas de drogas e muitas vezes nem isso são, são flagrantes forjados, e isso vira um ciclo em que compromete as oportunidades para as pessoas.”

Disputa

Para o professor do curso de Ciências Sociais da PUC Minas e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Segurança Pública (Cepesp/PUC Minas) Luís Flávio Sapori, a disputa entre as facções, aliada à política de segurança voltada para o confronto levam a uma busca por armamentos mais pesados. Isso pode ser evidenciado pela quantidade de fuzis apreendidos este no na Bahia. Entre janeiro e setembro, as forças de segurança apreenderam 48 armas deste tipo.

“As evidências apontam claramente para um poderio bélico armamentista muito preocupante. Armas de fogo de grosso calibre como fuzis, de alguma maneira já estão penetrando, tendo maior disseminação entre os grupos traficantes de várias cidades baianas, inclusive Salvador e sua região metropolitana. Isso agrava a violência e o poderio, aumenta a probabilidade de maior desfecho letal dos conflitos, disse Sapore à Agência Brasil.

“Esses grupos criminosos estão em um momento de afirmação do poder e crescimento do domínio territorial. Esse é o principal fator que explica porque entre as 10 cidades com mais mortes violentas do Brasil hoje, em termos de homicídio, quase a metade dessas cidades estão no estado da Bahia. Então, não é casual que isto esteja acontecendo.”

Doutor em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e autor de trabalhos sobre segurança pública, Sapori já foi secretário-adjunto de Segurança Pública de Minas Gerais, de janeiro de 2003 a junho de 2007, e também é crítico do modelo de segurança de guerra às drogas. Segundo ele, o modelo acaba matando mais, mas que não consegue, de fato, garantir a segurança da população.

O professor lembra, que isso se reflete no fato de a polícia baiana ter se tornado a mais letal do país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2022, foram 1.464 mortes decorrentes de intervenções policiais na Bahia.

“Infelizmente a Bahia, em 2022, se consolidou como o estado brasileiro com maior numero de vítimas letais em ações policiais. Isso não é bom, é sinal de que a atuação da policia no estado está se pautando muito no enfrentamento, na guerra contra o crime, que é o modelo do estado do Rio de Janeiro, que é nitidamente pautado pelo fracasso”, ressaltou.

“A guerra contra o crime tem sido adotada no Rio há quase 40 anos vitimando criminosos, moradores e policiais, ou seja, só tem perdas, não há ganho nenhum. É de uma nítida inexistência de efetividade nesse modelo de guerra contra o crime e, infelizmente, tudo leva a crer que há alguns anos a polícia do estado da Bahia tem adotado esse modelo, e isso não é bom.”

A alta letalidade da polícia baiana fez com que a Anistia Internacional Brasil divulgasse uma nota, na última quarta-feira, criticando o governo da Bahia pelas mortos em confrontos com a polícia. Segundo a organização, entre 28 de julho e 27 de setembro, pelo menos 83 pessoas morreram durante operações policiais no estado.

“A elite política do Estado, leia-se deputados, governador, Judiciário, Ministério Público, sociedade civil de maneira geral não podem compactuar com isso, porque polícia mais letal não é polícia mais eficiente. Matar bandido, criminoso não reduz violência, e isso já está provado cientificamente. Ao contrário, quanto mais letal é a polícia no enfrentamento do tráfico de drogas, mais ela retroalimenta a violência na sociedade, a violência do próprio tráfico de drogas. A violência de um lado vai ter a reação da violência do outro lado, isso vira um circulo vicioso perverso, e quem perde com isso é a população de um modo geral e, principalmente, a população residente nas periferias das cidades”, alertou Sapori.

A letalidade da polícia baiana foi debatida no Conselho Estadual de Proteção aos Direitos Humanos, que decidiu realizar, em conjunto com o Ministério Público da Bahia e a Defensoria Pública estadual, uma audiência pública, no próximo dia 2 de outubro, para debater as políticas públicas de enfrentamento aos índices de letalidade policial verificados na Bahia. O debate vai servir para subsidiar a elaboração de um plano estadual de redução de mortes decorrentes de intervenção policial.

Para Ribeiro, essa letalidade pode ser explicada, em parte pela falta de responsabilização dos agentes envolvidos e também pelo posicionamento do comando da Polícia Militar e do governador do estado, Jerônimo Rodrigues ao tratarem como eficiente operações com um grande número de vítimas.

