“Não sou de lá e nem daqui”, diz coreano que vive há 57 anos no Brasil


“Os imigrantes vivem em um terceiro mundo desse espaço/tempo. Não são de lá de onde vêm, nem são de onde estão”. Foi com essa frase que o escritor e professor Jung Mo Sung (foto), da Universidade Metodista de São Paulo, resumiu sua história de imigração à Agência Brasil. Segundo ele, essa realidade é comum a todas as pessoas que saem de seus lugares de origem para viver em uma nova região. Neste domingo (25), data em que se celebra o Dia do Imigrante, o professor diz que estar nessa condição é viver sempre como um estrangeiro.

Jung Mo Sung deixou a Coreia do Sul em 1966, quando tinha 8 anos de idade. Ele faz parte do segundo grupo de coreanos que chegou oficialmente ao Brasil. O primeiro, formado por 109 pessoas, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, chegou em fevereiro de 1963, há exatos 60 anos. Já ele saiu de Busan, em um navio, e chegou em território brasileiro em 1966, junto com a mãe e seus três irmãos.

Nesse navio havia dezenas de famílias coreanas que tinham como destino o Brasil, a Argentina e o Paraguai. Só aqui no país, segundo ele, desembarcaram 53 famílias. “Eu tinha 8 anos quando eu cheguei aqui, em 1966. Sou do segundo grupo de coreanos que chegaram. O primeiro foi em 63. Tinha um grupo pequeno em 63 e daí, em 66, veio a segunda turma”, explicou.

A viagem durou longos 57 dias, em um navio que também era de carga. “Saímos de Busan, segunda cidade mais importante da Coreia do Sul, e chegamos a Paranaguá. Antes, o navio havia feito a primeira descida no Rio de Janeiro e, depois, em Santos. O navio era misto, de carga e de passageiros”, contou.

Dessa longa jornada, ele se recorda principalmente das brincadeiras com outras crianças e de um horizonte que nunca chegava.

“Isso me marcou muito. Teve uma passagem de 17 dias sem ver terra, que acho que foi das Filipinas até a África do Sul. Essa foi uma experiência muito marcante para mim. A gente via baleias e também peixe-voador”, lembrou.

Do Porto de Paranaguá, no Paraná, esses imigrantes coreanos que chegaram ao Brasil em 1966 seguiram para a cidade de Castro, onde foram alojados em um quartel do Exército. “Nós ficamos na colônia um ano só, porque a colônia era muito ruim, a terra era muito ruim. Enquanto a colônia não ficou pronta, nós ficamos um tempo no quartel de Castro e aí, depois, fui morar em Ponta Grossa para aprender português, na escola. Fui morar com uma família de brasileiros, de tradição italiana. E aí ficamos um ano: meu pai conseguiu emprego na prefeitura de Apucarana, no norte do Paraná, e fomos para lá. E, depois de dois anos, nós viemos para São Paulo. Em São Paulo, meu pai resolveu morar em bairros onde não tivessem coreanos para aprender rapidamente o português. Não tive muito contato com coreanos”, contou.

Já a médica Hee J. Hong, chamada de Beth por aqui, chegou ao Brasil em 1969, com 3 anos de idade. Sua mãe era produtora e apresentadora de um programa infantil na KBS (um canal de televisão da Coreia do Sul) e seu pai era técnico na mesma empresa. Eles deixaram Seul de avião, com a promessa de chegar ao Brasil e “trabalhar junto com uma tia que comercializava perucas na época”.

“Possivelmente, minha família tenha sido uma das primeiras a chegarem ao Brasil via aérea”, contou a médica.

No entanto, a ideia inicial de sua família não funcionou e o pai decidiu abrir uma loja para reparo de equipamentos eletrônicos.

Jung Mo Sung e Hee Hong são dois exemplos dos mais de 50 mil coreanos que se estima viverem atualmente no Brasil. A maioria deles, como o professor e a médica, mora em São Paulo. Segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), o Brasil recebe, somente neste ano, 265 imigrantes coreanos. Desse total, 215 se estabeleceram em São Paulo. Em todo o ano passado, o Brasil recebeu 719 imigrantes coreanos, dos quais 555 escolheram o estado de São Paulo como local de destino.

A Coreia

A Coreia que o professor Jung Mo Sung havia deixado para trás era um país na época bastante pobre, vivendo uma crise econômica e uma ditadura militar. “Com a crise econômica, meu pai falou: ‘vamos tentar outra vida’. Ele tinha uma vida de classe média na Coreia, mas havia uma tensão política muito grande lá por causa da ditadura. Então meu pai falou: ‘vamos cair fora daqui’’’. E foi assim que o pai dele, que era engenheiro-arquiteto, veio antes ao Brasil, em um avião, para trabalhar na construção de casas para uma colônia coreana no Paraná. Ele, a mãe e os irmãos vieram depois, de navio.

