Média de mortes de quilombolas dobra entre 2018 e 2022, diz pesquisa


Três meses após o assassinato de Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, do Quilombo de Pitanga dos Palmares, na Bahia, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a Terra de Direitos divulgaram, nesta sexta-feira (17), um estudo que mostra o crescimento da violência em comunidades tradicionais. Segundo a nova edição da pesquisa Racismo e Violência contra Quilombos no Brasil, a média anual de assassinatos praticamente dobrou nos últimos cinco anos, se comparado ao período de 2008 a 2017. 

A morte de Mãe Bernadete, em agosto, não está contabilizada no estudo. Em 2023, há um levantamento preliminar de sete mortes. A pesquisa mostra que, entre 2018 e 2022, houve 32 assassinatos em 11 estados. Ainda de acordo com o estudo, as principais causas desses ataques foram conflitos fundiários e violência de gênero.

Ao menos 13 quilombolas foram mortos no contexto de luta e defesa do território.  As entidades pretendem entregar o estudo a autoridades do Executivo federal e estaduais e secretarias de Justiça dos estados, além do Poderes Legislativo e Judiciário a partir desta sexta-feira.

Na primeira edição da pesquisa (2008 a 2017), havia um mapeamento de 38 assassinatos ocorridos no período de dez anos (2008-2017). A média anual de assassinatos, que era de 3,8, passou a ser de 6,4 ao ano. Em 15 anos, 70 quilombolas foram assassinados.

Racismo

Segundo uma das pesquisadoras, a socióloga Givânia Maria da Silva, coordenadora do coletivo nacional de educação da Conaq, o levantamento foi feito em campo nas próprias comunidades. Ela identifica que os números vão além do que é noticiado pelos meios de comunicação e espelham uma estrutura racista da sociedade brasileira.

 A questão da terra no Brasil é fundamental na discussão, assinalam as entidades pesquisadoras. “Ao falar da política de terra, a gente vê o quanto essa questão é atravessada pelo racismo. No Brasil, a impressão que eu tenho é que falar de terra, tendo pessoas negras como proprietárias, parece que ainda é mais grave”, acentua.

O coordenador da Terra de Direitos, Darci Frigo, sublinha que demonstrações de racismo estrutural e institucional formam o pano de fundo da violência. Ele acrescenta que a morosidade do processo de regularização fundiária proporciona que a violência se amplie. Por isso, é necessário, explica, que a gestão pública atue tanto no combate à violência como nas ações de garantia de direitos. “Não ter política pública gera mais violência”, opina.

Os estados do Maranhão (9), Bahia (4), Pernambuco (4) e Pará (4) têm os maiores números de casos. “Se a gente fosse atualizar, a Bahia estaria em primeiro lugar. A Mãe Bernadette morreu da mesma forma que o filho dela. O filho morreu reivindicando o território e ela buscando justiça pela morte do filho. É mais um direito silenciado a partir do assassinato”, afirmou.

Comunidades como alvos

O filho de Mãe Bernadete, Jurandir Wellington Pacífico, de 43 anos, também entende que a falta da titulação da terra propiciou o assassinato da mãe dele. “As terras quilombolas são fontes de energia e também são alvos da grilagem e do tráfico”, disse o gestor cultural, que também é liderança do Pitanga dos Palmares. “Minha mãe era uma representante mundial da causa e que sempre lutou pelo empoderamento feminino”, acrescenta.

A socióloga Givânia Silva entende que a pesquisa pode trazer mais visibilidade às necessidades dos governos federal e estaduais de darem mais atenção à problemática, uma vez que houve perda de orçamento para segurança pública desde 2016.

As entidades realizadoras do estudo explicam que, além de assassinatos, o estudo traz um levantamento de violações de direitos sofridos por comunidades quilombolas em que houve identificação de morte causada por crimes.

 Segundo a pesquisa, em 10 das 26 comunidades em que foram registrados assassinatos não há processos abertos no Instituto Nacional de Reforma e Colonização Agrária (Incra), autarquia responsável pela regularização fundiária dos territórios quilombolas. Nessa situação, sete assassinatos (70%) foram motivados por conflitos fundiários.

Entre os 11 quilombos que estão totalmente ou parcialmente titulados, os conflitos fundiários representaram 27% dos assassinatos. O estudo chama atenção para 1.805 processos abertos no Incra para regularização fundiária de territórios quilombolas, segundo a Fundação Palmares

Proteção dos defensores

As entidades recomendam que o Estado e municípios elaborem planos de titulação dos territórios quilombolas, com metas concretas anuais, orçamento adequado e estrutura administrativa para a titulação dos territórios quilombolas. O levantamento reitera a necessidade de proteção a defensores e defensoras de direitos humanos.

Nessa linha, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania reinstalou a Comissão Nacional do Enfrentamento à Violência no Campo. O grupo, em reunião nesta semana, reiterou a necessidade de consolidação da proteção coletiva de povos indígenas e quilombolas.

A comissão pretende definir protocolo de investigação de crimes praticados “contra defensores de direitos humanos e a morosidade das ações voltadas à reforma agrária e demarcação de territórios tradicionais que acaba por escalar tensões e conflitos”.

Os membros do grupo devem ter encontros mensais para elaborar uma proposta de anteprojeto de lei sobre a Política Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, aos Comunicadores e aos Ambientalistas. O prazo para conclusão do trabalho é de seis meses.

A página do Incra (autarquia responsável pela titulação dos territórios quilombolas) aponta que a política de regularização fundiária de terras quilombolas é “de suma importância para a dignidade e garantia da continuidade desses grupos étnicos”. O endereço disponibiliza documentos como o acompanhamento de processos de regularização quilombola e a relação de processos de regularização de territórios quilombolas abertos.

Dor e luto

Filho da Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, mesmo em dias de dor e luto, busca honrar a memória de luta da mãe. No ano que vem, pretende inaugurar um instituto que leva o nome dela com o objetivo de manter todo o legado cultural e social da mãe. Além disso, quer ajudar comunidades com documentação.

“O instituto terá a responsabilidade de desenvolver e executar o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, que é fundamental para registro e titulação das terras quilombolas”, frisou. É assim também que ele quer fazer valer, na prática, o que repete diariamente em sua comunidade: “Mãe Bernadete, presente”.




