Jovens ribeirinhos no Amazonas viram “repórteres da floresta”


Da comunidade de Três Unidos, a cinco horas de barco de Manaus, a estudante Tainara Cruz, de 19 anos, do povo kambeba, se apresenta como comunicadora e ativista ambiental. As postagens dela são acompanhadas por mais de 20 mil seguidores no Instagram. Antes, as pessoas a viam como tímida e reservada. Gravar sobre o que dói ou a alegra gerou uma vocação.

“Ouvimos falar bastante na mídia sobre a questão das mudanças climáticas. Mas o que pouco se fala é que elas também provocam consequências para a gente, povos indígenas que sofremos com a elevação das temperaturas médias”, diz em uma das postagens.

Jovens ribeirinhos viram “repórteres” e alertam para mudanças do clima - Tainara Cruz. Foto: Divulgação

Tainara Cruz, do povo kambeba, tem mais de 20 mil seguidores no Instagram. Foto: Divulgação – Divulgação

Desde 2021, a estudante passou a falar de tudo: mudanças climáticas, marco temporal, histórias dos povoados, a plantação e a seca que mudou o cenário na Amazônia. Ela descobriu a vontade de se expressar depois que participou de uma oficina de um projeto chamado “Repórteres da Floresta”, uma iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), organização da sociedade civil sem fins lucrativos. Gostou tanto de se expressar que já sabe o que deseja cursar no ensino superior: quer ser jornalista.

“Comecei a ver o mundo de forma muito diferente. Senti uma paixão por isso. Como é lindo saber sobre escrita e leitura”, diz a estudante. Atualmente, ela divide o tempo de estudos com um trabalho como secretária em Manaus.

Mas descobriu a missão de vida. “Quero mobilizar os povos indígenas para resolver os problemas que nos afetam”. Entre eles, atualmente, a seca na Amazônia a preocupa. Com a estiagem, vê queimadas, o Rio Cuieiras secar e, com isso, macaxeira e abacaxi, que sempre foram pródigos na terra do seu povoado, demorarem a brotar.

Até o prato que todos mais admiram no lugarejo, o fani, está difícil de fazer, já que a receita é com macaxeira e pirarucu, o peixe que está cada vez mais raro. Com a escassez, teve que ir para Manaus para trabalhar, o que diminuiu a frequência das postagens, mas não a vontade de ser como uma porta-voz.

Amazonas - Oficina Repórteres da Floresta 2022. Foto: Julia de Freitas

Amazonas – Oficina Repórteres da Floresta 2022. Foto: Julia de Freitas

Engajamento

Empoderar pessoas de comunidades tradicionais é a intenção dos idealizadores do projeto, conforme explica Valcleia Solidade, de 54 anos, superintendente do desenvolvimento sustentável da FAS. “A ideia foi trazer algo diferente para engajar mais os jovens das comunidades a participar das atividades e que retratasse a realidade da comunidade em seu dia a dia”. Desde 2014, a iniciativa já formou mais de 300 participantes.

A atual edição do projeto deve contemplar, até o final de 2023, ao menos 120 alunos de mais de 20 comunidades situadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, Uatumã, Uacari, Juma e Mamirauá.

O Repórteres da Floresta tem módulos teóricos, em que os jovens aprendem técnicas de fotografia, vídeo, áudio, iluminação e edição; e a prática, em que os alunos vão a campo. Os jovens produzem podcasts e entrevistas com pessoas de suas comunidades.

O trabalho desenvolvido com os jovens toca fundo em Valcleia Solidade, que nasceu comunidade quilombola Mururu, em Santarém. “Tive que sair da minha comunidade com 12 anos de idade porque não tinha escola. Aí fui trabalhar como babá na cidade”.

Ela conseguiu estudar e mudar o rumo da vida, e poder atuar pelas comunidades ribeirinhas. Para ela, os principais problemas que atravessam são a logística (porque dependem exclusivamente de rios), a energia, e a comunicação. “Há ainda hoje uma dificuldade em receber e transmitir informações”. Há nove núcleos no Amazonas (com internet) onde o projeto está em funcionamento”

Por trás das câmeras

Outro repórter da floresta é Jeferson Rodrigues, de 23 anos, morador da comunidade ribeirinha Tumbira, em Iranduba (AM), também às margens do Rio Negro, e a mais de uma hora de lancha de Manaus.  Ele gosta mesmo de produzir e ficar por trás das câmeras porque ainda se julga tímido.

O jovem trabalha como pintor (de casas a artesanato) e descobriu nas câmeras um sonho de vida. “Quero me profissionalizar nessa área”. Ele gosta de olhar e fazer imagens da natureza. “A comunicação nos dá voz, para dizer onde dói, onde tem de melhorar, o que está certo e o que está errado”.




Fonte: Agência Brasil

Círio de Nazaré leva multidão às ruas de Belém neste domingo 


O tradicional Círio de Nazaré realizou a procissão de número 231 neste domingo (8) levando, mais uma vez, uma multidão às ruas de Belém (PA). A procissão começou após a missa das 6h, realizada na Catedral Metropolitana de Belém e ministrada pelo arcebispo da capital paraense, Dom Alberto Taveira Corrêa. Em seguida, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré percorreu os 3,6 kms até a Praça do Santuário, onde a procissão acabou por volta do meio-dia.  

A expectativa dos organizadores e do governo do Pará era de que mais de 2 milhões de pessoas participassem do Círio de 2023, fazendo deste o maior evento religioso do Brasil e um dos maiores do planeta.

Há mais de 200 anos, a procissão do Círio de Nazaré leva multidões às ruas de Belém, que recebem romeiros de todo o Pará e de outros lugares do Brasil, que vão pagar promessas à Nossa Senhora de Nazaré. A procissão deste domingo é a última de uma série de manifestações religiosas que começou há várias semanas, apesar da abertura oficial das festividades ter sido na última terça-feira (3).

