Diálogo é importante para segurança das crianças na internet


Com os desdobramentos da Operação Dark Room – que prendeu acusados de utilizar o aplicativo Discord para a prática de crimes relacionados a violência sexual e psicológica, como estupro e estímulo à automutilação e ao suicídio –, a questão da segurança de crianças e adolescente na internet voltou a ganhar destaque.

Segundo a psicóloga e diretora da Organização não Governamental (ONG) Safernet, Juliana Cunha, é um grande desafio para as famílias mediar a relação dos filhos com a tecnologia. Ela pondera que alguns pais preferem ter mais controle com algum programa que monitore a navegação dos filhos pela internet. “As próprias redes sociais oferecem ferramentas de controle parental”, lembra.

“Outros pais adotam a abordagem de dar mais autonomia e liberdade para os filhos para construir confiança. Esses pais adotam o diálogo o que também é importante. Mas não adianta a gente usar as ferramentas de controle e não ter o diálogo, e também deixar só no diálogo e não ter algum tipo de acompanhamento dos filhos na internet”, diz Juliana.

Para a psicóloga, o diálogo é fundamental para preparar as crianças a responder aos riscos. “As famílias também precisam conversar sobre sexualidade. É importante entender que a adolescência é o momento de florescimento da sexualidade. Os pais precisam lidar com isso e muitas vezes não estão preparados para ver os filhos crescerem. É um grande obstáculo os filhos terem medo de conversar com os pais por temerem ser punidos com a retirada do celular”.

A diretora da Safernet destaca que a escola pode ser uma importante aliada para as famílias que ficam perdidas nesse trabalho de mediação parental dos filhos com a internet e pode ser esse espaço de conscientizar as famílias para os problemas.

O delegado responsável pela Operação Dark Room no Rio, Luiz Henrique Marques, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima, ressalta que os pais precisam observar eventual mudança de comportamento, porque os filhos podem ser vítimas mas também abusadores.

“O quarto do seu filho é um ambiente com portas abertas para o mundo. Dali, com a internet, você tem acesso a tudo de bom que a internet trouxe, mas a tudo de ruim que também se apresenta ali. A investigação mostrou que os menores de idade não podem ter acesso livre à internet, têm que ser monitorados. Também é preciso conversar muito com seus filhos”, diz o delegado.

Ele destaca que, na Operação Dark Room, abusadores e vítimas têm 15 e 16 anos e que a maioria dos pais não sabia que seu filho era abusador ou vítima.




Fonte: Agência Brasil

Evento Salve Malandro movimenta Gamboa neste domingo


O projeto Velhos Malandros promove neste domingo (16), em parceria com o Instituto Pretos Novos e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira, o evento gratuito Uma Aventura Afro Diaspórica Salve Malandro! na Gamboa, região portuária do Rio de Janeiro. 

A programação, que começa às 10h, inclui uma feira de afro empreendedorismo com o Quilombo Aquilah, tambor de crioula com o coletivo Três Marias, carimbó com André Nascimento e o grupo Os Encantados. O encerramento é com o Pagode do Nadai, que recebe grandes nomes do samba e valoriza a ancestralidade negra. Para as crianças, a atração é o Cine Clube Periférico, atividade com arte-educadores e feira de gastronomia.

Além disso, o Instituto Pretos Novo oferece o Circuito Histórico de Herança Africana, que é gratuito. O passeio é uma viagem pelo processo da diáspora africana e da formação da sociedade brasileira, na região portuária. Saindo do Largo da Prainha, o circuito passa por locais como a Pedra do Sal e o Cais do Valongo, terminando no Cemitério dos Pretos Novos.

O projeto Velhos Malandros, idealizado pelo jornalista e sambista Alexandre Nadai e contemplado pelo edital Fomento à Cultura Carioca , da prefeitura do Rio de Janeiro, surgiu como uma proposta de revitalização e resgate da história do samba.

Segundo Nadai, o projeto, criado em 2011, é uma homenagem aos grandes mestres do samba, que tem como padrinhos Noca da Portela, Zé Luiz do Império Serrano e Eliane Faria. A iniciativa “contribui para a criação de uma consciência de preservação do patrimônio histórico e cultural brasileiro, em defesa dos bens culturais que envolvem as matrizes do samba, com a participação de artistas e representantes de comunidades afro-brasileiras”, disse Nadai.

Surgido no Teatro Odisseia, na Lapa, o Velhos Malandros passou pelo Centro Cultural Cartola e fincou raízes na Praça da Harmonia, na Gamboa, em 2012, valorizando o samba e sua ancestralidade, dentro do circuito de Herança Africana.

*Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara 




Fonte: Agência Brasil

Exposição reúne em SP ilustradores negros da literatura infantil


A exposição Karingana, no Sesc Bom Retiro, no centro da capital paulista, reúne a arte de 47 ilustradores negros de diversas regiões do país. Mais de cem trabalhos voltados para a literatura infantil estarão expostos a partir de hoje (15) até 28 de fevereiro de 2024.

São Paulo (SP)  Exposição reúne em SP ilustradores negros da literatura infantil. Zeka Cintra, ORANYAM E A GRANDE PESCARIA.  ILUSTRADOR POR ZEKA CINTRA,

Ilustração de Zeka Cintra, Oranyam e a Grande Pescaria  – Divulgação

A mostra está instalada no segundo andar do edifício e busca oferecer ao público uma imersão no universo lúdico infantil, com a celebração das culturas afro-brasileiras e reflexões sobre negritude, ancestralidade e antirracismo.

