Crianças se divertem com brincadeiras tradicionais guarani


O Museu das Culturas Indígenas, na zona oeste da capital paulista, celebrou o Dia das Crianças, nesta quinta-feira (12), oferecendo a oportunidade de conhecer brincadeiras tradicionais guarani mbya.

Pela manhã, as atividades começaram no pátio, em frente ao prédio onde funciona o museu. Porém, devido à chuva, a programação foi transferida para o espaço conhecido como Sala da Jiboia, que tem um grande pufe em formato de cobra.

O educador Juscelino Peralta explica que tentou trazer brincadeiras que fogem ao cotidiano das crianças da cidade. Entre as propostas estava o tiro ao alvo com arco e flecha. O indígena explica que nas comunidades, essa brincadeira é uma forma de preparação para as atividades da vida adulta. “Para ele ter a visão e a mira de como se faz com o arco e flecha”, destacou.

Também fez sucesso com as crianças a brincadeira de arrancar mandioca. Um dos participantes se segura em algo firme, como um tronco de árvore, sentado no chão. Então, os seguintes, também sentados, fazem uma fila em que se seguram pela cintura. O objetivo é que o “dono da roça” consiga arrancar todos os participantes da posição.

Essa brincadeira também se relaciona diretamente com as atividades cotidianas dos guaranis. “Tem que ter força, porque a mandioca, quando a gente vai na roça, a gente sofre para arrancar”, conta.

Para o educador, momentos como esses são importantes para combater preconceitos em relação aos povos indígenas. “É uma oportunidade para que a gente traga nossa cultura para pessoas de fora, que não conhecem, né? Que não sabem que existem povos indígenas em São Paulo. Porque, hoje em dia, tem pessoas que falam que os indígenas já não são mais indígenas porque usam celular, porque andam de tênis, porque têm roupas. Mas mesmo assim a gente ainda fortalece a nossa cultura, a nossa tradição, os nossos cânticos, danças e brincadeiras tradicionais”.

São Paulo SP 12/10/2023 . Brincadeiras guaranis para crianças no Museu das Culturas Indígenas. Brincadeiras da cultura Guarani Mbya . Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

São Paulo SP 12/10/2023 . Brincadeiras guaranis para crianças no Museu das Culturas Indígenas. Brincadeiras da cultura Guarani Mbya . Foto Paulo Pinto/Agência Brasil




Fonte: Agência Brasil

Entenda porque o Brasil não trata o Hamas como organização terrorista


Os ataques do grupo extremista islâmico Hamas em uma festa rave no último sábado (7), em Israel, deram início a um novo capítulo sangrento no histórico conflito entre esse grupo e o exército israelense. As características do ataque, com centenas de mortes de civis e outras vítimas sendo levadas como reféns, levantou a questão sobre a denominação do Hamas como um grupo terrorista.

Veículos de imprensa de todo o mundo e algumas nações classificam assim o grupo extremista que controla a Faixa de Gaza. Ao lamentar o episódio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelas redes sociais, se referiu ao ataque como terrorista, mas não estendeu tal adjetivo ao Hamas. Assim, o presidente segue a linha adotada pelo governo brasileiro.

O Palácio do Itamaraty emitiu um comunicado, nesta quinta-feira (12), para informar que segue as avaliações do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) na designação dos grupos considerados terroristas. Pela Carta da ONU, o Conselho de Segurança é o órgão encarregado de zelar pela paz internacional.

“O Conselho de Segurança mantém listas de indivíduos e entidades qualificados como terroristas, contra os quais se aplicam sanções. Estão incluídos o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, além de grupos menos conhecidos do grande público”, diz um trecho do comunicado.

Na nota, o Ministério das Relações Exteriores reafirma que, “em aplicação dos princípios das relações internacionais previstos no Artigo 4º da Constituição, o Brasil repudia o terrorismo em todas as suas formas e manifestações”.

Apesar da definição da ONU, países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Japão, integrantes União Europeia e outras nações classificam o Hamas como uma organização terrorista.

Já maioria dos países-membros da ONU, incluindo países europeus como Noruega e Suíça, além de China, Rússia, nações latino-americanas, como o próprio Brasil, México, Colômbia, seguem a definição atual da ONU que não classifica o Hamas como grupo terrorista. A ideia de uma posição mais neutra também é uma forma de manter os países como mediadores de conflitos, além de ampliarem a capacidade de proteção a seus cidadãos em áreas conflagradas.

