Banco do Brasil recebe estudo que mostra apoio do banco à escravidão


Uma das maiores e mais antigas instituições públicas do país, o Banco do Brasil (BB) recebeu um estudo que indica envolvimento da empresa no comércio de negros escravizados durante o século XIX. O documento elaborado por 14 pesquisadores de universidades brasileiras e americanas faz parte de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro. 

O ofício assinado pelo procurador da República Julio José Araujo Junior foi enviado diretamente à presidente do BB, Tarciana Paula Gomes Medeiros, na sexta-feira (3), determinando o prazo de 15 dias úteis para o banco se manifestar.

No fim de outubro, procuradores do MPF, pesquisadores e representantes do banco se reuniram no âmbito do inquérito que apura a responsabilidade da instituição financeira na escravidão. Representantes dos ministérios da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e Cidadania também estiveram presentes.

Na ocasião, ficou acordado que o MPF encaminharia ao BB o estudo que motivou a abertura do processo, além da referência bibliográfica. A Agência Brasil teve acesso ao trabalho acadêmico que detalha as evidências do apoio ao comércio de negros escravizados.

Século XIX

O estudo contextualiza que o BB foi criado em 1808, liquidado 20 anos depois e refundado em 1853, ou seja, já após a Lei Feijó, de 1831, que proibia o tráfico de escravos, mas ficou conhecida como “lei para inglês ver”, por não ter sido efetivamente cumprida.

“Estima-se que mais de 900 mil africanos e africanas tenham sido importados por contrabando depois da proibição e mantidos ilegalmente como escravos, quando deveriam ser livres”, observa o levantamento.

Os pesquisadores apontam que havia “vínculos diretos entre traficantes e o capital diretamente investido em ações do Banco do Brasil”. Além disso, acrescenta que “a instituição também se favoreceu da dinâmica de circulação de crédito lastreada na propriedade escrava que imperou ao longo de toda a primeira metade do século XIX”.

O crédito lastreado pode ser entendido como empréstimos concedidos pelo banco e que tinham como garantia bens de donos de escravos, por exemplo fazendas com escravizados. Os pesquisadores afirmam que “entre os historiadores econômicos é consensual que o Banco do Brasil, refundado em meados do século [XIX] como maior instituição financeira do país, cumpria papel singular na sustentação da economia mercantil escravista”.

“Muito dos recursos que fundaram o banco, é isso que é apresentado na pesquisa, são recursos oriundos do tráfico”, afirma o procurador da República Julio Araujo.

Senhores de escravos

No documento entregue à presidência do banco, os acadêmicos observam que grandes acionistas e diretores da instituição eram ligados diretamente à propriedade de escravos. “A direção do banco personificava o enlace daquela instituição com a economia e a sociedade escravista”.

Um caso citado é o de José Bernardino de Sá, maior acionista individual do banco.

“José Bernardino de Sá, barão e visconde de Vila Nova do Minho, era um dos maiores, senão o maior, traficante do Atlântico Sul nos últimos 20 anos de funcionamento do tráfico de africanos para o Brasil. Entre 1825 e 1851, o visconde traficante fora responsável por 50 viagens negreiras para o Brasil que desembarcaram cerca de 19 mil africanos”, diz o texto.

“A atividade negreira do visconde, exercida em escala transcontinental e quase que exclusivamente na ilegalidade, sem dúvida fora a mola propulsora de sua fortuna, diversificada quando o tráfico se aproximava do seu efetivo fim. Assim, não por acaso, o maior traficante do país era também o mais importante subscritor [investidor] individual do Banco criado em 1853”, completa.

Já entre os nomes que tinham ligação corporativa com o Banco do Brasil, a pesquisa cita João Pereira Darigue Faro, vice-presidente da instituição em 1855.

“Nobilitado como visconde do Rio Bonito, Darigue Faro era membro destacado de uma das famílias mais proeminentes do médio Vale do Paraíba fluminense. Em 1829, segundo informes populacionais produzidos pelos próprios fazendeiros, sua família era a maior proprietária de escravizados da região”, detalha o texto.

Outro apontado é o português João Henrique Ulrich, que ocupava suplência da diretoria em 1853, tornando-se diretor no ano seguinte.

“A fortuna do então diretor do Banco do Brasil se projetou pelos negócios do tráfico e pela firma comissionária constituída para intermediar as vendas do café produzido pelos trabalhadores escravizados nos complexos de fazendas do Vale do Paraíba”.

Sem dúvidas

O documento assinado pelos pesquisadores conclui que “parece não haver dúvidas que boa parte do capital que constituiu o maior banco do Império era oriundo do tráfico e dos negócios da escravidão”.

Os coautores são ligados às instituições acadêmicas Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade de Brasília (UNB), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Harvard University e University of Pittsburgh, as duas últimas americanas.

Reparação

Um dos autores do estudo, o professor Álvaro Pereira do Nascimento, da UFRRJ, destaca o papel da história no processo de elucidação e busca por reparação.

“A história é essa ciência fundamental para homens e mulheres, pois, a partir do presente, podemos interrogar o passado para compreendermos certas situações em que nos encontramos na atualidade”, defende.

“A culpa não é do povo negro por estar em ofícios que não são tão bem remunerados, não conseguir entrar nas universidades, e [vivenciar] outros problemas. Esse povo sofreu um crime histórico e, logo após a escravidão, não teve nenhum tipo de apoio”, observa.

Nascimento defende que o banco faça um pedido de desculpas a descendentes de escravizados e apresente iniciativas de reparação. “O banco será mais forte ainda quando reconhecer o erro cometido na sua origem, no seu passado, no século XIX”.

O procurador da República Julio Araujo diz acreditar que o inquérito não é uma mera preocupação com o passado.

“A gente tem uma relação clara com o racismo presente, de hoje, e a necessidade de políticas efetivas de reparação à população negra. Mais do que um tema do passado, é um tema do presente e do futuro”, ressalta Araujo.

Apesar de a ação contra o Banco do Brasil não ter ainda uma conclusão, o MPF já faz encontros com setores da sociedade civil organizada, notadamente ativistas do movimento negro, para buscar ideias de reparação a serem oferecidas pelo banco à população afrodescendente.

“Essa é uma questão que não é o MPF que vai monopolizar. Esse é um tema para discutir com toda a sociedade”, diz o procurador.

Revisão da história brasileira

Para Humberto Adami, vice-presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, criada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a iniciativa do MPF pode ser classificada como uma forma de revisão do passado brasileiro.

“É uma das iniciativas mais importantes que ocorreram nos últimos tempos [em termos de busca de reparação]. Abre a possibilidade não só de investigar, mas também de afastamento da prescrição desse lucro que as empresas centenárias tiveram e que foi se acumulando em todos os ramos da vida brasileira”, disse à Agência Brasil.

“Retrata o Brasil de hoje, que é fundamentado em lucros que vieram da escravidão, da venda de seres humanos e que, mesmo com a abolição, permanecem tendo repercussões até hoje. Há uma parcela da sociedade brasileira que não consegue enxergar isso e acha que tem direitos divinos de estar nos pontos altos da vida brasileira”, comentou.

Posicionamento

O Banco do Brasil manifestou, por meio do próprio site, um amplo posicionamento sobre a ação do MPF.

O comunicado afirma que “O BB destaca – com veemência – que lamenta profundamente esse infeliz capítulo da história da humanidade e da nossa sociedade, com efeitos de um triste legado até os dias atuais. A escravização por centenas de anos causou danos irreversíveis às pessoas escravizadas à época e aos seus descendentes; portanto é um momento da história que deve ser lembrado e discutido”.

A nota enfatiza ainda que o Banco do Brasil valoriza o trabalho de historiadores e mantém aberto ao público um arquivo histórico disponível para pesquisas.

O BB acrescenta que também podem ter feito parte do seu quadro acionário abolicionistas de destaque no cenário nacional. Entre os citados estão Rodrigo Augusto da Silva, autor da Lei Áurea, e Affonso Pena, ex-presidente da República e do próprio banco.

“Tal constatação mostra-se relevante na busca da verdade e eventual revisão histórica a que se proceda, pois sugere que o “Terceiro” Banco do Brasil (termo utilizado na Representação do MPF e que remete ao BB fundado em 1853) refletiria, no seu quadro social da época e, muito provavelmente, no grupo de clientes tomadores de crédito, o espectro econômico e social de seu tempo histórico, isto é, a multiplicidade de atores e seus relacionamentos e posicionamentos acerca da escravidão, com todas as contradições e diversidade de pensamentos presentes naquele ecossistema”, completa a nota.

