Militante LGBTQIA+ Brenda Lee é tema de musical em São Paulo


Vencedor do Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como Melhor Espetáculo de 2022, o musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas encerra a temporada com casa cheia neste fim de semana no Sesc Bom Retiro, no centro de São Paulo. Com ingressos esgotados para as apresentações deste sábado (3) e domingo (4), a peça narra a trajetória da militante Brenda Lee, conhecida pelo seu pioneirismo na defesa de pessoas que viviam com o HIV/Aids, em uma época na qual o estigma era ainda maior.

O musical recebeu o Prêmio APCA de Melhor Espetáculo de 2022. Também teve reconhecimento pelo Prêmio Bibi Ferreira de Peça Revelação em Musicais, Melhor Atriz Coadjuvante para Marina Mathey e Melhor Roteirista para Fernanda Maia, responsável pelas letras e pela dramaturgia.

Sāo Paulo (SP) - O musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas traz um pouco da história de Brenda Lee, chamada de o “anjo da guarda das travestis”, ativista que fundou a primeira casa de apoio para pessoas com HIV/Aids, do Brasil. Foto:

Musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas, por Divulgação

Luta e acolhimento

Nos anos 1980, surgia a epidemia de Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids) e, com ela, ganhava notoriedade na capital paulista a travesti Brenda Lee, por oferecer a outras travestis, mulheres transexuais e gays de baixa renda o acolhimento que quase ninguém ousava dispor, uma vez que o estigma social quanto à infecção ficou fortemente reservado à comunidade LGBTQIA+. Como se sabe, famosos como os cantores Cazuza e Renato Russo sofreram discriminação por serem soropositivos. A história de Brenda Lee faz pensar também, além do efeito de segregação, até que ponto a desinformação em torno do tema induziu muitas pessoas a imaginar que somente a população LGBTQIA+ contrairia o vírus, levando a parcela heterossexual a se descuidar, como acontece ainda hoje.

Brenda Lee tinha como nome de batismo Cícero Caetano Leonardo, nasceu em Bodocó, Pernambuco, em 1948, e adotava como nome de dona de pensão “Caetana”. Em uma fase em que a ignorância e a marginalização prevaleciam, ela fundou a primeira casa de apoio a pessoas que vivem com HIV/Aids do Brasil. Apelidada de “anjo de guarda das travestis”, Brenda as recebia em seu sobrado, no bairro Bela Vista, com “carinho, cuidado e muita mão de obra”, como ela mesma define no documentário Dores de amor, em que assume também que nem tudo era um mar de rosas e que havia instantes de conflito, como em toda relação humana.

As travestis, sobretudo, tinham dificuldade para alugar um imóvel ou quarto. Por isso, muitas vezes o jeito era recorrer às cafetinas, outras mulheres que viviam à margem da sociedade e sublocavam seus imóveis a elas. Assim, além da pensão, havia a possibilidade de receber cuidados no lugar, na condição de pessoa que vive com HIV/Aids. “Pelo que consta dos depoimentos, e há muita controvérsia neles, muitas pessoas dizem que ela não explorava as pessoas, ela era uma cafetina também fora da curva, porque não arrancava dinheiro das suas filhas”, diz Fernanda Maia, roteirista e diretora do musical.

Uma vez na casa de Brenda Lee, por exemplo, as travestis passavam a se denominar de “filha de Brenda”, como em outros locais parecidos, de acordo com a região da cidade. “Justamente porque são pessoas que saíram da família muito cedo e precisaram estabelecer vínculos e laços familiares outros, que não fossem da sua família de sangue”, observa a diretora. “Ela era uma pessoa muito aguerrida e consta que andava armada – era o jeito que se dava, não adianta, era noite, uma situação muito violenta. Andava armada e consta que ninguém mexia com as filhas da Caetana. Muitas queriam ser filhas da Caetana, porque sabiam que estariam bem protegidas.”

No mesmo documentário, Brenda classifica a condição de travesti como “pesada”. Pela obra fílmica, percebe-se como as identidades de gênero transexual e travesti e as orientações sexuais foram se consolidando gradualmente, pois em sua fala misturavam-se. Do mesmo modo, em cada uma de suas palavras nota-se a carga de medo da perseguição que historicamente se praticou contra esse grupo minorizado. Ali também se vê, de modo evidente, tanto a coragem e o carisma de Brenda Lee como sua maneira despretensiosa.

Ela narra que, quando era adolescente, só tinha duas opções drásticas se a família descobrisse sua homossexualidade. “Naquela época, eu era uma pessoa muito frágil, a mente não estava com a personalidade formada ainda, então eu tinha dificuldade de encarar a família. Se, por acaso, algum dia, meu pai, minha mãe ou algum dos meus irmãos descobrisse que eu era homossexual, eu já tinha até por escrito que eu me suicidaria, de tanta vergonha que eu tinha. Quer dizer, eu não ia assumir mesmo. Com essas dificuldades e como é uma coisa que mexe com o sangue da gente, e a gente sempre tem que fazer aquilo que a gente tem vontade, eu percebi que, aos poucos, alguém ia descobrir e provar que eu era homossexual. Então, o que eu fiz? Eu tive que fugir fora da família, depois me tornei uma travesti e foi aí que eu encarei a realidade. Hoje em dia, estou aqui para encarar qualquer tipo de vida”, diz Brenda Lee no documentário, finalizando o trecho da entrevista com um sorriso.