Fonte: Agência Brasil

Brigadistas intensificam trabalho de combate a incêndios no Pantanal


Equipes de brigadistas estão intensificando as ações de combate aos incêndios que atingem o norte do Pantanal. Nesta quinta-feira (16), o Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) registrou 71 eventos de fogo no Pantanal norte.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, esteve hoje na região de Porto Jofre, no município de Poconé (MT), para ver de perto o trabalho dos brigadistas. O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, também esteve em Mato Grosso para acompanhar o combate aos incêndios florestais que atingem o Pantanal.

“Os nossos brigadistas em geral fazem um trabalho bastante especializado, mas é um trabalho de risco, extenuante. É um trabalho que exige muito cuidado, muita técnica, porque combater o incêndio é antes de tudo preservar a vida, incluindo a vida dos brigadistas, a vida das pessoas. Estamos totalmente dedicados para que esse combate aconteça da melhor forma possível e que todos voltem em paz para os seus lares”, diz Pires

Atualmente, há mais de 300 servidores trabalhando no combate aos incêndios no Pantanal, com o apoio de quatro aeronaves e veículos especiais de combate a incêndios. O contingente foi reforçado recentemente pelo Ibama e ICMBio.

“Nossa expectativa é que com incremento dos brigadistas, do reforço de aeronaves e dos equipamentos a gente consiga debelar o mais rápido possível esses focos. Isso não quer dizer que terá sido encerrada a temporada de incêndios, mas nós temos a expectativa de que, debelando esses principais focos, a gente consiga manter uma situação bem mais controlada do que se verificou nesses últimos dias”, diz Pires.

O ICMBio também tem equipes de veterinários para fazer o rápido resgate de animais feridos. Pires lembra que nos incêndios ocorridos em 2020 na região foi registrada a morte de centenas de espécies de animais.

Pires explica que os focos estão associados a fatores naturais, como a elevada seca, altas temperaturas e a velocidade dos ventos na região, além da incidência de raios. No dia 21 de outubro, três raios atingiram o Parque Nacional do Pantanal, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Dorochê e uma propriedade particular próxima.

Transpantaneira

Na quarta-feira (15) o fogo chegou a avançar pela rodovia Transpantaneira, mas foi possível conter as chamas e evitar o avanço nas casas do local. “Dividimos as equipes e conseguimos segurar o fogo que pulou a Transpantaneira e proteger as residências”, explica o chefe de operações Helder Marques.

Segundo ele, a prioridade no momento é a proteção das propriedades. “Estamos tentando conter o incêndio de maneira geral, mas sempre visando proteger a comunidade”.




Fonte: Agência Brasil

Soberana Ziza parte do grafite para repensar a arte contemporânea


Arte Vozes do Hip Hop 50 anos - Entrevista Soberana Ziza. Arte: EBC

A grafiteira Soberana Ziza foi introduzida à arte de rua no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte paulistana. Desde esse primeiro encontro, em 2006, Ziza estabeleceu uma trajetória que, atualmente, tensiona os espaços da arte contemporânea. Uma marca do crescimento do seu trabalho são os grandes murais que decoram boa parte das paredes do CCJ.

“Naquele momento, eu não era uma artista de destaque”, lembra Ziza sobre o início da carreira. “Enquanto eu estava nesse lugar, eu me nutri, me fortaleci”, relata sobre o processo de amadurecimento que envolveu muito estudo e conexões com outras partes da cidade. “Fui buscar em outros lugares informações, acesso à academia, para voltar de uma outra forma e também contribuir para esse território”, acrescenta.

Trabalhando em outras linguagens e materiais, como o uso de tecido, a artista tem buscado abrir espaço em locais onde as pessoas negras e periféricas ainda encontram barreiras. “A gente está se colocando nas bienais [de arte], se colocando nessas grandes exposições, mas, porque hoje a gente tem curadores negros, curadores que têm essa delicadeza de construir um lugar onde todos se sintam representados”, enfatiza.

São Paulo SP 06/10/2023 - Especial Hip Hop -  Grafiteira Soberana Ziza no Centro Cultural da Juventude.  Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Grafiteira Soberana Ziza no Centro Cultural da Juventude – Paulo Pinto/Agência Brasil

Nessa caminhada, Ziza reconhece o esforço das mulheres que vieram antes dela, quebrando barreiras. “Não posso deixar de falar da Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop, que foi ali onde tudo aconteceu. Onde eu também me encontrei enquanto uma artista, oficineira, onde eu também pude entender que isso seria arte, mas que também seria um lugar onde eu poderia encontrar uma renda”, diz sobre o projeto que tem como uma das idealizadoras a rapper Sharylaine.

A figura feminina, representada de diversas formas, é o principal foco de trabalho da grafiteira.

“As mulheres são sempre as protagonistas do meu trabalho. São como se fossem as condutoras dessas novas histórias. Nos meus murais, elas sempre ganham esse protagonismo”, destaca em entrevista para o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com Soberana Ziza.

Agência Brasil: Como é começar a sua trajetória hip hop aqui, no Centro Cultural da Juventude, e, hoje, ser parte do espaço com esses murais?
Soberana Ziza: Naquela época, eu era somente uma jovem monitora, estava fazendo parte do projeto modelo aqui. Eu moro nesse lugar, o meu território é aqui. Eu sempre quis fortalecer o meu território, mas eu também entendia que, estando longe desse território, indo ao centro buscar informações, eu poderia voltar de uma outra forma pra esse território. Enquanto eu estava nesse lugar, eu me nutri, me fortaleci, mas eu fui buscar em outros lugares informações, acesso à academia, para voltar de uma outra forma e também contribuir para esse território, que eu também continuo sendo uma das atuantes.

Naquele momento, eu não era uma artista de destaque. Hoje, eu me encontro como um espelho para essas artistas, mulheres, para esses outros artistas daquela época que também puderam me fortalecer. Ser destaque nesse lugar, não só aqui, mas também em outros lugares educacionais. Eu entendo que a arte também carrega isso junto, que é a educação. Muitas escolas aqui da região têm obras minhas. O hip hop sempre esteve ligado à educação.

Ele [hip hop] não é algo que é desprendido, não é somente um espetáculo, se desdobra, está dentro do ensino integrado. A importância não só cultural, não só na parte das artes visuais, mas também ele carrega algo que é muito importante para gente, que é essa ligação forte com as crianças, com os jovens. Atualmente, a gente está vendo uma grande movimentação das batalhas em lugares da cidade, sempre protagonizado por jovens desses territórios, mas o que não nos desliga desse movimento que iniciou com os MCs. Isso é só um desdobramento pela visão dessa nova juventude que transforma, mas usa essas artes como uma forma de eles se colocarem.

