Artista alagoana expõe no Rio pinturas sobre novelas e cotidiano rural


Um dia os filhos cresceram, a casa ficou vazia, sobraram saudade e tédio. A alagoana Roxinha, então com 59 anos, conseguiu ocupar o coração e o tempo com arte. Ao lado do marido, começou a desenhar em folhas de papel, depois nas paredes de casa e tomou tanto gosto pela coisa, que todo tipo de material foi transformado em tela. Até sucatas encontradas em um lixão.

Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2023 - A exposição Roxinha: Uma vida de novela é a primeira mostra individual da artista popular de Alagoas Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, em cartaz no Museu do Pontal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ingressos para a exposição da artista Roxinha, em cartaz no Museu do Pontal, são gratuitos ou com contribuição voluntária Fernando Frazão/Agência Brasil

O que era para ser uma “brincadeira”, ultrapassou os limites do povoado de Lagoa de Pedra, às margens do rio São Francisco, e ocupa um espaço no Museu do Pontal, Rio de Janeiro. Inaugurada no sábado (6), trata-se da primeira exposição da artista.

“Eu fiquei sozinha com o meu marido e um filho dentro de casa. O filho saía de noite e ficávamos só os dois. E aí, o marido disse assim: ‘vamos desenhar?’. Eu disse que não sabia desenhar nada. E ele disse que a gente aprendia, para se entreter. Aí, eu consegui junto com ele. Toda noite a gente desenhava. E a gente ria, porque pareciam duas crianças desenhando. Eu mostrava o que fazia, ele mostrava o que fazia, e a gente começava a rir”, conta a artista, hoje com 69 anos.

Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2023 - A exposição Roxinha: Uma vida de novela é a primeira mostra individual da artista popular de Alagoas Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, em cartaz no Museu do Pontal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Exposição Roxinha: Uma vida de novela é a primeira mostra individual da artista Maria José Lisboa da Cruz – Fernando Frazão/Agência Brasil

Setenta pinturas compõem a mostra Roxinha: uma vida de novela. O título cita uma das referências preferidas da artista: as histórias de amor que viu na TV. Traços, cores e diálogos são inspirados em cenas que ficaram guardadas na memória. Há, por exemplo, uma obra que retrata a novela infanto-juvenil Malhação. Outra, sobre um casamento que aconteceu em O Cravo e a Rosa, pintada sobre o que sobrou de um televisor antigo de tubo.

O termo novela também representa a vida da própria artista, com diferentes tipos de emoções. Sejam elas difíceis, como o trabalho pesado e a distância dos filhos. Ou episódios românticos e bem-humorados. Momentos do cotidiano da família e do povoado também estão retratados nas obras de Roxinha, que já trabalhou no cultivo de macaxeira, milho e feijão, quebrou brita em uma pedreira local e varreu as ruas de Lagoa de Pedra.

Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2023 - A exposição Roxinha: Uma vida de novela é a primeira mostra individual da artista popular de Alagoas Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, em cartaz no Museu do Pontal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Roxinha começou a pintar há dez anos, com 59 anos de idade – Fernando Frazão/Agência Brasil

Descoberta artística

Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2023 - A exposição Roxinha: Uma vida de novela é a primeira mostra individual da artista popular de Alagoas Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, em cartaz no Museu do Pontal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Exposição pode ser visitada de quinta a domingo, das 10h às 17h30 Fernando Frazão/Agência Brasil

O primeiro profissional do campo artístico a identificar o trabalho de Roxinha foi André Dantas. Ele é um dos curadores da mostra no Museu do Pontal e disse ter se encantado ao descobrir as produções da artista. Tanto que adquiriu várias delas e cobriu as paredes do espaço cultural que possui na Ilha do Ferro, em Alagoas.

“Quando conheci a Roxinha, não sei como explicar, mas foi amor à primeira vista mesmo, da maneira mais simples. Uma senhora que me recebeu com o coração aberto. Ao chegar na casa de Roxinha, não tinha nenhuma peça à venda. Mas tinha uma parede linda repleta de desenhos, de pinturas em azulejos, algumas esculturas. Era um universo mágico naquela residência. O que mais me chamou a atenção foi a paleta de cores, o tipo de ilustração e a espontaneidade dos desenhos”.

Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2023 - A exposição Roxinha: Uma vida de novela é a primeira mostra individual da artista popular de Alagoas Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, em cartaz no Museu do Pontal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A artista já trabalhou no cultivo de macaxeira, milho e feijão, quebrou brita em uma pedreira local e varreu as ruas de Lagoa de Pedra – Fernando Frazão/Agência Brasil

Angela Mascelani, diretora artística do Museu do Pontal, explica que para entender o valor estético das pinturas é preciso conectá-las com a vivência da artista. As experiências que ela acumulou, as perspectivas bem-humoradas sobre a vida rural e como ela desconstrói estereótipos sobre o papel da mulher na sociedade.

