Vinhos do Vale do São Francisco recebem selo de indicação geográfica


Os vinhos produzidos no Vale do São Francisco vão passar a ter certificação de procedência. Com o reconhecimento, vinhos e espumantes passam a ter o registro de Indicação Geográfica (IG), uma espécie de selo que garante a qualidade dos produtos da região.

O registro de indicação foi publicado na revista do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) na terça-feira (1º). A procedência geográfica compreende a produção dos municípios de Lagoa Grande (PE), Petrolina (PE), Santa Maria da Boa Vista (PE), Casa Nova (BA) e Curaçá (BA).

Embora localizadas em uma área de caatinga, as localidades têm produção agrícola irrigada, e as videiras estão ligadas diretamente ao Rio São Francisco.

De acordo com especialistas, o clima tropical do semiárido, as características da região e a latitude das cidades permitem a colheita de uvas ao longo do ano e a produção de vinhos e espumantes com sabores originais.

Na avaliação do chefe de Projetos de Indicação Geográfica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wellington Gomes, o reconhecimento permite a valorização dos produtos da região.

“O reconhecimento oficial da indicação de procedência Vale do São Francisco para vinhos é resultado de um trabalho articulado entre produtores, universidades e instituições públicas de pesquisa. Para a valorização dos produtos típicos de um país é imprescindível essa articulação, sendo que a participação do Estado ocorre no sentido de fomentar o desenvolvimento rural e regional das cadeias de valor”, disse.

Além do Vale do São Francisco, outras regiões brasileiras também têm a indicação de procedência, como o Vale dos Vinhedos e a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul.

No site do Ministério da Agricultura é possível verificar as indicações nacionais e internacionais registradas no Brasil.

* Com informações do Ministério da Agricultura




Fonte: Agência Brasil

Projeto atende gratuitamente meninas e mulheres em situação de rua


O projeto Menina, Moça-Mulher, lançado há 64 dias pelo Instituto Carlos Chagas (ICC), comemora o sucesso no atendimento a meninas a partir de 12 anos de idade, além de jovens e mulheres, em situação de vulnerabilidade social, no município do Rio de Janeiro. A entidade civil sem fins lucrativos existe há 63 anos e oferece 28 cursos de pós-graduação na área médica.

O novo projeto para a população feminina da cidade do Rio de Janeiro ocupa um imóvel do próprio instituto, na Lapa, que estava abandonado. O prédio foi sede da primeira clínica de Saúde da Família do município, em 1991, mas se encontrava em ruínas e ocupado por moradores de rua. Com recursos da Caixa Econômica Federal, o presidente do ICC, cirurgião plástico Ricardo Cavalcanti, realizou a reforma da casa e criou o projeto Menina, Moça-Mulher.

“Ele não é um projeto de assistência social, nem pretende substituir nenhuma unidade de saúde. Nós detectamos que muitas de nossa clientela está à margem de atendimentos médicos, está à margem de um cuidado geral, porque não frequenta ambulatórios para a população comum”.

Ricardo Cavalcanti disse à Agência Brasil que essas meninas e mulheres não frequentam as unidades de saúde comuns porque estão permanentemente drogadas, em sua maioria, e se encontram em situação de vulnerabilidade total. A faixa etária que concentra o maior número de atendidas é entre 25 e 40 anos de idade.

O projeto foi pensado para dar apoio a mulheres em situação de rua, profissionais do sexo, vítimas de abuso sexual e todas as mulheres que tenham dificuldade no acesso ao sistema de saúde e precisem de atendimento especializado.

“Para você ter uma ideia, nós fizemos um levantamento que apurou que tem meninas de 12 a 18 anos com quatro gestações. O objetivo é que o projeto seja a porta de entrada médica. O projeto não tem internação nem abrigamento. Ele presta atendimento e orientação à clientela com médicos, psicólogos, advogados, assistente social, além de terapia ocupacional. A meta é tentar tirar da rua e capacitar. Não adianta simplesmente tratar e voltar para a rua novamente”, disse.

Qualificação

O projeto oferece oficinas de trabalho de acordo com a necessidade de capacitação que as pessoas atendidas têm, visando prepará-las para absorção pelo mercado de trabalho. O projeto funciona de segunda-fira a sexta-feira, das 8h às 18h, na Avenida Mem de Sá, 254, Lapa, região central da capital fluminense, e é inteiramente gratuito. Boa parte da população atendida apresenta distúrbios mentais, disse o presidente do ICC.

Nesse projeto, o ICC conta com parceria das secretarias municipais de Saúde e Assistência Social, que disponibilizaram equipamentos para que o instituto possa fazer os encaminhamentos, além de parceiros privados.