Agência Brasil: Tiveram mulheres que te inspiraram na cena do hip hop?
Soberana Ziza: Olha, eu fui muito agraciada, porque nessa oficina que eu fiz aqui neste lugar, fui iniciada por duas grafiteiras: a Tikka e a Kátia Suzue. Foram elas que deram esse primeiro passo. Eu fui acolhida dentro desse núcleo, que e o grafite.

Mas, falando do hip hop em si, eu não posso deixar de falar da Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop, que foi ali onde tudo aconteceu. Onde eu também me encontrei enquanto uma artista, oficineira, onde eu também pude entender que isso seria arte, mas que também seria um lugar onde eu poderia encontrar uma renda, que eu poderia ministrar oficinas, que eu poderia plantar sementes.

O hip hop tem esse ciclo. Você aprende, mas também você planta sementes. Na Frente Nacional, eu entendi isso, com essas mulheres, que foram um espelho para mim, igual à [rapper] Sharyline, que é uma pessoa que ainda hoje a gente aprende muito com ela, é uma visionária, uma pessoa que sempre compartilha [conhecimentos]. Foi isso que mudou, de certa forma, o meu pensar e me fortaleceu para ser quem eu sou hoje.

Agência Brasil: A maneira como você chegou ao hip hop tem a ver também com esse trabalho que você faz, trabalhando muito a figura feminina?
Soberana Ziza: Sim, as mulheres são sempre as protagonistas do meu trabalho. São como se fossem as condutoras dessas novas histórias. Nos meus murais, elas sempre ganham esse protagonismo. A gente está vendo aqui, esse início dessa mulher [aponta para os murais do CCJ], e na outra ponta a gente tem uma outra mulher. É como se fosse uma mulher [que] inicia uma fala, a gente tem a gestação desse debate, dessa história, a gente reconstrói essa história e inicia novamente essa história.

A figura feminina é onde eu pude me reconectar. Eu aprendi com a minha mãe, com a minha avó, com essas personalidades do hip hop, com essas personalidades do grafite.

Vozes Hip Hop arte

Agência Brasil: Queria retomar um pouco também essa construção de espaços de representatividade. Você falou de estar na periferia, mas ocupando espaços no centro também, como é que funciona isso?
Soberana Ziza: Eu gosto sempre de dizer de um projeto que eu tenho chamado Estamos Vivos. Por muito tempo, essa parte central [da cidade] tinha nome e personalidade. Nunca era protagonizado por atuantes das pontas da cidade. Esse projeto veio justamente para dizer que nós, artistas das pontas, estamos vivos e não precisamos de ninguém para ilustrar a gente. A gente é o protagonista nessa fala e nessa narrativa.

A gente levou para o Parque Minhocão duas empenas [parte dos prédios sem janelas], que é esse lugar também para o artista. Todo artista quer esse destaque na cidade, esse lugar de comunicação com as pessoas. E a gente no hip hop também, né? Quem não quer subir num palco e pegar um microfone e ter o seu lugar de destaque ali? A gente, enquanto artista, como uma multiartista, a gente queria esse lugar de diálogo. [O Parque Minhocão é o uso do Elevado João Goulart aos fins de semana, fechado para carros. O projeto da artista promove grafite em prédios que ficam nessa área, na parte central de São Paulo.]

Cada um teve esse lugar para criar um debate, principalmente esse lugar decorativo da cidade. Virou um lugar instagramável [bom para ser fotografado e divulgado nas redes sociais]. Mas, a gente, que tem essa base no hip hop, sempre traz esse lugar de debate, esse lugar de conhecimento, como se fosse um grande livro aberto para as outras pessoas que passam ali. Muitas das vezes a gente inicia esse debate nas ruas, mas termina na roda de conversa. E é isso que se torna rico, porque aproxima também o artista das pessoas.

Agência Brasil: Várias vezes você falou de transmissão de conhecimento, você ainda dá aulas? Você ainda transmite conhecimento pra galera que está chegando?
Soberana Ziza: Sim, atualmente, eu faço muitas formações para professores. Eu entendo que esse uso das ruas é democrático, ele não é como uma galeria, ele não exclui as pessoas, você não precisa pagar ingresso para entrar. E, principalmente, aqui na zona norte, eu venho debatendo esse território negro que existe aqui no nosso bairro, que é o bairro da Casa Verde.

Eu também me coloco como uma protagonista, uso esse meu trabalho como um lugar de encontro também para os professores. Meu trabalho também fala sobre esse continente que sofreu também esse apagamento, que é o continente africano. A gente pode falar um pouco sobre isso que chega como decoração para gente, como os têxteis africanos. Eu recoloco, reconto, aprendo, na verdade, também troco com eles.

Entendo que o tecido hoje não é somente algo decorativo, ele é algo que é de cada povo. Ele consegue contar, através dos seus grafismos, das flores, a história desse povo. Eu uso a arte, principalmente, que é a criação desses grandes murais, como aqui a gente tem esse mural que fala sobre os têxteis africanos. [aponta para um de seus trabalhos no CCJ]

Agência Brasil: Você falou de tecido, você tem vários trabalhos agora que são com tecido, que se distanciam um tanto do grafite, do hip hop, como você mesma estava dizendo. Como é que foi essa transição? Como é que foi esse interesse?
Soberana Ziza: Eu sou da época que, para ser grafiteiro de verdade, tinha que fazer 100% com spray. Depois, fui  usando a técnica dos muralistas, o pincel, e, hoje, eu me coloco nesse lugar também de sair dessa parede. Eu sempre usei como uma ferramenta a parede, e, hoje, eu uso o tecido, principalmente, para falar sobre o apagamento.

Eu uso tecido voil, ele tem essa transparência, então eu crio camadas de história. Quando a gente coloca essas camadas de história, uma história vai sendo construída através dessas grandes camadas que uma dá para ver através das outras. Estou muito mais com um olhar nas artes contemporâneas, eu coloco esse tecido como uma ferramenta, como um material de destaque desse meu trabalho.

Assista na TV Brasil ao Caminhos da Reportagem sobre hip hop:




Fonte: Agência Brasil

Estudo mostra que 46% das casas no Brasil têm problemas de saneamento


Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (16) mostra que 46,2% das moradias brasileiras têm algum tipo de privação no saneamento. Segundo o levantamento, do total de 74 milhões de moradias, 8,9 milhões não possuem acesso à rede geral de água; 16,8 milhões contam com uma frequência insuficiente de recebimento; 10,8 milhões não possuem reservatório de água; 1,3 milhão não possuem banheiro; e 22,8 milhões não contam com coleta de esgoto.

