Na periferia do DF, biblioteca comunitária reúne 10 mil obras e sonhos


O livro em uma mão e a bola na outra. Para André, de 9 anos, a tela do celular não atrai como a história ilustrada de Romeu e Julieta. Ele achou a história desse tal de William Shakespeare até criativa. E o suficiente para deixar a tela pequena de lado. “No celular, é tudo sempre igual. O livro é sempre diferente”, diz o garoto, morador da região administrativa de São Sebastião, a 35 quilômetros do centro de Brasília. 

Ele é um dos leitores assíduos da Biblioteca Comunitária do Bosque, uma iniciativa de um casal formado por um ex-vigilante aposentado, Sebastião José Borges, de 52 anos, e de uma dona de casa, Dilma Mendes, de 58 anos, apaixonados por literatura.

Bibliotecas comunitárias como a deles podem vir a ser contempladas por uma iniciativa do Ministério da Cultura, que lançou, no dia 17 deste mês, o edital do Prêmio Pontos de Leitura 2023. Segundo o edital, serão destinados R$ 9 milhões para premiar 300 bibliotecas comunitárias por suas ações de promoção da leitura e da literatura com o valor bruto de R$ 30 mil para cada

Brasília(DF), 25/08/2023 - Sebastião Borges e Dilma Mendes criadores da Biblioteca do Bosque, em São Sebastião (DF). Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Brasília (DF) – Sebastião Borges e Dilma Mendes são criadores da Biblioteca do Bosque, em São Sebastião (DF) – Wilson Dias/Agência Brasil

Nessa biblioteca em São Sebastião, o acervo é de mais de 10 mil livros. Todos chegaram por doação. Eles não esperavam que a ideia gerada em 2004 e que tomou forma no ano seguinte tomasse forma de realidade. Inconformados com a falta de ponto de cultura e diversão no lugar em que moravam, passaram a movimentar a vizinhança. Primeiro, com a prática de esportes.

Depois, viram que o livro poderia mexer com a comunidade. Pouco a pouco, a sala da biblioteca na frente da casa deles foi sendo tomada por estantes e obras que faziam as pessoas viajar, assim como sempre fizeram com Sebastião, o ex-vigilante fascinado por Guimarães Rosa e as agruras de Grande Sertão: Veredas. “Gosto da história do povo sertanejo”, diz.

A biblioteca era para funcionar “somente” de segunda a sexta-feira. Mas a batida no portão é de domingo a domingo.

“Nosso trabalho é muito simples. Nós nos sentimos vitoriosos quando alguém diz que deixou de lado os celulares e os computadores porque estão empolgados com os livros”.

Empolgada, aliás, é uma palavra utilizada pela aposentada Lucivalda Lopes, de 54 anos de idade, quando fala dos romances de ficção que leva a tiracolo por onde vai. “Não assisto mais novelas. Meu negócio é o romance. Me perco até no horário”. Agora, a tentativa dela é fazer com que o filho e os netos a acompanhem nessa mania. “Venho todos os dias na biblioteca comunitária”.

Brasília(DF), 25/08/2023 - Lucivalda Alves frequentadora da Biblioteca do Bosque, em São Sebastião (DF).Foto:Wilson Dias/Agência Brasil

Brasília (DF) – Lucivalda Alves é frequentadora da Biblioteca do Bosque, em São Sebastião (DF) – Wilson Dias/Agência Brasil

Ocorre que a biblioteca para a comunidade ganhou um significado até maior do que a reunião dos livros. O ponto de cultura promove na rua feira literária, festas culturais, ações de solidariedade que deixaram o lugar famoso na região, que é um dos mais carentes do Distrito Federal.

Mobilização

Para o diretor de livro, leitura, literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Jéferson Assumção, pela função que as bibliotecas exercem, é necessário apoio, como o do edital lançado neste mês. “Significa reconhecer a importância dessa mobilização que é para colocar o livro naqueles lugares que, muitas vezes, não têm equipamentos culturais, têm uma mobilização”.

Ele identifica que a biblioteca comunitária é capaz de estabelecer relações de formas autônomas. “Atua na promoção da diversidade e também no combate à desigualdade. Isso é algo muito importante. Existem bibliotecas comunitárias no Brasil inteiro e a criatividade do brasileiro é muito grande”.

Contra desinformação

Ele concorda que a comunidade passa a se organizar em volta desse lugar, que é um ponto de cultura e excede até a própria figura do livro.

“A gente está lendo um livro e está nos instrumentalizando cada vez mais para ler a complexidade do mundo”.

As bibliotecas comunitárias, no entender dele, têm esse papel de servir como um espaço que congrega as pessoas. “São fundamentais para compreendermos um mundo cada vez mais fragmentado, cheio de ruído e de desinformação que inundam a sociedade”.




Fonte: Agência Brasil

Bibliotecas comunitárias buscam ecoar diversidade e formar leitores


Nas cidades mais populosas do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, as bibliotecas comunitárias são espaços com histórias tão singulares que poderiam ser contadas em obras como aqueles livros que estão enfileirados nas estantes. A busca por diversidade e pela formação de novos leitores vai também além dos livros. Esses espaços são pontos de vida, de páginas viradas e de transformações que surgem a partir de sonhos individuais e comunitários.  

Em São Paulo, a Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino fica na convergência de ruas em que a numeração das casas se embaralha, uma esquina do bairro Jardim Olinda, na zona sul de São Paulo. Djeanne identificava-se como mulher negra de pele clara, mas não sentia acolhimento no convívio com outras pessoas, nem negras, nem brancas. Ela tirou a própria vida em julho de 2014. Apesar de não ter sentido pertencimento de um modo geral, na biblioteca que frequentava, ela encontrou aceitação e carinho das crianças que adorava.