Ricardo Cavalcanti disse que a meta é ter em torno de 2 mil atendimentos mensais. “Não são 2 mil usuárias, porque podemos ter uma usuária utilizando dois a quatro serviços”, explicou. Em outubro, o projeto chegou a atender, em um único dia, 96 pessoas. Hoje, chegou à faixa de 300 pessoas atendidas.

Meta

A meta é tornar a casa conhecida e dar continuidade ao projeto. O ICC está desenvolvendo, no momento, um prontuário eletrônico com campos sociais, para ter o diagnóstico dessa população quando ela é encaminhada às unidades de saúde. O Menina, Moça-Mulher promove ações de intervenção e prevenção, como rastreamento de câncer de mama, educação em saúde, direitos reprodutivos e sexuais, acesso aos métodos contraceptivos e preservativos, serviços de contracepção e planejamento familiar e cuidado com os filhos, além de palestras e testagens sobre doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorreia.

O projeto está vinculado à pesquisa, com objetivo de gerar evidências científicas. A equipe do projeto conta diretamente com 30 profissionais, fora o suporte do ICC. Tem parceria ainda com o Judiciário e o Conselho Tutelar.

As jovens e mulheres atendidas contam também com a ajuda no requerimento de documentos como carteira de identidade e carteira de trabalho, entre outros.

A experiência do projeto será utilizada para o desenvolvimento de pesquisas vinculadas aos programas educativos do Instituto de Pós-Graduação Carlos Chagas e como metodologia social para outras regiões do Brasil.




Fonte: Agência Brasil

Cultura do cacau em Ilhéus atrai turismo histórico dos tempos de auge


Do cacau vem o chocolate – mas para Ilhéus, o fruto trouxe também desenvolvimento, fama e turismo. De achados históricos da cidade aos cenários de livros de Jorge Amado, das fazendas centenárias ao uso do chocolate fora da gastronomia, a cidade oferece ao visitante várias opções para mergulhar no universo que essa planta trouxe para a humanidade.

A partir do século 18, o interesse da aristocracia européia pelo chocolate fez a demanda aumentar e o produto se popularizar. Já em 1904, segundo o historiador André Luiz Rosa Ribeiro, o cacau era o principal produto da Bahia, substituindo o fumo do Recôncavo Baiano. Ilhéus, a principal cidade da região produtora, logo começou a se modernizar. “Com a construção de palacetes, ruas, calçamentos, praças, a principal referência era Paris”, conta o historiador.

Era o auge do cacau, com seus coronéis,  fazendas e uma cidade para desfrutar os resultados da produção. É dessa memória que parte da literatura de um dos filhos mais ilustres de Ilhéus que o sul da Bahia ainda vive. “Jorge Amado talvez seja, na literatura, o tradutor, a pessoa mais importante e significativa que nós produzimos para falar sobre nós mesmos, porque ele é filho da região”, pensa André Luiz. Como o próprio Jorge Amado se referiu à cidade natal, no livro São Jorge dos Ilhéus, de 1944, “a terra dá frutos de ouro”.

O palacete onde o escritor passou parte da infância e da adolescência é hoje a Casa de Cultura Jorge Amado. Entrar no local é reviver um pouco desse passado do apogeu de Ilhéus. O pai dele, um fazendeiro de cacau, construiu o palacete nos anos 1920. Hoje, além de expor fotos, roupas, histórias da família e livros de Jorge Amado, o prédio também tem o poder de levar os visitantes para outra época. Das janelas é possível ver um outro lugar importante para a cidade, o bar Vesúvio, que foi imortalizado no livro Gabriela, Cravo e Canela, de 1958.

Da vida real para os livros

No livro, um dos personagens, Nacib, era o dono do bar e se casa com Gabriela, que era a cozinheira do estabelecimento. Ambos são inspirados em pessoas reais que tinham outros nomes. Do outro lado do quarteirão, funcionava o cabaré e cassino Bataclan, aberto em 1920. Segundo o guia do local e ator Bruno Belém, o adolescente Jorge Amado também se aventurava por ali e teria sido ele que revelou um segredo guardado a sete chaves pelos coronéis: uma passagem oculta entre o bar e o cabaré, para que os coronéis não fossem flagrados ali.

O guia conta as histórias que correm pela cidade: que na hora da missa, os maridos aproveitavam as esposas ocupadas com a fé para ir até o Bataclan, na época comandado pela cafetina Maria Machadão. Uma passagem da cozinha do Vesúvio saía nos quintais de algumas casas até chegar ao bordel e era a rota de fuga dos coronéis.

Bruno Belém diz que até o bispo foi envolvido na história. “A missa era curta demais e os coronéis, revoltados, foram até a igreja e falaram ‘prolongue a missa’… e o bispo teve que falar ‘seja feita a vossa vontade’. A missa que durava uma hora e meia passou a ser de seis horas”, conta, sob os olhares arregalados dos turistas.