“A data comemorativa de 60 anos faz menção ao primeiro grupo de migrantes coreanos que chegaram de maneira oficial, ou seja, de uma migração que foi incentivada pelo governo coreano e que passou por negociações bilaterais entre Brasil e Coreia. Então, no ano de 1963 chegaram 103 pessoas [na contagem do Museu da Imigração seriam 103 pessoas, não 109, como diz o ministério] em famílias e indivíduos. Eles partiram da Coreia do Sul no dia 18 de dezembro de 1962 e viajaram por 54 dias”, explicou Thiago Haruo, gestor de Pesquisa do Museu da Imigração, em entrevista à Agência Brasil.

“A década de 60 era o período do pós-guerra para eles, em que estavam lidando com as consequências da guerra da Coreia, que devastou o país. Então você tinha um cenário de um país empobrecido. E isso a gente pode identificar em várias falas de migrantes que gravaram entrevistas aqui com a gente [do Museu da Imigração]. Ao mesmo tempo, o Brasil estava em seu contexto de reabertura da imigração internacional no pós-guerra”, acrescentou Haruo.

Esses migrantes coreanos eram em geral da classe média, ressaltou Haruo. “Normalmente não são nem as pessoas mais pobres que migram porque elas não têm recursos, nem as pessoas mais ricas. Então são as pessoas de classe média que, de alguma forma, conseguem os recursos. No cenário de guerra ali na década de 60, muitas pessoas que tinham um ensino médio, uma escolaridade razoavelmente alta, migraram.”

Os coreanos que chegaram ao Brasil em 1963, contou Haruo, desembarcaram no Porto de Santos e subiram, de ônibus, para a então Hospedaria de Imigrantes, local onde hoje está localizado o Museu da Imigração, na capital paulista, e que era um local de passagem para os estrangeiros que chegavam ao país. “Eles vieram para a Hospedaria para esperar porque eles iriam pra uma cidade chamada Miracatu, a 140 quilômetros da cidade de São Paulo, local onde supostamente eles iriam conseguir comprar uma terra para poder trabalhar. Essa espera virou um drama porque o terreno não era o que tinha sido prometido: as condições do terreno não estavam agricultáveis e, além de tudo, tinha uma ocupação de outras pessoas já trabalhando nesse terreno e esses imigrantes não sabiam. Houve uma fraude. Posteriormente eles decidiram por não prosseguir com a compra dessas terras”, explicou Thiago Haruo.

Com essa “mudança” forçada nos planos, os primeiros coreanos que chegaram de forma oficial ao Brasil decidiram então se dedicar ao comércio. E foi assim que eles se firmaram principalmente no Bom Retiro, no centro de São Paulo, bairro onde há muitas confecções. “Tem uma questão interessante que vem justamente no momento de mudança da migração [no Brasil]. A migração deixa de ser aquilo que era antes, que era um fator econômico para desenvolver as plantações e para desenvolver a economia cafeeira, para virar um problema social. Então esse é um grupo que chega bem nessa transição”, contou o gestor do museu.

São Paulo 24/06/2023 - Migração coreana- Feira do Bom Retiro, que reune a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Bairro Bom Retiro, na região central de São Paulo, é referência para a comunidade coreana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

“Nas décadas de 60 e 70, a própria migração interna é superintensa do campo pra cidade. O Brasil deixa de ser rural. Então esses migrantes coreanos já vêm nesse momento em que os postos de trabalho no campo já não são tão interessantes. Como eles já tinham algumas experiências de trabalho em cidade e uma certa escolaridade, eles decidem não seguir no campo. O comércio, inicialmente, se tornou um foco de atuação. Trabalhos acadêmicos mencionam muito sobre esse trabalho de sair pra vender, principalmente as mulheres, que saiam à noite tocando nas portas, vendendo as roupas que elas conseguiam adquirir em outros lugares e vendiam, repassavam, mesmo com a dificuldade da língua. Isso depois vai se desdobrar para a aproximação desse grupo no campo da confecção de roupas, como eles vêm a ficar muito conhecidos aqui na cidade de São Paulo”, disse Haruo.

Isso não aconteceu somente com esse primeiro grupo de imigrantes coreanos. Esse foi o caso, por exemplo, do pai do professor Jung Mo Sung, que era engenheiro/arquiteto na Coreia e, quando chegou ao Brasil, passou também a trabalhar com confecções.

“Em São Paulo [meus pais] trabalharam no comércio, em confecção. Começaram fazendo costura, depois tentaram vender. Montaram uma fabriquinha e foi. Começamos em uma casa, [no bairro] na Aclimação para fazer costura. Depois fomos para [os bairros] a Mooca e Brás. O custo para pagar uma loja no Brasil é muito alto, então a gente tinha uma fábrica e a gente alugava uma sala”, contou o professor.

Ditaduras e traumas

Fugindo de um regime ditador por lá, os coreanos chegam ao Brasil no período em que o país também vive uma violenta ditadura. Associada a uma dificuldade de se comunicar, pela questão linguística, os coreanos passam a viver no Brasil sob intenso receio e preconceitos. “O primeiro grupo social [de coreanos] migrou em 63 e pegou o período da ditadura [no Brasil]. E esse é um período em que a politica migratória passou a enxergar no migrante um inimigo, um inimigo nacional. Então a população migrante, não só coreana, que também tem essa questão da dificuldade da língua, tem também uma dificuldade enorme de se regularizar. E isso tem consequências para os seus negócios. Até hoje, as pessoas mais antigas da comunidade têm um pouco de receio de abrir suas portas e de explicar como são os seus negócios”, contou Haruo.