“Se olharmos para a história da literatura infantil brasileira, a gente sabe que personagens negros eram estereotipados ou invisibilizados. E essa é a relevância talvez dessa exposição: quando a ilustração negra está presente ela traz outra perspectiva, outro olhar para os personagens, vendo boniteza e beleza nessa história e nesses corpos que habitam esse livro”, destaca a curadora Ananda Luz.

A montagem do espaço e a própria disposição das obras compõem um mosaico de diferentes técnicas, linguagens e significados, que parte do ponto de vista da própria criança.

“É um reconto de mundo. Quando estou ilustrando, o foco é trazer uma nova visão de como o mundo pode ser construído, mais afrocentrada. Eu acho que a força está em trazer essa ancestralidade do reconto; e nas crianças poderem ter uma outra visão de mundo que não das visões ocidentais”, ressalta um dos ilustradores da mostra Rodrigo Andrade.

São Paulo (SP)Exposição reúne em SP ilustradores negros da literatura infantil.  ILUSTRADO POR RUBEM FILHO.

Ilustração por Rubem Filho, em exposição no Sesc Bom Retiro, em SP – Divulgação

A mostra coletiva também oferece oficinas, bate-papos, contação de histórias e atividades que promovem a interação entre crianças e adultos, baseadas na educação antirracista.

O Sesc Bom Retiro fica na Alameda Nothmann, 185. A visitação vai até 28 de janeiro de 2024, de terça a sexta, das 9h às 20h (exceto 21 de novembro); sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h. O ingresso é gratuito.

Colaborou Guilherme Jeronymo, da TV Brasil.




Fonte: Agência Brasil

Alexandre de Moraes é hostilizado na Itália e políticos reagem


O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, usaram as redes sociais neste sábado (15) para condenar a agressão sofrida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em um aeroporto, em Roma. Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa, o magistrado foi hostilizado na capital italiana e seu filho chegou a ser agredido com um soco no rosto.

“Até quando essa gente extremista vai agredir agentes públicos, em locais públicos, mesmo quando acompanhados de suas famílias? Comportamento criminoso de quem acha que pode fazer qualquer coisa por ter dinheiro no bolso. Querem ser ‘elite’ mas não tem a educação mais elementar”, criticou Dino em sua conta no Twitter.

Pacheco usou a mesma plataforma para condenar o ato. Ele considerou “inaceitável” a agressão sofrida pelo magistrado e sua família e afirmou que tal comportamento distancia do país do progresso.

“Mais do que criminoso e aviltante às pessoas, às instituições e à democracia, esse tipo de comportamento mina o caminho que se visa construir de um país de progresso, civilizado e pacífico”, disse Pacheco.

“Todos os lados precisam colaborar para que o antagonismo fique no campo das ideias e das ações legítimas. Se a Nação, ainda dividida, não é capaz de substituir o ódio pelo amor, que o faça ao menos pelo respeito”, acrescentou o senador.

Vários outros parlamentares se manifestaram. As deputadas Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) estão entre eles. “O ato é fruto do ódio e da ignorância desses que sempre alimentaram um projeto autoritário, antidemocrático e violento para o nosso país”, disse Jandira.

“Os agressores já foram identificados e inquérito instaurado pela Polícia Federal. Que paguem no rigor da Lei. Nossa solidariedade ao ministro e família”, acrescentou.

Já o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é autor de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que atribui ao STF a competência para julgar ações antidemocráticas, afirmou que tentará votar o texto em agosto.

“A agressão de ogros contra Alexandre de Moraes mostra que é hora de punir os crimes de ódio, alguns já tipificados. Vamos enquadrar a intolerância política, como propus no ‘pacote da Democracia’. Vou procurar o relator Veneziano do Rego e o Presidente para votarmos em agosto”.




Fonte: Agência Brasil

Congresso da UNE chega à reta final com definição de propostas de ação


Às vésperas do encerramento do 59º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), lideranças do movimento estudantil ouvidas pela Agência Brasil reafirmaram a importância do evento, que classificam como “o maior encontro político da juventude brasileira”.

“Acreditamos que, este ano, o congresso tem sido vitorioso. Seja pela programação política que contou com convidadas e convidados como o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, seja pela forte presença institucional, incluindo a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, disse a presidente da UNE, a amazonense Bruna Brelaz, lembrando que a última vez que um chefe do Poder Executivo brasileiro compareceu ao evento foi em 2009, quando o próprio Lula prestigiou o encontro.

Segundo a UNE, cerca de 10 mil estudantes de todo o país estão em Brasília, desde a última quarta-feira (12) para o encontro. Após uma extensa agenda de debates, atividades culturais e atos políticos – a exemplo do protesto de sexta-feira (14), em frente ao Banco Central, alvo de críticas por manter alta a taxa básicas de juros – os estudantes participam, hoje (15) e amanhã (16), da plenária em que serão votadas as principais propostas de ação da entidade.

Neste domingo, também serão escolhidas a futura presidência e diretoria da entidade para os próximos dois anos.

“Temos dividido nossa pauta entre as demandas que consideramos emergenciais e aquelas estruturantes”, explicou Bruna Brelaz, destacando que o congresso entrou hoje em sua fase “mais bonita”.