“Quando o comandante da polícia diz, depois de uma operação com 15 mortes provocadas pela própria instituição, com pouca quantidade de drogas e algumas armas apreendidas, que a operação foi eficaz e eficiente, é uma mensagem para tropa. A baixa responsabilização, inclusive, de agentes envolvidos em casos de letalidade é outra mensagem para tropa. O não controle externo, que deveria ser realizado pelo Ministério Público, é outra mensagem para a tropa de que a responsabilização não vai se dar. Então, a produção de mais mortes está, na maioria das vezes, amparada pelos comandos civil e militar da polícia.”

Soluções

Para os especialistas, o caminho efetivo para resolver a questão da segurança pública passa por mudar o foco do modelo “olho por olho, dente por dente”, da lógica da guerra contra o crime e concentrar as ações no trabalho de inteligência e prevenção.

Para Sapori, o caminho passa pela criação de uma força-tarefa com as polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária, o sistema prisional e o Ministério Público. O foco seria a identificação da estrutura e das principais lideranças das facções que estão em confronto, de onde está vindo o armamento utilizado e dos territórios mais conflagrados pela violência.

“Fazer o que se chama de uma operação de repressão qualificada, com a prisão bem focalizada nessas principais lideranças, com a interrupção do fluxo dessas armas de fogo que estão chegando, buscando definir a logística que está permeando e municiando essas facções com armas de grosso calibre”, disse. “É prioridade absoluta interromper esse fluxo, e você só faz isso com trabalho de inteligência. Mais do que nunca, é preciso um esforço coletivo, de integração das forças policiais estaduais, federais, Ministério Público, sistema prisional. É preciso mais do que nunca trabalhar com a inteligência para lidar com essa crise tão grave”, completou o professor.

Em agosto, foi assinado um acordo pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e a Polícia Federal, criando a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, dos governos estadual e federal. O prazo de vigência do acordo é de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período. Cerca de 400 homens integram essa força-tarefa no estado.

Uma das operações da força-tarefa, realizada em 15 de setembro, o bairro de Valéria em Salvador, deixou cinco pessoas mortas, entre elas, o policial federal Lucas Caribé. No total, foram mortas nove pessoas suspeitas de integrarem a organização criminosa que entrou em confronto com policiais .

Câmeras nas fardas

À Agência Brasil, Ribeiro disse que a questão da violência na Bahia não vai ser resolvida do dia para noite e que é preciso adotar medidas de curto, médio e longo prazo. Uma delas, de curto prazo, segundo ele já está sendo adotada: a adoção de câmeras nas fardas dos policiais.

“Isso resolve um dos problemas, que é a violência das policias, e também a produção de boas provas a partir da possibilidade de ter um registro mais seguro em um eventual processo criminal. Isso não resolve o problema que a gente está enfrentando, mas é parte pequena da solução”, ressaltou.

Ele defende um maior investimento na produção e transparência de dados no campo da segurança pública. “A Bahia também é conhecida por uma produção precária de dados no campo da segurança pública e pouca transparência e isso compromete a política pública, porque se você não tem uma boa visão do cenário que você quer incidir você acaba fazendo más opções de gestão.”

Ribeiro disse que o poder público tem que dialogar mais com a sociedade civil na busca de soluções e criticou o fato de o conselho estadual ter apenas duas vagas para a sociedade civil, uma delas ainda está vaga. Para ele, a baixa representatividade reforça a lógica de que o debate sobre a segurança pública deve ficar restrito as forças de segurança, já que além de representantes da Secretaria de Segurança Pública, o colegiado tem representantes das polícias civil, militar, técnica, e duas vagas para representações de entidades de profissionais de segurança pública.

“A gente tem pressionado no sentido de aumentar a presença da sociedade civil e tornar o conselho, de fato, o que ele poderia ser, que é um local de diálogo intersetores, não apenas um lugar cheio de representações das categorias das polícias.”

Um exemplo de como a ausência de dados e do debate com a sociedade, segundo Ribeiro, está na decisão do governo estadual de implementar um sistema de câmeras de reconhecimento facial em 78, das 417, cidades do estado. O montante previsto para o programa é de mais de R$ 660 milhões e vai ser desembolsado até julho de 2026. De acordo com Ribeiro, isso é um exemplo de má gestão, uma vez que segundo ele, até o momento, o sistema resultou na prisão de 1.028 pessoas, a maior parte delas por crimes de menor gravidade.