Dificuldades provocadas pela língua, ausência de políticas públicas voltadas para o acolhimento e o sentimento de não pertencimento ou de crise de identidade. Ser migrante é também enfrentar dificuldades e aprender a lidar com traumas, provocados principalmente pelas diferenças culturais.

“Acho que para um imigrante, principalmente oriental, tudo é mais complicado. E, apesar dos imigrantes japoneses já estarem no Brasil nessa época, os brasileiros ainda estranhavam a presença de pessoas com essas características físicas, com os olhos diferentes, puxados. Minha mãe conta histórias de pessoas que devolveram o tofu por estar com uma consistência e sabor diferente do queijo”, recordou a médica.

“Vamos tocando a vida, mas vamos descobrindo que [a migração] marca muito. É tudo diferente, a forma como se come, a forma como se senta à mesa. Para se comer no Brasil, você enche a boca, espera, termina de mastigar e depois coloca outro pedaço. Na cultura coreana, você coloca arroz, depois você começa a colocar várias misturas e junta na boca e mastiga. O coreano, quando já tem a boca cheia de comida, vai colocando mais comida. Então, até a noção do que é ser educado é uma confusão. Lá eu era visto como uma pessoa educada, que come bem, direitinho. Mas aqui, no Brasil, estava totalmente errado. Então se cria uma crise de identidade, vamos dizer assim”, disse Jung Mo Sung.

Já adulto, Jung Mo Sung retornou para a Coreia algumas vezes. Mas lá também não conseguiu se sentir em casa. “Quando eu voltei para a Coreia, pela primeira vez, para participar de um congresso, chegando lá eu falei: ‘aqui é meu lugar’. Três dias depois, eu queria voltar para casa porque a cultura lá é completamente diferente. Mas, quando volto para cá, aqui também não é a minha casa porque sou estrangeiro aqui. Tive um AVC [acidente vascular cerebral] há cinco anos e perdi só a fala. Perdi o coreano, estou aprendendo de novo o inglês, estou aprendendo de novo. Mas uma das coisas que percebi é que eu voltei a ter hábito coreano. Por exemplo, na universidade, a pessoa vinha para me cumprimentar e eu abaixava a cabeça, o que é o automático na Coreia, e não dava a mão. Eu dizia para as pessoas que estava recuperando a minha identidade de coreano”, contou.

Para ele, a história do migrante está sempre associada à adaptação, a dificuldades e sofrimento. “E há duas formas de se lidar com esse sofrimento: resolver, e isso leva tempo, já que é [preciso] abrir de volta as feridas para poder limpar; ou então você fecha e faz de conta que não tem. Mas como isso está lá, isso volta como uma forma de neurose, repressão, etc.”, destacou. “Precisamos entender o processo do mundo em relação à imigração, à globalização cultural e de convívio com gentes estranhas”, acrescentou.




Fonte: Agência Brasil

Caminhoneiro é preso com quase 6 mil quilos de maconha escondidos em compartimento de carga




Veículo, com placas de Cambé (PR), seguia pela Rodovia Jorge Bassil Dower (SP-421) quando foi abordado na altura do km 104, na noite deste sábado (24), em Iepê (SP). Apreensão ocorreu na Rodovia Jorge Bassil Dower (SP-421) , em Iepê (SP), na noite deste sábado (24)
Polícia Militar Rodoviária
Um caminhoneiro foi preso em flagrante por tráfico de drogas na noite deste sábado (24), na Rodovia Jorge Bassil Dower (SP-421), em Iepê (SP).
Durante uma operação conjunta entre a Polícia Militar Rodoviária e a Polícia Federal, o motorista, que dirigia um caminhão-trator com dois semirreboques, foi abordado na altura do km 104.
Ao longo da fiscalização e da entrevista, o condutor apresentou certo nervosismo, o que motivou uma busca minuciosa pelo veículo, segundo a polícia.
Em um dos compartimentos de carga, foram localizados 5.857 quilos de maconha, distribuídos em 199 fardos. O entorpecente foi apreendido.
Os agentes também confiscaram dois celulares, R$ 1 mil em dinheiro e o caminhão, com placas de Cambé (PR).
A ocorrência foi apresentada na Delegacia de Polícia Federal, em Presidente Prudente (SP), e o motorista foi indiciado por tráfico de drogas.

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Fonte: G1

Hoje é Dia: Orgulho LGBTQIA+, Allende e Dia de São Pedro são destaques


A semana entre os dias 26 de junho e 1º de julho de 2023 se notabiliza por celebrações voltadas à conscientização de causas. Em 28 de junho, é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A data marca o “Incidente de Stonewall” de 28 de junho de 1969, quando frequentadores do bar Stonewall Inn em Greenwich Village, Nova York, reagiram pela primeira vez contra as constantes ações de truculência policial. 