“Ela tem uma coerência estética inusitada, que no meu ponto de vista nasce de uma escassez. Porque ela não tem os materiais, ela desenha no papel, ela desenha na parede. E também não há os condicionantes como uma formação acadêmica, o aprender a desenhar na escola. Ela faz as obras dela com uma maior liberdade. Um tipo de liberdade que a gente não é capaz de traduzir inteiramente”.

Lucas Van de Beuque, diretor-executivo do Museu do Pontal, explicou que a descoberta do trabalho de Roxinha é resultado de um projeto que começou em 2020 com artistas populares de Alagoas e incluiu o desenvolvimento de um filme com eles.

“A gente começou a fazer um mergulho na arte de Alagoas. Em 2020, foi feita uma pesquisa e em 2021 voltamos lá e filmamos os artistas. Eu acho que a mostra sobre a Roxinha evidencia, de uma forma muito interessante, a qualidade da arte popular no Brasil. E o quanto é importante a produção artística das pessoas que estão nesses lugares sociais”.

Rio de Janeiro (RJ), 07/05/2023 - A exposição Roxinha: Uma vida de novela é a primeira mostra individual da artista popular de Alagoas Maria José Lisboa da Cruz, a Roxinha, em cartaz no Museu do Pontal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Artista é natural de Alagoas, onde começou a pintar depois há dez anos Fernando Frazão/Agência Brasil

Serviço

O Museu do Pontal fica na avenida Celia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca.

Horário: exposição aberta de quinta-feira a domingo, das 10h às 18h (o acesso às exposições se encerra às 17h30).

Ingressos: gratuitos ou com contribuição voluntária.




Fonte: Agência Brasil

Queda de balões provoca fechamento temporário do aeroporto de Campinas


O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior paulista, precisou ser fechado na manhã de hoje (7) após a queda de dois balões. Ele ficou fechado por nove minutos, entre 7h53 e 8h02.

Segundo a assessoria de Viracopos, sete balões sobrevoaram o local na manhã deste domingo e dois deles acabaram caindo em uma área do aeroporto, o que obrigou a interdição. Bombeiros precisaram ser acionados para recolher, com segurança, esses equipamentos.

A assessoria informou que, apesar da necessidade de fechamento do aeroporto e dos riscos que isso gerou para a aviação civil, não houve prejuízos para as operações de pousos e decolagens em Campinas.

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que administra Viracopos, ressalta que a soltura de balões causa sérios riscos, podendo provocar até a derrubada de uma aeronave. Além disso, informou a concessionária, a soltura de balões é considerada crime no país, com risco de prisão em flagrante.




Fonte: Agência Brasil

SP promove Maio Amarelo com ações para conscientização no trânsito


Ao longo de todo o mês de maio, a prefeitura de São Paulo promove ações e eventos para sensibilizar a população no chamado Maio Amarelo, movimento internacional da luta pela redução da mortalidade no trânsito.

Com o slogan No Trânsito, Escolha a Vida, a programação do governo municipal foi pensada com foco no respeito às leis de trânsito, reforçando a importância do uso do capacete por motociclistas e do cinto de segurança, além de não dirigir sob o efeito de álcool e nem exceder os limites de velocidade. A prefeitura também quer reforçar ações de conscientização sobre o uso da faixa de pedestres e de respeito aos semáforos.

Somente nos primeiros meses deste ano, a capital paulista registrou o maior número de mortes no trânsito dos últimos sete anos. Ao todo, 209 pessoas morreram em decorrência de acidentes, segundo dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga-SP).

Esse é o maior número de mortes de trânsito para um primeiro trimestre desde 2016, quando ocorreram 233 óbitos. Nesse mesmo período do ano passado, 188 pessoas morreram em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo.

Entre as ações programadas pela administração municipal para o Maio Amarelo estão a instalação de um banner e do laço símbolo da campanha na fachada do prédio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), na rua Barão de Itapetininga, no centro da capital. Também haverá uma iluminação amarela especial em prédios turísticos e públicos de São Paulo, como a Biblioteca Mário de Andrade e a Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira.

As ações e eventos serão promovidos por diversos órgãos municipais e ocorrem em pontos espalhados por várias regiões da cidade. Para enfatizar a segurança no trânsito, estão programadas peças de teatro, caminhadas, palestras, apresentação de filmes e workshops.

A CET, por exemplo, promove um simulador de embriaguez, ação educativa que acontecerá no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP) no dia 19 de maio. Também estão previstas uma caminhada de pessoas idosas pela Avenida Paulista no dia 21 de maio e um passeio que foi chamado Paz no Trânsito, em que motociclistas vestindo coletes sobre jaquetas irão circular em fila indiana pela faixa azul da Avenida dos Bandeirantes, no dia 31 de maio.