Apagamento

A parceria entre Fernanda Maia e o compositor das canções do musical, o pianista Rafa Miranda, começou em 2016. Naquele período, ambos tiveram contato com pessoas da Federação Espírita que atuaram na casa de apoio de Brenda Lee, como voluntários. “Ela começou a me contar fatos incríveis, interessantes, como a Brenda dava a cama dela para pessoas que chegavam e ia dormir no sofá. Ou como a Brenda lavava a roupa das pessoas que estavam ali, fazia comida para as pessoas, ajudava a dar banho. E como ela, sendo uma travesti na década de 80, quando as travestis sequer saíam às ruas durante o dia, foi enfrentando o poder público. Fez uma parceria com a Secretaria de Saúde e foi tendo conquistas muito importantes para essa população. Essa senhora foi me falando, esse país não fez justiça à Brenda Lee, ela precisa de um musical sobre ela e quem tem que escrever é você”, conta Fernanda, sobre uma senhora que fez voluntariado no local.

Brenda Lee, a mulher trans que resistia e não se sujeitava, passou a encantar Fernanda, que resolveu aprofundar a pesquisa sobre a militante e acabou se defrontando com a falta de informações sobre ela. “Fiquei fascinada pelas histórias e também fiquei muito surpresa. Quer dizer, não digo surpresa. Eu constatei que não se tinha muitos registros sobre ela e o trabalho dela, justamente porque ela era uma travesti, fazendo parte de uma população marginalizada. Então, não havia muitos registros formais sobre o trabalho dela. Comecei a estudar e a colher depoimentos de pessoas que a conheceram e, a partir daí, comecei a ficar cada vez mais interessada no assunto e decidi escrever o musical”, comenta.

Para Fernanda, a homofobia e, mais tarde, a transfobia, são elementos claros na vida de Brenda Lee e se manifestam de diversas formas, como nos obstáculos que ela enfrentou para ascender profissionalmente. “Ela era uma pessoa muito dedicada ao trabalho, mas nunca conseguia crescer, justamente por ser vítima da homofobia. Então, ela resolve que nunca mais vai trabalhar para ninguém. Ela diz ‘nunca vi nenhuma travesti morrer de fome’. Resolve concluir sua transição e vai se prostituir, o que, na época, era uma das únicas opções para uma travesti. Elas não tinham acesso à educação, ao mercado de trabalho, a cuidados, a nada quase. Como, ainda hoje, é muito difícil. Mas, naquela época, era muito pior. Ela tinha um temperamento muito forte. E começou a defender suas amigas, principalmente da ação da polícia, que, naquela época, perseguia, torturava e até matava as travestis. Ela foi estudando, conseguiu estudar de uma maneira muito inconstante, porque só conseguia estudar enquanto estava trabalhando”, relata, acrescentando que Brenda Lee se prostituiu também na França, de onde foi deportada.

“Ela conseguiu ter um patrimônio, ela tinha uma inteligência financeira, eu imagino. Ela vem com certo dinheiro e vai comprando algumas coisas para ela. Ela comprou um posto de gasolina, montou um salão de cabeleireiro. Alguns apartamentos. Ela tinha carro. Ela conseguiu ter um patrimônio. Isso também era muito raro, a não ser as [travestis] que iam para a Europa”, pontua Fernanda.

Segundo a dramaturga, Brenda Lee teria vendido o posto de combustível para ajudar a manter a casa de apoio e concluiu o primeiro ano da graduação de Direito. “Isso faz com que ela vá às delegacias brigando com os delegados, para soltar as amigas”, acrescenta a dramaturga.

Operação Tarântula

No final da década de 1980, à medida que aumentava a circulação do HIV pelo Brasil e pelo mundo, nas ruas de São Paulo o efetivo da Polícia Civil criminalizava a própria existência das travestis. Segundo Fernanda, o que a Operação Tarântula fazia era colocar um alvo no corpo das travestis da capital, promovendo uma verdadeira caça a elas, concedendo licença aos agentes policiais para conduzir um processo de “higienização” da cidade, expulsando quem fosse considerado um “mau elemento”.

“Nada mais é do que a polícia perseguindo, atirando, metralhando e matando as travestis. Porém, com uma diferença: acompanhada de jornalistas, que retratavam, registravam e depois publicavam nos jornais. E a polícia fazia uma propaganda de que estaria limpando as ruas de São Paulo”, afirma Fernanda. “Com o endosso da imprensa, do poder público e da sociedade”, acrescenta a diretora.

De acordo com depoimento de Brenda Lee, revisitado por Fernanda, travestis da casa dela foram atingidas pelos disparos da polícia. Uma delas morreu, uma segunda ficou com danos de saúde irreversíveis e outras ficaram feridas. “Ela vai denunciar. Óbvio que ela sabe que não vai ter o respaldo da sociedade, que ela não vai ter a aprovação da opinião pública, mas, mesmo assim, ela não se abate, ela vai e denuncia. Um dos repórteres chega e pergunta: ‘você vai enterrar? O que vai fazer com a que morreu?’ Ela fala: ‘eu vou fazer o enterro dela e essa menina que ficou inválida, nós vamos cuidar, vivemos em uma comunidade e vamos cuidar dela”.

Pela fibra e luta de Brenda é que o Palácio das Princesas conseguiu firmar um convênio com a Secretaria Estadual de Saúde, em 1988. “Como a Aids era um assunto que estava chamando muito a atenção da imprensa, um assunto que rendia muitos holofotes, muitas matérias sensacionalistas, um repórter pergunta a ela: ‘e se aparecer alguém com Aids na sua casa?’ Então, ela declara publicamente, na imprensa, que, se aparecesse alguma pessoa com Aids e não tivesse aonde ir, que poderia ir para a casa dela, que ela cuidaria sem nenhuma discriminação. Essa notícia vai parar nas mãos do doutor Paulo Roberto Teixeira [criador do Centro de Referência e Treinamento de Aids de São Paulo]”, adiciona Fernanda.

Com a ponte aberta por Teixeira, a casa de Brenda Lee, assim, se aproxima da Secretaria Estadual de Saúde. O médico Paulo Roberto Teixeira foi, como ela, visionário em ações de enfrentamento ao HIV/Aids, no estado de São Paulo, no Brasil e no mundo, sendo o fundador do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, um dos criadores do Conselho de Administração do Fundo Global de Tuberculose, Aids e Malária e atuante na Organização Mundial da Saúde.

