Fafá de Belém: “Ouça o nosso povo, ele tem a solução”


Centro de Convenções do Hangar, o maior de Belém, no Pará. O evento Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR) ocorria, em seu terceiro dia, na sexta-feira (10), com as rodadas de negócios entre fazedores da cultura que buscavam comprar ou vender seus produtos. Enquanto centenas de atores, músicos, escritores buscavam contratos, recursos para seus projetos, surpreendentemente, aparece uma das maiores cantoras populares do país: Fafá de Belém.

Na cidade que é seu berço, Fafá estava com Maíra Carvalho, produtora do projeto de sua cinebiografia, que já havia conversado com distribuidoras e produtoras presentes, mas contava com apoio da cantora na reunião marcada com o grupo Warner Media, um dos maiores do mundo.

Maíra, que produziu recentemente o filme O Homem Cordial, do diretor Iberê Carvalho, explica que a produção ainda está na fase de captação de recursos para finalização do roteiro que vai contar o começo da carreira de Fafá até as “Diretas Já”, quando a cantora passou a ser o rosto e a voz da redemocratização do país em 1984. Maíra afirma que a conversa com a Warner abriu ótimas perspectivas para o projeto, ainda em fase de pré-roteiro, na busca por financiadores.

Fafá atraia atenção por onde passava. Toda de branco, combinando com os cabelos da mesma cor e diversos colares, o sorriso e a famosa risada da belenense de 67 anos tomavam conta do centro de convenções. Mas, mesmo assim, antes de um almoço agendado, ela abriu espaço para conversar com uma comitiva de jornalistas. Sempre com uma paixão contagiante, Fafá falou sobre sua carreira, projetos no cinema, mercado cultural e Amazônia. “Ouça o Ribeirinho. Ouça o menino da floresta. Ouça, porque eles têm a solução”.

Cinebiografia

“Era um documentário, a princípio, e aí virou um filme inspirado na minha história. Ela [Maíra Carvalho, produtora] acha que pode falar com muita gente do norte, do sul, que as histórias são as mesmas. A xenofobia é o peso, é a medida errada, é o comportamento, todo mundo que não pertence, todo mundo que não pertence ao padrão. Então é o assédio, é o abuso que você nem percebe.”

Fafá de Belém concede entrevista durante Mercado das Industrias Criativas do Brasil (MICBR), em Belém.

Fafá de Belém defende o protagonismo do povo amazônida – Divulgação

“Eu saí daqui há 18 anos e tive uma pessoa muito importante na minha vida, que foi o Roberto Santana [produtor musical], foi o cara que me convenceu a ser cantora. Eu nunca pensei em ser cantora. Eu sempre gostei de cantar, mas queria ser psicóloga [risadas]. E ele veio aqui fazer uma turnê com o Vinícius e Toquinho. A gente se reunia de tarde, depois da escola, para tocar violão. E ai ele entrou e disse assim: ‘você canta muito bem’. Ai falei para ele: eu sei [risadas]. Ele disse: ‘você é abusada, né’. Eu estava cantando ‘Vapor Barato’. Eu podia ter sido cantora ou psicóloga, mas Fafá de Belém foi ele que formatou. ‘Isso aqui é sua verdade fundamental, você vai aprender a dizer não’”.

“Enfim, e essa menina [Maíra Carvalho] soube algumas histórias minhas e agora transformaram isso numa ficção baseada na minha vida, mas que conta a história de uma menina que saiu do Norte e tudo que nós continuamos enfrentando até hoje. E não muda. Pode ser do Norte, pode ser do Sul, tudo que não faz parte do que se está acostumado a ver”.

COP 2025

“Acho maravilhoso esse evento [MICBR], onde acho maravilhoso o que teve da OTCA [Organização do Tratado de Cooperação Amazônica], e o que eu chamo de fabuloso a coisa do olhar sobre nós até chegar na COP [Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que em 2025 será em Belém]. Acho que é importante dizer que há uma expectativa muito grande para no dia seguinte da COP todos os nossos problemas estarem resolvidos. Isso não vai acontecer, mas há essa expectativa. Então, eu entendo que é fundamental que agora que estão olhando para nós, que olhem nos nossos olhos. Ninguém tem que ensinar como é que a gente funciona”.

“Então é preciso que nesse momento se olhe a sério e que se ouça o nosso povo. Ouça o Ribeirinho. Ouça o menino da floresta. Ouça, porque eles têm a solução. A solução virá por eles, por essa gente que maneja essa região ancestralmente, com reflexo muito forte na capital.”

Amazônia

Fafá de Belém concede entrevista durante Mercado das Industrias Criativas do Brasil (MICBR), em Belém.

