BNDES destina verba do Fundo da Amazônia para merenda escolar


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai destinar até R$ 336 milhões do Fundo Amazônia para promover a agricultura de base sustentável e a alimentação escolar saudável. Os recursos serão aplicados em dez projetos a serem selecionados por  edital, informou o banco nesta quarta-feira (13). Os projetos candidatos devem atuar no fortalecimento da capacidade de produção, aquisição e consumo de alimentos sustentáveis e da sociobiodiversidade, abrangendo todos os nove estados da Amazônia Legal.

O objetivo é levar comida saudável e segurança alimentar a crianças e jovens da rede pública de ensino, gerando emprego e renda para agricultores familiares, incluindo quilombolas, assentados e grupos de mulheres, povos indígenas e demais povos e comunidades tradicionais.

 “Essa abordagem, de apoio à demanda e à oferta de forma integrada, é inovadora e abre caminho para o desenvolvimento de modelos que podem ser disseminados pela Amazônia Legal e pelo país”, defende a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello

A seleção faz parte da iniciativa Amazônia na Escola: Comida Saudável e Sustentável, resultado de parceria entre BNDES, gestor do Fundo Amazônia, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). As instituições assinarão acordo de cooperação técnica prevendo ações para implementação da chamada.

Nova fase

Cada projeto selecionado será apoiado com, no mínimo, R$ 10 milhões. A previsão é alcançar 56 municípios, marcando nova fase do Fundo, voltada a projetos estruturantes, de maior escala e impacto. Tereza Campello garante que a consolidação de cadeias produtivas sustentáveis e justas é fundamental para um novo modelo de desenvolvimento, baseado na bioeconomia como alternativa às atividades indutoras do desmatamento.

A diretora diz que pretende dar soluções a vários desafios conhecidos da região, conciliando geração de emprego e renda, justiça social, conservação ambiental, estímulo à economia local a partir de atividades produtivas sustentáveis e aumento da segurança alimentar de crianças e jovens. Podem participar da seleção fundações de direito privado, associações civis e cooperativas.

O BNDES informou ainda, por meio de sua assessoria de imprensa, que serão selecionadas duas propostas para o estado do Pará e uma para cada um dos outros estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso). O edital pode ser acessado no site do Fundo Amazônia.




Fonte: Agência Brasil

Ministra diz que exploração de petróleo na Amazônia preocupa indígenas


A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, voltou a expressar preocupação com a exploração de petróleo e gás na Bacia do Amazonas. A manifestação ministerial ocorreu nesta quarta-feira (13), pouco antes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) leiloar 38 blocos exploratórios de 11 bacias sedimentares: Espírito Santo, Paraná, Pelotas, Potiguar, Recôncavo, Santos, Sergipe-Alagoas, Tucano. Santos e Campos, além da Amazonas.

“Lógico que preocupa”, respondeu a ministra ao ser perguntada sobre o potencial impacto ambiental da exploração petrolífera na bacia amazônica, especificamente.

Segundo o Instituto Arayara, organização não governamental (ONG) que defende o uso de recursos naturais de forma sustentável, a exploração de petróleo e gás natural em alguns dos blocos ofertados nesta terça-feira representam uma “ameaça socioambiental”. De acordo com o instituto, alguns destes blocos se sobrepõem a unidades de conservação ou a áreas de amortecimento que visam a proteger as mesmas unidades, não só na Amazônia, mas também em outras regiões. De acordo com a organização, há ao menos 23 terras indígenas nas áreas de influência de 15 dos blocos que a ANP ofertou hoje.

“Somos povos resistentes e vamos continuar lutando, fazendo a resistência que precisa ser feita para evitarmos a exploração dentro dos territórios indígenas”, acrescentou a ministra, destacando o fato do leilão ocorrer no último dia da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28), evento realizado em Dubai, nos Emirados Árabes, e cujos participantes aprovaram incluir, no documento final, menção à importância do mundo alcançar a “neutralidade carbônica” até 2050, por meio de uma transição da era dos combustíveis fósseis, principais causadores das mudanças climáticas.

