Servidores federais e governo não têm acordo para reajuste de 2024


A reunião entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e representantes de servidores públicos federais, para tratar da Campanha Salarial de 2024, terminou sem consenso. O encontro aconteceu na tarde desta quinta-feira (10), na sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em Brasília.

Esta é terceira reunião do ano com a Mesa Nacional de Negociação Permanente, que foi reinstalada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em fevereiro. As duas primeiras reuniões sobre o tema foram realizadas nos dias 11 e 25 de julho, em Brasília.

A bancada sindical acusa o governo federal de vincular a proposta de reajuste à aprovação do arcabouço fiscal e, com isso, paralisar as negociações. O projeto está na Câmara dos Deputados, para onde voltou após ser aprovado no Senado e sofrer alterações. Os deputados têm até 31 de agosto – data limite para votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – para votar o texto.

A Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) entende que devido aos limites previstos no arcabouço fiscal, o futuro da negociação ainda está indefinido.

Após o encontro, a Fenasps divulgou nota à imprensa sobre a resposta do governo. “Esta decisão do governo representa uma frustração para o conjunto dos servidores federais que aguardam há muito tempo para terem reajuste salarial e correção nos benefícios sociais como Saúde e auxílio-alimentação”.

Na reunião desta quinta-feira, o governo federal foi representado pelas Secretarias de Gestão de Pessoas (SGP) e de Relações de Trabalho (SRT), ambas do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Procurado, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos não se manifestou sobre a negociação com os servidores até o fechamento desta reportagem.

Não há data para uma nova reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente e a continuidade das negociações.

Demandas dos sindicatos

As entidades que compõem o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) apresentaram os pontos centrais da Campanha Salarial de 2024.

  • Recomposição Salarial das perdas inflacionárias acumuladas desde de julho de 2010, avaliadas em 53,05%;
  • Revogaço, que é revogação de todas as medidas provisórias, portarias e decretos presidenciais que, de acordo com os sindicatos, “atacam os servidores públicos federais e os próprios serviços públicos”;
  • Equiparação entre os benefícios dos servidores do Poder Executivo com os dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário);
  • Instalação, em caráter de urgência, das Mesas Setoriais/Específicas que debaterão a reestruturação das carreiras.

A categoria também cobrou do governo federal a garantia de que haverá recursos financeiros para recomposição salarial na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2024, que tem prazo até 31 de agosto para ser entregue ao Congresso Nacional.

A diretora da Secretaria de Políticas Sociais da Fenasps, Viviane Peres, esclarece que a maior cobrança é mesmo pelo chamado “revogaço”, com a revogação de diversas medidas editadas nos governos dos ex-presidente Michel Temer e Jair Bolsonaro, além da retirada da Reforma Administrativa (PEC 32) da pauta do Congresso Nacional.

“Na reunião anterior sobre essa discussão, pouca coisa avançou no debate com o governo, no sentido de revogar essas medidas. As entidades estão solicitando revogações de itens, portarias, vários atos normativos. Mas, o processo está bastante limitado”. Os objetivos são reestruturar administração pública federal e combater perseguições e ataque aos servidores e aos serviços públicos.

Dia Nacional de Lutas

A reunião fez parte do Dia Nacional de Lutas da categoria, instituído neste 10 de agosto, por recomposição das perdas salariais e reestruturação das carreiras.

Durante o dia, em algumas cidades brasileiras, houve registro de mobilizações, atividades de rua e paralisações, em defesa do serviço público de qualidade, contra a Reforma Administrativa e pelo fim do assédio moral institucional.

Entidades representativas dos servidores públicos protestaram contra “a retirada de direitos dos trabalhadores, precarização das relações de trabalho, a extinção da jornada de trabalho no serviço público federal, pelo fim da responsabilização do servidor pelo adoecimento; do aprofundamento do assédio institucionalizado, da precarização; falta de atendimento presencial para a população nos serviços públicos”, entre outros.

Os representantes dos servidores planejam novas mobilizações, plenárias online de servidores públicos federais e conversas com parlamentares para conseguir a aprovação das pautas no Congresso Nacional.




Fonte: Agência Brasil

Morre em Brasília a jornalista e professora Dad Squarisi


Morreu nesta quinta-feira (10), em Brasília, a jornalista Dad Squarisi. Aos 77 anos, ela enfrentava um câncer e não resistiu às complicações da doença.  