“É o momento de maior mobilização, o mais tensionado, já que há diferentes opiniões e expectativas, o que representa a diversidade do movimento estudantil do país e a capacidade da UNE de representar esta multiplicidade.”

Para o gaúcho Tiago Morbach, da União da Juventude Socialista (UJS), a presença de tantos estudantes de diferentes regiões do país confirma a capilaridade da UNE, que completa 86 anos este ano.

“O congresso cumpre um papel muito importante, transmitindo uma mensagem do movimento estudantil, da juventude brasileira, que está mobilizada para construir as transformações de que o Brasil precisa neste novo momento político”, disse Morbach, reforçando a opinião de Bruna Brelaz sobre a diversidade de propostas e a intensidade dos debates.

“É durante a plenária final do congresso que aflora a democracia que caracteriza a UNE. A quantidade de opiniões deve ser vista com otimismo e respeito”.

Já a vice-presidente da UNE, a carioca Júlia Aguiar, ressaltou os desafios que a entidade e o movimento estudantil como um todo enfrentaram ao longo dos últimos anos para dimensionar a importância do atual congresso.

“Devido à pandemia, fomos impedidos de realizar o encontro presencialmente por quatro anos. Mesmo assim, não só voltamos a organizar um evento gigante, como construímos o processo de escolha da futura diretoria. Tudo isso é de fundamental importância para a renovação do movimento estudantil. Muitos estudantes estão participando de seu primeiro encontro em um contexto político que nós, que defendemos uma educação mais inclusiva e democrática, consideramos melhor. Até porque, no último período, obtivemos uma vitória fundamental: a derrota do neofascismo e do bolsonarismo. Ainda que saibamos que a extrema-direita siga organizada”, comentou Júlia, que integra o Levante Popular da Juventude, próximo ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a outras organizações sociais do campo.

Prioridades

Ao comparecer ao Congresso da UNE, o presidente Lula recebeu de representantes do movimento um documento com algumas das principais reivindicações estudantis para os próximos anos. Nas palavras do presidente, a pauta é “longa, árdua e apimentada”.

Segundo a presidente da entidade, Bruna Brelaz, as propostas – incluindo algumas que seguem em debate – estão divididas entre as consideradas emergenciais (como a transformação do Programa Nacional de Assistência Estudantil em lei nacional) e as estruturantes (a exemplo da criação da Universidade da Integração da Amazônia, com investimentos massivos em ciência e tecnologia). Além disso, durante a plenária, cada entidade defende as ações que considera prioritárias, conforme explicou Tiago Morbach.

“Nós, da UJS, por exemplo, buscamos que seja aprovada a proposição de uma reforma universitária que permita às instituições de ensino assumir um novo papel no desenvolvimento nacional, participando ativamente do enfrentamento à fome e à miséria. E que a UNE intensifique seu papel de mobilizadora social”, disse Morbach antes de comentar a reação presidencial ao documento preliminar:

“Eu, de fato, considero a pauta que entregamos ao Lula como, digamos, bem temperada. Ficamos muito felizes por o presidente ter reconhecido isso, pois pretendemos abrir um canal de diálogos com o governo a fim de que as reivindicações dos estudantes sejam levadas adiante. Não esperamos que elas sejam tiradas do papel sem que os estudantes estejam mobilizados e pressionando os governos, o Congresso Nacional e até mesmo o Banco Central”.

Já Júlia Aguiar elencou algumas das pautas defendidas pelo Levante Popular da Juventude no congresso:

“Nossa expectativa é de que, além de seguir mobilizando os estudantes em todo o país, possamos barrar retrocessos. Que revoguemos a Reforma do Ensino Médio e consigamos imprimir, na atual gestão federal, um projeto de educação que leve em consideração o fruto de nossos debates, fortalecendo as entidades de estudantes, que foram muito fragilizadas no último período”.




Fonte: Agência Brasil

Ex-presidente da Costa Rica espera ver presidente negra no Brasil


A ativista afrofeminista Epsy Campbell (foto) afirmou neste sábado (15) que espera ver uma presidente negra no Brasil. Vice-presidente da Costa Rica de 2018 a 2022 e atualmente presidente do Fórum Permanente de Pessoas de Descendência Africana da Organização das Nações Unidas (ONU), Epsy participou do Festival Latinidades, que ocorre neste sábado (15) no Rio de Janeiro.

“Isso vai ser uma realidade. A questão é quando queremos que isso seja possível, em um período mais breve ou mais longe. Mas o futuro está escrito. Eu espero vir à passagem de poder para a primeira presidenta negra do Brasil”, disse Epsy. “Isso poderá mudar a estrutura de poder e as prioridades”, disse.

Epsy, que também é economista, integrou a mesa de abertura do evento, junto com a senadora mexicana Susana Harp; a embaixadora de Barbados no Brasil, TonikaThompson; e a escritora brasileira Conceição Evaristo.

Ela foi a primeira chanceler mulher da Costa Rica, em 2018, e a primeira vice-presidente negra da história do país.

“Estou totalmente convencida de que as mulheres mais jovens, e as negras fundamentalmente, vão transformar as estruturas de poder. Temos que trabalhar e começar, coletivamente, a enegrecer e feminizar o poder. Temos que cada vez mais derrubar os limites de identidade que nos impuseram”.