O BB reafirma “a disponibilidade para prestar esclarecimentos sobre o tema, além de participar de iniciativas que articulem os atores centrais da sociedade organizada para o desenho de estratégias e a execução de ações para potencializar e acelerar a produção de resultados concretos em prol da igualdade étnico-racial”.

O posicionamento enumera ações do Banco do Brasil para busca da equidade racial, como iniciativas para capacitação de funcionários de minorias representativas. O BB destaca ainda que a atual presidente, Tarciana Medeiros, é a primeira mulher negra a assumir o cargo.

A íntegra do posicionamento pode ser encontrada na página do banco.

*Colaborou Carolina Pessôa, repórter da Rádio Nacional no Rio de Janeiro. 




Fonte: Agência Brasil

Hip hop é a maior cultura urbana da história, afirma pesquisador


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“A maior cultura urbana da história da humanidade.” É assim que o DJ Eugênio Lima define o hip hop, que em 2023 completa 50 anos de existência e 40 anos de presença no Brasil. Pesquisador e um dos fundadores do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, grupo que pensa o teatro a partir da estética do hip hop, Lima vê nessa cultura elementos tradicionais africanos que dialogam com as populações negras em diáspora por todo o mundo.

Aqui, ele pega emprestadas as palavras de Afrika Bambaataa, DJ e produtor pioneiro do gênero para explicar essa relação. “Uma coisa que o Bambaataa fala é que o hip hop nada mais é do que [a técnica] dos griôs [contadores tradicionais de histórias] da África [levada] para o sul do Bronx [bairro de Nova York, nos Estados Unidos]. E aqui, para mim, o sul do Bronx é só uma metáfora, porque é o sul do Bronx pode ser o Capão Redondo [zona sul paulistana], é o Alto José do Pinho [no Recife], é a periferia de São Luís, a periferia de Manaus”, relaciona.

A forma tradicional de transmissão de saberes e histórias se transforma, segundo Lima, para abarcar as construções que estão fora das formalidades acadêmicas.

“Essa tecnologia dos griôs do oeste africano colocada, fundamentada, a partir dos toca-discos, a partir da cultura de rua, a partir do conhecimento que não é o conhecimento da sabedoria formal, trancafiada com seus parâmetros, construída profundamente a partir da oralidade”, acrescenta.

O toca-discos, enfatiza o pesquisador, é o pilar fundamental da cultura hip hop, que é construída a partir de quatro elementos: o DJ, o MC, o grafite e o break – batida, canto, pintura e dança. “A partir daí, se cria todo um grande vocabulário que a gente chama de conhecimento de rua. A escola da rua. O conhecimento, a moda a própria lógica da rua”, enumera.

São Paulo SP 09/11/2023, DJ Eugenio de Lima - 50 Anos Hip-Hop.   Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Eugênio Lima é um dos fundadores do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, que pensa o teatro a partir da estética do hip hop – Paulo Pinto/Agência Brasil

O momento fundador dessa cultura é quando os quatro elementos foram reunidos em uma única festa no Bronx, em 1973, organizada pelo DJ Kool Herc junto com sua irmã, Cindy Campbell. Lima esteve, neste ano, no mesmo local onde essa primeira festa foi organizada, em uma celebração de 50 anos de existência do hip hop.

“Eu tive o prazer de conhecer esse lugar. Ele existe ainda  e está sendo preparado para ser o templo do hip hop. Agora, essa rua é chamada de Boulevard do Hip Hop. É uma rua sem saída, no sul do Bronx, dentro de um conjunto habitacional, em Nova York. Então, no dia 12 de agosto de 2023, teve a block party nesse lugar, que é o lugar fundante, comemorando 50 anos da cultura hip hop”, contou ao receber a reportagem da TV Brasil para gravação do programa Caminhos da Reportagem. O episódio vai ao ar neste domingo (12), às 22h, na emissora pública.

Nessa oportunidade, o DJ pôde mostrar parte da coleção de discos, que inclui diversas peças importantes para essa trajetória de cinco décadas do hip hop. “Esse aqui”, diz colocando o disco para rodar, “é o primeiro vinil, o primeiro fonograma da história do hip hop. É o Rapper’s Delight do The Sugarhill Gang. Ele é de setembro de 1978, lançado pela Sugarhill Records, apesar de a gente considerar que o hip hop nasce em 1973”, conta.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com Eugênio Lima:

Agência Brasil: Como funciona a mágica do DJ, essa relação entre a base e a voz?
Eugênio Lima: Eu vou explicar do princípio. Em inglês é two turntables and a microphone – quer dizer, dois toca-discos e um microfone. Isso é a base do hip hop: dois toca-discos em um microfone. Por que tem um MC? Segundo o Kool Herc, é porque o DJ não tem três braços. Cadê o terceiro braço para segurar o microfone? Então, ele convida um MC chamado Coke La Rock, ele está com quase 80 anos hoje, e um outro MC chamado Mark Walters, esse já é falecido. Aqui você tem os dois toca-discos e  você tem um mixer, onde você mixa volume. Isso aqui são os faders [controle de volume].

A partir desse vocabulário, são criados dois dos elementos mais importantes da cultura hip hop – o DJ e o MC. Mas a cultura hip hop é feita de vários outros conhecimentos. Os outros elementos fundantes seriam: o grafite, que eles chamam de graffiti writters, ou seja, escritores de grafite. Os dançarinos – b-boys e b-girls – porque eles dançam nos breaks [intervalos] da música. Seria breakboy,  porque se dançava nos intervalos instrumentais entre cada música.

B-boys e b-girls, DJ, MC e grafite –  a partir daí se cria todo um grande vocabulário de conhecimentos, que a gente chama de conhecimento de rua. Por isso que é a escola da rua. Tem o conhecimento da moda da rua, da própria lógica da rua. Rua não só no sentido de que está fora é do campo, digamos assim, formal do conhecimento. Mas é rua porque também as outras formas de conhecimento acabam sendo permeadas por esse conhecimento fundante. E para um DJ tudo tem a ver com discos.

Agência Brasil: A gente pode dizer, então, que o hip hop começa na mesa do DJ?
Lima: A gente pode dizer, não, ele começa na mesa do DJ. O pilar fundante da cultura é a block party de 1973, onde o Kool Herc monta isso e convida as outras pessoas. Ele [o lugar] existe ainda e está sendo preparado para ser o templo do hip hop. Agora, essa rua é chamada de Boulevard do Hip Hop. É uma rua sem saída, no sul do Bronx, dentro de um conjunto habitacional, em Nova York. Então, no dia 12 de agosto de 2023, teve a block party nesse lugar, que é o lugar fundante, comemorando 50 anos da cultura hip hop.

Quem convidou tudo isso foi o [MC e produtor musical] KRS-One que é um cara da [produtora] Boogie Down Productions.  Essa é um das músicas mais famosas dele, Step Into the World [mostra um disco]. [Pega outro disco] Uma outra pessoa que também é muito fundamental é esse cara aqui, Afrika Bambaataa. Esse aqui é um encontro dele com James Brown. É creditado ao Bambaataa a ideia a nominação [hip hop]. É o Bambaataa que cria a ideia de que isso que se faz com esses quatro elementos é hip hop, e isso não é um movimento, é uma cultura.

Em 2016, eles entregaram um documento na ONU [Organização das Nações Unidas], que é a declaração de paz da cultura hip hop. É uma série de mandamentos, como se fossem os dez mandamentos, mas tem mais que dez, tem uns 24 mandamentos, onde eles vão dizendo quais são os princípios fundamentais do que seria a cultura hip hop. É assinado pelo KRS-One, pelo Bambaataa e por mais de 300 ativistas do hip hop no mundo inteiro.

Agência Brasil: Onde o Grandmaster Flash entra na história?
Lima: O Grandmaster Flash é tipo o mago. Muita gente credita a invenção do crossfader a ele [técnica de reduzir o volume de uma música e fazer a entrada de outra gradualmente]. É o cara que faz aquela história de marcar os discos, de transformar o merry go-round [técnica que mantém a parte instrumental da música tocando por mais tempo], que era a técnica do Kool Herc, numa coisa mais pra frente, que é o back to back, que é ir e voltar com os toca-discos, ir e voltar com os toca-discos numa estrutura interminável sem tirar o pé da dança.

O back to back cria o vocabulário do que vai ser a ideia de que um MC e um DJ vão rimar juntos. E para completar tem aqui um clássico que é uma pérola do que seria o Grandmaster Flash and the Furious Five, que chama The Message. E o The Message é, vamos dizer assim, uma das pedras fundamentais da história. [Coloca o disco para rodar]. É o Melly Mel cantando. Isso aqui é Grandmaster Flash and the Furious Five. Cowboy, Kid Creole, Melle Mel, Scorpio. Esse aqui é 1982. A gente credita muito essa ideia de que o hip hop, o rap, é a crônica da periferia. Essa é a primeira crônica. Essa é a primeira crônica.