Hoje, essas histórias são narradas durante um tour feito pelo guia no Bataclan, onde os turistas podem conhecer os quartos de quem ali trabalhava e vivia. Um dos principais atrativos é a possibilidade de se vestir como se estivesse no cabaré daqueles tempos para tirar foto e se imaginar na pele daqueles personagens.

Também é possível se deliciar com o produto mais presente na cidade. À frente da cozinha do Bataclan, o chef Dill Guimarães selecionou pratos que remetem à fama da cidade: queijo coalho com melaço de cacau e petit gateau com sorvete de creme e nibs de cacau são alguns que ele destaca no cardápio. “A gente está em Ilhéus, sul da Bahia, onde o nome cacau é muito forte, por isso temos essa preocupação de fazer a combinação dos pratos para quando o cliente chegar aqui, ter o sabor da região”, explica.

Janini Selva Ginani e família se hospedam em fazenda de cacau

Janini Selva Ginani e família se hospedam em fazenda de cacau – Reprodução / TV Brasil

Cacau para relaxar

Se Ilhéus tem muita história e muitos pratos a serem degustados, a terapeuta Mariana Reis pensou em uma outra possibilidade para os visitantes: um spa de cacau e chocolate. No Meu Querido Spa é possível relaxar sem comer ou beber o produto que já foi considerado dos deuses. “Quando a gente fala de cacau e chocolate para a saúde, a gente já associa essa sensação de despertar hormônios da alegria”, diz.

Ali, é possível fazer várias terapias com chocolate. Uma delas é a máscara facial, que não apenas nutre a pele, mas traz outras surpresas. “A sensação do cheiro, as texturas que ele traz, tudo isso é terapêutico”, afirma Mariana. Os benefícios estéticos, segundo ela, vão desde estimular o rejuvenescimento ao clareamento da pele usando o cacau. “Com o chocolate, a gente consegue um resultado de cuidado, bem estar, alegria e é isso o que a gente quer trazer para as pessoas”, explica.

Se a ideia for relaxar, ainda é possível se hospedar em fazendas centenárias da região. A Fazenda Provisão passou de geração em geração dentro da mesma família. Ainda produz cacau, mas também hospeda quem quiser ter a experiência de reviver os tempos áureos de Ilhéus. Além de uma sede em estilo colonial, a fazenda possui objetos de arte sacra do século XIX, que pertenceram a um dos donos, e mantém móveis e utensílios da época dos coronéis.

O visitante também pode conhecer todas as etapas da colheita do cacau, beneficiamento das amêndoas, como fermentação e secagem. Foi o que atraiu a família de Janini Selva Ginani, servidora pública que mora em Brasília, que decidiu se hospedar no local. “Essa oportunidade de viver um pouquinho o que é esse Brasil rural, o que é essa experiência de turismo diferente, próximo a natureza, perto das nossas raízes, foi super gostoso”, garante.

Matéria atualizada às 14h23.




Fonte: Agência Brasil

Cacau do sul da Bahia ressurge focado na qualidade e com certificação


O cacau do sul da Bahia tem participado da história do país há mais de 250 anos. O produto quase chegou ao fim na década de 1980, quando a vassoura-de-bruxa, doença causada por um fungo nos cacaueiros, devastou as plantações do país. Hoje, a região ressurge no cenário nacional mais uma vez como zona cacaueira, mas focada nas amêndoas de qualidade, nos formatos de produção e na preservação ambiental. As mudanças já trazem novos ares para um modelo que, no passado, ficou marcado pela escravidão e pelos coronéis do cacau.

O fruto foi levado para a Bahia no século 18 para substituir as plantações de cana-de-açúcar que entravam em decadência e logo se adaptou ao clima quente e úmido do local. Tanto que, em 2018, a região conquistou o selo de Indicação Geográfica com nome Sul da Bahia, que destaca a tradição e qualidade diferenciada do cacau produzido ali.

Da árvore à barra

A Yrerê é uma das fazendas que carregam a história do cacau. Foi uma sesmaria doada pela Coroa portuguesa em 1818 para uma família de alemães.

Produtor Gerson Marques apostou no cacau fino e no turismo de experiência

Produtor Gerson Marques apostou no cacau fino e no turismo de experiência – Reprodução / TV Brasil

O atual proprietário, Gerson Marques, é o primeiro dono fora da linha sucessória da família. Comprou o local há 24 anos e se especializou em produzir cacau fino e orgânico, além do turismo de experiência. Produz cerca de 400 arrobas de amêndoas por ano. Para o produtor, após a vassoura-de-bruxa na região, a quantidade deixou de ser uma meta.

