Exército e PM fazem operação em Guarulhos sobre furto de metralhadoras


O Exército e a Polícia Militar de São Paulo (PMSP) fazem operação na manhã desta terça-feira (31) em endereços do bairro Jardim Vila Galvão, em Guarulhos, na região metropolitana, como parte das investigações do furto de 21 metralhadoras do Arsenal de Guerra do Exército em Barueri. Quatro armas seguem desaparecidas.

O pedido de busca e apreensão foi autorizado pela Justiça Militar da União no curso do Inquérito Policial Militar que investiga o roubo. Participam da ação 45 militares do Exército e da PM, com oito viaturas especializadas.

Na última quinta-feira (26), 17 militares foram presos administrativamente pelo furto do armamento. Em nota, o Comando Militar do Sudeste informou que eles cumprem punição disciplinar por “falha de conduta e/ou erro de procedimento nos processos de fiscalização e controle de armamento”.

Armas recuperadas

No dia 19 de outubro, a Polícia do Rio de Janeiro recuperou oito metralhadoras que estavam no bairro Gardênia Azul, situado na zona oeste da capital fluminense. Na madrugada do dia 21 de outubro, a Polícia Civil de São Paulo encontrou mais nove metralhadoras.

Levantamento do Instituto Sou da Paz mostrou que o sumiço de 21 metralhadoras no Comando Militar do Sudeste, em Barueri, na Grande São Paulo, foi o maior furto de armas do exército desde 2009. O roubo foi descoberto em 10 de outubro com uma inspeção que revelou a discrepância e o sumiço de 21 metralhadoras, 13 delas seriam calibre ponto 50, com capacidade de perfurar aeronaves.

O caso anterior com maior desvio ocorreu em 2009 quando sete fuzis foram roubados de um quartel em Caçapava, cidade do Vale do Paraíba. Posteriormente, os sete fuzis foram encontrados.




Fonte: Agência Brasil

Dia do Saci: professores e artistas resgatam guardião da floresta


Mensagem em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas não é uma cena de filme estrangeiro, mas de possíveis cenários de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.

Segundo pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil, contestar a destruição das nossas lendas é uma missão para a sociedade, uma ‘travessura’ ou uma ‘traquinagem’ necessárias para fazer viver o menino cheio de energia. “Um país que se honra tem a cultura e a educação interligadas. A gente sabe que o nosso país tem dificuldade de respeitar as crianças. Então, esse menino vem com uma roupagem de moleque, só que não é (apenas) um moleque”, diz a pesquisadora Neide Rafael.

Ela é uma das professoras pioneiras no Brasil no ensino da história e da cultura afro-brasileira pelo menos duas décadas antes de essa conduta virar a Lei 10.639 (de 2003), que completou 20 anos e determina a inclusão desses assuntos em sala de aula em prol de uma educação antirracista.

Guardião

Brasília (DF), 31/10/2023 - Mensagens em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas. Não, não se trata de uma cena de filme estrangeiro, mas de cenários possíveis de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – Pesquisadores falam sobre Dia do Saci, comemorado nesta nesta terça-feira, 31 de outubro – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Neide explica que a lenda não está revestida de maldade. “O Saci tem uma atribuição. É o guardião da flora e da fauna. Ele precisa ser apresentado aos estudantes como aquele que preserva a vida”, diz a professora. O Saci, então, representa a nossa ancestralidade, identidade e valores.

“É aquele que transgride e questiona. Ele busca a liberdade para todos os oprimidos”. A imagem do Saci com uma perna também poderia ser utilizada para inclusão, no entender da professora. “Opõe-se a qualquer Halloween da vida, que não tem nada a ver com a gente”.

Duas pernas

Também pesquisador do tema, o professor de arte Edmar Galiza contextualiza que o Saci Pererê nasceu na mitologia dos indígenas Guarani, na metade do século 18. “Era uma figura que tinha duas pernas. Ele vivia nas matas para protegê-las dos caçadores, saqueadores e destruidores da floresta. O Saci é uma das figuras mais reconhecidas e importantes do folclore brasileiro”, afirma.

Mesmo assim, e com a evolução da legislação, o país não foi capaz de alterar o racismo impregnado. Para o professor, que faz doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no estudo da construção da educação antirracista e decolonial, é “muito difícil” a escola estar fora do lugar social em que vivemos. “A escola pode trazer mudanças, mas não sozinha. O racismo está em todas as nossas instituições, por isso falamos em “racismo estrutural”, pois permeia nossas instituições cotidianamente”. Essa lógica ajuda a entender que a marginalização da nossa cultura afro, indígena e híbrida atua em prol da valorização da cultura europeia e estadunidense. “As nossas referências vão sendo cada vez mais importadas”.

Sincretismo

O pesquisador Edmar Galiza sugere, inclusive, que uma possibilidade de o tema ser trabalhado em sala de aula é lembrar a origem da lenda e como a figura do Saci foi se transfomando. “Trazer o tema para a sala de aula, para aumentar o universo cultural e artístico dos e das estudantes, mostrando a nossa cultura, nosso folclore, nossas histórias e lendas”, exemplifica.

Brasília (DF), 31/10/2023 - ATENÇÃO FOTOGRAFIA MANIPULADA COM USO PHOTOSHOP PARA DAR MAIS REALIDADE AO PERSONAGEM DO FOLCLORE BRASILEIRO - Mensagens em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas. Não, não se trata de uma cena de filme estrangeiro, mas de cenários possíveis de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – Dia do Saci é comemorado em 31 de outubro – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Para a professora Neide Rafael, é necessário recordar que a lenda está ligada à liberdade e à democracia do ser, que guarda elementos do sincretismo cultural brasileiro. “O cachimbo e a fumaça vêm com os indígenas. E o mito negro e africano são da maior importância. Ele é energia, um encantado, um orixá dentro das religiões de matriz africana”.

Os pesquisadores entendem que a construção feita pelo escritor Monteiro Lobato sobre o Saci distorceu a lenda. “Essa figura do menino negro de uma perna só passa principalmente pela recriação do personagem (no Sítio do Picapau Amarelo)”, diz o professor Edmar Galiza.

O saci de Monteiro Lobato colocaria, na avaliação de Neide, a lenda de “maneira pejorativa”. “O Saci é guardião, é energia, liberdade mental que todo ser humano tem , principalmente, uma criança precisa ter”, diz. Para ela, é necessário valorizar as raízes que fazem com que as crianças brinquem de amarelinha ou trava-línguas.

O Saci no palco

O Saci inspirou a companhia de teatro Andaime, do Distrito Federal, a recuperar o espírito da lenda. Em um espetáculo elaborado quando estavam em Portugal, “O Saci é uma Peça”, os artistas criaram uma história em que a lenda brasileira invadia o palco da Chapeuzinho Vermelho.