O Melle Mel vai descrever o que está acontecendo na quebrada. O primeiro verso é fantástico: [Toca um trecho da música] “Broken glass everywhere/People pissin’ on the stairs, you know they just don’t care/ I can’t take the smell, can’t take the noise” – “Vidro quebrado por toda parte. Pessoas mijando na escada, você sabe que eles simplesmente não ligam. Eu não consigo suportar o cheiro, não aguento o barulho.”

Além do vocabulário, o Grandmaster Flash tem outra parada que é muito treta: ele é a primeira pessoa a gravar um disco dentro de um disco. Quando ele cria o Adventures on the Wheels of Steel, ele vai gravando a música com várias técnicas de mixagem dos toca-discos. Vai criando um vocabulário. E é a primeira vez que vinis são usados para se criar um fonograma que também era em vinil. É metalinguagem da metalinguagem. A gente chama isso de mashup hoje, mas não existia nem o nome pra dizer o que ele estava fazendo. O Grandmaster Flash é o grande arquiteto mesmo da estrutura do que viriam a ser as técnicas de discotecagem e a relação disso com a música.

Vozes Hip Hop arte

Agência Brasil: Como é que foi estar lá com o Kool Herc? Como é que foi essa festa que celebrou os 50 anos do hip hop no lugar de origem?
Lima: Foi muito emocionante porque são 50 anos, não são 50 dias. Eu vou pegar uma frase, vou samplear uma frase do Prince Paul, produtor do The Last Soul, no Harlem. Ele estava discotecando os seus maiores clássicos, produtor do The Last Soul, do Tribe Called Quest, ele falava assim: “A gente precisa comemorar esse dia como se não houvesse amanhã, porque muito provavelmente nenhum de nós vai estar vivo pra comemorar os 100 anos do hip hop“. Essa é a dimensão da cultura.

As comemorações foram o mês de agosto inteiro, no dia 11 teve uma block party no Might Point Park, onde vai se criar um museu dedicado à cultura hip hop. É o Universal Museum of Hip Hop. É um parque às margens do East River, que é o rio que separa o Bronx do Harlem [bairros de população negra de Nova York]. É uma ponte, mas parece um mundo. E depois teve um show no Yankee Stadium, o estádio do time de beisebol de Nova York, com todas as gerações. Era uma programação extensa, começou às 6h da tarde e terminou às 2h da manhã. E ia desde o Sugar Hill Gang, passando pelo Grandmaster Flash and the Furious Five, a homenagem ao Kool Herc e à irmã dele, a Clive Campbell, coroados pela própria mãe.

A mãe do Kool Herc está com 86 anos e ela coroou o filho e a filha. Até terminar com o show do Run-MC passando pelo Nas, pelo Kid Capri, pela Lauren Hill, pelo Snoop Dog, pelo Ice Cube, foi assim, pelo T.I. até o trap [subgênero do rap], o Lil Wayne, assim, até das novas gerações também conversando, Lil’Leo King, todo mundo fazendo isso no dia 11, que é o dia mesmo que se comemora, porque foi 11 de agosto de 1973.

No dia 12, teve a block party no sul do Bronx e no, dia 13, a block party no Harlem. Eu não vi a block party do dia 5, que foi no Brooklyn, que é onde foi comandado pelo Grandmaster Flash. Essa eu perdi. Foi incrível.

Depois a gente voltou pra São Paulo e eu tive a honra de poder dirigir esse espetáculo que é o Hip Hop aos 50 anos e a gente tentou fazer uma homenagem às diversas gerações do hip hop: teve a Sharylaine, Thaíde, o Dexter, a MC Sofia, a Backspin, o Coletivo Amen, teve a Brisa Flow, teve a Linn Quebrada, teve o Rincon Sapiência, o Nelson Triunfo. A ideia é de a gente homenagear a partir dessa história, a dança, a música, a produção iconográfica através dos grafites, foi uma pesquisa bem intensa e eu tive o prazer de dirigir isso. Foi um documento bacana. A gente fez isso no dia 24 de agosto de 2023 no Sesc Pinheiros lotado, mais de 1,1 mil pessoas.

Agência Brasil: Nessa pesquisa, qual você sentiu que é a trajetória do hip hop no Brasil?
Lima: No ano que vem, faz 40 anos do hip hop no Brasil, que é o marco zero lá da cultura hip hop a que o Nelson [Triunfo, pioneiro do break] se refere. Nestes 40 anos, eu acho que poucas vezes na história do Brasil uma construção cultural afro-diaspórica, preta, indígena, periférica, transnacional, transcultural fez o que o hip hop fez no Brasil nos últimos 40 anos.

Tem uma coisa também que eu sempre gosto de colocar, que é o Chico Science e Nação Zumbi, quando ele fala: “É hip hop na minha embolada”. É um panorama de um processo que é muito maior do que a arte, mas, sim, um processo de sobrevivência. “Acharam que a gente estava morto”, como diz o Dexter no Oitavo Anjo, “achavam que a gente estava derrotado, quem achou isso estava errado”. Que a gente vivia sob ruínas e, portanto, seríamos arruinados, mas a gente transformou as ruínas na produção poética mais potente, na cultura urbana, a maior cultura urbana da história da humanidade. O hip hop brasileiro está dentro desse panorama e é muito legal porque, como todo o hip hop no mundo, é diaspórico, é transnacional, se conecta com outras diásporas no mundo todo.

O território que a gente fala, seja a língua, seja o próprio território brasileiro, ele tem influências de outras tantas culturas, outros tantos beats, outras tantas sabedorias. Porque uma coisa que o Bambaataa fala é que o hip hop nada mais é do que dos griôs da África para o sul do Bronx. E pra mim o sul do Bronx é só uma metáfora, porque o sul do Bronx pode ser o Capão Redondo, o sul do Bronx é o Alto José do Pinho, o sul do Bronx é a periferia de São Luís, o sul do Bronx é a periferia de Manaus, é a periferia de qualquer outra grande cidade do mundo.

Essa tecnologia dos griôs do oeste africano colocada, fundamentada, a partir dos toca-discos, a partir da cultura de rua, a partir do conhecimento que não é o conhecimento da sabedoria formal trancafiada com seus parâmetros tudo, além do que é um conhecimento construído profundamente a partir da oralidade. Nesse momento também em Nova York está tendo uma exposição na biblioteca do Brooklin sobre a trajetória do Jay-Z. E tem uma parte da exposição que é “Everything without a pen”, quer dizer, tudo isso sem uma caneta, porque o Jay-Z nunca escreveu nenhuma letra, todas as letras dele são na cabeça e ele grava. Isso é o testemunho da oralidade. Ele nunca escreveu uma letra na vida. Eu acho que esse é o testemunho que também a cultura hip hop traz. Como as sabedorias ancestrais se conectam com as tecnologias, com a possibilidade de sobrevivência.

Aqui a gente conseguiu construir a partir dos toca-discos e tudo, mas, por exemplo, Cuba não teve toca-disco, mas teve hip hop. Eu estava assistindo ontem uma menina de 16 anos de idade que chama J Noah, da República Dominicana, rimando, e eu falei, meu Deus do céu, o que que é isso? Uma menina tem 16 anos de idade e o flow dela é monstro, e a letra é monstra. Como ela consegue acumular tanta sabedoria com 16 anos de idade? E ela falou: “É a minha experiência, o meu bairro, as pessoas que eu vi, as coisas que eu vi e nem sempre os testemunhos são agradáveis”. Ou seja, é a possibilidade de conseguir transformar a dor em poesia, e não só isso, mas de transformação.

Agência Brasil: Agora, uma coisa que eu acho que você provavelmente é a melhor pessoa para me explicar: Como é que foi isso de unir o hip hop com o teatro, que foi o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos?
Lima: Isso foi uma das bênçãos na minha vida, na nossa vida. Essa aqui é a palavra como território, a nossa antologia poética, que é transformar a nossa palavra em livro, são os 23 anos de existência do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, e a gente chamou isso de casamento estético: do teatro épico com a cultura hip hop e a partir de um princípio muito básico, a autorrepresentação. A ideia de que eu preciso ter a possibilidade de narrar a minha própria história.

