Ex-preso volta a DOI-Codi para fazer relatos do que viveu na ditadura


Por muitos anos, Emílio Ivo Ulrich (foto de destaque) não conseguiu compartilhar em palavras a hediondez que viveu no Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), durante a ditadura iniciada com o golpe de Estado consolidado em 1964. Ele integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e teve militares em seu encalço até que foi finalmente capturado.

Radicada em Porto Alegre, sua família não fazia ideia de seu paradeiro. Seus algozes decidiram que ficaria um ano preso, tendo passagem também pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foram interrogadas e ficaram detidas figuras famosas. “E depois eu fiquei em liberdade vigiada. Eu tinha que assinar um livro na auditoria militar toda semana. Eu estava preso, só que estava na rua”, rememora.

Por diversos dias de sua vida, a visão que tinha diante de si, se não eram os soldados ou superiores com patente, era a do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, do Exército, perambulando pelo complexo do que foi, na ditadura, um endereço para o qual se confluía um sem-número de vítimas cujos direitos eram sistematicamente violados. Os acontecimentos do local agora são objeto de estudo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A VPR era composta, em sua maioria, por estudantes e ex-militares e foi um dos grupos criados -, no caso, em 1968 -, como reação à ditadura. O perfil dos membros era, em geral, de dissidentes da Política Operária (Polop) e ex-integrantes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR).

Ulrich não era comunista, mas assim se assumiu para tentar se livrar da brutalidade que golpeava sua mente e seu corpo. Estratégia de sobrevivência. “Claro que eu disse que eu era comunista. Apanhei muito por dizer que não era comunista. Depois apanhei por dizer que era. Disse isso para poder me livrar do pau-de-arara”, explica ele, que, nesse contexto de acusações falsas, processou, há oito anos, o Estado, a quem responsabilizou por danos morais, sendo um dos únicos ex-presos políticos que ganharam o processo na Justiça.

Pesquisa

O ex-preso político não pisava no DOI-Codi há anos, mas resolveu retornar ao local quando soube do projeto dos pesquisadores, finalmente colocado em prática após obterem financiamento da Unicamp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Emílio Ivo Ulrich é uma das vítimas da mais recente ditadura militar do Brasil e pretende colaborar com a iniciativa a partir de sua memória, já que os pesquisadores dependem das lembranças de quem ficou detido no DOI-Codi para conferir sentido aos objetos e vestígios que encontraram na primeira etapa do projeto.

O projeto tem, entre diversos objetivos, preservar a memória do espaço do DOI-Codi como registro da história e alerta para o futuro. Como ressalta a coordenadora do Grupo de Trabalho Memorial Doi-Codi, Deborah Neves, não se tornava alvo de perseguição somente quem estava na luta armada, “mas qualquer pessoa que contestasse as arbitrariedades de quem estava no poder”, observa.

Mulheres vítimas

Ulrich conta que, na época em que foi pego, dividia sua casa com outros dois jovens e que os militares, além de o terem levado embora, saquearam a residência. Segundo ele, esse era um hábito dos agressores, o de roubar todos os pertences das vítimas, assim como era costume que empresários da capital paulista presenteassem os militares com dinheiro, que o usavam em festas nas quais comemoravam o assassinato de adversários. Seus dois amigos também foram presos, pelo simples fato de morarem com ele. Os três mantêm contato até hoje.

O ex-preso relata ainda que na principal unidade de torturas da capital paulista as mulheres eram vítimas duas vezes. Primeiro, por serem submetidas a torturas, e, em segundo lugar, por serem, em muitos casos, também estupradas pelos militares, algo que os registros sobre esse tempo no Brasil documentam amplamente.

No caso do DOI-Codi, porém, havia uma particularidade que transformava a experiência em algo ainda mais macabro: o fato de que a esposa de Ustra, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, conversava com as presas políticas, argumentando que deveriam ter tido uma postura diferente, que se aproximasse mais do que ela acreditava ser o papel das mulheres no mundo. Esse fato, que eleva o nível de crueldade desse fragmento da ditadura, foi comentado pelos pesquisadores que conduzem o estudo de arqueologia no local, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (14).