“O caminho que nos resta é o da alta especialização, da alta qualidade, vender cacau a um preço que vale a pena”, explica.

Na fazenda, os turistas percorrem quase todos os processos do chocolate, que é chamado pelo proprietário de “Tree to Bar” (ou da árvore à barra), numa alusão ao conceito “beans to bar” (da amêndoa à barra), onde todo o processo é transparente para o consumidor. Ali, eles conhecem a plantação de cacau, provam o fruto, acompanham a secagem das amêndoas e, depois, uma degustação dos vários tipos de chocolate produzidos na fazenda.

A estratégia, segundo a gerente regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae) em Ilhéus, Claudiana Campos, é essa: produzir uma amêndoa de qualidade, fugindo do formato de commodity, que é a venda em grandes quantidades, mas sem tanta qualidade.

“Hoje, já vendemos um produto de qualidade para chocolatiers e indústrias do mundo inteiro, com muitas amêndoas premiadas em concursos nacionais e internacionais”, comenta.

Cacau fino

Plantação de cacau

Plantação de cacau – Reprodução / TV Brasil

Em 2019, o Brasil foi reconhecido como produtor de cacau fino de aroma para exportação pela Organização Internacional do Cacau. Essa amêndoa representa 3% da produção brasileira, segundo dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – Ceplac. A meta é chegar a 10%.

O controle de qualidade é rígido. Em Ilhéus, é feito pelo Centro de Inovação de Cacau (CIC), onde há o Chocolab, laboratório que emite laudos atestando se as amêndoas daquela safra estão no padrão da IG Sul da Bahia. No local, são feitos os testes com a matéria-prima e também sensoriais de sabor, aroma e textura do chocolate. A norma da IG prevê um percentual de 3% de defeitos nas amostras, uma norma mais rígida que as internacionais.

Cerca de 4 mil produtores fazem parte da Associação Cacau Sul Bahia, que podem usar o selo da IG. Segundo o diretor executivo da instituição, Cristiano Sant’ana, os associados também podem utilizar a marca de chocolate Sul Bahia, uma produção coletiva. Por meio de um QR Code na embalagem do produto, é possível acessar as informações da matéria-prima, o nome do produtor, a localização geográfica e o padrão de qualidade daquele lote.

Um dos associados é o assentamento Dois Riachões, formado por 40 famílias que produzem em uma área de 160 hectares. Rubens Dário de Jesus, um dos produtores, diz com orgulho que eles são os primeiros produtores da agricultura familiar a conseguir o selo de Indicação Geográfica. Para ele, a certificação permite ao produtor agregar valor ao produto e, para o consumidor, saber a procedência, a cadeia produtiva daquele chocolate e também a qualidade da matéria-prima.

Delineia Batista conta que pais não sabiam do gosto do cacau

Delineia Batista conta que pais não sabiam do gosto do cacau – Reprodução / TV Brasil

Uma mudança de vida não só para as famílias do assentamento, como também em todo o processo de trabalho com o cacau.

A produtora Delineia Batista dos Santos lembra de como era o trabalho dos pais nas plantações das grandes fazendas.

“Sempre tinha alguém que ficava ali, vigiando o trabalho deles, porque não podiam chupar o fruto do cacau”, diz. E quem era pego fazendo isso, era demitido. “Meus pais começaram a saber, a sentir o sabor do fruto do cacau, depois que nós viemos para o assentamento”, afirma.

Além de plantar, processar e vender as amêndoas de cacau, as famílias do assentamento também fazem o próprio chocolate para venda, com o nome Dois Riachões. São produzidos chocolates de 70% e 56% de cacau, com certificações não só da IG, mas também orgânica e de agroecologia. Estar presente em todo o processo – da plantação à comercialização direta ao consumidor – quebra um ciclo de dois séculos.

“A vida toda a gente trabalhou no cacau, mas nunca ganhou dinheiro com ele. Agora, conseguimos desenvolver o modelo que é rentável pro agricultor, que consegue ter uma qualidade de vida vivendo no campo”, conclui Rubens Dário.

Matéria atualizada às 12h35 para ajuste de informações.




Fonte: Agência Brasil

Caminhos da Reportagem mostra cacau certificado produzido na Bahia


O cacau do sul da Bahia tem participado da história do país há mais de 250 anos. O produto quase chegou ao fim na década de 1980, quando a vassoura-de-bruxa, doença causada por um fungo nos cacaueiros, devastou as plantações do país. Hoje, a região ressurge no cenário nacional mais uma vez como zona cacaueira, mas focada nas amêndoas de qualidade, nos formatos de produção e na preservação ambiental. As mudanças já trazem novos ares para um modelo que, no passado, ficou marcado pela escravidão e pelos coronéis do cacau.