Dad Squarisi era editora da coluna de Opinião do jornal Correio Braziliense, escritora e professora de português, tornando-se referência na língua portuguesa. Foi autora de blog e livros sobre uso do português, entre eles 1001 Dicas de Português – Manual Descomplicado.

A jornalista nasceu no Líbano e veio ainda na infância para o Brasil com os pais. Antes de estabelecer-se em Brasília, a família morou no Rio Grande do Sul, segundo informações divulgadas pelo jornal Correio Braziliense.

Dad Squarisi formou-se em letras pela Universidade de Brasília. Trabalhou como professora no Instituto Rio Branco durante dez anos e como consultora legislativa do Senado Federal.

Deixa filho, nora e dois netos. O corpo de Dad Squarisi será velado nesta sexta-feira (11), a partir das 15h, no Cemitério Campo da Esperança, conforme o jornal.

*Com informações do Correio Braziliense e da Agência Senado 




Fonte: Agência Brasil

'Quero que seja feita justiça', diz pai do garoto de 5 anos encontrado morto em córrego; mãe do menino foi presa por suspeita de envolvimento no crime




‘Sem chão, exatamente, porque é uma coisa que aconteceu, assim, do nada. A gente não esperava isso dela’, afirmou Alan Esteves sobre a mulher com quem conviveu por dois anos. Alan da Silva Esteves, pai de João Pedro Esteves Rodrigues da Silva, de cinco anos, encontrado morto em Santo Anastácio (SP)
Reprodução/TV Fronteira
Alan da Silva Esteves, pai de João Pedro Esteves Rodrigues da Silva, o garoto de apenas cinco anos de idade que foi encontrado morto em um córrego na zona rural de Santo Anastácio (SP), nesta quinta-feira (10), disse querer “que a justiça seja feita”.
Em entrevista à TV Fronteira na tarde desta quinta-feira, o pai do garoto comentou que a relação entre ele e a mãe, Izabella Rodrigues da Silva, suspeita de envolvimento na morte do próprio filho, “sempre foi boa”.
“Que eu soube, [ela] nunca bateu. Morei dois anos com ela numa casa, fui casado dois anos, ela nunca bateu nele e, tipo assim, nunca recebi reclamação de que ela estaria batendo e xingando, ele [filho] sempre falava bem dela”, informou.
O rapaz ainda disse que recebeu a notícia através do irmão dele, tio do menino, que teria ido reconhecer o corpo da vítima.
“Meu irmão precisou ir ver o corpo, aí ele chegou e deu a notícia para a gente. Eu vim para cá [delegacia], para ter mais informações do caso, como está sendo, se está sendo apurado certinho”, observou.
Agora, resta para o pai o desejo de que a “justiça seja feita”.
“Sem chão, exatamente, porque é uma coisa que aconteceu, assim, do nada. A gente não esperava isso dela. Eu não sei o que aconteceu, primeiro. Espero que os peritos resolvam tudo e que tudo possa se esclarecer. Quero que seja feita justiça. De verdade, é a única coisa que eu peço, que eles façam justiça”, concluiu à TV Fronteira.
Corpo de João Pedro foi encontrado em um córrego na zona rural de Santo Anastácio (SP)
Reprodução/Facebook
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Presa temporariamente
O corpo do menino, que estava desaparecido desde a última terça-feira (8), foi encontrado na tarde desta quinta-feira (10), em um riacho conhecido popularmente como Córrego da Figueira, em uma propriedade privada na zona rural de Santo Anastácio.
A criança foi encontrada, depois de o corpo boiar na água, por policiais integrantes das equipes que trabalhavam nas buscas realizadas desde a manhã de quarta-feira (9).
A Polícia Civil trata a mãe, de 24 anos, como suspeita de envolvimento na morte e pediu à Justiça a decretação da prisão temporária da mulher. Por determinação judicial, após a concordância do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), Izabella foi presa na tarde desta quinta-feira (11) por um prazo inicial de 30 dias, que pode ser prorrogado posteriormente pelo mesmo período, e será encaminhada à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP).
O próximo passo das investigações envolve a solicitação da perícia da Polícia Científica no local onde o corpo foi achado e do laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) que deverá indicar a causa da morte.
A mãe, Izabella Rodrigues (à direita), e o filho, João Pedro (à esquerda)
Reprodução/Redes sociais
Desaparecimento
O desaparecimento de João Pedro ocorreu entre 15h e 16h da última terça-feira (10).
As buscas foram iniciadas por volta das 9h da quarta-feira (9), na Estrada Municipal Antônio Stocco.
Efetivos das polícias Ambiental, Civil e Militar realizaram as buscas junto com o Corpo de Bombeiros. Equipamentos de drones e o Helicóptero Águia da PM também sobrevoaram pelo local para auxiliar na localização do garoto.
Corpo de menino de cinco anos foi encontrado em córrego, na área rural, em Santo Anastácio (SP)
Polícia Militar Ambiental
De acordo com o capitão João Henrique Papoti, do Corpo de Bombeiros, a mãe do menino mudou algumas vezes as versões dadas ao caso e, em uma delas, disse ter jogado a criança em uma lagoa, local onde as buscas foram concentradas na manhã desta quinta-feira (11).
No dia do desaparecimento, a mulher teria voltado para casa sem roupas e enrolada em um tapete. Ela toma medicamentos para depressão e ansiedade, segundo os bombeiros.
Corpo de menino de cinco anos foi encontrado em córrego, na área rural, em Santo Anastácio (SP)
Redes sociais
Corpo de menino de cinco anos foi encontrado em córrego, na área rural, em Santo Anastácio (SP)
Paula Sieplin/TV Fronteira
Corpo de menino de cinco anos foi encontrado em córrego, na área rural, em Santo Anastácio (SP)
Paula Sieplin/TV Fronteira
Corpo de menino de cinco anos foi encontrado em córrego, na área rural, em Santo Anastácio (SP)
Corpo de Bombeiros
Corpo de menino de cinco anos foi encontrado em córrego, na área rural, em Santo Anastácio (SP)
Murilo Zara/TV Fronteira
Corpo de menino de cinco anos foi encontrado em córrego, na área rural, em Santo Anastácio (SP)
Murilo Zara/TV Fronteira

