Acusado de matar cinegrafista é condenado, no Rio, a 12 anos


O 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou, nesta quarta-feira (13), o artesão Caio Silva de Souza a 12 anos de prisão em regime inicialmente fechado. Ele é um dos acusados de matar o  cinegrafista Santiago Andrade durante uma manifestação (foto), na Central do Brasil, no Rio, em 2014.

Caio havia sido acusado pelo crime de homicídio doloso qualificado por emprego de explosivo, mas os jurados concluíram que não existiu o dolo eventual em matar a vítima. Isso levou à desclassificação do crime e a competência para julgar o réu passou a ser da juíza Tula Correa de Mello, que o condenou pelo crime de lesão corporal seguida de morte.

Segundo a Justiça, Caio poderá recorrer em liberdade. A sessão de julgamento começou na tarde de terça-feira (12) e durou quase 12 horas, terminando na madrugada de hoje.

Na mesma sessão, o outro acusado de matar Santiago, o tatuador Fábio Raposo Barbosa, foi absolvido.

Culpa

Em seu depoimento, Caio disse que carrega a culpa de ter matado um trabalhador, mas que não sabia, inicialmente, que havia cometido o crime. Segundo ele, Fábio se aproximou dele e pediu um isqueiro. Caio teria, então, acendido o rojão, sem saber que se tratava desse tipo de artefato.

Na versão de Caio, ele imaginou que se tratava de um fogo de artifício que liberava uma explosão de cores e não um rojão. O acusado disse que, depois de acender o artefato e colocá-lo no chão, deixou o local, sem saber que tinha atingido Santiago.

Já Fábio contou que, durante a manifestação, viu um objeto no chão e pegou, por curiosidade, sem saber que era um rojão. Na versão dele, Caio pediu insistentemente pelo artefato e Fábio o entregou.

No depoimento, Fábio disse que saiu do local logo em seguida, com os olhos irritados pelo gás lançado pelos policiais, por isso não viu quando Caio acendeu o artefato. Além dos réus, prestaram depoimentos três testemunhas de acusação e duas de defesa.




Fonte: Agência Brasil

Poetisa Adélia Prado faz 88 anos e se prepara para lançar livro


Considerada a maior poetisa viva do Brasil e uma das escritoras mais importantes da literatura nacional, a mineira Adélia Prado completa 88 anos nesta quarta-feira (13). E é escrevendo que ela celebra seu aniversário. Após um período que apelidou de “deserto criativo” – e que surgiu após o lançamento de seu último livro, Miserere, de 2013 – a poeta voltou a escrever e se dedica a uma nova obra, com título provisório de O Jardim das Oliveiras, ainda sem data de lançamento.

O aniversário começou a ser celebrado no último sábado (9), quando Adélia foi homenageada com um encontro literário promovido pela Fundação Maria Luísa e Oscar Americano, em São Paulo. O encontro apresentou um panorama profundo sobre a vida e a obra da autora. “Sua fortuna crítica não pára de crescer, quase ultrapassou uma centena de teses universitárias, ganhou os palcos e rompeu as fronteiras da língua”, disse Augusto Massi, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e um dos conferencistas do evento.

Múltipla, como sua poesia, Adélia Prado é professora, contista, poeta, escritora e filósofa. E é com sua obra que ela vai vencendo o tempo, tornando-se eterna, assim como ela mesma descreveu em seu poema A Esfinge. “Não quero contar histórias, porque história é excremento do tempo. Queria dizer-lhes é que somos eternos, eu, Ofélia e os manacás”.

Nascida em 1935 na cidade mineira de Divinópolis, foi ainda menina que se encontrou com as palavras e começou a escrever os primeiros versos. Mas foi só aos 40 anos de idade, já casada e com cinco filhos, que passou a se dedicar à carreira de escritora, com aprovação do também poeta Carlos Drummond de Andrade. Aliás, foi ele que enviou os primeiros escritos de Adélia para publicação na Editora Imago, sob o nome de Bagagem, sua coletânea de poesias mais celebrada e reeditada.

“A gente sempre viu, desde criança, o interesse dela [pela escrita]. A casa tinha esse ar, essa atmosfera de livros, de pintores, de música. Eu sabia que ela escrevia. E ela lia para a gente”, contou a diretora e atriz Ana Prado, filha caçula de Adélia.