O fruto foi levado para a Bahia no século 18 para substituir as plantações de cana-de-açúcar que entravam em decadência e logo se adaptou ao clima quente e úmido do local. Tanto que, em 2018, a região conquistou o selo de Indicação Geográfica com nome Sul da Bahia, que destaca a tradição e qualidade diferenciada do cacau produzido ali.

Da árvore à barra

A Yrerê é uma das fazendas que carregam a história do cacau. Foi uma sesmaria doada pela Coroa portuguesa em 1818 para uma família de alemães.

Produtor Gerson Marques apostou no cacau fino e no turismo de experiência

Produtor Gerson Marques apostou no cacau fino e no turismo de experiência – Reprodução / TV Brasil

O atual proprietário, Gerson Marques, é o primeiro dono fora da linha sucessória da família. Comprou o local há 24 anos e se especializou em produzir cacau fino e orgânico, além do turismo de experiência. Produz cerca de 400 arrobas de amêndoas por ano. Para o produtor, após a vassoura-de-bruxa na região, a quantidade deixou de ser uma meta.

“O caminho que nos resta é o da alta especialização, da alta qualidade, vender cacau a um preço que vale a pena”, explica.

Na fazenda, os turistas percorrem quase todos os processos do chocolate, que é chamado pelo proprietário de “Tree to Bar” (ou da árvore à barra), numa alusão ao conceito “beans to bar” (da amêndoa à barra), onde todo o processo é transparente para o consumidor. Ali, eles conhecem a plantação de cacau, provam o fruto, acompanham a secagem das amêndoas e, depois, uma degustação dos vários tipos de chocolate produzidos na fazenda.

A estratégia, segundo a gerente regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae) em Ilhéus, Claudiana Campos, é essa: produzir uma amêndoa de qualidade, fugindo do formato de commodity, que é a venda em grandes quantidades, mas sem tanta qualidade.

“Hoje, já vendemos um produto de qualidade para chocolatiers e indústrias do mundo inteiro, com muitas amêndoas premiadas em concursos nacionais e internacionais”, comenta.

Cacau fino

Plantação de cacau

Plantação de cacau – Reprodução / TV Brasil

Em 2019, o Brasil foi reconhecido como produtor de cacau fino de aroma para exportação pela Organização Internacional do Cacau. Essa amêndoa representa 3% da produção brasileira, segundo dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – Ceplac. A meta é chegar a 10%.

O controle de qualidade é rígido. Em Ilhéus, é feito pelo Centro de Inovação de Cacau (CIC), onde há o Chocolab, laboratório que emite laudos atestando se as amêndoas daquela safra estão no padrão da IG Sul da Bahia. No local, são feitos os testes com a matéria-prima e também sensoriais de sabor, aroma e textura do chocolate. A norma da IG prevê um percentual de 3% de defeitos nas amostras, uma norma mais rígida que as internacionais.

Cerca de 4 mil produtores fazem parte da Associação Cacau Sul Bahia, que podem usar o selo da IG. Segundo o diretor executivo da instituição, Cristiano Sant’ana, os associados também podem utilizar a marca de chocolate Sul Bahia, uma produção coletiva. Por meio de um QR Code na embalagem do produto, é possível acessar as informações da matéria-prima, o nome do produtor, a localização geográfica e o padrão de qualidade daquele lote.

Um dos associados é o assentamento Dois Riachões, formado por 40 famílias que produzem em uma área de 160 hectares. Rubens Dário de Jesus, um dos produtores, diz com orgulho que eles são os primeiros produtores da agricultura familiar a conseguir o selo de Indicação Geográfica. Para ele, a certificação permite ao produtor agregar valor ao produto e, para o consumidor, saber a procedência, a cadeia produtiva daquele chocolate e também a qualidade da matéria-prima.

Delineia Batista conta que pais não sabiam do gosto do cacau

Delineia Batista conta que pais não sabiam do gosto do cacau – Reprodução / TV Brasil

Uma mudança de vida não só para as famílias do assentamento, como também em todo o processo de trabalho com o cacau.

A produtora Delineia Batista dos Santos lembra de como era o trabalho dos pais nas plantações das grandes fazendas.

“Sempre tinha alguém que ficava ali, vigiando o trabalho deles, porque não podiam chupar o fruto do cacau”, diz. E quem era pego fazendo isso, era demitido. “Meus pais começaram a saber, a sentir o sabor do fruto do cacau, depois que nós viemos para o assentamento”, afirma.