Grupo de apoio

A principal coisa que ajudou Ulrich a desfazer o nó que o impedia de falar sobre os episódios que experimentou na ditadura foi a participação em um grupo de apoio a vítimas desse período. Ele se refere às Clínicas do Testemunho, viabilizadas pelo governo Dilma Rousseff, ex-presidenta da República que também foi presa e torturada durante a ditadura militar. “Me ajudou muito a falar sobre o assunto, porque eu não falava sobre isso, eu só chorava”, conta Ulrich, que deve lançar, no próximo mês, um livro que recupera detalhes de sua trajetória tem como título Tortura sem Fim.

“Claro que o sofrimento era muito maior naquela época, depois que eu saí. Acontece que eu sempre disse, na minha vida, que a prisão passa. Agora, a tortura não acaba nunca”.

Ulrich também escreve poemas. Um deles se chama Elogio de praça e foi escrito em dezembro de 1970:

Hoje está chovendo.

O tempo em São Paulo continua ruim.

O Major Ustra não olha para os lados.

Vai em frente.

Atravessa o pátio do Doi-Codi na Rua Tutoia.

Ereto, disciplinado e determinado.

Sobe as escadas que o levam

Até as salas superiores do prédio,

Onde vai torturar os prisioneiros políticos

Que estão sendo seviciados.

E o exército brasileiro

Não quer que existam falhas

Na execução do serviço.




Fonte: Agência Brasil

Léa Garcia deixa vasto legado e fãs em todo o país


A atriz Léa Garcia deixou um vasto legado nas artes e fãs, em todo o país, que admiram o seu trabalho. Atores, pesquisadores, artistas, autoridades prestaram homenagens à atriz que morreu nesta terça-feira (15), aos 90 anos, na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. Léa Garcia seria homenageada hoje na cidade com o troféu Oscarito, a mais tradicional honraria concedida, desde 1990, pelo Festival de Cinema de Gramado.

“O papel que Léo Garcia desempenhou na história da cultura brasileira, da cultura contemporânea, é simplesmente inominável”, diz o professor do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocencio. Ao lado de nomes como Ruth de Souza e Zezé Motta, Léa Garcia foi uma das primeiras atrizes negras da televisão brasileira.

“O que temos hoje, essa visibilidade que começa a acontecer na teledramaturgia brasileira e no cinema, isso é consequência de luta que vem de mais de 70 anos atrás”, destaca o professor.

A atriz nasceu em 11 de março de 1933 no Rio de Janeiro. Aos 16 anos, conheceu o Teatro Experimental Negro e ingressou na companhia liderada por Abdias Nascimento. Em 1952, estreou como atriz no Teatro Recreio, com o espetáculo Rapsódia Negra de Abdias Nascimento.

A lista dos trabalhos de Léa Garcia tanto no teatro quanto na televisão e no cinema é extensa e está registrada na página do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (Ipeafro). A atriz participou de filmes como Ganga Zumba e O Maior Amor do Mundo, ambos de Cacá Diegues, e Cruz e Sousa, Poeta do Desterro, de Sylvio Back. Em 1957, concorreu à Palma de Ouro, conquistando o segundo lugar no Festival de Cannes pela atuação como Serafina no filme Orfeu Negro, de Marcel Camus. Na televisão, atuou, por exemplo como Rosa em Escrava Isaura.

Assim como as obras, a lista de premiações e homenagens também é longa. Ela recebeu a medalha Pedro Ernesto da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, em 1994; a medalha da Academia Brasileira de Letras; o Golfinho de Outro do Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e o Tatu de Prata de Melhor Atriz, em 2007; além da menção honrosa no Festival de Gramado de 2008 pela atuação em Hoje tem Ragu, de Raul LaBancca; e da homenagem no Festival de Cinema do Rio Grande do Norte de 2009, pela atuação no filme Dias Amargos, de Sílvio Coutinho.

Em 2004, foi vencedora do prêmio Kikito de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado por Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, pelo qual recebeu também o prêmio de melhor atriz pelo júri popular.

