A prefeitura do Rio de Janeiro publicou edital de licitação para empresas interessadas em prestar serviços de instalação de estruturas tubulares e de sonorização para o desfile do Sete de Setembro, na Avenida Presidente Vargas, no centro da capital fluminense, onde é tradicionalmente realizado.
“A Prefeitura do Rio informa que, até o momento, não recebeu nenhum pedido de alteração do local do desfile de 7 de setembro e, por isso, segue com o trabalho de apoio logístico para que o evento ocorra em seu local tradicional, a Avenida Presidente Vargas”, disse, em nota.
O pregão eletrônico tem valor estimado de R$ 318 mil. A abertura da licitação será no dia 15 de agosto, às 11h, pelo site.
Hoje perdemos um gigante: Em todas as vertentes do audiovisual, Jô Soares foi onipresente.
Artista multifacetado que fez parte do nosso dia a dia, da rotina de todos os brasileiros que buscavam diversão, informação ou apenas estar na presença do ‘’gordo’’, como ele mesmo se intitulava.
O legado é tão gigante quanto o homem Jô Soares, portanto temos acesso a toda obra dele para sempre.
Dizem que os gênios são imortais, e eu acredito.
Para começarmos minhas dicas de hoje, sugiro um mergulho no universo extenso de Jô. Ele atuou em mais de vinte filmes nacionais, como o clássico de 1959, O Homem do Sputnik, o hilário filme Sábado de 1994, As Aventuras de Agamenon, o Repórter, de 2011 e seu último longa em 2017: Lygia, Uma Escritora Brasileira .
Da TV Brasil para as telonas
Agora para a criançada de todas as idades, a dica é o filme de animação Além da Lenda.
O longa metragem nasceu a partir de uma série de televisão exibida na TV Brasil, muito querida pelo público e que teve treze episódios.
De forma acessível e divertida, Além da Lenda – O Filme conscientiza as crianças da importância das lendas nacionais. A trama envolve um livro sagrado, que reúne todas as histórias do folclore nacional, e fica escondido numa montanha. Ele só é revelado, uma vez por ano, no dia do Saci, 31 de outubro. Porém, um trio que simboliza o Halloween vêm para o Brasil nessa data, e, recebidas como celebridades, pretendem roubar o livro e dominar as nossas lendas.
Uma curiosidade: Além da Lenda – O Filme, dirigido pela dupla Marília Mafé e Marcos França, é a primeira animação produzida em Pernambuco; Outro detalhe especial e inovador é que Além da Lenda é um projeto multiplataforma E além da estreia do filme será lançado um game inspirado na obra.
Comédia romântica na TV Brasil
A TV Brasil exibe o longa metragem nacional Insônia. Chance única de ver essa comédia romântica que apresenta Claúdia, adolescente de 15 anos que perdeu a mãe com apenas 5 anos de idade e a partir de então vive com o pai .
Ao ter que lidar com os dilemas da juventude, se vê confusa e perdida quando a melhor amiga de 28 anos, começa a namorar com o seu pai.
Baseado no livro homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha, o longa-metragem é sensível e uma boa pedida para esse fim de semana.
E anote: neste domingo (07/08), às 14h, na TV Brasil.
Trem-Bala – Super produção com Brad Pitt
Após uma longa carreira como dublê, o diretor David Leitch fez uma transição bem sucedida para a direção dos filmes de ação, como John Wick , Deadpool 2 e Hobbs & Shaw.
Agora ele retorna com o longa Trem-Bala, uma aventura estrelada por Brad Pitt.
Vamos à trama: a estória é simples, e traz Pitt como um mercenário que é contratado para furtar uma mala dentro do tal trem-bala, que atravessa o Japão. O que ele não esperava é que a mala está em posse de dois matadores (Aaron Taylor-Johnson e Brian Tyree Henry) incumbidos de devolvê-la, no ponto final da viagem, ao maior chefe da máfia japonesa, uma figura violenta e misteriosa cuja história se conecta com a dos demais coadjuvantes a bordo.
O filme está em cartaz em todos os cinemas brasileiros.
