MPF pede prisão de policiais envolvidos na morte da menina Heloísa


O Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão de três agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolvidos na ação que resultou na morte da menina Heloísa dos Santos Silva, de 3 anos de idade. O pedido foi feito na sexta-feira (15), portanto, antes de a criança morrer.

Heloísa morreu às 9h22 deste sábado (16) devido a uma parada cardiorrespiratória. Ela foi atingida por tiros na cabeça e pescoço, quando passava com a família pelo Arco Metropolitano do Rio de Janeiro e ficou oito dias internada em um hospital.

Segundo William da Silva, pai da menina Heloísa, o carro onde eles estavam foi alvo de tiros que partiram de uma viatura da  PRF.

O MPF pediu ainda nova perícia nas armas dos policiais e no carro da família, já que não concordou com o trabalho realizado pela Polícia Civil.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a PRF disse que não tem informações sobre os pedidos de prisão feitos pelo MPF.

Mais cedo, em nota, a PRF afirmou que se solidariza com a família de Heloísa, que está sendo acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da corporação, para acolhimento e apoio psicológico. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo MPF.




Fonte: Agência Brasil

Mutirões recolhem lixo de ruas e praias em Dia Mundial da Limpeza


Voluntários em diversos municípios brasileiros fazem neste sábado (16) mutirões para retirar lixo das ruas e outros espaços públicos, como as praias. A mobilização marca o Dia Mundial da Limpeza, criado em 2018, que ocorre em 197 países e territórios do mundo.

No Brasil, é esperada a participação de 500 mil voluntários em mais de 2 mil ações, que devem ocorrer em 1.200 municípios, ao longo deste sábado e do mês de setembro. “Essa é a sexta edição do evento, que sempre acontece no terceiro sábado do mês de setembro”, explica Edilainne Muniz Pereira, da organização não governamental Limpa Brasil, que coordena as ações no país.

Segundo ela, a ideia é conscientizar a população da importância não só de limpar as ruas, mas principalmente de deixar de sujá-las. “O lixo traz um impacto muito negativo, quando descartado de forma inadequada. A consequência disso é a poluição dos nossos córregos, rios e oceanos, por exemplo, além da questão de proliferação de doenças e das enchentes”, afirma.

Edilainne destaca que quando as pessoas são levadas às ruas para recolher o lixo, elas passam a conhecer melhor a dimensão do problema do descarte inadequado de resíduos. “Elas podem ter uma mudança de comportamento e tomar uma decisão de repensar os modelos de descarte e de consumo. E também podem começar a se enquadrar em outras pautas da sustentabilidade e conservação do planeta”.

Rio de Janeiro (RJ), 16/09/2023 – No Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias - CleanUp Day, voluntários recolhem lixo na praia de Copacabana, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 16/09/2023 – No Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias – CleanUp Day, voluntários recolhem lixo na praia de Copacabana, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma das ações realizadas no Rio de Janeiro na manhã deste sábado, por exemplo, foi a limpeza da praia de Jacuecanga, em Angra dos Reis, no litoral sul do estado, sob a coordenação do projeto do Mangue ao Mar. Além de catar o lixo, os voluntários ajudam a catalogar os resíduos para conhecer os tipos que são jogados ou levados pela maré até o local.

As informações serão encaminhadas ao Poder Público para que sejam tomadas providências a fim de minimizar o problema. “Devemos tratar os oceanos como se a nossa vida dependesse deles, porque é isso que acontece. O desperdício é um sintoma, um resultado cruel do nosso estilo de vida. Mais do que uma faxina, o Dia Mundial da Limpeza é uma chance de impulsionar a cooperação entre voluntários, Poder Público e sociedade em direção a soluções”, afirma a oceanógrafa Andie Maral, uma das coordenadoras da ação em Angra.

Também houve ações em praias da zona sul da capital fluminense, como a Praia do Flamengo, onde a Rede de Conservação Águas da Guanabara (Redagua) reuniu voluntários, como a economista Bianca Bezerra, para recolher lixo da área.

Rio de Janeiro (RJ), 16/09/2023 – No Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias - CleanUp Day, voluntários recolhem lixo na praia de Copacabana, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 16/09/2023 – No Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias – CleanUp Day, voluntários recolhem lixo na praia de Copacabana, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

“A gente tem que fazer a nossa parte para preservar a natureza, o ecossistema, porque quem está acostumado a frequentar praia, vê a quantidade de sujeira que a gente encontra. Dá uma tristeza”, disse a voluntária.

O World Clean Up Day, como é oficialmente conhecida a data, nasceu de uma mobilização na Estônia em 2008, quando 50 mil pessoas percorreram o país para retirar 10 mil toneladas de lixo em apenas cinco horas.




