Multicultural, Bom Retiro tem projeto de se tornar bairro de coreanos


Localizado entre os rios Tietê e Tamanduateí, próximo à Estação da Luz e bem na região central de São Paulo, o bairro do Bom Retiro reúne uma grande variedade de lojas, centros culturais, instituições religiosas e restaurantes, mas a sua marca principal são as confecções. A história do bairro remonta a 1880, quando o barão do café, Joaquim Egídio de Sousa Aranha, que tinha uma propriedade na região, chamada de Chácara do Bom Retiro, decidiu lotear a fazenda para a construção de casas para os trabalhadores da indústria.

Isso ocorreu pouco tempo depois da inauguração de uma linha de trem que passava pela região e que ligava as cidades de Jundiaí e de Santos, com passagem pela capital paulista. Trajeto que era muito utilizado pelos imigrantes, que desembarcavam no Porto de Santos.

“O Bom Retiro é um bairro que, desde o final do século 19, recebe fluxos sucessivos de estrangeiros que chegam a São Paulo. Não é o único bairro, mas ele tem algumas particularidades: primeiro por causa da localização, que é central, próxima da Estação da Luz. Ele também tem uma atividade econômica importante desde os anos 20, com a indústria de comércio e de confecções, que começa a se estruturar. E ele oferece, além de condições de trabalho, condições de moradias para quem chega A São Paulo”, explicou Sarah Feldman, professora do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) do campus de São Carlos.

Ex-moradora do bairro, ela ajudou a levantar informações para o documentário O Bom Retiro É o Mundo, de André Klotzel. “O Bom Retiro tem essa atividade de comércio de confecções, que permanece hoje com os coreanos, e ele oferece uma forma de moradia de aluguel. Ele sempre foi – e continua sendo – um bairro concentrador de cortiços, que é uma solução de moradia de aluguel, em condições precárias, mas é uma alternativa de moradia na periferia, próxima a emprego e equipamentos públicos. Isso é uma alternativa de moradia para a população de baixa renda e para quem chega a São Paulo”, acrescentou Sarah.

Os primeiros a chegarem ao bairro e que o transformaram em uma vila operária foram os ingleses. “Já na construção da ferrovia, os engenheiros ingleses ocupavam as chácaras porque, antes da urbanização, ali era constituído por chácaras. Depois tem uma sucessão de grupos estrangeiros: os portugueses, os italianos, os espanhóis, os judeus, os gregos, os iugoslavos, os coreanos. E então vem o ciclo de imigrantes latino-americanos, africanos e, os bolivianos”, destacou Sarah.

É por isso que uma das principais características desse bairro é a sua multiculturalidade. “Esses grupos se instalam no bairro mantendo relações de trabalho e de moradia. E é só caminhar pelo bairro para você ver essa diversidade. Toda essa diversidade da população do Bom Retiro está marcada no território”, disse Sarah.

Os coreanos

A partir da década de 1960, os coreanos começaram a vir ao Brasil. O primeiro grupo de imigrantes a chegar ao território brasileiro de forma oficial veio em 1963, há exatos 60 anos, num tipo de imigração que a professora e socióloga Margareth Rogante denomina como familiar.

“Os [coreanos] mais antigos contavam que vieram com a família. Acho que 90% deles vieram por indicação dos parentes que já estavam aqui e vieram com toda a família”, disse ela, em entrevista à Agência Brasil. “Os coreanos vieram com a família, com a intenção de fixar-se. E eles fixaram-se, cresceram e estão aqui [no Brasil]”, acrescentou a socióloga, que há alguns anos desenvolveu o estudo A Imigração Coreana: o Processo de Fixação e Ascensão Social dos Imigrantes e Descendentes do Bairro do Bom Retiro.

Segundo ela, esses imigrantes chegaram ao país inicialmente com uma proposta de ir para o interior, trabalhar no campo. “Eles compraram terras, em princípio, para produção de alimentos na área rural, mas os projetos não deram certo e eles acabaram voltando para a cidade. A massa dessa imigração veio entre as décadas de 60, 70 e 80. E aí eles começaram a se fixar nos bairros centrais”, contou.

E foi assim que os coreanos começaram a ocupar principalmente o bairro do Bom Retiro. “O Bom Retiro tinha características que foram imprescindíveis para a escolha porque eles [coreanos] já vieram com o ofício da costura, a comunidade já tinha esse conhecimento. Então foi uma área mais fácil de atuar, embora muito dificultosa. Eles se reuniam em associações e em igrejas e tiveram que se dar muito apoio. Uma característica muito importante é que uma parte deles [desses imigrantes coreanos] declarou que veio com pouco dinheiro mas, por meio desses consórcios, as pessoas se reuniam e as lideranças entregavam o consórcio de acordo com a necessidade da família e já indicava: ‘olha, está faltando botão de pressão, você pode entrar nesse ramo?’ Então eles foram se agrupando e se organizando desta forma. Por isso a escolha do Bom Retiro. Todos que vinham já tinham mais ou menos a indicação do bairro”, explicou Margareth.

São Paulo 24/06/2023 - Migração coreana- Feira do Bom Retiro, que reune a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Feira coreana no Bom Retiro ocorre aos sábados e reúne a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

A médica Hee Jeung Hong, que desenvolveu um estudo chamado Imigração e Envelhecimento em São Paulo: Perfil de um Grupo de Idosos Coreanos, também constatou que a maior parte dos coreanos que chegaram ao Brasil preferiu viver no Bom Retiro “pela facilidade dos relacionamentos, acesso a restaurantes e produtos culinários típicos”.

À época, o Bom Retiro era conhecido principalmente como um bairro judeu. “Os judeus instalaram toda uma cadeia produtiva ligada à indústria e comércio de confecções. A partir dos anos 20 e até metade da década de 40, os judeus estavam mais presentes nesses estabelecimentos que constituem toda a cadeia produtiva do comércio de confecções, desde as oficinas de costura até as gráficas que imprimiam os talões de nota”, explicou Sarah.

Ao chegar ao Brasil, os coreanos passaram a adquirir esse comércio dos judeus. “E aí ele passa a ser chamado de bairro dos coreanos. Mas nem os judeus e nem os coreanos nunca foram a maioria da população do Bom Retiro. Ele é um bairro marcado sempre pela mistura”, ressaltou a arquiteta e urbanista.