Já Susana Harp falou sobre sua luta para o reconhecimento da população afromexicana em seu país que, segundo ela, ainda está “usando fraldas” quando se trata de combater o racismo. Para Susana, por muitos anos, o México não reconheceu a existência dessa população, tratando-os apenas como mestiços.

Rio de Janeiro (RJ), 15/07/2023 - Susana Harp, senadora do México, participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu da Amanhã, região portuária do Rio. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Senadora mexicana Susana Harp no Festival Latinidades 2023 – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Além disso, a historiografia mexicana escondeu heróis como Yanga, negro que lutou pela independência do país no século XVII, e buscou clarear, nas imagens dos livros de história, as peles de outros personagens negros importantes como José María Morelos – um dos líderes da luta pela independência no século XIX, que usava touca para esconder seus cabelos – e Vicente Guerrero, segundo presidente mexicano.

“Na política, queremos equilibrar a participação das pessoas afromexicanas. No Senado da República, há 128 senadores e senadoras. Apenas uma é afrodescendente. Na Câmara de Deputados Federal, são 500 pessoas e só há três deputados e deputadas afrodescendentes.”

Apenas recentemente o quadro começou a mudar e, em 2019, a Constituição mexicana reconheceu os povos e comunidades afromexicanas como parte da composição pluricultural da nação.

Feminismo negro

Rio de Janeiro (RJ), 15/07/2023 - A escritora Conceição Evaristo, participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu da Amanhã, região portuária do Rio. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Escritora Conceição Evaristo participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em sua participação na mesa de abertura, a escritora Conceição Evaristo, autora de livros como Ponciá Vicencio e Olhos d’Água, ressaltou a importância de um feminismo negro.

“Nós e as mulheres negras que vieram de um estrato popular e que conheceram a experiência de trabalhar em casas de madame sabemos como essas mulheres brancas influíram também na nossa visão sobre os homens negros. Quando, no processo de escravização e assinatura da Lei Áurea, os homens negros perderam o trabalho, e nós mulheres negras continuaram nas fazendas – e isso se transforma depois na empregada doméstica – cria-se um estereótipo do homem negro preguiçoso. Esse estereótipo foi construído através das mulheres brancas, das patroas, perguntando para as empregadas o que os homens delas faziam. E muitas vezes esses homens estavam desempregados”.

Rio de Janeiro (RJ), 15/07/2023 - A educadora e escritora, Helena Theodoro, participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu da Amanhã, região portuária do Rio. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Educadora e escritora Helena Theodoro – Tânia Rêgo/Agência Brasil

A educadora e escritora Helena Theodoro destacou que homens e mulheres negras precisam andar juntos, já que ambos são alvos de discriminação da sociedade.

“Nós precisamos uns dos outros. Já basta a guerra que nossos homens negros recebem da sociedade em geral”, ressaltou. “Homens e mulheres, pela nossa ancestralidade, têm papéis diversos mas estão juntos porque a discriminação é a mesma”.

Criado em 2008, o Festival Latinidades, considerado um dos principais eventos sobre mulheres negras da América Latina, busca desenvolver diálogos sobre o enfrentamento ao racismo e sexismo e promoção da igualdade racial.

Em sua 16ª edição, este ano o festival começou em Brasília, na semana passada, e passará ainda por São Paulo (dias 21 a 23) e Salvador (dias 29 e 30).




Fonte: Agência Brasil

Ativista da Costa Rica espera ver presidente negra no Brasil


A ativista afrofeminista Epsy Campbell (foto) afirmou neste sábado (15) que espera ver uma presidente negra no Brasil. Vice-presidente da Costa Rica de 2018 a 2022 e atualmente presidente do Fórum Permanente de Pessoas de Descendência Africana da Organização das Nações Unidas (ONU), Epsy participou do Festival Latinidades, que ocorre neste sábado (15) no Rio de Janeiro.

“Isso vai ser uma realidade. A questão é quando queremos que isso seja possível, em um período mais breve ou mais longe. Mas o futuro está escrito. Eu espero vir à passagem de poder para a primeira presidenta negra do Brasil”, disse Epsy. “Isso poderá mudar a estrutura de poder e as prioridades”, disse.

Epsy, que também é economista, integrou a mesa de abertura do evento, junto com a senadora mexicana Susana Harp; a embaixadora de Barbados no Brasil, TonikaThompson; e a escritora brasileira Conceição Evaristo.

Ela foi a primeira chanceler mulher da Costa Rica, em 2018, e a primeira vice-presidente negra da história do país.

“Estou totalmente convencida de que as mulheres mais jovens, e as negras fundamentalmente, vão transformar as estruturas de poder. Temos que trabalhar e começar, coletivamente, a enegrecer e feminizar o poder. Temos que cada vez mais derrubar os limites de identidade que nos impuseram”.

Já Susana Harp falou sobre sua luta para o reconhecimento da população afromexicana em seu país que, segundo ela, ainda está “usando fraldas” quando se trata de combater o racismo. Para Susana, por muitos anos, o México não reconheceu a existência dessa população, tratando-os apenas como mestiços.

Rio de Janeiro (RJ), 15/07/2023 - Susana Harp, senadora do México, participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu da Amanhã, região portuária do Rio. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Senadora mexicana Susana Harp no Festival Latinidades 2023 – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Além disso, a historiografia mexicana escondeu heróis como Yanga, negro que lutou pela independência do país no século XVII, e buscou clarear, nas imagens dos livros de história, as peles de outros personagens negros importantes como José María Morelos – um dos líderes da luta pela independência no século XIX, que usava touca para esconder seus cabelos – e Vicente Guerrero, segundo presidente mexicano.