Cantora capta recursos para produção de filme que contará sua história – Divulgação

“A Amazônia é muito particular e agora está na moda, e isso me preocupa muito também. Porque todo mundo agora na Faria Lima [rua de São Paulo e símbolo do mercado financeiro] sabe o que é a Amazônia. Um dia desses eu vi o Pacto Global [evento em setembro que foi lançado um movimento para preservação da Amazônia] e eu fiquei muito esperançosa lá na ONU. Mas não tinha um pensador amazônico, não tinha um artista amazônico, não tinha um fotógrafo amazônico, não tinha um jornalista amazônico, não tinha um intelectual amazônico. Mas fazer a figuração serve. A comunidade indígena é um dos povos amazônicos que acredito ser o mais explorado, como caricatura. Nós temos uma cultura, temos uma história, cada risco daquele tem um sentido. Cada estampa no corpo tem um sentido. Então, não dá para banalizar o que nós somos. Nós somos muitos povos. Somos quilombolas, somos extrativistas, somos ribeirinhos, somos mulheres e homens da cidade, homens e mulheres da floresta. E todo esse povo que gira nessa região mágica, banhada de águas poderosas que estão secando pela sede de quem vem de fora”.

“Nós precisamos de dinheiro, nós precisamos de recurso, nós precisamos de holofote, mas antes de tudo precisamos de respeito. É usar a marca Amazônia, que é a mais poderosa do planeta. Então, a gente tem que estar muito atento. Se vocês observarem, todas as campanhas que fizeram de preservação da Amazônia no Sul, nenhuma teve a minha cara. Nenhuma. Nenhuma. Porque eu não me ajeito, não faço grupo. Eu tenho uma liberdade, sou muito amazônica”.

Mulheres paraenses

“O corpo que me veste é esse. Por isso aquela polêmica toda da foto da Vogue [revista que Fafá fez um ensaio nu no último mês de outubro]. Aí o Bob [Wolfenson, fotógrafo] falou: Fafá, você tira a roupa para mim? Eu disse: Para você eu tiro. Ele falou: ‘sai todo mundo, porque a roupa que te veste é o teu corpo’. Eu estou plena. Porque nós vivemos assim, tira a roupa entra no igarapé. Nós temos o prazer da água na pele, do sol. Isso não quer dizer que as nossas meninas têm que ser prostituídas e nem estupradas no Marajó. Elas apenas são meninas em desenvolvimento. Têm que ser respeitadas. Essa região é a região feminina. Somos as amazônicas, somos as amazonas e somos as encaminhadas. Mas foi sendo substituídos pelo machismo, pelo dono da fazenda queria uma virgem no dia da lua cheia. E essas mulheres foram se habituando, como se fosse cultura. Não é cultura, é mau hábito. E a gente tem que combater tudo isso.”

“Eu acho que o componente fundamental da vida é a leveza, sabe. E ter Dona Onete, começando uma carreira com 70 anos. Então, em que outro lugar isso vai existir na vida? Clementina [de Jesus] explodiu aos 60, mas já ralava desde o 16. Dona Onete resolve cantar aos 70 anos, explode para o mundo com 75. Nós somos um povo diferente. Você vê a Dira [Paes, atriz paraense], Dira continua com 16 anos! [risadas]. Uma mulher fabulosa. E aí vem todos, né? Vem Gabi [Amarantos], vem Joelma, que é um fenômeno. Vem Aíla, Almirzinho [Gabriel], Trio Manari, Nilson Chaves. Tem muita coisa. Nós temos uma coisa transversal, de muitas coisas que vieram para cá”.

O mercado musical

“A internet democratizou a chegada ao público, mas tem as rádios feitas em São Paulo que massificam os sucessos. Ou seja, o velho jabá nunca saiu de cena. Só que num lugar de um liquidificador, que o cara levava no final da semana, hoje são prêmios negociados para dar visibilidade e fazer sucessos reais, porque as pessoas gostam, porque elas só ouvem aquilo. Mas a internet abriu uma possibilidade muito interessante, que eu digo que é de inteligência. O jovem brasileiro hoje tem possibilidade de achar coisas que ele não tem acesso. Não só o jovem, todos.

“O que eu critico muito nas plataformas é que você não sabe quem é o arranjador, não sabe quem são os músicos, não sabe que estúdio foi feito. E acabaram com uma coisa chamada direito conexo. Para mim, essa é a pior possibilidade que aconteceu na música. Porque se você gravasse uma música e vendesse um milhão de cópias e eu gravasse a mesma música e vendesse 5 mil cópias, toda a equipe produtora, todo mundo que fez aquele sucesso, ganhava o equivalente percentual de um milhão de cópias ou de 5 mil cópias, pelo público que a atingiu. Então, o técnico do estúdio, o produtor, o assistente de estúdio, os músicos. E hoje você não sabe nem quem toca”.