“Muitas dessas pessoas, inclusive, têm mandados de prisão abertos, mas por crimes que não são crimes contra a vida, que são os mais graves. Então, isso não tem impacto na redução dos números, então é um volume de recurso gigantesco que está sendo gasto, mas que tem muito pouca capacidade de incidir de fato e impactar na redução da violência”, destacou.

Desafio nacional

Ontem (29), por meio de uma rede social, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, disse que continuará “firme no combate às facções e ao tráfico de drogas”. A afirmação foi feita ao comentar uma matéria relatando que a Justiça suspendeu a prisão de um homem apontado como responsável pela compra de fuzis para uma facção. Ele foi preso na Região Metropolitana de Salvador, em uma ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), no dia 12 de setembro e liberado no dia 22.

“A Segurança Pública é um assunto que deve ser debatido por toda a sociedade. São necessários avanços na legislação? Então, que as mudanças sejam discutidas. Mas temos que ser firmes no combate às facções e ao tráfico de drogas. E seguirei com a firmeza necessária”, afirmou o governador.

A situação da Bahia levou o ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Flávio Dino, a afirmar que o estado “é um dos maiores desafios da segurança pública no Brasil”. O ministro descartou, entretanto, a possibilidade de uma intervenção federal na segurança pública baiana.

Para Dudu Ribeiro, integrante do Conselho de Segurança Pública da Bahia, a intervenção federal não é necessária. “Já experimentamos isso no Rio de Janeiro e não serve para segurança pública. A gente sequestra o orçamento público, fortalece os militares, tem mais letalidade e não soluciona problemas. Depois que acabou a intervenção militar, o Rio de Janeiro não está melhor do que estava antes, pelo contrário”, avalia.

Ribeiro lembrou que os veículos de comunicação também tem responsabilidade pela lógica da militarização, focado na centralidade da polícia militar. Para ele, isso acaba influencia a forma como a sociedade percebe a questão da segurança. Ele defende a mudança nessa visão é o grande desafio nacional.

Matéria atualizada às 18h28 para inclusão de posicionamento do governo da Bahia.




Fonte: Agência Brasil

Política de guerra é elemento central em onda de violência na Bahia


A política de guerra às drogas está no centro da onda de violência na Bahia, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles afirmam que o modelo precisa ser revisto e indicam a necessidade de se investir mais em ações de inteligência para a prevenção do crime e também na articulação de políticas públicas voltadas para dar melhores condições de vida e mais acesso à cultura e educação como estratégia para evitar que as pessoas sejam cooptadas pelo crime organizado.

Em setembro, cerca de 60 pessoas morreram em confrontos com forças de segurança, a maior parte delas realizados em bairros periféricos de Salvador. Entre as vítimas também está um policial federal.

O diretor-executivo da ONG Iniciativa Negra e coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, Dudu Ribeiro, disse à Agência Brasil que últimos anos houve uma reorganização territorial e geopolítica das organizações criminosas que já atuavam no estado, mas de forma pulverizada. O movimento levou a uma disputa por território que foi intensificada com a migração das principais organizações criminosas do Sudeste, que fizeram alianças com as facções locais, gerando novos conflitos.

“Um conjunto de fatores explicam o momento de hoje na Bahia. Um deles tem a ver com a reorganização territorial e geopolítica das organizações criminosas ligadas ao tráfico de armas e de drogas e como resultado da insistência do estado brasileiro na ideia da guerra as drogas. Isso impacta e de certa forma fortalece as organizações criminosas a partir do momento em que sua força também está diretamente relacionada a sua capacidade de arregimentar mais indivíduos e o superencarceramento tem propiciado isso para as organizações”, disse.

Ribeiro, que é professor e especialista em Gestão Estratégica de Políticas Públicas pela Unicamp e atualmente faz parte do Conselho de Segurança Pública do estado, disse que para lidar com esse tipo de situação, o estado acabou adotando um modelo de segurança “militarizado”, com o incremento dos batalhões especializados de polícia militar. Como são voltados para o confronto, acabam sendo letais. Para o conselheiro, é preciso acabar com a lógica de que segurança se faz com mais violência.

“Há uma insistência nessa lógica de que a segurança pública se faz com violência, inclusive incorporando a ideia de que é possível conjugar letalidade e eficiência em uma mesma proposta”, disse Ribeiro. Ele ainda aponta como problemática a ideia de que o debate sobre segurança pública fique restrito aos órgãos e forças de segurança.