O estudo, produzido pelo Instituto Trata Brasil, foi feito baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continuada Anual (PNADCA), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022.

Considerando os cinco tipos de privações analisadas (acesso à rede geral, frequência insuficiente de recebimento de água, falta de reservatório, ausência de banheiro, e falta de coleta de esgoto), o estudo mostra que 53,8% dos domicílios brasileiros não têm nenhuma privação; 25,2% tem uma; 9,9%, duas; 9,3%, três; 1,4%, quatro; e 0,4%, cinco privações.

“A falta de água tratada ou a exposição ambiental ao esgoto, problemas decorrentes da privação de saneamento, interferem decisivamente na incidência de doenças com consequências para a saúde das crianças, jovens e adultos”, destaca o texto do estudo.

Estados

Segundo a pesquisa, os estados com maior população afetada pela falta de acesso à rede geral de água são: Pará (3,9 milhões de pessoas), seguido de Minas Gerais (2,3 milhões), Bahia (2,1 milhões), Pernambuco (1,8 milhão) e Rio de Janeiro (1,7 milhão). O estudo mostra ainda que 9,8% dos brancos são afetados pelo problema; 11,1% dos pretos; 9,6% dos amarelos; 15,9% dos pardos, e 18,9% dos indígenas.

Já o abastecimento irregular de água atinge mais pessoas no Pernambuco (6,3 milhões), seguido da Bahia (5,6 milhões), Pará (4,6 milhões), Rio de Janeiro (4,5 milhões), Minas Gerais (3,8 milhões) e São Paulo (3,3 milhões). De acordo com os dados, 17,9% da população branca é afetada pelo problema; 24,3% da preta; 20,4% da amarela; 29,5% da parda; e 32,5% da indígena.

A privação da disponibilidade de reservatório de água afeta mais pessoas no Rio Grande do Sul (4,7 milhões de pessoas), seguido de São Paulo (3,8 milhões), Pará (2,7 milhões), Paraná (2,2 milhões), e Maranhão 2,1 (milhões). Segundo o levantamento, 12,4% dos brancos enfrentam o problema; 16,5% dos pretos; 11,5% dos amarelos; 17,2% dos pardos, e 22,7% dos indígenas.

Já a privação de banheiro atinge maior população no Pará (983,5 mil pessoas), Maranhão (916,1 mil), Bahia (540 mil), Amazonas (353,9 mil), e Piauí (335,5 mil). O problema afeta 0,7% dos brancos; 2,1% dos pretos; 1,9% dos amarelos; 3,4% dos pardos; e 5,1% dos indígenas.

A falta da coleta esgoto é mais aguda no Pará, onde 7,02 milhões de pessoas enfrentam o problema; seguido da Bahia (6,4 milhões de pessoas), Maranhão (5,4 milhões), Ceará (4,4 milhões), e Minas Gerais (4,07 milhões). A falta de coleta de esgoto atinge 24,2% dos brancos, 31% dos pretos; 24,8% dos amarelos; 40,9% dos pardos, e 44,6% dos indígenas.

“A carência de serviços de coleta e de tratamento de esgoto, por sua vez, é responsável por outra parte das infecções gastrointestinais. Os problemas mais graves surgem nas beiras de rios e córregos contaminados ou em ruas onde passa esgoto a céu aberto – em valas, sarjetas, córregos ou rios”, diz o texto da pesquisa.




Fonte: Agência Brasil

Estudo mostra desafios da educação infantil brasileira


O estudo Qualidade da oferta da Educação Infantil no Brasil: análise do Saeb 2021, divulgado nesta quinta-feira (16), chegou à constatação de que a qualidade da infraestrutura das escolas (creches) para crianças de 0 a 3 anos e da educação infantil de 4 a 5 anos de idade, apresenta muitos desafios em todo o Brasil. Essa foi a primeira coleta de dados em larga escala efetuada nas escolas para essas faixas etárias, com base em informações do Censo Escolar 2022 e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) da Educação Infantil, de 2021. 

O levantamento foi efetuado por Tiago Bartholo e por Mariane Koslinski, pesquisadores do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais (LaPOpE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com financiamento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV). Ele permite, em alguma medida, captar como as políticas nesse campo estão sendo implementadas.

Bartholo comentou que a educação infantil vem recebendo, de fato, aumento de recursos nos últimos anos, com maior cobertura para crianças de 0 a 3 anos na creche e crianças de 4 a 5 anos frequentando a educação infantil. “Isso é muito importante mas o que os estudos todos mostram é que garantir a vaga é insuficiente quando estamos pensando naqueles benefícios que a educação infantil traz para o bem-estar e para o desenvolvimento das crianças. Para que esse benefício se concretize, é importante que essa oferta seja de qualidade”.

Equipamentos

A partir de um indicador que considera a soma dos sete equipamentos voltados para o público infantil (tanque de areia, gira-gira, gangorra, escorregador, casinha, balanço e brinquedo para escalar), foi observado que escolas das regiões Norte e Nordeste, em média, apresentam 2,2 e 2,1 equipamentos, respectivamente. Já as escolas das regiões Sudeste e Centro-Oeste apresentam quatro equipamentos, e as da Região Sul, 4,8. No que diz respeito à dependência administrativa, as escolas públicas possuem, na média, 3,2 equipamentos. O número sobe para quatro, nas escolas privadas conveniadas e 4,3 nas escolas particulares não conveniadas. Sob a perspectiva da infraestrutura das unidades educativas, os dados indicam baixa frequência de brinquedos para o público infantil como gira-gira (46,2%), gangorra (38,5%) e balanço (34,3%) nas escolas.

O levantamento investigou dois grandes grupos: um é o chamado de qualidade da infraestrutura e dos materiais pedagógicos disponíveis e outro é a qualidade das atividades propostas, das interações entre professor e as crianças. “O Saeb 2021 permite olhar com mais detalhe e refinamento para essa questão da qualidade da infraestrutura”, manifestaram os pesquisadores. Observa-se, por exemplo, que essa é uma dimensão que ainda tem desafios muito importantes, especialmente na rede pública. Há desigualdades de oportunidades em relação à rede privada conveniada e à rede privada. “O desafio, sem dúvida, é maior na rede pública. Mas a gente observou também diferenças quando pensa em diferentes regiões e estados do Brasil”.