Eu, como ator narrador, como atriz narradora ou como uma persona que não está colocada nem no gênero masculino ou feminino, de narrar a própria história. Por quê? Porque eu consigo organizar a cena, não é mais só sobre protagonismo ou antagonismo, não. É sobre como eu posso organizar todos os materiais. O Núcleo Bartolomeu cria essa linguagem em 2000, ou seja, 23 anos atrás. Isso, há 23 anos atrás, era tipo como se eu xingasse a mãe de alguém. Ninguém acreditava que isso fosse possível, achavam que isso era uma grande besteira, e a gente conseguiu, pela nossa insistência no teatro e no hip hop, construir linguagem.

A ideia do ator e da atriz MC, a ideia do DJ narrador a ideia de que todos os elementos cênicos são necessários para se contar uma história, então a gente chamou isso de dramaturgia cênica. A ideia de que não tem subserviência de linguagens, isso quer dizer o quê? O texto não serve à música, a música não serve ao texto, a atuação não está a serviço [de outra linguagem]. Todos estão em condições horizontais e são elementos necessários para contar a narrativa. E ao longo desse tempo a gente foi criando vários desdobramentos.

Por exemplo, o slam no Brasil chega a partir do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos em 2008. Hoje, neste ano, nos 50 anos do hip hop, são 15 anos do slam no Brasil, 2023. Quem trouxe foi a Roberta Estrela D’Alva, o primeiro slam aconteceu na sede do Clube Bartolomeu de Depoimentos. Em 2008, você tinha uma comunidade de slam, hoje você tem quase 300 no Brasil inteiro. Esse é o poder da linguagem.

Agência Brasil: Você falou também do slam, o que você acha que o slam representa para a poesia brasileira?
Lima: Não vou nem falar palavras minhas. Segundo o [escritor e produtor cultural] Marcelino Freire, o slam é, talvez seja, dos últimos 20 anos, o movimento mais importante da poesia brasileira. Mas, para além disso, ele cria comunidades. E comunidades são o quê? Possibilidade de pessoas em espaços livres falarem o que pensam sobre o mundo através de linguagens poéticas.

Não existe uma poesia de slam. Slam, a competição é só um pretexto para se construir vocabulário. E a gente colocou o slam brasileiro na rota, nos seus grandes encontros mundiais, tanto é que este ano, em 2023, o Campeonato Mundial de Slam acontece no Rio de Janeiro e quem vai apresentar é o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. Você teve durante muito tempo, quase dez anos, o Rio Poetry Slam, que foi o primeiro festival internacional de poesia falada. Você tem o campeonato brasileiro, o Slam BR, que foi o Núcleo Bartolomeu que montou. O campeonato estadual, que é o Slam SP, que foi o Núcleo Bartolomeu que montou. Isso criou uma possibilidade de inúmeras, múltiplas reconexões de diversos caminhos com diversas comunidades, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul.

E, como dado concreto, não que eu acho que isso seja uma prova, mas é um dado concreto, há o livro escolhido no Jabuti de 2022, que é Também Guardamos Pedras Aqui, da Luiza Romão. A Luiza Romão é uma poeta que se formou no slam. Depois de um processo, cria um grande livro, que é um livro belíssimo, onde ela recria a partir da visão das mulheres a Ilíada [poema épico grego], e o livro ganha o Prêmio Jabuti de Poesia. Há dois anos atrás, o Slam da Guilhermina ganhou o Prêmio Jabuti, como a melhor proposição de incentivo à leitura. Ou seja, até as estruturas formais já reconheceram o slam. Não é uma questão mais do que eu acho, é um dado concreto. O slam veio e veio pra ficar e mudou a cara da poesia, e não só da poesia, da relação da poesia com o mundo no Brasil.

Agência Brasil: Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais é leitura obrigatória para o vestibular da Universidade Estadual de Campinas. Como é que você vê isso? Qual é a importância disso?
Lima: Eu acho que isso é só uma prova do que já estava construído há muito tempo. A academia demora muito para reconhecer aquilo que é óbvio, às vezes, acha que descobriu a pedra quando descobre aquilo que era óbvio e cria outras normativas. Porque, assim, o Sobrevivendo no Inferno foi um clássico instantâneo. Diário de um Detento, Estou Ouvindo Alguém me Chamar, Fórmula Mágica da Paz foram clássicos instantâneos. Não só pela documentação do processo histórico, porque ali o Racionais se firmava como talvez a maior representação da música brasileira naquele momento histórico, em um lugar onde não se pensava que poderia se constituir sabedoria.

Eu gosto muito de um trecho do Fórmula Mágica da Paz, do Racionais, que o Brown fala assim: “Essa porra é um campo minado. Quantas vezes eu pensei em me tacar daqui, mas aí, minha área é tudo o que eu tenho. A minha vida é aqui, eu não consigo sair. Eu podia fugir, mas eu não vou. Não vou trair quem eu fui e quem eu sou. Eu sei pra onde vou e de onde vim. O ensinamento da favela foi muito bom pra mim. Cada lugar um lugar, cada lugar uma lei, cada lei uma razão. E eu sempre respeitei qualquer jurisdição, qualquer área”. Pensa nisso, na trajetória da música, mas pensa nisso se ele não está falando sobre a linguagem? É isso: a linguagem é um campo minado, entendeu? Mas e aí?! Minha área é tudo eu tenho, a minha vida é aqui, entendeu? Eu não consigo sair. É sobre cultura, sobre linguagem, sobre pertencimento, sobre a dona Maria de luto, narrativas que o Brasil nunca teve capacidade de entender como elas eram produzidas.

O livro Sobrevivendo no Inferno não é nada mais do que a academia entendendo, os processos das editoras entendendo a grande sabedoria. Porque ele é tudo: ele é literatura, é conhecimento, é hino, é sobrevivência, é estilo de vida, é um monte de coisa. Sobrevivendo no Inferno é um grande documento e é também um documento da dor. O Brown fala sobre isso: é um grande documento da dor. Nos shows de Sobrevivendo no Inferno tiveram aqueles grandes acontecimentos, pessoas que faleceram e tal. Também é um documento da dor. Não está dissociada uma coisa da outra. E os livros, eles são um dos instrumentos. Não é o instrumento, mas é um dos. É uma literatura que eu acho que sai da oralidade para se transformar em literatura.

E como isso é uma dicotomia só para a cultura ocidental, porque, na verdade, isso em outras culturas não é dicotômico, muito pelo contrário. A Odisseia e a Ilíada foram faladas durante séculos antes de serem escritas. Todo mundo sabe disso.

Aqueles poemas árabes – cássida [tipo de verso] – passaram quatro séculos na oralidade antes de alguém escrever. Isso é um processo natural. O hip hop se conecta com outras estruturas de conhecimento da oralidade, da presença e da presença diaspórica. Eu acho que é importante falar disso. São muitas diásporas.

A gente perdeu este ano um grande poeta, um grande MC, que é o Azagaia, de Moçambique. Tem uma música dele chamada Maçonaria, que ele faz uma espécie de digressão desde a escravidão até os dias atuais. Ele fala assim: “Quando os europeus ganharam gosto pelo açúcar, escravos no Brasil plantaram cana-de-açúcar e algodão no sul da América e no Novo México, enquanto o chicote ensinava o novo léxico.” Isso é de uma poesia absurda. O chicote criou um novo léxico. É sobre dor, é sobre resistência, é sobre estar na linha de frente, ao mesmo tempo sobre como criar estratégias para além da sobrevivência, para a própria existência.




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena acumula e próximo concurso deve pagar R$ 37 milhões


Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2.655 da Mega-Sena, sorteadas nesse sábado (11) à noite em São Paulo. Os números são 10 – 23 – 30 – 31 – 49 – 56. A previsão para o próximo concurso, na terça-feira (14), é de um prêmio de R$ 37 milhões.

A quina teve 57 ganhadores e pagará o prêmio individual de R$ R$ 57.391,00. Os 3.909 acertadores da quadra receberão, cada um, R$ 1.195,53.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) nas casas lotéricas ou pela internet. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 5,00.




Fonte: Agência Brasil

Dos griôs da África para as periferias do mundo: hip hop faz 50 anos


Dos griôs da África para o sul do Bronx e periferias em todo o mundo: a trajetória do hip hop completa 50 anos em 2023. A ideia de uma coletividade diaspórica está presente desde o começo da cultura, como contam personalidades históricas do hip hop ouvidas pela Agência Brasil e pela TV Brasil para celebrar o Dia Mundial do Hip Hop neste 12 de novembro.