Para a socióloga, o que contribuiu para que os coreanos fincassem raízes principalmente nesse bairro é o fato de eles serem um povo cosmopolita. “Acho que a maior característica que o bairro deu para que os coreanos se fixassem por lá é essa heterogeneidade de grupos étnicos. O Bom Retiro tem essa característica e forte inclinação para o comércio de vestuário. Eles já vinham com conhecimento sobre esse ofício. Outra característica é que os coreanos são muito unidos e se propuseram a trabalhar muito. Então a maioria deles conta que trabalhava de 18 a 20 horas por dia e os mais jovens saíam para vender de porta em porta. Esse trabalho possibilitou que a família toda fosse englobada, todos participavam: os pais cortavam [o tecido], a maioria das mães costuravam e os filhos vendiam. Então como eles vieram com o projeto familiar, eles não se dispersaram como os outros, tentando emprego em outros lugares. Eles acabaram se concentrando nesse ramo que deu possibilidade da família toda participar.”

São Paulo 24/06/2023 - Migração coreana- Feira do Bom Retiro, que reune a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Feira coreana no Bom Retiro ocorre aos sábados e reúne a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Korea Town

Embora não sejam o maior grupo que vive no bairro hoje, é pelos coreanos que atualmente o Bom Retiro é mais conhecido. Há inclusive projetos sendo planejados que propõem que o bairro se transforme em uma Korea Town. Um desses projetos, por exemplo, já foi aprovado pelo atual prefeito, Ricardo Nunes, e conseguiu mudar o nome da Rua Prates para Prates-Coreia.

O Korea Town é uma proposta do cônsul-geral na cidade, Insang Hwang. A ideia, por exemplo, é instalar luminárias típicas pelo bairro, acrescentar o nome Coreia à Estação Tiradentes do metrô e pintar murais pelo bairro. A ideia não é nova. Em 2017, por exemplo, o então prefeito João Doria chegou a divulgar a proposta da Little Seul, que acabou não indo para a frente.

“Esse é um projeto da Coreia, um projeto global deles, liderado pelo cônsul no Brasil. Eles elaboraram o Korea Town. No Bom Retiro, eles conseguiram fazer com que a Rua Prates virasse Rua Prates-Coreia. E eles têm uma proposta para a Rua Três Rios. Eles também têm uma proposta de mudar o nome da Estação Tiradentes para Estação Tiradentes-Coreia. Mas eu acho que não precisa disso. Primeiro porque não é um bairro de coreanos. E, quando se acrescentam nomes de cidades coreanas, está se omitindo a diversidade que tem no Bom Retiro. A Estação Tiradentes, por exemplo, remete ao nome da avenida, mas também ao presídio Tiradentes [onde diversas pessoas foram presas e torturadas na época da ditadura militar]. Não é assim que se muda o nome das coisas”, criticou Sarah.

Já a socióloga Margareth Rogante considera que o projeto tem como base uma característica cultural que é particular do povo coreano, de cuidado com o local onde se vive.

“Eu acho que as nossas elites têm muito preconceito ao não branco. A comunidade judia teve algumas dificuldades [no bairro], mas eu acho que a coreana enfrentou ainda mais. Poucos lugares, por exemplo, ofereciam comida. Hoje se tem bastante, mas eles enfrentaram todo choque cultural: comida, língua, a questão mesmo de participação na comunidade, o cuidado com o bairro. Você está vendo que eles estão propondo melhorar o bairro. Ele se preocupam muito. A comunidade asiática em geral é assim, quer melhorar a vida de todos”, disse.

“Eles estão com a proposta de pôr algumas lâmpadas que são representativas da comunidade coreana. E há muita resistência em falar que eles querem se apropriar do bairro, de falar que eles querem negar ou invisibilizar as outras imigrações. Eu não acho isso. Acho que eles querem se inserir. Eu acho que ele só querem contribuir. Eles são cosmopolitas e eles têm preocupações com o bairro. Eles fazem ações em peso por ali, em favor do bairro todo e de toda a comunidade”, citou Margareth. “Eles estão inseridos na comunidade e precisam ficar visibilizados não só porque a gente vai ao Bom Retiro e olha para eles, mas também para reconhecer a contribuição dessa imigração para São Paulo e para o Brasil. Do ponto de vista econômico e do ponto de vista cultural, acho que eles fazem todos os esforços para se inserirem e participarem da comunidade e se fazerem sentir pertencentes ao Brasil”, acrescentou.

São Paulo (SP), 18.06.2023 - “Luzes da Coreia – Exposição da Cidade de Jinju”, organizado pelo Centro Cultural Coreano no Brasil, em parceria com a cidade de Jinju. As lanternas são um símbolo tradicional da cultura coreana e remontam à Guerra Imjin. Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil

A exposição “Luzes da Coreia”, organizado pelo Centro Cultural Coreano no Brasil, exibe as lanternas que são símbolo tradicional da cultura coreana e remontam à Guerra Imjin. Foto: Elaine Cruz/Agência Brasil

Já a arquiteta e urbanista considera que os coreanos poderiam sim homenagear sua terra natal. Mas em outros espaços como praças ou ruas que não sejam tão significativos para a história do bairro. “Tudo bem quererem homenagear alguém da Coreia. Não há problema nisso. Acho ótimo eles quererem colaborar para a melhoria do bairro. Mas a história das lanternas na Liberdade [bairro paulistano que é frequentemente associado à imigração japonesa] já foi bastante criticada do ponto de vista do patrimônio e da memória da cidade. Acho que essa é uma visão superada”, disse ela.




Fonte: Agência Brasil

“Não sou de lá e nem daqui”, diz coreano que vive há 57 anos no Brasil


“Os imigrantes vivem em um terceiro mundo desse espaço/tempo. Não são de lá de onde vêm, nem são de onde estão”. Foi com essa frase que o escritor e professor Jung Mo Sung (foto), da Universidade Metodista de São Paulo, resumiu sua história de imigração à Agência Brasil. Segundo ele, essa realidade é comum a todas as pessoas que saem de seus lugares de origem para viver em uma nova região. Neste domingo (25), data em que se celebra o Dia do Imigrante, o professor diz que estar nessa condição é viver sempre como um estrangeiro.

Jung Mo Sung deixou a Coreia do Sul em 1966, quando tinha 8 anos de idade. Ele faz parte do segundo grupo de coreanos que chegou oficialmente ao Brasil. O primeiro, formado por 109 pessoas, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, chegou em fevereiro de 1963, há exatos 60 anos. Já ele saiu de Busan, em um navio, e chegou em território brasileiro em 1966, junto com a mãe e seus três irmãos.

Nesse navio havia dezenas de famílias coreanas que tinham como destino o Brasil, a Argentina e o Paraguai. Só aqui no país, segundo ele, desembarcaram 53 famílias. “Eu tinha 8 anos quando eu cheguei aqui, em 1966. Sou do segundo grupo de coreanos que chegaram. O primeiro foi em 63. Tinha um grupo pequeno em 63 e daí, em 66, veio a segunda turma”, explicou.