“É ruim a centralidade do tema da segurança pública permanecer quase com exclusividade das polícias, sem a gente pensar qual o papel das outras secretarias na promoção de segurança para a população, sem a gente pensar o que a secretaria de educação tem a ver, a de cultura, a de direitos humanos. Isso fortalece o papel do militarismo, o que obviamente reduz o poder civil, compromete a democracia e responde à violência com mais violência, o que nos coloca nesse ciclo interminável. Como resultado nós temos o fortalecimento das organizações ligadas ao trafico de drogas e armas”, afirmou.

“Não é uma crise de gestão, é uma crise do modelo que se centraliza no aparelho de guerra, porque a Polícia Militar, constitucionalmente é um aparelho de guerra, é força auxiliar do Exército. A gente precisa pensar a segurança pública a médio e longo prazo, fazer com que o militarismo saia do centro e a prevenção, a partir da ampliação do acesso a direitos, seja um dos mecanismos centrais na espinha dorsal da política de produzir segurança para as pessoas”, defendeu.

Para Ribeiro, a guerra às drogas no Brasil acaba sendo uma justificativa política para a manutenção da opressão racial sobre a população negra. Ele argumenta que a ausência de políticas públicas, a exemplo de educação, saúde, cultura, saneamento, entre outras, favorece a penetração dessas facções no bairros periféricos, tratados como violentos e facilita a arregimentarão de pessoas para os grupos criminosos.

Outro ponto levantado é o fato do cenário acaber se refletindo na estigmatização das pessoas que moram nessas localidades. Segundo Ribeiro, as pessoas que moram nesses locais não são violentas, mas foram violentadas pela ausência do Estado.

“Violentados pela ausência de outras políticas públicas que, obviamente, a partir da não apresentação de outras possibilidades de vida, impactam significativamente na capacidade das organizações de arregimentar pessoas, a partir de um processo de altíssimo encarceramento, prisão de pessoas varejistas de drogas e muitas vezes nem isso são, são flagrantes forjados, e isso vira um ciclo em que compromete as oportunidades para as pessoas”, afirmou.

Disputa

Para o professor do curso de Ciências Sociais da PUC Minas e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Segurança Pública (Cepesp/PUC Minas) Luís Flávio Sapori, a disputa entre as facções, aliada à política de segurança voltada para o confronto levam a uma busca por armamentos mais pesados. Isso pode ser evidenciado pela quantidade de fuzis apreendidos este no na Bahia. Entre janeiro e setembro, as forças de segurança apreenderam 48 armas deste tipo.

“As evidências apontam claramente para um poderio bélico armamentista muito preocupante. Armas de fogo de grosso calibre como fuzis, de alguma maneira já estão penetrando, tendo maior disseminação entre os grupos traficantes de várias cidades baianas, inclusive Salvador e sua região metropolitana. Isso agrava a violência e o poderio aumenta a probabilidade de maior desfecho letal dos conflitos, disse Sapore à Agência Brasil.

“Esses grupos criminosos estão em um momento de afirmação do poder e crescimento do domínio territorial. Esse é o principal fator que explica porque entre as 10 cidades com mais mortes violentas do Brasil hoje, em termos de homicídio, quase a metade dessas cidades estão no estado da Bahia. Então, não é casual que isto esteja acontecendo”, disse.

Doutor em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e autor de trabalhos sobre segurança pública, Sapori já foi secretário-adjunto de Segurança Pública de Minas Gerais, de janeiro de 2003 a junho de 2007, e também é crítico do modelo de segurança de guerra às drogas. Segundo ele, o modelo acaba matando mais, mas que não consegue, de fato, garantir a segurança da população.

O professor lembra, que isso se reflete no fato de a polícia baiana ter se tornado a mais letal do país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2022, foram 1.464 mortes decorrentes de intervenções policiais na Bahia.

“Infelizmente a Bahia, em 2022, se consolidou como o estado brasileiro com maior numero de vítimas letais em ações policiais. Isso não é bom, é sinal de que a atuação da policia no estado está se pautando muito no enfrentamento, na guerra contra o crime, que é o modelo do estado do Rio de Janeiro, que é nitidamente pautado pelo fracasso”, afirmou.