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Fonte: G1

Vandalismo e furto prejudicam abastecimento de água em Adamantina e mobilizam reparos pela Sabesp | Presidente Prudente e Região


A companhia lamentou os transtornos e reforçou a orientação para uso consciente da água em toda a área abrangida, visando a reduzir o prazo para recuperação do sistema. Esclareceu ainda que a manutenção está sendo comunicada por meio de SMS a consumidores com cadastro atualizado, por comunicado à imprensa, pelas redes sociais da empresa e carros de som.




Fonte: G1

Mãe suspeita de envolvimento na morte do próprio filho postava fotos com mensagens de amor e proteção ao menino nas redes sociais | Presidente Prudente e Região


“Fiquei sem chão, estava me arrumando porque ia sair com outra amiga nossa para ajudar a procurar por ele, fiquei triste demais porque adoraria que ele fosse encontrado com vida, só com fome e sede, mas bem, podendo falar o que aconteceu e indo para o porto seguro dele novamente, a Belinha”, completou ao g1.




Fonte: G1

SP terá um ano de eventos para celebrar cinquentenário do hip hop


A capital paulista terá um ano de atividades comemorativas aos 50 anos do hip hop. Os eventos, que ocorrerão até agosto de 2024, são promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura e ocuparão espaços tradicionais do movimento em São Paulo, como o Centro Cultural São Paulo (CCSP) e a Casa de Cultura Hip Hop Leste.

Nesta sexta-feira (11), no Pátio Metrô São Bento, ocorrerão palestras com Thaíde, Xis, Nelson Triunfo e Marcelinho Backspin, além de shows de DJ Vodu Vic, Coruja BC1, RPW, Negredo e Meg Pedrozzo. No final de semana, o ZL Trap Festival 2.0 ocupa a Casa de Cultura Hip Hop Leste com shows de Vulgo FK, MC Luanna, Ajuliacosta, Sidoka e BC Raff. A programação vai até o próximo dia 23 e pode ser acessada aqui.

“Essa cultura, que tem seu início em um ambiente extremamente fragilizado por diversos tipos de violências, carrega a síntese do que é transformação. O hip hop, desde a década de 1970, vem conquistando o mundo e segue mudando a música, a dança, a moda, as artes visuais e a maneira como toda uma juventude, em sua grande maioria preta e periférica, se expressa”, destaca o assessor técnico do Núcleo de Hip Hop da secretaria, Marcello Gugu.

