Em mais um recorde estabelecido pela atual onda de calor, o Rio de Janeiro registrou nesta sexta-feira (17), às 10h20, a sensação térmica de 59,3 graus Celsius (°C). É a maior já aferida pelo serviço meteorológico da prefeitura, o Alerta Rio, criado em 2014. No momento, os termômetros marcavam 41,4°C.
O recorde anterior havia sido registrado na terça-feira (14), quando a sensação térmica chegou a de 58,5°C.
A sensação térmica é um parâmetro que leva em consideração a temperatura e a umidade do ar, e as duas medições extremas foram constatadas pela Estação Meteorológica de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro.
Além da sensação térmica, a cidade também tem registrado temperaturas recorde. Na quinta-feira (16), os termômetros chegaram a marcar 42,6°C, a maior temperatura do ano. O recorde anterior era de domingo, com 42,5°C.
Preocupada com os efeitos do El Niño sobre o clima neste verão, a prefeitura do Rio anunciou um plano de resiliência nesta semana . Há expectativa de que o fenômeno climático cause temporais e mais temperaturas extremas nos próximos meses.
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (17), a Operação Tratado de Tordesilhas, que apura a prática de crimes cometidos contra áreas públicas federais, no município de Cajueiro da Praia (PI). As fraudes teriam ocorrido no Programa de Regularizações Fundiárias (Reurb), que garante o direito à moradia daqueles que residem em assentamentos informais.
As investigações policiais apontam que pessoas com baixo poder econômico, geralmente idosos, eram usadas por uma organização criminosa para fingir a posse antiga em terrenos da União, em geral, no litoral. Em seguida, simulavam negócios jurídicos de compra e venda dessa terra e buscavam obter regularização da posse na Secretária de Patrimônio da União (SPU) do Ministério da Economia.
Há suspeitas da falsificação de documentos nos processos administrativos com objetivo de reconhecer a regularidade fundiária.
De acordo com a Polícia Federal, após a regularização do imóvel, os investigados desmembravam a área regularizada com a matrícula original do município, e vendiam rápida e ilegalmente os novos terrenos com matrículas próprias a preços elevados. Em alguns casos, a supervalorização das áreas griladas superava os 15.000% (quinze mil por cento).
A operação mobilizou mais de 30 policiais federais para o cumprimento de nove mandados judiciais de busca e apreensão nos municípios piauienses de Cajueiro da Praia, Parnaíba, Teresina e Floriano, todos expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Federal de Teresina (PI).Um dos locais alvo da operação foi a prefeitura de Cajueiro da Praia,.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de disposição de coisa alheia como própria e de falsidade ideológica.
Depois da última onda de calor que afetou mais de 2,7 mil municípios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) fez um alerta para temporais com rajadas de vento e queda de granizo nessas regiões, no fim de semana, começando na nesta sexta-feira (17). De acordo com as previsões, o calor forte combinado com o aumento da umidade e ventos em altos níveis potencializam as chuvas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal.
Nesses lugares, o volume de chuvas em um dia poderá ultrapassar 100 milímetros, reforçando a previsão das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global, que, entre outras consequências, apontou a intensificação dos extremos climáticos e hidrometeorológicos.
Segundo o climatologista Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, a intensidade e a frequência, com intervalos cada vez menores, entre fenômenos naturais como o El Nino, por exemplo, mostram que toda essa mudança no clima é consequência da ação humana sobre o planeta.
“Lá atrás se você tinha uma onda de calor por década, até 2019, você já tinha 3,5 ondas de calor por década. E hoje já deve estar perto de acontecer uma em cada dois anos. O mundo inteiro está enfrentando recordes de onda de calor, secas, tempestades muito severas, com muito mais frequência. Tudo isso é o feito direto do aquecimento global”, diz.
Aumento da temperatura
De acordo com o especialista, no ano passado a temperatura teve aumento médio de 1,15 graus Celsius (ºC) e já chegou a aumentar 1,26ºC, em 2016. Para esse ano, estudos já apontam uma elevação de 1,4ºC. “Desde os primeiros registros de civilizações, há cinco mil anos, nunca o planeta esteve tão quente. De fato, no período em que a temperatura estava nesse nível, nós temos que voltar 125 mil anos, no último Período Interglacial”, explica.