Projetos

“Eu tenho agora um projeto na minha cabeça, que vou fazer, que é um projeto de samba-canção, que eu amo a geração de samba-canção. Já tenho trabalhado muito, mas ainda preciso de patrocínio. Mas vamos fazer. Quero cantar Dolores Duran, Nora Ney, tudo, tudo. Aquele livro, ‘A Noite do Meu Bem’, do Ruy [Castro], que é maravilhoso. Porque eu era criança, cantava aquilo. ‘Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire’ [autoparódia de Antonio Maria para ‘Ninguém me Ama’].

“Dia 25/11, agora, eu estreio em Porto Alegre um show chamado ‘A Filha do Brasil’, com temas de novela e grandes sucessos. Mais temas de novela, eu não nasci numa novela, nasci com o ‘O Filho da Bahia’ [tema da novela Gabriela, de 1975]. Nasci em uma novela e tenho mais de 60 temas de novela. Temas de novela que eu adoro, sou noveleira. A gente estreia agora, a gente faz [show em] São Paulo, dia 16 de dezembro, faz Rio dia 2 de fevereiro. Aí tem carnaval e a gente estrutura a turnê para o resto do ano que vem”.

“E sou samba-enredo da escola de samba da São Paulo, da Império da Casa Verde [Fafá é a homenageada, com o tema ‘Fafá, a cabloca mística em rituais da floresta’]. É lindo, lindo. Mas eu me perco toda. Espero que se fale muito de Belém, se faça muito. E fale das nossas lendas, como nós somos leves”.

*O repórter viajou ao MICBR a convite do Ministério da Cultura




Fonte: Agência Brasil

Justiça do Rio obriga fornecimento de água a fãs de Taylor Swift


Responsável pela realização e produção do show da cantora Taylor Swift, a T4F Eventos terá de fornecer gratuitamente água potável ou instalar bebedouros no interior do Estádio Nilton Santos (Engenhão) e na fila de acesso, determinou a Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O Juizado Adjunto do Torcedor e Grandes Eventos acatou ação popular do deputado estadual Fred Pacheco (MDB-RJ).

A T4F também terá de instalar climatizadores com jato d´água com difusores ou aspergir jatos d´água diretamente nas áreas externa e interna do estádio. A Justiça fluminense também determinou que os organizadores permitam a entrada de água potável, líquidos isotônicos ou refrigerantes, desde que industrializados e lacrados.

Caso descumpra alguma medida, a T4F será multada em R$ 1 milhão por dia. O juizado também determinou que a empresa aumente o número de ambulâncias e profissionais de saúde de prontidão no evento.

No sábado pela manhã, o Ministério da Justiça tinha editado uma portaria emergencial que proibia os organizadores do evento de impedir a entrada de garrafas de uso pessoal de água e outros líquidos. A medida ocorreu após a morte de uma fã no início do show de sexta-feira (17).

O concerto previsto para o sábado (18) foi adiado para segunda-feira (20), por causa da onda de calor que atingiu o centro-sul do Brasil até ontem à noite. A sensação térmica no Rio chegou a quase 60ºC. A apresentação deste domingo (19) está mantida, mas os próximos shows no Rio de Janeiro tiveram o horário adiado em uma hora para esperar a queda da temperatura.

Nos próximos dois shows, a abertura, da cantora Sabrina Carpenter, começará às 19h30. Taylor Swift subirá no palco às 20h30. A entrada antecipada dos fãs que compraram o pacote VIP ocorrerá das 16h às 16h45. O portão será aberto ao público em geral às 17h.




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena acumula e prêmio chega a R$ 51 milhões


Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 2.657 da Mega-Sena, sorteadas neste sábado (18). Pela terceira vez seguida, o prêmio acumulou.

Os números sorteados foram 07 – 27 – 32 – 33 – 36 – 53.

Com isso, o prêmio da faixa principal para o próximo sorteio, na terça-feira (21), está estimado em R$ 51 milhões.

A quina teve 76 apostas ganhadoras, e cada uma vai receber R$ 62.551,38. Já a quadra registrou 7.214 apostas vencedoras, e cada ganhador receberá um prêmio de R$ 941,40.

As apostas para o próximo concurso podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) do dia do sorteio, nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis dezenas marcadas, custa R$ 5.




Fonte: Agência Brasil

Centro Cultural Fiesp abre mostra sobre cultura afro-brasileira


Desde 1996, a jornalista, pesquisadora e artista visual Denise Camargo pertence a duas famílias, uma de sangue e outra de santo, esta proveniente do candomblé. Anos antes, quando criança, escutava xingamentos racistas disparados contra ela e as irmãs, por vizinhos que se empoleiravam no muro de casa, na periferia de São Paulo.

E é agora, mostrando o interior do terreiro que frequenta – a Casa das Águas, em Amador Bueno (SP) – e devolvendo as ofensas com críticas à discriminação racial, que Denise apresenta fotografias na exposição E o silêncio nagô calou em mim, aberta até meados de abril, no Centro Cultural Fiesp, na capital paulista.