Movimento cultural criado por negros e latinos dos subúrbios de Nova York, o hip hop tem o 11 de agosto como data inaugural, quando foi realizada a primeira festa desta manifestação artística, no bairro do Bronx. O movimento chegou ao Brasil nos anos 1980, e o centro da cidade de São Paulo é um dos berços da manifestação.




Fonte: Agência Brasil

Justiça decreta prisão temporária de mulher suspeita de envolvimento na morte do próprio filho, de 5 anos de idade, em Santo Anastácio | Presidente Prudente e Região


A Justiça decretou na tarde desta quinta-feira (10) a prisão temporária de Izabella Rodrigues da Silva, de 24 anos, suspeita de envolvimento na morte de seu próprio filho, João Pedro Esteves Rodrigues da Silva, de apenas cinco anos de idade, em Santo Anastácio (SP).




Fonte: G1

Mulher tenta usar cheque furtado para fazer compra em supermercado, mas acaba denunciada por funcionários e presa em flagrante, em Pacaembu | Presidente Prudente e Região


Uma mulher, de 29 anos, foi presa em flagrante suspeita de ter furtado R$ 600 em dinheiro, dois aparelhos celulares, uma câmera digital e outros objetos da casa de um idoso, de 83 anos, em Pacaembu (SP), nesta quarta-feira (9). A suspeita foi localizada pela polícia após funcionários de um supermercado realizarem uma denúncia ao desconfiarem de um cheque, em nome de uma outra pessoa, apresentado pela mulher.




Fonte: G1

Bom Prato tem cardápio especial de almoço nesta sexta-feira para celebrar o Dia dos Pais em Presidente Prudente




Restaurante está localizado na Avenida Brasil, 1.073, na Vila São Jorge. Restaurante Bom Prato em Presidente Prudente (SP)
Mariana Padovan/Secom
O restaurante do Programa Bom Prato oferece um cardápio especial de almoço nesta sexta-feira (11), em Presidente Prudente (SP), para comemorar o Dia dos Pais. As refeições serão servidas a partir das 10h30, atendendo preferencialmente a idosos, e às 11h, para o público em geral.
Para marcar a data, o cardápio terá arroz, salada mediterrânea, lagarto ao molho madeira e batata com manteiga e bacon, além de doce de morango como sobremesa.
A unidade do Bom Prato está localizada na Avenida Brasil, 1.073, na Vila São Jorge, com funcionamento de segunda a sexta-feiras, e serve diariamente 1,8 mil refeições, entre 300 cafés da manhã e 1,5 mil almoços.
No local, o almoço custa R$ 1,00, enquanto o café da manhã sai por R$ 0,50.
As pessoas em situação de rua almoçam diariamente sem custo, por meio de uma credencial oferecida pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS).

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Fonte: G1

Brasil celebra bicentenário de nascimento do poeta Gonçalves Dias


Nesta quinta-feira (10), quando se completam 200 anos de nascimento do poeta Gonçalves Dias, o professor de literatura brasileira e dramaturgia da Universidade Federal Fluminense (UFF) André Dias destaca o fato de ele ter sido ser o poeta que consolidou os preceitos do romantismo no país. Segundo o professor, Gonçalves Dias é figura de proa do romantismo e “tem papel central no sentido de ser o primeiro exercício efetivo de construção de uma nacionalidade brasileira”.

Em entrevista à Agência Brasil, Dias lembrou que, após a Independência do Brasil, em 1822, um grupo de intelectuais, escritores e estudiosos tentava articular a ideia de uma nacionalidade efetivamente brasileira. “Então, a gente estava diante de um país absolutamente jovem, sem um passado histórico, diferente do que havia em nações da Europa, que tinham passado pelo advento do período medieval. Nós não tínhamos isso no Brasil. Nós tínhamos os povos originários”. Coube a essa geração de intelectuais a tarefa de construir a primeira ideia de nacionalidade.

André Dias admitiu que, em 2023, a constituição de uma nacionalidade forjada pelos primeiros românticos, “com toda razão”, é questionável. Pode-se falar, por exemplo, na ausência da figura do negro na formação da nacionalidade brasileira no início do romantismo, o que vem a ocorrer somente na última fase do movimento, com Castro Alves, um poeta que cantava a liberdade. O professor ressaltou que, ainda que hoje haja esse olhar crítico, o papel dos primeiros românticos – em especial, de Gonçalves Dias – foi consolidar a ideia do romantismo e, por extensão, consolidar a ideia de nacionalidade brasileira.