O aquecimento global, portanto, induz fenômenos fortes, com mais frequência e maior duração. E ainda gera fenômenos climáticos que nunca existiram, como recordes de ondas de calor no verão da Antártica, dois anos atrás no verão o Ártico.
Ameaças
De acordo com o especialista, tanto a saúde humana, quanto as inúmeras espécies de todos os biomas são afetados com temperaturas que se mantém acima de 21ºC por muitos dias, e atingem mais de 40ºC. Além disso, o aumento de queimadas seja pela indução do fogo facilitada pela seca, seja causada pelo homem, fortalecem o ciclo destrutivo.
Atender aos objetivos do Acordo de Paris, com a redução das emissões dos gases do efeito estufa em 50% até 2030, pode amenizar todos esses problemas, mas ainda são medidas insuficientes para diminuir o ritmo do aquecimento global, já que a maior parte do gás carbônico, metano, oxido nitroso já emitidos permanecerá na atmosfera por, no mínimo, mais 150 anos.
A queima de combustíveis fósseis é a principal causa das emissões de gases do efeito estufa no mundo e representa 70% do problema global, segundo a Organização Meteorológica Mundial. No Brasil 75% das emissões até 2022 foram causadas pelo desmatamento, 50% foram efeitos da agricultura e 25% da pecuária.
Desafios
Segundo Carlos, se os objetivos ambientais forem cumpridos, o planeta ficará 1,5ºC mais quente, o que já causará muitos impactos, caso contrário, a temperatura continuará aumentando e os impactos serão muito maiores. “O fato é que não tem como reverter o aquecimento global, por isso, eu considero esse o maior desafio da humanidade. Por um lado, atender aos objetivos do Acordo de Paris e o outro desafio é o da adaptação. Teremos ainda que buscar adaptar quase todos os setores e criar as condições climáticas para que as populações não fiquem expostas diretamente.”
A partir de 20 de novembro, uma nova trama chega ao público da TV Brasil. A emissora estreia a produção mexicana Maria Madalena, drama que gira em torno da história de Maria Madalena, considerada uma das mais fervorosas discípulas de Jesus Cristo. A novela narra os desafios vividos pela personagem em uma sociedade altamente opressora às mulheres e como o encontro dela com Cristo transforma seu destino.
A trama será exibida pela primeira vez na TV aberta no Brasil, em 60 capítulos. Maria Madalena, uma produção da Sony Pictures e da produtora Dopamine, foi exibida no México pela TV Azteca em 2018/2019. Também já foi veiculada em emissoras de Angola, Moçambique e Portugal. Na TV Brasil, a atração irá ao ar de segunda a sexta-feira, às 20h, em substituição à novela Os Imigrantes, que se encerra no dia 17.
“É uma novela com alto valor de produção, grande elenco e que tem como protagonista uma mulher que desafiou as regras do seu tempo. É essa trajetória de empoderamento feminino que nós quisemos trazer para a tela da TV Brasil”, afirma a Diretora de Conteúdo e Programação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino.
Na trama, a atriz colombiana María Fernanda Yepes interpreta a personagem principal. O também ator colombiano Manolo Cardona faz o papel de Jesus. Escrita em formato de série, a obra é de autoria de Lina Uribe, Darío Vanegas e Jaqueline Vargas, com produção-executiva de Daniel Ucros e Juan Pablo Posada.
Serviço Maria Madalena, nova novela da TV Brasil Estreia 20 de novembro, segunda-feira, 20h
Movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos se uniram em ato em solidariedade ao povo palestino nesta sexta-feira (17), em frente ao Consulado de Israel, zona sul da capital paulista.
A Organização das Nações Unidas (ONU) contabiliza 11 mil mortos no conflito entre o grupo palestino Hamas e Israel, a grande maioria da Faixa de Gaza, com base em dados do Ministério da Saúde de Gaza. “No genocídio em curso em Gaza, pessoas morrendo de fome e sede vão ser o próximo corpo estilhaçado por uma bomba jogada”, disse a coordenadora da Frente em Defesa do Povo Palestino, a jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh.