A viagem durou longos 57 dias, em um navio que também era de carga. “Saímos de Busan, segunda cidade mais importante da Coreia do Sul, e chegamos a Paranaguá. Antes, o navio havia feito a primeira descida no Rio de Janeiro e, depois, em Santos. O navio era misto, de carga e de passageiros”, contou.

Dessa longa jornada, ele se recorda principalmente das brincadeiras com outras crianças e de um horizonte que nunca chegava.

“Isso me marcou muito. Teve uma passagem de 17 dias sem ver terra, que acho que foi das Filipinas até a África do Sul. Essa foi uma experiência muito marcante para mim. A gente via baleias e também peixe-voador”, lembrou.

Do Porto de Paranaguá, no Paraná, esses imigrantes coreanos que chegaram ao Brasil em 1966 seguiram para a cidade de Castro, onde foram alojados em um quartel do Exército. “Nós ficamos na colônia um ano só, porque a colônia era muito ruim, a terra era muito ruim. Enquanto a colônia não ficou pronta, nós ficamos um tempo no quartel de Castro e aí, depois, fui morar em Ponta Grossa para aprender português, na escola. Fui morar com uma família de brasileiros, de tradição italiana. E aí ficamos um ano: meu pai conseguiu emprego na prefeitura de Apucarana, no norte do Paraná, e fomos para lá. E, depois de dois anos, nós viemos para São Paulo. Em São Paulo, meu pai resolveu morar em bairros onde não tivessem coreanos para aprender rapidamente o português. Não tive muito contato com coreanos”, contou.

Já a médica Hee J. Hong, chamada de Beth por aqui, chegou ao Brasil em 1969, com 3 anos de idade. Sua mãe era produtora e apresentadora de um programa infantil na KBS (um canal de televisão da Coreia do Sul) e seu pai era técnico na mesma empresa. Eles deixaram Seul de avião, com a promessa de chegar ao Brasil e “trabalhar junto com uma tia que comercializava perucas na época”.

“Possivelmente, minha família tenha sido uma das primeiras a chegarem ao Brasil via aérea”, contou a médica.

No entanto, a ideia inicial de sua família não funcionou e o pai decidiu abrir uma loja para reparo de equipamentos eletrônicos.

Jung Mo Sung e Hee Hong são dois exemplos dos mais de 50 mil coreanos que se estima viverem atualmente no Brasil. A maioria deles, como o professor e a médica, mora em São Paulo. Segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), o Brasil recebe, somente neste ano, 265 imigrantes coreanos. Desse total, 215 se estabeleceram em São Paulo. Em todo o ano passado, o Brasil recebeu 719 imigrantes coreanos, dos quais 555 escolheram o estado de São Paulo como local de destino.

A Coreia

A Coreia que o professor Jung Mo Sung havia deixado para trás era um país na época bastante pobre, vivendo uma crise econômica e uma ditadura militar. “Com a crise econômica, meu pai falou: ‘vamos tentar outra vida’. Ele tinha uma vida de classe média na Coreia, mas havia uma tensão política muito grande lá por causa da ditadura. Então meu pai falou: ‘vamos cair fora daqui’’’. E foi assim que o pai dele, que era engenheiro-arquiteto, veio antes ao Brasil, em um avião, para trabalhar na construção de casas para uma colônia coreana no Paraná. Ele, a mãe e os irmãos vieram depois, de navio.

“A data comemorativa de 60 anos faz menção ao primeiro grupo de migrantes coreanos que chegaram de maneira oficial, ou seja, de uma migração que foi incentivada pelo governo coreano e que passou por negociações bilaterais entre Brasil e Coreia. Então, no ano de 1963 chegaram 103 pessoas [na contagem do Museu da Imigração seriam 103 pessoas, não 109, como diz o ministério] em famílias e indivíduos. Eles partiram da Coreia do Sul no dia 18 de dezembro de 1962 e viajaram por 54 dias”, explicou Thiago Haruo, gestor de Pesquisa do Museu da Imigração, em entrevista à Agência Brasil.

“A década de 60 era o período do pós-guerra para eles, em que estavam lidando com as consequências da guerra da Coreia, que devastou o país. Então você tinha um cenário de um país empobrecido. E isso a gente pode identificar em várias falas de migrantes que gravaram entrevistas aqui com a gente [do Museu da Imigração]. Ao mesmo tempo, o Brasil estava em seu contexto de reabertura da imigração internacional no pós-guerra”, acrescentou Haruo.

Esses migrantes coreanos eram em geral da classe média, ressaltou Haruo. “Normalmente não são nem as pessoas mais pobres que migram porque elas não têm recursos, nem as pessoas mais ricas. Então são as pessoas de classe média que, de alguma forma, conseguem os recursos. No cenário de guerra ali na década de 60, muitas pessoas que tinham um ensino médio, uma escolaridade razoavelmente alta, migraram.”

Os coreanos que chegaram ao Brasil em 1963, contou Haruo, desembarcaram no Porto de Santos e subiram, de ônibus, para a então Hospedaria de Imigrantes, local onde hoje está localizado o Museu da Imigração, na capital paulista, e que era um local de passagem para os estrangeiros que chegavam ao país. “Eles vieram para a Hospedaria para esperar porque eles iriam pra uma cidade chamada Miracatu, a 140 quilômetros da cidade de São Paulo, local onde supostamente eles iriam conseguir comprar uma terra para poder trabalhar. Essa espera virou um drama porque o terreno não era o que tinha sido prometido: as condições do terreno não estavam agricultáveis e, além de tudo, tinha uma ocupação de outras pessoas já trabalhando nesse terreno e esses imigrantes não sabiam. Houve uma fraude. Posteriormente eles decidiram por não prosseguir com a compra dessas terras”, explicou Thiago Haruo.

Com essa “mudança” forçada nos planos, os primeiros coreanos que chegaram de forma oficial ao Brasil decidiram então se dedicar ao comércio. E foi assim que eles se firmaram principalmente no Bom Retiro, no centro de São Paulo, bairro onde há muitas confecções. “Tem uma questão interessante que vem justamente no momento de mudança da migração [no Brasil]. A migração deixa de ser aquilo que era antes, que era um fator econômico para desenvolver as plantações e para desenvolver a economia cafeeira, para virar um problema social. Então esse é um grupo que chega bem nessa transição”, contou o gestor do museu.