Em 2021, o Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia, fez um programa especial sobre a data e debateu a importância da lembrança de pautas pró-movimento LGBTQIA+:  

O 26 de junho é o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas. A data foi instituída pela Assembleia Geral da ONU de 7 de dezembro de 1987. No Brasil, essa data foi oficializada por um decreto em 28 de maio de 1999, que estabeleceu a “Semana Nacional Antidrogas” para os brasileiros. A Agência Brasil já noticiou a realização de alguns eventos relacionados à Semana Nacional de Políticas sobre Drogas (como em 2002 e 2020). O 26 de junho também é o Dia Internacional das Nações Unidas em apoio às Vítimas de Tortura. A data foi instituída pela ONU em resolução de dezembro de 1997, para relembrar o 26 de junho de 1987, quando entrou em vigor nos países-membros signatários, a “Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes”. Em 2017, o História Hoje falou sobre a efeméride:

No dia 29 de junho, é comemorado o Dia de São Pedro. A data, que fecha as festividades juninas, já foi tema de conteúdos do Portal EBC e também do História Hoje:  
 

Nascimentos e mortes

A semana também tem datas que celebram a biografia de figuras famosas. No dia 26 de junho, o nascimento do ex-presidente chileno Salvador Allende completa 115 anos. Em 1973, Allende foi deposto por um golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet, chefe das Forças Armadas. Em 2013, o Portal EBC contou a sua trajetória.

No dia seguinte, o nascimento do escritor, diplomata e médico mineiro João Guimarães Rosa também completa 115 anos. Figura das mais importantes da literatura brasileira, ele foi destaque no Momento Literário (quadro do programa Antena MEC) em 2019:

No dia 30 de junho, a morte do comunicador de rádio e televisão pernambucano José Abelardo Barbosa de Medeiros, conhecido como Chacrinha, completa 35 anos. Nesse mesmo dia, também é lembrado o falecimento do padre católico, cientista e inventor gaúcho Roberto Landell de Moura.

Landell de Moura, que faleceu há 95 anos, foi lembrado como o “padre que inventou o rádio no Brasil” em matéria sobre os 100 anos de rádio no Brasil publicada na Agência Brasil em 2022.

EBC e Copa do Mundo

A semana tem ainda duas datas relacionadas à Empresa Brasil de Comunicação. Em 29 de junho, o programa Garimpo na Rádio Nacional AM do Rio de Janeiro celebra 13 anos.

No dia 1º de julho, o programa Sem Censura completa 38 anos. Foi em 1º de julho de 1985 que o programa entrava no ar na extinta TVE do Rio de Janeiro. Em 2020, o Sem Censura fez um programa especial relembrando a estreia:

Por fim, a semana marca a lembrança o primeiro título mundial do Brasil. No dia 29 de junho de 1958, o Brasil goleava a Suécia por 5 a 2 e conquistava a Copa do Mundo daquele ano. Em 2012, o Portal EBC publicou, na íntegra, os áudios daquela decisão (transmitida pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro).  

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:




Fonte: Agência Brasil

Mulher leva socos, chutes e tem rosto esfregado no chão por namorado, em Tupi Paulista


De acordo com a Polícia Militar, a vítima apresentava lesões no rosto, perna e braços e, segundo ela, na noite de sexta-feira (23), após um desentendimento com o suspeito, teria sido agredida com socos e chutes, caindo no chão, onde ele esfregou o rosto da mulher, causando lesões.




Fonte: G1

Corpo de mulher é encontrado por pescador no Rio Paraná, em Presidente Epitácio



De acordo com a Polícia Militar, a suspeita é de morte por afogamento. O corpo de uma mulher foi localizado na tarde deste sábado (24), às margens do Rio Paraná, no distrito de Campinal, em Presidente Epitácio (SP).
De acordo com informações da Polícia Militar, um pescador encontrou o corpo da vítima boiando perto da Avenida Pôr do Sol, próximo a alguns ranchos, e ele mesmo avisou o policiamento.
Ainda segundo os policiais, a suspeita é de que a morte tenha sido por afogamento.
A ocorrência foi registrada às 16h43 e ainda está em atendimento.
O Corpo de Bombeiros disse que não foi chamado para o atendimento da ocorrência. A perícia foi acionada e as causas da morte serão apuradas.

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Fonte: G1

Amor canino: Drive-thru ‘Mania de Cão’ reúne tutores e pets no Parque do Povo, em Presidente Prudente