“Na Conferência do Clima [Cop28], que termina hoje, acabaram de apresentar um documento em que a maioria dos países entende que é preciso fazer uma transição energética urgente ou não vamos conseguir evitar chegar ao ponto de não retorno [ponto a partir do qual os danos causados ao planeta serão irreversíveis, passando a ameaçar a vida humana e de outras espécies]”, afirmou a ministra, classificando como “lamentável que muitos países necessitem fazer esta transição energética a longo prazo”.

“Precisamos muito dessa consciência também por parte da sociedade, de entender esta emergência que vivemos para, inclusive, ajudar a pressionar os governos. Temos que sair deste modelo [energético, baseado no uso de combustíveis fósseis]; uma transição é realmente necessária.”




Fonte: Agência Brasil

Grupo de trabalho vai para mapear políticas públicas para a Maré


Portaria da Secretaria-Geral da Presidência da República instituiu um grupo de trabalho para mapear políticas públicas para o complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. O texto foi publicado na edição desta quarta-feira (13) no Diário Oficial da União.

“Fica instituído, no âmbito da Secretaria-Geral da Presidência da República, Grupo de Trabalho Técnico – GTT a ser coordenado pela Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, com a finalidade de mapear, articular e integrar a oferta de políticas públicas na região da Maré, na cidade do Rio de Janeiro, visando o fortalecimento da participação social no território e a promoção de direitos à sua população”, diz a portaria.

O relatório final do GTT será encaminhado ao ministro Márcio Macêdo, no prazo de 180 dias, contado da data de realização da sua primeira reunião, permitida a prorrogação por prazo determinado.

O complexo da Maré tem mais de 140 mil moradores. Constituída por 16 favelas, a Maré tem um processo de ocupação que se consolidou a partir da construção da atual Avenida Brasil, em 1946, onde se criou um cinturão industrial. As encostas e as áreas alagadiças existentes naquele trecho da Baía de Guanabara e a proximidade do centro tornaram-se condições favoráveis para o surgimento do conjunto de favelas.




Fonte: Agência Brasil

Grupo de trabalho vai mapear políticas públicas para a Maré


Portaria da Secretaria-Geral da Presidência da República instituiu um grupo de trabalho para mapear políticas públicas para o complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. O texto foi publicado na edição desta quarta-feira (13) no Diário Oficial da União.

“Fica instituído, no âmbito da Secretaria-Geral da Presidência da República, Grupo de Trabalho Técnico – GTT a ser coordenado pela Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, com a finalidade de mapear, articular e integrar a oferta de políticas públicas na região da Maré, na cidade do Rio de Janeiro, visando o fortalecimento da participação social no território e a promoção de direitos à sua população”, diz a portaria.

O relatório final do GTT será encaminhado ao ministro Márcio Macêdo, no prazo de 180 dias, contado da data de realização da sua primeira reunião, permitida a prorrogação por prazo determinado.

O complexo da Maré tem mais de 140 mil moradores. Constituída por 16 favelas, a Maré tem um processo de ocupação que se consolidou a partir da construção da atual Avenida Brasil, em 1946, onde se criou um cinturão industrial. As encostas e as áreas alagadiças existentes naquele trecho da Baía de Guanabara e a proximidade do centro tornaram-se condições favoráveis para o surgimento do conjunto de favelas.




Fonte: Agência Brasil

Mais de 47 milhões no país estão sujeitos a reconhecimento facial


Estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) mostra que 47,6 milhões de brasileiros estão potencialmente sob vigilância de câmeras de reconhecimento facial no país. Isso representa cerca de um quinto da população. O levantamento foi feito com base nos locais onde essa tecnologia está sendo usada. 

De acordo com o trabalho, há pelo menos 165 de projetos de videomonitoramento com reconhecimento facial. Na Região Sudeste, segundo o estudo há 21,7 milhões pessoas sujeitas a essa tecnologia. No Nordeste, são 14,1 milhões.

O levantamento mostrou ainda que o estado da Bahia fez o maior investimento na ferramenta (R$ 728 milhões). Goiás concentra o maior número de projetos ativos (64), devido ao fato de que a política está sendo executada pelos municípios.