O mês de agosto será marcado pela ocorrência de poucas chuvas em boa parte do país, com menor ocorrência no interior da Região Nordeste e parte das regiões Centro-Oeste e Sudeste. As informações são do boletim meteorológico para o mês divulgado nessa quinta-feira (4) pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
De acordo com o boletim, a previsão para o mês de agosto indica registros de pouca chuva ou abaixo da média na região do Matopiba, que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e também na divisa de Minas Gerais e de Goiás, assim como o leste do Mato Grosso. Para essas regiões estão previstos acumulados inferiores a 80 milímetros (mm) e, em algumas localidades, não devem ocorrer registro de chuva.
A tendência de chuvas acima da média está prevista para o noroeste da Região Norte, costa leste do Nordeste, com volumes previstos acima dos 120 mm. As chuvas acima da média também devem ocorrer na divisa dos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, além da parte central de Santa Catarina.
Agosto também promete ser um mês de temperaturas médias elevadas. O Inmet aponta a incidência de valores acima de 24°C para o Norte, Nordeste, norte do Mato Grosso e centro-oeste do Mato Grosso do Sul.
No leste da Região Nordeste, as temperaturas deverão ser mais amenas devido à persistência de dias chuvosos, com temperaturas que vão variar entre 24ºC e 26°C.
Para a Região Sul, as temperaturas mais elevadas ocorrerão no Paraná, enquanto em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul a tendência é de temperaturas médias entre 18°C e 20°C.
O Inmet, porém, não descarta a possibilidade de entrada de massas de ar frio, que poderão acarretar em queda das temperaturas mínimas e favorecer a ocorrência de geadas em áreas serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, assim como no sul de Minas Gerais e no Vale do Paraíba.
O quadro Receita de Família ensina, nesta sexta-feira (5), como preparar uma massa de macarrão fresca do tipo Talharim, acompanhado com Molho de Tomate e Almondegas. Quem conta os detalhes é o gastrônomo Cláudio José da Silva Júnior, de Álvares Machado (SP).
Ingredientes para a massa
200 gramas de farinha de trigo
2 ovos
Uma pitada de sal
Molho caseiro de tomate caseiro
Almondegas de carne moída
Queijo parmesão ralado para finalizar o prato
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Talharim, acompanhado com Molho de Tomate e Almondegas — Foto: Amanda Simões/TV Fronteira
Talharim, acompanhado com Molho de Tomate e Almondegas — Foto: Amanda Simões/TV Fronteira
Em um recipiente, coloque a farinha de trigo e o sal. Na sequência, misture e incorpore os ovos.
Misture os ingredientes, inicialmente, de forma lenta e com um garfo. Depois, com as mãos.
Sove a massa até ganhar consistência firme.
Deixar a massa descansar em geladeira por, pelo menos, 30 minutos.
Na sequência, divida a massa em três partes. Abra a massa e corte no formato desejado.
Para cozinhar a massa, ferva água com sal e coloque a massa por aproximadamente 10 minutos ou até atingir a consistência desejada.
Prepare o molho de preferência e misture ao macarrão. No prato, finalize com o parmesão ralado.
A banda prudentina Média7 lança seu primeiro EP autoral em um show gratuito no Sesc Thermas de Presidente Prudente (SP), a partir das 16h. O grupo nasceu há seis anos dentro de uma faculdade de comunicação da cidade e desde 2019 dedica-se à produção autoral.
Nesta apresentação, o grupo apresenta toda a diversidade de sua formação para o palco. Com idades e experiências musicais muito variadas entre seus membros, tem em suas músicas um traço de sutilidade poética com a agressividade do rock, além da versatilidade nas letras autorais e nos arranjos de releituras.
Em 2016, professores e alunos de uma faculdade de comunicação social se reuniram para tocar na abertura de um evento e a ideia da banda se manteve. Ao longo dos anos, passou por diversas formações, mas manteve esse núcleo de professores, alunos e ex-alunos.
Atualmente, a Média7 é formada por Rogério Silva (vocal/gaita/violão), Anah Lisack (vocal), Rogers Fortunato (guitarra), Murilo Hernandes (guitarra/violão), Marcel Sachetti (bateria), Renato Maria (contrabaixo) e Gustavo Zattoni (teclados), que descrevem a sonoridade como “um trânsito entre o rock e o pop, chegando a flertar com a MPB em algumas faixas”.