A atriz Tatiana Bittar explica que o trabalho é encenado em escolas e também em espaços abertos, como parques. “É uma peça cheia de brasilidades. Nós temos em comum sermos alimentados pela mitologia brasileira”.

Na peça do grupo, o Saci desmonta a história da Chapeuzinho. A montagem já completou dez anos desde que foi criada. Além da peça, a companhia criou um disco para contar a mesma história, mas adaptada à linguagem radiofônica.

Brasília (DF), 31/10/2023 - Mensagens em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas. Não, não se trata de uma cena de filme estrangeiro, mas de cenários possíveis de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – Dia do Saci é comemorado nesta  terça-feira, 31 de outubro. Pesquisadores falam sobre o personagem – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

O Saci dança também no embalo da híbrida Banda BaianaSystem, de Feira de Santana (BA). “Esse é outro aspecto importante em relação ao Saci: as recriações da figura e do significado dele”, diz o professor Edmar Galiza. Uma mistura de reggae com guitarra e ritmos afro-brasileiros em uma releitura de nossa lenda em alto e bom som: “”O Saci Pererê vai dançar numa perna só/ Quem tá só, fica junto, quem tá junto, fica só”.




Fonte: Agência Brasil

Negação do Saci no Brasil revela cultura racista, dizem pesquisadores


Mensagem em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas não é uma cena de filme estrangeiro, mas de possíveis cenários de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.

Segundo pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil, contestar a destruição das nossas lendas é uma missão para a sociedade, uma ‘travessura’ ou uma ‘traquinagem’ necessárias para fazer viver o menino cheio de energia. “Um país que se honra tem a cultura e a educação interligadas. A gente sabe que o nosso país tem dificuldade de respeitar as crianças. Então, esse menino vem com uma roupagem de moleque, só que não é (apenas) um moleque”, diz a pesquisadora Neide Rafael.

Ela é uma das professoras pioneiras no Brasil no ensino da história e da cultura afro-brasileira pelo menos duas décadas antes de essa conduta virar a Lei 10.639 (de 2003), que completou 20 anos e determina a inclusão desses assuntos em sala de aula em prol de uma educação antirracista.

Guardião

Brasília (DF), 31/10/2023 - Mensagens em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas. Não, não se trata de uma cena de filme estrangeiro, mas de cenários possíveis de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – Pesquisadores falam sobre Dia do Saci, comemorado nesta nesta terça-feira, 31 de outubro – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Neide explica que a lenda não está revestida de maldade. “O Saci tem uma atribuição. É o guardião da flora e da fauna. Ele precisa ser apresentado aos estudantes como aquele que preserva a vida”, diz a professora. O Saci, então, representa a nossa ancestralidade, identidade e valores.

“É aquele que transgride e questiona. Ele busca a liberdade para todos os oprimidos”. A imagem do Saci com uma perna também poderia ser utilizada para inclusão, no entender da professora. “Opõe-se a qualquer Halloween da vida, que não tem nada a ver com a gente”.

Duas pernas

Também pesquisador do tema, o professor de arte Edmar Galiza contextualiza que o Saci Pererê nasceu na mitologia dos indígenas Guarani, na metade do século 18. “Era uma figura que tinha duas pernas. Ele vivia nas matas para protegê-las dos caçadores, saqueadores e destruidores da floresta. O Saci é uma das figuras mais reconhecidas e importantes do folclore brasileiro”, afirma.

Mesmo assim, e com a evolução da legislação, o país não foi capaz de alterar o racismo impregnado. Para o professor, que faz doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no estudo da construção da educação antirracista e decolonial, é “muito difícil” a escola estar fora do lugar social em que vivemos. “A escola pode trazer mudanças, mas não sozinha. O racismo está em todas as nossas instituições, por isso falamos em “racismo estrutural”, pois permeia nossas instituições cotidianamente”. Essa lógica ajuda a entender que a marginalização da nossa cultura afro, indígena e híbrida atua em prol da valorização da cultura europeia e estadunidense. “As nossas referências vão sendo cada vez mais importadas”.

Sincretismo

O pesquisador Edmar Galiza sugere, inclusive, que uma possibilidade de o tema ser trabalhado em sala de aula é lembrar a origem da lenda e como a figura do Saci foi se transfomando. “Trazer o tema para a sala de aula, para aumentar o universo cultural e artístico dos e das estudantes, mostrando a nossa cultura, nosso folclore, nossas histórias e lendas”, exemplifica.

Brasília (DF), 31/10/2023 - Mensagens em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas. Não, não se trata de uma cena de filme estrangeiro, mas de cenários possíveis de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – Dia do Saci é comemorado nesta terça-feira, 31 de outubro. Pesquisadores falam sobre o tema – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

Para a professora Neide Rafael, é necessário recordar que a lenda está ligada à liberdade e à democracia do ser, que guarda elementos do sincretismo cultural brasileiro. “O cachimbo e a fumaça vêm com os indígenas. E o mito negro e africano são da maior importância. Ele é energia, um encantado, um orixá dentro das religiões de matriz africana”.

Os pesquisadores entendem que a construção feita pelo escritor Monteiro Lobato sobre o Saci distorceu a lenda. “Essa figura do menino negro de uma perna só passa principalmente pela recriação do personagem (no Sítio do Picapau Amarelo)”, diz o professor Edmar Galiza.

O saci de Monteiro Lobato colocaria, na avaliação de Neide, a lenda de “maneira pejorativa”. “O Saci é guardião, é energia, liberdade mental que todo ser humano tem , principalmente, uma criança precisa ter”, diz. Para ela, é necessário valorizar as raízes que fazem com que as crianças brinquem de amarelinha ou trava-línguas.

O Saci no palco

O Saci inspirou a companhia de teatro Andaime, do Distrito Federal, a recuperar o espírito da lenda. Em um espetáculo elaborado quando estavam em Portugal, “O Saci é uma Peça”, os artistas criaram uma história em que a lenda brasileira invadia o palco da Chapeuzinho Vermelho.

A atriz Tatiana Bittar explica que o trabalho é encenado em escolas e também em espaços abertos, como parques. “É uma peça cheia de brasilidades. Nós temos em comum sermos alimentados pela mitologia brasileira”.

Na peça do grupo, o Saci desmonta a história da Chapeuzinho. A montagem já completou dez anos desde que foi criada. Além da peça, a companhia criou um disco para contar a mesma história, mas adaptada à linguagem radiofônica.