Além de plantar, processar e vender as amêndoas de cacau, as famílias do assentamento também fazem o próprio chocolate para venda, com o nome Dois Riachões. São produzidos chocolates de 70% e 56% de cacau, com certificações não só da IG, mas também orgânica e de agroecologia. Estar presente em todo o processo – da plantação à comercialização direta ao consumidor – quebra um ciclo de dois séculos.

“A vida toda a gente trabalhou no cacau, mas nunca ganhou dinheiro com ele. Agora, conseguimos desenvolver o modelo que é rentável pro agricultor, que consegue ter uma qualidade de vida vivendo no campo”, conclui Rubens Dário.

O episódio sobre o cacau do Sul da Bahia vai ao ar amanhã (6), no programa Caminhos da Reportagem, às 22h, na TV Brasil.




Fonte: Agência Brasil

Detran-RJ realiza segundo mutirão para atender motociclistas


O Departamento de Trânsito do Rio (Detran-RJ) realiza hoje (5), o segundo mutirão do ano para atender exclusivamente aos motociclistas, em quatro postos do município do Rio, em São Gonçalo e na Baixada Fluminense (Belford Roxo). Como no primeiro mutirão, ocorrido em 22 de outubro, não há necessidade de agendamento prévio.

Serão oferecidos serviços de emissão e renovação de carteiras de habilitação e os relacionados às motocicletas, como transferência de propriedade, troca de placas, segunda via de Certificado de Registro de Veículo (CRV) e primeira licença, entre outros.

O atendimento será realizado por ordem de chegada nos seguintes postos: Aerotown, na Barra da Tijuca; Largo do Machado; Campo Grande; Avenida Francisco Bicalho, Neves (São Gonçalo) e Belford Roxo. Em todos os postos também haverá distribuição gratuita aos motociclistas de antenas de proteção contra linhas de pipa.

Os mutirões para motociclistas fazem parte da campanha Entrega 5 Estrelas, uma parceria do Detran.RJ, com a Federação do Comércio do Rio (Fecomércio RJ) e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), com foco na segurança no trânsito e na prevenção de acidentes envolvendo motofretistas e mototaxistas, profissionais que usam motocicletas para entregar produtos e transportar passageiros.

O presidente do Detran-RJ, Adolfo Konder, disse que um segundo mutirão para oferecer atendimento especial aos motociclistas. “É uma forma de facilitar a vida de motofretistas e mototaxistas que não conseguem tempo para ir aos postos do Detran durante a semana”, afirmou.

Financiamento

Os correspondentes de crédito da Agência de Fomento do Rio (AgeRio), do governo do Estado, também participarão do mutirão para apresentar a Motofrete, linha de microcrédito voltada exclusivamente para os motociclistas que fazem entregas.

Com valor de financiamento de até R$ 21 mil, o crédito pode ser solicitado para aquisição e manutenção do veículo, além da compra de máquinas e equipamentos usados no trabalho, como baú, mochila de entrega, bagageiro, capacete e colete, entre outros itens. O prazo de pagamento é de 24 meses, com taxa de juros de 0,25% ao mês.

O mutirão também estará aberto aos motociclistas não profissionais, inclusive os integrantes dos motoclubes do Rio de Janeiro. Os postos estarão abertos das 8h às 13h, mas pede-se aos motociclistas para chegar até 12h30, para serem atendidos a tempo. Outros mutirões exclusivos para motociclistas ainda serão realizados até o fim deste ano.




Fonte: Agência Brasil

Flagrante de maus-tratos a égua prenha rende multa de R$ 3 mil a sitiante em Rosana


No entanto, além disso, a ocorrência também foi noticiada à Delegacia da Polícia Civil, que irá apurar a suspeita do crime de maus-tratos, previsto no artigo 32, da lei federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, com uma pena de detenção, de três meses a um ano, e multa.




Fonte: G1

No Rio, projeto ensina crianças a pintar grafismos indígenas no corpo


A Casa Museu Eva Klabin, situada na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, está promovendo, nos fins de semana, atividades educativas especiais de pintura corporal indígena para crianças maiores de cinco anos de idade. 

 A inspiração veio da 25ª edição da exposição Respiração Devir Indígena, atual intervenção artística de grafismos indígenas dos artistas Denilson Baniwa (da etnia Baniwa) e Gustavo Caboco (da etnia Wapichana), que fica em cartaz no local até o próximo dia 20 no local. A informação foi dada à Agência Brasil pelo coordenador do programa, Carlos Miguez.

“Durante as atividades, vamos apresentar uma série de grafismos de diferentes grupos culturais, de etnias diferentes. Vamos apresentar grafismos de culturas indígenas para que as crianças tenham acesso a culturas importantes que, neste momento, precisam ser cada vez mais faladas e apresentadas, para que entendam que os grafismos não são apenas pinturas ou decorações, mas que aquelas imagens são repletas de sentidos e significados de importância”, afirmou Miguez.