Ainda no sábado tem programação para a criançada, que poderá participar da oficina “Quebra-cabeça de abelha”, com o educador do Espaço de Tecnologia e Artes do Sesc Thermas, Leandro Barbosa.
A proposta é que as crianças conheçam mais sobre a vida das abelhas de forma divertida, construindo um quebra-cabeça que, em seu verso, conta com informações sobre a importância desse inseto para a natureza.
São duas turmas, às 14h30 e 16h30, com participação gratuita e vagas limitadas. A entrega de senhas ocorre no local com 30 minutos de antecedência.
O Sesc Thermas de Presidente Prudente fica na Rua Alberto Peters, 111, no Jardim das Rosas. Para mais informações, o telefone é (18) 3226-0400. A programação completa está disponível na internet.
Para festejar o aniversário de cinco anos do projeto, neste sábado (6) e no dia 20 de agosto será realizado, em Presidente Prudente (SP), o “Festival da Reforma Agrária: em defesa da democracia”. O evento tem início às 9h, no Galpão da Lua.
A programação começa com a tradicional feira de produtos agroecológicos frescos e a preços justos. Haverá ainda a comercialização de artesanatos produzidos por pessoas parceiras da região.
Já a partir das 14h, o público poderá conferir diversas apresentações culturais com grupos regionais, que garantirão muita arte e música boa. A festa vai até as 21h.
O Galpão da Luz está localizado na Rua Júlio Tiezzi, nº 130, no Centro.
As atrações culturais que já confirmaram presença são: Grupo Taquitá, Histórias da Nana, Artur Zola & Valdir Riqueti (part. especial João de Deus), Rodolfo Minari, Terra Sonida, Rosa dos Ventos, Samba de Roda com os Angoleiros do Sertão e Dindi + Levelbeat.
No dia 20 de agosto, a Feira acontece na Paróquia São Lucas, no Parque Shiraiwa, das 9h às 13h.
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Produtos feitos por assentados são vendidos na Feira — Foto: Julia Duran
Produtos feitos por assentados são vendidos na Feira — Foto: Julia Duran
Em agosto a Feira da Reforma Agrária completa cinco anos de existência e resistência, comprometidos com a comercialização de alimentos produzidos pelas trabalhadoras e trabalhadores do campo por meio da agricultura familiar. São produtos sem uso de agrotóxicos, que geram renda para as famílias assentadas e garantem um alimento fresco e sadio para as famílias da cidade.
Além dos alimentos agroecológicos, há a comercialização de uma série de outros produtos vinculados ao projeto da reforma agrária e à produção artesanal desenvolvida por companheiras e companheiros da cidade.
A Feira da Reforma Agrária de Presidente Prudente surgiu em 2017 por uma iniciativa do Galpão da Lua em parceria com os assentados do Pontal do Paranapanema. Com o passar dos anos, a Feira se tornou uma ação popular do campo e da cidade, que reúne, mensalmente, os companheiros e as companheiras que partilham desta luta. Mulheres e homens que acreditam na agroecologia, na reforma agrária, na cultura popular e, se dedicam cotidianamente para tornar o mundo mais justo e igualitário.
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Produtos agroecológicos cultivados por assentados são vendidos na Feira — Foto: Julia Duran
Produtos agroecológicos cultivados por assentados são vendidos na Feira — Foto: Julia Duran
Um estudo realizado em Salvador por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) revelou que os lares chefiados por mulheres negras são os mais ameaçados pela fome: 21,2% deles têm insegurança alimentar moderada ou grave e outros 25,6% possuem insegurança alimentar leve.
Somadas as duas categorias, os dados indicam que preocupações em relação ao acesso à comida em quantidade e qualidade estão presentes em mais da metade desses domicílios.
Os resultados do estudo constam de artigo científico publicado na edição de hoje (5) da Revista Cadernos de Saúde Pública, editada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Os pesquisadores trabalharam com uma amostra de 14.713 domicílios em 160 bairros da capital baiana. Um questionário com 62 perguntas foi aplicado de forma presencial e online. A coleta de dados ocorreu entre 2018 e 2020.