São Paulo 24/06/2023 - Migração coreana- Feira do Bom Retiro, que reune a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Bairro Bom Retiro, na região central de São Paulo, é referência para a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

“Nas décadas de 60 e 70, a própria migração interna é superintensa do campo pra cidade. O Brasil deixa de ser rural. Então esses migrantes coreanos já vêm nesse momento em que os postos de trabalho no campo já não são tão interessantes. Como eles já tinham algumas experiências de trabalho em cidade e uma certa escolaridade, eles decidem não seguir no campo. O comércio, inicialmente, se tornou um foco de atuação. Trabalhos acadêmicos mencionam muito sobre esse trabalho de sair pra vender, principalmente as mulheres, que saiam à noite tocando nas portas, vendendo as roupas que elas conseguiam adquirir em outros lugares e vendiam, repassavam, mesmo com a dificuldade da língua. Isso depois vai se desdobrar para a aproximação desse grupo no campo da confecção de roupas, como eles vêm a ficar muito conhecidos aqui na cidade de São Paulo”, disse Haruo.

Isso não aconteceu somente com esse primeiro grupo de imigrantes coreanos. Esse foi o caso, por exemplo, do pai do professor Jung Mo Sung, que era engenheiro/arquiteto na Coreia e, quando chegou ao Brasil, passou também a trabalhar com confecções.

“Em São Paulo [meus pais] trabalharam no comércio, em confecção. Começaram fazendo costura, depois tentaram vender. Montaram uma fabriquinha e foi. Começamos em uma casa, [no bairro] na Aclimação para fazer costura. Depois fomos para [os bairros] a Mooca e Brás. O custo para pagar uma loja no Brasil é muito alto, então a gente tinha uma fábrica e a gente alugava uma sala”, contou o professor.

Ditaduras e traumas

Fugindo de um regime ditador por lá, os coreanos chegam ao Brasil no período em que o país também vive uma violenta ditadura. Associada a uma dificuldade de se comunicar, pela questão linguística, os coreanos passam a viver no Brasil sob intenso receio e preconceitos. “O primeiro grupo social [de coreanos] migrou em 63 e pegou o período da ditadura [no Brasil]. E esse é um período em que a politica migratória passou a enxergar no migrante um inimigo, um inimigo nacional. Então a população migrante, não só coreana, que também tem essa questão da dificuldade da língua, tem também uma dificuldade enorme de se regularizar. E isso tem consequências para os seus negócios. Até hoje, as pessoas mais antigas da comunidade têm um pouco de receio de abrir suas portas e de explicar como são os seus negócios”, contou Haruo.

Dificuldades provocadas pela língua, ausência de políticas públicas voltadas para o acolhimento e o sentimento de não pertencimento ou de crise de identidade. Ser migrante é também enfrentar dificuldades e aprender a lidar com traumas, provocados principalmente pelas diferenças culturais.

“Acho que para um imigrante, principalmente oriental, tudo é mais complicado. E, apesar dos imigrantes japoneses já estarem no Brasil nessa época, os brasileiros ainda estranhavam a presença de pessoas com essas características físicas, com os olhos diferentes, puxados. Minha mãe conta histórias de pessoas que devolveram o tofu por estar com uma consistência e sabor diferente do queijo”, recordou a médica.

“Vamos tocando a vida, mas vamos descobrindo que [a migração] marca muito. É tudo diferente, a forma como se come, a forma como se senta à mesa. Para se comer no Brasil, você enche a boca, espera, termina de mastigar e depois coloca outro pedaço. Na cultura coreana, você coloca arroz, depois você começa a colocar várias misturas e junta na boca e mastiga. O coreano, quando já tem a boca cheia de comida, vai colocando mais comida. Então, até a noção do que é ser educado é uma confusão. Lá eu era visto como uma pessoa educada, que come bem, direitinho. Mas aqui, no Brasil, estava totalmente errado. Então se cria uma crise de identidade, vamos dizer assim”, disse Jung Mo Sung.

Já adulto, Jung Mo Sung retornou para a Coreia algumas vezes. Mas lá também não conseguiu se sentir em casa. “Quando eu voltei para a Coreia, pela primeira vez, para participar de um congresso, chegando lá eu falei: ‘aqui é meu lugar’. Três dias depois, eu queria voltar para casa porque a cultura lá é completamente diferente. Mas, quando volto para cá, aqui também não é a minha casa porque sou estrangeiro aqui. Tive um AVC [acidente vascular cerebral] há cinco anos e perdi só a fala. Perdi o coreano, estou aprendendo de novo o inglês, estou aprendendo de novo. Mas uma das coisas que percebi é que eu voltei a ter hábito coreano. Por exemplo, na universidade, a pessoa vinha para me cumprimentar e eu abaixava a cabeça, o que é o automático na Coreia, e não dava a mão. Eu dizia para as pessoas que estava recuperando a minha identidade de coreano”, contou.

Para ele, a história do migrante está sempre associada à adaptação, a dificuldades e sofrimento. “E há duas formas de se lidar com esse sofrimento: resolver, e isso leva tempo, já que é [preciso] abrir de volta as feridas para poder limpar; ou então você fecha e faz de conta que não tem. Mas como isso está lá, isso volta como uma forma de neurose, repressão, etc.”, destacou. “Precisamos entender o processo do mundo em relação à imigração, à globalização cultural e de convívio com gentes estranhas”, acrescentou.




Fonte: Agência Brasil

Hoje é Dia: Orgulho LGBTQIA+, Allende e Dia de São Pedro são destaques


A semana entre os dias 26 de junho e 1º de julho de 2023 se notabiliza por celebrações voltadas à conscientização de causas. Em 28 de junho, é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A data marca o “Incidente de Stonewall” de 28 de junho de 1969, quando frequentadores do bar Stonewall Inn em Greenwich Village, Nova York, reagiram pela primeira vez contra as constantes ações de truculência policial. 

Em 2021, o Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia, fez um programa especial sobre a data e debateu a importância da lembrança de pautas pró-movimento LGBTQIA+:  

O 26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas. A data foi instituída pela Assembleia Geral da ONU de 7 de dezembro de 1987. No Brasil, essa data foi oficializada por um decreto em 28 de maio de 1999, que estabeleceu a “Semana Nacional Antidrogas” para os brasileiros. A Agência Brasil já noticiou a realização de alguns eventos relacionados à Semana Nacional de Políticas sobre Drogas (como em 2002 e 2020). O 26 de junho também é o Dia Internacional das Nações Unidas em apoio às Vítimas de Tortura. A data foi instituída pela ONU em resolução de dezembro de 1997, para relembrar o 26 de junho de 1987, quando entrou em vigor nos países-membros signatários, a “Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes”. Em 2017, o História Hoje falou sobre a efeméride:

No dia 29 de junho, é comemorado o Dia de São Pedro. A data, que fecha as festividades juninas, já foi tema de conteúdos do Portal EBC e também do História Hoje:  
 

Nascimentos e mortes

A semana também tem datas que celebram a biografia de figuras famosas. No dia 26 de junho, o nascimento do ex-presidente chileno Salvador Allende completa 115 anos. Em 1973, Allende foi deposto por um golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet, chefe das Forças Armadas. Em 2013, o Portal EBC contou a sua trajetória.