Segundo a coordenadora do estudo, Thallita Lima, a tecnologia de reconhecimento facial precisa ser mais bem pensada e regulamentada, antes de ser tão amplamente utilizada. Ela questionou a eficiência da tecnologia, uma vez que não há efeitos práticos na redução da violência, onde ela tem sido usada.

Além disso, a tecnologia está sujeita a falhas no reconhecimento facial, que pode tanto não reconhecer os suspeitos como também lançar suspeitas sobre pessoas inocentes.

“A gente tem estudos, desde 2018, que mostram que as tecnologias de reconhecimento facial são enviesadas e, portanto, vulnerabilizam principalmente grupos minoritários, como pessoas negras, mulheres negras em especial, pessoas não-binárias. Por isso, a gente precisa refletir quais são os riscos quando a gente usa essa tecnologia de forma tão ampliada no nosso espaço urbano”, explicou a pesquisadora.

Além disso, Thallita questiona ainda os gastos necessários para a implantação dessa tecnologia, inclusive em cidades pequenas que não enfrentam grandes problemas em relação à violência.

“A tecnologia de reconhecimento facial, pelos levantamentos, não tem sido eficiente para modificar a experiência da insegurança nas cidades e os indicadores de segurança pública. E é muito cara. Será que vale a pena investir em algo que a gente sabe que não vai dar certo?”.




Fonte: Agência Brasil

Ex-deputado Luiz Alberto (PT-BA) morre aos 70 anos


O ex-deputado federal Luiz Alberto (PT/BA) morreu nesta quarta-feira (23), aos 70 anos, na cidade de Lauro de Freitas, na Bahia. A informação foi divulgada pelo secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas.

Segundo o secretário, Luiz Alberto sofreu um infarto nesta manhã e chegou a ser levado para o Hospital Aeroporto, onde morreu. “Perdemos a presença física do nosso camarada. Nos resta agora honrar seu legado e seguir na luta!”, escreveu Freitas em suas redes sociais.

Nascido no município baiano de Maragogipe, em 1953, Luiz Alberto exerceu quatro mandatos como deputado federal, sendo o primeiro deles de 1997 a 1999 e os outros três consecutivos, de 2003 a 2015.

Sua atuação no parlamento foi voltada principalmente para a defesa da justiça racial, das religiões de matrizes africanas, da cultura, dos sindicatos, sem-terra, sem-teto, mulheres e quilombolas.

Também foi secretário estadual de Promoção da Igualdade da Bahia e, como servidor da Petrobras, esteve envolvido na luta sindical, nos Sindicatos dos Petroleiros da Bahia e no Sindicato Único dos Químicos e Petroleiros.

Na década de 80, ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ativista do movimento negro, foi coordenador do Movimento Negro Unificado (MNU) de 1995 a 1998.




Fonte: Agência Brasil

Acusado de matar cinegrafista é condenado, no Rio, a 12 anos


O 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou, nesta quarta-feira (13), o artesão Caio Silva de Souza a 12 anos de prisão em regime inicialmente fechado. Ele é um dos acusados de matar o  cinegrafista Santiago Andrade durante uma manifestação (foto), na Central do Brasil, no Rio, em 2014.

Caio havia sido acusado pelo crime de homicídio doloso qualificado por emprego de explosivo, mas os jurados concluíram que não existiu o dolo eventual em matar a vítima. Isso levou à desclassificação do crime e a competência para julgar o réu passou a ser da juíza Tula Correa de Mello, que o condenou pelo crime de lesão corporal seguida de morte.

Segundo a Justiça, Caio poderá recorrer em liberdade. A sessão de julgamento começou na tarde de terça-feira (12) e durou quase 12 horas, terminando na madrugada de hoje.

Na mesma sessão, o outro acusado de matar Santiago, o tatuador Fábio Raposo Barbosa, foi absolvido.

Culpa

Em seu depoimento, Caio disse que carrega a culpa de ter matado um trabalhador, mas que não sabia, inicialmente, que havia cometido o crime. Segundo ele, Fábio se aproximou dele e pediu um isqueiro. Caio teria, então, acendido o rojão, sem saber que se tratava desse tipo de artefato.