São Paulo SP 25/08/2023   - Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino na Zona Sul da cidade. Mediadora de Leitura. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino, na zona sul da cidade de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Saraus

Até assumir a forma que tem hoje, a Biblioteca Djeanne Firmino passou por uma série de transformações. Tudo começou por iniciativa do poeta Robinson Padial, mais conhecido como Binho, que já teve um bar e organizou, com o apoio da família, saraus e a bicicloteca, um projeto em que leva livros em uma bicicleta para emprestar, doar ou receber. Dos saraus, surgiu a biblioteca, em 2009, primeiramente na favela da Chapena, na zona sul paulistana.

Depois, o mesmo espaço virou Brechoteca, uma mistura de biblioteca com brechó. Com a venda de itens diversos, inclusive eletrodomésticos, as estantes eram alimentadas com mais livros. Quem estava à frente da biblioteca popular era a coletiva “Achadouras de Histórias”, que decidiu honrar a memória de Djeanne, frequentadora do local, emprestando seu nome ao espaço.

Recentemente a equipe conseguiu fazer a catalogação dos livros por cores, para facilitar o sistema para “quem ainda não é leitor”. O acervo vai preenchendo os cômodos da casa, vindos de vários lugares: por doações de vizinhos e editoras; pela Rede LiteraSampa, que abrange 18 bibliotecas comunitárias de São Paulo, Guarulhos, Mauá e Santo André; e por meio de editais, além da parceria com o Consulado da Alemanha.

Os exemplares que chegam em mau estado também são aproveitados. Eles são levados para a reciclagem e geram recursos para a compra de outros livros.

São Paulo SP 25/08/2023   - Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino na Zona Sul da cidade. Mediadora de Leitura. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino, na zona sul da cidade de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Espaço de trocas

Um grupo que frequenta regularmente a Biblioteca Djeanne Firmino é a “família K”, como são carinhosamente conhecidos os irmãos que têm nomes com a inicial K. “Eles sempre ficaram brincando na rua até tarde da noite. Abre a biblioteca, e eles já vêm para cá. Teve grande importância a biblioteca na vida deles, que estavam sempre na rua, procurando coisas para fazer. Teve um período em que estavam todos os dias aqui, saíam às oito da noite”, conta a pedagoga Vânia Duarte, medidora de leitura do espaço.

Para ela, foi uma descoberta e tanto perceber que as bibliotecas poderiam ser um local de intercâmbios de conhecimento e percepções sobre questões sociais, e não um em que se deve manter silêncio, rigorosamente.

No lar onde Vânia cresceu, não havia o hábito da leitura. O pai conseguiu a proeza de concluir o ensino superior aos 72 anos. Ela iniciou o curso de Relações Internacionais, e não terminou por conta de uma gravidez. Foi apenas em 2020 que ela se formou em Pedagogia, graduação feita com a ajuda do Programa Universidade Para Todos (Prouni).

Hoje, a correria da rotina dita o ritmo e impede Vânia de achar brechas para sustentar assiduidade na leitura. Quando tem um tempo, contudo, gosta de poesia, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector.

“Eu tenho uma lembrança muito legal do ensino fundamental: a professora de português. Ela pegou um livro, um romance, e lia toda semana. A gente já ficava na expectativa de saber qual era o final daquele livro. Era a professora Edna, uma japonesa. Isso me marcou bastante”, revela a mediadora, evidenciando que, para cativar cada leitor em potencial, é necessário um chamariz diferente.

São Paulo SP 25/08/2023   - Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino na Zona Sul da cidade. Mediadora de Leitura. Na foto: Mediadora de Leitura  Vania Duarte (esq) e Coordenadora de Projetos Alessandra Leite (dir). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino, na zona Sul da cidade de São Paulo. Na foto: mediadora de Leitura Vânia Duarte (esq) e a coordenadora de projetos, Alessandra Leite (dir). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Justiça social

“Aqui, nosso carro-chefe é a justiça social”, destaca a geógrafa Alessandra Leite, coordenadora de projetos da biblioteca. Ela aponta que o espaço dá muita ênfase à literatura infantil e às obras de grupos racializados, como negros, indígenas e amarelos.

“A gente nunca chega com a literatura crua. Nunca”, destaca a coordenadora, sentada diante de um quadro com palavras como desigualdade e raça. Ela defende que, ao se apresentar uma obra, se faça a conexão com contextos sociais.

Alessandra é de família baiana e de baixa escolaridade e diz que foi uma de suas avós quem mostrou a ela a importância da leitura, ainda que atrelada a uma ideia de livros mais técnicos e ao estudo formal. “Ela dizia: ‘Estuda para ser alguém’. Dava um valor [à leitura] que ela não conhecia no corpo, mas sabia que, perante a sociedade, tinha um valor. Então, ela sempre me estimulou muito a estudar, mesmo sem saber o que isso significava. Deu muito apoio”, conta.

“Quando eu saí da Bahia, aos 5 anos de idade, uma tia que me trouxe disse: ‘Olha, a sua avó está te levando para São Paulo para você estudar’. Eu brinco que escrevi isso na pedra. Essa foi minha missão de vida aqui. A leitura sempre ficou nesse lugar.”

Identificação

Ainda em São Paulo, mas na zona leste da capital, a equipe de reportagem da Agência Brasil confirmou que estava em frente à Biblioteca Comunitária Assata Shakur, na Vila Formosa, pela fileira de personalidades negras na fachada da garagem da casa.

À frente do espaço, um casal de jovens, Tatiane Ribeiro, de 27 anos, e Kairu Kijani, de 26 anos. A iniciativa de abrir a biblioteca, em 2019, como um braço do movimento negro, deu certo. O projeto teve sucesso e se expandiu, a ponto de abrirem turmas de balé infantil em outro local, no bairro Cidade Tiradentes, na Rua Faustino Lopes.