Fonte: Agência Brasil

Virada Sustentável tem mais de 800 atividades gratuitas em São Paulo


A cidade de São Paulo será ocupada, a partir deste sábado (16), por mais de 800 atividades e oficinas totalmente gratuitas, com o objetivo de apresentar ao público discussões de importância global, de forma lúdica e de fácil assimilação, sobre temas como consumo consciente, mudanças climáticas, meio ambiente, economia circular e responsabilidade socioambiental. As ações fazem parte da 13ª Virada Sustentável, o maior festival de sustentabilidade do país, realizado pela prefeitura em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) e diversas outras instituições. 

Nesta edição que se estende até o dia 24, a Virada Sustentável lança a campanha Um olhar para 2030, que reúne as manchetes dos sonhos de mais de 50 organizações da sociedade civil, expressando as expectativas e esperanças de futuro de quem trabalha com transformação social e ações para um futuro mais consciente. As ideias serão expressas em notícias “dos sonhos”, simuladas, para chamar a atenção do público e serão projetadas em três parede laterais de prédios na região da Avenida Paulista.

No sábado e no domingo (17), além das imagens da campanha, serão projetadas na Avenida Paulista, outras criações, como a obra visual Mulheres da artista Sitah, inspirada na Marcha das Mulheres Indígenas deste ano. Também será apresentada a série de fotos Pamurimasa – Os Espíritos da Transformação, do cinegrafista e fotógrafo indígena Paulo Desana, mostrando parentes indígenas, termo usado pelas etnias como uma forma de reconhecer seus pares na luta por direitos, para mostrar o conhecimento ancestral herdado dos povos originários.

Ainda como parte do evento, de hoje até sexta-feira (22), o Fórum Virada Sustentável discute um futuro mais consciente e resiliente para o planeta. Serão 26 painéis de discussão realizados na Ocupação 9 de Julho e no espaço Unibes Cultural. Haverá ainda apresentações artísticas e performances e uma feira de arte indígena e quilombola.

 A programação completa pode ser consultada no site do evento, no Youtube e nas redes sociais Facebook e Instagram.




Fonte: Agência Brasil

Menina baleada por policial rodoviário federal morre no Rio


A menina Heloísa dos Santos Silva, de 3 anos, baleada por um policial rodoviário federal em 7 de setembro, morreu na manhã deste sábado (16). Ela estava internada há oito dias no Hospital Adão Pereira Nunes (Saracuruna), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A morte foi confirmada pela prefeitura de Caxias.

A criança foi baleada quando passava pelo Arco Metropolitano com a família. Segundo o pai de Heloísa, William da Silva, o carro onde eles estavam foi alvo de tiros que partiram de uma viatura da  Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A menina foi atingida por tiro que atingiu sua cabeça e pescoço. Segundo a prefeitura de Duque de Caxias, ela teve uma parada cardiorrespiratória e morreu às 9h22.

Em nota, a PRF informou que se solidariza com a família de Heloísa e que sua Comissão de Direitos Humanos está acompanhando a família para acolhimento e apoio psicológico. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF).




Fonte: Agência Brasil

Feira dos Povos do Cerrado oferece diversidade de produtos do bioma


Produtos medicinais, pintura indígena, chope de jatobá e coquinho azedo, além de artesanato e comidas. Esses são alguns dos produtos da sociobiodiversidade que podem ser encontrados no 10º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, que termina neste sábado (16), na Torre de TV, área central de Brasília.

Com mais de 270 expositores de nove estados do Cerrado brasileiro, a feira é uma oportunidade para conhecer a riqueza dos sabores e saberes desse bioma, que ocupa nada menos do que 24% do território nacional. O evento ainda conta com uma diversa programação cultural. Na noite de encerramento, as atrações são Teatro de Mamulengo Sem Fronteiras, Quilombo de Bom Sucesso dos Negros, mulheres indígenas Xavante, Baile da Miasinha e o grupo Pé de Cerrado.

Natural da região do Jalapão, em Tocantins, a artesã Elizane Ramalho cria diversos tipos de cestaria, biojóias e outros adornos utilizando o capim dourado, uma espécie de sempre-viva fartamente encontrada em veredas do Cerrado. “Eu fico muito orgulhosa por fazer parte disso [artesanato], de saber que minha mão faz ensinar. De conseguir fazer algo que só depende de você, e de criar uma peça e aparecer outra. Eu vou dormir já pensando na peça que vou fazer no dia de manhã”, disse.

A bióloga Rosalia Baribieri, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é do Rio Grande do Sul e estava passando a semana em Brasília, a trabalho, quando soube da feira e foi conferir. Além de encantada com o que viu, participou de oficina de turbantes e uma promovida por raizeiras do Cerrado.