“Naquela época eu tinha uns dez anos e, para mim, era tudo muito incrível e divertido. E a felicidade com que ela ficou ao receber a primeira carta do Drummond elogiando seu primeiro livro, a alegria dela foi como se um sol se abrisse dentro de casa”, recordou Ana em entrevista à Agência Brasil.

Depois da publicação de Bagagem, vieram outros como O Coração Disparado [vencedor do prêmio Jabuti em 1978], O Pelicano e Vida Doida. Também surgiram livros em prosa e infantil e, em consequência, muitos prêmios e homenagens. Em 2020, por exemplo, Adélia Prado foi homenageada com o Prêmio Jabuti. Prêmios que, muitas vezes, recebia e colocava no banheiro. “Ela tinha uma capacidade de compreensão de seu próprio limite. Quando começou a ganhar alguns prêmios, sempre os colocava dentro do banheiro, dizendo: ‘isso é só para a gente dar uma lembrada da dimensão’. Eu rio muito, mas essa é uma volta para o limite, para a pequenez de tudo”.

“Na condição de filha, tenho um orgulho gigantesco e o privilégio de acompanhar, de pertinho, essa trajetória. Acho que talvez ela seja a pessoa mais coerente que conheço, que tentou aliar todo o seu processo criativo a uma vida particular. A beleza que conseguiu perceber no mundo, de maneira tão peculiar, ela levou também para a nossa família”, destacou Ana.

Vanguardista

Conhecida principalmente por falar sobre sexo, religião e morte – temas que formam o tripé de sua obra, segundo suas próprias palavras – Adélia presenteou a literatura com poemas sobre o cotidiano e a condição da mulher. “Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, essa espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir”, são os versos que escreveu em Com licença poética, poesia que ilustra seu primeiro livro.

Foi escrevendo sobre mulheres comuns que Adélia Prado se colocou na vanguarda da cultura brasileira. “Ela é uma mulher, do interior, dona de casa, religiosa. Mas, desde muito cedo, se envolveu politicamente, inclusive na vida da cidade. Trabalhou por um tempo na Secretaria de Cultura da cidade. Na época da ditadura, se envolveu em greves. E essa é uma história que pouca gente sabe ou não chega ao interesse das pessoas. Mas a gente sempre viu a movimentação dela nessa direção. Ela fala sobre feminismo e, às vezes, é muito mal interpretada. Mas acho que sempre foi à frente do seu tempo: teve um casamento completamente fora do padrão, ainda que tenha se casado com um homem do interior e de família tradicional. Ela teve um casamento muito livre, tendo liberdade para exercer sua profissão. Em vários aspectos, viveu as pautas do feminismo e as pautas políticas em que sempre acreditou: só não era e nunca foi uma ativista”, disse Ana.

“Mas a vida dela sempre foi de posicionamentos firmes. Tenho muito orgulho disso e acho que ela foi muito valente, muito brava e muito corajosa, inclusive para não assumir determinadas posições de um ativismo que ela achava que poderia resultar em alguma coisa em que não acreditasse”, completou.

Esse estar sempre à frente do seu tempo a transformou também em um fenômeno pop, algo incomum para escritores, principalmente de poesia. “É muito difícil mesmo você encontrar esse tipo de leitor [de poesias], mas diante de toda essa dificuldade, ela conseguiu atravessar vários portais de dificuldades e fez esse sucesso pop. As pessoas vão a uma palestra dela como quem vai ver um ídolo pop. Acho que foi muito importante ela atravessar essas barreiras e fazer a poesia entrar em lugares que eram ainda muito escuros. Ela iluminou vários nichos que antes não tinham acesso a esse tipo de literatura”, lembrou a filha.

Deserto criativo

Como poeta que reflete sobre o cotidiano, Adélia escreve não só sobre o sexo e o amor, mas também sobre a dor. Em 2014, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ela falou sobre o sofrimento. “Não há uma pessoa que passe a vida sem sofrer. Acho o sofrimento importantíssimo porque ele é condição de consciência, de mais consciência. Uma pessoa que não sofre é um fenômeno e precisa ser observada”, disse ela, na ocasião. “Acho que uma das coisas mais importantes na vida de alguém é encarar o sofrimento”, completou.

Um desses sofrimentos chegou a ela logo após escrever Miserere. Nesse período, enfrentou o que chama de “deserto criativo” e que só foi vencido recentemente, quase dez anos depois, quando começou a escrever seu novo livro. “Ela falou que estava atravessando o deserto. E não há dor maior do que essa, de perder o acesso à poesia”, contou a filha.