São Paulo (SP), 25/08/2023 - Biblioteca Comunitária Assata Shakur, idealizada por Tatiane Ribeiro e Kairu Kijani, em Vila Formosa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Biblioteca Comunitária Assata Shakur, idealizada por Tatiane Ribeiro e Kairu Kijani, em Vila Formosa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Os dois já se conheciam por terem se engajado nas lutas da população negra. Até que, certo dia, organizaram um encontro do grupo que participavam, mas o local escolhido cancelou de última hora, deixando todos na mão. Eles conseguiram manter a agenda em outro espaço, mas foi aí que eles perceberam que precisavam de um endereço próprio, que iria assimilar muito do que sabiam sobre modelos de educação popular.

O caminho que os livros percorrem até as prateleiras da Biblioteca Comunitária Assata Shakur difere do feito pelas obras da Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino. Na zona leste, embora grande parte seja de doações, outras origens importantes são a Festa do Livro da Universidade de São Paulo (USP), que ocorre anualmente com generosos descontos, e o garimpo em sebos físicos e virtuais.

Entre as doações, destaca Tatiane, está uma que ocupa posição especial no acervo: um caderno do militante negro Henrique Cunha. A jovem conta que ela e o companheiro visitaram a casa onde Cunha vivia, a convite da família dele, que depois deixou sob a guarda da biblioteca o caderno. “Se eles estão doando, é porque estão confiando na gente”, afirma Tatiane.

Não é somente a doação dos escritos de Henrique Cunha que simboliza a confiança que muitos do movimento negro têm depositado na biblioteca. Segundo Tatiane, diversas pessoas aparecem, volta e meia, buscando algum livro específico, acreditando que lá irão encontrá-lo.

Kairu Kijani, que se formou em Pedagogia, relata que virou motivo de orgulho para sua professora da disciplina de Sociologia, que visitou a biblioteca. Perguntados, Kijani e Tatiane, sobre o porquê de escolherem batizar o local com o nome de uma das pioneiras do feminismo negro, que se exilou em Cuba, eles argumetam: “Primeiro, porque ela está viva”.

“A Assata tem um discurso em que ela fala que Os Panteras [Negras] estavam lendo o livro vermelho, várias teorias, mas sabiam pouca coisa sobre a África. Aí, ela cita autores negros e pensei: ‘Poxa, é uma realidade que a gente tem aqui também’. No coletivo de rap, a gente lia, primeiro, [Karl] Marx, e tinha poucos autores negros. A gente pode até falar em epistemicídio, porque tem esse apagamento de referências negras. E ela era uma militante, tinha a questão da educação. Começou a militância muito jovem, o que tem muito a ver com a gente”, adiciona Tatiane.

Sobre quem os influenciou a levar adiante o costume de ler, Tatiane e Kijani compartilham outra matriz em comum: o movimento hip hop. Para ambos, foram as letras de rap que abriram as capas dos livros. No caso de Tatiane, a atenção sempre se voltou a grupos de MC’s com integrantes mulheres, como o RZO e Atitude Feminina, e ao protagonismo feminino em carreira solo, como Stefanie MC.

O que ficou, para ela, foi o gosto por autores como a sergipana Beatriz Nascimento, a carioca Thereza Santos e a estadunidense Angela Davis. Kijani prefere outra linha, como a do Quilombo Urbano, grupo do Maranhão, e a d’O Levante.

No Rio de Janeiro, acessibilidade

Na capital fluminense funciona a Biblioteca Comunitária Arlindo Pinho, mantida e administrada por um grupo de oito voluntários ligados ao Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais (Ceppes). Criada em 1985, a biblioteca conta atualmente com um acervo de aproximadamente cinco mil obras.

Um dos administradores, o professor de história Antonio Cícero Sousa explica que a biblioteca nasceu com um acervo voltado para ciências sociais, mas, ao longo dos anos, foi ampliando o leque de assuntos e hoje conta, inclusive, com livros infantis, além de publicações em braile e audiolivros, para atender frequentadores cegos ou com baixa visão.

Antonio Cícero avalia que a biblioteca comunitária funciona como um complemento às instituições públicas, principalmente em regiões sem a presença de outros meios de oferecer de graça à população o acesso a livros. Segundo ele, estudantes são a maior parte dos frequentadores da Arlindo Pinho, que fica no bairro da Praça da Bandeira, zona norte do Rio.

Rio de Janeiro (RJ), 25/08/2023 - O professor Antônio Cícero coordena a biblioteca comunitária Arlindo Pinho, na Praça da Bandeira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O professor Antônio Cícero coordena a biblioteca comunitária Arlindo Pinho, na Praça da Bandeira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“O interesse é grande. Eles conseguem ter acesso a livros que, às vezes, na escola, na biblioteca da universidade eles não têm, então eles vêm aqui. Essa região tem muitas escolas, universidades e é bastante frequentada por estudantes. Por exemplo, eles vêm pesquisar o material de um autor que estão usando no trabalho de conclusão de curso”, contou à Agência Brasil, acrescentando que também organiza rodas de leituras em escolas e faculdades.

A estudante de pedagogia Daiana dos Santos é uma das mais assíduas. Ela considera que o equipamento cultural é uma forma popular de acesso aos livros e de criação e incentivo do hábito da leitura.

“Melhora o vocabulário, abre caminhos. A pessoa pode decidir o que quer ser no futuro por meio de uma leitura”, pontua. “Eu tenho esse hábito, de buscar novos caminhos, novas visões. Só vai enriquecer a minha bagagem pedagógica”, acrescenta.