A imagem peregrina percorreu cidades paraenses e várias romarias foram realizadas, desde a romaria fluvial, a romaria rodoviária que parte do município de Ananindeua (PA) até Belém, até a moto romaria com milhares de motocicletas. Na noite deste sábado (7), ocorreu a chamada Transladação, que é a procissão que faz o caminho inverso do Círio onde estima-se a participação de 1,5 milhão de fiéis.

O ponto alto dos festejos aconteceu neste domingo, quando um dos símbolos das celebrações, a corda do Círio, com seus 800 metros de comprimento, foi carregada junto com a imagem peregrina pelos devotos. A corda foi fabricada pela primeira vez no Pará e utilizou mais de uma tonelada de fibra, tendo sido confeccionada com malva amazônica cultivada por agricultores de mais de 20 municípios paraenses.

O trabalhador Rilson Cardoso crê que foi abençoado e levou a esposa e a filha para juntos agradecerem pela casa própria. “É muita fé, eu vim lutando com minha esposa há um tempo pra gente ter nossa casa própria e conseguimos. É muito emocionante, inexplicável. Só gratidão”, relatou o autônomo.

A técnica em radiologia Marília Barcelar foi agradecer pela recuperação dela e do filho. “Arthur teve catapora e adquiriu uma bactéria no sangue. Enquanto ele estava internado descobri uma necrose no pulmão. Quando foi esse ano, operei e retirei uma parte do pulmão. Viemos agradecer pela nossa saúde e recuperação”, relatou.

O Círio é uma manifestação católica para Nossa Senhora de Nazaré. É realizado há 231 anos em Belém e foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan e declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

*Com informações da Agência Pará  




Fonte: Agência Brasil

Indígenas em SC temem que fechamento de barragem inunde aldeia


A decisão do governo catarinense de fechar comportas da Barragem Norte, no município de José Boiteux (SC), provocou revolta de indígenas da etnia Xokleng, que convocaram um ato de resistência, tentando evitar a ação de agentes do estado. O temor é de que o fechamento resulte em inundação, atingindo aldeias e residências.

Nas redes sociais, circulam cenas de uma ação policial contra indígenas na manhã deste domingo (8). Há relatos de feridos, ainda não confirmados oficialmente. A Barragem Norte de José Boiteaux fica em uma terra indígena no Vale do Itajaí. O fechamento das comportas foi determinado pelo governo como resposta às fortes chuvas que atingem o estado e que já deixaram dois mortos. Há 82 municípios em situação de emergência.

“Temos ali uma questão indígena que vai ser avaliada e atendida, mas a barragem precisa ser fechada neste momento para que tenhamos mais uma alternativa para contenção da água”, disse o governador Jorginho Mello durante coletiva ocorrida no sábado (7).

Controle de cheias

A barragem, planejada para controle de cheias, teve as obras iniciadas em 1976 pela ditadura militar. As operações tiveram início apenas em 1992, mas a estrutura está sem uso desde 2014. Ela foi construída no rio Hercílio, que deságua no rio Itajaí-Açu, o qual corta diversas cidades do estado. Uma delas é Blumenau que, em função dos impactos causados pelas chuvas, cancelou a Oktoberfest, evento que tradicionalmente ocorre em outubro.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), criado em 1972 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o objetivo de lutar pelo direito à diversidade cultural dos povos indígenas, divulgou uma nota sobre a situação. Para a entidade, a presença dos policiais no território indígena configura invasão ilegal. Também denuncia a falta de Estudo de Impacto Ambiental para a construção da barragem e a negligência com a situação atual, alertando que o fechamento das comportas pode elevar o risco de rompimento.

“Após não cumprir acordos, tampouco sentença judicial transitada em julgado no Supremo Tribunal Federal desde agosto de 2017, o governo do estado de Santa Catarina deixou a Barragem Norte abandonada há cerca de uma década”, diz o texto.

De acordo com a nota, a falta de construção de um canal extravasor coloca em risco a estrutura, pois, com as comportas fechadas, a água poderá verter sobre a taipa e a situação sair de controle. O Cimi questiona ainda se o governo catarinense possui laudo técnico que ateste a segurança na operação de fechamento das comportas e se a população que vive abaixo da barragem foi informada dos riscos.

Decisão Judicial

Após o anúncio do governador, a Justiça Federal respaldou o ingresso de agentes estaduais na barragem. A decisão foi do juiz de plantão Vitor Hugo Anderle, na noite de sábado (7). Ele ponderou, no entanto, que o governo deveria “velar para a adoção das medidas necessárias de salvaguarda para a proteção de todos os envolvidos, ouvidos os respectivos agentes de seu corpo técnico”.

Às 23h51, Vitor Hugo proferiu uma segunda decisão. Ele informou ter recebido do Ministério Público Federal (MPF) a notícia da celebração de um acordo entre lideranças indígenas, a prefeitura de José Boiteaux e o governo estadual.

O magistrado homologou as medidas que teriam sido pactuadas: desobstrução e melhoria das estradas, equipe de atendimento de saúde em postos 24 horas, disponibilização de três barcos para atendimento da comunidade, ônibus para permitir o deslocamento dos moradores até a cidade, garantia de água potável na aldeia e fornecimento de cestas básicas. Também definiu que deverão ser construídos novos imóveis, em local seguro, para famílias que ficarem com suas casas submersas.

De acordo com lideranças indígenas, a reunião com representantes do estado com o objetivo de discutir medidas para a comunidade de fato ocorreu. No entanto, dizem ter sido pegos de surpresa sobre a decisão do fechamento das comportas.

“Tratamos de benfeitorias que seriam feitas para a comunidade, como água potável, moradia, transporte e moradia de emergência para quem ficou desabrigado durante a cheia, durante esta chuva que estamos enfrentando. Momentos após a reunião, o governador Jorginho Mello postou em suas redes sociais que enviaria a polícia para fechar a Barragem Norte”, disse o indígena Italo Silas, em vídeo postado nas redes sociais.