Qualidade

O que os dados sugerem é que quando se olha para a qualidade da infraestrutura das escolas de educação infantil, o Norte e o Nordeste são os que apresentam os piores indicadores, mais desafiadores do ponto de vista de uma demanda por uma melhora dessa qualidade. Isso demanda, por sua vez, aumento do investimento para a primeira infância. Tiago Bartholo sustenta que, por um lado, há necessidade de mais investimento para expandir a qualidade da infraestrutura, como os equipamentos presentes nas escolas, verificando-se se a instituição tem área externa e sombreada para as crianças brincarem; se tem vegetação; se tem horta; se tem banheiros adaptados para essa faixa etária; se existem brinquedos que incentivem e permitem movimento das crianças, como balanço, gangorra. Esses fatores, segundo o pesquisador, impactam diretamente o trabalho desenvolvido, as experiências que as crianças têm e as oportunidades de se desenvolverem.

Além do desafio da melhoria da qualidade da infraestrutura, Bartholo salientou que ficou bem claro o desafio da desigualdade entre rede púbica e privada. “Na média, segundo dados do Saeb e dos indicadores que nós construímos, a rede pública tem níveis de infraestrutura piores do que a rede privada e a rede conveniada. Disse também que escolas que têm oferta de educação infantil exclusiva, em vez de educação infantil e fundamental funcionando no mesmo ambiente, apresentam, na média, estrutura mais adequada para educação infantil. Isso também se verifica por região. Os melhores indicadores são encontrados no Sul do país, seguido pelo Sudeste e Centro-Oeste, e com indicadores piores em relação à infraestrutura no Norte e Nordeste. Cerca de 21,6% dos municípios brasileiros indicaram não possuir programas desse tipo. A Região Sul apresenta o maior índice de oferta (89,5%), seguido pelo Nordeste (80,7%). Já o Sudeste é a região com menor índice de oferta (70,6%), seguido pelo Norte (72,3%) e Centro-Oeste (73,9%).

Recursos pedagógicos

Em relação aos recursos pedagógicos, o estudo abordou três questões: se as crianças têm autonomia para manusear os livros, se manuseiam os livros todos os dias e se os professores leem livros para as crianças diariamente. Essa pergunta foi feita no Saeb para os professores. As informações do Saeb foram coletadas a partir de questionários online, respondidos por 4.677 gestores municipais, 35.188 diretores e 23.953 professores. Bartholo informou que o total de professores contatados foi de mais 62 mil, mas menos de 40% que estavam na mostra responderam. Os professores de escolas públicas têm taxas de resposta mais elevadas que das escolas privadas não conveniadas. Isso diminui a capacidade de monitoramento do que está acontecendo de fato na educação infantil, indicou Mariane. “E o questionário do professor é o mais interessante para monitorar a educação infantil”.

A pesquisadora disse que gostaria de ver mais questões que consigam descrever os processos pedagógicos que acontecem dentro de sala de aula. “Na nossa visão, há pouca informação sobre os planejamentos que são propostos, as atividades que são feitas com as crianças. A gente acha que nas edições futuras do Saeb, isso seria interessante porque têm relação direta com as experiências que as crianças estão tendo dentro da sala de aula e a literatura toda mostra que esses são aspectos muito importantes para o desenvolvimento das crianças”.

Na questão dos recursos pedagógicos, Mariane chamou a atenção para os recursos de acessibilidade para atendimento à educação especial. Afirmou que as escolas públicas têm mais demanda por recursos humanos para atender à educação especial. Nesse ponto, há também desigualdades regionais. No Norte e Nordeste, os diretores relatam mais dificuldades e falta de recursos para atender a educação especial. Lembrou também que o Saeb permite monitorar políticas das secretarias de Educação, para verificar se estão atendendo a educação infantil, como formação específica de professores da educação infantil, cálculo de demanda por vagas na educação infantil e, também, um programa de busca ativa escolar voltado para a pré-escola, por exemplo.

“É bom ter um sistema de monitoramento que chame a atenção de que não é na mesma proporção para outras etapas da educação básica, até para incentivar as secretarias a investir mais na educação continuada de professores da educação infantil”. Com isso, é possível elaborar indicadores que auxiliem na implementação das estratégias do Plano Nacional de Educação (PNE), bem como subsidiar a elaboração de políticas públicas que garantam que as estratégias sejam alcançadas”.

Tiago completou que existe uma demanda importante por parte desses profissionais.

Diferenças

O estudo confirma as diferenças entre rede pública e rede privada não conveniada, em especial no que se relaciona à autonomia das crianças e ao manuseio de livros em sala de aula. “A gente acha que isso pode ter relação, sim, com a simples oferta, a disponibilidade desses materiais, se eles existem ou não”. Sobre se os professores leem todos os dias para seus alunos, a pesquisa mostra que para 15% dos respondentes, essa é uma atividade que não acontece todos os dias.

“O ideal é que isso acontecesse todos os dias. É uma atividade muito importante que deveria fazer parte da rotina diária dos professores com as crianças. A contação de histórias e a leitura de livros são muito importantes para diversas dimensões do desenvolvimento das crianças. Auxilia, por exemplo, no desenvolvimento do vocabulário das crianças e estimula a imaginação”, sinalizou Tiago Bartholo.

De acordo com o estudo, 72% das crianças da rede pública manuseiam livros diariamente, enquanto a rede privada apresenta valores maiores de 85%. O pesquisador da UFRJ afirmou que esse número (85%) parece alto, mas chama a atenção negativamente, porque os autores do levantamento gostariam de ver esse número mais próximo de 100%. Mariane completou que esse tipo de informação é importante para os cursos de formação continuada dos professores, para melhorar essas práticas pedagógicas em sala. Destacou também a necessidade de haver informações sobre a relação que a escola estabelece com a família das crianças, “principalmente para essa etapa, a gente sabe que essa relação é crucial para o bem-estar e o desenvolvimento dessas crianças, até para o Inep monitorar esses procedimentos em sala”.

Critérios

Outro dado de destaque é que o Norte e o Nordeste apresentam indicadores melhores para a escolha de diretores nas escolas de educação infantil do que as demais regiões. O estudo revela que um terço dos diretores da educação infantil são escolhidos sem critérios técnicos que incluem titulação acadêmica, curso de formação para gestores escolares, tempo de serviço e experiência em gestão para a escolha dos diretores das unidades de educação infantil.