Rio de Janeiro (RJ), 25/08/2023 - A estudante de pedagogia Daiana dos Santos frequenta a biblioteca comunitária Arlindo Pinho, na Praça da Bandeira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A estudante de pedagogia Daiana dos Santos frequenta a biblioteca comunitária Arlindo Pinho, na Praça da Bandeira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Daiana conta que, além de agregar conhecimento para si, passa adiante o valor dos livros, incentivando o filho: “Pela leitura, ele pode conhecer outras coisas e sentir prazer em estar lendo, não somente quando precisa estudar”.

O professor Antonio Cícero explica que a biblioteca comunitária – que não faz nenhuma cobrança financeira aos frequentadores – depende do trabalho de voluntários que usam brechas de tempo livre, inclusive em fins de semana, noites e feriados, para manter o acervo. Além disso, contam com o apoio de projetos de financiamento para renovar o acervo e os equipamentos.

“A gente fica pesquisando, consultando sites para descobrir editais de apoio voltados para bibliotecas comunitárias”, relata. Ele conta que é difícil renovar os equipamentos. “Comprar um computador novo, uma internet de melhor qualidade, porque hoje a gente tem que estar trabalhando nessas duas dimensões, o livro impresso e o digital”, conclui.

Justamente pela dificuldade em obter mais itens para o acervo, os administradores da biblioteca disponibilizam um email para contato e intermediação de doações: [email protected]

A meninada na Ceilândia

Em Brasília, a Biblioteca Roedores de Livros atrai a criançada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceilândia (a maior região administrativa do Distrito Federal e com maior número de crianças e adolescentes).

Segundo o diretor de administração do projeto, Adriano José Afonso, de 51 anos, a iniciativa teve início há 17 anos pela ideia e sentimentos da professora Ana Paula Bernardes e um grupo de amigos que formaram um coletivo de projeto de leitura voltado para crianças.

Ceilândia (DF) - Biblioteca Roedores de Livros atrai a criançada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceilândia. Foto: Marcelo Magalhães/Divulgação

Ceilândia (DF) – Biblioteca Roedores de Livros atrai a criançada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceilândia. Foto: Marcelo Magalhães/Divulgação

Nada de silêncio

A proposta surgiu da dificuldade que ela ouvia de colegas professores de fazer com que as crianças tivessem prazer com a leitura. “Uma das principais atividades da biblioteca comunitária é a de mediação de leitura, que é o ato de ler junto com as crianças e com os adolescentes”.

Até as crianças que ainda estão em período de alfabetização já participam das atividades. A biblioteca tem um acervo de mais de 5 mil livros de literatura infantil e juvenil. “Nós premiamos os leitores que se destacam como os mais assíduos nas participações das atividades, seja em mediação de leitura ou mesmo oficinas de arte”, conta Afonso. A criançada pinta e desenha a partir do que a leitura proporciona.

E os temas são escolhidos a dedo: direitos humanos, diversidade, cultura antirracista, afrobrasileira, indígena. “Não é uma biblioteca que se pede silêncio às crianças”.

Ceilândia (DF) - Biblioteca Roedores de Livros atrai a criançada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceilândia. Foto: Marcelo Magalhães/Divulgação

Ceilândia (DF) – Biblioteca Roedores de Livros atrai a criançada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceilândia. Foto: Marcelo Magalhães/Divulgação

Tapete na grama

A biblioteca chegou a não ter uma sala para desenvolver os projetos e acondicionar os livros, que antes ficavam em uma creche na Ceilândia. “A alternativa foi estender um tapete na grama debaixo de um pinheiro para evitar o incômodo de se sentar diretamente no chão”, relembra o diretor do projeto.

Essa tradição de estender o tapete se mantém na sede da biblioteca no shopping popular da Ceilândia. “Todos ficam descalços no tapete com almofadas”. A simbologia virou livro infantil assinado por Tino Freitas e Ana Paula Bernardes, intitulado O Tapete Vermelho. O tapete segue estendido para a criançada viajar por muitos mundos a cada vez que um livro se abre.






Fonte: Agência Brasil

SP Ocean Week 2023 chama atenção para conhecimento dos mares


Ao longo de cinco dias, a partir desta quarta-feira (30), o Memorial da América Latina, na capital paulista, recebe a quarta edição do SP Ocean Week 2023, evento anual em celebração à cultura oceânica, e que neste ano traz uma programação consistente e diversa de atividades multidisciplinares para ampliar o conhecimento sobre os mares e sua preservação. Com programação totalmente gratuita, serão painéis, exposições, espetáculos, mostra de cinema, workshops e encontros com ONGs, ambientalistas e personalidades decisivas para a conservação dos oceanos.

A abertura será no Auditório Simon Bolívar, às 19h30, e contará com um talk show com uma hora e meia de duração, reunindo os navegadores David Schurmann e Aleixo Belov, a surfista de ondas gigantes Maya Gabeira, e Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil. Com transmissão online, David e Maya dividirão suas experiências com o velejador de 80 anos Aleixo Belov, um ucraniano radicado na Bahia.

Além das rodas de conversa, haverá apresentações musicais com repertório em exaltação à Iemanjá, divindade do candomblé cultuada como Rainha do Mar, e o orixá mais popular do Brasil, de grande influência na literatura e na música do país, terão a participação da cantora Teresa Cristina. O espetáculo também contará com a apresentação do Coral da USP, das cantoras Grazzi Brasil e Adriana Moreira e de um grupo de candomblé.