Evento faz parte de uma ação três em um da TV Fronteira, com atividades na TV, internet e presencialmente. Drive-thru “Mania de Cão” mobiliza amantes de pets em Presidente Prudente (SP) neste sábado (24)
Leonardo Jacomini/g1
Os amantes de pets tiveram neste sábado (24) uma tarde diferente em Presidente Prudente (SP). O drive-thru “Mania de Cão”, da TV Fronteira, foi realizado no Parque do Povo e reuniu donos de cãezinhos que se inscreveram no site, participaram do evento e fizeram a retirada de vários brindes.
A ação foi realizada em frente à emissora, depois da exibição do programa Mania de Cão, a partir das 15h e seguiu até as 17h.
A gerente de Marketing da Tv Fronteira, Marcela Marino, lembra que o evento é um grande plano de logística na emissora, já que o trabalho começa bem antes do drive-thru e precisa de sincronia entre as produções, que começam na TV, passam pelo online e terminam no presencial.
“Esse é um evento que reúne três coisas diferentes, o drive é só a ponta do evento. O programa já passou, agora vem o drive e no final a gente ainda entrega os prêmios do concurso. Nós estamos acostumados a fazer esse evento, a gente tem um parceiro maravilhoso, que está sempre conosco, o pessoal da Semob também nos ajuda e a expectativa é que venham as 300 pessoas cadastradas”, pontua Marcela.
Drive-thru “Mania de Cão” mobiliza amantes de pets em Presidente Prudente (SP) neste sábado (24)
Leonardo Jacomini/g1
No drive-thru, os inscritos no site do Mania de Cão fizeram a retirada de brindes para os animais, como fantasia, copo dosador de ração, bandana e chaveiro.
Para Regiane Viana Giroto, diz que ficou feliz em participar do drive e trazer a cachorrinha Melody. “Ela está fazendo 90 dias hoje, então as meninas sempre tinham o sonho de trazer o animalzinho para passear e nós já temos o Hulk e o Piti, que tem quatro anos. E aqui [no carro] temos a vó, a tia, as primas, a mãe, uma família”, destacou ao g1.
“Para mim é uma felicidade, né? E para eles também. Eu tenho seis, mas não dá para trazer todos, então pelo menos um para representar os outros a gente traz, é uma graça.” declara Franciele Flores de Lima Pena, que participou do evento.
Drive-thru “Mania de Cão” mobiliza amantes de pets em Presidente Prudente (SP) neste sábado (24)
Leonardo Jacomini/g1
Premiação
Durante os dias 19 de maio e 11 de junho, os internautas puderam participar de uma votação online, em três categorias do Mania de Cão:
Fantasia de Super-Herói/Personagem;
Fantasia Fashion/Estilosa; e
Fantasia Criativa/Divertida.
Foram mais 200 cachorros e 30 cães foram selecionados para a etapa de votação, que ocorreu de 12 a 19 de junho.
Foram mais de 143 mil votos computados, 49% a mais do que no ano passado.
A premiação foi entregue para os vencedores após o término do Drive-thru Mania de Cão, no Parque do Povo.
Bob levou o primeiro lugar na categoria Super-herói/Personagem do Mania de Cão
Leonardo Jacomini/g1
Na categoria Fantasia de Super-Herói/Personagem, o vencedor foi o Bob, de quatro anos, com a fantasia baseada no anime Naruto. Ele também levou o primeiro lugar no ano passado.
“Foi emocionante ganhar o prêmio, pela segunda vez. A família toda participou, votou, comemorou junto, foi muito animado. E ano que vem vou participar de novo, com outra fantasia”, conta a tutora Tamires de Oliveira Onório.
A gerente comercial da emissora, Camila Santos, diz que o evento foi um sucesso e que a participação das pessoas inscritas também foi positiva.
“A TV Fronteira tem uma grande expectativa desse evento, que é um evento tradicional, que a gente reúne família, e agora com o programa também, então a gente sempre tem uma boa expectativa e como sempre as pessoas aderem ao evento, participam, trazem seus animais, passam pelo drive e isso para a gente é uma grande satisfação, a gente fica feliz com isso e fica perto da população também”, ressaltou Camila.
Confira os ganhadores de cada categoria.
Criativa/Divertida
1º George, de Rancharia (SP), com a fantasia de príncipe.
George levou o primeiro lugar na categoria Criativa/Divertida do Mania de Cão
Pablo Henrique/TV Fronteira
Fashion/Estilosa
1º Luize, de Presidente Prudente, com a fantasia de sapinha.
Luize levou o primeiro lugar na categoria Fashion/Estilosa do Mania de Cão
Pablo Henrique/TV Fronteira
Super-herói/Personagem
1º Bob, de Álvares Machado (SP), com a fantasia do Naruto.
Bob levou o primeiro lugar na categoria Super-herói/Personagem do Mania de Cão
Pablo Henrique/TV Fronteira

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Fonte: G1

Ações ambientais ajudam na recuperação de 254 hectares de florestas


A Petrobras contribuiu para a recuperação ou conservação direta de 254 mil hectares de florestas localizadas nos biomas da Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga e Cerrado, graças aos projetos sociais apoiados pela empresa. A área restaurada equivale a mais de duas vezes o município do Rio de Janeiro.

Este é um dos resultados apresentados no Relatório de Sustentabilidade 2022 da companhia, com informações, indicadores e compromissos relacionados às questões ambientais, sociais e de governança, em relação à descarbonização das operações, além da redução de emissões de gases do efeito estufa em 39%.

O gerente-executivo de Responsabilidade Social, José Maria Rangel disse que “esse trabalho de conservação e restauração nos biomas brasileiros reflete nosso compromisso com a garantia de um futuro sustentável para as próximas gerações e com a redução de emissões de gases de efeito estufa. Os projetos que apoiamos contribuíram para evitar as emissões de 2,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, que previnem o desmatamento”, explicou.