Brasília (DF), 31/10/2023 - Mensagens em inglês convidando para a festa de Halloween nas escolas. Não, não se trata de uma cena de filme estrangeiro, mas de cenários possíveis de escolas brasileiras em 2023. Nesta terça (31), Dia do Saci, é possível que esse símbolo da cultura brasileira possa, mais uma vez, sofrer apagamentos e que as crianças desconheçam o que o personagem lendário significa além da imagem do menino preto com um gorro vermelho na cabeça. Saci, conforme explicam os pesquisadores, é uma lenda que ensina crianças e adultos, e a negação desse mito espelha o racismo nacional de cada dia.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Brasília – Dia do Saci é comemorado nesta  terça-feira, 31 de outubro. Pesquisadores falam sobre o personagem – Foto Joédson Alves/Agência Brasil

O Saci dança também no embalo da híbrida Banda BaianaSystem, de Feira de Santana (BA). “Esse é outro aspecto importante em relação ao Saci: as recriações da figura e do significado dele”, diz o professor Edmar Galiza. Uma mistura de reggae com guitarra e ritmos afro-brasileiros em uma releitura de nossa lenda em alto e bom som: “”O Saci Pererê vai dançar numa perna só/ Quem tá só, fica junto, quem tá junto, fica só”.




Fonte: Agência Brasil

Governos federal e do Rio vão investigar lavagem de dinheiro do crime


Os governos federal e do estado do Rio de Janeiro anunciaram que vão criar, nesta quarta-feira (1º) o Centro Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Ciifra).

Ele terá como metas asfixiar financeiramente as milícias e as facções criminosas que controlam a venda de drogas no estado, através do combate a crimes financeiros e a lavagem de dinheiro.

O centro terá representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Civil fluminense e Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz).

Também serão convidados representantes do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“Na semana que vem, a gente já estará trabalhando efetivamente. Vai ter um local, a gente vai deslocar uma equipe da Senasp [Secretaria Nacional de Segurança Pública], temos hoje policiais que atuam no Coaf e vão ser deslocados para o Rio de Janeiro para focar em investigações financeiras. A descapitalização dessas organizações criminosas é decisiva para reduzir o potencial ofensivo delas e poder desmantelar [o sistema]”, disse o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Capelli.




Fonte: Agência Brasil

Trilha de Letras estreia com entrevista de Ana Maria Gonçalves


Sob o comando da escritora Eliana Alves Cruz (à direita na foto), a TV Brasil estreia na quarta-feira (1º de novembro) a nova temporada do programa Trilha de Letras – o único em TV aberta dedicado à literatura. Autora premiada, Eliana vai receber convidados para conversas sobre o mercado literário, processo criativo e a trajetória desses escritores no mundo dos livros. A atração estreia com Ana Maria Gonçalves (na foto, à esquerda), autora da obra-prima Um Defeito de Cor.

30/10/2023 -  Rio de Janeiro (RJ), Imagem capturada em  05/10/2023 - A escritora Ana Maria Gonçalves durante gravação do programa Trilha de Letras, da TV Brasil, na biblioteca da Maison de France, centro da cidade. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

A escritora Ana Maria Gonçalves durante gravação do programa Trilha de Letras, da TV Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O programa vai ao ar às quartas-feiras, às 22h. No bate-papo com Eliana, Ana Maria comenta o sucesso da obra e diz que muita gente “se encontrou” naquelas páginas, que em 2024 vão virar enredo da escola de samba Portela.

O romance, lançado em 2006, conta a história de uma africana idosa que, à beira da morte, viaja da África para o Brasil em busca de um filho. Na narrativa, os fatos históricos estão imersos no cotidiano dos personagens.

“Me interessei pela história da Rebelião Malê, que nunca tinha estudado em aula de história. A gente aprende mais sobre essas guerras como a de Peloponeso e Constantinopla do que sobre as rebeliões escravas que estiveram aqui perto da gente e com certeza tiveram uma influência muito maior na história do país”, afirma Ana Maria.

Estreando no comando do Trilha de Letras, Eliana é jornalista, escritora e roteirista. É a autora dos romances Água de Barrela (2016), O Crime do Cais do Valongo (2018), Nada Digo de Ti, que em Ti não Veja (2020) e Solitária (2022). Com o romance de estreia, venceu a primeira edição do Prêmio Literário Oliveira Silveira, oferecido pela Fundação Cultural Palmares em 2015. Pelo primeiro livro de contos, A Vestida, recebeu o Prêmio Jabuti 2022.

30/10/2023 -  Rio de Janeiro (RJ), Imagem capturada em  05/10/2023 - Eliana Alves Cruz, apresentadora, durante gravação do programa Trilha de Letras, da TV Brasil, na biblioteca da Maison de France, centro da cidade. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

A escritora Eliana Alves Cruz apresenta nova temporada do programa Trilha de Letras – Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Eu estou realmente muito feliz de fazer parte da história do Trilha de Letras e estar apresentando o programa em um momento tão especial e histórico do Brasil, de retomada de tantas coisas”, diz Eliana, que já participou do programa em anos anteriores como convidada.

Sobre o programa

O Trilha de Letras busca debater os temas mais atuais discutidos pela sociedade por meio da literatura. Nesta temporada, os episódios foram gravados na BiblioMaison, biblioteca do Consulado da França no Rio de Janeiro. A cada edição, o programa recebe um convidado diferente. O Trilha foi criado em 2016 por Emília Ferraz, atual diretora do programa. O primeiro episódio foi ao ar em abril de 2017.

A TV Brasil já exibiu três temporadas do programa e recebeu mais de 200 convidados nacionais e estrangeiros. As duas primeiras temporadas foram apresentadas pelo escritor Raphael Montes. A terceira, pela jornalista Katy Navarro. Eliana assume a quarta temporada. Uma das novidades é o quadro de indicações de leitura que será feito por booktubers.




Fonte: Agência Brasil

Novembro terá chuvas abaixo da média no Norte e Nordeste


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que, em novembro, a chuva será abaixo da média em áreas das regiões Norte e Nordeste e acima da média nas demais regiões do país.

No Norte, os estados de Roraima, Amapá, centro norte do Amazonas e do Pará, Tocantins e também em grande parte da região Nordeste, os volumes serão inferiores a 80 milímetros (mm). Já no sul da Região Norte, a chuva pode ultrapassar os 180 mm.

Em parte da região Nordeste, incluindo o Ceará, a chuva deve ficar próxima à média histórica, com acumulados abaixo de 40 mm.

O excesso de chuvas ocorrerá na maior parte das regiões Centro-Oeste e Sudeste, com o retorno gradual das chuvas em áreas do sudeste de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, com volumes que podem superar os 200 mm, ficando assim acima da média.