Do ponto de vista estético, o professor destacou que, em Gonçalves Dias, o primeiro ponto de inflexão é de uma poesia alta. “Uma poesia esteticamente consolidada, que soube aclimatizar a formação intelectual que ele teve na Europa, especialmente em Portugal, para o temperamento brasileiro. Ele vem com uma formação sólida intelectual feita em Portugal, e essa formação sólida está a favor da construção de uma poesia brasileira nos termos daquele momento da primeira metade do século 19, no Brasil”.

Por isso, afirmou, comemorar os 200 anos de nascimento de Gonçalves Dias significa celebrar um pioneiro, não só do ponto de vista de uma literatura efetivamente brasileira, mas no sentido da construção da ideia de nacionalidade brasileira.

Indianista

Toda a poesia nacionalista diz respeito à fase indianista, em que Gonçalves Dias celebra as paisagens brasileiras e o indígena brasileiro. Mas, enquanto José de Alencar, na prosa, transforma o indígena em um personagem muito particular da literatura nacional, Gonçalves Dias faz algo diferente. Ele não transforma o indígena em um personagem, mas em um símbolo. “Essa figura indígena que hoje, aos olhos de 2023, a gente pode e deve questionar, naquele momento teve um papel importantíssimo porque Gonçalves Dias vai retratar a figura do indígena, portanto do primeiro homem brasileiro efetivamente, como uma entidade que, além de nobre, forte, viril, é capaz de suportar as maiores adversidades.”

O poema épico Canto do Tamoio, por exemplo, é a narração poética de um guerreiro indígena que está nas mãos dos inimigos. E, diante da situação de cárcere, esse homem canta sua lamentação de estar naquele momento preso, mas não perde a altivez. “Nesse sentido, Gonçalves Dias tem um papel extraordinário, porque vai trazer para o primeiro plano uma figura que sequer aparecia no âmbito da cultura brasileira, a não ser como objeto também da escravidão e da exploração branco europeia. Ele tem esse papel importante.”

Dias salientou que, na leitura feita atualmente, existem divergências sobre a imagem grandiloquente que o poeta criou dos indígenas. mas isso não significa, “como alguns tentam fazer nos dias atuais”, que a construção dos escritores românticos da fase indianista contribuiu para uma imagem deturpada da figura do indígena. “Não. Isso é uma incorreção dizer”. Para o professor, é importante ressaltar que Gonçalves Dias foi um dos primeiros escritores a dar protagonismo às populações indígenas no Brasil. Outro poema épico famoso de Dias é I-Juca-Pirama.

O professor concluiu que um dos grandes méritos de Gonçalves Dias é o fato de ele ter concentrado, no âmbito da poesia indianista, a construção de grandes poemas épicos, exaltando a figura do indígena e, por extensão, da própria nação brasileira. Gonçalves Dias era o cantor das terras brasileiras e foi também o cantor do amor e das paixões. “Era um romântico típico, sofrendo muito os amores, quase sempre não realizados.”

Pensar o Brasil

O também poeta Marco Lucchesi, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) e atual titular da Biblioteca Nacional (BN), enfatizou que Gonçalves Dias criou uma gramática para exprimir as diversas sonoridades da língua portuguesa com “exímia perfeição”. Lucchesi disse à Agência Brasil que Gonçalves Dias, entretanto, não se limitou às formas. “As formas emprestaram materialidade para a expressão mais lírica de sua sensibilidade.”

Por outro lado, o poeta ajudou a pensar o Brasil, acrescentou Lucchesi. “A imaginação e a história se concentram na sua obra. A presença do indígena, sentida desde a infância e lançada em uma visão sensível e profunda que, de algum modo, até hoje, se apresenta, revista, aprofundada, deslocada”. Segundo o acadêmico, Gonçalves Dias foi também um crítico importante da escravidão no país, como se vê em uma publicação dele, na metade do século 19, intitulada Meditação. “Não passou despercebida pela ótica do poeta a necessária crítica a um sistema injusto de outrora.”