No dia seguinte, o nascimento do escritor, diplomata e médico mineiro João Guimarães Rosa também completa 115 anos. Figura das mais importantes da literatura brasileira, ele foi destaque no Momento Literário (quadro do programa Antena MEC) em 2019:

No dia 30 de junho, a morte do comunicador de rádio e televisão pernambucano José Abelardo Barbosa de Medeiros, conhecido como Chacrinha, completa 35 anos. Nesse mesmo dia, também é lembrado o falecimento do padre católico, cientista e inventor gaúcho Roberto Landell de Moura.

Landell de Moura, que faleceu há 95 anos, foi lembrado como o “padre que inventou o rádio no Brasil” em matéria sobre os 100 anos de rádio no Brasil publicada na Agência Brasil em 2022.

EBC e Copa do Mundo

A semana tem ainda duas datas relacionadas à Empresa Brasil de Comunicação. Em 29 de junho, o programa Garimpo na Rádio Nacional AM do Rio de Janeiro celebra 13 anos.

No dia 1º de julho, o programa Sem Censura completa 38 anos. Foi em 1º de julho de 1985 que o programa entrava no ar na extinta TVE do Rio de Janeiro. Em 2020, o Sem Censura fez um programa especial relembrando a estreia:

Por fim, a semana marca a lembrança o primeiro título mundial do Brasil. No dia 29 de junho de 1958, o Brasil goleava a Suécia por 5 a 2 e conquistava a Copa do Mundo daquele ano. Em 2012, o Portal EBC publicou, na íntegra, os áudios daquela decisão (transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro).  

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:




Fonte: Agência Brasil

Ações ambientais ajudam na recuperação de 254 hectares de florestas


A Petrobras contribuiu para a recuperação ou conservação direta de 254 mil hectares de florestas localizadas nos biomas da Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga e Cerrado, graças aos projetos sociais apoiados pela empresa. A área restaurada equivale a mais de duas vezes o município do Rio de Janeiro.

Este é um dos resultados apresentados no Relatório de Sustentabilidade 2022 da companhia, com informações, indicadores e compromissos relacionados às questões ambientais, sociais e de governança, em relação à descarbonização das operações, além da redução de emissões de gases do efeito estufa em 39%.

O gerente-executivo de Responsabilidade Social, José Maria Rangel disse que “esse trabalho de conservação e restauração nos biomas brasileiros reflete nosso compromisso com a garantia de um futuro sustentável para as próximas gerações e com a redução de emissões de gases de efeito estufa. Os projetos que apoiamos contribuíram para evitar as emissões de 2,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, que previnem o desmatamento”, explicou.

Redução de gases

Entre 2015 e 2022, a Petrobras conseguiu reduzir em 39% suas emissões absolutas operacionais de gases de efeito estufa (GEE), com aumento da eficiência em emissões em todos os segmentos onde atua. Esta redução, alinhada com a ambição de zerar emissões absolutas operacionais até 2050, reforça o compromisso da empresa em expandir sua atuação em negócios de baixo carbono.

A companhia abriu em 2023 a maior seleção pública para projetos socioambientais, com previsão de investir R$ 432 milhões em projetos sociais e ambientais, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, além de apoiar iniciativas para preservação da fauna, com 236 espécies da fauna monitoradas, estudadas ou protegidas, das quais 58 ameaçadas de extinção, incluindo a onça-parda, anta, tatu-bola, muriqui-do-sul, além de espécies de corais, aves e tartarugas.

Também desenvolve ações de educação ambiental junto às comunidades que convivem com os ecossistemas marinhos, como pescadores, turistas e moradores de regiões costeiras. Dois projetos se destacam: a Rede Biomar, formada por projetos de conservação da biodiversidade marinha, e a Redágua, com foco em ações ambientais no entorno da Baía de Guanabara.




Fonte: Agência Brasil

Rio de Janeiro será capital mundial da harpa em julho


O Rio de Janeiro vai se tornar a capital mundial das harpas no mês de julho. A partir de 1º de julho, a capital fluminense será sede do 18º RioHarpFestival 2023. Serão 30 harpistas de 23 países, que realizarão 73 concertos por 31 dias, sem interrupção, todos com entrada gratuita. 

No total, 150 músicos se apresentam em várias orquestras, muitas das quais oriundas de programas de inclusão social desenvolvidos em comunidades, tornando o festival do Brasil o mais forte do circuito mundial. a programação pode ser acessada no site do evento.

O RioHarpFestival reúne expoentes da África do Sul à Índia, além de representantes de quase toda a Europa e da América Latina.

O evento soma 73 concertos em 31 dias ininterruptos, todos com entrada franca, englobando diversas formações da harpa e similares, desde a harpa mais conhecida, originada entre a Europa e o Norte da África no século 8, até o tradicional koto japonês.

Expansão

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor e criador do RioHarpFestival e do projeto Música no Museu, Sergio da Costa e Silva, destacou que, há 20 anos, quando começou a dedicar o mês de maio às harpas, na programação do Música no Museu, inicialmente com harpistas brasileiros, não imaginava que o sucesso seria tamanho e que a iniciativa ganharia maior dimensão.

“Dois anos depois, passamos para a versão internacional. Iniciamos timidamente em 2005, com 4 harpistas, e aumentamos ano a ano. Agora, em 2023, no 18º Rio Harp Festival, teremos harpistas de 23 países, chegando a 100 concertos, a maioria no Rio de Janeiro.”

Sergio da Costa e Silva informou que Brasília e São Paulo foram agregadas depois, com o BsbHarpFestival e o SPHarpFestival, que terão neste ano a primeira e sétima edições, respectivamente.

O grande passo está previsto para a versão europeia, em agosto e setembro, com concertos em cidades da França, Itália, Croácia, Espanha, Portugal, Bélgica e Áustria. “Assim o RioHarpFestival se tornou o maior do mundo e inseriu o Brasil no circuito mundial da harpa”, afirmou.

A maioria das apresentações ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), que recebe 54 recitais em duas apresentações diárias no seu teatro, com capacidade para 172 pessoas.