Traços geométricos fazem parte das pinturas corporais indígenas e revelam simbologias, ao mesmo tempo em que evidenciam identidades das etnias, famílias, status social, além de serem essenciais durante festas e rituais. O conjunto de traços e cores traduz a forma de pensar e viver de cada um dos povos que habitam o Brasil.

Cada grafismo impresso no corpo tem um significado. A junção dos grafismos pode representar mensagem, história, mitologia ou posição social dentro das comunidades.

Exposição da 25ª edição do Projeto Respiração “Devir Indígena” na Casa Museu Eva Klabin

Exposição da 25ª edição do Projeto Respiração “Devir Indígena” na Casa Museu Eva Klabin – Tomaz Silva/Agência Brasil

Programa

A partir da aproximação com os grafismos indígenas, as crianças e seus responsáveis serão convidados a escolher ou criar suas próprias pinturas, a partir das suas experiências pessoais, para que as imagens sejam desenhadas e pintadas no próprio corpo.

O Programa de Educação da Casa Museu Eva Klabin cuida da parte de criação e realização do evento. Educadores e mediadores do equipamento vão orientar as atividades. No momento da produção, será incentivado o protagonismo das crianças e a participação dos pais ou responsáveis na produção. “São eles que vão criar as imagens e vão pintar as imagens no próprio corpo”, reiterou Carlos Miguez.

A proposta é que as pessoas que se deixem fotografar para que as fotos sejam colocadas no mesmo dia nas redes sociais da Casa Museu, “até para poder apresentar o processo criativo delas”.

O evento começa hoje (5), às 15h, e ocorrerá em todos os sábados e domingos de novembro, no mesmo horário, com duração estimada de uma hora. O ingresso tem valor de R$ 5 por pessoa e pode ser adquirido no site da Casa Museu.

Catálogo

O lançamento do catálogo referente ao Projeto Respiração “Devir Indígena” ocorrerá no dia 10 de novembro, das 19h às 21h. Nesse dia, os catálogos serão distribuídos gratuitamente a quem estiver presente na Casa Museu Eva Klabin. Desde 2014, o Programa de Educação promove debates e atividades lúdicas de investigação, criação e produção de pensamento crítico e poético sobre cultura, arte, educação e sociedade.

As ações são realizadas com público de diferentes faixas etárias e em cooperação com profissionais e instituições de educação formal e não formal, contribuindo na elaboração de importantes projetos artísticos e pedagógicos para o Rio de Janeiro.

A entrada no local é gratuita para professores e alunos da rede pública de ensino, pessoas com deficiência e seus acompanhantes. Os ingressos gratuitos estão sujeitos à lotação.




Fonte: Agência Brasil

Rio apresenta mostra gratuita de filmes latinos premiados


A mostra de filmes latinos Visões Latinas está em cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal até o próximo dia 13, reunindo longas-metragens de diversos países da América Latina, premiados em festivais nacionais e internacionais, além de curtas produzidos na região metropolitana do Rio de Janeiro. O evento é gratuito e conta também com rodas de conversas sobre os filmes e exposição pública na Cinelândia, região central da cidade.

De acordo com a coordenadora geral e diretora da mostra, Maggie Avolio, a Mostra Visões Latinas traz uma integração de filmes de prestígio internacional com curtas produzidos na região metropolitana do Rio, com abordagem de questões fundamentais da vida contemporânea, como racismo, ancestralidade, violência, feminismo, identidade, solidão, religiosidade, discriminação contra a população LGBTQIAP+. “O Centro Cultural Justiça Federal abre suas portas para receber uma mostra inédita e exclusivamente latina”, afirmou a coordenadora.

A Mostra é uma realização da Empreender Projetos Culturais, por meio do Projeto Integra Rio, iniciativa da Secretaria Especial de Integração Metropolitana e prefeitura carioca.

Destaques

Entre os destaque da programação, estão marcos cinematográficos do cinema latino, como o filme chileno Uma Mulher Fantástica, dirigido por Sebastián Lelio, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2017; o colombiano O Abraço da Serpente, dirigido por Ciro Guerra, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2016; e o premiado Últimos Dias em Havana, longa cubano dirigido por Fernando Perez.

Na abertura do evento, no último dia 3, a mostra prestou homenagem póstuma ao professor, pesquisador, pensador e historiador da fotografia Mauricio Lissovsky, falecido precocemente em agosto deste ano, por meio da exibição de seu roteiro premiado e exibiu o longa A pessoa é para o que nasce. O diretor do filme, Roberto Berliner, comentou a história das três irmãs cegas que, como sustento, passaram boa parte de suas vidas cantando e tocando ganzá nas feiras de Campina Grande, no interior da Paraíba.