“Circulamos, falamos com algumas pessoas. Eu comprei uma oncinha carajá, chocolate. Você vê a importância de conhecer outros artesanatos, que não os das lojas comerciais, e conhecer o que é feito pela mão de uma comunidade lá na ponta”, relatou.

Realizado desde 2001, o Encontro e Feira dos Povos do Cerrado é um grande espaço de troca de experiências e articulações em defesa do bioma e dos seus povos. Com o tema Cerrado: Conexão de Povos, Culturas e Biomas, o evento deste ano deve reunir cerca de 10 mil pessoas, incluindo representantes quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco babaçu, geraizeiros, entre outros povos tradicionais, definidos como comunidades herdeiras dos “saberes ancestrais e tradicionais que guiam, há inúmeras gerações, o manejo das matas e paisagens que fazem dessa rica savana uma das regiões mais biodiversas do mundo”, segundo o conceito elaborado na publicação Saberes dos Povos do Cerrado e Biodiversidade.

Considerado o berço das águas do Brasil, o Cerrado é a origem das nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas mais importantes do país. É também o segundo maior reservatório subterrâneo de água do mundo, formado pelos aquíferos Guarani e Urucuia. Apesar da importância para a segurança hídrica e agrícola do país, o bioma tem sido um dos mais devastados ao longo das últimas décadas, e viu o cenário piorar nos últimos anos, principalmente na região conhecida como Matopiba – acrônimo que se refere aos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.




Fonte: Agência Brasil

Museu das Culturas Indígenas exibe manto sagrado Tupinambá até domingo


Em 2000, Nivalda Amaral de Jesus, a Amotara, visitou, em São Paulo, a exposição Brasil +500, que celebrava os 500 anos do descobrimento do Brasil. Foi ali que ela entrou em contato pela primeira vez com o manto Tupinambá, uma indumentária confeccionada com penas vermelhas de pássaros guará sobre uma base de fibra natural, semelhante a uma rede de pesca. Remanescente do século 17, a relíquia tem 1,80 metro de altura e havia sido emprestada ao Brasil pelo Museu Nacional da Dinamarca (Nationalmuseet), peça que lá chegou no ano de 1689.

Para Amotara, esse contato foi um reencontro com uma memória transcendental de seu povo Tupinambá de Olivença, na Bahia. Para este povo, o manto não é um objeto, mas uma representação de um ser vivo, “um ancião de mais de 300 anos”, que os conecta diretamente com seus ancestrais e sua cultura. Quando viu o manto ali exposto, Amotara decidiu que ele não poderia mais ficar na Europa.

Amotara, outros representantes tupinambás e a Embaixada do Brasil na Dinamarca negociaram com o museu da Dinamarca o retorno do manto ao país. E agora ele está pronto para voltar: o Museu Nacional da Dinamarca anunciou que vai doá-lo ao Museu Nacional do Rio de Janeiro e que ele chegará ao país em 2024.

“Ficamos sabendo da existência do manto quando conhecemos a antropóloga Susana Viegas, de Portugal. Ela veio a Olivença e conheceu Amotara. Conheceu também a família de dona Domingas e seu Pedro Brás. Ela [a antropóloga] dizia: ‘Vocês têm um marco. Vocês têm um manto na Dinamarca’. E minha mãe, Nivalda Amotara, quando era menor, já tinha ouvido a avó dela dizendo que existia um manto na Igreja Nossa Senhora da Escada e que vivia dentro de um baú. Ele era todo feito de pena de guará e tecido com linha de tucum. Ela já tinha ouvido falar sobre a presença desse manto”, contou Maria Valdelice Amaral de Jesus, ou Jamopoty, em entrevista à Agência Brasil. Jamopoty é a primeira cacica do povo Tupinambá de Olivença e da Bahia.

O primeiro contato com o manto, no entanto, só veio a ocorrer em São Paulo, durante a exposição. E foi emocionante. “Convidada pela Folha de S.Paulo, a Amotara e o Aloísio [Aloísio Cunha Silva, que também era um líder tupinambá] foram lá no [Parque] Ibirapuera. E quando ela chegou na porta do Ibirapuera, teve uma grande emoção, que foi [quando] os Encantados a conduziram até o manto. Os Encantados mostraram para ela o que ela foi lá ver”, contou Jamopoty.

Segundo a cacica, o manto precisa ser devolvido ao povo Tupinambá como instrumento de resistência e também de luta por seu território. “Fomos invadidos, tanto no nosso território quanto nas coisas que preservávamos de nossos ancestrais. Quantas peças temos fora do Brasil? São muitas. E isso precisa ser devolvido para seus povos de origem. Isso vai dar segurança para nosso povo, vai dar o nosso território demarcado e vai dar, principalmente, a estrutura e a conexão. O povo vai estar mais junto. O manto vem para a união. Toda peça que sai do seu território e vai para fora, quando retorna, retorna para a união dos povos”, afirmou.