A programação completa do Maio Amarelo pode ser consultada nos sites da CET e da SPTrans, empresa que administra o transporte público municipal por ônibus na capital paulista.




Fonte: Agência Brasil

Aos 91 anos, morre em São Paulo a apresentadora Palmirinha Onofre


A apresentadora e cozinheira Palmira Nery da Silva Onofre, mais conhecida como Palmirinha, faleceu hoje (7) em São Paulo, por volta das 11h20, aos 91 anos. A informação foi confirmada por familiares por meio das redes sociais da apresentadora.

Segundo informações da família, ela morreu em decorrência de um agravamento de problemas renais crônicos. Ela estava internada na Unidade Paulista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz desde o dia 11 de abril.

Carreira

Palmirinha atuou por décadas como apresentadora de programas de culinária tanto na TV aberta quanto na fechada. Ela estreou na TV em 1994, aos 63 anos, ao participar de uma matéria de um programa que era apresentado por Silvia Popovic, na TV Bandeirantes. Depois foi convidada para participar do programa Note e Anote, que era apresentado por Ana Maria Braga na TV Record.

Em 1999, ela foi convidada pela TV Gazeta para apresentar seu próprio programa, o TV Culinária, ficando à frente do programa por 11 anos. Ela também apresentou o Programa da Palmirinha, no canal fechado Bem Simples/FOX Life, que ficou no ar até 2015.

Seu último trabalho na TV foi em 2019, como jurada do programa Chef ao Pé do Ouvido, do canal GNT.

Por meio de suas redes sociais, a apresentadora Ana Maria Braga lamentou a morte da amiga.

“Minha grande amiga Palmirinha. Mãe, amiga e irmã que a vida me deu. Hoje o céu está mais doce com a tua chegada. Sorte de quem teve o privilégio de tê-la por perto. Meus sinceros sentimentos pra toda família.”

O velório de Palmirinha Onofre será realizado nesta segunda-feira (8) no Cemitério do Morumby, das 9h às 17h, aberto ao público das 11h às 13h. O sepultamento será reservado apenas para familiares e amigos.

Palmirinha deixa três filhas e genros, seis netos e seis bisnetos.






Fonte: Agência Brasil

MIMO Festival celebra 20 anos em São Paulo, Rio de Janeiro e Itabira


A partir da semana que vem, o MIMO Festival leva música gratuita para três cidades brasileiras: São Paulo, entre os dias 12 e 14 deste mês, Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17, e Itabira, em Minas Gerais, de 19 a 21 de maio. A programação especial vai comemorar os 20 anos do festival.

Nesse período, foram realizadas 57 edições em 12 cidades do Brasil e da Europa, com apresentação de 4 mil músicos. Os destaques do festival deste ano são Paulinho da Viola, Arnaldo Antunes & Vitor Araújo, a estadunidense Lakecia Benjamin, a banda congolesa Jupiter & Okwess e o inglês Don Letts.

A idealizadora é Lu Araújo, que em 2023 resolveu organizar um festival que colocasse artistas para se apresentar em lugares reconhecidos como patrimônios culturais e históricos do país. É o caso das ladeiras de Olinda, em Pernambuco, sede da primeira edição. A programação leva sempre em conta a diversidade de músicos e estilos.

“Como é um evento gratuito, posso apostar muito mais em coisas não tão midiáticas, mas que são muito boas para o público. E essa experiência acaba sendo uma abertura de janelas para o público, que pode descobrir músicas além das que ouve na televisão, nas mídias sociais, nas rádios. E, além disso, conhecer culturas novas. Eu não tenho conhecimento de nenhum outro festival do Brasil que tenha trazido, em 20 anos, tantos artistas de tantos continentes diferentes”, disse Lu Araújo.

Desde 2003, o MIMO passou pelas cidades mineiras de Ouro Preto e Tiradentes; Rio de Janeiro e Paraty, no estado do Rio, Recife, João Pessoa, São Paulo, Serra, no Espírito Santo, e São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Amarante e Porto, em Portugal, também receberam o evento. Entre centenas de concertos, destaque para nomes como Gilberto Gil, Tom Zé, Hermeto Pascoal, Emicida, Buena Vista Social Club, Madredeus, Ibrahim Maalouf, Toninho Horta, Chucho Valdés, Richard Bona, Egberto Gismonti, Chick Corea, Richard Galliano, Guinga, Isaac Karabtchevsky e Nelson Freire.

Além de música, o festival apresenta filmes e realiza workshops e debates com a presença do público. Uma ação paralela é a etapa educativa, em que, a cada edição, artistas convidados participam de aulas para crianças, jovens e estudantes de música. As atividades são gratuitas e a organização do evento calcula que mais de 30 mil alunos tenham sido contemplados até hoje.