Foi nesta data que o rapper estadunidense Afrika Bambaatta criou a organização não governamental (ONG) Universal Zulu Nation. A ONG, criada em 1973, além de realizar festas, organizava reuniões com vistas a atrair os jovens e apresentar o hip hop como alternativa para as gangues e as drogas. Em agosto do mesmo ano, a realização da block party dos irmãos Cindy Campbell e Kool Herc é considerada o pilar fundante da cultura hip hop.

No Brasil, comunidades de centros urbanos de todo o país se comunicam nas diversas linguagens que compõem a cultura hip hop e tem como pilares o grafite, breaking, DJ e MC. “Pra mim o sul do Bronx é só uma metáfora, porque o sul do Bronx pode ser o Capão Redondo [zona sul paulistana], é o Alto José do Pinho [em Recife], é a periferia de São Luís, a periferia de Manaus. É a periferia de qualquer outra grande cidade do mundo”, aponta o DJ Eugênio Lima, um dos pioneiros na capital paulista.

10/11/2023, Especial Hip Hop. Na foto o Rapper Brasiliense Gog. Foto: TV Brasil/Reprodução

Gog lembra que quatro elementos do hip hop eram muito contestados como arte – TV Brasil/Reprodução

“O hip hop começa dessa forma: a gente se reescrevendo, se entendendo como ser humano, como ser cultural. Os próprios quatro elementos do hip hop eram muito contestados como arte, como algo que pudesse prover algo: o break não era dança, o grafite não era arte visual, o DJ não era músico, então quem sobrava?”, questiona o rapper brasiliense Gog.

“[O hip hop] traduziu no dia a dia o que as pessoas falavam de forma complexa e complicada. Todo mundo fala assim: ‘Mano, você pode melhorar’. Mas ninguém fala assim: ‘Vem comigo’.”

Construção

Em julho deste ano, a Construção Nacional da Cultura Hip Hop, que reúne representantes do movimento em todo o Brasil, oficializou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o pedido de registro do hip hop brasileiro como Patrimônio Cultural do Brasil. Segundo o instituto, “o processo está agora na fase de verificação e averiguação da documentação inicial para que prossiga em tramitação no âmbito do Iphan nos próximos anos”.

“O hip hop brasileiro é um hip hop que pauta a transformação social da realidade e tem conquistado ao longo dos últimos 40 anos um processo de emancipação crítica e econômica para várias periferias do país”, defende o rapper Rafa Rafuagi, facilitador geral da Construção.

O grupo também busca propor políticas ao governo federal. Para o artista, o investimento no hip hop “muda a vida das pessoas na medida em que libera recursos e esses recursos vão diretamente para dentro das periferias”.

10/11/2023, Especial Hip Hop. Na foto o Rafa Rafuagi, facilitar geral da Construção Nacional da Cultura Hip Hop. Foto: TV Brasil/Reprodução

Hip hop brasileiro pauta transformação social da realidade, diz Rafa Rafuagi – TV Brasil/Reprodução

Em 29 de novembro, durante o Fórum Global de Combate ao Racismo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em São Paulo, será lançado o Seminário Internacional do Hip Hop, que ocorrerá em agosto de 2024 em Nova York.

“A ideia do seminário é replicar o que o Brasil fez quando entregou um inventário participativo para o Iphan, pedindo o reconhecimento como patrimônio imaterial. A gente vai fazer um dossiê global do hip hop e a meta, depois de finalizado esse material, é entregar para a Unesco”, explica Rafuagi.

10/11/2023, Especial Hip Hop. Na foto o DJ Nezzo, pioneiro do rap no Amazonas. Foto: TV Brasil/Reprodução

DJ Nezzo começou a fazer parte da cultura do soul e do funk aos 10 anos – TV Brasil/Reprodução

Com a mesma ideia de um reconhecimento da sociedade ao hip hop, Porto Alegre terá em dezembro um museu dedicado à cultura.

“Nós consideramos aqui o nosso ponto de referência, a primeira roda de breaking na Rua da Praia em 1983. Eu vinha desde 76, desde os meus 10 anos de idade, fazendo parte da cultura do soul e do funk, que era bem comum dentro das periferias de Porto Alegre”, relembra DJ Nezzo.

Ele conta que a entrada dele na cultura hip hop se deu com a tentativa de fazer scratches (efeitos de sons percussivos e rítmicos produzidos com a movimentação do disco de vinil para frente e para trás).

Conexões periféricas

O rapper paulistano Rincon Sapiência lembra que o hip hop é uma cultura preta, mas que a presença na “quebrada” o fez também se conectar com latinos, imigrantes, LGBTQIAPN+, indígenas, entre outras populações vulnerabilizadas. “Ele sempre contemplou aqueles menos ouvidos, menos representados”, destaca.

É o caso de Cida Aripória, pioneira do rap no Amazonas.

“As músicas que eu produzo, que eu escrevo, sempre têm um contexto social. Sempre trazem essa questão da luta das mulheres, a questão da luta principalmente da periferia e a questão dos povos originários. A gente traz muito Amazônia nesse sentido, muito Manaus nas nossas letras, as nossas gírias, nosso jeito de falar”, relata a artista.

10/11/2023, Especial Hip Hop. Na foto Cláudia Maciel, integrante da Contrução Nacional da Cultura Hip Hop. Foto: TV Brasil/Reprodução

Cláudia Maciel é integrante da Construção Nacional da Cultura Hip Hop – TV Brasil/Reprodução

Na Praça do Cidadão, na Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, a integrante da Construção Nacional da Cultura Hip Hop Cláudia Maciel mostra a força da cultura hip hop para a comunidade.

“Esse espaço é uma ocupação cultural. Aqui nós temos de um lado aulas de dança de breaking, DJ. Nós estamos criando nossos meninos no hip hop. Dentro do hip hop, eles vão conseguir afeto, vão conseguir política, vão entender de meio ambiente, vão saber o que é um trabalho, vão entender a arte”, aponta Cláudia.

*Colaborou Daniel Mello, repórter da Agência Brasil.




Fonte: Agência Brasil

Hoje é Dia: semana lembra dos 50 anos do Hip Hop


A segunda semana de novembro começa com o Dia Mundial do Hip Hop (12). Neste ano, a data celebra os 50 anos da expressão cultural que nasceu nos Estados Unidos e se tornou bastante popular no Brasil.

Na quarta-feira, além do tradicional Feriado da República (15), completam-se 15 anos da anistia política ao ex-presidente João Goulart e 35 anos da criação do Estado da Palestina. Para fechar a semana, o sábado traz o Dia do Conselheiro Tutelar (18).

💽 Do gueto para o mundo

O Hip Hop surgiu no bairro do Bronx, gueto negro, caribenho e latino de Nova York, mais especificamente em uma festa organizada por Clive e Cindy Campbell, em agosto de 1973. Nela, Clive, mais conhecido por Kool Herc, inovou na discotecagem, tornando-se referência como DJ (Disk Jokey).

Aos poucos, esse evento se transformou em um marco e, em 12 de novembro de 1973, a organização não governamental Nação Zulu foi fundada. Ela sistematizou a cultura hip hop e seus quatro elementos – breaking, DJ, MC e grafite – como forma de promover a criatividade e combater a violência.

Para celebrar essa data especial, a TV Brasil exibe o episódio Hip hop – 50 anos de cultura de rua, do Caminhos da Reportagem:

Sharylaine ajudou a formar o primeiro grupo de rap feminino no Brasil – Caminhos da Reportagem /TV Brasil

🗓️ Semana com Feriado Nacional

A semana terá feriado nacional na quarta-feira (15), quando se celebra a Proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889.

Nesse dia, Marechal Deodoro da Fonseca assinou o Decreto 1º, que acabava com a monarquia e implementava a República no Brasil.

A historiadora e jornalista Tati Rezende, do canal Historizando, deu uma aula sobre esse capítulo da história do Brasil no programa Rádio Animada, que vai ao ar na Rádio MEC aos domingos.

Ouça novamente:

📰 Anistia Post Mortem de Jango

Há 15 anos, no dia 15 de novembro de 2008, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça decidiu conceder anistia política ao ex-presidente João Goulart (Jango), o único presidente constitucional a morrer em exílio após ser deposto pelo golpe de 1964.

Para saber mais sobre o golpe,  leia : 1° de abril: a resistência ao Golpe de 64 na Rádio Nacional”

Apesar da decisão da Comissão, a anistia somente foi publicada em março de 2009, conforme noticiou a Agência Brasil: João Goulart é declarado anistiado político, e família receberá indenização.

Em 2004, a Agência Brasil já noticiava que a viúva Maria Thereza Goulart havia entrado com pedido de anistia para ela e póstuma para o marido na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

🗣️ Dia do Conselheiro Tutelar

O Dia Nacional do Conselheiro Tutelar foi criado pela lei nº 11.622/2007 e é celebrado a cada dia 18 de novembro. Mas afinal, qual é o papel de um conselheiro tutelar?