A cacica lembrou ainda que o manto é um encantamento e que, por isso, trará mudanças para o Brasil. “Vamos receber esse ancião com muito orgulho. Ele vai trazer a força e a unidade de nossas memórias que não estão aqui, mas em espírito”.

Segundo Jamopoty, o manto ficará no Museu Nacional do Rio de Janeiro, e não na aldeia, porque esse território ainda não foi demarcado. “O manto tem uma força espiritual dos nossos ancestrais que é para a demarcação desse território. Não devemos esquecer que esse território foi demarcado em 1926. E hoje a gente precisa demarcá-lo de novo.”

Recepção

São Paulo-SP 14/09/2023  Indumentária confeccionada por Glicéria Tupinambá em exibição no projeto Manto em Movimento. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Glicéria Tupinambá confeccionou o manto exposto no Museu das Culturas Indígenas – Paulo Pinto/Agência Brasil

O manto que está na Dinamarca deverá chegar ao Brasil somente em janeiro. Mas, para antecipar essa chegada, o projeto Manto em Movimento tem promovido uma ação de ativação que pretende apresentar um manto Tupinambá de forma itinerante por vários museus de São Paulo.

Confeccionado por Glicéria Tupinambá, o manto ficará em exibição no Museu das Culturas Indígenas, na capital paulista até este domingo (17). Depois, seguirá para a Pinacoteca, para os museus do Ipiranga e de Arte Contemporânea e para a Ocupação 9 de Julho, retornando para a Casa do Povo.

A exposição Manto em Movimento é uma mostra documental que refaz o percurso da artista no reencontro com os mantos de seu povo. A mostra também se interconecta com a luta pela demarcação do território Tupinambá. O manto confeccionado por Glicéria tem percorrido vários museus, mas a Casa do Povo, especialmente, preparou uma mostra completa sobre esse trabalho da artista, apresentando mapas, iconografias, textos e painéis que pode ser visitada até o dia 9 de dezembro.

A artista e ativista Glicéria Jesus da Silva, a Glicéria Tupinambá, tem pesquisado sobre essa indumentária há algum tempo. Inspirada nesse reencontro de Amotara e Aloísio com o manto, Glicéria confeccionou outros quatro, com o objetivo de reencontrar aqueles que haviam sido levados para a Europa. Sua proposta não é de uma retomada material. Seu trabalho, explica a Casa do Povo, está conectado ao direito à memória e à ancestralidade, que permite exercer o direito de reaprender e reviver uma tradição, relembrando seu modo de feitura e dos rituais que a indumentária representa.

“O primeiro manto que eu fiz foi em 2006 para homenagear os Encantados e foi doado para o Museu Nacional na exposição Os primeiros brasileiros. Depois disso, os Encantados me pediram para que eu fizesse mais três mantos. Ele foi feito com base no manto que eu tinha visto de perto, na França, e também na minha pesquisa”, explicou a artista à Agência Brasil.

“Na França, foi a primeira vez que o manto falou comigo. Naquele momento, descobri que o manto era um ancestral, uma entidade e que estava se comunicando. E ele me trazia a mensagem de que os mantos eram portados por mulheres e eram feitos por mulheres. E que eu deveria buscar isso. Então voltei para a aldeia e fui confeccionar esse manto, encontrando esses pontos e fragmentos que estavam com minhas tias-avós. Elas tramavam com o ponto do jereré. Eu consegui resgatar esse ponto e desenvolvi uma outra técnica, mas cheguei no mesmo objetivo. E aí comecei a fazer a aplicação das penas, que são coletadas dentro do território. Toda a comunidade se envolveu na feitura desse manto, que é coletiva”, lembrou Glicéria.

Para confeccionar o manto, foram necessários quatro meses e penas de vários pássaros e aves como peru, frango, canário-da-mata, gavião e guiné. E essa indumentária, destacou Glicéria, é feminina. “Ele [o manto] reforça as majés, as mulheres que têm o poder de cura e de reza, que são as parteiras e benzedeiras.”

Além do manto que está na Dinamarca, a Casa do Povo informa que há mais dez espalhados por museus europeus. Esses artefatos, produzidos entre os séculos 16 e 17, teriam sido trocados em negociações diplomáticas ou saqueados durante a colonização. No Brasil, fisicamente, não restou nenhum, mas eles resistiram na memória ancestral de seu povo.

Mais informações sobre a visitação ao projeto Manto em Movimento pode ser obtida no site da Casa do Povo ou no do Museu das Culturas Indígenas.




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena paga neste sábado prêmio acumulado de R$ 9 milhões


O concurso 2.633 da Mega-Sena, que será realizado neste sábado (16) à noite em São Paulo, paga o prêmio de R$ 9 milhões a quem acertar as seis dezenas.