Após atravessar essa aridez, a ideia para o novo livro acabou surgindo de forma inesperada. “Ela estava se questionando: ‘meu Deus, será que encerrou [não vou mais escrever?]. Mas, num movimento em casa, acabou achando em gavetas textos muito antigos, coisas que ela escreveu aos 20, 30 anos. E alguns poemas também. Achamos um tesouro. E foi um gatilho incrível porque ela disse; ‘meu Deus, eu estava vivendo exatamente aos 20 anos o drama que estou vivendo aos 80’. E isso foi um tiro para o livro que começou a escrever. Ela está mais frágil de saúde, com dificuldades de ordem física, mas nesse processo incrível [de escrita] do novo livro”, comentou Ana.

Se a saúde está mais frágil, não se pode dizer o mesmo sobre a disposição de Adélia. Ao mesmo tempo em que escreve sua nova obra, a poeta se dedica a uma nova forma para se comunicar com seu público: as redes sociais. Nos últimos meses, surgiu a ideia de criar uma página para que ela pudesse recitar seus poemas. A rede social é abastecida de acordo com o tempo da escritora. “As pílulas vão ser no tempo dela porque passa tudo por sua aprovação. Não tem aquele ritmo acelerado, mas é uma página que está muito bonita e é um espaço que a deixou muito feliz, um canto em que vai poder falar poesia ou sobre poesia”.

Para os muitos fãs de Adélia Prado e que querem matar a saudade de ouvi-la falar sobre poesia ou recitá-las, a poeta está agora no Instagram sob o nome @euadeliaprado.




Fonte: Agência Brasil

Poetisa Adélia Prado faz 88 anos e se prepara para lançar novo livro


Considerada a maior poetisa viva do Brasil e uma das escritoras mais importantes da literatura nacional, a mineira Adélia Prado completa 88 anos nesta quarta-feira (13). E é escrevendo que ela celebra seu aniversário. Após um período que apelidou de “deserto criativo” – e que surgiu após o lançamento de seu último livro, Miserere, de 2013 – a poeta voltou a escrever e se dedica a uma nova obra, com título provisório de O Jardim das Oliveiras, ainda sem data de lançamento.

O aniversário começou a ser celebrado no último sábado (9), quando Adélia foi homenageada com um encontro literário promovido pela Fundação Maria Luísa e Oscar Americano, em São Paulo. O encontro apresentou um panorama profundo sobre a vida e a obra da autora. “Sua fortuna crítica não pára de crescer, quase ultrapassou uma centena de teses universitárias, ganhou os palcos e rompeu as fronteiras da língua”, disse Augusto Massi, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e um dos conferencistas do evento.

Múltipla, como sua poesia, Adélia Prado é professora, contista, poeta, escritora e filósofa. E é com sua obra que ela vai vencendo o tempo, tornando-se eterna, assim como ela mesma descreveu em seu poema A Esfinge. “Não quero contar histórias, porque história é excremento do tempo. Queria dizer-lhes é que somos eternos, eu, Ofélia e os manacás”.

Nascida em 1935 na cidade mineira de Divinópolis, foi ainda menina que se encontrou com as palavras e começou a escrever os primeiros versos. Mas foi só aos 40 anos de idade, já casada e com cinco filhos, que passou a se dedicar à carreira de escritora, com aprovação do também poeta Carlos Drummond de Andrade. Aliás, foi ele que enviou os primeiros escritos de Adélia para publicação na Editora Imago, sob o nome de Bagagem, sua coletânea de poesias mais celebrada e reeditada.

“A gente sempre viu, desde criança, o interesse dela [pela escrita]. A casa tinha esse ar, essa atmosfera de livros, de pintores, de música. Eu sabia que ela escrevia. E ela lia para a gente”, contou a diretora e atriz Ana Prado, filha caçula de Adélia.

“Naquela época eu tinha uns dez anos e, para mim, era tudo muito incrível e divertido. E a felicidade com que ela ficou ao receber a primeira carta do Drummond elogiando seu primeiro livro, a alegria dela foi como se um sol se abrisse dentro de casa”, recordou Ana em entrevista à Agência Brasil.