Além de inúmeros trabalhos acadêmicos que denunciam e esmiúçam a Operação Tarântula, iniciada em 27 de fevereiro de 1987, enquanto resposta institucional, o tema é abordado no documentário Temporada de Caça, da diretora Rita Moreira. O filme foi lançado em 1988 e ficou conhecido por um trecho da abertura, em que uma repórter pergunta a uma transeunte se ela é a favor do assassinato de pessoas homossexuais, ao que responde, sem nenhum constrangimento, afirmativamente.

Ódio constante

Conforme destaca a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) na mais recente edição do relatório sobre assassinatos de pessoas transexuais e travestis no Brasil, o ódio a esse grupo ainda permanece. “Em 2022, tivemos pelo menos 151 pessoas trans mortas, sendo 131 casos de assassinatos e 20 pessoas trans suicidadas. A mais jovem trans assassinada tinha 15 anos, e vimos um acirramento na patrulha contra crianças e adolescentes trans, sendo inclusive vítimas de violências dentro do ambiente escolar. E embora haja uma leve queda em relação a 2021, o perfil das vítimas se manteve o mesmo. Chama atenção o país figurar novamente como o que mais consome pornografia trans nas plataformas digitais de conteúdo adulto no mesmo momento em que o Brasil figura como o país que mais assassinou pessoas trans pelo 14º ano consecutivo”, escreve a entidade.

“Houve ainda 142 violações de direitos humanos e os casos de impedimento de uso do banheiro foram os que mais tiveram destaque nessa edição. Seguimos vendo a política estatal de subnotificação da violência lgbtifóbica, e os estados insistem em não levantar os dados sobre violência contra a população LGBTQIA+, em especial os assassinatos. Mantém-se a falta de dados sobre o perfil dos suspeitos, no mesmo momento em que os nomes de registro das vítimas são expostos, sem menção aos seus nomes sociais”, destaca o relatório.

Brenda Lee morreu aos 48 anos, em 28 de maio de 1996, assassinada a tiros. O principal suspeito apontado na época era um funcionário da casa de apoio que ela comandava. Especula-se que ele tenha tirado sua vida no contexto de um golpe financeiro. Brenda Lee foi encontrada no interior de uma Kombi, estacionada em um terreno baldio. Em 2008, foi criado o “Prêmio Brenda Lee”, que contempla personalidades que se destacam na luta contra o HIV e prevenção da Aids.




Fonte: Agência Brasil

Brasil e Argentina assinam declaração que fortalece economia cultural


Os governos do Brasil e da Argentina assinaram hoje (3) uma declaração conjunta para fortalecer ações coletivas de apoio às economias culturais dos dois países. A declaração foi efetivada durante a realização da 7ª edição do Mercado de Indústrias Culturais Argentinas (Mica), em Buenos Aires, evento para o qual o Brasil é convidado de honra.

O texto afirma ainda a necessidade de se fortalecer a capacitação, formação e educação digital de trabalhadores da cultura – para que o avanço na digitalização não implique em maiores níveis de exclusão –, e realça a centralidade do Mercosul Cultural para ambos os governos, assim como a necessidade de continuar trabalhando para fortalecer e aprofundar a integração regional no setor.

A declaração ocorre após o Brasil assumir, simbolicamente, a presidência pro tempore (provisória) do Mercosul Cultural. Com duração de seis meses, a gestão brasileira começa oficialmente em julho.

Inicialmente, estava prevista a assinatura de um Protocolo para o Fomento à Coprodução de Filmes de Longa-Metragem entre a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales, mas, conforme informou a assessoria do Ministério da Cultura (Minc), o documento ainda recebe ajustes finais em seus termos.

Agenda

Principal foro multilateral de atuação do Ministério da Cultura no continente americano, o Mercosul Cultural reúne uma agenda temática do bloco voltada para o delineamento de programas conjuntos com ênfase na integração de políticas e planos nacionais de cultura, o desenvolvimento de estudos, a integração de sistemas de informação e estatísticas de cultura, a circulação de bens e serviços culturais, a promoção do intercâmbio técnico e artístico, universalização do acesso à cultura e gestão do patrimônio cultural e valorização da memória social e da diversidade cultural da região.

O grupo trabalha de forma ampliada com os quatro Estados Partes do bloco: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e sete Estados Associados (Chile, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname). As reuniões regulares são realizadas semestralmente.

“A liderança de Argentina e Brasil, junto com o esforço que realizam todos os Estados Membros do bloco, é fundamental para estabelecer um Mercosul Cultural forte, que possa gerar acordos concretos a nível regional para enfrentar de maneira conjunta os desafios do setor cultural e contar com critérios comuns nos momentos de participação em outros foros, organismos e blocos multilaterais”, diz o texto da declaração.

O documento também aborda a importância de fortalecer as políticas culturais de base comunitária através do apoio a iniciativas artísticas e culturais que “promovam a inclusão social, a identidade local e a participação cidadã”, além de ressaltar a necessidade da promoção de ações coletivas de apoio às economias culturais, “que são motor de crescimento econômico, de geração de postos de trabalho e fontes de inovação”.

A declaração representa uma sinalização dos dois países em fortalecer as cadeias de valor de todos os setores das indústrias culturais para a região de forma articulada. O entendimento é de que o segmento cultural tem papel fundamental para impulsionar o desenvolvimento dos países do continente e “sua capacidade de gerar mudanças sociais estruturais que promovam sociedades mais inclusivas, acessíveis, diversas e equitativas”, para garantir o desenvolvimento sustentável. O texto também reitera a necessidade de incorporar a cultura como um objetivo específico entre os próximos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

“Em um mundo interconectado no qual existem desafios globais, tanto as ações individuais como as políticas públicas implementadas por um país têm impacto sobre o conjunto. Sem perder a originalidade e conscientes da importância da diversidade cultural, é fundamental gerar acordos globais com vistas ao futuro”, diz a declaração.