Para a Região Sul, a previsão é de chuva acima da média em todo o território, principalmente no oeste do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os volumes podem superar os 160 mm.

Temperaturas

O mês de novembro será marcado pelo calor em todo o Brasil, com temperaturas que devem ficar acima da média em grande parte do país, principalmente em áreas do Mato Grosso, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí e oeste da Bahia. Nestas localidades, os termômetros podem superar os 28 graus Celsius (ºC).

No Sul e Sudeste do país, as chuvas podem amenizar o calor e os termômetros poderão marcar temperaturas inferiores a 24°C.

Previsão de anomalias de (a) precipitação (chuva) e (b) temperatura média do ar do modelo climático do Inmet para o mês de novembro de 2023. Fonte: INMET

El Niño 2023

Até o dia 16 de novembro, o fenômeno climático El Niño poderá provocar grandes volumes de chuvas que contribuirão para elevar os níveis de água no solo, com valores superiores a 90%, ocasionando encharcamento do solo no Sul do País.

Além desta região, o El Niño provocará chuvas acima da média ainda sobre o noroeste e oeste da região Norte, além de áreas centrais do Brasil, como o centro-sul de Mato Grosso do Sul e alguns pontos dos estados da região Sudeste. Em algumas dessas áreas, a umidade no solo poderá alcançar valores acima de 80%.

Nas demais regiões do país, o El Niño acentuará as condições de secas maiores do que o normal, com destaque para o bioma amazônico, principalmente no centro-leste da região, onde a influência do fenômeno é maior.

A previsão dos impactos deste evento natural são do Inmet e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastre (Cenad).

A meteorologista do Inmet, Naiane Araújo, disse à Agência Brasil que o El Niño deve ter seus efeitos percebidos ainda por alguns meses, em uma intensidade moderada, devido ao aquecimento das águas no Oceano Atlântico, próximas à linha do Equador.

“Neste primeiro momento, a previsão é que passemos toda a primavera com os efeitos do El Niño e que ele continue ao longo do nosso verão. E sentimos o reflexo no nosso país, com chuvas lá no Sul e uma diminuição das chuvas mais ao Norte. E aqui, na área central do Brasil, com o fenômeno configurado, há uma certa irregularidade da chuva, mas não tem um impacto tão bem definido.”

Sobre as fortes chuvas que atingiram, sobretudo, os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina em setembro e outubro, a meteorologista do Inmet explica que são consequências das mudanças climáticas do planeta. Para ela, o El Niño veio potencializar a situação.

“Temos vivenciado, cada vez mais eventos extremos: as chuvas estão ficando cada vez mais agressivas, mais volumosas e as secas mais severas, os frios mais intensos. Então, há episódios de eventos extremos já cada vez mais recorrentes e, em um ano de influência do El Niño no Sul, essa situação veio a se potencializar. Ele foi um ingrediente a mais.”

Impactos na agricultura

De acordo com as previsões do Inmet sobre possíveis impactos das condições meteorológicas de novembro na safra agrícola 2023/24, os baixos volumes de chuva nas áreas do Matopiba (região que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) manterão baixos os níveis de água no solo, exceto em áreas do sul do Tocantins e extremo oeste da Bahia, onde haverá uma ligeira recuperação da umidade no solo.

Com isso, o desenvolvimento inicial dos cultivos de primeira safra que já estão em andamento, em novembro, poderá ser impactado.

O Inmet aponta ainda que, em grande parte do Brasil central, o retorno das chuvas será importante para recuperar o armazenamento de água no solo, especialmente em áreas do norte de Mato Grosso e de Goiás, bem como para o início da safra de grãos. No Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais e de Goiás, a umidade no solo será suficiente para suprir as necessidades das fases iniciais da safra 2023/24.

Em algumas áreas da região Sul, o excesso de chuva e o consequente encharcamento do solo, poderão impactar na colheita dos cultivos iniciados no inverno e mais: impedirá a continuidade do plantio de sementes referentes aos cultivos de primeira safra, alertou o Inmet.

O Instituto disponibiliza diariamente informações sobre previsões oficiais do tempo, estimativa de chuvas, além de avisos meteorológicos especiais no site e nas redes sociais do instituto.

*Com informações do Inmet






Fonte: Agência Brasil

Projeto alia restauração de corais e turismo sustentável em Pernambuco


Um pequeno fragmento de coral-fogo (Millepora alcicornis) encontrado no leito do mar, desprendido do recife e coberto de areia, estaria fadado a perecer. Em pouco tempo, perderia a simbiose com as algas zooxantelas, que fornecem grande parte dos nutrientes para o hidrocoral, e morreria.

Mas, pelo menos em um trecho de litoral no município de Ipojuca, em Pernambuco, eles têm grandes chances de ser resgatados pelas mãos de cientistas e receber os cuidados necessários para que se restabeleçam e possam voltar sadios às franjas de recifes.

Os responsáveis por cuidar dessa e de outras espécies de corais no litoral pernambucano são a equipe da Biofábrica de Corais, uma pequena startup (empresa iniciante) que, em 2017, recebeu autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para manejar os corais de Porto de Galinhas, em Ipojuca.

“A gente pega os corais, procurando sempre por uma parte do tecido ainda saudável, para garantir que ele possa se recuperar. A gente então o fragmenta [em partes menores], porque isso favorece o crescimento”, explica María Gabriela Moreno, venezuelana que coordena as operações da biofábrica.

Ipojuca (PE), 26/10/2023 - A venezuelana María Gabriela Moreno maneja o coral-de-fogo (Millepora alcicornis) na área de pesquisa da Biofábrica de Corais nos recifes de Porto de Galinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A venezuelana María Gabriela Moreno maneja o coral-de-fogo na área de pesquisa da Biofábrica de Corais nos recifes de Porto de Galinhas – Fernando Frazão/Agência Brasil

Com a fragmentação, um coral se transforma em vários indivíduos. Os pedaços são colocados em uma base de plástico ecológico, para que possam se recuperar e crescer. O trabalho é feito em dois locais: no próprio recife, em Porto de Galinhas; ou em tanques em uma sala do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), vinculado ao ICMBio e localizado em Tamandaré, município vizinho.

Depois que atingem um tamanho adequado, os corais são amarrados em pedaços de pedra ou concreto e reposicionados nos recifes de Porto de Galinhas.

Turismo

Ipojuca (PE), 26/10/2023 - Prática do snorkel em piscinas naturais formadas pelos recifes de corais na praia de Porto de Galinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Prática do snorkel em piscinas naturais formadas pelos recifes de corais na praia de Porto de Galinhas – Fernando Frazão/Agência Brasil

Porto de Galinhas é, aliás, um destino turístico que depende dos corais. Sua atração mais famosa são as piscinas naturais, formadas no meio dos recifes que se localizam a poucos metros da costa.