“Na política, queremos equilibrar a participação das pessoas afromexicanas. No Senado da República, há 128 senadores e senadoras. Apenas uma é afrodescendente. Na Câmara de Deputados Federal, são 500 pessoas e só há três deputados e deputadas afrodescendentes.”

Apenas recentemente o quadro começou a mudar e, em 2019, a Constituição mexicana reconheceu os povos e comunidades afromexicanas como parte da composição pluricultural da nação.

Feminismo negro

Rio de Janeiro (RJ), 15/07/2023 - A escritora Conceição Evaristo, participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu da Amanhã, região portuária do Rio. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Escritora Conceição Evaristo participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em sua participação na mesa de abertura, a escritora Conceição Evaristo, autora de livros como Ponciá Vicencio e Olhos d’Água, ressaltou a importância de um feminismo negro.

“Nós e as mulheres negras que vieram de um estrato popular e que conheceram a experiência de trabalhar em casas de madame sabemos como essas mulheres brancas influíram também na nossa visão sobre os homens negros. Quando, no processo de escravização e assinatura da Lei Áurea, os homens negros perderam o trabalho, e nós mulheres negras continuaram nas fazendas – e isso se transforma depois na empregada doméstica – cria-se um estereótipo do homem negro preguiçoso. Esse estereótipo foi construído através das mulheres brancas, das patroas, perguntando para as empregadas o que os homens delas faziam. E muitas vezes esses homens estavam desempregados”.

Rio de Janeiro (RJ), 15/07/2023 - A educadora e escritora, Helena Theodoro, participa do painel Memória e Bem Viver, no Festival Latinidades, no Museu da Amanhã, região portuária do Rio. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Educadora e escritora Helena Theodoro – Tânia Rêgo/Agência Brasil

A educadora e escritora Helena Theodoro destacou que homens e mulheres negras precisam andar juntos, já que ambos são alvos de discriminação da sociedade.

“Nós precisamos uns dos outros. Já basta a guerra que nossos homens negros recebem da sociedade em geral”, ressaltou. “Homens e mulheres, pela nossa ancestralidade, têm papéis diversos mas estão juntos porque a discriminação é a mesma”.

Criado em 2008, o Festival Latinidades, considerado um dos principais eventos sobre mulheres negras da América Latina, busca desenvolver diálogos sobre o enfrentamento ao racismo e sexismo e promoção da igualdade racial.

Em sua 16ª edição, este ano o festival começou em Brasília, na semana passada, e passará ainda por São Paulo (dias 21 a 23) e Salvador (dias 29 e 30).

*Matéria alterada às 19h35 para correção do título. Epsy Campbel é ex-vice-presidente da Costa Rica e não ex-presidente, como publicado inicialmente.




Fonte: Agência Brasil

Escolas vão levar lendas e encantarias ao Sambódromo em 2024


A Imperatriz Leopoldinense está confiante no bicampeonato. Para conquistar novamente o título aposta no enredo baseado no livreto O testamento da cigana Esmeralda, do poeta pernambucano de cordel Leandro Gomes de Barros.

Apaixonado pela produção artística da cultura brasileira, o carnavalesco Leandro Vieira disse que a escolha surgiu de uma pesquisa que fez quando estava debruçado no ano passado na literatura de cordel para falar de Lampião no enredo O Aperreio do Cabra Que o Excomungado Tratou com Má-querença e o Santíssimo Não Deu Guarida, campeão de 2023.

Rio de Janeiro (RJ) 15/07/2023  Escolas de Samba vão levar lendas e encantarias ao Sambódromo do Rio em 2024. Enredo da Imperatriz Leopoldinense. Foto Diculgação.

Enredo da Imperatriz Leopoldinense – Foto Divulgação

Agora, para 2024, o tema é Com a sorte virada pra lua, segundo o testamento da cigana Esmeralda. Leandro Gomes de Barros é autor de cordéis que inspiraram o escritor, filósofo e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna a escrever o Auto da Compadecida.

No meio da produção literária do Leandro Gomes de Barros, chamado pelo carnavalesco de “um paraibano incrível”, encontrou o livreto Testamento da Cigana Esmeralda, que é ficcional e, para ele, traz um olhar do autor para a mística do universo cigano e, a partir disso, expressa a forma como vê a cultura popular.

“A ideia de adivinhações, da leitura das mãos, da sina de uma pessoa guardada na palma da mão, a influência dos astros e do zodíaco, ou seja, é cultura popular brasileira na veia, e tudo que tem cultura popular na veia, me encanta. Achei que esse era um mote muito bom para a produção de uma nova apresentação, sobretudo para mim, que desde da saída da Mangueira [em 2022] para a Imperatriz tenho investido nessa ideia de carnaval ficcional. O carnaval mais voltado para o delírio”, disse o carnavalesco em entrevista à Agência Brasil.

Na visão de Leandro Vieira, a comunidade da escola recebeu o enredo de 2024 ainda sob o impacto do anterior e do campeonato. “Esse enredo, que de alguma forma é uma continuidade da Imperatriz Leopoldinense no campo do delírio, é recebido com muito calor, porque cria-se uma expectativa de que a Imperatriz pode se dar bem com isso. A comunidade avalia muito bem essas possibilidades de se dar bem, de se mostrar poderosa, pujante e viva”, avaliou.