“Claro que ninguém vai se formar em uma hora e meia ou duas horas de um workshop. Mas são artistas muito importantes, inspiradores, que se você conseguir sair com um elemento positivo daquela aula para o seu trabalho, já é válido. Todos os grandes nomes que passaram pelo festival ministraram aulas. Ter uma aula com Chick Corea, Philip Glass ou Herbie Hancock é um luxo”, disse Lu Araújo.

São Paulo

Na capital paulista, o MIMO Festival começa às 18h do próximo dia 12, na Arena B3, com apresentação do português Manuel de Oliveira. Às 21h, o Grande Auditório do Museu de Arte de São Paulo (Masp) recebe os argentinos do Piazzolla Octeto Electrónico, comandado por Nico Sorin. No dia 13, o Parque Villa-Lobos recebe shows da banda Jupiter & Okwess, da República do Congo, da saxofonista americana do jazz Lakecia Benjamin, dos ingleses Prince Fatty e Shniece Mcmenamin com o brasileiro Monkey Jhayam e o DJ inglês Don Letts, que vai fazer um set especial e apresentar o novo longa-metragem de sua autoria,  “O Rebel Dread”.

Haverá ainda concertos de Arnaldo Antunes, com o pianista Vitor Araújo, de Lucinha Turnbull e do cabo-verdiano Mario Lucio & Os Kriols. No domingo do Dia das Mães, a edição paulista do evento vai ser encerrada no Parque Villas-Lobos com apresentação de Paulinho da Viola.

Rio de Janeiro

Na capital fluminense, o MIMO é em um único dia: 16 de maio, na Cidade das Artes Bibi Ferreira, na Barra da Tijuca. As apresentações serão na Sala Eletroacústica, no Teatro de Câmara e na Grande Sala. Entre as atrações, Lakecia Benjamin, Mario Lucio & Os Kriols, Bruno Capinan, Jupiter & Okwess, Manuel de Oliveira, Don Letts e o Piazzolla Octeto Electrónico por Nico Sorin.

Além da música, haverá mostra de cinema no dia 17, no Estação NET Botafogo, com a exibição dos filmes As canções de amor de uma bicha velha, do diretor André Sandino Costa, e Rebel Dread, de William e Badgley.

Itabira

A cidade natal do poeta Carlos Drummond de Andrade será sede do MIMO de 19 a 21 de maio. Os shows serão no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e na Concha Acústica e o concerto do violonista português Manuel de Oliveira, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

As principais atrações do MIMO em Itabira serão Arnaldo Antunes e Vitor Araújo, Simone Mazzer, Don Letts, Jupiter & Okwess e o grupo Gilsons, e a Orquestra de Câmara da Fundação Carlos Drummond de Andrade.

A programação completa e os locais dos shows estão disponíveis no site do evento.




Fonte: Agência Brasil

Samba de roda no interior da Bahia é tema do Caminhos da Reportagem


Quando se fala de samba de roda da Bahia, muita gente se lembra daquele que tem origem no Recôncavo baiano. Mas a verdade é que o samba de roda está presente em todo o estado.

Apesar disso, foi Santo Amaro que virou referência nacional graças a tia Ciata, apelido de Hilária Batista de Almeida, que nasceu na cidade e depois foi para o Rio de Janeiro, levando a tradição do samba de roda para lá e se tornando a grande mestra do samba brasileiro.

Brasília (DF - Caminhos da Reportagem. - Episódio

Mestre Bule-Bule, ícone do samba de roda da Bahia. foto: TV Brasil/reprodução

Hoje, 120 grupos fazem parte da Associação dos Sambadores e das Sambadeiras do Estado da Bahia (Asseba). Mestre Bule-Bule, como é conhecido Antônio Ribeiro da Conceição, faz parte da associação e afirma que cada lugar traz consigo diferenças no samba de roda, que não se limitam a ritmos e instrumentos.

“A diferença do samba do litoral, do Recôncavo e o samba rural, o sertanejo, o samba catingueiro, é o conteúdo que você junta para fazer o samba, os elementos que cercam cada lugar. Para fazer o samba da beira-mar, fala de canoa, de remo, de rede, de peixe. No samba rural, você fala de cavalo, de gado, roçado, de feijão, de milho, de vaquejada.”

A equipe da TV Feira, de Feira de Santana, parceira da TV Brasil, viajou para o interior da Bahia, para mostrar no programa Caminhos da Reportagem outros tipos de samba de roda, que carregam tradições e histórias que passam de geração para geração.