O ato, que é o sexto sobre o tema na cidade, reuniu cerca de 120 pessoas, a partir de 11h, e foi acompanhando por 12 viaturas e 14 motos da Polícia Militar no local, além de algumas outras viaturas nos arredores. Bandeiras palestinas e cartazes pedindo “cessar fogo imediato”, “fim do bloqueio a Gaza”, “Palestina livre” e “solidariedade ao povo palestino” foram levantados no local..
Entre as entidades que estavam presentes e apoiaram a manifestação, estavam o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a Central única dos Trabalhadores (CUT), Movimentos do Trabalhadores Sem Terra, CSP Conlutas, Sindicato dos Metroviários de SP, Partido da Causa Operária (PCO) e Partido dos Trabalhadores (PT).
“O 1,5 milhão dos 2,4 milhões de palestinos já tiveram que se tornar refugiados mais uma vez, tendo que sair do norte para o sul. Enquanto isso, uma limpeza étnica avançada em toda a Palestina, uma repressão, uma criminalização e uma censura muito forte contra todo o povo palestino”, lamentou Misleh.
Ela ressalta que são “13 milhões de palestinos no mundo, 6 milhões em campos de refugiados impedidos do legítimo direito de retornar, milhares na diáspora, outra metade submetida a mais de 75 anos na contínua Nakba, a catástrofe palestina [palavra árabe que se refere ao êxodo de palestinos de áreas que se tornariam Israel]”.
“Agora nós vemos uma nova fase da Nakba, com Israel querendo partir para sua solução final. Mas nós estamos aqui para dizer não, não vamos permitir, vamos continuar a lutar contra isso, para parar o genocídio e para por fim a esse regime brutal de apartheid, colonização, limpeza étnica e genocídio”, disse Misleh. Ela defende ainda a ruptura, pelo governo brasileiro, de relações econômicas, militares e diplomáticas com Israel.
Vozes judaicas
Yuri Haasz, integrante do Coletivo Vozes Judaicas por Libertação, que estava no ato, destacou que Israel não representa a coletividade judaica e que há diversidade de perspectivas sobre o que acontece na região atualmente. “Inclusive nessa violência mais recente, nesse genocídio, nesse massacre genocida que está acontecendo em Gaza agora, ao qual nós nos opomos”, disse.
Segundo ele, é importante reconhecer quão duro foi o ataque do Hamas em 7 de outubro, que atingiu familiares e amigos da comunidade judaica no Brasil.
“Nós fomos impactados pessoalmente e reconhecemos que foi uma atrocidade e, ao mesmo tempo, a gente reconhece que essa atrocidade, essa violência, ela não emerge do nada. Ela emerge dentro de um contexto de opressão contínua que acontece já há 75 anos contra o povo palestino, quando Israel foi fundado”, contextualiza.
Diversos discursos no ato apontaram que a fundação de Israel foi feita a partir de uma limpeza étnica na região, com uma expulsão em massa dos palestinos das suas terras. Haasz avalia que este é um crime que nunca teve restauração. “Nunca houve justiça em relação a isso, e essa é a origem dessa violência ao longo dos anos. E Israel acabou se formando como um estado de apartheid, dominando duas populações com dois sistemas de lei diferentes”, disse.
De acordo com Haasz, os judeus têm proteções, democracia, direitos civis, e os palestinos são regidos pelo que chamou de governo militar, não tendo os mesmos direitos, sendo “continuamente oprimidos, cerceados, mortos, despejados das suas casas e das suas terras”.
Ele acrescenta que a crítica ao estado de Israel não é a mesma coisa que antissemitismo. “Eu sou neto de sobreviventes do holocausto nazista, a maior parte da minha família foi assassinada durante o holocausto, eu reconheço que o antissemitismo é um problema verdadeiro e real e que precisa ser combatido, da mesma forma que islamofobia, que racismo”, disse.
Haasz explica que criticar as políticas do estado de Israel, sua estrutura, a opressão que Israel exerce sobre os palestinos, a violação de direitos humanos, do direito internacional, não constitui antissemitismo. “Não está discriminando judeus apenas por serem judeus e desumanizando judeus apenas por serem judeus. Está criticando uma política concreta de estado”, finalizou.