Léa Garcia

A atriz Léa Garcia em Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo – Divulgação/Festival de Cinema Latino-Americano de SP

Legado

De acordo com Inocencio, foram muitos os caminhos abertos por Léa Garcia. “Importante reconhecer e valorizar essas contribuições. Hoje temos visibilidade de artistas negros como Lázaro Ramos, que é expoente da cultura nacional, e outros artistas. Isso se deve ao legado dessas pessoas, desses artistas que na década de 1940 decidiram criar um teatro negro no Brasil”, diz.

“Eu estou bem emocionada. Ela é muito preciosa para a gente. É muito preciosa para o movimento negro, é uma pedra que vai seguir sendo lapidada por todos nós porque é ela é muito grande, é muito gigante tudo que ela construiu para gente”, diz a produtora Erika Candido, da Kilomba Produções, empresa de criação e produção de conteúdos, que tem o compromisso de fomentar o mercado com profissionais negros.

Erika Candido, que tem 40 anos, tem certeza de que é fruto dos caminhos que dona Léa, como ela chama, abriu. “Assim como eu, muitas gerações de artistas negras, negros e negres que se colocaram no mundo de outra forma a partir da luta dessa mulher negra que tanto fez e tanto vai seguir fazendo porque eu acho que ela fez uma passagem, foi descansar, mas tudo que ela construiu vai seguir com a gente para a gente fazer a manutenção”, diz a produtora.

Nas redes sociais, a atriz recebeu diversas homenagens. “Eu não sei como fazer esta despedida Dona Léa. Dói. Sua vitalidade, sua força, sua jovialidade e seu talento sempre foram inspiradores. Poder trabalhar com a senhora foi um sonho alimentado por anos, e realizado com muita celebração. Obrigado por abrir caminhos para nós e por em cada aparição sua nos hipnotizar com esse olhar único e interpretações poderosas. Te honro, te celebro e te amo”, escreveu o ator Lázaro Ramos.

O cineasta Joel Zito Araújo, que era amigo e trabalhou com a atriz, escreveu: “Perdemos essa manhã uma pessoa linda, talentosa, generosa, fundamental para a cultura e as artes do Brasil, Léa Garcia. Amiga, musa, mãe artística, parceira. Tenho uma imensa gratidão por essa mulher. Perdemos ela no apogeu do seu reconhecimento artístico, que veio tarde mas veio. Ela que foi uma das duas primeiras estrelas brasileiras a ser reconhecida pelos grandes festivais internacionais, disputando o prêmio de melhor atriz em Cannes com Orfeu Negro, no final dos anos 50. Atriz fundamental do TEN. Protagonista em dois filmes meus. Enquanto o Brasil perde uma estrela de primeira grandeza, o Orum fica mais bonito”.

A atriz e apresentadora Luana Xavier estrearia uma peça com Léa Garcia, a quem chamava carinhosamente de vó. “Minha avó, eu não tô conseguindo entender. A gente tem uma peça pra estrear juntas. Você me prometeu que ainda pisaríamos em muitos palcos pelo Brasil. Estar com você em cena é às vezes esquecer de atuar só pra te admirar. E estar com você nos bastidores é rir de histórias divertidíssimas, bater texto direto porque você é muito dedicada ao seu ofício. Eu te amo absurdamente. E eu confesso que não tô sabendo como lidar. Chamar pessoas de vó mesmo, só fiz isso com minha avó paterna Ernestina, minha avó materna Chica Xavier e mais recentemente Helena Theodoro e você. Essa neta aqui vai sentir muito a sua falta. Léa Garcia é ouro. E ouro não se perde, não se desfaz. Ouro brilha infinitamente. Te amo, minha avó. Te amo eternamente”.

Pela rede social X, antigo Twitter, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou alguns dos trabalhos da atriz e prestou condolências aos familiares, amigos e fãs. “Lea Garcia foi uma grande atriz e uma pioneira no enfrentamento do racismo e na abertura de espaços para atrizes negras na televisão e no cinema. E, de forma marcante, impactou nossa cultura, ao interpretar a grande vilã Rosa no clássico Escrava Isaura e ao ser indicada ao prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes por Orfeu Negro. Ao longo de seis décadas, Lea iluminou nossas telas em mais de 70 filmes e novelas, e também teve um papel muito importante como incentivadora para seguidas gerações de artistas negros na nossa cultura. Seu legado, tão reconhecido por todos nós, receberia mais um prêmio em Gramado, onde ela estava quando faleceu, antes de receber essa homenagem. Meus sentimentos aos familiares, amigos e aos fãs de Lea”.