Fonte: Agência Brasil

Reggae: ritmo jamaicano sofreu preconceito até ter reconhecimento


A cidade de São Luís tem motivos para comemorar: aos 411 anos, a capital maranhense foi agraciada com o título de capital nacional do reggae, concedida por lei. Mas o caminho que o ritmo e seus admiradores, a chamada massa regueira, percorreu ao longo dos mais de 40 anos em que aportou na Jamaica brasileira, um dos epítetos de São Luís, foi marcado por preconceito, discriminação e até racismo. Da estigmatização, a aceitação e reconhecimento, é um pouco dessa trajetória que a Agência Brasil vem contar.

Não se sabe ao certo como o reggae chegou ao Maranhão, mas o fato é que o ritmo jamaicano já está presente, desde meados de 1970, nas festas da cultura popular, em bailes, com pequenas aparelhagens, as radiolas, nas periferias. Algumas versões apontam que os maranhenses começaram a curtir o rimo ao sintonizar rádios caribenhas de ondas curtas.

Origem

Pesquisadora sobre o gênero, a especialista em Jornalismo Cultural e mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Karla Freire, conta à Agência Brasil que a hipótese mais provável é que o reggae tenha aportado no Maranhão trazido por marinheiros vindos da Guiana e de ilhas do Caribe.

“O que é comprovado é que, sim, alguns ritmos caribenhos eram escutados aqui através das ondas curtas, mas ninguém consegue dizer que o reggae chegou aqui através das ondas curtas do rádio. Então a hipótese mais provável da chegada do reggae aqui no Maranhão é mesmo através dos vinis que vieram pelo mar em navios aí que vinham da Guiana e que vinham de outras ilhas do Caribe. E aí chegavam aqui, aportavam nos portos do Maranhão e os marinheiros chegavam aqui, trocavam esses vinis por fazer um escambo, trocavam por alimento, enfim, por serviço”.

Autora de livro sobre o tema, Karla chama a atenção para o fato de que o ritmo não foi “imposto”, a partir de uma ação da indústria fonográfica, mas sim, caiu no gosto da população ludovicence. Ela aponta para a possibilidade de identificação pela proximidade com ritmos caribenhos, como o bolero, a salsa e o merengue, muito tocados em festas dos povoados negros e rurais do interior do estado, de onde parte da população que habita as periferias da capital São Luís é oriunda.

Reggae Maranhão. Foto: Arquivo pessoal

Karla Freire conta que o ritmo não foi imposto comercialmente, e sim caiu no gosto do maranhense- Arquivo pessoal

“No começo, o reggae era conhecido como música estrangeira lenta. As pessoas nem sabiam de onde vinha, que era da Jamaica, e não entendiam a letra também, porque as pessoas não entendiam a língua inglesa. Mas então a gente pode pensar, como é que as pessoas passaram a gostar tanto de uma música que não se sabia a origem, não se sabia nada sobre ela? É que o reggae conquistou primeiro uma juventude negra da periferia, prioritariamente. Então eram jovens negros que tinham o reggae, adotaram o reggae como um elemento de identificação cultural”, afirma.

Dança

E foi essa população periférica, em sua maioria negra e pobre, que criou as particularidades que o reggae adquiriu no Maranhão, a começar pela forma de dançar. No estado, o reggae é majoritariamente dançado a dois, esse tipo de dança é chamada de agarradinho e, possivelmente foi desenvolvido em referência a forma como os ritmos caribenhos eram dançados.

“Aquela coisa assim: a festa vinha quente, tocava uma lambada, uma salsa, um merengue, aí vinha um reggae para dar uma esfriada. E é por isso, inclusive, que as pessoas dançam reggae agarrado, que é o reggae agarradinho, porque elas já estavam dançando aos pares e elas permaneciam aos pares. Como ninguém sabia o que era reggae, era uma música estrangeira lenta, uma música romântica e as pessoas continuavam dançando em casais”, detalha Karla.

Outra semelhança apontada é em razão do ritmo, da marcação se assemelhar ao de manifestações culturais negras, muito fortes no estado, como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula.

“A batida do reggae tem um contratempo, um baixo, um grave bastante acentuado e ela tem uma batida que lembra um pouco a batida do bumba-meu-boi, do tambor de crioula. Por isso que, de alguma forma, é muito fácil você encontrar a mesma pessoas, o mesmo cara, a mesma mulher que vai no bumba-meu-boi, no tambor de crioula. É uma pessoas que é fã do reggae”, relata Karla.

“Eles fizeram uma releitura desse reggae e passaram a sentir. Então, há uma questão da batida das semelhanças musicais do reggae com as nossas tradições locais, que fazem com que o maranhense acabe se identificando. E, se a gente pensar que São Luís e a Jamaica são duas ilhas predominantemente negras, que têm uma ancestralidade africana em comum, muitos ritmos que lá surgiram fazem sentido para a gente. Então, o Reggae conquista primeiro a massa, vamos dizer, que são os regueiros. E muito tempo depois é que ele vai se disseminando pela cidade toda, é que a classe média vai também abraçando esse ritmo, mas no começo o reggae se popularizou de forma muito forte, muito evidente nas periferias”, afirma.

Pedras

Os regueiros do Maranhão também foram responsáveis pelos termos aos quais se refere para definir as músicas consideradas boas, bonitas, que agitam o salão, são as chamadas “pedras de responsa” ou simplesmente “pedradas” ou “pedras”.

Outra especificidade é a forma como são nomeadas as músicas, chamadas de melôs, que geralmente fazem referência ao que se imaginava corresponder ao som de determinado trecho do reggae ou mesmo batizando com nomes de pessoas.

A hipótese mais aceita é que essa forma de batizar as músicas foi uma estratégias que os DJ’s criaram, com objetivo de esconder a verdadeira identidade da música para evitar o acesso da concorrência.