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (17) duas operações visando a desarticulação de uma organização criminosa que atuava na lavagem de dinheiro com origem no tráfico internacional de drogas.
As operações Handmade e Descobridor são uma ramificação da Operação Enterprise, deflagrada em 2020 com frentes de ações em diversos estados e no exterior, no combate a um conglomerado de organizações criminosas especializadas no mesmo tipo criminal.
Nas operações deflagradas hoje, cerca de 50 policiais federais cumprem14 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Além disso foi decretado o bloqueio de bens na ordem de R$ 80 milhões – carros, dinheiro em espécie, joias e outros itens de interesse da investigação foram arrecadados pela PF.
“Para ocultar a origem ilícita dos recursos advindos do tráfico de drogas, os líderes da organização criminosa, por meio de uma complexa cadeia de atos ilícitos, importavam roupas da China e as disponibilizavam em redes de loja do varejo têxtil, utilizando o chamado ‘branqueamento’ do recurso ilícito”, informou, em nota, a PF.
O dinheiro obtido com a venda dessas mercadorias retornava para a organização criminosa, de forma a dificultar a identificação de sua origem.
Segundo a PF, confirmadas as suspeitas, os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa e lavagem de capitais. Somadas, as penas podem ultrapassar dez anos de reclusão.
O programa Parceiros do Bom Condutor iniciou nesta sexta-feira (17), em todo o Brasil, o cadastro de órgãos e entidades públicos e empresas privadas que tenham interesse em oferecer benefícios a motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC).
A portaria que possibilita a premiação da boa conduta no trânsito foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17).
As empresas e instituições que queiram atuar no programa precisam comunicar a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), por meio da conta gov.br, onde deverão logar com o e-CNPJ e preencher um cadastro com razão social, nome comercial, e-mail, número de telefone e informar o link onde estarão disponíveis as informações sobre os benefícios a serem ofertados.
Após análise, a empresa passa a constar na lista de benefícios do site da Senatran e no aplicativo da Carteira Digital de Trânsito. Além disso, receberá o selo de Parceiro do Bom Condutor para divulgar em portais, redes sociais, aplicativos e nas ações promocionais da empresa ou instituição.
Benefícios
A ideia do programa é ofertar descontos e isenção de taxas em serviços como estacionamento, tarifas de pedágio, locação de serviços e seguro para automóveis para condutores que não tiverem cometido infrações nos últimos 12 meses.
Três meses após o assassinato de Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, do Quilombo de Pitanga dos Palmares, na Bahia, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a Terra de Direitos divulgaram, nesta sexta-feira (17), um estudo que mostra o crescimento da violência em comunidades tradicionais. Segundo a nova edição da pesquisa Racismo e Violência contra Quilombos no Brasil, a média anual de assassinatos praticamente dobrou nos últimos cinco anos, se comparado ao período de 2008 a 2017.
A morte de Mãe Bernadete, em agosto, não está contabilizada no estudo. Em 2023, há um levantamento preliminar de sete mortes. A pesquisa mostra que, entre 2018 e 2022, houve 32 assassinatos em 11 estados. Ainda de acordo com o estudo, as principais causas desses ataques foram conflitos fundiários e violência de gênero.
Ao menos 13 quilombolas foram mortos no contexto de luta e defesa do território. As entidades pretendem entregar o estudo a autoridades do Executivo federal e estaduais e secretarias de Justiça dos estados, além do Poderes Legislativo e Judiciário a partir desta sexta-feira.
Na primeira edição da pesquisa (2008 a 2017), havia um mapeamento de 38 assassinatos ocorridos no período de dez anos (2008-2017). A média anual de assassinatos, que era de 3,8, passou a ser de 6,4 ao ano. Em 15 anos, 70 quilombolas foram assassinados.
Racismo
Segundo uma das pesquisadoras, a socióloga Givânia Maria da Silva, coordenadora do coletivo nacional de educação da Conaq, o levantamento foi feito em campo nas próprias comunidades. Ela identifica que os números vão além do que é noticiado pelos meios de comunicação e espelham uma estrutura racista da sociedade brasileira.