“A guerra contra o crime tem sido adotada no Rio há quase 40 anos vitimando criminosos, moradores e policiais, ou seja, só tem perdas, não há ganho nenhum. É de uma nítida inexistência de efetividade nesse modelo de guerra contra o crime e, infelizmente, tudo leva a crer que há alguns anos a polícia do estado da Bahia tem adotado esse modelo, e isso não é bom”, apontou.

A alta letalidade da polícia baiana fez com que a Anistia Internacional Brasil divulgasse uma nota, na última quarta-feira, criticando o governo da Bahia pelas mortos em confrontos com a polícia. Segundo a organização, entre 28 de julho e 27 de setembro, pelo menos 83 pessoas morreram durante operações policiais no estado.

“A elite política do Estado, leia-se deputados, governador, Judiciário, Ministério Público, sociedade civil de maneira geral não podem compactuar com isso, porque polícia mais letal não é polícia mais eficiente. Matar bandido, criminoso não reduz violência, e isso já está provado cientificamente. Ao contrário, quanto mais letal é a polícia no enfrentamento do tráfico de drogas, mais ela retroalimenta a violência na sociedade, a violência do próprio tráfico de drogas. A violência de um lado vai ter a reação da violência do outro lado, isso vira um circulo vicioso perverso, e quem perde com isso é a população de um modo geral e, principalmente, a população residente nas periferias das cidades”, alertou Sapori.

A letalidade da polícia baiana foi debatida no Conselho Estadual de Proteção aos Direitos Humanos, que decidiu realizar, em conjunto com o Ministério Público da Bahia e a Defensoria Pública estadual, uma audiência pública, no próximo dia 2 de outubro, para debater as políticas públicas de enfrentamento aos índices de letalidade policial verificados na Bahia. O debate vai servir para subsidiar um a elaboração de um plano estadual de redução de mortes decorrentes de intervenção policial.

Para Ribeiro, essa letalidade pode ser explicada, em parte pela falta de responsabilização dos agentes envolvidos e também pela anuência do comando da Polícia Militar e do governador do estado, Jerônimo Rodrigues ao tratarem como eficiente operações com um grande número de vítimas.

“Quando o comandante da polícia diz, depois de uma operação com 15 mortes provocadas pela própria instituição, com pouca quantidade de drogas e algumas armas apreendidas, que a operação foi eficaz e eficiente, é uma mensagem para tropa. A baixa responsabilização, inclusive, de agentes envolvidos em casos de letalidade é outra mensagem para tropa. O não controle externo, que deveria ser realizado pelo Ministério Público, é outra mensagem para a tropa de que a responsabilização não vai se dar. Então, a produção de mais mortes está, na maioria das vezes, amparada pelos comandos civil e militar da polícia”, disse.

Soluções

Para os especialistas, o caminho efetivo para resolver a questão da segurança pública passa por mudar o foco do modelo “olho por olho, dente por dente”, da lógica da guerra contra o crime e concentrar as ações no trabalho de inteligência e prevenção.

Para Sapori, o caminho passa pela criação de uma força tarefa,com as polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária, o sistema prisional e o Ministério Público. O foco seria a identificação da estrutura e das principais lideranças das facções que estão em confronto, de onde está vindo o armamento utilizado e dos territórios mais conflagrados pela violência.

“Fazer o que se chama de uma operação de repressão qualificada, com a prisão bem focalizada nessas principais lideranças, com a interrupção do fluxo dessas armas de fogo que estão chegando, buscando definir a logística que está permeando e municiando essas facções com armas de grosso calibre”, disse. “É prioridade absoluta interromper esse fluxo, e você só faz isso com trabalho de inteligência. Mais do que nunca, é preciso um esforço coletivo, de integração das forças policiais estaduais,federais, Ministério Público, sistema prisional. É preciso mais do que nunca trabalhar com a inteligência para lidar com essa crise tão grave”, completou o professor.

Em agosto, foi assinado um acordo pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e a Polícia Federal, criando a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, dos governos estadual e federal. O prazo de vigência do acordo é de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período. Cerca de 400 homens integram essa força-tarefa no estado.

Uma das operações da força-tarefa, realizada em 15 de setembro, o bairro de Valéria em Salvador, deixou cinco pessoas mortas, entre elas, o policial federal Lucas Caribé. No total, foram mortas nove pessoas suspeitas de integrarem a organização criminosa que entrou em confronto com policiais .