Gravidade
Os pesquisadores utilizaram a classificação da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia). A situação é considerada grave quando há ocorrência de fome ou quando a quantidade de alimentos para as crianças é restrita, moderada quando os alimentos para adultos são restritos e leve quando as pessoas não sabem se terão acesso à comida num futuro próximo.
Já a segurança alimentar se configura quando há acesso à alimentação em quantidade e qualidade. Essa situação está mais presente em lares chefiados por homens brancos. Em 74,5% deles, não há preocupações relacionadas com a comida.
A nutricionista Silvana Oliveira, uma das pesquisadoras que assina o artigo, explica que diversos estudos comprovam que a insegurança alimentar se relaciona com fatores socioeconômicos como renda e escolaridade. Ela pondera, no entanto, que eles não explicam tudo e a discriminação racial também deve ser considerada.
“As pessoas ainda têm uma visão que o lugar da mulher negra é no trabalho doméstico. São alguns estereótipos que estão associados, por exemplo, à falta de oportunidades de ter melhor renda. Mesmo que tenha a escolaridade igual a de uma mulher branca, a mulher negra tende a ter um salário menor porque paira no imaginário social que ela tem uma menor valoração”, analisa.
Segundo Silvana, para ter efetividade, as ações para combater a fome precisam estar associadas ao reconhecimento da desigualdade racial e ir além de medidas universais que desconsideram especificidades.
“As políticas públicas devem incorporar a interseccionalidade, que é esse olhar para as diferenças dentro dos grupos e para a interação entre os diferentes eixos de opressão. A desigualdade racial afeta toda a população negra. Mas também existem demandas específicas da mulher negra. E é preciso levar em conta essas demandas que estão sendo colocadas”, diz.
Desigualdade racial
Embora a pesquisa tenha se debruçado sobre a realidade de Salvador, a nutricionista afirma que os resultados dialogam com dados que documentam a desigualdade racial no país.
Além disso, explica que o referencial teórico foi composto com estudos nacionais. “Considero que a pesquisa veio para somar e contribui para a discussão do quadro de insegurança alimentar não apenas de Salvador, mas do Brasil”, afirma.
Ao mesmo tempo, ela observa que as características específicas da capital baiana foram levadas em conta. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com aproximadamente três milhões de habitantes, Salvador tem 80% de sua população autodeclarada preta ou parda.
Dentre os 14.713 domicílios que compuseram a amostra da pesquisa, a maioria (50,1%) tinha como responsável uma mulher negra, seguida de homem negro (35,4%), mulher branca (8,3%) e homem branco (6,2%). “Apesar de ter uma população majoritariamente negra, Salvador tem uma desigualdade muito profunda que não foi enfrentada”, finaliza Silvana.
O ano era 1941. A Segunda Guerra Mundial estava em curso. Em junho, a Alemanha invadia a União Soviética com 3 milhões de soldados. Em outro continente, os Estados Unidos usavam sua política de boa vizinhança para se firmar como potência mundial e liderança entre as nações das Américas.
O American Way of Life (estilo de vida americano) era propagado no Brasil, trazendo elementos que iam da Coca-Cola ao personagem da Disney Zé Carioca, aliado a grandes projetos estruturais – como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Foi nesse contexto que chegou ao país o programa que é um ícone do radiojornalismo nacional: o Repórter Esso.
O programa que revolucionou os jornais brasileiros era um produto de comunicação da Standart Oil Company of Brazil, a gigante do petróleo estadunidense que dá nome ao radiojornal. Seu conteúdo era supervisionado pela agência de publicidade McCann-Erickson e produzido pela agência internacional de notícias United Press Associations (UPA).
Ele já existia em outros países – ao longo de sua história, foi transmitido em 15 nações por 60 emissoras. No projeto original, o Repórter Esso dedicava-se a trazer notícias sobre a Segunda Guerra Mundial, em horários fixos ao longo do dia e também em edições extraordinárias, quando necessário. Com cinco minutos de duração e normas rígidas de conteúdo, com notícias curtas e diretas, praticava o contrário do que vigorava na época em jornais falados. Foi sobretudo o formato do Esso que trouxe inovação para o radiojornalismo.
O acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) recuperou o manual sonoro do Repórter Esso, narrado por Heron Domingues: “às 8h, primeiro horário do Repórter Esso, a saudação aos ouvintes deve ser feita com otimismo, voz clara e sem qualquer sinal de sono. Há necessidade de que, neste primeiro horário de nosso boletim, o ouvinte seja acordado pela voz alegre, firme e pontual do Repórter Esso“, orienta o guia. Ouça essas e outras diretrizes no áudio abaixo:
Ouça episódio da série Cem anos do rádio no Brasilsobre o Repórter Esso:
“Ele inaugurou um modelo que depois foi seguido por outras emissoras do Brasil e da América Latina”, diz Luciano Klöckner, autor do livro O Repórter Esso: A Síntese Radiofônica Mundial que Fez História. “O estilo europeu vigorava no Brasil nos anos 1930 e 1940. Era pomposo, os horários não eram tão respeitados. Passou-se para um estilo mais seco e direto, sem adjetivações. Claro que nem sempre isso ocorreu – eles adjetivavam bastante as notícias”.
O noticiário fez sua primeira transmissão em 28 de agosto de 1941, estreando na então hegemônica Rádio Nacional, emissora estatal que dominava a audiência na época. Depois, passou a ser transmitido também em outras rádios. Alguns de seus locutores ficaram marcados pelo enorme prestígio que conquistaram por causa da apresentação do programa. Um deles foi Heron Domingues, voz do Esso na Nacional de 1944 a 1962.
Cartaz de 1941 anuncia o lançamento do Repórter Esso – Reprodução
Testemunha ocular da história
Junto ao público, o Repórter Esso conquistou credibilidade e audiência. O Ibope media blocos de 15 minutos de audiência na época, segundo Klökner. “Não tinha como mirar a lupa para os cinco minutos do Repórter Esso, mas os blocos onde ele estava inserido tinham uma elevação de audiência de 25%, chegando a registrar aumento de 50% durante a Segunda Guerra”, conta.
Seu slogan “O primeiro a dar as últimas” era levado a sério pelos ouvintes. E esse prestígio rendeu uma história que ilustra a confiança que as pessoas tinham no jornal. No dia 2 de setembro de 1945, a Rádio Tupi surpreendeu o público ao anunciar o fim da Segunda Guerra Mundial. A notícia, no entanto, não tinha ido ao ar ainda no Repórter Esso. E o conflito só foi considerado encerrado pelos brasileiros quando o locutor Heron Domingues entrou no ar repetindo, empolgadamente: “terminou a guerra! Terminou a guerra!”.
Luciano Klökner detalha o caso: “Há duas versões. Pelo que se sabe, a Tupi teria recebido a informação da Associated Press (AP), e ela deu a notícia no ar. Mas houve um desmentido, e o contexto dessa notícia é que ela era verdadeira, mas os negociadores da rendição alemã pediram que a imprensa segurasse a informação. E a AP não segurou, repassou para as associadas dela. A outra versão me foi contada pessoalmente pelo [locutor] Luiz Mendes, amigo do Heron Domingues. Ele, Mendes, teria dado a notícia primeiro na Rádio Globo. E contam que houve um clamor público na Praça Mauá, onde funcionava a sede da Rádio Nacional, porque as pessoas perguntavam por que a notícia do fim da guerra não tinha saído no Esso.”
O episódio ficou marcado ainda pelos detalhes que antecedem o dia histórico. Segundo Klökner, à época, foi bastante divulgado que Heron Domingues pediu à emissora para deixar uma cama de campanha na redação para conseguir dar a notícia em primeira mão, e isso era muito divulgado à época.