Justamente por isso, atrai milhares de turistas todos os anos, o que traz recursos para a cidade e gera renda para os moradores, ao mesmo tempo em que ameaça o frágil equilíbrio desse ecossistema.

No primeiro semestre deste ano, apenas uma operadora de viagens embarcou 20 mil turistas para Porto de Galinhas, segundo a prefeitura de Ipojuca.

“Na bancada recifal, tem aproximadamente 80 jangadeiros que vivem de levar as pessoas para pisar no coral”, explica o engenheiro de pesca Rudã Brandão, gestor da Biofábrica de Corais.

O pisoteio do recife é apenas um dos impactos diretos provocados pelo turismo de massa. Turistas também esbarram nos corais com braços e nadadeiras, quebrando estruturas coralíneas; deixam lixo nas piscinas naturais; afugentam a vida selvagem; e alimentam peixes, interferindo no ciclo da natureza.

Ipojuca (PE), 26/10/2023 - Grupos de turistas pisam sobre os recifes de corais em zona de sacrifício durante passeios de jangada praia de Porto de Galinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Turistas pisam sobre os recifes de corais na ‘zona de sacrifício’ durante passeios de jangada, em Porto de Galinhas (PE) – Fernando Frazão/Agência Brasil

Armando Júnior tem 48 anos e trabalha como jangadeiro desde que tinha 14 anos. Segundo ele, apesar do grande número de turistas, há hoje uma preocupação maior com a preservação dos recifes.

O pisoteio, por exemplo, é restrito às ‘zonas de sacrifício’, marcadas por boias, que concentram os turistas para evitar a degradação de outras áreas recifais. O número de jangadeiros também é limitado a cerca de 80. Não é possível alugar ou vender o registro de jangadeiro, sendo permitido apenas passá-lo para um dos filhos.

Ipojuca (PE), 26/10/2023 - O jangadeiro Armando Júnior leva turistas para visitar recifes de corais na praia de Porto de Galinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O jangadeiro Armando Júnior leva turistas para visitar recifes de corais em Porto de Galinhas – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Antes, eu levava oito, dez pessoas numa jangada, deixava lá [no recife] e marcava um horário para buscar. Hoje não, o passeio tem duração de uma hora e o jangadeiro acompanha em tempo integral, é limitado o número de pessoas. O tempo de permanência no recife é de 20 minutos. Fica 20 minutos, tira foto e embarca na jangada para uma piscina”, conta Júnior. “O recife de coral é a minha vida, tudo o que eu tenho, é graças ao ambiente recifal”.

Outro morador de Ipojuca que vive dos corais é o instrutor de mergulho Pedro Gabriel Maia, de 27 anos:

“Aqui, sem os corais, não teria o turismo, que é importantíssimo. É isso que move a cidade, com os passeios de jangada, o mergulho nas piscininhas. Sem os corais, Porto de Galinhas não seria Porto de Galinhas.”

Ipojuca (PE), 26/10/2023 - O instrutor de mergulho Pedro Gabriel Maia opera passeios nos recifes de corais da praia de Porto de Galinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O instrutor de mergulho Pedro Gabriel Maia opera passeios nos recifes de corais da praia de Porto de Galinhas – Fernando Frazão/Agência Brasil

O excesso de turistas, no entanto, mesmo com as restrições impostas, coloca em risco a própria viabilidade da praia como um destino voltado à experiência da natureza. Pedro explica que, há alguns anos, os recifes tinham muito mais vida marinha do que hoje em dia.

Ipojuca (PE), 26/10/2023 - Passeios de jangada para visitar recifes de corais na praia de Porto de Galinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Turistas fazem passeios de jangada para visitar recifes de corais em Porto de Galinhas (PE) – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Tinha maior quantidade e maior variedade [de espécies]. Eu mergulho há 19 anos e o que pude observar nesses anos mergulhando é justamente a degradação e a diminuição da quantidade e variedade de animais em geral, principalmente dos corais. E o coral é a base de tudo, onde ele vai diminuindo, vai morrendo, vai diminuindo também a diversidade e a quantidade de outros animais”.

Restauração

Na tentativa de resolver o dilema entre o aumento do turismo e a preservação ambiental, a Biofábrica de Corais resolveu aproveitar seu projeto de restauração para envolver também os turistas.

O projeto oferece aos visitantes a possibilidade de mergulhar nos recifes e, ao mesmo tempo, ajudar na sua conservação, reintroduzindo espécimes de corais no seu habitat natural.

Como é uma empresa voltada para a pesquisa, a biofábrica tem autorização para explorar, com exclusividade, uma área do recife de Porto de Galinhas. É nesse local que os corais se reproduzem e são reintroduzidos, com a ajuda dos próprios turistas.

“A gente está entrando em uma nova era de relação com a natureza. O recife de coral não pode mais ser concebido como algo que pode se manter sozinho. Todo recife de coral vai precisar ter alguém salvaguardando-o”, explica Rudã Brandão.

“A gente oferece essa experiência de a pessoa ir até a bancada recifal e não destruí-la. Pelo contrário, ela entrega algo mais para a bancada”.

No litoral de Porto de Galinhas e Tamandaré existe cerca de uma dezena de espécies de corais construtores de recifes. Hoje, a biofábrica trabalha com o coral-fogo e também com a Mussismilia harttii, mas a ideia é começar a reproduzir e reintroduzir outras variedades.

Ipojuca (PE), 26/10/2023 - A pesquisadora Raiane Albuquerque e a bióloga Johanna Barros manejam fragmentos do coral-de-fogo (Millepora alcicornis) na Biofábrica de Corais, em Porto de Galinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A pesquisadora Raiane Albuquerque e a bióloga Johanna Barros manejam fragmentos do coral-de-fogo (Millepora alcicornis) na Biofábrica de Corais, em Porto de Galinhas (PE) – Fernando Frazão/Agência Brasil

Por meio de nota, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Pernambuco informou que os recifes de corais são um dos principais ecossistemas marinhos do estado e que, atualmente, tem dez projetos voltados diretamente para sua conservação, como os planos de combate ao lixo no mar e de combate a espécies invasores; e o estabelecimento de regras e zonas para a prática de turismo náutico e para a pesca.

Além disso, a Secretaria informou que desenvolve ações que, “transversalmente, estão a beneficiar os recifes de corais, como a Política Estadual de Resíduos Sólidos, que envolve a capacitação de todos os municípios do estado para lidar com seus resíduos e rejeitos sólidos e líquidos”, informou a nota.