Câmeras nas fardas

À Agência Brasil, Ribeiro disse que a questão da violência na Bahia não vai ser resolvida do dia para noite e que é preciso adotar medidas de curto, médio e longo prazo. Uma delas, de curto prazo, segundo ele já está sendo adotada: a adoção de câmeras nas fardas dos policiais.

“Isso resolve um dos problemas, que é a violência das policias, e também a produção de boas provas a partir da possibilidade de ter um registro mais seguro em um eventual processo criminal. Isso não resolve o problema que a gente está enfrentando, mas é parte pequena da solução”, ressaltou.

Ele defende um maior investimento na produção e transparência de dados no campo da segurança pública. “A Bahia também é conhecida por uma produção precária de dados no campo da segurança pública e pouca transparência e isso compromete a política pública, porque se você não tem uma boa visão do cenário que você quer incidir você acaba fazendo más opções de gestão.”

Ribeiro disse que o poder público tem que dialogar mais com a sociedade civil na busca de soluções e criticou o fato de o conselho estadual ter apenas duas vagas para a sociedade civil, uma delas ainda está vaga. Para ele, a baixa representatividade reforça a lógica de que o debate sobre a segurança pública deve ficar restrito as forças de segurança, já que além de representantes da Secretaria de Segurança Pública, o colegiado tem representantes das polícias civil, militar, técnica, e duas vagas para representações de entidades de profissionais de segurança pública.

“A gente tem pressionado no sentido de aumentar a presença da sociedade civil e tornar o conselho, de fato, o que ele poderia ser, que é um local de diálogo intersetores, não apenas um lugar cheio de representações das categorias das polícias.”

Um exemplo de como a ausência de dados e do debate com a sociedade, segundo Ribeiro está na decisão do governo estadual de implementar um sistema de câmeras de reconhecimento facial em 78, das 417, cidades do estado. O montante previsto para o programa é de mais de R$ 660 milhões e vai ser desembolsado até julho de 2026. De acordo com Ribeiro, isso é um exemplo de má gestão, uma vez que segundo ele, até o momento, o sistema resultou na prisão de 1.028 pessoas, a maior parte delas por crimes de menor gravidade.

“Muitas dessas pessoas, inclusive, têm mandados de prisão abertos, mas por crimes que não são crimes contra a vida, que são os mais graves. Então, isso não tem impacto na redução dos números, então é um volume de recurso gigantesco que está sendo gasto, mas que tem muito pouca capacidade de incidir de fato e impactar na redução da violência”, destacou.

Desafio nacional

A situação da Bahia levou o ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Flávio Dino, a afirmar que o estado “é um dos maiores desafios da segurança pública no Brasil”. O ministro descartou, entretanto, a possibilidade de uma intervenção federal na segurança pública baiana.

Para Ribeiro a intervenção federal não é necessária. “Já experimentamos isso no Rio de Janeiro e não serve para segurança pública. A gente sequestra o orçamento público, fortalece os militares, tem mais letalidade e não soluciona problemas. Depois que acabou a intervenção militar, o Rio de Janeiro não está melhor do que estava antes, pelo contrário”, disse.

Ribeiro lembrou que os veículos de comunicação também tem responsabilidade pela lógica da militarização, focado na centralidade da polícia militar. Para ele, isso acaba influencia a forma como a sociedade percebe a questão da segurança. Ele defende a mudança nessa visão é o grande desafio nacional.

“Também não acredito que a Bahia, sozinha, vá conseguir apresentar uma solução, porque as organizações ligadas ao tráfico de drogas e armas atuam de forma transnacional, então é impossível um único estado conseguir solucionar o problema”, disse.

Segundo o ministro, o estado pode ajudar na melhoria da produção e transparência de dados, “como encarar a necessidade de, por exemplo, de fortalecimento da Polícia Judiciária, do departamento de polícia técnica para que a gente possa ter melhores soluções dos crimes contra a vida e assim a gente possa reduzir também a letalidade produzida pelo estado e ampliar, a ideia de segurança pública de modo a diluir a centralidade do militarismo”, concluiu.




Fonte: Agência Brasil

Jovem morre em acidente entre carro, caminhão e bitrem na rodovia de Flórida Paulista | Presidente Prudente e Região


A vítima, que era moradora de Adamantina, morreu no local. Já o motorista do caminhão, de 40 anos, é morador de Irapuru e foi encaminhado para o Pronto-socorro de Adamantina com ferimentos leves. O condutor do veículo semi-reboque, por sua vez, não se machucou.




Fonte: G1