Depois da publicação de Bagagem, vieram outros como O Coração Disparado [vencedor do prêmio Jabuti em 1978], O Pelicano e Vida Doida. Também surgiram livros em prosa e infantil e, em consequência, muitos prêmios e homenagens. Em 2020, por exemplo, Adélia Prado foi homenageada com o Prêmio Jabuti. Prêmios que, muitas vezes, recebia e colocava no banheiro. “Ela tinha uma capacidade de compreensão de seu próprio limite. Quando começou a ganhar alguns prêmios, sempre os colocava dentro do banheiro, dizendo: ‘isso é só para a gente dar uma lembrada da dimensão’. Eu rio muito, mas essa é uma volta para o limite, para a pequenez de tudo”.

“Na condição de filha, tenho um orgulho gigantesco e o privilégio de acompanhar, de pertinho, essa trajetória. Acho que talvez ela seja a pessoa mais coerente que conheço, que tentou aliar todo o seu processo criativo a uma vida particular. A beleza que conseguiu perceber no mundo, de maneira tão peculiar, ela levou também para a nossa família”, destacou Ana.

Vanguardista

Conhecida principalmente por falar sobre sexo, religião e morte – temas que formam o tripé de sua obra, segundo suas próprias palavras – Adélia presenteou a literatura com poemas sobre o cotidiano e a condição da mulher. “Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, essa espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir”, são os versos que escreveu em Com licença poética, poesia que ilustra seu primeiro livro.

Foi escrevendo sobre mulheres comuns que Adélia Prado se colocou na vanguarda da cultura brasileira. “Ela é uma mulher, do interior, dona de casa, religiosa. Mas, desde muito cedo, se envolveu politicamente, inclusive na vida da cidade. Trabalhou por um tempo na Secretaria de Cultura da cidade. Na época da ditadura, se envolveu em greves. E essa é uma história que pouca gente sabe ou não chega ao interesse das pessoas. Mas a gente sempre viu a movimentação dela nessa direção. Ela fala sobre feminismo e, às vezes, é muito mal interpretada. Mas acho que sempre foi à frente do seu tempo: teve um casamento completamente fora do padrão, ainda que tenha se casado com um homem do interior e de família tradicional. Ela teve um casamento muito livre, tendo liberdade para exercer sua profissão. Em vários aspectos, viveu as pautas do feminismo e as pautas políticas em que sempre acreditou: só não era e nunca foi uma ativista”, disse Ana.

“Mas a vida dela sempre foi de posicionamentos firmes. Tenho muito orgulho disso e acho que ela foi muito valente, muito brava e muito corajosa, inclusive para não assumir determinadas posições de um ativismo que ela achava que poderia resultar em alguma coisa em que não acreditasse”, completou.

Esse estar sempre à frente do seu tempo a transformou também em um fenômeno pop, algo incomum para escritores, principalmente de poesia. “É muito difícil mesmo você encontrar esse tipo de leitor [de poesias], mas diante de toda essa dificuldade, ela conseguiu atravessar vários portais de dificuldades e fez esse sucesso pop. As pessoas vão a uma palestra dela como quem vai ver um ídolo pop. Acho que foi muito importante ela atravessar essas barreiras e fazer a poesia entrar em lugares que eram ainda muito escuros. Ela iluminou vários nichos que antes não tinham acesso a esse tipo de literatura”, lembrou a filha.

Deserto criativo

Como poeta que reflete sobre o cotidiano, Adélia escreve não só sobre o sexo e o amor, mas também sobre a dor. Em 2014, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, ela falou sobre o sofrimento. “Não há uma pessoa que passe a vida sem sofrer. Acho o sofrimento importantíssimo porque ele é condição de consciência, de mais consciência. Uma pessoa que não sofre é um fenômeno e precisa ser observada”, disse ela, na ocasião. “Acho que uma das coisas mais importantes na vida de alguém é encarar o sofrimento”, completou.

Um desses sofrimentos chegou a ela logo após escrever Miserere. Nesse período, enfrentou o que chama de “deserto criativo” e que só foi vencido recentemente, quase dez anos depois, quando começou a escrever seu novo livro. “Ela falou que estava atravessando o deserto. E não há dor maior do que essa, de perder o acesso à poesia”, contou a filha.