A questão da terra no Brasil é fundamental na discussão, assinalam as entidades pesquisadoras. “Ao falar da política de terra, a gente vê o quanto essa questão é atravessada pelo racismo. No Brasil, a impressão que eu tenho é que falar de terra, tendo pessoas negras como proprietárias, parece que ainda é mais grave”, acentua.
O coordenador da Terra de Direitos, Darci Frigo, sublinha que demonstrações de racismo estrutural e institucional formam o pano de fundo da violência. Ele acrescenta que a morosidade do processo de regularização fundiária proporciona que a violência se amplie. Por isso, é necessário, explica, que a gestão pública atue tanto no combate à violência como nas ações de garantia de direitos. “Não ter política pública gera mais violência”, opina.
Os estados do Maranhão (9), Bahia (4), Pernambuco (4) e Pará (4) têm os maiores números de casos. “Se a gente fosse atualizar, a Bahia estaria em primeiro lugar. A Mãe Bernadette morreu da mesma forma que o filho dela. O filho morreu reivindicando o território e ela buscando justiça pela morte do filho. É mais um direito silenciado a partir do assassinato”, afirmou.
Comunidades como alvos
O filho de Mãe Bernadete, Jurandir Wellington Pacífico, de 43 anos, também entende que a falta da titulação da terra propiciou o assassinato da mãe dele. “As terras quilombolas são fontes de energia e também são alvos da grilagem e do tráfico”, disse o gestor cultural, que também é liderança do Pitanga dos Palmares. “Minha mãe era uma representante mundial da causa e que sempre lutou pelo empoderamento feminino”, acrescenta.
A socióloga Givânia Silva entende que a pesquisa pode trazer mais visibilidade às necessidades dos governos federal e estaduais de darem mais atenção à problemática, uma vez que houve perda de orçamento para segurança pública desde 2016.
As entidades realizadoras do estudo explicam que, além de assassinatos, o estudo traz um levantamento de violações de direitos sofridos por comunidades quilombolas em que houve identificação de morte causada por crimes.
Segundo a pesquisa, em 10 das 26 comunidades em que foram registrados assassinatos não há processos abertos no Instituto Nacional de Reforma e Colonização Agrária (Incra), autarquia responsável pela regularização fundiária dos territórios quilombolas. Nessa situação, sete assassinatos (70%) foram motivados por conflitos fundiários.
Entre os 11 quilombos que estão totalmente ou parcialmente titulados, os conflitos fundiários representaram 27% dos assassinatos. O estudo chama atenção para 1.805 processos abertos no Incra para regularização fundiária de territórios quilombolas, segundo a Fundação Palmares
Proteção dos defensores
As entidades recomendam que o Estado e municípios elaborem planos de titulação dos territórios quilombolas, com metas concretas anuais, orçamento adequado e estrutura administrativa para a titulação dos territórios quilombolas. O levantamento reitera a necessidade de proteção a defensores e defensoras de direitos humanos.
Nessa linha, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania reinstalou a Comissão Nacional do Enfrentamento à Violência no Campo. O grupo, em reunião nesta semana, reiterou a necessidade de consolidação da proteção coletiva de povos indígenas e quilombolas.
A comissão pretende definir protocolo de investigação de crimes praticados “contra defensores de direitos humanos e a morosidade das ações voltadas à reforma agrária e demarcação de territórios tradicionais que acaba por escalar tensões e conflitos”.
Os membros do grupo devem ter encontros mensais para elaborar uma proposta de anteprojeto de lei sobre a Política Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, aos Comunicadores e aos Ambientalistas. O prazo para conclusão do trabalho é de seis meses.
A página do Incra (autarquia responsável pela titulação dos territórios quilombolas) aponta que a política de regularização fundiária de terras quilombolas é “de suma importância para a dignidade e garantia da continuidade desses grupos étnicos”. O endereço disponibiliza documentos como o acompanhamento de processos de regularização quilombola e a relação de processos de regularização de territórios quilombolas abertos.
Dor e luto
Filho da Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, mesmo em dias de dor e luto, busca honrar a memória de luta da mãe. No ano que vem, pretende inaugurar um instituto que leva o nome dela com o objetivo de manter todo o legado cultural e social da mãe. Além disso, quer ajudar comunidades com documentação.