Fonte: Agência Brasil

SP: ViaMobilidade assina termo que prevê melhorias nas linhas 8 e 9


A ViaMobilidade assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social e do Consumidor da cidade de São Paulo que prevê a implantação de melhorias nas Linhas 8 – Diamante e Linha 9 – Esmeralda do sistema de trens metropolitanos de São Paulo para atender aos direitos e interesses de usuários e consumidores. Além disso a concessionária terá que pagar uma indenização por danos materiais e morais coletivos de R$ 150 milhões. A operação da Via Mobilidade vem sendo questionada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) devido às constantes falhas.

Segundo o TAC, parte do valor (R$ 50 milhões) será aplicada na construção de seis escolas ou centros educacionais nos municípios atendidos pelas Linhas 8 e 9 ( São Paulo, Osasco, Carapicuíba, Barueri, Itapevi e Jandira). Já R$ 97 milhões serão destinados para obras de aprimoramento da infraestrutura das Linhas 8 e 9 e para a construção do Centro Esportivo Grajaú, nas imediações da estação de mesmo nome, na Linha 9.

A fiscalização do cumprimento de todas as obrigações ficará por conta do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e dos municípios beneficiados. Caso ocorram fatos graves ou descumprimento do contrato, o MPSP e o Estado de São Paulo poderão instaurar novos procedimentos investigatórios.

A operação das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens metropolitanos de São Paulo está sob responsabilidade da Via Mobilidade desde 27 de janeiro de 2022. Segundo a concessionária, desde então já foram investidos nelas mais de R$ 2,5 bilhões dos cerca de R$ 4 bilhões previstos.

“O Contrato de Concessão contempla muitos outros investimentos obrigatórios em estações, equipamentos e trens, e o padrão do serviço se aprimorará mais a cada dia, conforme realizados. E a todos eles, em benefício do transporte metropolitano e de seus usuários, passarão a se somar os investimentos adicionais acordados com o Ministério Público do Estado de São Paulo”, diz a concessionária por nota.

Segundo a empresa, R$ 147 milhões acordados com o MPSP, serão direcionados a investimentos não previstos originalmente no Contrato de Concessão, integralmente revertidos ao patrimônio público, e os R$ 3 milhões remanescentes serão depositados no Fundo de Interesses Difusos.

“A ViaMobilidade disponibilizará canais de contato com passageiros, na forma de sites e aplicativos para smartphone, para informá-los ativamente de quaisquer intercorrências nas Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, permitindo que programem seus respectivos itinerários e tempo de deslocamento mesmo que não estejam nas dependências das Estações”, explicou.




Fonte: Agência Brasil

Ao vivo: ministro concede coletiva para esclarecer queda de energia


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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, explica os motivos do interrompimento de energia na manhã de hoje em diversos estados. 

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Fonte: Agência Brasil

Ministro concede coletiva para esclarecer queda de energia


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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, concedeu entrevista para explicar os motivos do interrompimento de energia na manhã de hoje em diversos estados. 

Notícias relacionadas:

  • Energia elétrica foi restabelecida em todas as capitais.
  • ONS confirma queda de energia em vários estados .

Em atualização 




Fonte: Agência Brasil

MME pedirá investigação da PF e da Abin sobre interrupção de energia


O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta terça-feira (15) que a interrupção no fornecimento de energia elétrica registrada pela manhã em todas as regiões do país foi um evento extremamente raro. Por isso, além das apurações internas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi solicitado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública que a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também investiguem com detalhes as causas da falta de energia.

“Tenho absoluta convicção de que o ONS, até pela sua característica técnica, não vai ter condição de dizer textualmente se esses eventos foram eminentemente técnicos, ou se houve também falha humana ou até dolo”, disse o ministro, lembrando que o setor é altamente estratégico, sensível e fundamental para a sociedade brasileira.