A resposta está em reportagem da Agência Brasil sobre a missão dos Conselhos Tutelares. A Agência Brasil fez uma cobertura especial sobre as eleições que ocorreram em 1º de outubro.

Apesar de não ser obrigatória, a escolha dos novos conselheiros movimentou bastante as redes sociais e as urnas em 2023.

🗯️ Outros destaques

Na literatura, o 16 de novembro marca os 40 anos da morte da escritora mineira Janete Clair. No sábado (18), são celebrados os 70 anos de vida do escritor e quadrinista britânico Alan Moore, conhecido por suas histórias em quadrinhos (Watchmen, V de Vingança e Do Inferno etc).

Em meio à guerra instalada entre Israel e Hamas, o dia 15 de novembro marca os 35 anos da declaração da independência da Palestina. O ato foi feito pelo então líder da Organização pela Libertação da Palestina  Yasser Arafat, no exílio.

Sugestão de leitura: Israel, Hamas, Palestina: entenda a guerra no Oriente Médio

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

Novembro de 2023

12

Morte do cantor e compositor fluminense Délcio Carvalho (10 anos)

Dia Mundial do Hip Hop – comemorado para marcar a data da criação da Nação Zulu, ocorrida em 12 de novembro de 1973, no bairro novaiorquino do Bronx, nos Estados Unidos, que é tida como a 1ª organização oficialmente a incluir o Hip Hop em seus interesses, ao trabalhar para converter a violência dos subúrbios em jogos artísticos

13

Dia Mundial da Gentileza – celebrado na Austrália, no Brasil, no Canadá, nos Emirados Árabes Unidos, na Itália, na Índia, no Japão, na Nigéria e no Reino Unido, entre outros, para marcar a data da abertura da “1ª Conferência Mundial do Movimento da Bondade”, ocorrida na cidade japonesa de Tóquio em 1998, e do aniversário do Movimento Mundial da Gentileza , que surgiu em 1996 num pequeno encontro no Japão

14

Nascimento do Rei Charles III, do Reino Unido (75 anos)

Nascimento da atriz paulista Cleyde Yáconis (100 anos)

Dia do Bandeirante

Dia Mundial do Diabetes – o dia foi escolhido por marcar o aniversário de Frederick Banting que, junto com Charles Best, concebeu a ideia que levou à descoberta da insulina em 1921

15

Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concede anistia política ao presidente João Goulart (15 anos) – o único presidente constitucional a morrer em exílio após ser deposto pelo golpe de 1964

Líder árabe Yasser Arafat, no exílio, proclama o Estado da Palestina (35 anos)

Dia da Proclamação da República – comemorado por brasileiros, conforme Lei nº 662, de 6 de abril de 1949, ratificada pela Lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002, para marcar a data da promulgação do Decreto 1º, de 15 de novembro de 1889, que foi assinado pelo então Marechal Deodoro da Fonseca

Dia Nacional da Umbanda – comemoração instituída pela Lei nº 12.644, de 16 de maio de 2012, e que inicialmente foi instituída pelo Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda; tem, por fim, marcar a data da 1ª manifestação do “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, que se incorporou em 15 de novembro de 1908 no então jovem médium brasileiro, Zélio Fernandino de Moraes

16

Morte da escritora mineira Janete Clair (40 anos)

Morte do sambista, cantor e compositor fluminense Antônio Candeia Filho, o Candeia (45 anos)

Ocorre a primeira manifestação do “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, uma entidade espiritual que fundou a Umbanda, dando origem à religião (115 anos – existe divergência em relação ao dia exato)

Dia Internacional da Filosofia – comemoração móvel (3ª quinta-feira de novembro) instituída desde 2002 pela Unesco

Dia Internacional para a Tolerância – comemoração internacional instituída pela ONU na sua resolução RES / 51/95, de 12 de dezembro de 1996; marca a data da constituição da Unesco, que se deu em 16 de novembro de 1945, e a data da proclamação da “Declaração de Princípios Sobre a Tolerância”, que foi assinada por 185 países, na cidade de Paris, com a intenção de poupar sucessivas gerações das guerras por questões culturais, a partir da prática da tolerância e da convivência pacífica entre os povos vizinhos

Dia Internacional do Patrimônio Mundial – comemoração internacional, que tem sido promovida pela Unesco; tem por fim marcar a data da adoção da Convenção de Paris, a partir da qual foram assentadas as bases da proteção do patrimônio cultural e natural da humanidade

Dia Nacional da Amazônia Azul – comemoração no Brasil, que foi instituída pela Lei nº 13.187, de 11 de novembro de 2015.; tem por fim marcar a data da entrada em vigor da “Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar”, que consagra os conceitos de Mar Territorial, Zona Econômica Exclusiva e Plataforma Continental, viabilizando a delimitação dos espaços marítimos sob a jurisdição brasileira, os quais totalizarão aproximadamente 4,5 milhões de km², área que a Marinha do Brasil convencionou chamar de Amazônia Azul

17

O Exército Zapatista de Libertação Nacional é fundado no México (40 anos)

É assinado o Tratado de Petrópolis, que incorporou o Acre ao território brasileiro (120 anos)

18

Nascimento do escritor e quadrinista britânico Alan Moore (70 anos) – conhecido por suas histórias em quadrinhos, incluindo obras adaptadas para o cinema como Watchmen, V de Vingança e Do Inferno

Líder estadunidense Jim Jones comanda o Massacre de Jonestown, na Guiana Inglesa (45 anos) – maior suicídio coletivo da história, quando 909 pessoas morreram

Aniversário do personagem Mickey Mouse (95 anos) – data em que surge pela primeira vez em filme sonoro, sendo protagonista da animação Steamboat Willie

Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito – comemoração móvel (3º domingo de novembro) reconhecida pela ONU

Dia Nacional do Conselheiro Tutelar – comemoração instituída pela Lei nº 11.622, de 19 de dezembro de 2007; tem por fim marcar a data do 1º Congresso Nacional de Conselheiros Tutelares do Brasil




Fonte: Agência Brasil

SeJoga, evento de jogos promove inclusão e diversidade nas periferias


Crianças, jovens, adultos, idosos, lésbicas, gays, héteros, drag queens, pessoas com deficiência, entre tantos outros grupos compartilham mesas para jogar jogos analógicos, como os de tabuleiro ou de cartas. Esse é o SeJoga, um dos mais importantes eventos de jogos do Rio de Janeiro que, pela primeira vez, realiza edições nas periferias, nas Zonas Norte e Oeste da cidade. Neste sábado (11), o SeJoga ocorreu na Penha, na Zona Norte.  

Rio de Janeiro (RJ), 11/11/2023 - O SeJoga, grupo LGBTQIA+ periférico, promove encontro de acolhimento com jogos de tabuleiro, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 Esta edição do encontro foi na Penha, zona norte do Rio. – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O SeJoga foi criado em 2017 por Elson Bemfeito, que na época, trabalhava como produtor de moda e por Dan Paskin, arquiteto. Em 2016, eles eram um casal e começaram juntos a frequentar eventos de jogos no Rio e em Niterói. Eles se encantaram pelo mundo dos jogos de tabuleiro, mas perceberam que os eventos, de acordo com eles, majoritariamente heteronormativos e brancos, não eram acolhedores para pessoas LGBTQIA+.

“A gente só conhecia dois outros gays no meio e eles eram enrustidos, a família não sabia. Tem um relato de um garoto que jogava há dez anos com os mesmos amigos de infância e, quando descobriram que ele era gay, pararam de chamar ele para jogar. Coisas absurdas assim”, diz Paskin.

Rio de Janeiro (RJ), 11/11/2023 - Elson Bemfeito e Dan Paskin, criadores do SeJoga, grupo LGBTQIA+ periférico, em  encontro de acolhimento com jogos de tabuleiro, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 Elson Bemfeito e Dan Paskin, criadores do SeJoga, grupo LGBTQIA+ periférico – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Paskin conta que eles buscaram criar um evento que fosse inclusivo e onde todas as pessoas pudessem partilhar o mesmo espaço e se sentir acolhidas. “A gente começou com um evento itinerante. Vamos mostrar que a gente não quer fazer um gueto, um espaço exclusivo para LGBTs se isolarem e jogarem em segurança, a gente quer mostrar justamente para os outros que é possível ter o que a gente tem, que é mostrar que todos os espaços são para você. Seja LGBT, seja quem for, você tem o direito de ocupar todos os espaços, todos os espaços deveriam ser seguros para nós”, diz.