O áudio original com o anúncio do fim da guerra perdeu-se com o tempo. Em 1956, por ocasião dos 20 anos da Nacional, foi produzido um disco com momentos marcantes da história da emissora, e Domingues fez uma reprodução do que foi ao ar na época. Esta simulação chegou até os dias atuais e pode ser ouvida abaixo:
O crédito pelo anúncio do suicídio do presidente Getúlio Vargas também é disputado por diferentes jornais – mas a versão aceita pelos pesquisadores é que o povo acreditou, mesmo, quando ouviu no Repórter Esso. É o que contou à TV Brasil o radialista Antônio Carlos, que foi locutor da Rádio Nacional no início da sua carreira, nos anos 1950. Neste vídeo, ele reforça a relevância do Repórter Esso para os ouvintes e a sociedade:
Posteriormente, a carta-testamento de Getúlio foi lida no programa:
O Esso foi, como outro de seus slogans atesta, “testemunha ocular da história”. Até 1945, exclusivamente da Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito, introduziu aos poucos notícias do país e também as regionais, de cada estado em que transmitia.
Este áudio, cedido pelo pesquisador Luciano Klöckner, compila manchetes e notícias extraídas do Repórter Esso e fez parte do programa especial de 24 anos de irradiação do noticiário. Ouça:
A mudança editorial, combinando notícias mais próximas dos brasileiros com a credibilidade já consolidada que possuía, rendeu-lhe histórias menos pomposas que os anúncios históricos, mas que demonstravam a força do programa junto ao público – e, ainda, o potencial de mobilização que o jornalismo tem na sociedade.
É o caso da aterrisagem de um avião no aeroporto de Campo Grande em uma pista que estava às escuras. De acordo com o que narrou Klökner em seu livro, um apelo foi feito no Repórter Esso para que carros fossem levados para iluminar o local. Os motoristas compareceram, e a aeronave pousou com a ajuda dos faróis, sem que nenhuma das 14 pessoas a bordo ficassem feridas.
Ouça outros trechos do Repórter Esso, direto do acervo da EBC:
Edição que compilou as principais notícias da Segunda Guerra Mundial (trata-se de uma simulação, uma vez que os áudios originais foram perdidos):
Edição do Repórter Esso de 1951, com locução de Heron Domingues:
Edição especial de Pistoia, na Itália, transmitindo o toque de silêncio em homenagem aos pracinhas brasileiros mortos em combate na Segura Guerra Mundial (novembro de 1953):
Edição do Repórter Esso que anuncia a morte da cantora Carmen Miranda, em 5 de agosto de 1955. O boletim traz uma obituário narrado pelo jornalista Sérgio Chapelin, que atuou como locutor na Rádio MEC nos anos 1960:
Declínio
O radiojornalismo em geral foi atingido duramente pelo regime militar em 1964 – até mesmo o Repórter Esso, que tinha uma linha editorial cuidadosa para não desagradar a governos e autoridades.
No dia 1º de abril daquele ano, uma das edições do Repórter Esso não foi ao ar – pelo menos em São Paulo. “Ali eu me dei conta que o processo da revolução já tinha se instalado”, conta o locutor Fabbio Perez, que faria o jornal das 8h pela Rádio Tupi. O mesmo aconteceu em diferentes emissoras e jornais impressos.
O Repórter Esso sobreviveu até 1968 – na televisão, onde tinha estreado em 1952, durou até 1970. Na avaliação do pesquisador Luciano Klökner, o desgaste político que culminou com o fim do Repórter Esso tem a ditadura militar entre seus motivadores – embora não seja o único. “Houve queda de audiência motivada pela concorrência com outras emissoras e a televisão, e ainda o interesse da empresa [Esso] de distribuir verbas publicitárias, sem concentrá-la em um único programa”.