Esses melôs são tocados pelas radiolas, equipamento em que são acopladas caixas de som, formando um “paredão”, similar as sound systems jamaicanas. Um dos mais famosos, o Melô do Caranguejo foi batizado em referência ao que se acreditava significar o refrão da música White Witch, da cantora norte-americana Andread True, que diz “White witch’s gonna get ya?”. Outro caso exemplar é o da música Think Twice, cantada pela canadense Donna Mari e que em São Luís, virou o Mêlo de Poliana ou de “My Mind”, gravada em 1976 por Hugh Mundell, rebatizada como Melô de Valéria e antes conhecida como Melô dos Astros.

Preconceito, discriminação e perseguição

Apesar de toda a criatividade, a relação do ritmo com a cidade não foi tranquila. No começo, o reggae era associado pelos jornais e mídias locais à violência e ao consumo de drogas.

“Quando você encontrava o reggae no jornal, era na página policial. Normalmente era facada no reggae, era operação da polícia, a polícia invadindo, as pessoas sendo presas, As pessoas passando por baixo da policial. O reggae era o local onde aconteciam os crimes. E tudo isso porque o regueiro era marginalizado, tudo isso porque o ritmo era marginalizado, era acusado de ser uma cultura importada, uma aculturação. Então, durante muitos anos, o reggae foi muito marginalizado”, explica Karla.

Outro ponto levantado é o preconceito devido ao fato do ritmo ter vindo de baixo para cima. As classes altas, identificadas com outros epítetos da cidade – “Atenas Brasileira” e “cidade fundada por franceses” – também discriminava o ritmo e seus amantes.

“Durante muito tempo, o reggae foi estigmatizado, foi marginalizado justamente pela sua origem, além da origem que é jamaicana, negra, é uma ilha pobre do Caribe, a origem também das camadas sociais de São Luís, que eram camadas menos privilegiadas, foram essas camadas que abraçaram esse ritmo. Então, a elite aqui de São Luís não viu com bons olhos”, analisa Karla. “A gente tem embates fenomenais na década de 1990 nos jornais. A gente tem artigos de jornais publicados por membros da Academia Maranhense de Letras, onde há toda uma discussão sobre esse título de Jamaica brasileira, achando que é um absurdo: Como é que a gente era Atenas brasileira por conta dos grandes poetas que a gente tinha nos séculos passados e, agora, a gente vira Jamaica negra, pobre, que não tem cultura, que não tem referência”, relata.

Esse cenário começa a mudar, em meados dos anos de 1990, quando o som foi aos poucos conquistando espaço, ocupando clubes, promovendo eventos, shows, novos programas de rádio especializados em reggae foram surgindo, programas televisivos. Isso acabou atraindo aliados, em especial a classe média que passou a frequentar esses clubes.

“À medida que a classe média foi abraçando o ritmo, à medida que a própria mídia foi mudando esse recorte, ao longo da década de 90 para os anos 2000, televisões, jornais, sites começaram a dar muito mais visibilidade à Jamaica brasileira, que identifica o Maranhense, que é orgulho do Maranhense, e aí vários símbolos, você tem as vários ícones, as radiolas, o dançar agarradinho, a figura do regueiro, as cores do reggae, o Bob Marley, você tem várias coisas que identificam a cidade e isso passa a ser muito mais explorado”, disse Karla. “E aí vai diminuindo um pouco o preconceito. Ele acabou? Não. Ele continua. Até porque o racismo não acabou, a elite ainda tem preconceito com as classes sociais menos favorecidas, Então a gente vê, sim, ainda muito preconceito com o reggae, mas isso já foi diminuindo bastante”, conclui.

Mudança de perspectiva

E quem faz parte dessa história ainda está lutando para acabar com a estigmatização e o preconceito. Um bom exemplo é o do Grupo de Dança Afro Malungos (GDAM), fundado em 1986 e que desenvolve trabalhos sociais para crianças e jovens através da arte, cultura e cidadania. Um desses projetos leva o ritmo para crianças, adolescentes e jovens das escolas públicas das periferias da capital.

A iniciativa começou em 2006, com a criação do bloco do reggae, que sai durante o período do Carnaval. O coordenador do GDAM, Cláudio Adão explicou à Agência Brasil que a iniciativa é uma forma de trazer o debate sobre questões como racismo, preconceito, discriminação, de uma forma mais leve.

Reggae Maranhão. Foto: @caosinfinito

Cláudio Adão – coordenador do GDAM – Foto: @caosinfinito

“A gente trabalha durante o ano todos nas escolas municipais e estaduais da periferia de São Luís através de palestras, rodas de conversas, oficinas de dança e música, isso tudo direcionado aos amantes da música reggae. A seleção é feita de forma simples, a gente divulga nas rádios comunitárias, nas redes sociais do grupo, nas rádios com programas de reggae. As pessoas interessadas, se forem menores de idade, o pai, mãe ou responsável tem que fazer a inscrição”, explica. “E a gente conseguiu, através da mensagem do reggae, falar de racismo de uma forma muito mais fácil, de preconceito, homofobia, educação, denunciar a forma como a polícia nos trata. Para nós é uma ferramenta muito boa”, pontua.

Adão realça a ligação que a população negra de São Luís tem com a cultura popular e o reggae. “A gente anda junto, porque o reggae é primo irmão de uma expressão muito forte no Maranhão que é o bumba-meu-boi. Na morte do bumba-meu-boi tem barracões do reggae ao lado, do tambor de crioula e também do hip hop e do samba”, conta.

Re(x)istência

Neste sábado, o GDAM vai participar do Festival Re(x)istencia Fest lll, no Parque do Rangedor, em São Luís. Com o tema, Amazônia é Agora, o festival vai chamar atenção para a necessidade de preservação da floresta e de celebrar os povos, a cultura da região. No evento, o GDAM vai realizar o “Chama pra Dançar!”, uma grande aula de reggae ao ar livre.