“O instituto terá a responsabilidade de desenvolver e executar o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, que é fundamental para registro e titulação das terras quilombolas”, frisou. É assim também que ele quer fazer valer, na prática, o que repete diariamente em sua comunidade: “Mãe Bernadete, presente”.
Equipes de brigadistas estão intensificando as ações de combate aos incêndios que atingem o norte do Pantanal. Nesta quinta-feira (16), o Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) registrou 71 eventos de fogo no Pantanal norte.
O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, esteve hoje na região de Porto Jofre, no município de Poconé (MT), para ver de perto o trabalho dos brigadistas. O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, também esteve em Mato Grosso para acompanhar o combate aos incêndios florestais que atingem o Pantanal.
“Os nossos brigadistas em geral fazem um trabalho bastante especializado, mas é um trabalho de risco, extenuante. É um trabalho que exige muito cuidado, muita técnica, porque combater o incêndio é antes de tudo preservar a vida, incluindo a vida dos brigadistas, a vida das pessoas. Estamos totalmente dedicados para que esse combate aconteça da melhor forma possível e que todos voltem em paz para os seus lares”, diz Pires
Atualmente, há mais de 300 servidores trabalhando no combate aos incêndios no Pantanal, com o apoio de quatro aeronaves e veículos especiais de combate a incêndios. O contingente foi reforçado recentemente pelo Ibama e ICMBio.
“Nossa expectativa é que com incremento dos brigadistas, do reforço de aeronaves e dos equipamentos a gente consiga debelar o mais rápido possível esses focos. Isso não quer dizer que terá sido encerrada a temporada de incêndios, mas nós temos a expectativa de que, debelando esses principais focos, a gente consiga manter uma situação bem mais controlada do que se verificou nesses últimos dias”, diz Pires.
O ICMBio também tem equipes de veterinários para fazer o rápido resgate de animais feridos. Pires lembra que nos incêndios ocorridos em 2020 na região foi registrada a morte de centenas de espécies de animais.
Pires explica que os focos estão associados a fatores naturais, como a elevada seca, altas temperaturas e a velocidade dos ventos na região, além da incidência de raios. No dia 21 de outubro, três raios atingiram o Parque Nacional do Pantanal, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Dorochê e uma propriedade particular próxima.
Transpantaneira
Na quarta-feira (15) o fogo chegou a avançar pela rodovia Transpantaneira, mas foi possível conter as chamas e evitar o avanço nas casas do local. “Dividimos as equipes e conseguimos segurar o fogo que pulou a Transpantaneira e proteger as residências”, explica o chefe de operações Helder Marques.
Segundo ele, a prioridade no momento é a proteção das propriedades. “Estamos tentando conter o incêndio de maneira geral, mas sempre visando proteger a comunidade”.
A grafiteira Soberana Ziza foi introduzida à arte de rua no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte paulistana. Desde esse primeiro encontro, em 2006, Ziza estabeleceu uma trajetória que, atualmente, tensiona os espaços da arte contemporânea. Uma marca do crescimento do seu trabalho são os grandes murais que decoram boa parte das paredes do CCJ.
“Naquele momento, eu não era uma artista de destaque”, lembra Ziza sobre o início da carreira. “Enquanto eu estava nesse lugar, eu me nutri, me fortaleci”, relata sobre o processo de amadurecimento que envolveu muito estudo e conexões com outras partes da cidade. “Fui buscar em outros lugares informações, acesso à academia, para voltar de uma outra forma e também contribuir para esse território”, acrescenta.
Trabalhando em outras linguagens e materiais, como o uso de tecido, a artista tem buscado abrir espaço em locais onde as pessoas negras e periféricas ainda encontram barreiras. “A gente está se colocando nas bienais [de arte], se colocando nessas grandes exposições, mas, porque hoje a gente tem curadores negros, curadores que têm essa delicadeza de construir um lugar onde todos se sintam representados”, enfatiza.
Grafiteira Soberana Ziza no Centro Cultural da Juventude – Paulo Pinto/Agência Brasil
Nessa caminhada, Ziza reconhece o esforço das mulheres que vieram antes dela, quebrando barreiras. “Não posso deixar de falar da Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop, que foi ali onde tudo aconteceu. Onde eu também me encontrei enquanto uma artista, oficineira, onde eu também pude entender que isso seria arte, mas que também seria um lugar onde eu poderia encontrar uma renda”, diz sobre o projeto que tem como uma das idealizadoras a rapper Sharylaine.