São Paulo, (SP), 14/11/2023 - Exposição

Exposição “O Silêncio Nagô Calou em Mim”, da educadora, pesquisadora e artista visual Denise Camargo. Foto – Paulo Pinto/Agência Brasil

“A gente tem muito trabalho pela frente, porque eu corria para dentro de casa e agora eu não preciso mais, eu posso correr para dentro da galeria e colocar lá o meu trabalho. Isso é de uma grandeza incrível”, afirma a artista.

“Esse trabalho foi parte da minha construção de descoberta de pessoa preta. Quando encontrei cadernos meus em que a professora pedia para fazer a árvore analítica, escrevi: eu, temperamento, caráter e físico. Era um estudo literário de personagens.”

São Paulo, (SP), 14/11/2023 - Exposição

“Esse trabalho foi parte da minha construção de descoberta de pessoa preta”, diz a educadora, pesquisadora e artista visual Denise Camargo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Segundo Denise, o trabalho era dissecar a árvore analítica para entender as questões psicológicas, saber como ela própria se comportava e o que representava dentro da sua história.

“A primeira árvore era sobre mim. Eu já me identificava como alguém diferente, mas dizer preto, dizer negro, era algo impensável naquela infância. Então, era conveniente me disfarçar. Agora não é mais conveniente me disfarçar”, destacou, ao lembrar uma professora de língua portuguesa que a estimulou a ler e a escrever, o que foi determinante para escolher mais tarde o jornalismo.

Denise, que é também professora universitária, construiu carreira como repórter fotográfica e questiona aquilo que chama de arte “branco-brasileira”, como outros da arte contemporânea.

Para quem conhece seu nome somente agora, pode parecer que Denise Camargo é uma das artistas que desembarcaram no oceano que vem surgindo, que tem remexido as artes em suas diversas linguagens, em torno de assuntos relacionados à cultura negra e, mais especificamente, as religiões de matriz africana. Contudo, Denise tem trajetória de anos de pesquisa artística sobre o assunto, com contribuição uma bastante sólida ao letramento racial.

Exposição

A série de fotografias que compõem a exposição resulta de um estudo que desenvolveu no âmbito de seu doutorado, no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O conjunto das obras, que inclui fotografias de um templo de vodu de New Orleans, nos Estados Unidos, foi exibido pela primeira vez em 2010, e contou com a curadoria de Diógenes Moura.

Segundo a artista, há aspectos que alguns candomblecistas preferem manter a sete chaves, o que, se explica por acreditarem que faz parte de uma atmosfera de encantamento, como é o caso da reclusão pela qual passam as pessoas durante a iniciação na religião.

São Paulo, (SP), 14/11/2023 - Exposição

Exposição da educadora, pesquisadora e artista visual Denise Camargo. Foto: – Paulo Pinto/Agência Brasil

“O fato de as religiões de matriz africana terem ficado escondidas, em razão da repressão policial, social e política, faz com que esse lugar do segredo, do sagrado tivesse que ser mantido para ser preservado. Não foi uma ocultação deliberada, foi uma ocultação necessária”, diz. Denise defende a disseminação de informações sobre a religião para aproximá-la de quem tiver o interesse despertado.

Mesmo em território familiar, Denise precisou tratar com o babalorixá do terreiro, regido por Ogum e Iemanjá, sobre a natureza do trabalho que conduziria, recebendo dele, prontamente, a autorização que precisava. Ela acrescenta que fez tudo com meticulosidade e o cuidado de evitar produzir imagens que poderiam repelir quem as visse.

A artista, que assimilou conhecimentos dos fotógrafos Mario Cravo Neto e Carlos Moreira, seu primeiro professor na área, também levou em conta, na hora de fotografar, no interior paulista, uma outra lição há algum tempo aprendida. Esta última lição, viria do fotógrafo Koldo Chamorro.

“O Koldo era um fotógrafo documentarista viajante, que ia para a África e a lugares inacessíveis. Uma vez perguntei se ele, sendo um europeu branco, não tinha dificuldade de fotografar em aldeias na África. E ele me disse que não, porque, ao pisar naquele território, tinha que pisar como africano, olhar como africano, sabendo que não era um africano. Isso me deu uma dimensão de que qualquer espaço que você vai fotografar, tem que ter a dimensão do quanto você está nesse lugar e do quanto você não está nesse lugar.”

“Eu conheci Mario Cravo Neto, em 2000, e ele foi apresentar para mim um trabalho do livro Laroyê, que lidou com a mitologia de Exu. Exu não está lá materialmente. Não é um trabalho em que ele vai fotografar o Exu incorporado nos corpos dos adeptos do candomblé. Não, ele vai para a rua encontrar a mitologia de Exu”, completou.

Para a artista, um dos elementos que capturam a atenção para a exposição é a figura de Exu na entrada do centro da Fiesp.