“A prática brasileira, consistente com a Carta da ONU, habilita o país a contribuir, juntamente com outros países ou individualmente, para a resolução pacífica dos conflitos e na proteção de cidadãos brasileiros em zonas de conflito – a exemplo do que ocorreu, em 2007, na Conferência de Anápolis, EUA, com relação ao Oriente Médio”, diz ainda a nota do Itamaraty, para reforçar a posição brasileira atual.

Um grupo de deputados de oposição chegou a pedir, essa semana, que o Ministério das Relações Exteriores mude a classificação brasileira sobre o Hamas.

A violência em Israel e na Palestina chegou ao sexto dia nesta quinta, com a continuidade de intensos bombardeios na Faixa de Gaza, onde vivem 2,3 milhões de palestinos. Autoridades locais já contabilizam 1,2 mil mortes e mais de 5 mil feridos. Há pelo menos 180 mil desabrigados.

Em Israel, segundo a emissora pública Kan, o número de mortos havia aumentado para 1,3 mil desde o último sábado, quando começaram os ataques violentos promovidos pelo grupo islâmico Hamas.

Quem é o Hamas

O Hamas, nome que significa, em árabe, Movimento de Resistência Islâmica, é um movimento palestino constituído de uma entidade filantrópica, um braço político e um braço armado. Foi criado em 1987, no contexto da 1ª Intifada, que foi uma das revoltas Palestinas contra a ocupação de Israel.

Em 2006, o Hamas derrotou o Fatah nas eleições legislativas para a Autoridade Nacional Palestina (ANP), conquistando o direito de formar o novo governo. Os dois partidos, no entanto, entraram em conflito. O Hamas expulsou o Fatah da Faixa de Gaza. Em resposta, o Fatah rejeitou o governo de unidade e se manteve à frente da ANP, que passou a ter uma administração política voltada para as áreas da Cisjordânia.

Segundo o cientista político Leonardo Paz, o Hamas não reconhece o Estado de Israel e briga pela independência de um Estado Palestino. “Israel, por sua vez, diz que o território é seu e não tem como oferecer qualquer tipo de soberania a esse Estado palestino porque não haveria nenhuma garantia de segurança de que esse Estado não seria um posto avançado para atacar Israel”, acrescenta.




Fonte: Agência Brasil

Paralisação afeta funcionamento do metrô de São Paulo


Uma paralisação dos trabalhadores afetou o funcionamento do metrô de São Paulo nesta quinta-feira (12). Segundo a empresa, as linhas 1 (Azul), 3 (Vermelha) e 15 (Prata) chegaram a ficar completamente paradas, enquanto a Linha 2 (Verde) foi parcialmente afetada. No entanto, as operações foram retomadas por volta da 13h40, sendo que apenas a Linha 3 continua com o funcionamento interrompido.

Foi acionado o sistema de ônibus gratuitos para atender aos passageiros.

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo afirma, por nota divulgada nas redes sociais, que funcionários da Linha 2 receberam advertências em retaliação à greve realizada pela categoria no último dia 3. A paralisação desta quinta-feira (12) acontece como protesto a essa ação da empresa.




Fonte: Agência Brasil

Exposição retrata memória afetiva de brinquedos inspirados no futebol


Futebol de botão, futebol de tabuleiro, pebolim, jogo da velha de times de futebol, mascotes da Copa do Mundo feminina e masculina, álbuns de figurinhas, Super Trunfo, uma Barbie jogadora de futebol e um Mickey Mouse usando uma camisa da seleção brasileira de futebol. Todos esses brinquedos – e muitos outros que divertiram crianças de variadas gerações – poderão ser vistos a partir desta quinta-feira (12), na nova exposição em cartaz no Museu do Futebol, chamada de Futebol de Brinquedo. A curadoria é do jornalista e escritor Marcelo Duarte, autor da série de livros O Guia dos Curiosos.

São Paulo SP 11/10/2023 . Museu do Futebol  inaugura a nova exposição temporária “Futebol de Brinquedo.” Foto:  Paulo Pinto/Agência Brasil

Museu do Futebol inaugura a nova exposição temporária Futebol de Brinquedo.- Paulo Pinto/Agência Brasil

Muitos desses objetos são da coleção do próprio curador e fizeram parte de sua infância.