O sorteio será às 20h no Espaço da Sorte, na Avenida Paulista, em São Paulo. O prêmio acumulado está estimado em R$ 9 milhões.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de hoje nas casas lotéricas credenciadas em todo o país ou pela internet, com transmissão pelas redes sociais da Caixa. O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 5.




Fonte: Agência Brasil

Pacto da ONU quer alcançar 50% de negros em posições de liderança


Pensar um modelo novo de sociedade, onde a equidade racial seja uma realidade, é um dos compromissos do Pacto Global da ONU no Brasil. A entidade, em parceria com o Movimento pela Equidade Racial e o Pacto de Promoção de Equidade Racial (Mover), assinou nesta sexta-feira (15) uma carta para debater estratégias que promovam mais diversidade racial dentro das empresas.

Tayná Leite, Gerente Sênior de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU no Brasil, explica a estratégia adotada para mitigar os efeitos da discriminação racial no ambiente corporativo é montar um movimento em que as empresas assumem uma meta de ter 50% de pessoas negras em posição de liderança até 2030. Atualmente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 29,5% dos cargos gerenciais nas companhias são ocupados por negros.

Para a ONU, o documento assinado marca um posicionamento público a favor das temáticas ligadas à representatividade, pertencimento e empoderamento da população negra. O Pacto de Promoção da Equidade Racial é formado atualmente por 55 empresas signatárias, e contempla ações afirmativas para melhorar a qualidade do ensino público brasileiro e da formação de profissionais negros.

Igualdade de Gênero

Mulheres ocupando posições de liderança e sendo propulsoras de mudanças no meio em que vivem também é um dos Movimentos adotados na agenda Ambição 2030 para alcançar as metas do Pacto Global da ONU. No Brasil, a entidade faz um convite às empresas para reconhecerem a urgência e a necessidade de promoverem ações concretas. Uma delas é a adesão ao Elas Lideram 2030, desenvolvido e liderado pela ONU Mulheres para a igualdade de gênero das Nações Unidas.

O Movimento é uma estratégia específica para promover o empoderamento feminino por meio da liderança e alcançar resultados efetivos na luta pela violência contra mulheres por mais empoderamento econômico. A Meta é ter mais de 1.500 empresas comprometidas e alavancar 11 mil mulheres para cargos de alta liderança até 2030.

A proposta está alicerçada em torno de trabalhar todas as camadas de desigualdade de gênero no ambiente de trabalho, enfrentamento à violência – inclusive assédios sexual e moral – a sobrecarga nos cuidados e a desigualdade de remuneração, por exemplo.

O Banco do Brasil é embaixador desse e de outros três movimentos dentro do Pacto Global da ONU no Brasil, todos voltados à questões relacionadas aos Direitos Humanos. São Eles o Salário Digno e Raça Prioridade.

Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, compartilhou um pouco da trajetória profissional e pessoal durante a edição deste ano da entidade. Primeira mulher a tomar posse como maior liderança dentro do Banco, ela destacou a importância de ser parte de uma empresa alinhada com os objetivos de desenvolvimento sustentável que se espera para o futuro global.

“A minha história de vida ilustra, de diversas formas, que desigualdades de raça e gênero ainda são muito existentes em nosso país e no mundo. Mas minha história como mulher negra, nordestina, mãe, homossexual, também dá pistas de como é possível transpor essas desigualdades”, diz Tarciana.

Para se atingir os objetivos do Elas Lideram 2030, será necessário que as empresas foquem nas jornadas de capacitação, com olhar voltado para o fortalecimento da formação e da oportunidade igualitária de promoção nas carreiras.

No Banco do Brasil, de acordo com Tarciana Medeiros, a preocupação é de levar essa cultura diversa para fora da porta giratória da instituição, presente em diversas comunidades em todo país. “Quando o Banco entrega para a sociedade o que já é cultura da empresa, a gente age e executa esse papel social de buscar a inclusão e a equidade também no mercado”.

*Repórter viajou a convite do Banco do Brasil.




Fonte: Agência Brasil

Encontro e Feira dos Povos do Cerrado debate a preservação do bioma


O bioma Cerrado é diverso e vai muito além das paisagens com as árvores de cascas grossas e troncos retorcidos. Nessas terras localizadas, sobretudo, na região central do Brasil, a vegetação se mistura às histórias de quem vive entre campos, chapadões, veredas e, também, no Cerrado que fica no meio de zonas urbanas. 

As vivências desta gente que luta para preservar o cerrado, suas sementes, suas águas e seus povos tradicionais estão sendo contadas no 10º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, que neste ano tem o tema Conexões de Povos, Culturas e Biomas. O evento acontece de 13 a 16 a setembro, na Torre de TV, no centro de Brasília.