Haverá recitais também no Arte Sesc Rio, no Flamengo; no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), na Cinelândia; no SESC Quitandinha, em Petrópolis; no Real Gabinete Português de Leitura; na Biblioteca Nacional; no Jockey Club; no Palácio São Clemente – Consulado de Portugal, além de pontos turísticos e históricos do Rio de Janeiro, entre os quais o Corcovado e o Forte de Copacabana.

Destaques

O harpista alemão Markus Thalheimer abre a programação, no dia 1º de julho, às 13h, dividindo o palco do CCBB RJ com a camerata do projeto Uerê, formada por crianças e adolescentes de comunidades do Rio de Janeiro, na faixa etária de 7 a 18 anos, que tocam instrumentos de cordas e percussão.

A Camerata Uerê foi criada em 2013 por Constance Depretz, violinista francesa então radicada no Rio de Janeiro. Hoje, ela é composta por 30 alunos do projeto. Markus Thalheimer nasceu em Stuttgart, Alemanha, em 1987. Teve as primeiras aulas de harpa em sua cidade natal, aos 6 anos de idade. Após os estudos, cursou a Academia Giuseppe Sinopoli da Staatskapelle Dresden por dois anos. Desde a temporada 2016/2017, Thalheimer é o principal harpista da New Lausitz Philharmonic Orchestra.

Também no dia 1º de julho, às 15 horas, ocorrerá o concerto do harpista holandês Joost Willemze, no CCBB Rio. Ele é um dos principais jovens harpistas holandeses. Aos 16 anos, recebeu o primeiro prêmio na final nacional do Concurso Princesa Cristina, em Haia. Em 2017 venceu o Concurso Internacional de Harpa do Porto e, um ano depois, o concurso italiano Suoni. Em 2022, gravou o seu CD de estreia.

No dia 2 de julho, às 13h, Willemze volta aos palcos do CCBB RJ, às 15h, com a participação especial da Orquestra de Gaita de Foles, pioneira no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio, considerada banda de referência no estado. A Orquestra de Gaita de Foles promove aulas gratuitas para crianças carentes. Segundo expôs Sergio da Costa e Silva, a fusão intencional da música brasileira e celta oferece um repertório aprimorado e uma qualidade musical distinta.

No dia 7, às 19h, no Arte Sesc, a récita Ecos Latinos vai reunir os músicos Patrice Fisher, harpa; Fran Comiskey, piano; Betsy Braud, flauta (todos dos Estados Unidos); Carlos Valadares, percussão (Guatemala), Reinaldo Pestana (percussão) e Papito Mello, baixo (Brasil), com participação especial de Claire Le Fur (França). Harpista de jazz latino, Patrice Fisher privilegia a música de Nova Orleans, Brasil e Cuba, dizendo que não só a harpa se sente “confortável” harmonicamente com a música, como também se sente atraída por suas complexidades e sincopações: “É isso que dá vontade de dançar”, disse a harpista.

No dia 8, às 17h, a Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa, zona sul da cidade, recebe a programação no Concertos de Eva – Série Música no Museu, com o Duo Spiritus Filmum, constituído pela harpista Leonor Maia e pelo flautista Francisco Barbosa. Os dois já tocaram em várias salas de concertos em Portugal, Áustria e Alemanha.

Koto

Na Biblioteca Nacional, no dia 11, às 13h, se apresentarão Dina Celeste, harpa e Gaby Portillo, violão (Paraguai). No mesmo local, às 15h, será a vez do Al Sharq Quarteto, integrado por Jaffer Swamani, Rudá Brauns, Vicente Alexim e Marcelo Conti, que fará uma homenagem a países árabes, entre os quais Turquia e Egito. A programação extensa inclui o Trio Fujiyama Nippon, do Japão, que representa o koto, ou harpa horizontal japonesa, no dia 16, às 15h, no CCBB RJ, com o concerto Tambores do Japão.

Outra novidade deste ano será o concerto do belga Jacques Vandevelde, que se apresentará com o Cacique Urutau Guajajara e o Coro Indígena, no dia 17, às 12h30, no CCBB RJ. Segundo Sergio da Costa e Silva, será um encontro entre a música erudita e a música espiritual dos povos originários. Novo encontro de harpistas europeus com a música brasileira trará a belga Heleen Vandeputte, que faz arranjos especiais para canções infantis do Brasil, como “Se Esta Rua Fosse Minha”. Haverá quatro apresentações no CCBB RJ, dos dias 17 a 20 de julho.

No dia 20, às 12h30, no CCBB RJ, o público poderá apreciar ainda o encontro de harpistas com o grupo Madrigal Cruz Lopes, coral formado por 22 cantores dos mais variados estilos, desde o clássico até a música popular contemporânea, passando pela música folclórica, sacra, óperas e oratórios.

No dia 22, às 18h, no Museu do Exército, no Forte de Copacabana, no bairro do mesmo nome, se apresentará a Orquestra Violões do Forte, com participação especial do harpista Jesús Súares, da Venezuela. O encerramento do 18º RioHarpFestival está previsto, no dia 31, no CCBB RJ, quando se apresentarão, às 12h30, a harpista Kobie du Plessis (África do Sul); e, às 15h, o Duo Vanja Ferreira, harpa, e Helder Teixeira, flauta. Vanja Ferreira é solista da Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (UFF).




Fonte: Agência Brasil

Parque de Madureira ganha placa em homenagem ao compositor Monarco


Uma placa que dá o nome do compositor Monarco, afixada no Parque de Madureira, foi entregue pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. A inauguração foi marcada por uma festa ao som da bateria da Portela. Em dezembro de 2021, um decreto da prefeitura já tinha rebatizado o lugar de Parque Madureira Mestre Monarco. O parque é local de caminhada, piquenique, pistas de skate e shows.

Líder da Velha Guarda Show da escola, Monarco – ex-presidente de honra da Portela – morreu aos 81 anos, vítima de complicações de uma cirurgia no estômago, no dia 11 de dezembro de 2021. Em sua conta no Instaram, Zeca Pagodinho disse: “Perdemos nosso mestre. A Portela está triste. Ele cumpriu a missão dele bacana. Deus recebe”.

“Para todos que convivemos com o Monarco, temos um profundo sentimento de tristeza. Mas tem uma coisa que temos de tirar desse momento: o legado que que deixou para essa cidade. Ele deixou uma história para a cultura carioca. Vocês têm de ter muito orgulho dele. Vai ser lembrado para sempre” afirmou o prefeito do Rio ao ser referir a Hildemar Diniz, o verdadeiro nome do sambista.