Lucchesi retornou de visita à Academia Maranhense de Letras, onde participou, no último dia 7, das comemorações do bicentenário do poeta romântico, proferindo a palestra Gonçalves Dias, uma Ideia de Brasil. Para sua surpresa, Lucchesi recebeu do titular da academia maranhense, Lourival Serejo, cópias de processos inéditos redigidos por Gonçalves Dias que estavam guardados no arquivo da instituição, quando o poeta exercia a advocacia. “As cópias foram cedidas gentilmente e, hoje, já integram a Gonçalvina da Biblioteca Nacional.”

Fundada em 1908, exatamente no dia do nascimento do poeta, a Academia Maranhense de Letras está exibindo em seu site o filme Gonçalves Dias por Gonçalves Dias, produzido pelo Museu da Memória Audiovisual do Maranhão e pela Dupla Criação. Também em comemoração ao bicentenário do poeta maranhense, o filme se baseia em texto do acadêmico Sebastião Moreira Duarte e é dirigida pelo acadêmico Joaquim Haickel.

Biografia

Antônio Gonçalves Dias, patrono da Cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras, nasceu em 10 de agosto de 1823, no sítio Boa Vista, em terras de Jatobá, na época pertencente a Caxias, hoje município de Aldeias Altas, no Maranhão. Foi poeta, advogado, professor, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Grande nome da corrente literária conhecida como indianismo, ao lado de José de Alencar, é famoso pelos poemas Canção do Exílio e I-Juca-Pirama, além de muitos outros de cunho nacionalista e patriótico, pelos quais receberia o título de poeta nacional do Brasil. Também foi pesquisador das línguas indígenas e do folclore brasileiro.

Recebeu educação de um professor particular e, em 1938, seguiu para Portugal, para completar os estudos. Em 1840, matriculou-se na Universidade de Direito de Coimbra, onde teve contato com escritores do romantismo português, entre eles, Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Feliciano de Castilho. Durante sua permanência em Coimbra, escreveu a maior parte de suas obras, inclusive a famosa Canção do Exílio (1843), na qual expressa o sentimento da solidão e do exílio. Em 1845, depois de formado em direito, voltou para o Maranhão e, no ano seguinte, foi morar no Rio de Janeiro onde procurou integrar-se ao meio literário. Em 1847, com a publicação de Primeiros Cantos, conseguiu sucesso e o reconhecimento do público.

Em 1849, foi nomeado professor de latim e história do Brasil no Colégio Pedro II. Escreveu para várias publicações, entre elas, o Jornal do Comércio, a Gazeta Mercantil e o Correio da Tarde, fundando também nesse período a Revista Literária Guanabara. De volta ao Maranhão, em 1851, o poeta se apaixona por Ana Amélia Ferreira do Vale e a pede em casamento no ano seguinte, mas, por ser mestiço, a família dela proibiu o matrimônio.

Em 1852, retorna ao Rio de Janeiro e se casa com Olímpia da Costa. É nomeado oficial da Secretaria de Negócios Estrangeiros e passa a viajar constantemente para a Europa. Em 1862, Gonçalves Dias vai mais uma vez à Europa, em busca de tratamento para um problema de saúde. Sem encontrar resultados, embarca de volta ao Brasil no dia 10 de setembro de 1864. Entretanto, o navio francês Ville de Boulogne em que viajava naufragou perto do Farol de Itacolomi, no município de Guimarães, na costa do Maranhão, onde o poeta faleceu, no dia 3 de novembro de 1864.

Gonçalves Dias é considerado o grande poeta romântico brasileiro. Sua obra poética apresenta os gêneros lírico e épico. Na lírica, os temas mais comuns são: o indígena, o amor, a natureza, a pátria e a religião. Na épica, canta os feitos heroicos dos povos indígenas.

A parte amorosa contida nos versos de Gonçalves Dias foi inspirada por Ana Amélia Ferreira do Vale, cuja família não permitiu o casamento. A recusa causou sofrimento ao poeta, que ele registrou nos poemas Se Se Morre de Amor, Minha Vida e Meus Amores e o mais conhecido poema de amor impossível Ainda Uma Vez – Adeus.

Como poeta da natureza, Gonçalves Dias canta as florestas e a luz do sol. Seus poemas sobre os elementos naturais conduzem seu pensamento a Deus. Sua poesia sobre a natureza se entrelaça com o saudosismo e sua nostalgia o remete à infância, Na Europa sente-se exilado e é levado até sua terra natal através da Canção do Exílio, considerado um clássico da literatura brasileira.

A biografia completa do poeta pode ser acessada no site da Academia Brasileira de Letras.




Fonte: Agência Brasil