Nesta sexta-feira (15), a programação teve início com rodas de conversa e oficinas que ocorreram embaixo das diversas tendas batizadas com nomes da fauna e da flora do Cerrado. Os diálogos ocorrem entre representantes do governo federal, acadêmicos, organizações da sociedade civil, ambientalistas e lideranças de comunidades moradoras do Cerrado. O público pode passar pelos espaços livremente e trocar saberes.

Água

Na mesa redonda que tratou da gestão das águas, o coordenador-geral de Revitalização de Bacias Hidrográficas e Acesso à Água do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Alexandre Resende Tofeti, destacou a necessidade de conhecer as comunidades locais e suas necessidades para trabalhar para garantir a produção e o fornecimento de água de qualidade.

“Queremos mostrar a importância do Cerrado para a infiltração da água e para alimentar os rios do cerrado. Esperamos ter essa influência, com ações do poder público, associadas ao acesso à água de qualidade e quantidade para as populações tradicionais.”

Na mesma mesa redonda, Aliene Barbosa e Silva, que é representante de comunidade tradicional de fundos e fecho de pasto de Aparecida do Oeste, no município baiano de Correntina, disse que quer chamar a atenção do MMA sobre a meta de desmatamento zero até 2030. “Na velocidade que está o desmatamento, não só no oeste da Bahia, mas, em todo o Cerrado, realmente, vamos chegar ao desmatamento zero, porque, de fato, não terá mais o que desmatar. Não vai ter sobrado nada em 2030”, disse.

O público presente repetiu em coro a frase dita pela liderança. “A gente está gritando socorro para o Ministério do Meio Ambiente para deixar o Cerrado em pé.”

Gestão financeira

Na tenda onde foi promovido o diálogo sobre a filantropia comunitária na conservação do Cerrado e da cultura dos povos, a diretora superintendente do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Cristiane Azevedo, valorizou a autonomia das comunidades para gerirem os recursos privados arrecadados por organizações da sociedade civil e empresas. “Quem está ali na lida sabe o que é preciso, que tipo de recurso é necessário, o que tem que ser feito, o que é preciso mobilizar para atender às demandas do próprio território. Então, cabe às organizações, fundos e empresas fazer com que essa parte do investimento social privado chegue a eles, para que façam o que querem e o que a comunidade necessita.”

Nesta lógica de autogestão de recursos financeiros, o gestor de Programas do Fundo Casa Socioambiental, Rodrigo Montaldi, explicou que é preciso capacitar a comunidade para isso e as organizações que apoiam projetos devem repensar as práticas. “Às vezes achamos que as comunidades não estão preparadas para gerir os recursos financeiros. Tem planilhas, tem prestação de contas, tem uma certa burocracia que muitas vezes é dita como impossíveis de as pessoas e dos grupos acessarem os recursos”. E exemplificou como é feito pela equipe que ele trabalha. “Todos os projetos que são contratados para receber um apoio passam para um programa de fortalecimento de capacidades. Nós damos oficinas de boas práticas da gestão, justamente para melhor utilizar o recurso. Ou seja, é um exercício para dar ferramentas aos coletivos, às comunidades para, também, entenderem como funciona esse plano”, explica.

No mesmo espaço que tratou de financiamentos, a representante da WWF-Brasil para desmatamento zero e conversão, Bianca Yukie Maldonado Nakamato, relatou a dificuldade de conseguir doações estrangeiras para projetos voltados à conservação do Cerrado, que, em geral, são mais focadas no bioma da Amazônia. “´É um trabalho de constantemente reforçar o papel do Cerrado, dos serviços ecossistêmicos, da manutenção dos nossos povos, dos nossos biomas, fazer a conexão com a Amazônia, com a Mata Atlântica. Porque, senão, o Cerrado cairá no esquecimento. Aqui, a gente faz ciência também, é uma ciência que é brasileira, que tem os conhecimentos e os saberes tradicionais.”

Proteção e defesa

O Instituto Cerrados trabalha com a meta de proteger 1 milhão de hectares do Cerrado até 2050. De acordo com a integrante da organização não governamental do Distrito Federal, Camila Tomaz, uma área de cerca de 66 mil hectares do Cerrado já foi preservada graças às iniciativas promovidas pela entidade. Segundo ela, neste momento, o instituto trabalha para divulgar o instrumento chamado de Servidão Ambiental, para proteção de áreas de vegetação nativa, já previsto na Política Nacional de Meio Ambiente.

Camila classifica a 10ª edição do encontro como a semana mais importante do ano para os ambientalistas do Cerrado. “É incrível essa troca e esse momento em que os visitantes podem passar em várias tendas, ouvir sobre diversos temas, trocar mais informações, fora os produtos que nós temos acesso na feira”.