Outra atividade do encontro será o Cais do Porto, com estandes de ONGs de conservação marinha e institutos de pesquisa; oficinas com atividades experimentais orientadas por especialistas de diversas áreas; o Palco Mar Aberto, espaço de apresentações artísticas, contação de histórias, palestras e oficinas; um espaço dedicado a sessões de autógrafos e bate-papo com autores de títulos consagrados com temas ligados ao mar; exposições de fotografia, conquiliologia (área da zoologia que estuda conchas e moluscos) e a exposição Barcos do Brasil, com maquetes de barcos artesanais do acervo do Museu Nacional do Mar de São Francisco do Sul. O espaço também sediará a Marina Shop, loja de souvenirs, com camisetas e canecas customizadas, livros, miniaturas e objetos náuticos em geral.

No estúdio da Sala dos Espelhos, haverá uma série de encontros, o Gente do Mar, que reunirá grandes personalidades do mergulho, da vela, do remo, da náutica e do surf. No mesmo local, haverá o painel Ideias Azuis, um ciclo de conversas com renomados especialistas, que apontarão caminhos para atingir as metas da Década do Oceano e do ODS 14, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável – Vida na Água, que pretende entregar um oceano saudável, seguro, produtivo e sustentável para as futuras gerações.

“São cinco dias de atividades das mais variadas para celebrar, informar e engajar as pessoas na causa dos oceanos e para os visitantes entrarem em contato com muito do que está sendo feito no Brasil em defesa da biodiversidade marinha e defesa dos oceanos. Entre os temas dos painéis estão cultura oceânica, geração azul. Os painéis discutindo soluções e caminhos para o futuro sustentável do oceano e para a formação dessa cultura oceânica”, disse um dos organizadores do evento, Alfredo Nastari.

Segundo Nastari, a discussão sobre o futuro dos mares é importante para o país porque a questão dos oceanos é inadiável porque o mar está “cansado”, já que é o principal ecossistema do planeta, onde a humanidade decidirá seu futuro como espécie. “A questão de aquecimento global, mudanças climáticas, passa principalmente pelos oceanos. E nós estamos vivendo uma situação crítica e precisamos de iniciativas e pesquisas para tentar reverter essa situação crítica. A SP Ocean Week se insere nesse contexto. Ela é uma ação de divulgação sobre os oceanos, de conscientização e celebração”, explicou.

Década do Oceano

Os oceanos ocupam 70% do planeta Terra e são inestimáveis para o equilíbrio ambiental do planeta, porque distribuem temperaturas ao redor do globo, produzem mais de 50% do oxigênio que respiramos, provém proteína, por meio da pesca, para ao menos um bilhão de pessoas no mundo; são a grande via de comércio marítimo e uma fonte primordial de riquezas minerais, como o petróleo. Além disso, a biodiversidade dos oceanos também é fonte de princípios ativos para medicamentos, para a indústria de cosméticos e matérias-primas diversas.

Por isso, a Assembleia Geral da ONU nomeou a década de 2021-2030 como a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica Para o Desenvolvimento Sustentável, como um período para que o engajamento da humanidade na reversão desse cenário.

“O braço para se executar a Década do Oceano é a Unesco. No bojo dessas questões, colocou-se também como objetivo a difusão da cultura oceânica, chamada de ocean literacy (letramento oceânico), e a criação de uma geração azul. Tudo o que fazemos, direta e indiretamente, acaba no mar, e ele devolve isso de forma malcriada, com eventos extremos”, disse Nastari.

A SP Ocean Week 2023 vai até o dia 3 de setembro. Para conferir a programação completa, basta acessar o site do evento. Também é possível acompanhar o Instagram para atualizações.




Fonte: Agência Brasil

Ninguém acerta seis dezenas e Mega-Sena pode pagar R$ 37 milhões  


Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2625 da Mega-Sena, realizado neste sábado (26). Foram sorteados os números: 09-10-35-44-55-58. Sem vencedores, o prêmio principal estimado para o próximo sorteio é de R$ 37 milhões.   

Ao todo, 47 apostas acertaram a quina e vão ganhar R$ 66.823,09. Outros 3.624 bilhetes fizeram quatro dezenas e vão receber R$ 1.238,04.

Na última semana, a Mega-Sena passou a ter três sorteios semanais, às terças e quintas-feiras e sábados. A aposta mínima, de seis dezenas, custa R$ 5. As apostas podem ser feitas por pessoas maiores de 18 anos nas lotéricas de todo o país, pelo portal Loterias Caixa.

Ganha quem acertar seis, cinco ou quatro números sorteados, dentre os 60 disponíveis no volante de apostas.




Fonte: Agência Brasil

Projeto vai reintroduzir guarás-vermelhos no Rio de Janeiro


Uma vistosa ave de coloração vermelha, que chama a atenção por sua beleza e que possivelmente desapareceu do Rio de Janeiro, o guará-vermelho (Eudocimus ruber) voltará a ser vista, em breve, voando pelos manguezais do estado. Um projeto do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) prevê a reintrodução de bandos da espécie no estado.

A previsão é que os animais sejam introduzidos na Reserva Biológica de Guaratiba, na zona oeste da capital fluminense, no início do ano que vem. O bairro onde fica a reserva, aliás, deve seu nome à ave que, há anos, não é mais avistada por ali. Guaratiba, na língua tupi, significa “ajuntamento de guarás”.

“Esse projeto deve começar no início do próximo ano. Por causa desse estado de emergência por conta da influenza viária, a gente postergou um pouquinho o início dele. Ela tem uma coloração vermelha porque se alimenta de caranguejos. É uma espécie que é carismática pela sua beleza e tem uma função ecológica também”, afirma o gerente de Fauna do Inea, Marcelo Cupello.

Na última lista de fauna ameaçada do Rio, publicada em 1998, a ave aparecia como “criticamente em perigo” de extinção. Mas, segundo Cupello, a ave, que vive em bandos, está provavelmente extinta no estado.

Segundo ele, o último avistamento de bandos da espécie no estado do Rio foi feito em 1952, na Baía de Guanabara. Depois disso, foram feitos apenas registros isolados em 1985, em Sepetiba, e em 1996, em Guaratiba.