Na versão de Caio, ele imaginou que se tratava de um fogo de artifício que liberava uma explosão de cores e não um rojão. O acusado disse que, depois de acender o artefato e colocá-lo no chão, deixou o local, sem saber que tinha atingido Santiago.

Já Fábio contou que, durante a manifestação, viu um objeto no chão e pegou, por curiosidade, sem saber que era um rojão. Na versão dele, Caio pediu insistentemente pelo artefato e Fábio o entregou.

No depoimento, Fábio disse que saiu do local logo em seguida, com os olhos irritados pelo gás lançado pelos policiais, por isso não viu quando Caio acendeu o artefato. Além dos réus, prestaram depoimentos três testemunhas de acusação e duas de defesa.




Fonte: Agência Brasil

Poetisa Adélia Prado faz 88 anos e se prepara para lançar novo livro


Considerada a maior poetisa viva do Brasil e uma das escritoras mais importantes da literatura nacional, a mineira Adélia Prado completa 88 anos nesta quarta-feira (13). E é escrevendo que ela celebra seu aniversário. Após um período que apelidou de “deserto criativo” – e que surgiu após o lançamento de seu último livro, Miserere, de 2013 – a poeta voltou a escrever e se dedica a uma nova obra, com título provisório de O Jardim das Oliveiras, ainda sem data de lançamento.

O aniversário começou a ser celebrado no último sábado (9), quando Adélia foi homenageada com um encontro literário promovido pela Fundação Maria Luísa e Oscar Americano, em São Paulo. O encontro apresentou um panorama profundo sobre a vida e a obra da autora. “Sua fortuna crítica não pára de crescer, quase ultrapassou uma centena de teses universitárias, ganhou os palcos e rompeu as fronteiras da língua”, disse Augusto Massi, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e um dos conferencistas do evento.

Múltipla, como sua poesia, Adélia Prado é professora, contista, poeta, escritora e filósofa. E é com sua obra que ela vai vencendo o tempo, tornando-se eterna, assim como ela mesma descreveu em seu poema A Esfinge. “Não quero contar histórias, porque história é excremento do tempo. Queria dizer-lhes é que somos eternos, eu, Ofélia e os manacás”.

Nascida em 1935 na cidade mineira de Divinópolis, foi ainda menina que se encontrou com as palavras e começou a escrever os primeiros versos. Mas foi só aos 40 anos de idade, já casada e com cinco filhos, que passou a se dedicar à carreira de escritora, com aprovação do também poeta Carlos Drummond de Andrade. Aliás, foi ele que enviou os primeiros escritos de Adélia para publicação na Editora Imago, sob o nome de Bagagem, sua coletânea de poesias mais celebrada e reeditada.

“A gente sempre viu, desde criança, o interesse dela [pela escrita]. A casa tinha esse ar, essa atmosfera de livros, de pintores, de música. Eu sabia que ela escrevia. E ela lia para a gente”, contou a diretora e atriz Ana Prado, filha caçula de Adélia.

“Naquela época eu tinha uns dez anos e, para mim, era tudo muito incrível e divertido. E a felicidade com que ela ficou ao receber a primeira carta do Drummond elogiando seu primeiro livro, a alegria dela foi como se um sol se abrisse dentro de casa”, recordou Ana em entrevista à Agência Brasil.

Depois da publicação de Bagagem, vieram outros como O Coração Disparado [vencedor do prêmio Jabuti em 1978], O Pelicano e Vida Doida. Também surgiram livros em prosa e infantil e, em consequência, muitos prêmios e homenagens. Em 2020, por exemplo, Adélia Prado foi homenageada com o Prêmio Jabuti. Prêmios que, muitas vezes, recebia e colocava no banheiro. “Ela tinha uma capacidade de compreensão de seu próprio limite. Quando começou a ganhar alguns prêmios, sempre os colocava dentro do banheiro, dizendo: ‘isso é só para a gente dar uma lembrada da dimensão’. Eu rio muito, mas essa é uma volta para o limite, para a pequenez de tudo”.