O governo já sabe que houve na manhã de hoje uma sobrecarga em uma linha de transmissão de energia no Ceará, o que fez com o que o sistema entrasse em colapso nas regiões Norte e Nordeste. Quando isso ocorreu, o ONS modulou a carga que estava sendo enviada para o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste, como forma de proteção, o que fez com que a energia fosse reduzida nessas regiões. Houve pelo menos 16 mil megawatts (MW) de interrupção de energia.

Segundo o ministro, o ONS ainda irá avaliar se houve outro evento no mesmo horário, em outro local do país. “O único evento que se pode afirmar é esse no Ceará. Ainda não há outro evento apontado pelo ONS, mas leva-se a presumir que tivemos um segundo evento que causou esse evento dessa magnitude”, disse. Silveira pontuou que o país trabalha com um sistema de energia redundante e, para que tenha havido uma interrupção dessa magnitude, devem ter ocorrido dois eventos ao mesmo tempo. Alexandre Silveira citou os casos de ataques a torres de transmissão de energia registrados em janeiro deste ano.

“Graças à robustez do nosso sistema, para que haja um evento dessa magnitude, há de se haver uma redundância de fatos relevantes”, disse. A previsão é que, em 48 horas, o ONS aponte o que fez com que o sistema tivesse tido essa interrupção.

Segundo o MME, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a energia voltou cerca de uma hora depois da interrupção e, no Norte e no Nordeste, o fornecimento foi completamente restabelecido às 14h49.

O ministro explicou que o ocorrido hoje não tem nada a ver com o suprimento e a segurança energética do Brasil. “Vivemos um momento de abundância nos reservatórios”, destacou Silveira, lembrando que recentemente o Brasil exportou energia para a Argentina quando os reservatórios de Itaipu e Furnas estavam vertendo água.

A queda de energia atingiu 25 estados e o Distrito Federal. O único estado que não foi afetado foi Roraima, que não é integrado ao Sistema Interligado Nacional. Cerca de 27 milhões de pessoas foram atingidas, o que representa um terço dos consumidores brasileiros.

Durante a entrevista coletiva, o ministro fez críticas à privatização da Eletrobras, que detém a maior parte da geração e transmissão no Brasil. “Eu seria leviano em apontar que há uma causa direta [desse evento] com a privatização da Eletrobras. Mas a minha posição sempre foi a de que um setor como este deve ter uma mão firme do Estado brasileiro, como saúde, segurança e educação”, disse.

Matéria ampliada às 18h28




Fonte: Agência Brasil

Flamenguista acusado de matar palmeirense vira réu


A Justiça de São Paulo tornou réu o torcedor do Flamengo Jonathan Messias Santos da Silva, de 33 anos, acusado de matar com uma garrafada a torcedora do Palmeiras Gabriela Anelli, de 23 anos. De acordo com o Tribunal de Justiça paulista, a denúncia do Ministério Público (MP) foi aceita ontem (14) e decretada a prisão preventiva do réu. Ele estava preso provisoriamente desde 25 de julho.

Jonathan é acusado de ter arremessado uma garrafa de vidro contra torcedores do Palmeiras, na área externa do estádio do time paulista, o Allianz Parque, antes do jogo contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, em 8 de julho.

Estilhaços atingiram o pescoço de Gabriela, que foi hospitalizada e passou por cirurgia, mas não resistiu e morreu dois dias depois. A partir de uma investigação minuciosa de imagens de câmeras da região, e de testemunhas, a polícia disse ter concluído que Jonathan é a pessoa que aparece jogando a garrafa em direção aos torcedores do Palmeiras. Detalhes como a roupa usada por Jonathan, a barba e até o som da garrafa quebrando foram decisivos na perícia.

Jonathan Messias, que é professor e atuava como diretor-adjunto de uma escola municipal no Rio, foi preso em casa. Ele não tem antecedentes criminais.

Em nota, o advogado de defesa de Messias, José Victor Moraes Barros, disse que seu cliente se declara inocente, e que já ingressou com um pedido de habeas corpus contra a decisão da prisão preventiva.