“Esses animais virão de zoológicos e criatórios conservacionistas, ou seja, provenientes de cativeiro, mas também teremos alguns vindos da natureza. A ideia é soltar em torno de 80 animais. Eles vão ser acompanhados e monitorados ao longo do período do projeto”, explica.

As solturas serão feitas em grupos, que, antes de serem liberados na reserva de Guaratiba, passarão por um período de adaptação. “Será uma soltura branda. Eles ficarão aclimatando dentro de um viveiro e vão se adaptar com o ambiente. A ideia é que a colônia comece a prosperar, a se reproduzir e a gente conseguir ter uma população em Guaratiba. Esses animais acabam migrando, então podem ir para outros lugares do Rio também”.

Nova lista

Cupello afirmou que a Secretaria Estadual do Ambiente e o Inea estão preparando uma atualização da lista de espécies de animais ameaçados de extinção no estado. A autorização para iniciar o levantamento da fauna estadual e seu status de conservação no território fluminense foi recebida pela Secretaria este mês.

A lista atual foi produzida há 15 anos, por uma equipe da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e mostrou a existência de 257 espécies em risco de desaparecer da natureza no estado.

Segundo Marcelo Cupello, a ideia é que a nova lista seja concluída em até dois anos. “Dentro desse projeto, está sendo previsto também fomentar treinamentos e equipamentos para as unidades de conservação estaduais e municipais, para que a gente comece a gerar dados e não tenha uma perda de informação. A ideia é que a gente consiga atualizar essa lista em um tempo menor”, explicou Cupelo.

As listas de ameaça da fauna servem, entre outras coisas, para direcionar ações de conservação para as espécies com maior risco. “A gente vai poder se planejar e gerar políticas que possam trabalhar na conservação prioritária dessas espécies”, disse.




Fonte: Agência Brasil

Hoje é Dia: combate ao fumo e 100 anos de Emilinha Borba são destaques


Esta semana, que começa em agosto e se encerra já em setembro, tem um dia importante para o combate ao tabagismo. Em 29 de agosto, é o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Esta matéria do Revista Brasil de 2022 conta a origem da data, uma lei de 1986. Na ocasião, um oncologista falou sobre os males do vício: 

O 29 de agosto também é marcado pelo Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, uma oportunidade para destacar a importância da igualdade de gênero e a valorização das vivências lésbicas, bem como para lutar contra a discriminação e o preconceito. Em 2017, a data foi celebrada pelo programa Estação Plural, da TV Brasil. Confira: 

Dois dias antes, em 27 de agosto, é o Dia Nacional do Psicólogo. A ocasião serve para reconhecer e valorizar o trabalho essencial dos profissionais que se dedicam a entender e cuidar da saúde mental, oferecendo apoio e orientação em tempos de desafios emocionais. O Tarde Nacional também abordou a data em 2021. Confira entrevista:

Edu Lobo e Emilinha Borba

No âmbito artístico, o mês de agosto também celebra o nascimento de talentos musicais. Em 29 de agosto, comemora-se o octogésimo aniversário de Edu Lobo, cantor, compositor, arranjador e instrumentista fluminense que contribuiu significativamente para a música brasileira. Neste ano, ele deu uma entrevista ao Antena MEC, que pode ser ouvida abaixo: 

No dia 31 de agosto, homenageamos o centenário de Emília Savana da Silva Borba, mais conhecida como Emilinha Borba, uma das rainhas da Era de Ouro do Rádio. Com carreira consolidada na Rádio Nacional do Rio, ela teve uma entrevista dada à TVE-RJ na década de 1980 exibida no programa Recordar É TV em 2020. 

Dentro da EBC e já em setembro, temos duas datas marcantes. No dia 1º, o programa esportivo No Mundo da Bola, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, completa 76 anos de sua estreia, no longínquo ano de 1947. Esta matéria do Portal EBC de 2013 (que falava sobre a atração voltar a ser ao vivo), relembrou edições dos anos 1940 do programa. 

No mesmo dia, comemoramos a inauguração da Rádio Nacional da Amazônia. Fundada em 1977, a emissora foi tema de uma matéria da Radioagência Nacional feita no ano passado e que pode ser ouvida abaixo:

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

27 de Agosto à 2 de Setembro de 2023

27

Dia Nacional do Psicólogo

28

Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade (60 anos) – movimento político de grande proporção em que Martin Luther King, um de seus organizadores, proferiu a famosa frase “I have a dream!”, “eu tenho um sonho!”

Fundação da Central Única de Trabalhadores – CUT (40 anos)

29

Nascimento do cantor, compositor, arranjador e instrumentista fluminense Eduardo de Góes Lobo, o Edu Lobo (80 anos)

Nascimento do cantor, compositor, dançarino, produtor, empresário, arranjador vocal, filantropo, pacifista e ativista estadunidense Michael Jackson (65 anos)

Nascimento da ensaísta, tradutora e crítica de teatro fluminense Heliodora Carneiro de Mendonça, a Bárbara Heliodora (100 anos)

Chacina na favela Vigário Geral, que culminou na execução de 21 moradores (30 anos)

Licenciamento do primeiro automóvel do Brasil, no Rio de Janeiro, como propriedade de Francisco Leite de Bittencourt Sampaio (120 anos

Dia Nacional de Combate ao Fumo – comemoração do Brasil, que foi instituída pela Lei No 7.488 de 11 de junho de 1986

Dia Nacional da Visibilidade Lésbica – foi instituída no Brasil pelo 1o SENALE (Seminário Nacional de Lésbicas), ocorrido em 1996 na cidade do Rio de Janeiro