“Na condição de filha, tenho um orgulho gigantesco e o privilégio de acompanhar, de pertinho, essa trajetória. Acho que talvez ela seja a pessoa mais coerente que conheço, que tentou aliar todo o seu processo criativo a uma vida particular. A beleza que conseguiu perceber no mundo, de maneira tão peculiar, ela levou também para a nossa família”, destacou Ana.

Vanguardista

Conhecida principalmente por falar sobre sexo, religião e morte – temas que formam o tripé de sua obra, segundo suas próprias palavras – Adélia presenteou a literatura com poemas sobre o cotidiano e a condição da mulher. “Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, essa espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir”, são os versos que escreveu em Com licença poética, poesia que ilustra seu primeiro livro.

Foi escrevendo sobre mulheres comuns que Adélia Prado se colocou na vanguarda da cultura brasileira. “Ela é uma mulher, do interior, dona de casa, religiosa. Mas, desde muito cedo, se envolveu politicamente, inclusive na vida da cidade. Trabalhou por um tempo na Secretaria de Cultura da cidade. Na época da ditadura, se envolveu em greves. E essa é uma história que pouca gente sabe ou não chega ao interesse das pessoas. Mas a gente sempre viu a movimentação dela nessa direção. Ela fala sobre feminismo e, às vezes, é muito mal interpretada. Mas acho que sempre foi à frente do seu tempo: teve um casamento completamente fora do padrão, ainda que tenha se casado com um homem do interior e de família tradicional. Ela teve um casamento muito livre, tendo liberdade para exercer sua profissão. Em vários aspectos, viveu as pautas do feminismo e as pautas políticas em que sempre acreditou: só não era e nunca foi uma ativista”, disse Ana.

“Mas a vida dela sempre foi de posicionamentos firmes. Tenho muito orgulho disso e acho que ela foi muito valente, muito brava e muito corajosa, inclusive para não assumir determinadas posições de um ativismo que ela achava que poderia resultar em alguma coisa em que não acreditasse”, completou.

Esse estar sempre à frente do seu tempo a transformou também em um fenômeno pop, algo incomum para escritores, principalmente de poesia. “É muito difícil mesmo você encontrar esse tipo de leitor [de poesias], mas diante de toda essa dificuldade, ela conseguiu atravessar vários portais de dificuldades e fez esse sucesso pop. As pessoas vão a uma palestra dela como quem vai ver um ídolo pop. Acho que foi muito importante ela atravessar essas barreiras e fazer a poesia entrar em lugares que eram ainda muito escuros. Ela iluminou vários nichos que antes não tinham acesso a esse tipo de literatura”, lembrou a filha.

Deserto criativo

Como poeta que reflete sobre o cotidiano, Adélia escreve não só sobre o sexo e o amor, mas também sobre a dor. Em 2014, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ela falou sobre o sofrimento. “Não há uma pessoa que passe a vida sem sofrer. Acho o sofrimento importantíssimo porque ele é condição de consciência, de mais consciência. Uma pessoa que não sofre é um fenômeno e precisa ser observada”, disse ela, na ocasião. “Acho que uma das coisas mais importantes na vida de alguém é encarar o sofrimento”, completou.

Um desses sofrimentos chegou a ela logo após escrever Miserere. Nesse período, enfrentou o que chama de “deserto criativo” e que só foi vencido recentemente, quase dez anos depois, quando começou a escrever seu novo livro. “Ela falou que estava atravessando o deserto. E não há dor maior do que essa, de perder o acesso à poesia”, contou a filha.

Após atravessar essa aridez, a ideia para o novo livro acabou surgindo de forma inesperada. “Ela estava se questionando: ‘meu Deus, será que encerrou [não vou mais escrever?]. Mas, num movimento em casa, acabou achando em gavetas textos muito antigos, coisas que ela escreveu aos 20, 30 anos. E alguns poemas também. Achamos um tesouro. E foi um gatilho incrível porque ela disse; ‘meu Deus, eu estava vivendo exatamente aos 20 anos o drama que estou vivendo aos 80’. E isso foi um tiro para o livro que começou a escrever. Ela está mais frágil de saúde, com dificuldades de ordem física, mas nesse processo incrível [de escrita] do novo livro”, comentou Ana.