O advogado ressaltou que irá apresentar resposta à acusação do MP. “Após a citação do meu cliente, vamos apresentar a resposta à acusação, onde iremos arrolar as testemunhas, bem como apresentar o laudo da nossa perícia técnica, além de pedir a nomeação dos peritos técnicos.”




Fonte: Agência Brasil

Homem acusado de matar torcedora do Palmeiras vira réu


A Justiça de São Paulo tornou réu o torcedor do Flamengo Jonathan Messias Santos da Silva, de 33 anos, acusado de matar com uma garrafada a torcedora do Palmeiras Gabriela Anelli, de 23 anos. De acordo com o Tribunal de Justiça paulista, a denúncia do Ministério Público (MP) foi aceita ontem (14) e decretada a prisão preventiva do réu. Ele estava preso provisoriamente desde 25 de julho.

Jonathan é acusado de ter arremessado uma garrafa de vidro contra torcedores do Palmeiras, na área externa do estádio do time paulista, o Allianz Parque, antes do jogo contra o Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, em 8 de julho.

Estilhaços atingiram o pescoço de Gabriela, que foi hospitalizada e passou por cirurgia, mas não resistiu e morreu dois dias depois. A partir de uma investigação minuciosa de imagens de câmeras da região, e de testemunhas, a polícia disse ter concluído que Jonathan é a pessoa que aparece jogando a garrafa em direção aos torcedores do Palmeiras. Detalhes como a roupa usada por Jonathan, a barba e até o som da garrafa quebrando foram decisivos na perícia.

Jonathan Messias, que é professor e atuava como diretor-adjunto de uma escola municipal no Rio, foi preso em casa. Ele não tem antecedentes criminais.

Em nota, o advogado de defesa de Messias, José Victor Moraes Barros, disse que seu cliente se declara inocente, e que já ingressou com um pedido de habeas corpus contra a decisão da prisão preventiva.

O advogado ressaltou que irá apresentar resposta à acusação do MP. “Após a citação do meu cliente, vamos apresentar a resposta à acusação, onde iremos arrolar as testemunhas, bem como apresentar o laudo da nossa perícia técnica, além de pedir a nomeação dos peritos técnicos.”




Fonte: Agência Brasil

Fotógrafo diz ter visto tropas perto do Palácio do Planalto invadido


Convocado a depor à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro na condição de testemunha, o fotojornalista da agência Reuters, Adriano Machado, disse, hoje (15), que ao chegar à Esplanada dos Ministérios para registrar a invasão dos edifícios-sede dos Três Poderes, passou por um grupo de agentes da Força Nacional de Segurança Pública concentrado no estacionamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“Vários colegas [jornalistas] estavam cobrindo as manifestações. Por volta de 14h40, um deles me ligou e informou que as pessoas tinham rompido o bloqueio [policial montado] próximo ao Congresso Nacional. Por volta das 15h15, estacionei meu carro no estacionamento do anexo do Ministério da Justiça”, contou Machado aos membros da CPMI.

“Quando passei pelo estacionamento [do ministério], vi que tinha uma força de segurança próxima ao [prédio do]”, acrescentou o fotojornalista, alegando não ter certeza de ter fotografado os policiais.

Em meio a uma sessão sem mais novidades, com parlamentares se alongando nas perguntas muito além do tempo gasto pelo depoente para responder eventuais dúvidas dos membros da comissão, o comentário sobre a presença de um efetivo policial especializado parado próximo ao Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e da sede do Supremo Tribunal Federal (STF) despertou o interesse dos parlamentares da oposição ao atual governo federal.

“De tudo o que ele [Machado] disse hoje, dois pontos merecem destaque. O primeiro é que a Força Nacional de Segurança Pública estava no estacionamento do Ministério da Justiça, ao que tudo indica sem agir. Parados”, avaliou o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), destacando, ainda, a aparente facilidade com que os vândalos e golpistas invadiram os prédios públicos, destruindo o patrimônio público.