Dia Mundial Contra Testes Nucleares – data reconhecida pela ONU em dezembro de 2009

30

Morte da cantora paulista Isaurinha Garcia (30 anos) – no fim da década de 1940, já era uma cantora de expressão nacional, que recebia convites para se apresentar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro no programa César de Alencar e na boate do Hotel Copacabana Palace

Dia Internacional das Nações Unidas para as Vítimas de Desaparecimentos Forçados – comemoração instituída pela Assembléia Geral das Nações Unidas na Resolução No 65/209 de 21 de dezembro de 2010, que já era celebrada desde 1981 na América Latina e Caribe, contando também com o apoio de conceituadas entidades internacionais de ajudas humanitárias em todo o mundo

31

Nascimento da cantora de samba, marcha e choro carioca Emília Savana da Silva Borba, a Emilinha Borba (100 anos) – uma das mais populares cantoras brasileiras e uma das estrelas da Rádio Nacional

1

Terremoto na região de Kanto, no Japão (100 anos)

Lançamento do programa esportivo “No mundo da bola”, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro (76 anos)

Inauguração da Rádio Nacional da Amazônia (46 anos)

2

Nascimento do compositor e saxofonista estadunidense John Zorn (70 anos)

Nascimento do químico e filósofo alemão Friedrich Wilhelm Ostwald (170 anos) – considerado o pai da físico-química, recebeu o Nobel de Química de 1909, por seu trabalho sobre catálise

O deputado Márcio Moreira Alves discursa contra o governo militar no plenário da Câmara (55 anos) – o discurso e a recusa do plenário em cassar o deputado são considerados estopins para a publicação do AI-5

Dia do Repórter Fotográfico – comemoração extraoficial de brasileiros, que aparece listada em vários calendários brasileiros de datas festivas, e que conta com o apoio de várias entidades representativas da categoria, como por exemplo, a Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio de Janeiro




Fonte: Agência Brasil

Megaestrutura e mau tempo esperam público para show em Copacabana


Os 100 anos do hotel Copacabana Palace serão celebrados na noite deste sábado (26) com um show que contará com uma estrutura semelhante à do Réveillon da praia mais famosa do Rio de Janeiro. A expectativa da prefeitura e dos organizadores é de mais de 1 milhão de pessoas compareçam à apresentação gratuita do DJ Alok em frente ao hotel, mas a chuva e o frio registrados durante todo o dia na cidade podem reduzir esse número.

O evento está marcado para acontecer a partir das 18h e foi batizado de Show do Século, em referência ao centenário do hotel, que foi inaugurado em 13 de agosto de 1923.

A megaoperação preparada pela prefeitura contará com mais de 2 mil agentes de ordenamento urbano, fiscalização, assistência social e limpeza, “em um planejamento semelhante ao realizado anualmente para a festa do réveillon”, compara a administração municipal.

Após uma semana de calor fora de época, o Rio de Janeiro teve uma queda drástica de temperatura neste sábado. A previsão é de que a chuva fraca a moderada que começou nas primeiras horas da manhã de hoje continue até amanhã, e a temperatura mínima prevista para a cidade era de 16 graus Celsius (°C), com máxima de 24 °C. Há expectativa também de vento moderado a forte, o que pode aumentar a sensação de frio na areia da praia, onde o palco foi montado.

Trânsito

Por conta da grande movimentação esperada, o bairro de Copacabana terá vias interditadas até 1h de domingo (27). A Avenida Atlântica ficará fechada nos dois sentidos, da Avenida Princesa Isabel à Rua Francisco Otaviano, e todas as transversais do bairro ficarão fechadas entre a Nossa Senhora de Copacabana e a Avenida Atlântica.

A forma recomendada para chegar e sair do show é o metrô. A concessionária MetrôRio estenderá o horário de funcionamento das estações Cardeal Arcoverde/Copacabana, Siqueira Campos/Copacabana e Cantagalo/Copacabana até 1h da manhã. As demais estações ficarão abertas após a meia-noite apenas para desembarque do público do show.

O evento promete reunir recursos tecnológicos no palco, incluindo um show de luzes, drones e uma imensa pirâmide de LED. Baterias de escolas de samba do Rio de Janeiro também devem se apresentar, além de outras atrações que têm sido mantidas em sigilo.

O esquema de segurança para o público vai mobilizar 1,2 mil policiais militares ao longo do fim de semana. A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e a Guarda Municipal do Rio (GM-Rio) também vão atuar em ações de ordenamento, fiscalização de ambulantes e no ordenamento do trânsito no entorno do evento. Cerca de 700 agentes foram escalados para trabalhar entre sexta e domingo em Copacabana.




Fonte: Agência Brasil

Favela do Moinho faz festa para lembrar dez anos da derrubada de muro


A Favela do Moinho, na região central paulistana, celebra neste sábado (26) os dez anos da derrubada do muro que cercava a comunidade. A barreira, segundo laudo do Corpo de Bombeiros emitido à época, dificultava a evacuação do local em caso de incêndio. Diante das dificuldades em conseguir que a prefeitura removesse o muro, os moradores resolveram por tudo abaixo por conta própria.

“A gente conseguiu todos os laudos, os alvarás, para derrubada do muro. E a gente mostrou que o poder não fazia e a gente podia fazer”, relembra a líder comunitária Alessandra Moja, que vive há 30 anos na comunidade. “A comunidade viu que a força está no povo, não está no poder”, enfatiza sobre como a ação reforçou o senso de união das famílias que vivem na favela.

À época, o moinho tinha passado por grandes incêndios que haviam destruído centenas de residências. Em 2011, 1,2 mil pessoas ficaram desabrigadas devido ao fogo e duas pessoas morreram. No ano seguinte, em 2012, pelo menos uma morte foi registrada e mais 300 pessoas perderam suas casas.