O SeJoga começa sendo realizado junto a outros eventos de jogos, até que, em 2018, começa a ter um evento próprio, no Bar Doninha, na Tijuca, na zona norte do Rio. “A gente tinha a expectativa de levar 60, 80 pessoas. Achou que ia ter no máximo, 40. Mas, 175 pessoas apareceram. A gente ocupava a calçada, porque o restaurante não cabia, pedia mesa emprestada dos bares vizinhos”, conta Bemfeito.

Rio de Janeiro (RJ), 11/11/2023 - O SeJoga, grupo LGBTQIA+ periférico, promove encontro de acolhimento com jogos de tabuleiro, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

SeJoga, grupo LGBTQIA+ periférico, promove encontro de acolhimento com jogos de tabuleiro- Tânia Rêgo/Agência Brasil

Agora, o projeto conta com o incentivo do Programa de Fomento à Cultura Carioca – FOCA da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (PCRJ) e da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e chega também às periferias da cidade.

No evento, as pessoas têm à disposição dezenas de jogos e podem jogá-los à vontade. Monitores presentes no local ajudam com explicações sobre como jogar e indicam jogos de acordo com o perfil dos participantes. O ambiente é decorado e conta com música.

Inclusão

A psicóloga Andreia Lima, 42 anos, levou os filho Arthur, 10 anos, e os amigos para jogarem.

“É muito importante trazer eles para jogar, ainda mais porque eles moram em apartamento e não têm local onde podem brincar. Ficar o dia inteiro de olho no computador e vídeo game não é tão saudável. Acho importante esse momento até para socializar com outras crianças”.

Arthur, que estava vencendo a partida, estava empolgado: “Eu estou achando incrível o evento. Estou amando esse jogo, que recomendaram pra gente que, aliás, estou na frente”.

A algumas mesas de distância, estavam duas veteranas, que acompanham o SeJoga desde o início. Ana Montenegro, aposentada, 65 anos, e a filha, Flávia Montenegro, 37 anos professora. A filha convidou a mãe para jogar e nunca mais deixaram de comparecer aos eventos.

Rio de Janeiro (RJ), 11/11/2023 - Ana Montenegro e sua filha Flavia Montenegro participam do encontro. O SeJoga, grupo LGBTQIA+ periférico, promove encontro de acolhimento com jogos de tabuleiro, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 Ana Montenegro e sua filha Flavia Montenegro participam do encontro- Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Não é só pelo divertimento, não é só por me sentir acolhida e querida ente eles todos, mas poque isso faz muito bem para minha cabeça, ativa as coisas. Já estou com 65 anos, sabe?”, diz a mãe, que acrescenta: “Tem muito preconceito com idoso e aqui eu sempre me senti respeitada e querida. Sabe quando você percebe que as pessoas te aceitam?”

“Fora as amizades que a gente faz. No primeiro SeJoga que levei ela, a gente começou a jogar, estava terminando de montar o jogo, quando um dos monitores colocou duas pessoas na nossa mesa. É um casal que até hoje é amigo nosso, de passar o Natal junto”, acrescenta a filha.

Um sonho realizado

Para a mãe de Bemfeito, Katia Regina Garcia, é emocionante ver o sonho do filho realizado. Ela, que é fonoaudióloga e psicopedagoga, faz parte da equipe do projeto, oferecendo uma espécie de mentoria para as crianças, adaptando jogos para aqueles que têm alguma necessidade especial. “Eles dizem que eu sou a mãe do SeJoga, eu acolho todos eles. Eu olho as pessoas, é o que eu vejo, independente de qualquer coisa, de orientação sexual, isso não é nada. São pessoas que estão junto comigo”.

io de Janeiro (RJ), 11/11/2023 - Elson Bemfeito, sua mãe, Katia Regina Garcia e Dan Paskin, criadores do SeJoga, grupo LGBTQIA+ periférico, em  encontro de acolhimento com jogos de tabuleiro, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Elson Bemfeito, sua mãe, Katia Regina Garcia e Dan Paskin, criadores do SeJoga- Tânia Rêgo/Agência Brasil

Trabalhar no SeJoga também mudou a vida de Aruã Chavarry, que é professor e um dos monitores do projeto. Ele tem fobia social e sempre achou muito difícil se comunicar. Foi no projeto que encontrou espaço para ser quem é. Se fosse anos atras eu não estaria aqui e não estaria falando com ninguém. Eu ainda tenho dificuldade, mas já está bem melhor”, diz.

Chavarry já foi aos eventos de salto alto e mesmo fantasiado de bruxa. “Já fiz várias coisas que eu acho que não poderia fazer em outro evento qualquer por causa de medo. Aqui eu posso fazer o que quiser que sei que vou estar bem protegido”.

No Instagram do SeJoga é possível acompanhar a programação dos próximos encontros.






Fonte: Agência Brasil

Cultura hip-hop ganha espaço como importante setor cultural do Brasil


Da transição da arte marginal para um concorrido espaço no mercado criativo. A cultura hip-hop cresce e se consolida como um importante setor cultural no país. No ano que se comemora 40 anos do movimento no Brasil, unindo os elementos do breake (a dança), DJ (a música), MC (rima e poesia) e o grafite (a arte visual), o hip-hop busca espaço no mercado e nas políticas públicas.

Durante o 3º Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR), evento que ocorre até este domingo em Belém, no Pará, o hip-hop conquistou um espaço relevante, sendo incluído como setor criativo específico, junto com outros 15 segmentos, como teatro, dança, música, audiovisual e o circo, por exemplo.

O DJ Raffa Santoro, pioneiro do hip-hop no Distrito Federal, produz artistas em diversos estados do país. No MICBR ele busca vender seus serviços de produção musical e também promover artistas do seu selo musical. Para ele, o movimento ainda está engatinhando no mercado.

“Infelizmente (o hip-hop) ainda é marginalizado, ainda tem muita marginalização em cima do tipo de arte que a gente faz. Mas todas essas coisas que estão acontecendo aqui (MICBR), por exemplo, de você estar nessas reuniões de negócios, só mostra que o hip-hop está começando a estar em outro patamar, sendo valorizado de uma outra maneira, com as empresas apostando, vários festivais. Estamos começando a engatinhar e melhorar essa situação de deixar de ser marginalizados, mas o caminho ainda é uma longa estrada”, relata DJ Raffa.

A consultora de negócios do MICBR, Udi Santos, de Salvador, afirma que a cultura hip-hop tem uma identidade própria, uma multilinguagem, que permite uma valorização do segmento.

“Estamos começando a virar a chave, entendendo como se funciona dentro da indústria criativa. Porque a gente já faz isso muito bem de forma separada. Você vê o grafite dentro das artes visuais, nós temos, por exemplo, hoje, o break nas olimpíadas, a gente vê os rappers fazendo maiores sucessos, os DJs também. Todos esses elementos, que o público vê de forma separada, eles fazem parte dessa cultura. Então a gente consegue estar dentro dessa economia criativa e vender mesmo a nossa arte quanto produto”, propõe Udi.

O produtor cultural e MC Subversivo esteve no evento buscando parcerias para o projeto Crianças do Gueto, voltado a formação na cultura hip-hop na periferia de Manaus (AM). Para ele, o mercado é bastante focado na região sudeste, o que acaba dando pouca divulgação para artistas do Norte do país.

“Mas também falta o incentivo à cultura, do próprio governo do meu estado, temos algumas movimentações culturais para pleitear editais e fomento para que a gente possa ter captação de recursos para o movimentando. Tanto de quem está começando agora quanto os mais experientes têm uma certa dificuldade. Temos uma certa dificuldade de ser Mc Norte e tentar expandir o trabalho, mas seguimos aí nessa caminhada”, afirma Subversivo.

Intercâmbio

Presente no MICBR, esteve também o produtor John Rodrigues, que organiza o maior festival latino-americano dessa cultura, o Hip-Hop al Park da Colômbia. Ele destaca importância do movimento, que além de ser uma ferramenta de transformação social pela paz no país, hoje tem uma grande aceitação no país. Rodrigues defende um intercâmbio entre artistas brasileiros para o crescimento do mercado.

“Estamos estabelecendo relações para poder gerar intercâmbios entre o hip-hop do Brasil e o hip-hop da Colômbia. Nosso festival é o mais importante da América Latina. É um festival para 150 mil pessoas, onde temos convidados dos Estados Unidos México, Chile, Venezuela, mas temos tido muito pouca participação de Brasil. Então queremos mostrar a importância deste público, mostrar que o hip-hop é global”, afirma.