Após atravessar essa aridez, a ideia para o novo livro acabou surgindo de forma inesperada. “Ela estava se questionando: ‘meu Deus, será que encerrou [não vou mais escrever?]. Mas, num movimento em casa, acabou achando em gavetas textos muito antigos, coisas que ela escreveu aos 20, 30 anos. E alguns poemas também. Achamos um tesouro. E foi um gatilho incrível porque ela disse; ‘meu Deus, eu estava vivendo exatamente aos 20 anos o drama que estou vivendo aos 80’. E isso foi um tiro para o livro que começou a escrever. Ela está mais frágil de saúde, com dificuldades de ordem física, mas nesse processo incrível [de escrita] do novo livro”, comentou Ana.

Se a saúde está mais frágil, não se pode dizer o mesmo sobre a disposição de Adélia. Ao mesmo tempo em que escreve sua nova obra, a poeta se dedica a uma nova forma para se comunicar com seu público: as redes sociais. Nos últimos meses, surgiu a ideia de criar uma página para que ela pudesse recitar seus poemas. A rede social é abastecida de acordo com o tempo da escritora. “As pílulas vão ser no tempo dela porque passa tudo por sua aprovação. Não tem aquele ritmo acelerado, mas é uma página que está muito bonita e é um espaço que a deixou muito feliz, um canto em que vai poder falar poesia ou sobre poesia”.

Para os muitos fãs de Adélia Prado e que querem matar a saudade de ouvi-la falar sobre poesia ou recitá-las, a poeta está agora no Instagram sob o nome @euadeliaprado.




Fonte: Agência Brasil

Festival reúne pensamento e estética de 300 povos indígenas


O primeiro Festival Brasil É Terra Indígena começa nesta quarta-feira (13) em um complexo cultural montado na esplanada do Museu Nacional da República, região central da capital federal.

Com entrada franca, o evento, que vai até quinta-feira (14), pretende mostrar a diversidade de pensamento e estética dos mais de 300 povos indígenas do Brasil. Um dos destaques é a Feira de Arte dos Povos Indígenas, que reúne trabalhos de cerca de 80 artistas dos seis biomas do território brasileiro.

A Feira de Arte dos Povos Indígenas, aberta nos dois dias de festival, funcionará das 9h às 20h. Entre as etnias presentes estarão os povos Yanomami, Macuxi, Terena, Baré, Ashaninka, Kadiwéu, Guarani, Guajajara, Tremembé, Wauja e Mehinaku.

“A ideia é retratar a diversidade de belezas da arte ligada à ancestralidade e apresentar a riqueza dos saberes de convivência e proteção desses biomas, porque a relação da arte indígena está muito conectada ao bioma, na relação que se estabelece ao viver completamente integrado na sabedoria da relação com a natureza”, disse o curador da mostra, arquiteto Marcelo Rosenbaum.

Em paralelo, ocorrerão debates e rodas de conversa no Espaço Tecnologia e Ancestralidade, montado no auditório do museu. Ao todo, 35 palestrantes falarão sobre temas como comunicação indígena e suas narrativas, economia ancestral e criativa, com moda e música, e crise climática.

Música

O festival inclui ainda uma programação de shows com artistas indígenas, com nomes como Djuena Tikuna, Kaê Guajajara, Siba Puri, DJ Rapha Anacé, Tainara Takua, Gean Pankararu, Heloisa Araújo Tukue, Brisa Flow, DJ Eric Terena, MC Anarandá, Katú Mirim, Edvan Fulni-ô, Suraras do Tapajós, LaManxi, Brô MC’s e Grandão Vaqueiro.

Outros artistas consagrados da cena musical brasileira, como Lenine, Gaby Amarantos e Felipe Cordeiro participam como convidados dos músicos indígenas. Os Bro Mc’s convidam o rapper Xamã ao palco. Gaby Amarantos e Felipe Cordeiro são os convidados do show das Suraras do Tapajós. Gean Pankararu leva para a sua apresentação o cantor Lenine. Já Mariene de Castro participa do show da cantora Djuena Tikuna.

Organizado pela rede Mídia Indígena, o festival tem patrocínio do Instituto Cultural Vale, articulação do Centro Cultural Vale Maranhão e apoio dos ministérios da Cultura e  dos Povos Indígenas.




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 7 milhões


Ninguém acertou as seis dezenas no concurso 2.667 da Mega-Sena, sorteadas nesta terça-feira (12) em São Paulo.

As dezenas sorteadas foram 01 – 04 – 08 – 21 – 46 – 51.