Assim, em 2013, a comunidade resolveu liberar a marretadas as rotas de fuga da favela. “Desde então, retomamos a metade do terreno que nos foi usurpado, centenas de famílias construíram seus lares, fizemos um cine clube, capinamos e assentamos as vielas por onde nossas crianças correm e brincam”, diz o chamado para a festa de comemoração da ação.

Resistência

Além de enfrentar os incêndios, as famílias do Moinho vêm, ao longo dos anos, resistindo às tentativas do Poder Público de desocupar a área. Em 2017, a prefeitura de São Paulo chegou a acusar a comunidade de fornecer drogas para a Cracolândia, aglomeração de pessoas em situação de rua que usam drogas, a cerca de 2 quilômetros do local. O projeto anunciado na ocasião, no entanto, não teve continuidade.

Nem mesmo a possibilidade de ser atendida por um programa habitacional faria Alessandra deixar o lugar onde criou a filha, que hoje tem 25 anos. “Um apartamento não paga uma história de 30 anos”, resume a recicladora sobre os sentimentos que têm em relação à comunidade.

Cinema e música

Para contar essa trajetória será exibido o documentário Muro da Vergonha, do coletivo Fabcine. Artistas da comunidade também farão apresentações a partir das 17h deste sábado.




Fonte: Agência Brasil

Anitta, Gil, D2 e outros artistas celebram legado de MC Marcinho


A morte do cantor e compositor MC Marcinho, aos 45 anos, foi lamentada por artistas e autoridades neste sábado (26), que destacaram a importância de seu trabalho para a música brasileira. Marcinho estava internado no hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro há cerca de dois meses e, após piora, teve falência múltipla dos órgãos.

Conhecido como príncipe do funk, Marcinho é um dos principais nomes do funk melody, gênero com letras românticas e batida mais lenta. O cantor fez grande sucesso desde o fim da década de 1990, e sua música mais conhecida é Glamurosa.

A cantora Tati Quebra-Barraco, uma das precursoras da participação de mulheres no funk, declarou seu carinho por Marcinho nas redes sociais e lamentou passar por um segundo luto em menos de um mês, referindo-se à morte de MC Katia.

O DJ Malboro, também consagrado no funk carioca, lembrou quando trabalhavam juntos e como a voz marcante de Marcinho imprimiu sua identidade nos hits que gravou:

“Se quiser falar de amor, fale com o Marcinho. Voz única, inconfundível, tipo de artista que o radialista não precisava anunciar quem cantava ao final de tocar sua música, era automático as pessoas ouvirem sua voz e já dizer Mc Marcinho”.

Popularização do funk

Potente divulgadora do funk carioca e brasileiro no exterior, a cantora Anitta também homenageou MC Marcinho e sua importância para o crescimento da popularidade do gênero musical.

A cantora Valesca Popozuda agradeceu a MC Marcinho pela amizade e desejou que o legado do príncipe do funk seja eterno.

“O príncipe do funk precisou descansar. Tanta gente que fez história no funk partindo, que o legado do MC Marcinho seja eterno. Ele descansou porque lutou muito. Meus pêsames a sua família, amigos e fãs!! Esse fez história”.

Perda imensa

As homenagens vieram também de grandes nomes da música que não são do funk, mas reconhecem o destaque que MC Marcinho teve para a cultura brasileira. Gilberto Gil destacou que sua morte é uma perda imensa para a música negra brasileira.

“Uma perda imensa para o mundo do funk e da música negra brasileira. MC Marcinho foi um pioneiro que influenciou gerações e enriqueceu a nossa cultura. Nossos sentimentos à família e aos fãs”, diz texto assinado por sua equipe.

Já o rapper Marcelo D2 destacou que Marcinho marcou época e se tornou um pilar do funk carioca e da música brasileira.

Príncipe do funk

O governo do Estado do Rio de Janeiro divulgou uma nota de pesar pela morte de MC Marcinho, ressaltando que o cantor “embalou diversas fases da vida de muitos com suas canções, foi inspiração para outros funkeiros, abriu portas, contagiou com sua alegria e levou a cultura da favela para o mundo”.

“Suas letras, que não saíam da boca do povo, o consagraram como: Príncipe do funk. Título mais que justo, para quem foi um dos precursores do estilo no Brasil. Uma grande perda para todos nós. Obrigado por todo talento e por ter se tornado um ícone da cultura fluminense. Que Deus fortaleça todos os familiares, fãs e amigos”, diz a nota assinada pelo governador, Cláudio Castro.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, classificou Marcinho como um dos maiores nomes do funk carioca. “Foi um pioneiro que conquistou o Rio e todo o Brasil com sua arte. Meus sentimentos aos fãs e que Deus conforte o coração dos familiares!”






Fonte: Agência Brasil

Aeroporto de Congonhas cancela voos após alarme falso de sequestro


O Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, teve 16 cancelamentos de decolagens e aterrissagens nesta manhã de sábado (26). Os problemas ocorrem após o fechamento do aeroporto por uma hora na noite de sexta-feira (25), diante uma comunicação equivocada que indicava o sequestro de um avião que vinha de Recife.

Outros dois voos enfrentam atrasos de aproximadamente 3 horas, segundo as informações divulgadas pelo painel da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

“A torre de controle do aeroporto recebeu mensagem equivocada da cabine da aeronave, com código que trata de apoderamento ilícito. Diante dessa situação, a aeronave após o pouso foi direcionada para posição de intervenção”, diz a nota da Infraero sobre o incidente que fez com que as operações em Congonhas fossem interrompidas entre as 20h49 e 21h49, seguindo os protocolos de segurança.

O erro foi identificado pela Polícia Federal, que foi acionada para apurar a situação.




Fonte: Agência Brasil