Redução de gases

Entre 2015 e 2022, a Petrobras conseguiu reduzir em 39% suas emissões absolutas operacionais de gases de efeito estufa (GEE), com aumento da eficiência em emissões em todos os segmentos onde atua. Esta redução, alinhada com a ambição de zerar emissões absolutas operacionais até 2050, reforça o compromisso da empresa em expandir sua atuação em negócios de baixo carbono.

A companhia abriu em 2023 a maior seleção pública para projetos socioambientais, com previsão de investir R$ 432 milhões em projetos sociais e ambientais, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, além de apoiar iniciativas para preservação da fauna, com 236 espécies da fauna monitoradas, estudadas ou protegidas, das quais 58 ameaçadas de extinção, incluindo a onça-parda, anta, tatu-bola, muriqui-do-sul, além de espécies de corais, aves e tartarugas.

Também desenvolve ações de educação ambiental junto às comunidades que convivem com os ecossistemas marinhos, como pescadores, turistas e moradores de regiões costeiras. Dois projetos se destacam: a Rede Biomar, formada por projetos de conservação da biodiversidade marinha, e a Redágua, com foco em ações ambientais no entorno da Baía de Guanabara.




Fonte: Agência Brasil

Rio de Janeiro será capital mundial da harpa em julho


O Rio de Janeiro vai se tornar a capital mundial das harpas no mês de julho. A partir de 1º de julho, a capital fluminense será sede do 18º RioHarpFestival 2023. Serão 30 harpistas de 23 países, que realizarão 73 concertos por 31 dias, sem interrupção, todos com entrada gratuita. 

No total, 150 músicos se apresentam em várias orquestras, muitas das quais oriundas de programas de inclusão social desenvolvidos em comunidades, tornando o festival do Brasil o mais forte do circuito mundial. a programação pode ser acessada no site do evento.

O RioHarpFestival reúne expoentes da África do Sul à Índia, além de representantes de quase toda a Europa e da América Latina.

O evento soma 73 concertos em 31 dias ininterruptos, todos com entrada franca, englobando diversas formações da harpa e similares, desde a harpa mais conhecida, originada entre a Europa e o Norte da África no século 8, até o tradicional koto japonês.

Expansão

Em entrevista à Agência Brasil, o diretor e criador do RioHarpFestival e do projeto Música no Museu, Sergio da Costa e Silva, destacou que, há 20 anos, quando começou a dedicar o mês de maio às harpas, na programação do Música no Museu, inicialmente com harpistas brasileiros, não imaginava que o sucesso seria tamanho e que a iniciativa ganharia maior dimensão.

“Dois anos depois, passamos para a versão internacional. Iniciamos timidamente em 2005, com 4 harpistas, e aumentamos ano a ano. Agora, em 2023, no 18º Rio Harp Festival, teremos harpistas de 23 países, chegando a 100 concertos, a maioria no Rio de Janeiro.”

Sergio da Costa e Silva informou que Brasília e São Paulo foram agregadas depois, com o BsbHarpFestival e o SPHarpFestival, que terão neste ano a primeira e sétima edições, respectivamente.

O grande passo está previsto para a versão europeia, em agosto e setembro, com concertos em cidades da França, Itália, Croácia, Espanha, Portugal, Bélgica e Áustria. “Assim o RioHarpFestival se tornou o maior do mundo e inseriu o Brasil no circuito mundial da harpa”, afirmou.

A maioria das apresentações ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), que recebe 54 recitais em duas apresentações diárias no seu teatro, com capacidade para 172 pessoas.

Haverá recitais também no Arte Sesc Rio, no Flamengo; no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), na Cinelândia; no SESC Quitandinha, em Petrópolis; no Real Gabinete Português de Leitura; na Biblioteca Nacional; no Jockey Club; no Palácio São Clemente – Consulado de Portugal, além de pontos turísticos e históricos do Rio de Janeiro, entre os quais o Corcovado e o Forte de Copacabana.

Destaques

O harpista alemão Markus Thalheimer abre a programação, no dia 1º de julho, às 13h, dividindo o palco do CCBB RJ com a camerata do projeto Uerê, formada por crianças e adolescentes de comunidades do Rio de Janeiro, na faixa etária de 7 a 18 anos, que tocam instrumentos de cordas e percussão.

A Camerata Uerê foi criada em 2013 por Constance Depretz, violinista francesa então radicada no Rio de Janeiro. Hoje, ela é composta por 30 alunos do projeto. Markus Thalheimer nasceu em Stuttgart, Alemanha, em 1987. Teve as primeiras aulas de harpa em sua cidade natal, aos 6 anos de idade. Após os estudos, cursou a Academia Giuseppe Sinopoli da Staatskapelle Dresden por dois anos. Desde a temporada 2016/2017, Thalheimer é o principal harpista da New Lausitz Philharmonic Orchestra.

Também no dia 1º de julho, às 15 horas, ocorrerá o concerto do harpista holandês Joost Willemze, no CCBB Rio. Ele é um dos principais jovens harpistas holandeses. Aos 16 anos, recebeu o primeiro prêmio na final nacional do Concurso Princesa Cristina, em Haia. Em 2017 venceu o Concurso Internacional de Harpa do Porto e, um ano depois, o concurso italiano Suoni. Em 2022, gravou o seu CD de estreia.