Queima da Lapinha

Uma das paradas foi o Quilombo Matinha dos Pretos, distrito de Feira de Santana. Na tradicional festa religiosa Queima da Lapinha, o grupo Quixabeira da Matinha trouxe o samba de roda para a parte profana do evento.

Brasília (DF - Caminhos da Reportagem. - Episódio

Chica do Pandeiro fundou o grupo “Quixabeira da Matinha”. Foto: TV Brasil/reprodução

O grupo foi criado pelo já falecido mestre Colerinho da Bahia e sua esposa, Chica do Pandeiro, há mais de três décadas. Guda Moreno, filho do casal, é quem está à frente da associação cultural hoje. Ele se orgulha das diferenças que o samba traz. “O samba de roda é o único ritmo que é igual na diferença. Todo mundo vai fazer samba de roda, mas cada um vai fazer um samba diferente do outro. E estão fazendo samba de roda”, afirma.

Patrimônio artístico

Em 2004, o Samba de Roda do Recôncavo foi inserido no livro de Registro das Formas de Expressão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Agora, está sendo preparado um novo estudo para a revalidação do título.

“Fizemos um novo dossiê do samba de roda. Quando se registra e passa 10 anos, a gente tem que fazer um dossiê para revalidar esse título. Foram feitas essas pesquisas e eu opinei para que o nome do livro seja Samba de Roda, patrimônio do Recôncavo à Bahia. Ele não é só do Recôncavo, ele está na Bahia toda”, conta Guda.

A produtora cultural Olivia Silva diz que foi solicitado ao Iphan que o samba de roda de todo o estado seja inscrito no livro:

“No nosso pedido de revalidação do Samba de Roda do Recôncavo, a gente solicitou que fosse o Samba de Roda da Bahia, porque a maior parte dos grupos que são associados e tocam essa salvaguarda é de fora do Recôncavo.”

Olivia faz parte do grupo de roda da Associação Cultural Sinfonia do Pandeiro, que existe há 15 anos e é composta por 25 integrantes. Em apresentações, o grupo reúne pessoas de toda a cidade que já conhecem as músicas e gostam de sambar ao som do batuque mais tradicional da cidade.

A equipe do programa também foi até a comunidade Pitiá, no distrito de Retiro, zona rural de Coração de Maria, conhecer o grupo Jaqueirinha do Sertão. Criado há 21 anos, ele é encabeçado por um pedreiro que, sozinho, aprendeu a tocar vários instrumentos e passou o conhecimento para frente. “A diferença do samba chula, de Santo Amaro, para o da gente é que lá não tem alguns instrumentos, como o surdo, o timbal. É um samba com mais harmonia”, explica Antônio das Virgens.

Brasília (DF - Caminhos da Reportagem. - Episódio

A associação de sambadores e sambadeiras da Bahia conta com 120 grupos TV Brasil/reprodução

A última parada da viagem foi em Ipirá. Lá, conhecemos o samba de roda rural, com um ritmo mais lento, tocado com prato, cuia, viola e pandeiro. Uma tradição que veio das fazendas e continua nas pequenas cidades.

“O samba começou há muitos anos, já veio da era de meus avós, criado em fazenda, samba de roça, no mês de setembro, mês do cariru. Os mais velhos trouxeram a tradição. É o samba boiadeiro, o pessoal conhece como o canto de parede, e isso veio passando para os mais novos”, lembra Manoel Pereira.

Serviço

O episódio A Diversidade do Samba de Roda no Interior da Bahia, feito em parceria com a TV Feira, para o Caminhos da Reportagem, vai ao ar neste domingo (7), às 22h, na TV Brasil.

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Fonte: Agência Brasil

Inclusão digital de jovens de baixa renda é prioridade do governo


Levar inclusão digital aos brasileiros, ampliar a cobertura de internet na Região Norte e reforçar a distribuição de chips de celular com pacote de dados para acesso à internet a estudantes de baixa renda estão entre as prioridades do Ministério das Comunicações para os próximos anos. As informações são do ministro das Comunicações, Juscelino Filho.

“Já temos hoje a maior parte da população do país, cerca de 90%, conectada de alguma forma, mas ainda temos 10% de brasileiros que precisam ser inseridos nesse mundo digital. Essa inclusão ainda não chegou para eles e é onde o papel do governo vai se impor nesse momento”, disse o ministro Juscelino Filho em entrevista ao programa Brasil em Pauta, que vai ao ar neste domingo (7), às 22h30, na TV Brasil.

O ministro afirmou que esses brasileiros estão em zonas rurais, regiões remotas, no Nordeste e Norte do país e na Amazônia, localidades que não despertam interesse dos agentes privados para a instalação de infraestrutura. Por isso, segundo ele, o governo é quem deve viabilizar investimentos e infraestrutura para incluir essa parcela da população no mundo digital.