À Agência Brasil, Adão disse que, mesmo com a discriminação e o preconceito, o reggae foi capaz de criar uma imensa cadeia produtiva, que vai das radiolas e casas de show aos dançarinos e professores de dança que conseguem gerar renda, tendo o ritmo como carro-chefe.

“Infelizmente, durante praticamente 40 anos a gente foi vítima da sociedade branca, racista, vistos como marginais. A massa regueira sofreu muito. Isso diminuiu muito, mas através de estudos a gente foi mostrando que o reggae é o estilo de vida de uma cidade em que 73% da população é negra e que você tem o direito de escolher a música que você quer ouvir no final de semana”, conta. “A gente tem direito de consumir o reggae como uma forma de lazer, de trabalho e também contribuição da cadeia produtiva no Maranhão, através dessa ferramenta que é o reggae, inclusive com esse viés da cultura, do turismo e da economia solidária” defende.

Essa mudança na forma de tratar o ritmo levou à criação do Museu do Reggae do Maranhão. Fundado em 2018, o espaço conta com diversos ambientes, onde homenageia grandes nomes do reggae maranhense que já morreram, tradicionais clubes de reggae de São Luís, como o Clube Pop Som, Clube Toque de Amor, Clube União do BF e Clube Espaço Aberto, algumas delas citadas na música Regueiros Guerreiros da banda maranhense Tribo de Jah.

O museu também possui fotografias, vídeos e discos raros, além de muitas informações e promove atividades como aulas de dança, rodas de conversa, projeção de filmes. Tem ainda a Quinta do Reggae, atividade que ocorre de julho a dezembro e reúne toda a cadeia produtiva em torno do Movimento (cantores, bandas, DJs, moda reggae, etc).

Adão também conta que após o reggae ter atravessado a ponte que corta a cidade e separa os bairros mais ricos dos mais pobres da capital, o momento é de pensar na promoção de políticas pública voltadas para essa população periférica,

“A gente começou a ganhar alguns espaços políticos, nos partidos, associações, clubes e a mídia teve que dar espaço para nós, através dos programas de rádio e isso facilitou, mas ainda falta muito. É uma conquista, mas tem que estar atento. Estamos discutindo políticas públicas para o povo, independente de ser do reggae ou não, mas o povo preto da cidade de São Luís do Maranhão”, disse.




Fonte: Agência Brasil

Santa Catarina decreta fechamento de barragens após duas mortes


Os estragos causados pelas fortes chuvas e a previsão de novas precipitações levou o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, a determinar o fechamento de comportas das barragens de Ituporanga e de José Boiteaux. Em todo o estado, 82 municípios estão em situação de emergência.

Neste sábado (7), a Defesa Civil estadual confirmou a segunda morte. A vítima é um homem da cidade de Palmeira (SC). Ma quarta-feira (4), foi registrado o óbito de um outro homem em Rio do Oeste (SC).

Em muitas cidades, os bombeiros estão resgatando moradores com uso de botes infláveis. Ainda não foi divulgada pelo governo catarinense uma estimativa do total de desabrigados.

As regiões mais afetadas pelas chuvas que atingem o estado de Santa Catarina nos últimos dias são o Vale do Itajaí, o Planalto Norte e a Oeste, além de áreas próximas à divisa com o Rio Grande do Sul. Prognósticos técnicos que apontam que, com as chuvas previstas para este domingo (8), os rios possam atingir níveis expressivos de 14 metros. Novas precipitações também são esperadas para o decorrer da semana, embora com menos força.

O governo orienta que a população que mora em áreas de risco deixe suas residências e busquem abrigo seguro. Efetivos do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram destacados para atuar com helicópteros e outros equipamentos. O estado do Paraná também enviou reforços. O governo catarinense pediu ainda apoio ao Exército Brasileiro.




Fonte: Agência Brasil

Rádio Nacional estreia programação local em São Paulo


A Rádio Nacional lança uma faixa inédita ao vivo dedicada aos paulistas a partir de segunda-feira (9) em FM 87,1 MHz. Com duas horas de duração, entre 8h e 10h, de segunda a sexta-feira, a programação local da emissora pública em São Paulo combina prestação de serviço, conteúdo jornalístico e produções musicais.

A emissora está presente no dial paulista desde abril de 2021, quando foi inaugurada a banda estendida FM em cinco capitais do país. Os ouvintes de São Paulo recebiam os conteúdos transmitidos pelas outras praças, mas a partir de segunda-feira passam a contar com produção própria local na faixa Manhã Nacional.

Apresentada pelos jornalistas Victor Ribeiro e Guilherme Strozi, a produção traz informações de interesse da população sobre as condições do tempo na capital e a mobilidade urbana, com detalhes sobre o trânsito na metrópole e a situação dos trens, metrô e ônibus.

Em formato de revista eletrônica, a faixa local da rádio pública ainda tem notícias sobre os principais acontecimentos do dia em São Paulo com a entrada de equipe de repórteres na rua. A proposta é levar ao ar pautas úteis e precisas, com muita prestação de serviços para manter o ouvinte bem informado.

Com espaço aberto para os nomes consagrados das artes e também para os novos talentos da cidade, a programação divulga o trabalho dos artistas locais e a agenda cultural paulista. A seleção musical reúne o repertório de nomes da Grande São Paulo e de relevância nacional para embalar o dia do público.

Serviço

Manhã Nacional em São Paulo – segunda a sexta-feira, das 8h às 10h, na Rádio Nacional

Rádio Nacional na internet e nas redes sociais
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Saiba como sintonizar a Rádio Nacional
São Paulo: FM 87,1 MHz

Celular – App Rádios EBC para Android e iOS






Fonte: Agência Brasil

Ninguém acertou a Mega-Sena e prêmio acumulado vai a R$ 6,5 milhões


Nenhuma aposta acertou as seis dezenas do concurso 2642 da Mega-Sena. O sorteio foi realizado na noite deste sábado (7).  