Mostra de filmes latinos no Rio

Cartaz do filme Nicinha Não Vem, de Muriel Alvez da mostra Visões Latinas – Mostra Visões Latinas/Divulgação

Programação

Hoje (5), às 16h, serão apresentados o curta-metragem Nicinha Não Vem, de Muriel Alves, e o longa-metragem A Pessoa é para o que Nasce, do Brasil. Amanhã (6), no mesmo horário, serão exibidos o curta Neguinho, de Marçal Viana, e o longa Pelo Malo, da Venezuela. No dia 10, com horário às 18h30, poderão ser vistos pelo público o curta Manhã de Domingo, de Bruno Ribeiro, e o longa Uma Mulher Fantástica, do Chile.

Seguem-se, no dia 11, às 18h30, as apresentações do curta Joãosinho da Gomea, o Rei do Candomblé, de Janaina Oliveira ReFem e Rodrigo Dutra, e o longa Últimos Dias em Havana, de Cuba. No sábado (12), às 16h, serão exibidos o curta Ladeira não é Rampa, de Antônio Ribeiro e Sandro Garcia, e o longa colombiano O Abraço da Serpente. No domingo (13), às 16h, será a vez do curta Cascudos, de Igor Barradas, seguido do longa Festa no Céu, do México.

O Centro Cultural Justiça Federal está localizado na Avenida Rio Branco, 241, centro do Rio de Janeiro. Há distribuição de senhas até 30 minutos antes das exibições, por ordem de chegada. O cinema tem capacidade para 56 lugares e está sujeito a lotação. À exceção dos filmes Festa do Céu e de Cascudo, para os quais a indicação é livre, a mostra tem classificação para 14 anos de idade.




Fonte: Agência Brasil

Museu Afro Brasil reabre com tributo a artista morto em setembro


Depois de 12 dias fechado para reforma, o Museu Afro Brasil (MAB) reabre hoje (5) com a inauguração de uma mostra-tributo ao fundador e diretor-curador do museu, o artista Emanoel Araújo, falecido no dia 7 de setembro. O evento reunirá artistas, autores, curadores, amigos e a equipe do Museu Afro Brasil em uma homenagem ao curador das exposições que deram origem aos catálogos Arqueologia Amorosa de São Paulo, Padre Jesuíno do Monte Carmelo aos Olhos de Mário de Andrade, A Volta do Baile do Spam de Lasar Segall e Esse Extraordinário Mário de Andrade.

No Tributo a Emanoel Araújo, serão expostas obras do artista plástico (uma escultura e quatro relevos), além de um retrato feito pelo fotógrafo Fernando Azevedo e frases sobre sua vida, obra e trabalho. Será exibido ainda o documentário Emanoel… são tantos, dirigido por Pedro Paulo Mendes. A mostra fica em cartaz até dezembro no hall do piso térreo do Museu Afro Brasil.

Está prevista ainda a abertura da Instalação MIS em Cena – Grandes Personalidades Negras, com 81 obras produzidas por grafiteiros da periferia durante exposição coletiva realizada em parceria com o Museu da Imagem e do Som, em 17 de setembro, na marquise da instituição. Reproduções das obras que retratam 81 personalidades negras que fazem parte da história do Brasil, incluindo Emanoel Araújo, serão expostas simultaneamente no MAB e em diversos polos culturais da capital e da Grande São Paulo. As obras originais serão exibidas no MIS.

A Oficina sobre Tintas Naturais: Cores Ancestrais, com Helô Rodrigues, fecha o leque de atrações propostas na data de reabertura do Museu Afro Brasil. Durante a ação, que integra a programação da Virada Sustentável, o público poderá explorar temáticas de obtenção e uso das tintas de origem orgânica e mineral, além de abordar questões históricas, culturais, geopolíticas e sociais por trás das tintas, e será convidado a olhar de forma mais sensível para seu território, observando a variedade de elementos tintórios ao redor que podem se tornar matéria-prima sustentável.

A mostra em homenagem a Emanoel Araújo poderá ser visitada até 30 de dezembro, das 10h às 17h, com permanência até as 18h, e entrada gratuita. A Oficina sobre Tintas Naturais: Cores Ancestrais será das 14h30 às 16h30, na Marquise do Museu Afro Brasil, com inscrições gratuitas no site da instituição.

A Instalação MIS em Cena – Grandes Personalidades Negras estará aberta de hoje até 30 de dezembro, das 10h às 17h, com permanência até as 18h, no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, Portão 10/estacionamento pelo Portão 3. Os ingressos custam R$ 15, com meia-entrada a R$ 7,50. A entrada é gratuita às quartas-feiras.




Fonte: Agência Brasil