Nessa área, os resultados apurados envolvendo crianças bem pequenas e crianças maiores mostram que estados do Nordeste apresentam índices bem acima da média. No Norte e no Nordeste, somente 22% dos municípios não utilizam critérios para a escolha dos diretores, contra 35% dos municípios do Centro-Oeste e do Sudeste, cada, e 32% dos municípios da Região Sul. Tiago Bartholo assegurou que esse é um dos meios que evidenciam a importância dessas ferramentas de avaliação e monitoramento. A Meta 19 do Plano Nacional de Educação (PNE) indica a importância da escolha do diretor a partir de critérios técnicos.

Em termos da utilização de maior número de critérios para a escolha dos diretores, o Norte e o Nordeste brasileiros se sobressaem da mesma forma, com índices de 40% e 35% das cidades, respectivamente, que usam entre três e quatro critérios técnicos. O índice cai para 24%, 26% e 19% entre os municípios nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Mariane Koslinski ponderou que pensar no Brasil critérios de seleção a partir de titulação acadêmica, experiência, formação, é um incentivo novo. “A gente teve, por bom tempo, vários incentivos para ter gestão democrática, para que tivesse consulta pública sobre os gestores e, mais recentemente, foi agregada essa ideia de que nós precisamos de pessoas também especialistas em gestão escolar que precisam de melhor formação para a gestão escolar”. Segundo analisou, o que o estudo mostra é que os municípios ainda estão se adequando às novas regras. “A gente acredita que, nas próximas avaliações, vai ter uma porcentagem maior de municípios de todos os estados”.

Campanhas

Os pesquisadores dizem acreditar que campanhas de sensibilização podem gerar taxas de resposta mais altas., em especial dos professores, nas edições futuras do Saeb, em especial para aspectos vinculados à educação infantil. Isso propiciará ter maior compreensão do que são as múltiplas infâncias. “A gente acha que seria importante o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), junto com o Ministério da Educação (MEC) fizessem campanhas de sensibilização e outras estratégias ativas para aumentar a participação dos professores e professoras da educação infantil no Saeb”. Lembrou que isso já ocorre no Saeb do ensino fundamental e do ensino médio, que sofrem reformulação para melhorar o tipo de considerações formuladas.

Por rede pública conveniada entende-se a rede que tem convênio com o setor público. Isso é muito utilizado na educação infantil para oferta de creche, ou seja, para ampliar a oferta de vaga. Como, em geral, existe uma sobre demanda, ou seja, mais famílias querendo vagas do que vagas existentes nas escolas da rede pública, uma estratégia adotada são as escolas conveniadas à rede pública municipal. Na maioria dos casos, quando se fala em rede conveniada, quer dizer que não tem custo de mensalidade para os pais, o que difere da rede privada não conveniada. É uma forma de o setor público ampliar essas vagas em tempo curto. É uma solução emergencial para a falta de vagas e é mais comum na oferta de creche, para crianças de 0 a 3 anos.

Além deste material, outras duas publicações foram produzidas a partir dos dados do Saeb: Qualidade da oferta da Educação Infantil no Brasil: análise por estado do Saeb 2021 e Avaliação do Saeb da Educação Infantil 2021:possibilidades, limites e recomendações. As publicações podem ser vistas na biblioteca da FMCSV a partir desta quinta-feira.




Fonte: Agência Brasil

Repatriado de Gaza recebe ameaças no Brasil e pede proteção ao governo


Após desembarcar no Brasil, na última segunda-feira (13), o palestino com cidadania brasileira Hasan Rabee e a família passaram a receber ameaças pelas redes sociais. De acordo com a advogada Talitha Camargo da Fonseca, que representa o repatriado, o número de ameaças já passa de 200.  

“Essas mensagens têm enquadramento criminal e injúria racial, xenofobia, ameaça de execução, calúnia, difamação e perseguição, porque algumas mensagens vieram mais de uma em sequência, em dias seguidos”, detalhou a advogada, especializada em Direito Internacional e Direitos Humanos.

Segundo a Talitha da Fonseca, circulam na internet vídeos com recortes do momento em que Hasan Rabee desembarcou na Base Aérea de Brasília junto a outros repatriados de Gaza, quando foram recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros.

“Há vídeos perigosos porque eles trazem, para além da figura do Hasan, recortes e montagens do Hasan em momentos em que ele chega em solo nacional. São fotos dele com o presidente Lula, fotos dele com os ministros. Isso é de uma gravidade gigantesca, porque só prova a polarização desse país, e só prova o quanto a nossa sociedade está doente”, afirmou.

Hasan Rabee, 30 anos, ficou conhecido por divulgar vídeos e mensagens mostrando os bombardeios na Faixa de Gaza, estragos e as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros para conseguir água, comida e sair da região do conflito entre Israel e Hamas.

Para a advogada, é uma situação absurda que Hasan e a família, após o sofrimento enfrentado em Gaza, serem expostos a outros tipos de violência no Brasil.

“É inadmissível imaginar que vítimas de guerra chegando ao país têm que enfrentar uma nova guerra contra discurso de ódio”, disse.

Proteção

Talitha da Fonseca apresentou um pedido para que Hasan seja incluído no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos.

A advogada informou ter recebido informação de que o caso de Hasan já está em análise. O ministério divulgou na tarde desta quinta-feira (16) nota explicando como é o acesso aos programas de proteção de cidadãos e as etapas para a inclusão. Os nomes dos protegidos não são revelados. “O MDHC reforça a posição de que são condenáveis todas as manifestações de ódio ou ameaça, sejam elas contra quem for. Não há lugar para o antissemitismo, islamofobia ou qualquer tipo de preconceito ou discriminação”, diz em nota.

Hasan e a família receberão apoio psicológico pelo Institui Pró-Vítima, em São Paulo, onde vivem.

Agência Brasil procurou Hasan para falar sobre as ameaças, mas ele preferiu não se manifestar.

A defensora disse que eles estão abalados com a situação, porém recomendou que ele tente retomar a rotina com a esposa e as duas filhas, de 6 e 3 anos de idade.

Naturalizado brasileiro, Hasan Rabee trabalha como vendedor na cidade de São Paulo (SP) há 10 anos, desde que resolveu deixar a Palestina por causa dos conflitos com Israel. Ele foi a Gaza para visitar a família com as filhas e a esposa brasileiras, quando o conflito teve início no dia 7 de outubro.




Fonte: Agência Brasil

Policiais federais fazem mobilização por reestruturação de carreiras


Delegados, agentes e servidores administrativos da Polícia Federal (PF) realizaram, nesta quinta-feira (16), em todo o país, o segundo ato da mobilização pela valorização e reestruturação das carreiras policial e administrativa da entidade e por reajuste salarial. A mobilização ocorre no Dia do Policial Federal.