Os números sorteados foram 08 – 13 – 31 – 33 – 49 e 50.

Com isso, o prêmio da faixa principal para o próximo sorteio, na próxima terça-feira (10), está estimado em R$ 6,5 milhões.

A quina teve 55 apostas ganhadoras, e cada uma vai receber R$ 36.721,15. Já a quadra registrou 3.107 apostas vencedoras, e cada ganhador receberá um prêmio de R$ 928,62.

As apostas para o próximo concurso podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) do dia do sorteio, nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis dezenas marcadas, custa R$ 5.




Fonte: Agência Brasil

ITA deve impulsionar desenvolvimento tecnológico no Nordeste


A instalação de uma unidade do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em Fortaleza, no Ceará, deverá impulsionar o desenvolvimento tecnológico de todo o Nordeste e ajudar a dar mais equilíbrio no desenvolvimento do país, disse Suzeley Kalil, pesquisadora e professora da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas.

“A instalação do ITA traz a promessa de desenvolvimento realizada pela implantação do instituto na cidade de São José dos Campos (SP), que passou a ser atrativa para empresas de alta tecnologia. Porém, se olharmos para outros centros de ensino, verificamos que não o ITA em si, mas a presença de centros de pesquisa de alta complexidade é que traz o desenvolvimento. Assim, penso que a instalação de qualquer centro de pesquisa no Nordeste é de grande importância, não apenas para o desenvolvimento regional, mas também para promover maior equilíbrio no desenvolvimento do país”, acrescentou.

História

A primeira escola de formação de engenheiros aeronáuticos do Brasil surgiu em 1950 na cidade de São José dos Campos, no interior paulista. Considerado referência no ensino de engenharia do Brasil, o ITA é uma instituição universitária pública, mas ligado ao Comando da Aeronáutica.

Hoje, ele oferece seis cursos de graduação nessa unidade. E, agora, essa escola deve se expandir para o Nordeste, com o anúncio feito recentemente pelo governo federal. Essa nova unidade deverá ter cursos voltados a estudos sobre energia.

Para a professora, a criação de uma unidade do ITA no Ceará pode ter sido motivada pela grande aprovação de alunos do estado nas vagas oferecidas pelo instituto. Um levantamento feito pelo ITA mostrou que mais de 36% dos aprovados na instituição estudaram em Fortaleza.

“Creio que este fato impactou na decisão do governo de criar uma nova unidade, mas não deve ser o único motivo. É provável que tenha havido demanda por parte do próprio estado do Ceará nessa direção. Também deve ter pesado a expressiva votação de [do presidente da República] Lula na região. É bom lembrar ainda que os governos anteriores de Lula e Dilma [Rousseff, ex-presidente da República] alimentaram uma visão de desenvolvimento e de educação melhor distribuída no território”, disse ela.

Outra razão que poderia explicar a instalação de uma unidade do ITA no Ceará, disse Suzeley, é o fato de que o idealizador e verdadeiro construtor do ITA, Casimiro Montenegro, era natural do Ceará.

Um desses alunos cearenses aprovados no ITA foi Leonardo Bruno Pedroza Lima. Hoje, ele leciona Física e é supervisor pedagógico do Colégio Ari de Sá Cavalcante, em Fortaleza, que tem turmas voltadas para a preparação ao vestibular do ITA e do Instituto Militar de Engenharia (IME).

“Eu sou engenheiro de computação formado no ITA. Sou cearense e me preparei para o ITA na escola em que hoje trabalho, o colégio Ari de Sá. É uma enorme satisfação poder ajudar outras pessoas a realizar o sonho de ingressar no ITA”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo Leonardo, as turmas voltadas para o vestibular do ITA e do IME no Colégio Ari de Sá Cavalcante tem alta procura e são frequentadas por cerca de 350 alunos a cada ano. Além desse colégio, há muitos outros cursos preparatórios voltados para o ITA na região Nordeste. E para o professor, esse mercado deve crescer nos próximos anos, caso a nova unidade do instituto seja, de fato, instalada no Ceará.

“Há cursos específicos para a preparação para o vestibular do ITA em Fortaleza, Teresina, Recife e Salvador. Em Fortaleza, há sete escolas que possuem turmas específicas voltadas para o vestibular do ITA. Na região Sudeste, o principal curso que prepara para o ITA fica em São José dos Campos (SP), a mesma cidade onde fica o ITA. Tudo indica que a instalação de uma unidade do ITA aqui no Ceará fará com que este mercado cresça ainda mais”, disse.

Para o professor e supervisor do cursinho preparatório para o ITA, a instalação de uma unidade no Ceará pode também contribuir para a permanência desses talentos na região.

“Uma parcela significativa das nossas mentes mais brilhantes é enviada para São Paulo e, após se formar,  acaba sendo absorvida pelo mercado de trabalho da região Sudeste. Com um ITA aqui no Ceará, aqui na região Nordeste, seguramente teremos mais chances de reter esses talentos e criar as condições para que eles contribuam para o desenvolvimento da região, se envolvendo nos problemas que temos por aqui e olhando para os potenciais do Nordeste que podem ser desenvolvidos, como por exemplo, a indústria das energias renováveis”, opinou.

Em setembro, durante uma visita do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o reitor do ITA, Anderson Ribeiro Correia, também falou sobre o avanço que a nova unidade poderá trazer para a região. “Será uma oportunidade de reter mentes brilhantes, que, historicamente, vêm sendo aprovadas nos vestibulares para o ITA, e aproveitá-las na contribuição para esse desenvolvimento”, disse ele, na ocasião.

Modelo avançado

Suzeley Kalil afirmou que o modelo de educação proposto pelo ITA – com a formação de engenheiros militares e civis – é avançado, mas com poucos exemplos pelo mundo.