O documento termina com o entendimento entre os dois países no sentido de atualizar o marco normativo da relação cultural, com base na proposta argentina de um memorando de entendimento sobre cooperação em matéria cultural entre os ministérios da Cultura do Brasil e da Argentina.

Mica

Maior evento de cultura no país vizinho, o Mica 2023 tem o Brasil como convidado de honra. Com seminários, palestras, shows, encontros entre produtores culturais, entre outras programações, o movimento tem por objetivo articular os setores das indústrias culturais, para potenciar os intercâmbios comerciais, artísticos e intelectuais entre os dois países.

A intenção é fortalecer os vínculos institucionais, comerciais e artísticos com o Brasil, para a divulgação da cultura dos dois países e a concretização de negócios.




Fonte: Agência Brasil

Bonecas de pano trazem referências às matriarcas do samba


Enquanto manuseava carreteis, linhas e agulhas, a mente de Gabriela Sarmento vagava à procura de um tema para o trabalho de conclusão do curso de Belas Artes, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). E aí, veio a ideia de juntar três elementos centrais na formação da própria identidade: a costura, o carnaval e a cultura negra. O TCC entregue em 2021 tratou das roupas usadas pelas baianas nas escolas de samba do Rio de Janeiro, uma das alas mais tradicionais da Sapucaí. Além da parte teórica, ela apresentou uma boneca de pano com fantasia de baiana inspirada nos tempos mais remotos da folia.

O projeto foi além do diploma: hoje ela confecciona e vende as bonecas na internet. Elas têm 30 cm de altura, podem ser personalizadas nas cores de todas as escolas de samba e custam R$ 80.

Rio de Janeiro (RJ), 01/06/2023 – A estudante Gabriela Sarmento e suas bonecas confeccionadas a partir de pesquisas sobre tradições negras e indumentárias baianas nas escolas de samba. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Gabriela Sarmento e suas bonecas confeccionadas a partir de pesquisas sobre tradições negras e indumentárias baianas nas escolas de samba  Tomaz Silva/Agência Brasil

“Dentro da faculdade de Artes, eu sentia essa necessidade de falar sobre arte brasileira e indumentárias a partir de uma ótica que não fosse europeia. Eu não via nada sobre isso nas disciplinas que cursava. Então, decidi pelo tema para mergulhar um pouco mais nesse universo e fazer uma crítica com relação a essa ausência no curso”, recorda. “Quando eu comprei a minha primeira máquina de costura e passei a produzir um pouco mais, tive a ideia de fazer uma boneca de pano a mão. Eu não queria que fosse uma boneca de plástico, tipo uma Barbie, porque achava que ela não teria a estética que eu gostaria”.

A estética escolhida por Gabriela Sarmento, que hoje tem 27 anos e mora em Realengo, zona oeste da cidade, traz referências de uma cultura ancestral e diaspórica. As bonecas negras de pano com vestes tradicionais remetem às raízes africanas, aos costumes das mulheres que foram escravizadas e trazidas para a América portuguesa e, finalmente, aos trajes das “tias baianas”. Estas últimas eram recém-libertas e costumavam trabalhar como cozinheiras e vendedoras de quitutes pelas ruas do país no fim do século 19 e início do 20.

No Rio de Janeiro, as casas de muitas delas passaram a ser lugares de reunião, onde aconteciam cultos de religiões afro-brasileiras, rodas de capoeira e ensaios de música. O samba nasceu em ambientes como esses. Por isso, é comum dar a elas o título de “matriarcas do samba”. Esse reconhecimento veio a partir de alas específicas em blocos e ranchos carnavalescos, e nas agremiações que começaram a desfilar na virada da década de 1920 para a de 1930. E continua até os dias atuais: as baianas compõe uma ala obrigatória do carnaval carioca.

De lá para cá, as fantasias passaram por uma série de modificações. O processo de modernização começou na década de 1960. A partir da base tradicional, foram inseridos novos elementos de acordo com a criatividade do carnavalesco. Hoje, as fantasias podem pesar até 15kg. Bem diferente do que era no passado.

Para chegar a um resultado mais fiel do que eram as vestimentas tradicionais, Gabriela pesquisou referências bibliográficas e entrevistou baianas mais experientes. Uma delas foi a Tia Nilda, que estreou na função em 1979 na Mocidade Independente de Padre Miguel. Ela lembrou que a fantasia tradicional incluía apenas turbante, pulseiras, uma bata leve e, por baixo, uma anágua com conduíte.

Para a Gabriela, as bonecas são mais do que objetos decorativos. Funcionam como suporte material de uma cultura construída historicamente por mulheres negras que deve ser preservada. Ela defende que os carnavalescos deem maior protagonismo às baianas que desfilam na Sapucaí na hora de planejar as fantasias. Seria a melhor maneira de não descaracterizar completamente uma tradição de tantos anos, carregada de significados sociopolíticos.

“As bonecas contam parte dessa história das baianas, porque trazem um pouco de como eram as fantasias lá atrás quando as escolas de samba começaram. Então, são um símbolo daquela época e do papel das mulheres negras. E podem servir ainda como material educativo. Seja para as crianças, seja para os adultos, são uma forma de estudar e conhecer mais desse passado”.

Quilombo do Samba

O trabalho da Gabriela também está integrado ao grupo Quilombo do Samba, do qual faz parte, e que ajuda a divulgar as bonecas. Ele foi formado em 2019 com profissionais de diferentes áreas (artes, pedagogia, biologia e publicidade) com o propósito de estudar e divulgar a contribuição da população negra para o samba. O grupo se equilibra entre o meio acadêmico e as atividades do universo do carnaval.