*A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Fundação Grupo Boticário




Fonte: Agência Brasil

Cientistas propõem criação de APA entre Noronha e Ceará


Duas cadeias de montes e bancos submersos no litoral nordeste do Brasil, formadas por atividades vulcânicas no assoalho do Oceano Atlântico, são foco de preocupação de pesquisadores especializados na biodiversidade marinha. Dispostos paralelamente às costas do Ceará e Rio Grande do Norte, esses acidentes geológicos se estendem por cerca de 1,3 mil quilômetros na margem equatorial brasileira. 

Apesar de se estenderem por centenas de quilômetros, as cadeias têm apenas duas porções que rompem a superfície da água e brotam no oceano como ilhas: o Atol das Rocas e o arquipélago de Fernando de Noronha, ambas na cadeia de Fernando de Noronha. A cadeia Norte Brasileira, situada um pouco mais ao norte, é completamente submersa.

30/10/2023 - APA - Ceará - Noronha. Vista do litoral do Nordeste visto pelo Google Earth. Foto: Print/Google Earth

Cadeias de montes e bancos submersos no litoral nordeste do Brasil – Print/Google Earth

Isso não faz muita diferença para os pesquisadores porque, na verdade, é na parte submarina que se encontra grande parte da biodiversidade marinha. Nos topos dos montes, alimentadas por nutrientes levados do fundo do oceano por ressurgências (tipo de corrente marinha), existem formações de corais que têm atraído a atenção de cientistas.

E é justamente essa parte submersa que está mais ameaçada. Ela faz parte da chamada Bacia Potiguar e foi incluída na 17ª rodada de licitação para exploração de petróleo e gás da Agência Nacional de Petróleo (ANP), realizada em 2021.

Os blocos que se sobrepõem aos bancos vulcânicos de Guará, Sirius e Touros não receberam propostas de petrolíferas e, por isso, não foram leiloados. Mas o risco para a região prossegue, segundo os cientistas envolvidos com as pesquisas de biodiversidade no Nordeste, já que alguns blocos continuam sendo incluídos na Oferta Permanente de Concessão (OPC) da ANP.

Segundo a ANP, há inclusive empresas interessadas em arrematar blocos do setor SPOT-AP2, que se sobrepõe parcialmente aos bancos de corais, já na próxima sessão da OPC, que ocorre no dia 13 de dezembro.

30/10/2023, Blocos Exploratórios -  Bacia Potiguar. Foto: ANP

Blocos exploratórios na Bacia Potiguar que coincidem com os bancos submersos – Imagem ANP

Área de Proteção Ambiental

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) defendem a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) dos Bancos de Noronha e Ceará.

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - Monitoramento do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene) no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Monitoramento do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste no recife Pirambu, em Tamandaré (PE) – Fernando Frazão/Agência Brasil

A área proposta pelos pesquisadores se estende por 22,7 milhões de hectares. “Vários desses bancos não têm nenhum nível de proteção. Os únicos que têm são Atol das Rocas e Fernando de Noronha”, afirma Mauro Maida, professor do Departamento de Oceanografia da UFPE.

Maida está à frente do Sassanga, um sistema de monitoramento remoto de vídeos submarinos que vem mapeando a região. Segundo ele, a área dos bancos de Noronha e Ceará contém formações com até 100% de cobertura de corais em alguns pontos não protegidos.

“É a maior cobertura viva de coral em um recife no Brasil. Esses bancos são reconhecidamente importantes pela ONU [Organização das Nações Unidas]. O governo tem que criar uma unidade de conservação, senão vamos perder isso.”

Recentemente, pesquisas com o Sassanga encontraram um recife de coral, antes desconhecido, ao sul de Fernando de Noronha.

“Só se imaginava que os recifes de Noronha fossem nos Dois Irmãos. A gente conseguiu mapear esse [novo] recife, que tem 24 quilômetros quadrados (km²), localizado a 50 metros de profundidade. É um dos maiores bancos de Montastrea cavernosa [espécie de coral] do Brasil”, destaca.

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - Coral Montastraea cavernosa no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Coral Montastraea cavernosa no recife Pirambu, em Tamandaré (PE) – Fernando Frazão/Agência Brasil

Preservação

As pesquisas na região de Noronha também deram origem a outra proposta: proibir a pesca em partes do entorno do arquipélago para recuperar a população de peixes no local.

A ideia é que a APA dos Bancos de Noronha e Ceará tenha áreas fechadas para a pesca também, nos pontos dos recifes de corais, localizados nos bancos submersos. Segundo Maida, o mapeamento dos bancos deve ser concluído em uma expedição, a ser realizada em janeiro.

Em seguida, será iniciado o processo para a criação da APA, que dependerá de autorização do Ministério do Meio Ambiente e da Presidência da República, segundo o pesquisador.

O Brasil tem cerca de 20 unidades de conservação que protegem ambientes recifais, sendo a Reserva Biológica de Atol das Rocas, criada em 1979, a mais antiga delas. Apesar disso, apenas uma pequena parcela é totalmente protegida da ação do homem (pesca, turismo ou qualquer tipo de exploração).

“Se você juntar todas as áreas protegidas, onde você não pode pescar ou destruir habitat, a área é de um pequeno ponto, em relação ao resto da Amazônia Azul. Nos outros lugares, você pode fazer o que quiser: pode matar tudo, pode destruir o recife de coral, pode fazer o que quiser”, alerta Maida.

Costa dos Corais

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - Monitoramento do Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene) no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Monitoramento do Cepene no recife Pirambu, em Tamandaré – Fernando Frazão/Agência Brasil

Na APA Costa dos Corais, que se estende entre os litorais de Tamandaré, em Pernambuco, e a capital alagoana, Maceió, existe uma pequena área fechada para a pesca e o turismo.

Ali, desde 1999, os pesquisadores vêm monitorando o efeito dessa preservação para a saúde do recife de coral. “A gente teve uma mudança na estrutura do coral. Antes [do fechamento da área], tinha muito ouriço-do-mar. Os ouriços naturalmente foram sumindo por predação de lagosta, de outros bichos. A estrutura do ecossistema mudou muito. Sem falar na quantidade de peixe que tinha sumido dos recifes daqui e que voltaram, como os budiões bico-verde [Scarus trispinosus, endêmica do Brasil, em perigo de extinção]”.

Aos 63 anos, Binho Mendes hoje está aposentado e não precisa mais pescar para sobreviver, mas continua jogando suas tarrafas nas praias de Tamandaré, para complementar suas refeições. Muitas vezes, recorre ao recife para providenciar seu pescado.