Obra musical

Confeccionada pela Secretaria de Conservação, a placa exibe não apenas a denominação Parque Madureira Mestre Monarco, mas também informações sobre esse ícone da música brasileira, baluarte da Portela e autor de clássicos como Coração em desalinho. Familiares do sambista estiveram presentes à cerimônia, que também contou com a participação da bateria e diversos integrantes da Portela.

“Estamos com o coração muito alegre. Queria agradecer, em nome da família Diniz, ao prefeito Eduardo Paes. Ele transformou esse lugar, que era perigoso de se passar, num grande lazer para a população. E, hoje, eterniza o nome do nosso mestre no Parque Madureira’, disse Mauro Diniz, filho de Monarco.




Fonte: Agência Brasil

Sesc Pinheiros, em São Paulo, recebe exposição Retratista dos Morros


A exposição Retratistas do Morro foi aberta no Sesc Pinheiros, em São Paulo. É composta por fotografias feitas por Afonso Pimenta e João Mendes, no período de 1960 a 1990 da região do Aglomerado da Serra, comunidade ao sul de Belo Horizonte.

Considerada a maior favela do Brasil, o Aglomerado da Serra surgiu no início do século 20 como solução de moradia para as pessoas que foram trabalhar na construção da capital mineira. Segundo as lideranças populares, hoje vivem no local mais de 150 mil pessoas.

A mostra é um desdobramento do projeto social Retratistas do Morro, iniciado por Guilherme Cunha em 2015, para contribuir para a preservação do patrimônio histórico-cultural nacional e ampliar o entendimento sobre a história das imagens no Brasil, especialmente as narrativas visuais produzidas por retratistas que atuaram nas comunidades. Para isso, foi realizado um trabalho de mapeamento, identificação, catalogação e restauração dos acervos fotográficos desses retratistas.

Memórias afetivas

Segundo o curador, pesquisador e artista visual, Guilherme Cunha, o acervo traz o trabalho dos fotógrafos que trabalharam ao longo dos últimos 50 anos registrando as memórias afetivas e o cotidiano dessa comunidade e revela, também, que houve no Brasil um movimento artístico de fotógrafos que se dedicaram a favelas.

“Esse movimento traz para nós uma outra versão da realidade da história das imagens brasileiras. O esforço do projeto é para que nós consigamos resgatar essa memória e trazer à tona essas histórias a partir do restauro desse material”, disse Guilherme.

Durante a pesquisa, destacaram-se Afonso Pimenta e João Mendes, que atuaram na região desde o fim da década de 1960 e possuem um volume significativo de acervo, incluindo negativos em preto e branco de médio formato (6×6), negativos coloridos em 35mm, monóculos e negativos em 35mm de meio quadro.

“O projeto entende que eles dois – como moradores da comunidade – trazem uma representação de imagens que a gente chama de imagens autônomas e de imagens dos próprios moradores. Esse trabalho é diferente de ser documental, é biográfico, porque ali eles estão fotografando os colegas, os amigos, as pessoas com quem eles convivem no dia a dia, os vizinhos. Então, temos outra perspectiva e outro entendimento sobre as formas de representação dessas comunidades”, afirmou o curador.

Para a mostra no Sesc Pinheiros, Guilherme realizou um profundo processo de pesquisa sobre a história da comunidade, além de um trabalho de curadoria a partir dos mais de 250 mil negativos disponíveis no acervo. Dessa seleção, aproximadamente 33 mil imagens foram restauradas e apresentam uma perspectiva histórica do Aglomerado da Serra em forma de imagens.

O curador explicou que os visitantes da exposição poderão conhecer as pessoas fotografadas não só pelo retrato na parede, já que nos últimos três anos foram feitas entrevistas com os fotografados, permitindo que os visitantes os conheçam por meio de áudio e vídeo.

“Estamos pensando na fotografia também como um espaço de escuta, trabalhando com elas tanto na dimensão visual quanto oral. Entrevistas foram feitas recentemente com as pessoas relembrando aquele momento das fotos, trazendo as memórias que estão ali nas imagens, além das memórias dos fotógrafos”, ressaltou.

Preto e branco

As primeiras imagens de João Mendes datam de 1968, apesar de ele ter se estabelecido como um dos primeiros fotógrafos profissionais no bairro, em 1973. Sua loja Foto Mendes está localizada no mesmo local e é uma referência. João ficou conhecido pelos retratos em preto e branco, 3×4 para documentos, feitos principalmente para carteiras de identidade, e fotos postais enviadas pelos Correios como cartas ou objetos de recordação a parentes que, muitas vezes, permaneciam no interior. Em seu acervo há uma grande coleção de fotografias de becas ou formaturas das crianças e jovens do local.

Afonso Pimenta saiu de São Pedro do Suaçuí, em Minas Gerais, em 1970 para viver em Belo Horizonte, para ajudar sua madrinha em uma das vilas que formam a comunidade do Aglomerado da Serra.

Ele foi assistente do fotógrafo João Mendes e, enquanto lavava as imagens já reveladas, aprendeu sua futura profissão. Afonso se estabeleceu como fotógrafo profissional quando passou a registrar os bailes de música soul da Comunidade da Serra, a convite de Misael Avelino dos Santos, um dos fundadores da Rádio Favela e organizador dos bailes.

* Colaborou Sara Quines, da TV Brasil




Fonte: Agência Brasil

Brasília tem desfile de escolas de samba em período junino


Abre-alas para o samba no Distrito Federal (DF) em pleno período junino. Este ano, o desfile das escolas de samba da capital está sendo realizado neste fim de semana, na passarela montada no Eixo Monumental, região central de Brasília. Ao todo, são 13 agremiações. A programação começou na sexta-feira (23). O acesso é gratuito. 

Os desfiles das escolas de samba do grupo especial do DF serão transmitidos pela TV Brasil. Neste sábado (24), o grupo de acesso se apresenta às 20h, e o grupo especial, às 23h10. No domingo (25), haverá a apuração às 14h (grupo de acesso) e 16h (grupo especial).

Lembranças

A maioria das escolas de samba do DF nasceu das saudades do passado no Rio de Janeiro. Pessoas que se mudaram para a capital e se sentiam distantes do carnaval do Rio. Um dos exemplos de tradição é a Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro, mais conhecida como Aruc, fundada em outubro de 1961.

Mesmo sem desfilar por quase uma década, a escola se manteve em atividade culturais em sua comunidade. Neste ano, ela traz para a avenida o enredo “Levanta, Sacode a Poeira e Dá a Volta por Cima”, em uma homenagem a todos que ajudaram a escola.

De acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa do Governo do DF, Bartolomeu Rodrigues, em entrevista à Rádio Nacional de Brasília, a experiência do desfile de escolas de samba em junho pode ser um projeto piloto. “Mesmo até para não concorrer com escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. Nossas agremiações têm tradição. Muitas delas têm histórias que se confundem com a própria história de Brasília”, explicou.

Confira a programação

Local: Sambódromo de Brasília (Eixo Cultural Ibero-americano) – ao lado da Torre de TV

Entrada gratuita

Dia 24 (Sábado)

14h10 – Matuskela

15h40 – Bloco dos Raparigueiros

17h10 – Os Criollos

18h40 – Cacique de Ramos

Desfile – Grupo de Acesso

20h – Acadêmicos do Riacho Fundo II

21h10 – Capela Imperial de Taguatinga

22h20 – Acadêmicos de Santa Maria

Desfile – Grupo Especial

23h10 – Mocidade do Gama

0h15 – Bola Preta de Sobradinho

1h15 – Acadêmicos da Asa Norte

Dia 25 (domingo)

12h – Alexandre do Samba

13h – Kris Maciel

14h – Apuração Grupo de Acesso

16h – Apuração Grupo Especial

18h – Roda de Samba Sagaz

19h – Milsinho

20h – Délcio Luiz




Fonte: Agência Brasil

Brasil quer eliminar lâmpadas com mercúrio até 2025


O Brasil tem o compromisso de tirar todas as lâmpadas fluorescentes do mercado até 2025. Essa meta foi definida no ano passado na quarta reunião da Conferência das Partes (COP) da Convenção de Minamata. A ideia é que elas sejam substituídas por lâmpadas de led, que consomem menos energia e não contêm metais pesados.

As lâmpadas fluorescentes surgiram para substituir as antigas incandescentes, com a promessa de serem mais econômicas e duráveis, e não emitirem calor, mas contêm mercúrio na composição, um metal altamente tóxico.

“Nos seres humanos, ele [mercúrio] pode causar ataxia, problemas neuromotores, neurológicos, ele é teratogênico [organismo que, estando presente durante a gestação, produz uma alteração no desenvolvimento], na formação dos fetos, ele é bastante tóxico quando ligado à questão neurológica e pode chegar até a morte”, explica a bióloga Alexandra Penedo de Pinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A reciclagem é uma ferramenta poderosa, mas ainda insuficiente. Segundo a Associação Brasileira para a Gestão da Logística Reversa de Produtos de Iluminação (Reciclus), foram recicladas nos últimos seis anos no país 33 milhões de lâmpadas fluorescentes, cerca de 5 milhões por ano, número bem inferior ao total que chega anualmente. Em 2022, foram importados 12 milhões de lâmpadas.

“O desafio é muito grande porque as pessoas precisam se conscientizar de que existem diversos resíduos que são prejudiciais ao meio ambiente. E o meio ambiente já vem sofrendo as consequências por meio de desastres naturais. Aquele resíduo que a gente joga em um lugar que não é o correto, ele traz uma consequência para o mundo”, aponta Camilla Horizonte, gerente de operações da Reciclus.

Na reciclagem, os componentes são separados: vidro, metais e pó fosfórico podem ser reutilizados. Já o mercúrio é extraído por estas tubulações conectadas a um filtro de carvão, que depois é destinado a um aterro sanitário especial.

A TV Brasil solicitou posicionamento dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Meio Ambiente, mas não houve retorno até a veiculação da reportagem.

Assista à reportagem da TV Brasil:

https://www.youtube.com/watch?v=undefined




Fonte: Agência Brasil

Especialista vê desequilíbrio em abordagem da imprensa sobre submarino


Nas últimas semanas, duas tragédias marítimas ganharam repercussão mundial. Cinco pessoas morreram enquanto faziam uma expedição turística,  em um submarino, próximo aos destroços do navio Titanic, que naufragou no início do século passado. No Mar Mediterrâneo, próximo à Grécia, um navio com imigrantes vindos da África naufragou, deixando ao menos 78 mortos. No entanto, sobreviventes relatam que a embarcação transportaria centenas de pessoas.

Nos jornais, portais de notícia e na televisão, estão disponíveis informações sobre quem eram os milionários que estavam a bordo do submarino, detalhes sobre como era feita a viagem, além de uma cobertura diária dos esforços de resgate. No caso do barco dos migrantes, não foram feitos perfis dos sobreviventes ou sequer foram divulgadas as nacionalidades daquelas pessoas.

“Dos imigrantes africanos você não tem a individualização, não tem a história daquelas pessoas – porque elas estão fazendo aquilo, qual é a razão que leva ao desespero de enfrentar aquelas condições previsivelmente trágicas”, enfatiza o jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, professor aposentado da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

Para o especialista, o fato dos dois acidentes terem ocorrido com proximidade temporal deixa explícita a diferença de tratamento da mídia em relação aos dois casos. “O fato deles acontecerem de forma simultânea evidencia o tratamento desigual que se dá quando as vítimas de um acidente são integrantes de classes sociais diferentes”, destaca.

Ele pondera que os elementos pouco usuais da viagem dos milionários ao fundo do mar para visitar o cenário de uma antiga e conhecida tragédia acaba atraindo a cobertura para esse fato. Porém, mesmo assim, Lalo avalia que há uma desmedida no tratamento das situações. “O caso da nave do Titanic foi uma experiência inusitada. Isso, realmente, do ponto de vista jornalístico, merece um destaque. Não na dimensão como vem sendo feito”, analisa.

Do outro lado, a repetição dos acidentes que matam migrantes no mar na tentativa de chegar à Europa acaba, segundo o jornalista, tendo um efeito contrário nos meios de comunicação e na opinião pública. “A morte de imigrantes vem virando rotina, por mais terrível que isso possa parecer. Ela praticamente deixa de ser um assunto novo para o público, infelizmente”, contrapõe.

Estrutura dos meios de comunicação

A diferença da cobertura acontece, na visão de Lalo, devido a questões estruturais dos grandes meios de comunicação. “Faz parte da estrutura desses meios de comunicação que estão muito voltados para produzir informações a partir e para as classes dominantes da sociedade, para os grandes grupos econômicos” diz. “É um jornalismo que tem uma vinculação muito grande com o setor mais privilegiado da sociedade, que produz informações e para o qual são dadas as informações”, acrescenta.

Para o especialista, existem diversos pontos que precisariam ser aprofundados em relação aos naufrágios envolvendo migrantes. “Qual é o grau de responsabilidade que esses países da Europa têm em relação a esses países africanos? Qual é a herança colonial que ainda perdura e leva a essas tragédias?”, questiona.




Fonte: Agência Brasil