Se a saúde está mais frágil, não se pode dizer o mesmo sobre a disposição de Adélia. Ao mesmo tempo em que escreve sua nova obra, a poeta se dedica a uma nova forma para se comunicar com seu público: as redes sociais. Nos últimos meses, surgiu a ideia de criar uma página para que ela pudesse recitar seus poemas. A rede social é abastecida de acordo com o tempo da escritora. “As pílulas vão ser no tempo dela porque passa tudo por sua aprovação. Não tem aquele ritmo acelerado, mas é uma página que está muito bonita e é um espaço que a deixou muito feliz, um canto em que vai poder falar poesia ou sobre poesia”.

Para os muitos fãs de Adélia Prado e que querem matar a saudade de ouvi-la falar sobre poesia ou recitá-las, a poeta está agora no Instagram sob o nome @euadeliaprado.




Fonte: Agência Brasil

Poetisa Adélia Prado faz 88 anos e se prepara para lançar livro


Considerada a maior poetisa viva do Brasil e uma das escritoras mais importantes da literatura nacional, a mineira Adélia Prado completa 88 anos nesta quarta-feira (13). E é escrevendo que ela celebra seu aniversário. Após um período que apelidou de “deserto criativo” – e que surgiu após o lançamento de seu último livro, Miserere, de 2013 – a poeta voltou a escrever e se dedica a uma nova obra, com título provisório de O Jardim das Oliveiras, ainda sem data de lançamento.

O aniversário começou a ser celebrado no último sábado (9), quando Adélia foi homenageada com um encontro literário promovido pela Fundação Maria Luísa e Oscar Americano, em São Paulo. O encontro apresentou um panorama profundo sobre a vida e a obra da autora. “Sua fortuna crítica não pára de crescer, quase ultrapassou uma centena de teses universitárias, ganhou os palcos e rompeu as fronteiras da língua”, disse Augusto Massi, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e um dos conferencistas do evento.

Múltipla, como sua poesia, Adélia Prado é professora, contista, poeta, escritora e filósofa. E é com sua obra que ela vai vencendo o tempo, tornando-se eterna, assim como ela mesma descreveu em seu poema A Esfinge. “Não quero contar histórias, porque história é excremento do tempo. Queria dizer-lhes é que somos eternos, eu, Ofélia e os manacás”.

Nascida em 1935 na cidade mineira de Divinópolis, foi ainda menina que se encontrou com as palavras e começou a escrever os primeiros versos. Mas foi só aos 40 anos de idade, já casada e com cinco filhos, que passou a se dedicar à carreira de escritora, com aprovação do também poeta Carlos Drummond de Andrade. Aliás, foi ele que enviou os primeiros escritos de Adélia para publicação na Editora Imago, sob o nome de Bagagem, sua coletânea de poesias mais celebrada e reeditada.

“A gente sempre viu, desde criança, o interesse dela [pela escrita]. A casa tinha esse ar, essa atmosfera de livros, de pintores, de música. Eu sabia que ela escrevia. E ela lia para a gente”, contou a diretora e atriz Ana Prado, filha caçula de Adélia.

“Naquela época eu tinha uns dez anos e, para mim, era tudo muito incrível e divertido. E a felicidade com que ela ficou ao receber a primeira carta do Drummond elogiando seu primeiro livro, a alegria dela foi como se um sol se abrisse dentro de casa”, recordou Ana em entrevista à Agência Brasil.

Depois da publicação de Bagagem, vieram outros como O Coração Disparado [vencedor do prêmio Jabuti em 1978], O Pelicano e Vida Doida. Também surgiram livros em prosa e infantil e, em consequência, muitos prêmios e homenagens. Em 2020, por exemplo, Adélia Prado foi homenageada com o Prêmio Jabuti. Prêmios que, muitas vezes, recebia e colocava no banheiro. “Ela tinha uma capacidade de compreensão de seu próprio limite. Quando começou a ganhar alguns prêmios, sempre os colocava dentro do banheiro, dizendo: ‘isso é só para a gente dar uma lembrada da dimensão’. Eu rio muito, mas essa é uma volta para o limite, para a pequenez de tudo”.