O prêmio ficou acumulado, estimado em R$ 7 milhões para o próximo sorteio na quinta-feira (14).

A quina teve 65 ganhadores, que receberão, cada um, R$ 23.963,56. Acertaram a quadra 2.005 apostadores, que receberão o prêmio individual de R$ 1.109,81.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) do dia do sorteio, em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal.




Fonte: Agência Brasil

União pedirá ressarcimento dos gastos com tragédia em Maceió


Uma equipe da Advocacia-Geral da União (AGU) está em Maceió para discutir com representantes dos poderes estaduais e de instituições as medidas reparatórias à sociedade e ao meio ambiente por parte da empresa Braskem, em virtude do afundamento do solo pela exploração de sal-gema. Segundo a AGU, além das medidas já adotadas pelas instituições envolvidas, a União tomará as providências necessárias para reparação aos danos causados ao seu patrimônio e buscará ressarcimento dos valores já gastos em resposta à tragédia.

Nesta terça-feira (12), a reunião foi com representantes do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e da Defensoria Pública da União (DPU). No encontro, os órgãos apresentaram um detalhamento das cláusulas dos acordos que já foram celebrados com a Braskem desde 2019.

Segundo a AGU, o objetivo neste primeiro momento é compreender todas as medidas já adotadas pelo Poder Público e colaborar com as instituições locais para ampliar a reparação socioambiental e econômica dos atingidos. “Queremos entender os acordos já firmados e, a partir dessa realidade, colaborar para que se tenha uma reparação efetiva e integral dos danos”, explicou o adjunto do advogado-geral da União, Junior Fideles.

A equipe da AGU também fez um sobrevoo de helicóptero para reconhecer a área afetada. Nesta quarta-feira (13), estão agendadas reuniões com o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, e com representantes da Defensoria Pública de Alagoas. Na quinta-feira (14), a equipe deve se reunir com o governador de Alagoas, Paulo Dantas.

A visita da equipe da AGU foi acertada após reunião do advogado-geral da União, Jorge Messias, com o governador Paulo Dantas, na semana passada.




Fonte: Agência Brasil

Senado aprova novas embaixadoras para Venezuela e Guiana


O Senado aprovou as indicações de Glivânia Maria de Oliveira para o cargo de embaixadora do Brasil na Venezuela, e de Maria Cristina de Castro Martins, como embaixadora brasileira na Guiana. A aprovação dos nomes será comunicada à Presidência República. 

As diplomatas assumirão os cargos em meio à crise envolvendo a disputa entre Venezuela e Guiana pelo território de Essequibo, que faz fronteira com Norte do Brasil.

Em sabatina na Comissão de Relações Exteriores nesta terça-feira (12), antes da votação no plenário da Casa, a diplomata Glivânia Oliveira disse que irá atuar pela preservação da paz na região.

Gilvânia citou que todas as atenções estão voltadas para a reunião entre os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, no próximo dia 14, quando irão tratar da disputa territorial. O encontro será mediado pela Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a Comunidade do Caribe (Caricom) em São Vicente e Granadinas, no sul do Caribe.

“Nós vimos um cenário que tem momentos de maior tensão, de busca de caminhos. Eu considero que estamos todos muito atentos ao que se desenrolará em São Vicente e Granadinas. Não tenho dúvidas de que os esforços brasileiros em busca da interlocução e da preservação da paz na região estarão no mais alto das nossas prioridades. É muito positivo que se busque caminhar pela Celac”, afirmou a diplomata, atual diretora do Instituto Rio Branco.

A diplomata Maria Cristina de Castro Martins, indicada para a embaixada do Brasil na Guiana, também passou pela sabatina na mesma comissão.

Entenda a disputa

A área de Essequibo é rica em minérios e pedras preciosas, e está sob controle da Guiana desde que o país se tornou independente, em 1966. Antes disso, era dominado pelo Reino Unido, desde meados do século XIX.

Os britânicos apoiavam o próprio direito ao território com base no fato de que, em 1648, os espanhóis cederam toda a área a leste do Orinoco aos holandeses. Parte dessa terra foi posteriormente passada pela Holanda ao Reino Unido.

A Venezuela, por sua vez, afirma que o território pertence a ela, já que era parte do Império Espanhol, havia a presença de religiosos espanhóis na área e, segundo o país, os holandeses nunca ocuparam a região à oeste do Rio Essequibo. A reivindicação existe mesmo antes de o país se tornar independente, ou seja, quando ainda era parte da Grã-Colômbia.