“Quando você leva essa conectividade para essas áreas, está levando uma série de coisas junto. Por exemplo, em muitas zonas rurais temos pequenos produtores que podem potencializar sua produção tendo acesso à conectividade e a inclusão digital, ao mesmo tempo que o jovem que acaba saindo de casa e indo para os grandes centros porque não tem comunicação pode ficar ali dando suporte para a família, leva os serviços do governo que grande parte são ofertados de forma digital”, explicou Juscelino Filho.

O potencial transformador do 5G, internet de alta velocidade, foi destacado pelo ministro, que afirmou que recursos do leilão do 5G são destinados à inclusão digital e que essa tecnologia vai impulsionar o negócio de pequenos e grandes produtores e das indústrias.

“O grande salto que o país vai dar é quando estiver totalmente integrado com a tecnologia 5G no seu ápice. Essa tecnologia entrega uma velocidade cinco vezes maior, pode fazer uma grande diferença no agronegócio, em vários setores da economia e uma diferença real na vida das pessoas.”

Região Norte

A Infovia 01 do Programa Norte Conectado, que leva conectividade a moradores da região, deve ser lançada em breve, segundo o ministro. O programa tem a finalidade de expandir a infraestrutura de comunicações por meio da implantação de cabos de fibra óptica subfluvial, lançados nos leitos dos rios. A Infovia 01 liga Santarém (AP) e Alenquer (PA) a Manaus (AM),

“São oito infovias que estão em execução, vamos chegar em todos os estados da região Norte que tem hoje um serviço de conectividade muito precário ainda. Então, eles precisam dessa infraestrutura para chegarem no nível ideal de conectividade. Essas infovias já estão em execução, inclusive temos a Infovia 01 que está pronta e pretendemos inaugurar, em breve”, detalhou Juscelino Filho.

“Acredito que esse ano, fora essa que já está pronta [Infovia 01], a previsão é entregarmos pelo menos mais duas infovias e o restante no ano que vem”.

A primeira fase (Infovia 00) já foi implantada, ligando Macapá (AP) a Alenquer (PA), passando pelos municípios de Almeirim, Monte Alegre e Santarém.

Jovens

Em 2023, a previsão é de que sejam distribuídos 700 mil chips de celular com pacote de dados para acesso à internet a estudantes de baixa renda por meio do Programa Internet Brasil, segundo o ministro das Comunicações.

Iniciativa conjunta dos ministérios das Comunicações e da Educação, o programa foi criado para levar conexão à internet e inclusão digital aos alunos da educação básica da rede pública de ensino, integrantes de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

“A gente sabe que a realidade de muitas famílias é que, logo na primeira semana do mês, acaba o pacote de dados e o acesso fica limitado e, com esse programa, vamos levar essa conectividade para o aluno e a família, garantindo o pacote de dados significante que dê cobertura por todo mês e que seja renovado todo mês. Isso manterá ele conectado podendo fazer pesquisa, estudo”, detalhou Juscelino Filho.

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Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena acumula e pode pagar R$ 40 milhões no próximo sorteio


Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2589 da Mega-Sena, sorteadas na noite de sábado (6). Com isso, o prêmio estimado para o próximo sorteio pode chegar a R$ 40 milhões.

Confira os números sorteados: 01 – 15 – 16 – 25 – 32 – 36

Quem quiser concorrer ao prêmio milionário pode fazer apostas em qualquer casa lotérica até as 19h (horário de Brasília) de terça-feira (9). O sorteio será realizado em São Paulo, às 20h.




Fonte: Agência Brasil

Hoje é Dia: os 135 anos da sanção da Lei Áurea e o fim da escravidão


O 13 de maio entrou para a história do Brasil como o dia em que a Lei Áurea – um dispositivo legal com apenas dois artigos, assinado pela regente do país na época, a princesa Isabel. O ano era 1888 – ou seja, há exatos 135 anos; no papel, foi decretado: “É declarada extinta, desde a data desta lei, a escravidão no Brasil”. No ano passado, o Repórter Brasil discutiu o simbolismo e as críticas sobre o documento, cujo original está guardado nos arquivos do Senado Federal:

Nesta data, mas no ano passado, o Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, relembrou a luta pela abolição, a história de pretos e pretas escravizados que batalharam pela liberdade – como Lucas da Feira e os homens e mulheres de quilombos – e narra o início do movimento negro:

A escravidão é tema de uma série de episódios do programa Na Trilha da História, da Rádio Nacional. Este episódio, com um dos maiores estudiosos da escravidão no país, o historiador João José Reis, detalha como funcionava o tráfico de pessoas escravizadas, a rotina de trabalho forçado nas fazendas e nos centros urbanos, e como surgiram os contextos político e social que culminaram no fim da escravidão:

Já neste, o assunto é o que aconteceu com as pessoas libertas pela Lei Áurea: a exclusão e a marginalização que enfrentaram, as dificuldades para ter acesso ao trabalho e à educação e violências que sofreram e deixaram marcas profundas na sociedade, como o racismo. Ouça:

Por fim, o Na Trilha da História conversou, em duas oportunidades, com o jornalista e escritor Laurentino Gomes, que se debruçou sobre a história da escravização no Brasil para compilar a trilogia Escravidão, que aborda desde o primeiro leilão de cativos em Portugal até a abolição de 1888. Acompanhe as entrevistas nos players abaixo:

Primeiro episódio:

Segundo episódio:

Mestres do piano e do samba

Abrindo a semana, neste domingo (7), completam-se 190 anos do nascimento do alemão Johannes Brahms. Por conta disso, a Rádio MEC transmite hoje uma maratona com as obras do compositor romântico. Começando com o Concerto de Domingo, de 8h ao meio-dia, que será todo dedicado às obras de Brahms; em seguida, no Clássicos dos Ouvintes, as músicas do alemão mais pedidas pelos ouvintes. Por fim, o Caderno de Música entra no ar às 14h30 para levar a vida e a obra de Brahms, cujo repertório conta com quatro sinfonias, além de concertos, obras de câmara e músicas para piano e coral (ouça a Rádio MEC FM ao vivo).

Brahms foi um dos músicos estudados pelos personagens Arix e Zylian, na temporada do infantil Blim-blem-blom, da Rádio MEC FM, que apresentou a dupla de alienígenas que tenta entender a música do planeta Terra. Os dois mergulham no pensamento e nas influências do pianista e compositor. Ouça o episódio:

Quem também é lembrado nesta semana é José Bispo Clementino dos Santos – mais conhecido como Jamelão. Ele nasceu em 12 de maio de 1913 – portanto, há 110 anos. Um dos maiores intérpretes de samba de todos os tempos, Jamelão virou a voz da Mangueira, escola em que esteve à frente por 57 anos, mas se consagrou cantando as músicas de Lupicínio Rodrigues. O Samba da Gamboa, da TV Brasil,, em 2013, chamou Nelson Sargento e Jamelão Neto para cantar a vida e a obra do mestre – de “voz de veludo e coração verde e rosa”:

Outro ícone da música brasileira também faria aniversário nesta semana: é Waldick Soriano, que completaria 90 anos no dia 13 de maio.  Soriano compôs e gravou mais de 500 músicas – a maioria, versando sobre amores impossíveis e dor de cotovelo – em 40 anos de carreira. O De Lá Pra Cá, da TV Brasil, em 2013, conta como Soriano superou estigmas como o de ser cafona, brega e alienado para virar referência na música romântica do país:

Confira a lista semanal* do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

7 a 13 de maio de 2023

7

Nascimento do compositor, jornalista, cronista e poeta fluminense Orestes Barbosa (130 anos)

Nascimento do compositor alemão Johannes Brahms (190 anos)

Lançamento do novo computador iMac, pela Apple (25 anos)

8

Morte da atriz, cantora, compositora e vedete paulista Elvira Olivieri Cozzolino, a Elvira Pagã (20 anos) – grande estrela do teatro de revista e considerada uma das mais ousadas mulheres brasileiras de seu tempo. Foi a primeira a usar biquíni em Copacabana e, nos anos 1950, posou nua para uma foto, que distribuiu como cartão natalino

Lançamento do filme 007 contra o Satânico dr. No, estrelado por Sean Connery (60 anos)

Dia Mundial da Cruz Vermelha

9

Morte do advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e político fluminense Artur da Távola (15 anos) – foi produtor da Rádio MEC

10

Nascimento do compositor austríaco Max Steiner (135 anos) – autor de trilhas sonoras de vários filmes do cinema, ente eles E o vento levou e Casablanca

Nascimento do físico francês Augustin-Jean Fresnel (235 anos) – considerado o fundador da óptica moderna

Dia Mundial do Lúpus – comemoração que conta com o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde para conscientizar sobre alguns dos sintomas do lúpus eritematoso sistêmico, uma doença autoimune crônica, de causa desconhecida, e de difícil diagnóstico, que acomete mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo

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Morte da cantora paulista Sônia Carvalho (30 anos) – em 1936, foi contratada pela Rádio Nacional, tornando-se uma das cantoras mais bem pagas da emissora

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Nascimento do cantor e compositor carioca José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão (110 anos)

Nascimento do pianista e compositor norte-americano Burt Bacharach (95 anos)

Primeira comemoração do Dia das Mães no Brasil (105 anos)

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Morte do músico de jazz norte-americano Chet Baker (35 anos)

Nascimento do cantor e compositor baiano Waldick Soriano (90 anos)

Sanção da Lei Áurea, diploma legal que extinguiu oficialmente a escravidão no Brasil (135 anos)

Dia da Abolição da Escravatura no Brasil

*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para [email protected].