São Paulo, (SP), 14/11/2023 - Exposição

 Exposição “O Silêncio Nagô Calou em Mim”, da educadora, pesquisadora e artista visual Denise Camargo Foto : – Paulo Pinto/Agência Brasil

“Estar com esse Exu abre a exposição, um Exu em um templo de vodu, com tudo que simboliza essa instituição [da Fiesp], e acho que é a primeira vez que eles têm um trabalho dessa natureza; isso é tão representativo”, resume Denise sobre a oportunidade de ser uma das expoentes que preenchem espaços culturais com o protagonismo negro.

Serviço

Exposição: E o silêncio nagô calou em mim
Aberta até 14 de abril de 2024 , das 10h às 20h
Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp | Avenida Paulista, 1313, em frente ao metrô Trianon-Masp

Entrada gratuita




Fonte: Agência Brasil

Exposição RJ é Solo Preto e Indígena ocupa Palácio Tiradentes na terça


No próximo dia 21, às 18h, dentro do mês da Consciência Negra, o Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), recebe a exposição RJ É Solo Preto e Indígena. Organizada pelo mandato popular do deputado estadual Professor Josemar (PSOL), em parceria com o Palácio Tiradentes e a Diretoria de Cultura da Alerj, a exposição reúne fotografias de quilombos, grupos de maracatu, jongo e movimentos de protestos de mulheres negras e LGBTQIA+.

A cerimônia de lançamento terá apresentações culturais de artistas que foram fotografados para a exposição. A mostra ficará aberta ao público até o dia 1º de dezembro, com entrada franca.

O RJ É Solo Preto e Indígena objetiva construir um projeto de cidades, estados e países antirracistas. A exposição registra diversas manifestações culturais, políticas e territoriais afro-brasileiras ao longo deste ano, trazendo uma narrativa que envolve as histórias dos próprios ritmos, danças, religiosidades e lutas sociais presentes nessas manifestações, mas, principalmente, dialoga com o modo como se concretizam enquanto tecnologias de “re-existência”, remontando a história da população negra no Brasil e da constituição enquanto país, salientou o Professor Josemar.

Exposição RJ é Solo Preto e Indígena no Palácio Tiradentes. Foto: Karen Ferreira

Exposição RJ é Solo Preto e Indígena no Palácio Tiradentes – Karen Ferreira

Cultura negra

“A expressão da cultura brasileira é negra e é fundamental valorizar a nossa cultura negra. O funk, o samba, o hip-hop são melhores exemplos. Na estrutura social não temos o que comemorar. Temos os salários mais baixos. Somos o principal alvo da repressão e da ausência de políticas públicas. Mas temos avançado. Há 135 anos, estávamos nas senzalas e nos troncos. Hoje, mesmo com limitações, temos representantes públicos negros, mas ainda temos muito que avançar. Venho de uma cidade periférica, como São Gonçalo. Sempre estudei em escola pública e me sinto honrado em ocupar este espaço. Mas sei das dificuldades que os candidatos sem recursos têm no processo eleitoral. Por isso, luto com toda força contra o racismo, a exploração e opressão”, afirmou Professor Josemar.

A diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, defende que “o Legislativo é um forte aliado na causa antirracista e será memorável revisitar a história do estado do Rio de Janeiro a partir da narrativa proposta por essas manifestações políticas e culturais. Tudo isso em um lugar emblemático, a Casa do Povo, que está de portas abertas para a população”.

Programação

Exposição RJ é Solo Preto e Indígena no Palácio Tiradentes. Foto: Karen Ferreira

Exposição RJ é Solo Preto e Indígena no Palácio Tiradentes – Karen Ferreira

A programação de abertura será no hall de entrada do Palácio Tiradentes, com apresentações da Associação San Cipriano de Capoeira, de São Gonçalo; dança do Movimento Epiral Afro-Babalakina; performance de Aline Valentim; e pintura ao vivo pela artista plástica Desireé Brito.

Em seguida, haverá sessão solene para entrega do prêmio Zumbi dos Palmares 2023, concedido pela Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional da Alerj a personalidades negras por seus relevantes serviços na defesa dos direitos, da história e da cultura do povo negro. A noite será encerrada com cortejo do Movimento de Empoderamento Feminino de Maracatu Baque Mulher.

A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, no horário de 10h às 17h.




Fonte: Agência Brasil

Hoje é Dia: Consciência Negra e Zumbi dos Palmares são destaques


Seguindo o ritmo de novembro de 2023, a semana entre os dias 19 e 25 tem uma data que é feriado em, no mínimo, 1.260 cidades e seis estados do Brasil: o Dia da Consciência Negra, que é amanhã, 20 de novembro. Instituída pela Lei Nº 12.519 de 10 de novembro de 2011, a data é uma homenagem à memória de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da resistência negra e da luta contra a escravidão.