Guilherme Niegro, de 32 anos, é um dos membros. Pedagogo e especialista em relações étnico-raciais, ele pesquisa a influência bantu, grupo etnolinguístico que vive na África subsaariana, no carnaval brasileiro. Além de pensar em artigos científicos e cursos de extensão, o Quilombo do Samba quer produzir conhecimento sobre o protagonismo negro atual nos desfiles.

“Começamos a organizar conversas pela internet com pessoas do mundo do samba e elas tiveram um grande alcance. Percebemos o potencial disso. Entrevistamos pessoas como porta-bandeiras, intérpretes, presidente da Liga-RJ. Foram 52 entrevistas. Depois, fomos nas quadras, nos barracões da Série Especial e da Série Ouro. Com foco sempre em destacar o papel das pessoas pretas que constroem o carnaval”.




Fonte: Agência Brasil

Nasa usará ciência para estudar fenômenos anômalos não identificados


A Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) quer entender melhor os chamados “fenômenos anômalos não identificados” (Uaps, sigla em inglês; ou Fanis, em português). O termo se refere ao que, em muitos casos, é associado a objetos voadores não identificados (Ovnis) e objetos subaquáticos não identificados (Osnis).

Ao classificar como Uaps as “aparições estranhas” eventualmente flagradas voando pelos ares ou se movimentando pelos oceanos, a Nasa busca criar condições para, à luz da ciência, tentar explicar tais eventos. A maior parte, de fato, acaba tendo alguma explicação. No entanto, segundo a própria agência, entre 2% e 5% permanecem no campo de “fenômenos anômalos não identificados”.

Com o objetivo de estabelecer metodologias mais adequadas para fazer levantamentos e obter dados mais apurados sobre esses fenômenos, a Nasa reuniu, nesta semana, uma equipe de estudo independente que explicou, por teleconferência, como pretende categorizar e avaliar tais eventos.

Relatório

“O foco desta reunião pública é realizar as deliberações finais, antes que a equipe de estudo independente da agência publique um relatório”, informou a Nasa. Segundo a agência, o relatório será publicado em breve.

O documento descreverá como avaliar e estudar os Uaps usando dados, tecnologia e ferramentas da ciência. “Não é uma revisão, ou avaliação de observações anteriores não identificadas. O relatório informará a Nasa sobre quais possíveis dados podem ser coletados no futuro para esclarecer a natureza e a origem do Uap”, acrescentou.

A equipe de estudo independente de Uaps é um conselho composto por 16 cientistas de diversas áreas, especialistas em assuntos relevantes para métodos potenciais de estudo de fenômenos anômalos não identificados. Posteriormente, será criado um roteiro sobre como usar os dados e as ferramentas da ciência para avançar nossa compreensão.

“No momento, as observações limitadas de alta qualidade do Uap tornam impossível tirar conclusões científicas dos dados sobre a natureza de tais eventos”, justificou a agência.

Uap é realidade

A teleconferência foi acompanhada pelo astrônomo e coordenador do projeto Exoss de pesquisas de meteoros, ligado ao Observatório Nacional, Marcelo De Cicco. Segundo De Cicco, o encontro deixa claro que a Nasa admite que o fenômeno Uap é uma realidade.

“A agência mostrou também quais são os pontos fortes e fracos desse tipo de estudo, bem como as dificuldades para a obtenção de dados de boa qualidade, com sensores adequados. Outro ponto interessante é a iniciativa de não admitir qualquer forma de assédio moral contra aqueles que estudam esse tipo de fenômeno”, disse à Agência Brasil De Cicco.

Outra questão que chamou a atenção do astrônomo brasileiro foi o fato de os representantes da Nasa terem afirmado, de forma até enfática, que a agência não tem nenhuma informação privilegiada, nem esconde qualquer prova da existência de discos voadores.

Com isso, “caem por terra as centenas de teorias conspiratórias envolvendo Nasa e extraterrestres”, pois o comitê veio a público também para deixar claro que “seria difícil conter os cientistas sobre o sigilo desse tipo de informação, pois o homem da ciência, fundamentalmente, tem independência de pensamento e não costuma aceitar passivamente opiniões hierárquicas que não sejam da busca pela verdade”, afirmou.




Fonte: Agência Brasil

Filme sobre desaparecimentos na Baixada vence festival internacional


O filme curta-metragem Desova, que fala sobre desaparecimentos forçados na Baixada Fluminense, venceu, nesta semana, o 12º Festival Internacional de Cine Político (Ficip), em Buenos Aires, na categoria Melhor Curta. Finalizado em 2022, foi a primeira exibição pública da produção. 

Dirigido e roteirizado por Laís Dantas e produzido pela Quiprocó Filmes, Desova retrata as consequências na vida de mães que perderam seus filhos nessa situação, ainda recorrente na região. A produção foi apresentada pelo Fórum Grita Baixada e viabilizada por uma emenda parlamentar de 2020, do então deputado federal Marcelo Freixo.

O trabalho também incluiu a pesquisa Mapeamento Exploratório sobre Desaparecidos e Desaparecimentos Forçados em Municípios da Baixada Fluminense, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Aos 28 anos, Laís é cria de Duque de Caxias, na Baixada, e já assinou a direção de projetos no Canal Brasil, Instagram, Porta dos Fundos, Quebrando o Tabu e Instituto Marielle Franco. Entre eles, a direção de fotografia do curta A Mulher do Fim do Mundo, dirigido por Geo Abreu; do mini-doc Respeita Nosso Sagrado, dirigido por Fernando Sousa e Gabriel Barbosa; e do longa Rio, Negro.

Em conversa com a Agência Brasil, a jovem cineasta explica que Desova busca compreender as dinâmicas do desaparecimento forçado de pessoas, que incluem técnicas do Estado de desaparecer com corpos, bem como a tentativa de mães e familiares das vítimas em lidar com esse trauma, por meio da criação de grupos e coletivos de apoio.