Fonte: Agência Brasil

Marcha da Maconha no Rio defende legalização que inclua favelas


A 21ª edição da Marcha da Maconha, na Praia de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, foi realizada neste sábado (6) com um debate ampliado sobre a legalização do uso recreativo da erva, questionando também o alto preço do canabidiol e propondo reparação às favelas pelas vítimas e prisões decorrentes da repressão ao tráfico de drogas.

O protesto começou a reunir militantes a favor da legalização da maconha por volta das 14h30 no Jardim de Alah, trecho da orla da zona sul em que as praias de Ipanema e Leblon se encontram. O protesto saiu às 16h20 em direção ao Arpoador, na outra ponta da Praia de Ipanema.

Rio de Janeiro (RJ), 06/05/2023 - A Marcha da Maconha 2023, caminhada pela legalização, acontece na orla de Ipanema. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 06/05/2023 – A Marcha da Maconha 2023, caminhada pela legalização, acontece na orla de Ipanema. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma das organizadoras do ato, Flávia Soares contou que a bandeira da manifestação deste ano é uma legalização popular da maconha, que impeça a concentração dos ganhos com o comércio da erva nas mãos de grandes empresas.

Rio de Janeiro (RJ), 06/05/2023 - A Marcha da Maconha 2023, caminhada pela legalização, acontece na orla de Ipanema. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“Ao longo de mais de 20 anos, o pleito foi mudando. Começou com uma reivindicação pela descriminalização e legalização para fumar maconha, e foi chegando a questão medicinal, das pessoas que fazem uso terapêutico. E, este ano, a gente está debatendo a questão das empresas, porque a maconha continua ilegal, mas custa R$ 2,5 mil cada 30 mililitros na drogaria”, afirmou ela, referindo-se ao óleo de canabidiol (CBD).

A organizadora do protesto acrescenta que a ampliação do uso terapêutico do canabidiol tem ganhado aceitação pelos benefícios relatados no tratamento de doenças, mas é preciso combater também o estigma sobre o uso recreativo.

“Entendo que isso quebra algumas barreiras morais, porque as pessoas olham e veem que não tem como ser contra. Mas, ao mesmo tempo, é também um refúgio pra uma moralidade questionável. Você troca o nome das coisas e continuam falando que ‘o pessoal só quer fumar’, quando fumar não tem nada demais”.

A Marcha da Maconha começou em Nova York, em 1999, e já chegou a 250 cidades em 70 países pelo mundo, com o objetivo de debater a legalização do consumo e a regulamentação do comércio da erva. No Brasil, as manifestações ocorrem de forma mais sistemática desde 2006.

Marcha das Favelas

Levar esse debate para as favelas do Rio de Janeiro é a proposta de Felipe Gomes, que organizou a Marcha da Favelas, programada para 22 de julho, no Complexo do Alemão. O grupo que prepara o ato na zona norte esteve presente em uma ala da manifestação que ocorreu hoje.

“A marcha vem pra tentar trazer o debate de uma legalização mais popular e que inclui a favela, que é uma das principais vítimas da proibição”, explica o ativista. “Cada vez mais queremos aproximar esses dois elos da sociedade. A galera que é da pista [de fora da favela], e que só faz o discurso, hoje tem a oportunidade de estar colando na gente, conhecendo a nossa diversidade, e estar somando na Marcha das Favelas”.

Felipe Gomes defende que, para além do questionamento à política de segurança pública que reprime a comercialização da maconha, a Marcha das Favelas pede educação e cultura para que a população das comunidades possa participar do debate da legalização da maconha pautando seus interesses. O ativista vê a legalização da maconha como uma possibilidade de geração de renda e autonomia para os moradores das favelas.

“A partir do momento em que se legalize, é preciso que se tenha atenção a todas as vítimas, tantos familiares quanto pessoas que foram mortas, pessoas que estão encarceradas de forma injusta, e que sejam revistas decisões penais tanto para usuários quanto para traficantes”, defende ele. “A gente quer que esse comércio não seja explorado por estrangeiros que comprem um galpão, plantem uma tonelada de maconha e deem um salário meia boca pra gente trabalhar pra eles. A gente busca autonomia, incluindo a favela no mercado de maconha”.

Além da ala das favelas, o ato também contou com uma ala medicinal, com participação pacientes e familiares que fazem uso medicinal da Cannabis associados da Apepi, fundada em 2014 para apoiar ações de pesquisa e divulgação de informações que promovam acesso ao uso medicinal.




Fonte: Agência Brasil