“E o depoente também disse que, no dia 8, a imprensa monitorava o que podia acontecer desde a manhã. Ou seja, todos sabiam o que podia acontecer, menos o [então comandante-interino da Polícia Militar] coronel Klepter Rosa, que estava no comando e deixou os policiais militares [responsáveis pelo policiamento ostensivo na Esplanada dos Ministérios] em casa”, acrescentou Barros.

O senador Espiridião Amin (PP-SC) avaliou que o depoimento de Machado reforça a tese de que os responsáveis pela segurança pública foram omissos. “O senhor [com seu depoimento] nos ajuda a demonstrar a grande, a escandalosa omissão de quem é pago para gerir a segurança na Esplanada dos Ministérios e reduziu a segurança [dos prédios dos Três Poderes], apesar dos inúmeros avisos”, comentou Amin. “Nenhuma fotografia sua, nenhuma das fotos já vistas, mostra alguém confrontando, prendendo um visitante ou invasor no Palácio do Planalto, mas o senhor diz ter visto um efetivo [da Força Nacional]. Dizem que eram 250 homens. É a notícia que se tem. Que a Força Nacional teria mobilizado 250 homens [que ficaram] ali, [parados] no Ministério da Justiça.”

Consultado pela reportagem, o Ministério da Justiça ainda não se manifestou nem sobre a declaração de Machado, nem sobre os comentários de parlamentares da oposição.

Ainda durante seu depoimento, o fotojornalista afirmou que não conhecia nenhuma das pessoas que fotografou no interior do Palácio do Planalto. Machado contou que, quando chegou à Esplanada, um grupo de pessoas já tinha entrado no edifício sede do Poder Executivo. Apesar do clima “bastante agressivo” e de ter sido intimidado várias vezes, Machado decidiu entrar no palácio para fotografar o que acontecia do lado de dentro.

“Identifiquei uma situação muito relevante para eu fotografar, pois era algo que eu nunca tinha visto em mais de 20 anos cobrindo [jornalisticamente] a Esplanada dos Ministérios”, afirmou o fotojornalista.

“O clima era hostil e instável. Ao perceberem minha presença, me cercaram e questionaram o que eu estava fazendo ali. Identifiquei-me expliquei que sou fotojornalista. Naquele momento, me esquivei e só pensava em sair dali. Estava nervoso, tenso, por ter sido tão duramente repreendido. Não conhecia nenhuma daquelas pessoas. Até hoje eu não saberia dizer seus nomes e quem são. Quando eu estava próximo à porta de saída, um deles me abordou e exigiu que eu deletasse as fotos daquele acontecimento. Após confirmar que eu tinha cumprido a exigência, uma das pessoas me cumprimentou, como pode ser visto nas imagens que circularam na imprensa. Naquele momento, eu não tinha como deixar de retribuir o cumprimento. Até por temer pela minha segurança”, detalhou Machado, assegurando que, no vídeo em que aparece conversando com um dos invasores, ele está deletando “três ou quatro fotos” para se desembaraçar do interlocutor.




Fonte: Agência Brasil

Energia elétrica foi restabelecida em todas as capitais


O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que 6 horas depois do início da interrupção de energia em grande parte do país, a maior parte dos 16 mil megawatts (MW) que haviam sido interrompidos por volta das 8h30 da manhã desta terça-feira (15) já foi restabelecida. De acordo com a ONS, ao todo foram recompostos 13,5 MW, até as 12h25.

As regiões Norte e Nordeste são as que ainda não estão com toda a carga recomposta, com 55% e 81% respectivamente. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a carga foi recomposta integralmente, assim como em todas as capitais.

Segundo o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, a resposta do Ministério de Minas e Energia foi rápida e efetiva. “Eu fiquei sabendo logo em seguida, às 8h30 da manhã, e as providências foram tomadas rapidamente”, disse.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que estava no Paraguai em agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está retornando ao Brasil para acompanhar de perto, na sala de situação, a recomposição da carga de energia do país.

Alexandre Silveira vai detalhar o andamento da apuração sobre o problema e o trabalho de restabelecimento dos serviços, em entrevista marcada para a tarde desta terça-feira, no Ministério de Minas e Energia.




Fonte: Agência Brasil