Rio de Janeiro (RJ) - ‘Desova’: Curta sobre o desaparecimento forçado na Baixada Fluminense vence como Melhor Curta no 12º Festival Internacional de Cine Político - FICIP, em Buenos Aires. 
Foto: Quiprocó Filmes/Divulgaçāo

A diretora Laís Dantas, durante as filmagens do filme Desova, vencedor como Melhor Curta no 12º Festival Internacional de Cine Político, em Buenos Aires Filmes/Divulgaçāo

Agência Brasil: Como tratar um tema tão difícil em uma produção artística audiovisual?
Laís Dantas: O Desova é um filme sobre desaparecimentos forçados, mas ele é totalmente centrado nas mães que perderam os filhos. O Fórum Grita Baixada fez umas ações com arte terapia com essas mães e a gente acompanhou essas sessões, né? A gente tentou criar um filme todo baseado na visão das mães, é um filme mais delicado. A gente vai trazer um pouco da religião também, de como essas mães lidam com o seu luto. O que fica depois que acontece essa tragédia. A gente traz um pouco como elas lidam com isso, depois da perda.

Agência Brasil: Uma das questões mais duras no desaparecimento forçado é que se trata de uma dor que não tem encerramento, em função da ausência do corpo.
Laís Dantas: O maior desafio de fazer esse filme é a ausência do corpo. Muitas vezes, ali durante o roteiro, eu me vi sem chão, como trazer para o filme de uma forma menos dura, que não deixa de ser duro, mas tem uma poesia ali na narrativa que eu criei.

Agência Brasil: Como nasceu a ideia do filme?
Laís Dantas: Esse filme chega a convite da Quiprocó, que já tem uma parceria com o Fórum Grita Baixada. Eu já trabalho com a Quiprocó como diretora de fotografia e sou cria da Baixada Fluminense, cria de Duque Caxias. Então eu começo a produzir imagens a partir do meu território e as pessoas sempre falaram que eu tenho um olhar muito sensível. Eles estavam atrás de uma diretora sensível, com outra perspectiva para contar essa história de uma forma menos dura.

Agência Brasil: O desaparecimento forçado é uma questão violenta muito presente na Baixada Fluminense?
Laís Dantas: Acho que a gente, no filme, traz um pouco dos relatos da América Latina, mas falando da Baixada, é uma realidade da Baixada Fluminense, e falando a partir do meu conhecimento. A gente cresce ali, meio que dentro dessa realidade, meio que sem saber o que está acontecendo. A partir do filme, eu começo a entender quais são esses fatores, porque a gente vai ter o Estado e a gente vai ter o tráfico ao mesmo tempo. É uma realidade que está ali e que não tem política pública para isso. Fica muito assim: aconteceu. Quem resolve? Quem olha por essas mães? Como se lida com isso tudo, sabe?

Agência Brasil: E como esse filme pode impactar a comunidade na Baixada para melhorar a vida dessas pessoas que sofrem com esse problema?
Laís Dantas: É muito louco, porque quando a gente começa a filmar, as mães olham para a gente com um olhar muito de “caramba, mais um filme, vai resolver meus problemas”. Eu espero que esse filme abra muitas portas para o diálogo sobre a importância de se criar política pública para esse enfrentamento, para a dinâmica do desaparecimento. Que as pessoas entendam o que é, que tudo muda quando alguém desaparece. Um desaparecido desapareceu, mas o que é isso? O que isso causa? Espero que abra mais portas para esse diálogo.

Rio de Janeiro (RJ) - ‘Desova’: Curta sobre o desaparecimento forçado na Baixada Fluminense vence como Melhor Curta no 12º Festival Internacional de Cine Político - FICIP, em Buenos Aires. 
Foto: Quiprocó Filmes/Divulgaçāo

Laís Dantas em Bueno Aires com o prêmio de melhro curta em mãos – Quiprocó Filmes/Divulgaçāo

Agência Brasil: Desova estreou no 12º Festival Internacional de Cine Político e já foi premiado. Como foi essa experiência?
Laís Dantas: Foi um festival incrível, foi a primeira vez que eu saí do Brasil, inclusive. Primeiro festival como diretora. A gente participou da categoria de curtas-metragens internacional, concorremos com filmes de vários países, como Paquistão, México, Bolívia. Foi incrível, fiquei muito emocionada, não esperava ganhar. Porque, apesar de ser um filme que ficou pronto no ano passado, foi um processo muito louco, meio truncado. Se inscrever em festival, primeiro festival, ganhar fora do país. O tema é tão duro, eu não sabia nem se eu ficava feliz ou se eu ficava triste, foi um misto de emoções, sabe? Muita emoção de ganhar, feliz com tanta história, com tanta coisa, meu Deus. Mas foi incrível e o festival é de cinema político, então tinha muitos filmes com essa temática também, então ir lá assistir e aprender também foi muito incrível.

Agência Brasil: O prêmio dá mais visibilidade para o tema. Você tem algum comparativo sobre a situação dos desaparecimentos forçados em outros lugares?
Laís Dantas: A gente tem registros na América Latina, na Argentina isso acontece, também no México. A gente consegue ter um panorama sobre o que as pessoas estão criando a partir dos seus territórios. Nem todos os filmes foram sobre desaparecimentos forçados, mas é um tema caro para eles, é algo que acontece. Veio até uma senhora me perguntar, “ah, mas não é uma técnica da ditadura e tal?” As pessoas veem muito os desaparecimentos que acontecem aqui no Brasil como uma técnica só da ditadura, parece que isso só aconteceu lá e não aconteceu no governo Lula, não aconteceu no governo Bolsonaro.

Agência Brasil: Podemos citar, por exemplo, o caso Amarildo, de 2013, os três meninos de Belford Roxo, de 2021, os 43 estudantes do México de 2014…
Laís Dantas: Sim, não é uma prática exclusiva de um período político. Baixada Fluminense, periferia. As pessoas questionam, mas continua acontecendo.