No dia 3 deste mês, venezuelanos aprovaram, em referendo, a transformação do território de Essequibo em um estado da Venezuela. Na quarta-feira (6), Nicolás Maduro determinou a criação de um estado na Guiana e a anexação do território de Essequibo, aumentando as tensões na região.

A Guiana considera o referendo ilegal e afirma que não há dúvidas sobre a validade do Laudo Arbitral de 1899, que estabeleceu a atual fronteira entre os dois países. A decisão é contestada pela Venezuela nas Nações Unidas desde 1962.

*Com informações da Agência Senado.




Fonte: Agência Brasil

Dilma é eleita Mulher Economista 2023


A ex-presidente Dilma Rousseff — atual presidente do Banco dos Brics — foi eleita Mulher Economista 2023 pelo Sistema Cofecon/Corecons, que reúne o Conselho Federal de Economia e os Conselhos Regionais de Economia.

Dilma Rousseff foi escolhida por sua significativa contribuição para o desenvolvimento econômico e social do país ao longo de sua carreira. A decisão foi tomada durante a 729ª Plenária Ordinária do Cofecon, realizada no último sábado (9).

Segundo o conselho, “a premiação marca não apenas a celebração do mérito da economista, mas também destaca a importância de reconhecer e valorizar as mulheres que desempenham papéis relevantes na promoção do desenvolvimento com responsabilidade social”.

“A escolha de Dilma Rousseff como a Mulher Economista de 2023 reflete o reconhecimento do seu legado e expertise no campo econômico, bem como seu papel fundamental na formulação e implementação de políticas que moldaram a trajetória econômica do Brasil”, diz o conselho, em nota.

A solenidade de entrega da premiação ocorrerá no próximo ano, durante a solenidade de posse da nova diretoria do Cofecon. Ainda não há data confirmada.

Confira as vencedoras das edições anteriores:

2022 – Tania Bacelar

2021 – Esther Dweck

2020 – Denise Lobato Gentil




Fonte: Agência Brasil

TSE e Prefeitura do Rio de Janeiro lançam o Museu da Democracia


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, assinaram nesta terça-feira (12), na sede do órgão, em Brasília, documento que cria o Museu da Democracia (Mude), a ser instalado na capital fluminense.

A iniciativa resulta de cooperação entre o TSE e a prefeitura carioca, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. O Mude será um espaço de celebração e reafirmação da importância da democracia para o Brasil. No local, os visitantes poderão conhecer a trajetória da democracia do país até os dias atuais.

O museu funcionará no Centro Cultural da Justiça Eleitoral, na região central da cidade, onde já funcionou a sede do TSE no período de 1946 a 1960, quando foi transferida para Brasília, com a inauguração da nova capital federal.

Eduardo Paes destacou que essa é uma das áreas mais bonitas da cidade, que reúne o centro histórico do Brasil Colônia, do Brasil Império e da República. “O Museu da Democracia certamente é um espaço em que a gente vai poder iluminar algo tão obscuro na história brasileira, mostrar o quão importante é a democracia e o quanto a gente só evolui com ela. A gente cumpre aqui um papel para a cidade, para a República e para a democracia brasileira”, manifestou.

O ministro Alexandre de Moraes disse que o museu visa resgatar a história democrática no país diante dos mais recentes acontecimentos envolvendo ataques à democracia e à Justiça Eleitoral. Para o presidente do TSE, o propósito é “demonstrar que, apesar de todos os percalços que tivemos nos últimos tempos, as instituições são mais fortes e estão preparadas para defender a democracia”.

Segundo Moraes, o importante “é deixar isso para a história, para que as novas gerações, os estudantes e todas as pessoas possam verificar que o Brasil tem uma democracia forte, como [o país] a construiu e como vai, cada vez mais, fortalecê-la”.

Seleção pública

Com o auxílio da Secretaria Municipal de Cultura, o TSE abrirá um chamamento público para selecionar a organização da sociedade civil que ficará responsável pela implementação, operacionalização e gestão especializada do Mude.

O tribunal e a Secretaria Municipal de Cultura deverão designar um servidor efetivo para realizar a interface entre os órgãos e também a supervisão e o acompanhamento da execução do acordo de cooperação técnica, que terá duração de 2 anos, a contar da data de divulgação do extrato no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), podendo ser prorrogável por igual período. A publicação do extrato no PNCP deve ocorrer no prazo de 10 dias úteis, a partir da assinatura do acordo.