A figura feminina, representada de diversas formas, é o principal foco de trabalho da grafiteira.
“As mulheres são sempre as protagonistas do meu trabalho. São como se fossem as condutoras dessas novas histórias. Nos meus murais, elas sempre ganham esse protagonismo”, destaca em entrevista para o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista com Soberana Ziza.
Agência Brasil: Como é começar a sua trajetória hip hop aqui, no Centro Cultural da Juventude, e, hoje, ser parte do espaço com esses murais? Soberana Ziza: Naquela época, eu era somente uma jovem monitora, estava fazendo parte do projeto modelo aqui. Eu moro nesse lugar, o meu território é aqui. Eu sempre quis fortalecer o meu território, mas eu também entendia que, estando longe desse território, indo ao centro buscar informações, eu poderia voltar de uma outra forma pra esse território. Enquanto eu estava nesse lugar, eu me nutri, me fortaleci, mas eu fui buscar em outros lugares informações, acesso à academia, para voltar de uma outra forma e também contribuir para esse território, que eu também continuo sendo uma das atuantes.
Naquele momento, eu não era uma artista de destaque. Hoje, eu me encontro como um espelho para essas artistas, mulheres, para esses outros artistas daquela época que também puderam me fortalecer. Ser destaque nesse lugar, não só aqui, mas também em outros lugares educacionais. Eu entendo que a arte também carrega isso junto, que é a educação. Muitas escolas aqui da região têm obras minhas. O hip hop sempre esteve ligado à educação.
Ele [hip hop] não é algo que é desprendido, não é somente um espetáculo, se desdobra, está dentro do ensino integrado. A importância não só cultural, não só na parte das artes visuais, mas também ele carrega algo que é muito importante para gente, que é essa ligação forte com as crianças, com os jovens. Atualmente, a gente está vendo uma grande movimentação das batalhas em lugares da cidade, sempre protagonizado por jovens desses territórios, mas o que não nos desliga desse movimento que iniciou com os MCs. Isso é só um desdobramento pela visão dessa nova juventude que transforma, mas usa essas artes como uma forma de eles se colocarem.
Agência Brasil: Tiveram mulheres que te inspiraram na cena do hip hop? Soberana Ziza: Olha, eu fui muito agraciada, porque nessa oficina que eu fiz aqui neste lugar, fui iniciada por duas grafiteiras: a Tikka e a Kátia Suzue. Foram elas que deram esse primeiro passo. Eu fui acolhida dentro desse núcleo, que e o grafite.
Mas, falando do hip hop em si, eu não posso deixar de falar da Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop, que foi ali onde tudo aconteceu. Onde eu também me encontrei enquanto uma artista, oficineira, onde eu também pude entender que isso seria arte, mas que também seria um lugar onde eu poderia encontrar uma renda, que eu poderia ministrar oficinas, que eu poderia plantar sementes.
O hip hop tem esse ciclo. Você aprende, mas também você planta sementes. Na Frente Nacional, eu entendi isso, com essas mulheres, que foram um espelho para mim, igual à [rapper] Sharyline, que é uma pessoa que ainda hoje a gente aprende muito com ela, é uma visionária, uma pessoa que sempre compartilha [conhecimentos]. Foi isso que mudou, de certa forma, o meu pensar e me fortaleceu para ser quem eu sou hoje.
Agência Brasil: A maneira como você chegou ao hip hop tem a ver também com esse trabalho que você faz, trabalhando muito a figura feminina? Soberana Ziza: Sim, as mulheres são sempre as protagonistas do meu trabalho. São como se fossem as condutoras dessas novas histórias. Nos meus murais, elas sempre ganham esse protagonismo. A gente está vendo aqui, esse início dessa mulher [aponta para os murais do CCJ], e na outra ponta a gente tem uma outra mulher. É como se fosse uma mulher [que] inicia uma fala, a gente tem a gestação desse debate, dessa história, a gente reconstrói essa história e inicia novamente essa história.