“O ITA traz em si uma visão de desenvolvimento muito particular, que visa a autonomia do país e que tem no estado seu grande pilar. Tal visão é o reverso da concepção liberal que é majoritária no Brasil. Os anos que separam a inauguração do ITA sudestino para o nordestino estão basicamente relacionados com uma visão vira lata de país – a função do Brasil no mundo é produzir commodities – e preconceituosa de seu povo – o brasileiro é preguiçoso e indolente”, avaliou.

Para ela, o ITA não se encaixa como uma escola militar, mas como um centro de pesquisa, que deveria ser um exemplo para o país.

“A educação militar deveria ter no ITA seu padrão, isto é, defendo que não deveriam existir escolas apenas para a formação de oficiais das Forças Armadas, mas escolas que formassem cidadãos e academias de tempo parcial para treinamento específico militar. Assim, penso que se tivéssemos mais escolas como o ITA não teríamos Forças Armadas apartadas da sociedade, como são as nossas Forças Armadas hoje”, disse ela. E finalizou: “As escolas militares são celeiro de autonomia militar, desenvolvendo militares que acreditam ter como missão tutelar a sociedade”.




Fonte: Agência Brasil

Hoje é Dia: semana celebra criança, nordestino e feriado de Aparecida


A semana entre os dias 8 e 14 de outubro tem um alento para quem gosta de uma folga e, claro, pode folgar. Oficialmente, 12 de outubro é feriado nacional porque é dia de Nossa Senhora Aparecida, considerada a santa padroeira do Brasil. Temos, porém, uma outra comemoração divertida na mesma data: a do Dia das Crianças. Quando foi instituída oficialmente, em 1924, a data não tinha tanta popularidade como nos dias de hoje. Somente em 1955, ela começou a ter projeção no Brasil, a partir de uma campanha de marketing elaborada pela indústria de brinquedos Estrela, promovendo a Semana da Criança para aumentar as vendas.

Só que antes do feriado, ainda tem muita data para celebrar na semana. Hoje (8) é o dia do Dia do Nordestino. A data foi instituída por causa do nascimento do poeta, músico e compositor maranhense Catulo da Paixão Cearense, o Poeta do Sertão. Além de uma homenagem, a data busca combater e conscientizar a população brasileira a respeito do preconceito e discriminação vivenciados pelos nordestinos. De acordo com o IBGE, o Nordeste corresponde a 18% do território nacional e a região é a segunda mais populosa do Brasil, com cerca de 55 milhões de habitantes, como mostra esta reportagem da Agência Brasil. Em 2013, a TV Brasil, no quadro Outro Olhar, fez uma homenagem nesta data.

Um dos grandes nomes do futebol brasileiro também é lembrado pelo seu nascimento nesse 8 de outubro: o meia Didi, que defendeu a seleção em três Copas do Mundo, sendo campeão em duas oportunidades, em 1958 e 1962, ao lado de Pelé. Didi era um especialista em bolas paradas, sendo a ele creditada a invenção do chute Folha Seca, que dá um efeito repentino e inesperado na bola. O nascimento dele foi lembrado pelo Repórter Brasil há 10 anos.

Já o dia 9 de outubro guarda, digamos, uma estreita relação com a palavra “correr”. Isso porque a data celebra o “Dia Internacional dos serviços dos Correios” e também o “Dia do Atletismo”. A etimologia da palavra “correio” remete à figura do mensageiro, do Latim currere, ou seja, “deslocar-se com rapidez, correr”. E o ato de correr com rapidez, por essência, é o objetivo da corrida, uma das principais modalidades do atletismo. Seguindo essa linha, chegamos a um denominador comum: ambos buscam mover-se com agilidade, cada um à sua maneira.

No dia 10 de Outubro é comemorado em todo o mundo o Dia Internacional da Saúde Mental, assunto que ainda é tabu na sociedade. A data, instituída em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental, busca chamar a atenção da opinião pública para o reconhecimento do sofrimento causado por problemas mentais e a busca pela promoção da saúde mental. O tema foi tratado, com abordagens diferentes, em algumas ocasiões como em 2018, 2020 e 2022.

Na mesma data, é celebrado o nascimento da cantora e radioatriz fluminense Celeste Coelho Brandão, mais conhecida como Alda Verona. Em 1942, ela foi contratada pela Rádio Nacional para fazer radioteatro, e lá permaneceu por exatos 30 anos, tendo interpretado diversos papéis. O 10 de outubro também é dia de homenagear a vida da grande cantora, compositora e atriz francesa Édith Piaf, que faleceu há 60 anos. A data foi lembrada no quadro História Hoje em 2018.

Pessoas com deficiência e música brasileira

O Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física é celebrado anualmente no dia 11 de outubro e marca a luta pela promoção dos direitos dos mais de 18 milhões de brasileiros que tem algum tipo de deficiência, conforme notícia publicada pela Agência Brasil, com base em dados do IBGE. Muitos foram os avanços nos últimos anos por meio da criação de normas, decretos e leis para essa esse público, como disposições sobre a obrigatoriedade de acessibilidade em estabelecimentos, assentos preferenciais, unidades habitacionais adaptadas, entre outros. Mas a inserção no mercado de trabalho permanece sendo um desafio.

No campo da música, celebramos em 11 de outubro o nascimento do sambista, compositor e poeta fluminense Angenor de Oliveira, o Cartola. Fundador da escola Estação Primeira de Mangueira, Cartola é considerado um dos maiores compositores do país e sua poesia continua viva e renovada pelas novas gerações de cantores. Para celebrar o talento e a sensibilidade do bamba, o programa Recordar é TV, da TV Brasil, recuperou histórias contadas pelo próprio artista.

Outro músico do Rio de Janeiro nascido na mesma data é Jorge Vercillo, autor de grandes sucessos da MPB. No Faixa Musical, exibido em março deste ano pela da Rádio Nacional, o músico foi destaque com o lançamento do seu novo álbum Raça Menina.