Fonte: Agência Brasil

Desfile campeão da Marquês de Sapucaí vira exposição no MAR


Quem não se lembra do desfile “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”, que deu à Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio o título de campeã do carnaval carioca de 2022? Pois o desfile campeão virou a exposição Laroyê, Grande Rio, que ocupará o Museu de Arte do Rio (MAR) a partir das 16h da próxima sexta-feira (15), com show da bateria e diversos segmentos da Grande Rio. A mostra gratuita ficará aberta ao público até o dia 3 de março de 2024, com visitação de quinta-feira a domingo, das 11h às 18h, sendo a última entrada às 17h. Laroyê, Exu é uma expressão usada como saudação à entidade Exu.

A mostra foi produzida pelo coletivo Carnavalize, em parceria com os carnavalescos da agremiação Leonardo Bora e Gabriel Haddad, e tem curadoria de Leonardo Antan, Luise Campos e Thomas Reis, com acompanhamento curatorial de Marcelo Campos, Amanda Bonan e Jean Carlos Azuos, da equipe MAR. Exu é o Orixá da comunicação e da linguagem. Entre outras atribuições, ele atua como mensageiro entre os seres humanos e as divindades. É cultuado no continente africano pelo povo iorubá, bem como em cultos afrodescendentes, como no candomblé baiano e no tambor de mina maranhense, entre outros.

Perenidade

“A tônica da exposição é olhar para esse desfile e entender como ele pensou Exu na sociedade e na arte, de maneira geral. A gente tem o trabalho dos carnavalescos, das peças que fizeram parte do desfile, como esculturas, fantasias, material fotográfico, os croquis, em contato também com obras do acervo do museu e obras de outros artistas contemporâneos que também pensam a comunicação e a linguagem de Exu”, disse Leonardo Antan nesta terça-feira (12) à Agência Brasil.

E completou: “Esse desfile pensa Exu como uma forma de pensamento, uma porta filosófica, de entendimento de mundo. É isso também que a gente faz na exposição”. A ideia é alargar o contato do desfile e suas possibilidades com a arte, com a cultura e o que isso relata para o tempo atual.

O objetivo, segundo confirmou Antan, é que a narrativa carnavalesca passe a ter maior amplitude na sociedade. “Um desfile de escola de samba é uma visão de Brasil, um discurso de Brasil. E, sobretudo, desse discurso muito poderoso de Exu sobre a nossa sociedade e do que nos forma enquanto país”.

De acordo com o curador, o entendimento é que uma escola de samba é um acontecimento de arte e que também faz parte de um museu, ultrapassando o tempo de 75 minutos que a agremiação dispõe para passar na avenida. “Então, a gente amplia a ideia do desfile. Embora tudo que é produzido para um desfile aconteça na Passarela do Samba, quando as peças são deslocadas para o museu isso dá novo entendimento e propõe um novo olhar para elas. A gente quer propor esse olhar mais calmo, mais pausado, para esse desfile que ressoou tanto na sociedade e na mídia. É um desfile que não terminou quando acabou na Sapucaí. É um desfile que fica na cultura, na arte e que ainda ressoa. O que a gente está fazendo é mais um ressoar, mais uma etapa da eternidade desse desfile”, concluiu Antan.

Inspiração

Entre os artistas convidados que serviram de inspiração para o trabalho dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora destacam-se Mulambo, Cety Soledade, Guilherme Kid e Ju Angelino, que compõem o time de artistas que mostram a atualidade e a ressonância do cortejo na sociedade contemporânea.

A exposição procura também discutir a essência da divindade Exu para além do preconceito e da visão comum de que o orixá estaria associado ao diabo na cultura ocidental. O carnavalesco Leonardo Bora afirma que ocupar um espaço tão importante como o Museu de Arte do Rio com uma exposição pensada a partir de desfile de escola de samba cujo enredo exaltou (“e continua a exaltar”) as potências de Exu, “complexo divino tão demonizado devido ao racismo religioso, é algo que nos enche de orgulho, força e alegria”. Bora deseja que as narrativas carnavalescas e as visualidades das agremiações sambistas possam ocupar cada vez mais espaços, “ levantando discussões e causando faíscas”.




Fonte: Agência Brasil