Pesquisadores

No 10º encontro e Feira dos Povos do Cerrado, houve espaço também para o lançamento e distribuição do “Guia de Plantas do Cerrado para Recomposição Vegetal Nativa”, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O pesquisador Felipe Ribeiro, da unidade Embrapa Cerrados, falou sobre germinação de sementes, recuperação e restauração de ambientes, preservação permanente e transferência de tecnologias. “A preocupação é sobre como gerar conhecimento científico e colocar para a sociedade e o governo, como atingir as metas de recomposição dos 12 milhões de hectares de Cerrado até 2030. Nós estamos preocupados em fazer com que isso chegue àquele usuário que vai, definitivamente, fazer a recomposição desse cerrado, o que não é barato”.

A diretora-presidente da Associação dos Amigos das Florestas, Regina Fernandes Regina Fernandes, de Sobradinho, no Distrito Federal, destacou a importância do movimento de recomposição da vegetação nativa do Cerrado. “Os maiores desafios são três: manter a vegetação nativa que ainda existe; parar o desmatamento totalmente, porque o Cerrado já perdeu mais de 50% de sua área; e reflorestar nas áreas, principalmente, de recarga de aquíferos, porque as raízes das plantas do cerrado conduzem a água para os aquíferos”, explicou a ambientalista.

Outro espaço do encontro, focou na valorização das populações que habitam o Cerrado. A secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), Edel Nazaré, defendeu a contabilidade desses povos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para que o governo federal possa elaborar políticas públicas voltadas para as necessidades específicas de cada grupo. A secretária destacou os povos indígenas e os quilombolas.

“Nossa missão também é trazermos à visibilidade, quanto são os extrativistas, os geraizeiros [população nativa do cerrado do norte de Minas Gerais], as quebradeiras de coco babaçu. É preciso darmos visibilidade a essas identidades, a esses povos e comunidades. Assim, podemos estar com muito mais firmeza trabalhando junto na elaboração, na construção de ações e de políticas públicas.”

Guardiões do Cerrado

As diversas comunidades que se espalham no território de 2 mil quilômetros quadrados do Cerrado, em 11 estados brasileiros, estão representadas no 10º encontro nacional sobre o segundo bioma do Brasil. A indígena Elisângela Dias, da etnia Apinajé, veio do norte do Tocantins, onde vivem cerca de 4 mil indígenas, em cerca de 80 aldeias. Ela atua em uma brigada voluntária de 40 adolescentes e mulheres que combatem o fogo florestal e promovem a educação ambiental de crianças, nas escolas da região.

Brasília (DF), 15/09/2023, Elisangela Apinajé, durante o 10º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado continua até amanhã em Brasília.  Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Brasília (DF), 15/09/2023 – A indígena Elisangela Apinajé veio do norte do Tocantins. Antônio Cruz/Agência Brasil

A indígena conta que a comunidade sofre com a ocorrência de queimadas na vegetação local. No entanto, a jovem disse que vai levar experiências vividas no encontro e repassar a quem ficou no território. “Eu não tinha essa experiência igual a que o pessoal está contando aqui. Acho importante cuidarmos do Cerrado, porque é Cerrado quem cuida de nós, traz tudo para nós, que moramos na reserva Apinajé. Do Cerrado, a gente tira a madeira para fazer nossas casas. Ele também traz as frutas, a pesca, tudo.”

Já a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Bocaiúva, em Minas Gerais, Marly Duarte de Souza, ouviu o debate sobre o Programa Quintais Produtivos, fortalecido após a Marcha das Margaridas, realizada em agosto, da qual Marly também participou. A pequena agricultora entende que o programa federal colabora para a emancipação feminina. “Os quintais produtivos ajudam nos mercados locais e para a mulher, ela já terá o dinheiro. O que eu sempre digo é que a soberania da mulher passa pelo bolso. É preciso ter renda. A mulher que não tem renda, não pode dizer que é totalmente livre.”

Maria de Lourdes Souza Nascimento, líder da comunidade rural e Mocão da Onça, no norte de Minas Gerais, na cidade de Porteirinha, disse que a região é de transição entre o Cerrado e a Caatinga. Ela veio a Brasília defender a biodiversidade dos dois biomas e a economia criativa, a partir dos produtos colhidos e vendidos na cooperativa comandada por 36 famílias.

Brasília (DF), 15/09/2023, Maria de Loudes Nascimento (Agricultora), durante o 10º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado continua até amanhã em Brasília.  Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Brasília (DF), 15/09/2023 – Maria de Lourdes Nascimento defende a biodiversidade do Cerrado e da Caatinga – Antônio Cruz/Agência Brasil

“Vim aqui defender o Cerrado, não só para deixá-lo em pé e porque falam que ele é a caixa d’água do país. A importância do Cerrado e da Caatinga tem outros sentidos como a gastronomia, a venda de artesanato, do umbu, da farinha do jatobá, tem a mangaba, cagaita, coquinho azedo e por aí vai. Nós temos uma cooperativa que faz esse aproveitamento das frutas para colocar na alimentação escolar. Vamos cuidar para não acabar”.