No dia 2 de julho, às 13h, Willemze volta aos palcos do CCBB RJ, às 15h, com a participação especial da Orquestra de Gaita de Foles, pioneira no município de São Gonçalo, região metropolitana do Rio, considerada banda de referência no estado. A Orquestra de Gaita de Foles promove aulas gratuitas para crianças carentes. Segundo expôs Sergio da Costa e Silva, a fusão intencional da música brasileira e celta oferece um repertório aprimorado e uma qualidade musical distinta.

No dia 7, às 19h, no Arte Sesc, a récita Ecos Latinos vai reunir os músicos Patrice Fisher, harpa; Fran Comiskey, piano; Betsy Braud, flauta (todos dos Estados Unidos); Carlos Valadares, percussão (Guatemala), Reinaldo Pestana (percussão) e Papito Mello, baixo (Brasil), com participação especial de Claire Le Fur (França). Harpista de jazz latino, Patrice Fisher privilegia a música de Nova Orleans, Brasil e Cuba, dizendo que não só a harpa se sente “confortável” harmonicamente com a música, como também se sente atraída por suas complexidades e sincopações: “É isso que dá vontade de dançar”, disse a harpista.

No dia 8, às 17h, a Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa, zona sul da cidade, recebe a programação no Concertos de Eva – Série Música no Museu, com o Duo Spiritus Filmum, constituído pela harpista Leonor Maia e pelo flautista Francisco Barbosa. Os dois já tocaram em várias salas de concertos em Portugal, Áustria e Alemanha.

Koto

Na Biblioteca Nacional, no dia 11, às 13h, se apresentarão Dina Celeste, harpa e Gaby Portillo, violão (Paraguai). No mesmo local, às 15h, será a vez do Al Sharq Quarteto, integrado por Jaffer Swamani, Rudá Brauns, Vicente Alexim e Marcelo Conti, que fará uma homenagem a países árabes, entre os quais Turquia e Egito. A programação extensa inclui o Trio Fujiyama Nippon, do Japão, que representa o koto, ou harpa horizontal japonesa, no dia 16, às 15h, no CCBB RJ, com o concerto Tambores do Japão.

Outra novidade deste ano será o concerto do belga Jacques Vandevelde, que se apresentará com o Cacique Urutau Guajajara e o Coro Indígena, no dia 17, às 12h30, no CCBB RJ. Segundo Sergio da Costa e Silva, será um encontro entre a música erudita e a música espiritual dos povos originários. Novo encontro de harpistas europeus com a música brasileira trará a belga Heleen Vandeputte, que faz arranjos especiais para canções infantis do Brasil, como “Se Esta Rua Fosse Minha”. Haverá quatro apresentações no CCBB RJ, dos dias 17 a 20 de julho.

No dia 20, às 12h30, no CCBB RJ, o público poderá apreciar ainda o encontro de harpistas com o grupo Madrigal Cruz Lopes, coral formado por 22 cantores dos mais variados estilos, desde o clássico até a música popular contemporânea, passando pela música folclórica, sacra, óperas e oratórios.

No dia 22, às 18h, no Museu do Exército, no Forte de Copacabana, no bairro do mesmo nome, se apresentará a Orquestra Violões do Forte, com participação especial do harpista Jesús Súares, da Venezuela. O encerramento do 18º RioHarpFestival está previsto, no dia 31, no CCBB RJ, quando se apresentarão, às 12h30, a harpista Kobie du Plessis (África do Sul); e, às 15h, o Duo Vanja Ferreira, harpa, e Helder Teixeira, flauta. Vanja Ferreira é solista da Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (UFF).




Fonte: Agência Brasil

Parque de Madureira ganha placa em homenagem ao compositor Monarco


Uma placa que dá o nome do compositor Monarco, afixada no Parque de Madureira, foi entregue pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. A inauguração foi marcada por uma festa ao som da bateria da Portela. Em dezembro de 2021, um decreto da prefeitura já tinha rebatizado o lugar de Parque Madureira Mestre Monarco. O parque é local de caminhada, piquenique, pistas de skate e shows.

Líder da Velha Guarda Show da escola, Monarco – ex-presidente de honra da Portela – morreu aos 81 anos, vítima de complicações de uma cirurgia no estômago, no dia 11 de dezembro de 2021. Em sua conta no Instaram, Zeca Pagodinho disse: “Perdemos nosso mestre. A Portela está triste. Ele cumpriu a missão dele bacana. Deus recebe”.

“Para todos que convivemos com o Monarco, temos um profundo sentimento de tristeza. Mas tem uma coisa que temos de tirar desse momento: o legado que que deixou para essa cidade. Ele deixou uma história para a cultura carioca. Vocês têm de ter muito orgulho dele. Vai ser lembrado para sempre” afirmou o prefeito do Rio ao ser referir a Hildemar Diniz, o verdadeiro nome do sambista.

Obra musical

Confeccionada pela Secretaria de Conservação, a placa exibe não apenas a denominação Parque Madureira Mestre Monarco, mas também informações sobre esse ícone da música brasileira, baluarte da Portela e autor de clássicos como Coração em desalinho. Familiares do sambista estiveram presentes à cerimônia, que também contou com a participação da bateria e diversos integrantes da Portela.