“Eu brinquei com todos eles. Muitos dos brinquedos que estão expostos são meus. A curadoria foi uma grande brincadeira: procuramos colecionadores para resgatar peças em bom estado e para mostrar o que era brincar de futebol dos anos 50 para cá. Há coisas aqui que são minhas, há brinquedos que eu fiz [como o Tira-Teima e a revista Jogando com a Placar] e tem brinquedos que eu até joguei, mas não tinha guardado comigo”, contou o curador à Agência Brasil.

Um dos filhos de Duarte relatou à reportagem que chegou a brincar com o Pregobol do pai, um dos objetos em exposição. Mas o futebol repleto de pregos simulando jogadores em uma tábua de madeira parece não ter conquistado o filho, que prefere mesmo brincar de futebol – porém no videogame.

E esse é um dos objetivos da exposição: mostrar ao público como foi brincar de jogar futebol ao longo do tempo.

“A primeira bola, que é o primeiro brinquedo da humanidade, teria surgido há 6 mil anos antes de Cristo. O ser humano chutar uma bola é algo muito milenar e ancestral. Mas o futebol foi sistematizado com regras na virada do século 19 para o século 20, pelos ingleses, mas há registros de futebol na China, no México e em lugares da Europa. Então, brincar de futebol, de fato, é ancestral”, explica Marília Bonas, diretora técnica do Museu do Futebol.

A mostra faz um mergulho na memória afetiva de brinquedos relacionados ao esporte mais conhecido do mundo. Se para os adultos é um resgate de memórias, para as crianças, ela deverá despertar a curiosidade. “É um passeio pela memória afetiva – e, imagino, de muitos pais, que hoje sofrem com os filhos mais novos jogando videogame, que é o meu caso, em que perco sempre de goleada. Mas essa exposição é para mostrar aos filhos que, quando não tinha videogame, a gente brincava assim. E era tão divertido quanto hoje em dia”, destacou Duarte.

“Temos muito claro que o futebol é um ponto de conexão entre pais e filhos e filhas. O que quisemos aqui foi homenagear os adultos, mostrando como se brincava de futebol. E trazer esse universo para os pais mostrarem a seus filhos como brincavam. O brincar de futebol é um jeito de conectar as gerações”, disse.

Alguns dos brinquedos em exposição são raros, como um boneco do Pelé, de 1958. Há também o Ludopedio, um jogo criado pelo cantor Chico Buarque, lançado em 1970, período em que ele ficou exilado na Itália.

São Paulo SP 11/10/2023 . Museu do Futebol  inaugura a nova exposição temporária “Futebol de Brinquedo.” Foto:  Paulo Pinto/Agência Brasil

Alguns dos brinquedos em exposição são raros, como um boneco do Pelé, de 1958- Paulo Pinto/Agência Brasil

“Um dos objetos de que mais gosto é o Manual do Zé Carioca. O Manual foi lançado pela primeira vez em 1974, e foi o primeiro livro de futebol da minha geração. Eu tinha quase 10 anos quando saiu esse manual e era o livro que trazia as curiosidades do futebol. Foi o ‘Guia dos Curiosos’ que eu li quando era criança e que me inspirou a fazer livros assim depois”, afirmou.

São Paulo SP 11/10/2023 . Museu do Futebol  inaugura a nova exposição temporária “Futebol de Brinquedo.” Foto:  Paulo Pinto/Agência Brasil

Manual do Zé Carioca – Paulo Pinto/Agência Brasil

Representatividade

Segundo a diretora técnica do Museu do Futebol, a curadoria buscou também apresentar que os brinquedos podem divertir meninos e meninas. Antigamente, eram voltados somente aos meninos e ao futebol masculino. Por isso, o visitante vai encontrar desde a mascote da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2023, a Tazuni, a um time de botão feminino.

São Paulo SP 11/10/2023 . Museu do Futebol  inaugura a nova exposição temporária “Futebol de Brinquedo.” Foto:  Paulo Pinto/Agência Brasil

Museu do Futebol inaugura a nova exposição temporária Futebol de Brinquedo.- Paulo Pinto/Agência Brasil

“A gente queria celebrar esse brincar de futebol e também trazer esse universo dos brinquedos de futebol, que é algo no Brasil a partir da década de 50 e que aí é atravessado por questões de representação. Temos muitos brinquedos aqui que, em tese, são voltados para meninos, embora as meninas também brinquem. Os times femininos ainda são pouco representados, mas o museu trouxe isso: produzimos alguns brinquedos [como as bonecas Mini Craques da seleção feminina de futebol] para mostrar que não é difícil ter o futebol feminino representado nos brinquedos”.