O Repórter Esso estreou na televisão em 1952, e ficou no ar até 1970 – Divulgação/Repórter Esso
Sua última transmissão no rádio foi ao ar no dia 31 de dezembro de 1968, na locução de Roberto Figueiredo. O fim de uma história de 27 anos ficou eternizado na voz emocionada do profissional (ouça o áudio recuperado pelo programa Todas as Vozes, que foi ao ar pela Rádio MEC):
Anúncio comunica a última edição do Repórter Esso na televisão – Divulgação/Repórter Esso
Série de reportagens
Em comemoração aos cem anos do rádio no Brasil, completados em 7 de setembro de 2022, a Agência Brasil publica uma série de reportagens sobre as principais curiosidades históricas do rádio brasileiro. Veja as matérias já publicadas:
Cem anos do rádio no Brasil: o padre brasileiro que inventou o rádio
Cem anos do rádio no Brasil: Recife foi “berço”, dizem pesquisadores
Cem anos do rádio no Brasil: das emissoras pioneiras até a Era de Ouro
Cem anos do rádio no Brasil: caráter educativo marca história da mídia
Cem anos do rádio no Brasil: o nascimento do radiojornalismo
O centenário do rádio no país também será celebrado com ações multiplataforma em outros veículos da EBC, como a Radioagência Nacional e a Rádio MEC que transmitirá, diariamente, interprogramas com entrevistas e pesquisas de acervo para abordar diversos aspectos históricos relacionados ao veículo. A ideia é resgatar personalidades, programas e emissoras marcantes presentes na memória afetiva dos ouvintes.
O autor e ator Jô Soares morreu na madrugada de hoje (5), aos 84 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês. A informação foi divulgada por Flávia Pedras Soares, em sua conta no Instagram. Ela foi ex-mulher do artista.
Segundo Flávia, o funeral será apenas para família e amigos próximos. José Eugênio Soares, o Jô Soares, nasceu em 16 de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro, filho do empresário paraibano Orlando Heitor Soares e de Mercedes Leal Soares. Sua estreia como ator ocorreu no filme O Homem do Sputnik, filme de Carlos Manga.
Jô escreveu roteiros para programas de televisão em emissoras como as TVs Continental, Record e Globo. E também atuou em diversos programas humorísticos das TVs Tupi, Record, SBT e Globo.
Viva o Gordo
Entre os shows televisivos que comandou mais estão o humorístico Viva o Gordo e seus programas de entrevistas Jô Soares Onze e Meia, no SBT, e Programa do Jô, na Globo. Este último ficou no ar por 17 anos, de 2000 a 2016.
Jô Soares também se aventurou na literatura, publicando romances como O Xangô de Baker Street, O Homem que Matou Getúlio Vargas, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras e As Esganadas.
Sobre o ex-marido, Flávia escreveu: “ você é orgulho para todo mundo que compartilhou de alguma forma a vida com você. Agradeço aos senhores Tempo e Espaço, por terem me dado a sorte de deixar nossas vidas se cruzarem. Obrigada pelas risadas de dar asma, por nossas casas do meu jeito, pelas viagens aos lugares mais chiques e mais mequetrefes, pela quantidade de filmes que você achava uma sorte eu não lembrar pra ver de novo e pela quantidade indecente de sorvete que a gente tomou assistindo. Obrigada para sempre, pelas alegrias e também pelos sofrimentos que nos causamos. Até esses nos fizeram mais e melhores”, disse ela.
O Rio de Janeiro recebe a partir de hoje (5) o Festival Internacional de Robótica, realizado pela primeira vez no Brasil, e organizado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), no Pier Mauá, até o próximo domingo (7), com entrada grátis.
O público poderá participar de oficinas experimentais de ciências, artes e tecnologia. O Sesi acompanha a robótica há muitos anos e fazia as seletivas nacionais para levar seus alunos ao torneio internacional em Houston, nos Estados Unidos.
Este ano, contudo, o Sesi foi encarregado de coordenar, pela primeira vez, um torneio internacional no Brasil, com a participação de 90 times, sendo 60 do exterior, com 38 países e 990 competidores. “É uma representação muito grande e estamos muito felizes. Vai ser um projeto interessante”, disse o diretor de Operações do Sesi, Paulo Mól.
Neste festival, haverá pela primeira vez no Brasil uma competição de robôs mais robustos, de 60 quilos, que é uma modalidade mais completa da robótica.
Categorias
Na categoria First Lego League Challenge (FLL), de robôs menores, participam estudantes de 9 a 16 anos (no Brasil e demais países, à exceção dos Estados Unidos e Canadá, cuja faixa etária é de 9 a 14 anos). Eles buscam soluções para problemas do dia a dia da sociedade moderna. Participam as 90 melhores equipes de FLL de todo mundo, sendo 58 estrangeiras e 32 brasileiras. A segunda modalidade é a Off Season da First Robotics Competition (FRC), que terá 28 equipes brasileiras, sendo conhecida como a Olimpíada dos Robôs.