Fonte: Agência Brasil

Presença Festival abre Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ no Rio


O Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ será aberto neste fim de semana no Rio de Janeiro com o evento Presença Festival, que está na segunda edição. A sigla LGBTQIAPN+. A sigla engloba pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer (questionando), intersexo, assexuais/arromânticas/agênero, pan/poli, não binárias e mais. A primeira edição do festival foi em abril do ano passado.

O idealizador do evento é o publicitário José Menna Barreto (foto), também curador e diretor artístico. Menna Barreto disse à Agência Brasil que o festival nasceu de uma inquietação pessoal e de sua vontade de contribuir para transformações na sociedade em questões de diversidade, equidade e inclusão na cultura e na arte. “Com o festival, eu me encontrei em um lugar de ativismo, para contribuir com as causas que o evento aborda.”

Segundo o publicitário, o evento dá espaço de visibilidade, de protagonismo e de destaque para pessoas pretas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, além de pessoas oriundas de povos originários e pessoas com deficiência. “O festival aborda diversas segmentos artísticos e culturais, como música cantada e instrumental, artes visuais, dança e teatro, com a missão de fortalecer a diversidade, equidade e inclusão na cultura e na arte.”

Menna Barreto disse que o objetivo é demonstrar para a sociedade que a diversidade está presente nos mais variados segmentos culturais e da economia criativa. As atrações deste sábado (3), no Circo Voador, incluem a cantora e ativista travesti Linn da Quebrada, o cantor Johnny Hooker e a drag queen Grag Queen, em apresentações que misturam entretenimento e conscientização. A noite especial será aberta às 19h, estendendo-se até as 4h do domingo (4).

Rio de Janeiro (RJ) - Presença Festival 2023. - Linn da Quebrada. Foto: Wallace Domingues

A cantora e ativista Linn da Quebrada é uma das atrações do Presença Festival – Wallace Domingues/Divulgação

Os Ingressos estão à venda neste site.

“O Presença tem um carinho muito grande ao trazer para a população artistas que estejam de fato envolvidos e que lutem por essas causas. O projeto tem esse carinho, esse cuidado”, afirmou o publicitário. Visando democratizar o acesso, Menna Barreto informou que pessoas transgênero não pagam entrada para participar do festival.

Também na noite deste sábado, haverá o Ball do Orgulho LGBTQIAPN+, que traz à tona a cultura ballroom (cultura de inclusão, identificação e expressão), com uma convidada especial: a dançarina francesa transgênero Lasseindra Ninja. Pioneira no cenário ballroom europeu e protagonista do filme Fabulous, de 2019, Lasseindra vem ao Brasil pela primeira vez. Além de participar como jurada do ball, Lasseindra dará uma oficina gratuita de vogue, estilo de dança que foi propagado mundialmente pela cantora Madonna. O valor dos prêmios para cada categoria da ball, denominados grand prizes, é de R$ 800.

Mundo Presença

No domingo (4), o público terá acesso gratuito ao Mundo Presença, no Centro de Movimento Deborah Colker, na Gávea, onde, das 10h às 20h, os visitantes poderão apreciar várias atrações, entre as quais exposições de arte, oficinas de dança; atividades de literatura, dramaturgia e música instrumental; exibição de filmes e bate-papos com diretores de cinema e roteiristas.

Haverá ainda shows, contação de histórias para crianças e uma feira de empreendedorismo. São cerca de 30 atrações abertas ao público de todas as idades.

A exposição O Que Sustenta o Rio, assinada pelo patrocinador BNY Mellon, traz diferentes técnicas e práticas artísticas usadas pelo artista visual Joelington Rios, que divide sua vida entre o quilombo Jamary dos Pretos, em Turiaçu, no Maranhão, onde nasceu, e a zona norte do Rio de Janeiro, onde trabalha e mora. A pesquisa de Joelington visa a revelar outras corporalidades, criar significado, ressignificar memórias e raras formas de existência.

O público poderá visitar também a exposição O Abecedário da Diversidade, de Diego Moura. O artista busca inspiração em figuras do universo pop, que compõem a série de artes Perfil para convidar os visitantes a conhecer o significado da sigla LGBTQIAPN+, que resume a diversidade sexual e de gênero que compõe a sociedade.

Sem pretensão de ligar os personagens às definições de cada gênero, Diego Moura diz que uma das formas de combater o preconceito é por meio da educação e da ampliação do acesso ao conhecimento.

Haverá ainda oficinas de dança; atividades audiovisuais, com exibição de curtas-metragens; atividades de música instrumental; bate-papos; atividades de literatura e dramaturgia; uma feira múltipla de arte, design, moda e gastronomia, além de atividades infantis no painel Sementes do Futuro.




Fonte: Agência Brasil

São Paulo celebra Semana do Meio Ambiente com atividades diversas


Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho, a prefeitura de São Paulo vai promover uma semana de atividades educativas, culturais e esportivas. As ações serão realizadas em 31 parques da cidade entre os dias 3 e 11 de junho.

Na programação estão previstas rodas de conversa, aulas de alongamento, danças circulares, oficinas, palestras, aulas abertas, trilhas, exposições, caminhadas e pinturas.

Neste sábado (3), por exemplo, haverá uma atividade de observação de aves no Viveiro Manequinho Lopes, no Parque Ibirapuera (foto).

Já na manhã do dia 5 de junho, quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, haverá uma trilha especial no Parque Ibirapuera. Neste dia, também haverá oficinas de contemplação e fotografias no Parque Jardim da Luz, uma oficina de plantio de talos e temperos no Parque Luís Carlos Prestes, um passeio guiado no Parque Anhanguera e um curso de agricultura urbana e enfrentamento climático na Escola de Agroecologia de Parelheiros.

Planetário

Durante a semana também será promovida uma caminhada astronômica, com saída do Planetário do Carmo. Durante o passeio, três guias vão conversar com os interessados sobre curiosidades do universo, escalas astronômicas e a vida na terra.