E para fechar a semana: uma homenagem ao compositor e maestro paulista Aylton Escobar pelo seu nascimento em 14 de outubro de 1943. O programa Harmonia, da Rádio MEC, destacou o reconhecimento internacional alcançado por Escobar, que também é membro da Academia Brasileira de Música.

Confira a lista da semana do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

8 a 14 de outubro de 2023

8

Dia do Nordestino, homenagem ao nascimento do poeta, cantor e compositor maranhense Catulo da Paixão Cearense (160 anos) – conhecido como “O Poeta do Sertão”

Nascimento da cantora fluminense Marilu (105 anos) – uma das estrelas da Rádio Nacional

Nascimento do jogador de futebol fluminense Valdir Pereira, o Didi (95 anos)

Dia Nacional de Doação de Cordão Umbilical – comemoração criada pela Lei Nº 13.309 de 6 de julho de 2016, com o objetivo de estimular a doação por meio da coleta de sangue do cordão umbilical e da placenta, feita logo após o parto, com o consentimento da mãe

Dia do Círio de Nossa Senhora de Nazaré – considerado um dos maiores eventos religiosos do mundo, é celebrado anualmente desde 1793, na cidade de Belém do Pará, no segundo domingo de outubro (data móvel)

9

Nascimento do astrônomo e físico alemão Karl Schwarzschild (150 anos) – um dos fundadores da Astrofísica moderna

10

Nascimento da cantora e radioatriz fluminense Celeste Coelho Brandão, a Alda Verona (125 anos) – em 1942, foi contratada pela Rádio Nacional para o seu radioteatro, lá permanecendo por exatos trinta anos e intepretando diversos papéis

Nascimento do compositor de óperas italiano Giuseppe Verdi (210 anos)

Morte da cantora, compositora e atriz francesa Édith Giovanna Gassion, a Édith Piaf (60 anos)

Líder estudantil Honestino Guimarães, então presidente da UNE na clandestinidade, desaparece após prisão (50 anos)

Dia Mundial da Saúde Mental – comemoração internacional, que foi instituída pela Federação Mundial para a Saúde Mental com o apoio da Fundação de Saúde Mental e da ONU desde 1992

Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher – comemorado desde 10 de outubro de 1980 para marcar a data em que inúmeras mulheres reuniram-se nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, como parte de um movimento de caráter nacional, em protesto contra o então índice crescente de crimes contra mulheres em todo o Brasil

11

Nascimento do cantor, compositor e poeta fluminense Angenor de Oliveira, o Cartola (115 anos)

Nascimento do cantor, violonista e compositor fluminense Jorge Vercillo (55 anos)

Morte do poeta, cineasta e ator francês Jean Cocteau (60 anos)

Inauguração do Teatro Brasileiro de Comédia em São Paulo (75 anos)

Dia Internacional da Menina – comemoração instituída pela ONU na Resolução Nº 314 de 19 de dezembro de 2011, marca os progressos realizados na promoção dos direitos das meninas e mulheres adolescentes e reconhece a necessidade de se ampliar as estratégias para eliminar as desigualdades de gênero em todo o mundo

12

Nascimento do escritor e jornalista mineiro Fernando Sabino (100 anos)

Nascimento do cantor e compositor paulista Nelson Roberto Perez, o Bob Nelson (105 anos) – ouvido por Haroldo Barbosa, foi indicado para ser contratado pela Rádio Nacional, onde fez grande sucesso permanecendo por 29 anos

Nascimento do cantor, compositor e radialista pernambucano Luiz Vieira (95 anos) – em 1953, transferiu-se para a Rádio Nacional e gravou a toada “Rolinha minha saudade” e o baião “Toada com Maria Jesuína”, ambas de sua lavra

Fundação do Banco do Brasil pelo então Príncipe-regente Dom João de Bragança (215 anos)

Estudantes que participavam do XXX Congresso da UNE são presos em Ibiúna-SP (55 anos)

Dia Mundial da Visão – comemoração móvel (2ª quinta-feira de outubro) sob a responsabilidade da Organização mundial da Saúde e Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira

Dia da Criança

Dia da Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil

13

Morte do poeta, crítico literário, professor de literatura pernambucano Manuel Bandeira (55 anos)

14

Nascimento do compositor e maestro paulista Aylton Escobar (80 anos)

Canonização do religioso italiano Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montinido, o Papa Paulo VI (5 anos)




Fonte: Agência Brasil

No Rio, carnavalescos debatem crescimento do carnaval de rua no país


A Associação Independente de Blocos de Rua do Rio (Sebastiana) está promovendo neste final de semana, a 17ª Edição do Desenrolando a Serpentina no Museu de Arte do Rio (MAR), com a participação de debatedores do Rio de Janeiro, de São Paulo, Belo Horizonte e Recife. Estão participando diferentes agentes do carnaval de rua das principais capitais carnavalescas do país, debatendo o crescimento do carnaval de rua.

No Rio, as questões estão ligadas às liberações dos desfiles, autorizações e a burocracia criada pelo Corpo de Bombeiros e Polícia Militar para a apresentação das agremiações. Algumas delas reúnem mais de 1 milhão de foliões, tornando as medidas de segurança mais rígidas para a festa não fugir do controle das autoridades.

De acordo com a presidente da Sebastiana, Rita Fernandes, o debate envolve um conjunto de sugestões com a participação dos artistas, gestores públicos, financiadores e gestores culturais. “A gente espera contar com os presidentes de blocos, gestores culturais e demais convidados para uma troca de ideias e experiências”.

O presidente da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), Ronnie Aguiar, disse que a empresa reconhece o carnaval de rua como a expressão mais legítima do carnaval popular. “Em 2024, o carnaval de rua vai contar com um grande esquema logístico e operacional para garantir a alegria dos foliões”, explicou.




Fonte: Agência Brasil