“Na condição de filha, tenho um orgulho gigantesco e o privilégio de acompanhar, de pertinho, essa trajetória. Acho que talvez ela seja a pessoa mais coerente que conheço, que tentou aliar todo o seu processo criativo a uma vida particular. A beleza que conseguiu perceber no mundo, de maneira tão peculiar, ela levou também para a nossa família”, destacou Ana.

Vanguardista

Conhecida principalmente por falar sobre sexo, religião e morte – temas que formam o tripé de sua obra, segundo suas próprias palavras – Adélia presenteou a literatura com poemas sobre o cotidiano e a condição da mulher. “Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, essa espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir”, são os versos que escreveu em Com licença poética, poesia que ilustra seu primeiro livro.

Foi escrevendo sobre mulheres comuns que Adélia Prado se colocou na vanguarda da cultura brasileira. “Ela é uma mulher, do interior, dona de casa, religiosa. Mas, desde muito cedo, se envolveu politicamente, inclusive na vida da cidade. Trabalhou por um tempo na Secretaria de Cultura da cidade. Na época da ditadura, se envolveu em greves. E essa é uma história que pouca gente sabe ou não chega ao interesse das pessoas. Mas a gente sempre viu a movimentação dela nessa direção. Ela fala sobre feminismo e, às vezes, é muito mal interpretada. Mas acho que sempre foi à frente do seu tempo: teve um casamento completamente fora do padrão, ainda que tenha se casado com um homem do interior e de família tradicional. Ela teve um casamento muito livre, tendo liberdade para exercer sua profissão. Em vários aspectos, viveu as pautas do feminismo e as pautas políticas em que sempre acreditou: só não era e nunca foi uma ativista”, disse Ana.

“Mas a vida dela sempre foi de posicionamentos firmes. Tenho muito orgulho disso e acho que ela foi muito valente, muito brava e muito corajosa, inclusive para não assumir determinadas posições de um ativismo que ela achava que poderia resultar em alguma coisa em que não acreditasse”, completou.

Esse estar sempre à frente do seu tempo a transformou também em um fenômeno pop, algo incomum para escritores, principalmente de poesia. “É muito difícil mesmo você encontrar esse tipo de leitor [de poesias], mas diante de toda essa dificuldade, ela conseguiu atravessar vários portais de dificuldades e fez esse sucesso pop. As pessoas vão a uma palestra dela como quem vai ver um ídolo pop. Acho que foi muito importante ela atravessar essas barreiras e fazer a poesia entrar em lugares que eram ainda muito escuros. Ela iluminou vários nichos que antes não tinham acesso a esse tipo de literatura”, lembrou a filha.

Deserto criativo

Como poeta que reflete sobre o cotidiano, Adélia escreve não só sobre o sexo e o amor, mas também sobre a dor. Em 2014, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ela falou sobre o sofrimento. “Não há uma pessoa que passe a vida sem sofrer. Acho o sofrimento importantíssimo porque ele é condição de consciência, de mais consciência. Uma pessoa que não sofre é um fenômeno e precisa ser observada”, disse ela, na ocasião. “Acho que uma das coisas mais importantes na vida de alguém é encarar o sofrimento”, completou.

Um desses sofrimentos chegou a ela logo após escrever Miserere. Nesse período, enfrentou o que chama de “deserto criativo” e que só foi vencido recentemente, quase dez anos depois, quando começou a escrever seu novo livro. “Ela falou que estava atravessando o deserto. E não há dor maior do que essa, de perder o acesso à poesia”, contou a filha.