“Estamos falando de 28 times nesse campeonato de robôs de 60 quilos” disse Mól. As equipes de robôs mais estruturados reúnem alunos de 12 anos até 18 anos de idade. “Quando as crianças viram adultas, passam a ser tutoras e mentoras dos outros times”, explicou.
O torneio internacional existe desde 1998. O Brasil começou a acompanhar a competição há cerca de dez anos. O Sesi é o operador nacional dos eventos de robótica no país.
As equipes brasileiras que participam do festival são as melhores classificadas no campeonato nacional realizado em maio, em São Paulo. Paulo Mól afirmou que o festival do Rio está fora da temporada. “É um evento demonstração, é um teste. As equipes vão apresentar os projetos no festival, mas não estão concorrendo à seletiva nacional”. acentuou.
No início de 2023, será realizada uma competição em que os melhores classificados vão concorrer nos melhores torneios internacionais. “Nesses torneios internacionais, a ideia é ganhar notoriedade. São competições onde as principais universidades americanas e empresas do mundo estão de olho nos profissionais que estão trabalhando nos torneios de robótica. Grandes empresas, como Boeing e Microsoft, financiam esses torneios”, acentuou.
Acesso
O público poderá visitar o local de competição hoje, das 13h às 16h; no sábado (6), das 8h às 18h; e, no domingo (7), das 8 às 17h.
Mól disse, também, que a estratégia é dar acesso à robótica e ao conhecimento científico a crianças e adultos. Na entrada da promoção, há uma área de experimentação científica para montagem de robôs de Lego e de peças de materiais recicláveis e oficinas interativas.
“É um espaço onde pais e filhos se juntam para trabalhar de forma colaborativa. É um momento não só lúdico, mas também extremamente educacional”, salientou. A ideia é encantar e mostrar que a ciência é interessante, é legal, acessível e barata.
“O nosso próximo passo é tentar estimular escolas públicas e a comunidade a trabalhar com ciência e tecnologia para que esse assunto deixe de ser elitizado e passe a ser acessível a todos os estudantes do Brasil, independente da renda”, garantiu.
Modalidades
No First Lego League Challenge (FLL), os alunos formam equipes de dois a dez integrantes para construir robôs feitos de peças de lego, que devem cumprir uma série de missões e somar o máximo de pontos. Cada partida dura dois minutos e meio em um tapete oficial da competição.
O time também é responsável pela criação de um projeto de inovação, que é uma solução para um problema real dentro da temática da temporada. Este ano, o tema é Logística e Transporte. Os estudantes são avaliados pelo projeto de inovação; por valores como trabalho em equipe, diversão, inclusão e impacto; e pelo design e desempenho do robô.
Participam dessa modalidade estudantes da África do Sul, Argentina, Brasil, Cazaquistão, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes, Escócia, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Alemanha, Grécia, Honduras, Hungria, Irlanda, Irlanda do Norte, Israel, Itália, Japão, México, Macedônia do Norte, Marrocos, Nigéria, Noruega, Paraguai, Polônia, Porto Rico, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Uruguai.
Já a First Robotics Competition (FRC) é a modalidade mais avançada das competições de robótica da First. Ela se destina a alunos do ensino médio, que constroem e programam robôs semiautônomos de porte industrial. Os robôs têm até 55 kg e 1,5 metro de altura e devem realizar tarefas em uma arena do tamanho de uma quadra de vôlei. O time é formado pelo menos por 10 integrantes, trabalha com um kit básico de peças e pode ser criativo para montar o robô, mas deve utilizar o mesmo sistema de controle e respeitar as regras que limitam tamanho, peso e quantidade máxima de motores, por exemplo.
Os testes e competições de robótica têm início previsto para as 10h desta sexta-feira. A cerimônia de abertura está marcada será às 16h. A solenidade de premiação será no domingo, às 16h30.