A data, que é mais uma oportunidade que temos de chamar atenção para a importância da igualdade racial, foi tema em 2017 de uma edição do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, chamado Palmares Vive. 

No dia 19 de novembro, também conhecido como hoje, há duas datas importantes para a sociedade. No Brasil, celebramos o Dia Nacional do Cordelista. A efeméride é uma homenagem ao nascimento de Leandro Gomes de Barros, poeta renomado da literatura de cordel. Em 2021, o Revista Brasil destacou a data.

Em âmbito internacional, hoje (19 de novembro) é o Dia Mundial do Banheiro. A data pode gerar certa estranheza, mas joga luz para uma discussão de suma importância: a das questões sanitárias no planeta. Dados da ONU de 2020 apontam que 4,2 bilhões de pessoas vivem sem acesso a saneamento básico no mundo. 

Esta semana tem, ainda, o Dia Mundial da Televisão (21/11), Dia Internacional do Músico e Dia da Música (22/11) e Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (25/11). Também no dia 25 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Baiana de Acarajé.

Criado pela Lei Nº 12.206 de 19 de janeiro de 2010, o Dia Nacional da Baiana de Acarajé visa reconhecer e valorizar a figura da culinária e cultura gastronômica brasileira. A Agência Brasil e a TV Brasil fizeram, em 2021, conteúdos a respeito da data.

Personalidades e fatos históricos

A semana também serve para celebrar o nascimento de duas figuras importantes na cultura brasileira. No dia 21 de novembro, Fábio Júnior, cantor e ator paulista, celebra 70 anos de vida. No quadro Versão Nacional, do programa Painel Nacional, ele já foi destaque interpretando a canção Casinha Branca (de Gilson) e tendo a sua música 20 e Poucos Anos sendo interpretada pela banda de rock Raimundos.

No dia 23 de novembro, o nascimento do artista plástico e carnavalesco maranhense João Clemente Jorge Trinta, o Joãosinho Trinta completaria 90 anos. Falecido em 2011, ele teve a trajetória contada pela Agência Brasil na ocasião. 

A semana tem, para terminar a nossa lista, um fato histórico. No dia 22 de novembro completam-se 60 anos do assassinato do então estadunidense John F. Kennedy em Dallas, EUA. Esse evento marcante foi lembrado no Repórter Brasil de 2013.

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

Novembro de 2023

19

Dia Mundial do Banheiro – Data ratificada pela Assembléia Geral da ONU para uma discussão aberta e séria sobre os problemas sanitários no mundo

Dia Nacional do Cordelista – marca a data de nascimento de Leandro Gomes de Barros, poeta de literatura de cordel

20

Dia Universal das Crianças – comemoração internacional, que foi inicialmente recomendada pela 9ª Assembleia Geral da ONU na sua Resolução A/RES/836 de 14 de dezembro de 1954; tem por fim, marcar a data da aprovação da “Declaração dos Direitos das Crianças”

Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra – comemoração do Brasil, que foi instituída pela Lei Nº 12.519 de 10 de novembro de 2011

Dia da Industrialização da África – comemoração internacional, que foi instituída pela ONU na sua resolução A/RES/44/237 de 22 de dezembro de 1989

21

Nascimento do artista plástico belga René Magritte (125 anos) – foi um dos principais representantes do Surrealismo, ao lado de Salvador Dali e Max Ernst

Nascimento do cantor e ator paulista Fábio Corrêa Ayrosa Galvão, o Fábio Júnior (70 anos)

Dia Mundial da Televisão

22

Nascimento do líder religioso japonês Masaharu Taniguchi (130 anos) – foi fundador do movimento filosófico Seicho-No-Ie

Criação do Conselho Superior de Censura no Brasil (55 anos) – baseado no modelo estadunidense de 1939

Publicação do Decreto que manda executar provisoriamente o projeto de lei da Assembleia Constituinte sobre Liberdade de Imprensa no Brasil imperial (200 anos)

John F. Kennedy é assassinato em Dallas, EUA (60 anos)

Dia Internacional do Músico – comemoração internacional, que está oficializada no Brasil como “Dia da Música”, em louvor à Santa Cecília, que, desde o século XV, é considerada padroeira da música sacra e, consequentemente, também Padroeira dos músicos, conhecida por ter cantado para Deus quando ela estava morrendo

23

Nascimento do artista plástico e carnavalesco maranhense João Clemente Jorge Trinta, o Joãosinho Trinta (90 anos)

Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil

25

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres – comemoração internacional que está ratificada pela ONU na sua Resolução A/RES 54/134 de 17 de dezembro de 1999

Dia Nacional da Baiana de Acarajé – comemoração criada pela Lei Nº 12.206 de 19 de janeiro de 2010, pela qual se tornou nacional uma celebração inicialmente apenas da capital do Estado brasileiro da Bahia




Fonte: Agência Brasil

Taylor Swift adia show deste sábado por temperatura extrema no Rio


A cantora norte-americana Taylor Swift decidiu adiar o show que faria no Estádio Olímpico Nilton Santos, popularmente conhecido como Engenhão, na noite deste sábado (18), no Rio de Janeiro. A justificativa da cantora foi a “temperatura extrema” registrada na cidade. A decisão foi comunicada pela artista em sua conta no Instagram.