Após atravessar essa aridez, a ideia para o novo livro acabou surgindo de forma inesperada. “Ela estava se questionando: ‘meu Deus, será que encerrou [não vou mais escrever?]. Mas, num movimento em casa, acabou achando em gavetas textos muito antigos, coisas que ela escreveu aos 20, 30 anos. E alguns poemas também. Achamos um tesouro. E foi um gatilho incrível porque ela disse; ‘meu Deus, eu estava vivendo exatamente aos 20 anos o drama que estou vivendo aos 80’. E isso foi um tiro para o livro que começou a escrever. Ela está mais frágil de saúde, com dificuldades de ordem física, mas nesse processo incrível [de escrita] do novo livro”, comentou Ana.

Se a saúde está mais frágil, não se pode dizer o mesmo sobre a disposição de Adélia. Ao mesmo tempo em que escreve sua nova obra, a poeta se dedica a uma nova forma para se comunicar com seu público: as redes sociais. Nos últimos meses, surgiu a ideia de criar uma página para que ela pudesse recitar seus poemas. A rede social é abastecida de acordo com o tempo da escritora. “As pílulas vão ser no tempo dela porque passa tudo por sua aprovação. Não tem aquele ritmo acelerado, mas é uma página que está muito bonita e é um espaço que a deixou muito feliz, um canto em que vai poder falar poesia ou sobre poesia”.

Para os muitos fãs de Adélia Prado e que querem matar a saudade de ouvi-la falar sobre poesia ou recitá-las, a poeta está agora no Instagram sob o nome @euadeliaprado.




Fonte: Agência Brasil

Festival reúne pensamento e estética de 300 povos indígenas


O primeiro Festival Brasil É Terra Indígena começa nesta quarta-feira (13) em um complexo cultural montado na esplanada do Museu Nacional da República, região central da capital federal.

Com entrada franca, o evento, que vai até quinta-feira (14), pretende mostrar a diversidade de pensamento e estética dos mais de 300 povos indígenas do Brasil. Um dos destaques é a Feira de Arte dos Povos Indígenas, que reúne trabalhos de cerca de 80 artistas dos seis biomas do território brasileiro.

A Feira de Arte dos Povos Indígenas, aberta nos dois dias de festival, funcionará das 9h às 20h. Entre as etnias presentes estarão os povos Yanomami, Macuxi, Terena, Baré, Ashaninka, Kadiwéu, Guarani, Guajajara, Tremembé, Wauja e Mehinaku.

“A ideia é retratar a diversidade de belezas da arte ligada à ancestralidade e apresentar a riqueza dos saberes de convivência e proteção desses biomas, porque a relação da arte indígena está muito conectada ao bioma, na relação que se estabelece ao viver completamente integrado na sabedoria da relação com a natureza”, disse o curador da mostra, arquiteto Marcelo Rosenbaum.

Em paralelo, ocorrerão debates e rodas de conversa no Espaço Tecnologia e Ancestralidade, montado no auditório do museu. Ao todo, 35 palestrantes falarão sobre temas como comunicação indígena e suas narrativas, economia ancestral e criativa, com moda e música, e crise climática.

Música

O festival inclui ainda uma programação de shows com artistas indígenas, com nomes como Djuena Tikuna, Kaê Guajajara, Siba Puri, DJ Rapha Anacé, Tainara Takua, Gean Pankararu, Heloisa Araújo Tukue, Brisa Flow, DJ Eric Terena, MC Anarandá, Katú Mirim, Edvan Fulni-ô, Suraras do Tapajós, LaManxi, Brô MC’s e Grandão Vaqueiro.

Outros artistas consagrados da cena musical brasileira, como Lenine, Gaby Amarantos e Felipe Cordeiro participam como convidados dos músicos indígenas. Os Bro Mc’s convidam o rapper Xamã ao palco. Gaby Amarantos e Felipe Cordeiro são os convidados do show das Suraras do Tapajós. Gean Pankararu leva para a sua apresentação o cantor Lenine. Já Mariene de Castro participa do show da cantora Djuena Tikuna.

Organizado pela rede Mídia Indígena, o festival tem patrocínio do Instituto Cultural Vale, articulação do Centro Cultural Vale Maranhão e apoio dos ministérios da Cultura e  dos Povos Indígenas.




Fonte: Agência Brasil