A figura feminina é onde eu pude me reconectar. Eu aprendi com a minha mãe, com a minha avó, com essas personalidades do hip hop, com essas personalidades do grafite.
Agência Brasil: Queria retomar um pouco também essa construção de espaços de representatividade. Você falou de estar na periferia, mas ocupando espaços no centro também, como é que funciona isso? Soberana Ziza: Eu gosto sempre de dizer de um projeto que eu tenho chamado Estamos Vivos. Por muito tempo, essa parte central [da cidade] tinha nome e personalidade. Nunca era protagonizado por atuantes das pontas da cidade. Esse projeto veio justamente para dizer que nós, artistas das pontas, estamos vivos e não precisamos de ninguém para ilustrar a gente. A gente é o protagonista nessa fala e nessa narrativa.
A gente levou para o Parque Minhocão duas empenas [parte dos prédios sem janelas], que é esse lugar também para o artista. Todo artista quer esse destaque na cidade, esse lugar de comunicação com as pessoas. E a gente no hip hop também, né? Quem não quer subir num palco e pegar um microfone e ter o seu lugar de destaque ali? A gente, enquanto artista, como uma multiartista, a gente queria esse lugar de diálogo. [O Parque Minhocão é o uso do Elevado João Goulart aos fins de semana, fechado para carros. O projeto da artista promove grafite em prédios que ficam nessa área, na parte central de São Paulo.]
Cada um teve esse lugar para criar um debate, principalmente esse lugar decorativo da cidade. Virou um lugar instagramável [bom para ser fotografado e divulgado nas redes sociais]. Mas, a gente, que tem essa base no hip hop, sempre traz esse lugar de debate, esse lugar de conhecimento, como se fosse um grande livro aberto para as outras pessoas que passam ali. Muitas das vezes a gente inicia esse debate nas ruas, mas termina na roda de conversa. E é isso que se torna rico, porque aproxima também o artista das pessoas.
Agência Brasil: Várias vezes você falou de transmissão de conhecimento, você ainda dá aulas? Você ainda transmite conhecimento pra galera que está chegando? Soberana Ziza: Sim, atualmente, eu faço muitas formações para professores. Eu entendo que esse uso das ruas é democrático, ele não é como uma galeria, ele não exclui as pessoas, você não precisa pagar ingresso para entrar. E, principalmente, aqui na zona norte, eu venho debatendo esse território negro que existe aqui no nosso bairro, que é o bairro da Casa Verde.
Eu também me coloco como uma protagonista, uso esse meu trabalho como um lugar de encontro também para os professores. Meu trabalho também fala sobre esse continente que sofreu também esse apagamento, que é o continente africano. A gente pode falar um pouco sobre isso que chega como decoração para gente, como os têxteis africanos. Eu recoloco, reconto, aprendo, na verdade, também troco com eles.
Entendo que o tecido hoje não é somente algo decorativo, ele é algo que é de cada povo. Ele consegue contar, através dos seus grafismos, das flores, a história desse povo. Eu uso a arte, principalmente, que é a criação desses grandes murais, como aqui a gente tem esse mural que fala sobre os têxteis africanos. [aponta para um de seus trabalhos no CCJ]
Agência Brasil: Você falou de tecido, você tem vários trabalhos agora que são com tecido, que se distanciam um tanto do grafite, do hip hop, como você mesma estava dizendo. Como é que foi essa transição? Como é que foi esse interesse? Soberana Ziza: Eu sou da época que, para ser grafiteiro de verdade, tinha que fazer 100% com spray. Depois, fui usando a técnica dos muralistas, o pincel, e, hoje, eu me coloco nesse lugar também de sair dessa parede. Eu sempre usei como uma ferramenta a parede, e, hoje, eu uso o tecido, principalmente, para falar sobre o apagamento.
Eu uso tecido voil, ele tem essa transparência, então eu crio camadas de história. Quando a gente coloca essas camadas de história, uma história vai sendo construída através dessas grandes camadas que uma dá para ver através das outras. Estou muito mais com um olhar nas artes contemporâneas, eu coloco esse tecido como uma ferramenta, como um material de destaque desse meu trabalho.
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