O argentino Pablo Vergara, produtor musical da Milo Records, diz que o hip-hop também passa por um momento de crescimento no seu país, com grande fomento também por políticas públicas. Apesar da barreira da linguagem, ele também busca realizar encontro entre artistas para superar essas barreiras.

“Vim buscar fazer a conexão com artistas daqui para poder misturar a cultura da Argentina com a cultura do Brasil. Estou ouvindo a música (hip-hop) feita aqui, com raízes do Brasil, para poder então fazer essa relação, trazer artistas da Argentina para cá e brasileiros para lá”, diz Pablo.

Edital

O Ministério da Cultura lançou, em outubro, um edital específico para premiar 325 iniciativas da cultura hip-hop. O Prêmio Cultura Viva – Construção Nacional do Hip-Hop vai apoiar pessoas físicas, grupos ou coletivos e instituições sem fins lucrativos em um total de 6 milhões de reais. As inscrições são até 11 de dezembro.

*O repórter viajou a convite do MinC




Fonte: Agência Brasil

Carolina de Jesus deve receber novo memorial, diz filha da escritora


A escritora Carolina Maria de Jesus deverá receber um novo memorial no município de Sacramento, Minas Gerais, onde nasceu. Segundo a filha da autora, Vera Eunice, o projeto deve ser anunciado nas próximas semanas, com apoio do Ministério da Cultura. Carolina de Jesus, célebre pelo livro Quarto de Despejo, que retrata o cotidiano em uma favela na zona norte paulistana, deixou a cidade mineira aos 23 anos, em 1937.

Para Vera Eunice, o novo espaço poderá acolher melhor o acervo da escritora, já que o local que abriga atualmente parte dos manuscritos de Carolina não tem condições adequadas para preservar o material e permitir o acesso ao público. “A gente já está lutando faz muitos anos pra poder tirar a Carolina da prisão. Ela está na prisão? Eles falam que é um arquivo, mas está na prisão”, ironiza Vera, sobre o prédio onde atualmente está o acervo, que é uma antiga cadeia.

Vera destaca a importância de reunir todo o acervo da autora, como fotos e manuscritos, que estão, como herança, com as famílias de pessoas que participaram de processos de edição e publicação. “Eu não quero nada para mim. Eu quero para o brasileiro, para o indígena, para as meninas detentas com problemas psiquiátricos lá em Franco da Rocha [Grande São Paulo]. Eu quero para as mães solo, para as negras. Eu quero para os brancos. Eu quero para os estrangeiros”, enfatizou, ao defender a disponibilidade do material ao público.

Uma parte do material está no Museu Afro Brasil, na capital paulista, onde, na avaliação de Vera, está bem conservado. “Está do mesmo jeito que eu cedi. Também aqui é um lugar muito importante, que também poderia ficar. O que eu não quero é que fique em gavetas, nem em guarda-roupa, nem na minha casa”, acrescenta a respeito dos originais.

Trajetória

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) era moradora da favela do Canindé, zona norte de São Paulo. Trabalhava como catadora e registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no lixo, sendo que deixou manuscritos anotados também em papel de pão.

Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960, teve três edições, com um total de 100 mil exemplares vendidos, tradução para 13 idiomas e vendas em mais de 40 países. Carolina de Jesus publicou ainda o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios, ambos em 1963.

Feira Literária

Vera Eunice foi a palestrante da primeira mesa da I Feira Literária Afro-Brasileira Carolina Maria de Jesus, do Museu Afro Brasil. O evento ocorre na sede da instituição cultural, no Parque Ibirapuera, zona sul paulistana neste sábado (11) e domingo (12).

Também estão na programação o poeta e dramaturgo Cuti, o escritor Oswaldo de Camargo, a escritora Esmeralda Ribeiro e os quadrinistas May Solimar e Marcelo D’Salete.

Estão presentes com seus catálogos diversas editoras independentes, como a Aziza, Editora Feminas o selo Dandaras, a Livraria Africanidades, a editora Malê, a Quilombhoje e o Selo Elo da Corrente.

Há ainda contação de histórias e discotecagem na área externa do museu.




Fonte: Agência Brasil

Onda de calor atinge sete estados no fim de semana 


Sete estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste do país entraram no fim de semana em alerta máximo pela onda de calor, com temperaturas que podem chegar aos 44 Cº, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).  

O órgão emitiu ontem (10) o alerta de “grande perigo” de incêndios florestais, o que significa que as temperaturas ficam acima da média para o período por ao menos cinco dias. Ao todo, 1.138 municípios devem ser castigados por altas temperaturas

A onda de calor vem acompanhada também de alertas laranja (“perigo”) e amarelo (“perigo potencial”) de baixa humidade para 15 estados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e interior do Sudeste e Nordeste. Nessas regiões, a umidade relativa do ar pode chegar a 12%.

Para o Sul, o alerta é para as tempestades que atingem a região trazidas por uma frente fria, com chuvas intensas e ventos de até 100km/h. Também há possibilidade de queda de granizo e risco de cortes no fornecimento de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.

Perigos e cuidados

Para evitar casos de insolação e desidratação, em razão das temperaturas elevadas e da baixa umidade do ar, os cuidados devem ser redobrados.

Nos dois casos, os sintomas são parecidos: dores de cabeça, tontura, náusea, pele quente e seca, câimbras, pulso rápido, temperatura elevada, distúrbios visuais e confusão mental. Ao apresentar esses sinais, a pessoa deve solicitar ajuda, tentar refrescar o corpo em local protegido do sol e, se possível, colocar os pés para o alto.

Nesses dias de calor extremo, especialistas aconselham ingerir bastante líquido; comer frutas, legumes e vegetais; usar soro para hidratar nariz e olhos; utilizar protetor solar e vestir roupas leves, além de manter os ambientes ventilados.

Idosos

Os cuidados devem ser redobrados com os idosos, mais vulneráveis à desidratação nas altas temperaturas. Neles, o calor extremo pode provocar sintomas que vão desde confusão mental, agitação, prostração, tonturas e quedas, até efeitos na pele, como maior flacidez ou aparência ressecada, e nas mucosas, que também ressecam e podem ficar descoradas.

Para esses casos, a indicação é a de procurar atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) ou Unidades Básicas de Saúde (UBSs), para passar por avaliação médica que decidirá se a hidratação deve ser intravenosa ou pode ser feita em casa.




Fonte: Agência Brasil

Onda de calor atinge seis estados e DF no fim de semana 


Sete estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste do país entraram no fim de semana em alerta máximo pela onda de calor, com temperaturas que podem chegar aos 44 Cº, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).  

O órgão emitiu ontem (10) o alerta de “grande perigo” de incêndios florestais, o que significa que as temperaturas ficam acima da média para o período por ao menos cinco dias. Ao todo, 1.138 municípios devem ser castigados por altas temperaturas

A onda de calor vem acompanhada também de alertas laranja (“perigo”) e amarelo (“perigo potencial”) de baixa humidade para 15 estados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e interior do Sudeste e Nordeste. Nessas regiões, a umidade relativa do ar pode chegar a 12%.

Para o Sul, o alerta é para as tempestades que atingem a região trazidas por uma frente fria, com chuvas intensas e ventos de até 100km/h. Também há possibilidade de queda de granizo e risco de cortes no fornecimento de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos.

Perigos e cuidados

Para evitar casos de insolação e desidratação, em razão das temperaturas elevadas e da baixa umidade do ar, os cuidados devem ser redobrados.

Nos dois casos, os sintomas são parecidos: dores de cabeça, tontura, náusea, pele quente e seca, câimbras, pulso rápido, temperatura elevada, distúrbios visuais e confusão mental. Ao apresentar esses sinais, a pessoa deve solicitar ajuda, tentar refrescar o corpo em local protegido do sol e, se possível, colocar os pés para o alto.

Nesses dias de calor extremo, especialistas aconselham ingerir bastante líquido; comer frutas, legumes e vegetais; usar soro para hidratar nariz e olhos; utilizar protetor solar e vestir roupas leves, além de manter os ambientes ventilados.

Idosos

Os cuidados devem ser redobrados com os idosos, mais vulneráveis à desidratação nas altas temperaturas. Neles, o calor extremo pode provocar sintomas que vão desde confusão mental, agitação, prostração, tonturas e quedas, até efeitos na pele, como maior flacidez ou aparência ressecada, e nas mucosas, que também ressecam e podem ficar descoradas.

Para esses casos, a indicação é a de procurar atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) ou Unidades Básicas de Saúde (UBSs), para passar por avaliação médica que decidirá se a hidratação deve ser intravenosa ou pode ser feita em casa.




Fonte: Agência Brasil