Taylor afirmou ter escrito o comunicado já no camarim, dentro do estádio. “A decisão foi tomada para adiar o show desta noite devido a as temperaturas extremas no Rio [de Janeiro]”.

A cantora norte-americana emenda a declaração afirmando que a segurança e o bem-estar dos fãs, artistas e da equipe de apoio sempre estarão em primeiro lugar.

Nova data

A empresa Ticket For Fun, organizadora da turnê The Eras, de Taylor Swift, confirmou, em seu site oficial que o show deste sábado foi reagendado para a próxima segunda-feira (20). O comunicado diz ainda que todos os ingressos para a apresentação de hoje permanecerão válidos para a nova data. A empresa acrescentou que mais informações sobre os ingressos e políticas desse show serão divulgadas, em breve, no site da turnê: www.taylorswifttheerastour.com.br.

A decisão da artista de adiar o show desta noite ocorre após a morte da estudante universitária brasileira Ana Clara Benevides Machado, de 23 anos, que começou a passar mal durante o show da cantora, na noite desta sexta-feira (17), no mesmo estádio. A causa da morte ainda é desconhecida.

Desde então, a morte de Ana Clara, que morava em Rondonópolis, no Mato Grosso, tem gerado comoção nas redes sociais e posicionamentos de autoridades sobre o caso que seguirá em investigação pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.




Fonte: Agência Brasil

Ações de inteligência reduziriam violência das PMs, diz cientista


A violência das polícias militares no Brasil contra negros e pobres poderia ser profundamente alterada com uma mudança na política de segurança pública. A opinião é da cientista social Sílvia Ramos, coordenadora da rede de Observatórios de Segurança, em entrevista ao programa Viva Maria, da Rádio Nacional.

Durante a semana, a entidade divulgou levantamento que mostra que – a cada 100 mortos pela polícia em 2022 – 65 eram negros. O levantamento foi batizado de Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro. Leia mais sobre o estudo.

A pesquisadora enfatiza que há exemplos de polícias em diferentes partes do mundo que mudaram o caminho do combate à criminalidade. “É perfeitamente possível utilizar inteligência, investigação, planejamento e operações de longo prazo. E não operações espetaculares, onde a polícia vai a uma região, mata duas ou três pessoas, recolhe três ou quatro fuzis, e, dali a um tempo, a situação está até pior do que antes”, exemplifica.

Ela contextualiza que existe a possibilidade de impedir o fluxo dessas armas e drogas, e dessas munições nesses territórios. Para isso, é preciso identificar onde está o abastecimento de equipamentos ilegais. A seguir,  defende que o caminho seria buscar as fontes do abastecimento e não “na ponta final, onde tanta gente morre e onde tanta gente fica em risco”.

Contrastes na abordagem

Neste sentido, as políticas de segurança deveriam estar baseadas em inteligência e investigação para que mortes sejam evitadas. “Nós temos uma situação: ao invés de fazer operações de inteligência, as polícias fazem operação de confronto. Ao invés de prisão, fazem tiroteio”, opina.

Os números mostram que as políticas de segurança são extremamente violentas, letais e racistas. “Porque fazem e atuam de uma certa forma nas áreas pobres e populares da periferia e atuam de forma totalmente diferente nas áreas ricas, abastadas e brancas”, diz Silvia.




Fonte: Agência Brasil

Jovem morre em show da cantora Taylor Swift, no Rio de Janeiro


A estudante Ana Clara Benevides Machado, de 23 anos, morreu na noite desta sexta-feira (17) durante o show da cantora norte-americana Taylor Swift, no estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro. As causas da morte ainda não foram esclarecidas. O show ocorreu em um período de forte calor em vários estados do país. Na manhã de ontem, a sensação térmica se aproximou dos 60° na cidade do Rio.

O governador do estado, Cláudio Castro, informou que a Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso. Ele ainda determinou a instalação de bebedouros, com fornecimento gratuito de água, dentro do estádio do Engenhão. O local receberá outros dois shows da cantora, neste sábado (18) e no domingo (19).

“Determinei ao Procon do Estado a imediata apuração, junto à organização do evento, sobre os motivos da restrição da entrada com água no estádio Nilton Santos. Para os próximos dois dias de shows, o órgão oficiou a empresa organizadora para instalar mais bebedouros dentro do Engenhão e, principalmente, a permitir o acesso de garrafas de plástico vazias, sem tampa, para servir de refil”, afirmou Castro, em nota.