Leandro Vieira, que gosta de manter em sigilo a divisão dos setores, “para preservar determinadas coisas para o dia [do desfile]”, revelou que o enredo é livremente inspirado no Testamento da Cigana Esmeralda, e um dos momentos do desfile estará dedicado a ideia de decifrar o mundo de sonhos, que, para ele, é uma das páginas mais interessantes da obra do Leandro Gomes de Barros.

“Se você sonhar com isso é porque vai acontecer isso, se sonhar com aquilo é porque vai acontecer determinada situação, [sonhar] com um sultão é um sonho que traz mal presságio, se sonhar com cisne é candura, com a rosa encarnada vai encontrar um amor. Acho essa uma passagem tão bonita, sobretudo, para o universo do meu trabalho e também da escola que eu represento, que é o subúrbio”, disse.

A quiromancia, a leitura da mão, totalmente identificada com a cultura cigana, também estará no desfile, como ainda a influência dos astros. Todo esse universo místico, todo esse conjunto de saberes ancestrais e super populares, estão envolvidos no desenvolvimento do enredo”, completou.

A Imperatriz continua este ano pela segunda vez consecutiva com a disputa de samba enredo aberta a todos os compositores interessados, mesmo que sejam de outras escolas ou ainda filiados a entidades musicais. O esquema de tira dúvidas, adotado pelas escolas para esclarecer aspectos do enredo com o carnavalesco, ocorreu em junho. As entregas das composições na quadra serão em agosto e a seleção começa em setembro.

A equipe de carnaval está no meio do processo de desmonte das alegorias do ano passado e Leandro está desenhando os figurinos. “A nossa expectativa é começar o processo de ferragens [para a montagem dos carros alegóricos] na segunda quinzena de julho”, informou.

Unidos da Tijuca

Rio de Janeiro (RJ) 15/07/2023  Escolas de Samba vão levar lendas e encantarias ao Sambódromo do Rio em 2024. carnavalesco da Unidos da Tijuca, Alexandre Louzada. Foto Divulgação.

Carnavalesco da Unidos da Tijuca, Alexandre Louzada – Foto Divulgação

Quem gosta de fábulas, mistérios e lendas populares, certamente vai se envolver com o desfile da Unidos da Tijuca no próximo carnaval. A azul pavão e amarelo-ouro da zona norte do Rio de Janeiro conta com o enredo O Conto de Fados para encantar a Sapucaí e garantir o título, que não conquista desde 2014.

O tema propõe uma viagem a Portugal para mostrar diversos aspectos da história do país. Começa que o nome do país, seguindo a mitologia grega, era Ofiussa, a Terra de Serpentes. “A gente vai contar a história de Portugal, antes mesmo de [o nome] Portugal existir, mas baseada na tradução literal de Fado, que além de ser um gênero musical lusitano, significa destino. Então, vamos contar o destino de Portugal através de sua mitologia, das suas lendas e histórias que ainda não foram contadas. Não é o Portugal que as pessoas possam imaginar com o que já foi falado e mostrado. É mais baseado nas lendas”, explicou o carnavalesco Alexandre Louzada à Agência Brasil.

Conforme a lenda, segundo Louzada, uma rainha que era metade mulher, metade serpente, morava em Ofiussa, península mitológica que Ulisses queria desbravar antes de voltar da Odisseia. Ainda na lenda, a rainha se apaixonou pelo herói grego e ergueu uma cidade em homenagem a ele, que inicialmente se chamou Olissippo, depois Olisipo. Com o passar do tempo em uma corruptela da palavra se tornou Lisboa, atualmente a capital de Portugal.

“Na lenda, as sete colinas que circundam a cidade de Lisboa foram formadas pela ira dela desse amor que sentiu pelo guerreiro e não foi correspondida, porque ele abandona ela e vai embora”, disse o carnavalesco, acrescentando que tudo isso é contado no enredo por meio da mitologia.

Mais adiante no tempo, com os movimentos de migração de celtas e vikings começaram a surgir vários povoados e, de acordo com o carnavalesco, o território passou a ser cheio de magia. O enredo vai mostrar as influências do domínio romano e na sequência dos mouros na cultura, nas artes, na ciência e na arquitetura local.

Uma das influências da época, os azulejos são até hoje uma das características do país. Conhecido anteriormente por Condado Portucalense, após a reconquista cristã da Península Ibérica, passou a ter a denominação de Reino de Portugal.

Fazia tempo que o enredo já estava na cabeça do carnavalesco por achar que a história era bem o estilo da Tijuca, caso um dia fosse responsável pelo carnaval da escola. “Não é uma visão romântica de Portugal. Na verdade é uma grande história que se está contando através das lendas e dos mitos. Para tudo em Portugal existe uma história, até mesmo os doces portugueses. Pouca gente sabe que os doces eram chamados de conventuais porque nasceram dentro dos conventos. As freiras utilizavam a clara de ovo para engomar o hábito e com as gemas passaram a produzir doces”, explicou.

As revelações não param. Segundo Louzada, a flor que simboliza Portugal é a alfazema, mas depois o cravo vermelho passou a ser emblemático com a revolução do dia 25 de abril de 1974. Os grandes escritores como José Saramago e Fernando Pessoa e a cantora Amália Rodrigues também serão lembrados. “Todas aquelas pessoas que mostraram a alma portuguesa para o mundo”.