Feira e atrações

Até este sábado (16), o 10º Encontro e Feira dos Povos do Cerrado realiza, paralelamente às rodas de conversa, oficinas culturais, de adornos e gastronômica, além de exposição fotográfica e a tradicional feira de produtos artesanais, roupas e alimentos das cadeias socioprodutivas do Cerrado.

Entre os artigos estão produtos feitos a partir de argila, madeira, sempre-viva, capim dourado, couro, madeira, biojóias de sementes e pedras naturais, farinhas, geleias e um catálogo diverso que pode ser conferido na Torre de TV, em Brasília, próxima à rodoviária.




Fonte: Agência Brasil

Pessoas com deficiência estão mais vulneráveis à desinformação


As pessoas com deficiência visual, auditiva, tátil ou com algum tipo de neurodiversidade estão muito mais vulneráveis às desinformações. O tema foi abordado nesta sexta-feira (15) durante o segundo dia do seminário Combate à Desinformação e Defesa da Democracia, promovido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A importância da acessibilidade nos meios de comunicação para que pessoas com deficiência possam se proteger da desinformação foi o tema do professor doutor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Marco Bonito.

“Como uma pessoa cega faz para verificar as informações em sites de notícias? Como uma pessoa surda, que é alfabetizada apenas em Libras, faz para checar a informação em uma agência de checagem? Ainda que em alguma medida exista algum grau de acessibilidade, a maioria não está totalmente acessível”, disse o professor, durante o painel Educação midiática, comunicação inclusiva e divulgação científica no combate à desinformação.

Apesar de existir uma legislação vigente no país sobre o tema, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, ela não é integralmente cumprida pelos meios de comunicação, segundo o professor. “Isso precisa ser encarado com mais seriedade pelos produtores de conteúdo. Há uma legislação em vigor, e o não cumprimento é um crime contra um direito humano à comunicação”, denuncia.

Ele lembra que a audiodescrição de conteúdos para pessoas cegas deveria estar presente em todos os programas de TV e plataformas. Embora a interpretação por Libras já seja um pouco mais comum, especialmente na comunicação pública, mas a audiodescrição ainda é praticamente inexistente. “Isso acontece por falta de vontade política para que a lei seja exigida, além de um lobby das grandes empresas de comunicação”, disse.

Educação midiática

A importância da educação midiática, especialmente em áreas onde são identificados os desertos de notícias, ou seja, áreas onde há escassez de informação de qualidade e não há notícias com pautas locais, foi abordada pela professora de Comunicação Social Janine Bargas. Ela contou a experiência de um jogo realizado por estudantes de jornalismo com alunos de uma escola de ensino médio em Rondon do Pará (PA). Por meio de cartas, foram abordadas informações verdadeiras e falsas que circulavam na cidade, fazendo os alunos refletirem sobre o que leva uma notícia a ser real ou mentira.

“Embora haja uma grande desconfiança dos jovens em relação à circulação de notícias falsas e perfis oportunistas, há pouca qualificação em termos de educação midiática. Não há leitura de notícias, não há checagem de fontes, tão pouco problematização da origem das informações”, destacou a professora, que hoje atua na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCA).

O processo de desmoralização das universidades federais foi o tema abordado pela professora de pós-graduação em Comunicação da UFF Thaiane Oliveira. Ela apresentou um levantamento sobre a forma como o termo “universidades públicas” é abordado nas redes sociais. “Os argumentos trazem a ideia de que a universidade é um antro de apologias. Uma desmoralização e uma construção discursiva de precariedade das universidades, sempre atreladas a uma solução muito prática: a privatização”.

Na abertura do painel, o ministro do STF Gilmar Mendes disse que a divulgação de notícias falsas é um dos males contemporâneos de nossa sociedade moderna. Segundo ele, o fato de o seminário ser realizado na sede do STF tem um valor simbólico, em virtude de o prédio da Corte ter sofrido ataques durante os atos de 8 de janeiro. “Pretenderam levar a fragilização das instituições e a desordem social, mas não conseguiram. E isso foi demonstrado nos últimos 9 meses pela força e resiliência dos três poderes da República na condução das investigações e na reconstrução de seus edifícios”, destacou o ministro.

Ao abrir o último painel do seminário, que tratou das boas práticas no combate à desinformação, o ministro do STF Edson Fachin também destacou os acontecimentos do dia 8 de janeiro, em Brasília. “Esses fatos não podem ser ignorados, assim como a sua relação com a disseminação viral de notícias inverídicas e do ataque à democracia”, alertou Fachin.




Fonte: Agência Brasil