“Faz 20 e poucos anos que essa área tá proibida. Os pescadores respeitam a área, porque a gente sabe que assim não acaba com as populações dos peixes”, afirmou o pescador, enquanto arrastava sua pequena canoa, carregada com sardinhas, de volta à areia da praia de Tamandaré.

Cepene

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - O oceanógrafo Leonardo Messias coordena o Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O oceanógrafo Leonardo Messias coordena o Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene) – Fernando Frazão/Agência Brasil

A área fechada para a pesca e o turismo fica em frente à sede do Cepene, órgão governamental voltado para as pesquisas de conservação da biodiversidade marinha do Nordeste.

O centro de pesquisas, criado em 1983, como um sucessor da Escola de Pesca de Tamandaré, tinha inicialmente a função de desenvolver a atividade pesqueira no Nordeste.

Dez anos depois, com a chegada de pesquisadores da UFPE, o centro começou a desenvolver ações de pesquisa, conservação e manejo dos recifes de coral. Foi nessa época, em 1993, que começou a movimentação para a criação da APA Costa dos Corais.

“Existe um processo de extinção das espécies [marinhas]. Várias espécies de peixes, crustáceos, invertebrados em geral estão ameaçadas de extinção. Os ecossistemas de corais são muito diversos. Apresentam diversidade de peixes, lagostas, camarões, moluscos, além dos mamíferos e das tartarugas também. Então, hoje uma das funções do centro de pesquisa é promover, desenvolver ações de pesquisa e monitoramento, e também propor atitudes de recuperação tanto das espécies como dos ambientes”, explica o coordenador do Cepene, Leonardo Messias.

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - O Centro de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Sede do Cepene, em Tamandaré – Fernando Frazão/Agência Brasil

ANP

Por meio de nota, a ANP informou que a agência segue uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que estabelece que a outorga de áreas levará em consideração estudos de avaliação ambientais de bacias sedimentares.

“Alternativamente, para as áreas cujos estudos ainda não tenham sido concluídos, as avaliações sobre possíveis restrições ambientais serão sustentadas por manifestação conjunta do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). É importante destacar que a aprovação de inclusão dos blocos pelos ministérios nas rodadas de licitações não significa aprovação tácita para o licenciamento ambiental”, diz a nota da ANP.

De acordo com a agência, qualquer atividade de exploração ou produção exigirá um detalhado processo de licenciamento ambiental.

“O licenciamento ambiental realizado pelos órgãos ambientais competentes é condição obrigatória para a realização de qualquer atividade em um bloco sob contrato”.

*A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Fundação Grupo Boticário 




Fonte: Agência Brasil

Corais podem evitar R$ 160 bilhões em danos ao litoral do Nordeste


As franjas de recifes de corais que atraem turistas para a costa do Nordeste brasileiro também funcionam como importantes barreiras contra a ação do mar em muitas cidades da região.

Um estudo inédito, realizado pela Fundação Grupo Boticário, mostra que essas formações naturais impedem prejuízos de até R$ 160 bilhões na infraestrutura urbana, reduzindo a força e a altura das ondas que chegam ao litoral.

O valor foi calculado usando como base o potencial prejuízo que ressacas e tempestades poderiam causar a estruturas como prédios, casas, indústrias, portos, rodovias, ruas e calçadas, por exemplo, caso não houvesse recifes de corais para amortecer as ondas mais fortes.

Quatro cidades foram usadas como parâmetro para o cálculo (Recife e Ipojuca, em Pernambuco; e Maragogi e São Miguel dos Milagres, em Alagoas). Os valores encontrados nessas cidades foram depois extrapolados para outros municípios que também recebem a proteção dos recifes.

Já as cidades costeiras não protegidas por recifes de corais como Santos ou Rio de Janeiro, por exemplo, enfrentam destruição de estruturas da orla quando se veem afetadas por ressacas mais fortes.

Turismo

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - A bióloga Janaína Bumbeer, doutora em Ecologia e Conservação Marinha, mergulha no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A bióloga Janaína Bumbeer, doutora em Ecologia e Conservação Marinha, mergulha no recife Pirambu, em Tamandaré (PE) – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Já é conhecido que os recifes de corais prestam diversos serviços, entre eles a proteção costeira e o turismo. O que nós trouxemos foram valores, em reais. Todo esse patrimônio, seja cultural, público ou particular, está sendo protegido diariamente pelos recifes de coral”, explica a bióloga marinha Janaína Bumbeer, gerente de projetos da Fundação Boticário.

Além de evitar danos bilionários, os 170 quilômetros quadrados (km²) de franjas de recifes de coral que existem no Nordeste brasileiro também podem gerar, anualmente, R$ 7 bilhões em receitas, com atividades de turismo como mergulhos e passeios de barco.

O estudo considerou a receita gerada por essas franjas em Maragogi, São Miguel dos Milagres, Ipojuca (onde fica Porto de Galinhas), Caravelas (BA) – onde fica o arquipélago de Abrolhos – e Fernando de Noronha (PE). Esses destinos têm os recifes entre seus principais atrativos.

A partir daí, o estudo também fez extrapolações para municípios com potencial para explorar turisticamente essas formações costeiras, mas que ainda não o fazem.

Corais

Maragogi é um famoso destino da costa Nordeste brasileira devido às “piscinas naturais” que rendem lindas fotos para as redes sociais e encantam turistas de todo o país. O que as pessoas chamam de piscinas naturais, no entanto, são áreas do mar abrigadas da força das ondas e das correntezas graças aos recifes.

Essas formações que parecem rochas são, na verdade, esqueletos de corais, animais da classe Anthozoa (a mesma das anêmonas), que têm seu corpo semelhante a gelatinas, mas que formam exoesqueletos (esqueletos fora do corpo, assim como os insetos) a partir do carbonato de cálcio.

Acredita-se que essa forma de vida animal tenha surgido entre 400 e 500 milhões de anos atrás. Sua existência, porém, está ameaçada em todo o planeta, principalmente devido às mudanças climáticas, que superaquecem as águas dos oceanos e matam os corais, e também devido a fatores como poluição, alterações provocadas pelo homem, espécies invasoras, turismo desordenado e pesca predatória.

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - Coral Montastraea cavernosa no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Recife de corais Pirambu, em Tamandaré (PE) – Fernando Frazão/Agência Brasil

Os corais mantêm uma simbiose, ou seja, uma associação de benefício mútuo, com as algas zooxantelas, que dão cor aos animais marinhos e fornecem grande parte dos nutrientes necessários para esses seres.

Quando os corais estão estressados, no entanto, acabam expulsando as algas, em um fenômeno conhecido como “branqueamento”, que enfraquece os animais e provoca sua morte. Isso afeta todo o ecossistema, já que várias formas de vida usam os recifes para se alimentar, se reproduzir e se abrigar.