Outros destaques são a caminhada sensorial pelo Parque Jardim da Luz, em que os visitantes vão ser convidados a identificar espécies de plantas comestíveis e uma ação de grafite no Parque Raul Seixas.

As atividades terminarão no domingo (11), com uma oficina de eletromagnetismo no Planetário do Carmo. A solenidade de encerramento será no Parque Anhanguera.

Mais informações sobre o evento e sua programação podem ser consultadas no site.




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena deste sábado paga prêmio de R$ 65 milhões


O Concurso 2.598 da Mega-Sena, que será sorteado neste sábado (3) em São Paulo, pagará o prêmio de R$ 65 milhões a quem acertar as seis dezenas. O sorteio será às 20h, no Espaço da Sorte, na Avenida Paulista.

Não houve ganhador no último concurso, quarta-feira (31), e o prêmio ficou acumulado. As dezenas sorteadas foram 14 – 26 – 34 – 54 – 56 e 58.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de hoje, nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet. O jogo simples, com seis números, custa R$ 5.

Prêmio

O prêmio pode ser resgatado em qualquer casa lotérica ou nas agências da Caixa. Se o valor bruto for superior a R$ 2.112,00 o pagamento pode ser feito somente nas agências, mediante apresentação de comprovante de identidade original com CPF e recibo de aposta original e premiado.

Valores iguais ou acima de R$ 10 mil são pagos no prazo mínimo de dois dia úteis a partir da apresentação em agência da Caixa.




Fonte: Agência Brasil

Ministra defende ampliação de fronteiras para disseminar cultura


A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, participou, nesta sexta-feira (2), em Buenos Aires, da passagem simbólica da presidência pro tempore (provisória) do Mercosul Cultural para o Brasil. Com duração de seis meses, a gestão brasileira terá início oficialmente em julho. A presidência do Mercosul Cultural segue a rotatividade semestral do Mercosul.  

Na capital argentina, Margareth Menezes participa da 54ª Reunião de Ministros da Cultura do Mercosul, juntamente com os representantes da Argentina, do Uruguai, Paraguai, Chile, da Colômbia e do Peru. A reunião de ministros da Cultura é considerada o órgão máximo para atuação e deliberação das autoridades nacionais do setor.

No evento, a ministra Margareth Menezes comentou as diretrizes que vão nortear os trabalhos conjuntos de fortalecimento do setor, no próximo semestre. A ministra destacou a necessidade de união dos países, para que a humanidade tenha mais compreensão de sua diversidade natural, e de ampliação das fronteiras entre eles para disseminação de livros e leitura, produção audiovisual e relações tecnológicas. Ela enfatizou a necessidade de uma relação mais potente no vetor da economia da cultura e de fortalecer, enfim, a todos nessa estrutura.

Segundo a ministra, o Brasil se compromete, de maneira mais enfática, a dar a devida atenção para a continuidade das ações do Mercosul Cultural.

A presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella, que integra a comitiva brasileira na viagem à Argentina, destacou o momento que o país vive atualmente. “É muito importante para o Brasil, na retomada democrática, a retomada das políticas públicas para a cultura e tratar nesse contexto as políticas para memória.”

Maria é filha do guerrilheiro comunista baiano e ex-deputado Carlos Marighella, morto em 1969, após aderir à luta armada contra a ditadura militar.

Programação

Hoje os participantes do encontro discutiram também o tema Aportes da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável.

Neste sábado (3), os ministros da Cultura dos países do Mercosul assinarão, em Buenos Aires, o Protocolo para o Fomento à Coprodução de Filmes de Longa-Metragem entre a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales, da Argentina.




Fonte: Agência Brasil

Governo cria grupo para combater criminalidade no Vale do Javari


Às vésperas do primeiro aniversário das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, o Ministério dos Povos Indígenas criou um grupo de trabalho para promover a segurança e combater a criminalidade no Vale do Javari, no Amazonas, onde os dois foram assassinados. A resolução com a medida foi publicada nesta sexta-feira (2) no Diário Oficial da União.

O grupo será formado por dez ministérios, que trabalharão em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para propor medidas concretas para combater a violência e garantir a segurança territorial dos povos indígenas que vivem na área. Entidades de povos indígenas também participarão das discussões.

As medidas em discussão pretendem abranger tanto a prevenção de crimes na terra indígena como facilitar a expulsão de invasores na região. Os seguintes órgãos e entidades integrarão o grupo de trabalho:

•   Ministério dos Povos Indígenas, que coordenará o grupo;

•   Advocacia-Geral da União;

•   Casa Civil da Presidência da República;

•   Ministério da Defesa;

•   Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania;

•   Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome;

•   Ministério da Justiça e Segurança Pública;

•   Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima;

•   Ministério de Planejamento e Orçamento;

•   Ministério da Saúde, por meio de sua Secretaria Especial de Saúde Indígena;

•   Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai);

•   Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)

O grupo também terá um representante das seguintes entidades, sem direito a voto:

•   Ministério Público Federal;

•   Defensoria Pública da União;

•   Articulação dos Povos Indígenas do Brasil;

•   União dos Povos Indígenas do Vale do Javari;

Na próxima segunda-feira (5), o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira completa um ano. As autoridades policiais colocaram sob suspeita pelo menos oito pessoas, por possível participação nos homicídios e na ocultação dos cadáveres.

Bruno e Phillips foram mortos no início de junho de 2022, quando viajavam, de barco, pela região do Vale do Javari. Localizada próxima à fronteira brasileira com o Peru e a Colômbia, a região abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares. A área também abriga o maior número de indígenas isolados ou de contato recente no mundo.

No fim de outubro de 2022, o suposto mandante do assassinato, Rubens Villar Pereira, foi posto em liberdade provisória mediante fiança de R$ 15 mil. Na semana passada, o ex-presidente da Funai Marcelo Xavier foi indiciado por omissão no caso.




Fonte: Agência Brasil