Para demonstrar a devoção dos portugueses, a ligação do país com o catolicismo será representada pelos santos como Nossa Senhora de Fátima, que arrasta milhões de peregrinos do mundo inteiro para a sua basílica, onde teria ocorrido a sua aparição. “Implicitamente ela representa o amor de mãe e a gente pede a proteção dela à Tijuca que está homenageando a terra onde apareceu”, relatou, acrescentando que galo de Barcelos, um dos símbolos do país, também tem origem católica, por ser baseado em um milagre que teria ocorrido para provar a inocência de um peregrino apontado de um crime.

Será na parte das grandes navegações que a Tijuca terá um momento crítico, quando são exaltadas e questionadas por poemas de Camões, apontando que elas trariam a degradação de uma terra e a escravidão de um povo, toda a dor que isso causaria por ganância. “A gente quando aborda as grandes navegações não é enaltecendo simplesmente Portugal. É mostrando os dois lados da moeda. Essa história precisa ser reescrita e reinventada, por toda a devastação que uma invasão proporciona à terra”, disse.

Recepção

A forma como foi recebido na escola, leva Louzada, que estava na Beija-Flor, a ter muita expectativa para o carnaval. “Eu quero sinceramente devolver a alegria à comunidade do Borel [morro onde originalmente havia a sede da escola], resgatar a minha satisfação como carnavalesco com aquilo que posso fazer e com o apoio que estou tendo aqui. Não me foi cobrado o campeonato, mas lógico que isso não sai da minha cabeça. Estou com carnaval para isso. Só espero acontecer”, afirmou.

Quanto ao samba, Louzada prefere esperar a fase de apresentações dos concorrentes na quadra, que começa em 3 de agosto, para avaliar. “Isso acontece em várias escolas e a Tijuca não é diferente, os sambas se modificam muito quando vão para a quadra, mas grandes parcerias estão na Tijuca e espero que o samba vencedor vá se mostrando aos poucos na preferência da comunidade”.

Viradouro

Desfile das Campeãs do carnaval 2019 do Rio de Janeiro, Unidos da Viradouro

Desfile da Viradouro – Foto : Tomaz Silva/Agência Brasil

Em 2024, a Unidos do Viradouro vai levar para o Sambódromo o enredo Arroboboi, Dangbé. “Um facho sinuoso desliza sobre o chão, chacoalha as folhas, estremece a terra e borbulha as águas. É Dangbé, o vodum da proteção, do equilíbrio e do movimento. Nele, nada principia nem finda, tudo avança, tudo retorna. É o constante rodopio do universo, o círculo fechado, sentido materializado pela imagem da cobra engolindo a própria cauda”, destaca o texto.

Em outro trecho informa que “A manutenção das crenças dos povos da região da Costa da Mina vive na perseverança das sacerdotisas voduns, mulheres escolhidas e iniciadas em ritos de louvor à serpente sagrada, cujas trajetórias místicas se entrelaçam em combates épicos, camuflagens táticas e resiliência vital”.

O carnavalesco Tarcísio Zanon, autor do enredo, disse que a ideia surgiu enquanto fazia ainda as pesquisas para Rosa Maria Egipcíaca, o tema do carnaval de 2023. Contou que durante o processo do ano passado, conheceu o escritor mineiro Moacir Maia, que lançou um livro sobre as sacerdotisas voduns. “A partir daí comecei a pesquisar mais sobre o vodum e Dangbé, essa divindade ofídica, a figura da serpente que foi divinizada no reino de Uidá e que até hoje tem um templo em devoção a ela. Durante a pesquisa fui descobrindo mais coisas de como essa divindade e esse culto chegaram ao Brasil”, disse à Agência Brasil.

“É o primeiro enredo que faço completamente afro. Boa parte dele passa-se em África, na região onde era o Reino de Daomé. Tem toda uma veia mística, religiosa, de um culto pouco difundido. Todos esses mistérios eu gosto muito de trazer à tona para o grande público. Tem essa veia mística que eu gosto e a Viradouro se identifica muito”, disse.

Zanon destacou ainda que o enredo tem um protagonismo feminino uma vez que a energia perpassa por corpos femininos e chega ao Brasil por meio de Ludovina Pessoa, que veio ao Brasil com a missão de perpetuar os cultos voduns no país. O texto que apresenta o enredo diz que Ludovina “tornou-se o pilar de terreiros consagrados aos voduns, entre eles o Seja Hundé, na cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, e o Terreiro de Bogum, erguido no coração de Salvador”.

“Até hoje existem as sacerdotisas voduns que protegem e são protegidas pela energia de Dangbé”, disse Zanon.

Para o carnavalesco, uma das motivações de desenvolver este enredo é desmistificar o tema. “Uma vez que a gente tem uma demonização das religiões afro, e principalmente o vodum, que foi tão mal divulgado ao longo do tempo, e as pessoas têm uma ideia de que o vodum é dos bonequinhos espetados, na verdade não é nada disso. Na verdade, a palavra vodum significa na língua originária ‘vovodum, tudo de bom para você’, então, é um conjunto de magias utilizado para fazer o bem às pessoas, para a cura, para adivinhações, de projeções de futuro e um culto de respeito à natureza. A ideia de trazer este enredo, também é de desmistificar e dialogar sobre o racismo religioso que ainda existe tão forte ainda no Brasil e trazer um culto tão pouco difundido no Brasil”, explicou.