A primeira mobilização dos policiais federais ocorreu em 26 de outubro, com atos em frente das superintendências regionais e outras unidades da PF de todo o país, no chamado Dia D.

Em Brasília, nesta quinta-feira, centenas de manifestantes se concentraram na sede da Polícia Federal, no início da Asa Norte, bairro da região central da capital federal, e seguiram de ônibus até o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), na Esplanada dos Ministérios. Nas falas, os policiais e servidores administrativos da corporação reclamaram do posicionamento do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em relação à proposta de valorização dessas carreiras.

Os servidores públicos, entre eles agentes, escrivães, peritos, papiloscopistas e delegados da instituição, vestiram coletes e sustentaram faixas com as frases em que dizem que há falta de compromisso do governo federal com as categorias. “O descaso com a PF continua, Valorização da PF já.” E também: “Segurança Pública desvalorizada, sociedade desprotegida”.

De acordo com Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), a categoria se posicionou de forma favorável à proposta de reestruturação das carreiras negociada pela Direção-Geral da Polícia Federal com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A entidade afirma que este texto teria sido enviado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), mas, que as negociações estariam paradas há meses na pasta. “Essa não é uma reivindicação classista, essa é uma proposta da Polícia Federal, do Ministério da Justiça. Mas, o que estamos vendo, é um descaso do Ministério da Gestão e da Inovação com a direção da PF e com o ministro da Justiça, porque a proposta já está com eles há meses e todas as reuniões são proteladas”, declarou o presidente da ADPF, Luciano Leiro.

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) tem posicionamento semelhante. O presidente da Fenapef, Marcus Firme dos Reis, espera que os atos do segundo dia de mobilizações destravem as negociações. “Esperamos com isso chamar a atenção para uma situação que se arrasta sem uma razão convincente, visto que a proposta foi chancelada pelo próprio governo federal. Entretanto, mesmo diante desse fato histórico, o MGI ainda não apresentou os meios necessários à sua execução.”

A ADPF afirma também que existe uma defasagem salarial na remuneração dos delegados da PF desde 2006, além de falta de equipamentos de proteção e de efetivo no combate ao crime organizado.

Atividades

Neste dia de reivindicações, paralisações e assembleias em todo o país, várias atividades da PF foram afetadas, como emissão de passaporte, de certidão de antecedentes criminais e da guia de transporte de armas de fogo e munições, entre outras. A previsão é que os serviços públicos sejam retomados nesta sexta-feira (17).

Reunião

Nesta quinta-feira), o MGI coordenou uma nova reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente, que reúne todas as representações do funcionalismo público federal. “No dia de hoje, estamos apresentando às entidades sindicais todas aquelas demandas que foram encaminhadas ao governo federal que não têm impacto financeiro, mas são importantíssimas para servidores e servidoras e que nós podemos avançar na pauta e na construção de uma resposta positiva a essas demandas”, adiantou o secretário de Relações de Trabalho da pasta, José Lopez Feijóo.

Sobre as demandas financeiras de reajuste salarial e de benefícios, o secretário informou que o governo federal trabalha para conseguir espaço orçamentário para consolidar uma proposta. “Até o fim deste ano, esperamos poder apresentar [uma proposta financeira] ao funcionalismo público e, com isso, atender à totalidade das demandas que nos foram formuladas”, disse o secretário.

Especificamente sobre as carreiras policiais e administrativas da Polícia Federal, o MGI informou, em nota enviada à Agência Brasil que, brevemente, será agendada nova reunião para dar continuidade ao debate sobre as propostas com a Polícia Federal, entidades de classes da PF e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta, no entanto, não confirmou a data de 28 de novembro, apontada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

A nota do MGI relembra ainda que o governo federal reinstalou, no início de 2023, a Mesa Permanente de Negociação com os servidores públicos. “O primeiro acordo fechado este ano de [reajuste de] 9% para todos os servidores, inclusive os policiais federais.”

O MGI informa também que, neste segundo semestre, teve início o debate sobre reajuste dos servidores para 2024 e, como parte desse processo, em outubro, foram abertas dez mesas negociação específicas para tratar de algumas carreiras. “No dia 11 de setembro, foi aberta a mesa específica para as demandas dos cargos das carreiras policiais. Nessa ocasião, a categoria apresentou proposta de reajuste, que está em análise na Secretaria de Relações de Trabalho [MGI]”, afirma o MGI.




Fonte: Agência Brasil

Bairros da zona norte do Rio de Janeiro têm falta de luz


A empresa Light informou que uma ocorrência na rede de Furnas causou interrupção nesta quinta-feira (16) no fornecimento de energia para trechos de bairros da zona norte do Rio de Janeiro, como Cachambi, Triagem e Benfica.

“O fornecimento de energia foi totalmente restabelecido após autorização do Operador Nacional do Sistema (ONS)”, disse, em nota, a Light.

O Rio tem Janeiro tem sofrido com a onda de calor dos últimos dias.

A sensação térmica na capital fluminense voltou a superar os 50 graus Celsius (°C) na manhã desta quinta-feira, com a onda de calor que atinge boa parte do Brasil. A sensação de 50,6°C, que leva em consideração a temperatura e a umidade do ar, foi aferida em Guaratiba, na zona oeste, às 10h40.




Fonte: Agência Brasil

Rio tem novo recorde de temperatura no ano: 42,6°C


Em uma semana marcada por intenso calor, o Rio de Janeiro estabeleceu nesta quinta-feira (16) novo recorde de temperatura em 2023: 42,6 graus Celsius (°C). O termômetro que registrou tal temperatura foi o do bairro de Guaratiba, na zona oeste da cidade, que tem chamado a atenção pela sensação térmica de mais de 50 °C no período da manhã.

No início da tarde, momento em que o recorde foi estabelecido, a maior sensação térmica era de 53,3°C, no bairro do Jardim Botânico, na zona sul.

Antes desta quinta-feira, o recorde anterior tinha sido estabelecido pela onda de calor que se abateu sobre o Brasil desde o fim de semana. No domingo (12), termômetros do bairro de Irajá, na zona norte, marcaram 42,5°C.

Para esta sexta-feira (17), o Alerta Rio prevê que as temperaturas continuem acima dos 40°C, sem previsão de chuva. A umidade relativa do ar deve continuar entre 21% e 30% no período da tarde em alguns pontos da cidade.