“Estamos com o coração muito alegre. Queria agradecer, em nome da família Diniz, ao prefeito Eduardo Paes. Ele transformou esse lugar, que era perigoso de se passar, num grande lazer para a população. E, hoje, eterniza o nome do nosso mestre no Parque Madureira’, disse Mauro Diniz, filho de Monarco.




Fonte: Agência Brasil

Sesc Pinheiros, em São Paulo, recebe exposição Retratista dos Morros


A exposição Retratistas do Morro foi aberta no Sesc Pinheiros, em São Paulo. É composta por fotografias feitas por Afonso Pimenta e João Mendes, no período de 1960 a 1990 da região do Aglomerado da Serra, comunidade ao sul de Belo Horizonte.

Considerada a maior favela do Brasil, o Aglomerado da Serra surgiu no início do século 20 como solução de moradia para as pessoas que foram trabalhar na construção da capital mineira. Segundo as lideranças populares, hoje vivem no local mais de 150 mil pessoas.

A mostra é um desdobramento do projeto social Retratistas do Morro, iniciado por Guilherme Cunha em 2015, para contribuir para a preservação do patrimônio histórico-cultural nacional e ampliar o entendimento sobre a história das imagens no Brasil, especialmente as narrativas visuais produzidas por retratistas que atuaram nas comunidades. Para isso, foi realizado um trabalho de mapeamento, identificação, catalogação e restauração dos acervos fotográficos desses retratistas.

Memórias afetivas

Segundo o curador, pesquisador e artista visual, Guilherme Cunha, o acervo traz o trabalho dos fotógrafos que trabalharam ao longo dos últimos 50 anos registrando as memórias afetivas e o cotidiano dessa comunidade e revela, também, que houve no Brasil um movimento artístico de fotógrafos que se dedicaram a favelas.

“Esse movimento traz para nós uma outra versão da realidade da história das imagens brasileiras. O esforço do projeto é para que nós consigamos resgatar essa memória e trazer à tona essas histórias a partir do restauro desse material”, disse Guilherme.

Durante a pesquisa, destacaram-se Afonso Pimenta e João Mendes, que atuaram na região desde o fim da década de 1960 e possuem um volume significativo de acervo, incluindo negativos em preto e branco de médio formato (6×6), negativos coloridos em 35mm, monóculos e negativos em 35mm de meio quadro.

“O projeto entende que eles dois – como moradores da comunidade – trazem uma representação de imagens que a gente chama de imagens autônomas e de imagens dos próprios moradores. Esse trabalho é diferente de ser documental, é biográfico, porque ali eles estão fotografando os colegas, os amigos, as pessoas com quem eles convivem no dia a dia, os vizinhos. Então, temos outra perspectiva e outro entendimento sobre as formas de representação dessas comunidades”, afirmou o curador.

Para a mostra no Sesc Pinheiros, Guilherme realizou um profundo processo de pesquisa sobre a história da comunidade, além de um trabalho de curadoria a partir dos mais de 250 mil negativos disponíveis no acervo. Dessa seleção, aproximadamente 33 mil imagens foram restauradas e apresentam uma perspectiva histórica do Aglomerado da Serra em forma de imagens.

O curador explicou que os visitantes da exposição poderão conhecer as pessoas fotografadas não só pelo retrato na parede, já que nos últimos três anos foram feitas entrevistas com os fotografados, permitindo que os visitantes os conheçam por meio de áudio e vídeo.

“Estamos pensando na fotografia também como um espaço de escuta, trabalhando com elas tanto na dimensão visual quanto oral. Entrevistas foram feitas recentemente com as pessoas relembrando aquele momento das fotos, trazendo as memórias que estão ali nas imagens, além das memórias dos fotógrafos”, ressaltou.

Preto e branco

As primeiras imagens de João Mendes datam de 1968, apesar de ele ter se estabelecido como um dos primeiros fotógrafos profissionais no bairro, em 1973. Sua loja Foto Mendes está localizada no mesmo local e é uma referência. João ficou conhecido pelos retratos em preto e branco, 3×4 para documentos, feitos principalmente para carteiras de identidade, e fotos postais enviadas pelos Correios como cartas ou objetos de recordação a parentes que, muitas vezes, permaneciam no interior. Em seu acervo há uma grande coleção de fotografias de becas ou formaturas das crianças e jovens do local.

Afonso Pimenta saiu de São Pedro do Suaçuí, em Minas Gerais, em 1970 para viver em Belo Horizonte, para ajudar sua madrinha em uma das vilas que formam a comunidade do Aglomerado da Serra.

Ele foi assistente do fotógrafo João Mendes e, enquanto lavava as imagens já reveladas, aprendeu sua futura profissão. Afonso se estabeleceu como fotógrafo profissional quando passou a registrar os bailes de música soul da Comunidade da Serra, a convite de Misael Avelino dos Santos, um dos fundadores da Rádio Favela e organizador dos bailes.

* Colaborou Sara Quines, da TV Brasil




Fonte: Agência Brasil