O carnavalesco lembrou que a comunidade estava ansiosa por ter um enredo afro na sequência da Rosa Maria Egipcíaca que foi muito elogiado pela maneira como se desenvolveu na avenida. “Já era um desejo da comunidade de ter um enredo afro, e mais que isso, a Viradouro tem tido enredos que trazem informações, conceitos e histórias novos. Isso tem levado a comunidade a gostar desse tipo de enredo e estudar mais. Tenho sentido que estão bem felizes com essa temática”.

Ele citou a mensagem de um componente da escola com o lançamento do enredo. “Tarcísio me fazendo ler mais do que na época que eu estudava. Achei isso ótimo. Essa é nossa missão também, de trazer leitura, conhecimento, cultura”.

Samba

De acordo com Zanon, os compositores que estão criando os sambas para participarem da seleção entenderam bem a mensagem do enredo. “É um enredo que nasce de uma forma intuitiva, mas que fala de uma divindade que é divinizada a partir de uma vitória na guerra. Todo tempo a gente tem esse espírito aguerrido da serpente sagrada, como o espírito dessas mulheres para proteger o culto delas. A gente sente que virá um samba forte, místico, com essa força africana”, disse, acrescentando que 80% do projeto do carnaval 2024 estão prontos no papel, as alegorias de 2023 já foram desmontadas e começou a montagem das ferragens das alegorias para o próximo desfile.




Fonte: Agência Brasil

Campanha alerta para prevenção de acidentes com a rede elétrica


A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) antecipou para este mês o início da 17ª Campanha Nacional de Segurança para a Prevenção de Acidentes com a Rede Elétrica.

A Semana Nacional de Segurança com Energia Elétrica acontece sempre no início de agosto, mas foi adiantada para ampliar a divulgação sobre o tema, já que no mês de julho se tem, normalmente, as férias escolares com as crianças se colocando em uma maior exposição de risco, segundo o presidente da Associação, Marcos Madureira.

Os dados da Abradee apontam que em 2022 foram registrados 756 acidentes envolvendo a rede elétrica, sendo 270 fatais. Em relação ao ano anterior, foram 35 mortes a menos, enquanto o número total de acidentes caiu em 80 ocorrências.

Marco Madureira disse, em entrevista à Agência Brasil, que embora tenha havido uma queda no número de acidentes em comparação ao ano de 2021, essa redução não foi significativa frente aos objetivos pretendidos com as campanhas, e o alerta permanece.

“Nossa intenção, de fato, é zerar o número de acidentes, principalmente os acidentes fatais, e na medida que a população vai tomando conhecimento dos riscos e se conscientizando quanto aos cuidados que se deve ter em relação à rede elétrica irá colaborar para uma maior redução”, disse Marcos Madureira.

Segundo ele, a entidade e as 39 distribuidoras associadas buscam chamar a atenção da população para as orientações e os cuidados necessários relacionadas ao uso seguro da rede e à preservação de vidas.

“A segurança em relação à rede elétrica é uma questão crucial e deve ser abordada com muita seriedade. Acidentes envolvendo eletricidade podem ter consequências graves, incluindo ferimentos e até mesmo perda de vidas. As distribuidoras tratam o assunto como prioridade e essa campanha visa justamente a essa ampla conscientização da população, protegendo e preservando vidas”, reforçou o presidente da Abradee.

De acordo com Marcos Madureira, os maiores índices de acidentes com a rede elétrica são observados no momento da construção ou manutenção predial, em que trabalhadores, por descuido ou erro, tocam a rede eletrificada; em casos de furto de condutor ou equipamento da rede e quando se faz uma ligação clandestina, conhecida popularmente como gato.

Campanha

A campanha busca focar em itens mais significativos para cada região, sendo mais específica em algumas ações para que a população esteja informada sobre os riscos e os cuidados a serem tomados em relação ao contato com a rede elétrica.

“O objetivo é que a mensagem chegue à população. Precisamos trabalhar para desconstruir alguns jargões populares como ‘Eu sempre fiz e nunca aconteceu nada!’, ‘É só puxar esse fio’, ‘Nunca aconteceu comigo’”, ressaltou Marcos Madureira.

O presidente da Abradee deu ênfase ao slogan da campanha Se ligue! Entre a vida e a sorte, escolha viver com segurança, ressaltando que a segurança em relação à rede elétrica é uma questão crucial e deve ser abordada com muita seriedade.

Museu Nacional

Em 2018, um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Após a perícia, ficou comprovado que as chamas foram iniciadas a partir de um curto-circuito causado pelo superaquecimento em um aparelho de ar-condicionado causado por uma gambiarra elétrica e também não havia aterramento elétrico. Acredita-se que o fato ocorreu por falta de manutenção adequada e de investimentos.

* Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena acumulada pode pagar até R$ 40 milhões hoje


O sorteio da Mega-Sena deste sábado poderá pagar prêmio acumulado estimado em R$ 40 milhões no sorteio 2.611, que será realizado na capital paulista, às 20 horas (horário de Brasília).  

No último sorteio, sem vencedores, as seis dezenas sorteadas foram 10, 23, 34, 53, 55, 57.

As apostas para hoje podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) em casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet.

A aposta simples, com seis dezenas marcadas, custa R$ 5.




Fonte: Agência Brasil