Já entre o sábado (18) e o domingo (19), áreas de instabilidade estarão presentes, associadas à passagem de uma frente fria no mar. Com isso, há previsão de pancadas de chuva moderada a forte a partir da tarde de sábado e a qualquer momento do domingo, podendo passar de 25 milímetros por hora. Os ventos estarão moderados, podendo haver rajadas fortes durante as pancadas.




Fonte: Agência Brasil

Januário Garcia terá acervo preservado por IMS e Unicamp


O acervo do fotógrafo e ativista negro Januário Garcia, que se vivo completaria nesta quinta-feira (16) 80 anos, será preservado e difundido por duas instituições: o Instituto Moreira Salles (IMS), responsável por armazenar a produção fotográfica do artista, e o Arquivo Edgard Leuenroth (AEL), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que detém a salvaguarda dos documentos reunidos por Januário em sua atuação no movimento negro. As duas instituições farão um arranjo arquivístico único do acervo e, futuramente, as fotografias e os documentos digitalizados integrarão as duas bases de dados.

O coordenador de Fotografia do IMS, Sergio Burgi, disse à Agência Brasil que a ideia é avançar no processamento do arquivo para, no horizonte de dois anos, entre o final de 2025 e começo de 2026, ter um projeto de uma leitura ampla e profunda das diversas frentes que ele trabalhou, buscando apresentar o artista para o público. A exposição será construída a partir de visões de pessoas com as quais ele conviveu e trabalhou. Para o trabalho desse acervo, em parceria com a família de Garcia e o AEL, foi criado um conselho consultivo, que vai acompanhar todos os trabalhos, o que permitirá ampliar a leitura do ponto de vista expositivo.

Nascido em Belo Horizonte, Garcia faleceu no Rio de Janeiro, em 30 de junho de 2021. Formado em comunicação visual pela International Camaramen School, com estágio no Studio Gamma, sob orientação do fotógrafo George Racz, Januário Garcia tinha cursos de extensão de arte visual, história da arte e videomaker.

Ao longo de sua trajetória, produziu um dos mais importantes registros do ativismo e da cultura negra brasileira no século 20. Documentou marchas e atos organizados pelo movimento negro, além de personalidades centrais como Lélia González e Abdias do Nascimento. Foi também presidente do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN) e membro do Conselho Memorial Zumbi. Deixou um acervo de mais de 100 mil fotos.

Atuou ainda no mercado publicitário, no fotojornalismo e na indústria fonográfica, assinando capas de álbuns de músicos como Leci Brandão, Tom Jobim, Belchior e Raul Seixas.

O “fotógrafo, negro, brasileiro”, como ele se autodefinia, contou como sua paixão pela imagem começou em página na internet:

“A imagem sempre despertou em mim uma curiosidade que eu não sabia explicar a razão. Quando eu estava começando a aprender a ler, um exemplar da revista infantil Tico Tico caiu em minhas mãos com seus personagens Reco Reco, Bolão e Azeitona. Nesse número, na secção ligue-ligue da revista, ensinava a fazer um projetor de imagens com uma pequena caixa de madeira no tamanho 20x15x15. Havia um cinema no bairro que passava filmes às quartas, sábados e domingos; nos dias posteriores, de manhã bem cedo, eu ia esperar o lixo do cinema para pegar tiras de filmes que jogavam fora, para projetar à noite na minha casa, em uma parede pintada de branco. Dessa maneira, comecei a minha relação direta com a imagem; toda oportunidade que tinha, lia sobre fotografia e cinema. Nunca mais parei”.

Papel

Na avaliação de Sergio Burgi, a importância de Januário Garcia é “enorme” para a fotografia brasileira, porque além de ter uma trajetória, do ponto de vista profissional, muito significativa, teve uma atividade ligada a estúdio, à indústria fonográfica e, também, porque atuou no circuito publicitário de forma intensa, construindo projetos próprios.

“Mas, na verdade, toda a sua trajetória esteve ligada à sua militância dentro do movimento negro”.

Burgi destacou que a própria atividade profissional de Garcia tem a marca de engajamento e militância. “Não são universos separados. Quer dizer, a sua produção pessoal, autoral, seus trabalhos não só de documentação do movimento negro, mas de liderança, são todos vínculos que têm essa unidade de uma pessoa que desenvolveu essa trajetória na fotografia, mas incorporada às questões que ele se colocou como pessoa ligada aos movimentos negros e a construir uma memória do próprio movimento negro, uma memória negra”.

No momento, o IMS está efetuando o processamento do acervo. “Mas com clareza de que se trata de um acervo muito importante, não só no sentido de inclusão e diversidade, na medida em que são poucos os fotógrafos negros no Instituto e em outras instituições, mas muito pelo fato do perfil específico do Januário, na condição de fotógrafo relevante e, ao mesmo tempo, uma liderança do movimento negro”.

Mestre

Para Vilma Neres, fotógrafa e especialista em Januário Garcia, o “mestre” foi um dos precursores na construção da memória sobre os movimentos negros e as pessoas negras, retratando a humanidade das pessoas negras não só em situações marginalizadas, de violência, mas trazendo um outro olhar sobre os negros em seus vários aspectos, como o político e o social. “Ele é uma figura importante no sentido de fomentar e registrar a diversidade da humanidade negra, não se prendendo a aspectos e estigmas dos corpos de pessoas negras. É nesse aspecto que ele se torna uma figura importante no campo da fotografia”, afirmou Vilma à Agência Brasil.

Vilma sustenta que a humanidade das pessoas negras e dos movimentos negros é retratada por Januário Garcia de maneira universal, “não recortando aspectos estigmatizados”, como fazem pessoas de outros grupos raciais ao focalizar pessoas negras somente em questões de violência, de degradação humana.

“Meio que naturaliza determinados papéis. A população negra está à margem por conta do racismo, mas paralelo a toda essa barbaridade, há outras pessoas tentando resistir. E ele (Garcia) vem trazendo essa memória visual, constatando isso com imagens, com fotografias”.

Obras

Sergio Burgi informou que o IMS na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, permanecerá em obras de expansão das instalações e de trabalhos de adequação até 2027, de modo a promover uma maior integração dos espaços com a própria casa que pertenceu ao diplomata e banqueiro Walter Moreira Salles, que é tombada, e onde foi fundado, no início dos anos 1990, o Instituto Moreira Salles, para assistência à cultura do país. Enquanto isso, o IMS continuará atuando em parceria com outros equipamentos culturais do Rio de Janeiro para a realização de exposições e projetos culturais.




Fonte: Agência Brasil