O governador também anunciou a distribuição de água mineral no entorno do estádio, a presença de mais ambulâncias para atender o público e a utilização de caminhões dos bombeiros para jogar água no público, no intuito de diminuir o calor.

Na internet, circulam vídeos em que a cantora Taylor Swift pausou o show e pediu que algumas pessoas tenham acesso à água. “Eles precisam de água, bem ali. Estão segurando um telefone pra dizer isso. Desculpem, mas está muito calor, então se estão dizendo que precisam de água, eles realmente precisam. Temos que fazer chegar até eles”.

Neste sábado, o ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) adote medidas imediatas para exigir que os eventos garantam segurança à saúde dos consumidores, incluindo acesso à água. Na rede social X, antigo Twitter, Dino mencionou denúncias de “vedação ou ausência de disponibilidade de água”, e lembrou que o Brasil enfrenta uma “imensa onda de calor”.

Na mesma plataforma, a empresa organizadora do show, a Tickets For Fun, lamentou a morte da estudante e disse que ela foi atendida por brigadistas imediatamente após passar mal. Já o prefeito do Rio, Eduardo Paes, informou que a prefeitura determinou antecipação da entrada ao estádio em uma hora, além do aumento de pontos de distribuição de água, e também no número de brigadistas e ambulâncias.

Taylor Swift se manifestou sobre o ocorrido no Instagram. Ela se disse “devastada” com o ocorrido e afirmou que esta seria a última coisa que ela pensaria quando decidiu trazer a turnê ao Brasil.

* Colaborou Sayonara Moreno, da Rádio Nacional




Fonte: Agência Brasil

Incêndio no Pantanal tem cenário de animais em fuga e muita ventania


Fumaça intensa, céu amarelo, animais mortos e outros em fuga. O cenário de incêndio no Pantanal é agravado pela forte ventania na região, o que torna desafiador o combate dos focos por parte dos brigadistas.

Segundo o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, com o vento há um fenômeno em que a brasa é carregada e o fogo pula para áreas que não estavam destruídas.

“Vimos como os brigadistas estão trabalhando intensamente para combater os incêndios”, disse Pires. Ele entende que a situação ficou menos grave do que durante a semana, mas ainda requer intensificação dos trabalhos das equipes de profissionais.

Porto Jofre (MT) 17/11/2023 – Brigadista do ICMBIO fazendo resfriamento do fogo, durante incêndio florestal que atige o Pantanal.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brigadista faz resfriamento do fogo durante incêndio que atinge o Pantanal – Joédson Alves/Agência Brasil

“(A dinâmica do incêndio) é algo que nos preocupa”, afirmou Pires. Equipes do ICMBio, do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente reforçam o trabalho.

Combate ao fogo

“O combate às chamas é feito também no entorno do parque nacional. Tivemos a chance de sobrevoar a comunidade chamada Barra do São Lourenço, em Mato Grosso do Sul, e o trabalho de prevenção tem ajudado a diminuir a incidência desses focos”, salientou.

A preocupação maior das equipes é a de garantir a segurança dos moradores das localidades. “É um trabalho muito intenso e vai continuar. Chegaram ontem novas equipes de Goiás, do Rio de Janeiro, e de Cavalcante (de comunidade Kalunga). Estamos colocando aqui todo o empenho necessário para combater esses incêndios espalhados por todo o Pantanal”, detalhou.

Atualmente, há mais de 300 servidores trabalhando no combate a incêndios no Pantanal, com o apoio de quatro aeronaves e veículos especiais de combate a incêndios. O contingente foi reforçado pelo Ibama e ICMBio.

Causas

O presidente do ICMbio explicou que os incêndios não têm uma única origem. “Nós temos o incêndio provocado por fenômenos naturais, como a queda de raios, mas também não dá para descartar que haja aqui ou ali alguma atividade, um manejo, ou melhor, o uso do fogo”, salientou.

A reportagem da Agência Brasil identificou animais mortos na localidade e também presenciou a fuga de animais, como de um cervo diante do avanço do incêndio. Segundo o presidente do ICMBio, uma equipe está escalada para fazer uma incursão no parque para tentar resgatar animais em situação de perigo. “Nós estamos aqui com a equipe especializada em resgate de animais (…) O incêndio comove todos nós, especialmente no que se refere à fauna”, especificou.

Porto Jofre (MT) 16/11/2023 –Brigadistas do ICMBIO combatem incêndio florestal que atinge o Pantanal.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Homens tentam conter chamas e fumaça que ameaçam animais no Pantanal – foto – Joédson Alves/Agência Brasil

Também por isso, ele explica que é necessário ser cuidadoso, evitar ímpetos pessoais e fazer um trabalho coordenado pela segurança dos profissionais que atuam na localidade. “Às vezes, o fogo muda de direção muito rapidamente. Então, o resgate na linha de frente precisa ser muito bem pensado”, finalizou Pires.




Fonte: Agência Brasil