Os corais ocupam cerca de 0,1% da superfície dos mares e oceanos, mas concentram 25% da biodiversidade marinha. Segundo o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep), estima-se que de 25% a 50% dos recifes de corais do mundo já foram destruídos e, do restante, 60% estariam ameaçados.

“Os corais são filtradores e dependem da qualidade da água. Além disso, o fato de estarmos ocupando os espaços onde havia os recifes de coral, aumentando a sedimentação, jogando a areia por cima [dos recifes], mudando a dinâmica da praia, que é muito delicada, isso tudo afeta os corais na sua sobrevivência”, explica Janaína Bumbeer.

Ameaças

Tamandaré (PE), 25/10/2023 - O oceanógrafo Mauro Maida, professor e pesquisador da UFPE, no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O oceanógrafo Mauro Maida, professor e pesquisador da UFPE, no recife Pirambu, na APA Costa dos Corais – Fernando Frazão/Agência Brasil

A reportagem da Agência Brasil visitou o litoral de Pernambuco entre os dias 24 e 26 de outubro e verificou algumas das ameaças, como turistas pisoteando recifes e lotando as piscinas naturais, lixo sendo deixado por esses turistas e flutuando em meio aos corais, construções polêmicas à beira-mar e água suja fluindo de rios para o mar.

“Na Praia dos Carneiros [em Tamandaré], derrubaram todas as restingas e construíram um monte de prédio”, conta Mauro Maida, professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segundo ele, os corais têm uma taxa de crescimento muito lenta, alguns milímetros por ano, o que faz com que sejam necessárias décadas para se ter uma colônia de tamanho grande.

“Naturalmente ocorre a erosão dos recifes. O recife é um balanço de construção e erosão. Se você não tem coral, você não tem construção [do recife]. E se só tem erosão, o recife vai rebaixar e os 2,5 metros de maré, que a gente tem no estado, avançam e causam erosão costeira”.

A bióloga Gislaine Lima, da organização não governamental Projeto de Conservação Recifal, explica que a capital pernambucana, por exemplo, sofreu muito com a expansão urbana de sua orla nas últimas décadas, com a construção de centenas de prédios.

“Cinquenta, 60 anos atrás, a gente tinha três prédios aqui [em Boa Viagem]. Era uma área de casas de veraneio, para pessoas mais ricas de Recife, e uma vila de pescadores”, explica Gislaine. “Todas essas construções aumentam o assoreamento”.

Soluções

Para manter a saúde dos recifes de corais e garantir que eles continuem protegendo a costa e promovendo receitas para os municípios que vivem do turismo costeiro, o estudo sugere algumas medidas, como direcionamento de recursos dos governos para as unidades de conservação, implementação de taxas para a preservação da costa, monitoramento da saúde dos recifes e promoção de um turismo sustentável.

“Os recifes de coral podem ser mais explorados de forma positiva, não de forma predatória que vá danificar ainda mais os corais. Então, é importante a gente investir em turismo sustentável, o turismo de base comunitária, que envolve as comunidades locais; a ciência cidadã e o turismo regenerativo, no qual as pessoas fazem parte do processo de ajudar a restaurar aquele ambiente”, explica Janaína Bumbeer.

Recife(PE), 24/10/2023 - Comunidade de pescadores de Brasília Teimosa, cujo trabalho depende da preservação dos recifes costeiros, habitat de espécies no ecossistema marinho. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Comunidade de pescadores de Brasília Teimosa, cujo trabalho depende da preservação dos recifes costeiros, habitat de espécies no ecossistema marinho – Fernando Frazão/Agência Brasil

Por meio de nota, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Pernambuco informou que os recifes de corais são um dos principais ecossistemas marinhos do estado e que, atualmente, há dez projetos voltados diretamente para sua conservação, como os planos de combate ao lixo no mar e de combate a espécies invasores; e o estabelecimento de regras e zonas para a prática de turismo náutico e para a pesca.

Além disso, a Secretaria informou que desenvolve ações que, “transversalmente, estão a beneficiar os recifes de corais, como a Política Estadual de Resíduos Sólidos, que envolve a capacitação de todos os municípios do estado para lidar com seus resíduos e rejeitos sólidos e líquidos”, informa a nota.

*A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Fundação Grupo Boticário




Fonte: Agência Brasil

Ocupação de áreas de risco para moradia triplicou no país desde 1985


A ocupação para moradia de áreas reconhecidamente suscetíveis a inundações, deslizamentos, secas, estiagens e outros desastres climáticos aumentou 2,8 vezes no período de 1985 a 2022, ano em que 123 mil hectares de áreas de risco do país passaram a estar ocupadas.

Os dados, divulgados nesta terça-feira (31), são de levantamento do MapBiomas, rede colaborativa formada por organizações não governamentais (ONGs), universidades e empresas de tecnologia.

O crescimento da ocupação de territórios de risco foi proporcionalmente maior nas áreas de favelas, onde esse aumento foi de 3,4 vezes no período de 1985 a 2022. De acordo com o levantamento, em 2022, 3% da área urbana total estava em regiões de risco, considerando uma média nacional. Nas favelas, esse percentual chegou a 18%.

Entre as situações de risco avaliadas estão os fundos de vales, ou seja, áreas que ficam a, no máximo, três metros de distância vertical do rio mais próximo. O MapBiomas identificou 425 mil hectares de áreas urbanas nessa situação, mas que ainda não são oficialmente reconhecidas como áreas de risco. Dois terços (68%) desta ocupação ocorreram nos últimos 38 anos. De acordo com o levantamento, a ocupação muito próxima aos leitos quadruplicou de 1985 a 2022.

“Os dados mostram uma situação preocupante, onde as ocupações precárias e com maior vulnerabilidade a eventos extremos cresceram rapidamente. Enquanto as áreas urbanas no Brasil triplicaram desde 1985, a ocupação muito próxima aos leitos dos rios quadruplicou e a ocupação em áreas de alta declividade quintuplicou no mesmo período de tempo”, destaca um dos coordenadores de mapeamento de Áreas Urbanizadas do MapBiomas, Julio Pedrassoli.

Áreas íngremes

O levantamento avaliou ainda o cumprimento da lei 6766 de 1979, que proíbe ocupação e loteamentos em terrenos com declividade superior a 30%, suscetíveis a deslizamentos. Segundo o documento, 98,8% das áreas ocupadas cumprem a legislação. Porém, a ocupação das áreas proibidas aumentou 5,2 vezes desde 1985.




Fonte: Agência Brasil