Entrada gratuita no feriado

No Dia da Criança, celebrado nesta quinta-feira, a entrada na mostra será gratuita. Além da exposição, as crianças poderão se divertir com uma série de atividades preparadas pelo museu. Entre elas, brinquedos infláveis, como escalada e desafio de chute a gol, e contação de histórias. Na área externa, haverá um Pregobol gigante e um pebolim humano, que farão parte da exposição e abertos para uso do público. A Orquestra de Heliópolis irá se apresnetar às 11h.

A exposição Futebol de Brinquedo pode ser visitada até abril do ano que vem, com entrada gratuita para o público às terças-feiras. Crianças de até 7 anos não pagam a entrada.

Mais informações sobre a mostra podem ser obtidas no site do Museu do Futebol .

São Paulo SP 11/10/2023 . Museu do Futebol  inaugura a nova exposição temporária “Futebol de Brinquedo.” Foto:  Paulo Pinto/Agência Brasil

Exposição está disponível no Museu do Futebol- Paulo Pinto/Agência Brasil




Fonte: Agência Brasil

Cristo Redentor completa 92 anos com festa e missa


O monumento ao Cristo Redentor completa, nesta quinta-feira (12), dia de Nossa Senhora Aparecida, os 92 anos do Santuário. Hoje, o Rio está com sol forte e a previsão é que a temperatura máxima chegue aos 37º Celsius.

A festa começou às 7h30 com a apresentação da Banda Marcial Frei Aniceto, da cidade de Petrópolis, região serrana do Rio. Em seguida, às 8h, o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, presidiu a santa missa em ação de graças pelo aniversário do Cristo Redentor, com a participação do Coro da Princesa, coral oficial do Cristo Redentor, sob a regência do maestro Leonardo Randolfo.

Às 9h, foi lançado o Departamento de Musicais da Escola de Música Cristo Redentor, que será coordenado pelo diretor Claudio Botelho. O Grupo Dó Ré Mi apresentará um número especial, com a presença de artistas convidados.

Uma música – Parabéns – foi cantada em homenagem ao Cristo Redentor, iniciativa da Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca), seguida de distribuição de um bolo comemorativo aos visitantes.

A programação no Cristo Redentor terá ainda uma reedição da visita do ator e comediante Renato Aragão ao interior do monumento. Agora, o artista irá até a cabeça da imagem, 32 anos após ter subido no braço do monumento. Depois, às 12h, será rezado o Ângelus, seguido, às 15h, do Terço da Misericórdia e, às 18h, será celebrada missa de encerramento em Ação de Graças pelos 92 Anos do Cristo Redentor.

Doações

Em homenagem ao mês das crianças, o Santuário do Cristo Redentor iniciou campanha solidária de doação de livros e brinquedos a crianças em situação de vulnerabilidade social.

Com muito amor e empatia ao próximo, a ação social Clássico é Brincar possui vários pontos de doação espalhados pelo Rio. Quem doar brinquedos ou livros novos ou em bom estado, na entrada dos shows do Festival Clássico do Brasil poderá adquirir ingressos meia-entrada solidária para o evento, entre os dias 20 a 22 de outubro, na Marina da Glória.




Fonte: Agência Brasil

Rio define lista de líderes de facções que vão para presídios federais


O governador Cláudio Castro (foto), do estado do Rio de Janeiro, se reuniu, nessa quarta-feira (11), com o procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, para alinhar o processo de pedido de transferência de líderes das facções criminosas do Rio para presídios federais.

O encontro foi na sede do Ministério Público. Castro disse que “o trabalho será feito em conjunto com as forças estaduais de segurança e os promotores de justiça. É preciso ter critérios claros e detalhados para que a transferência seja feita de forma correta e benéfica para o estado”.

O balanço da Operação Maré também foi abordado na reunião, além da parceria estratégica do governo local com o Ministério Público estadual.

Prejuízo de R$ 20 milhões

 “Quero parabenizar os nossos agentes de segurança pública. Em apenas três etapas da Operação Maré, já demos um prejuízo de mais de R$ 20 milhões às facções criminosas e vamos continuar asfixiando essas máfias. Continuaremos com o trabalho focado em tecnologia, aliado à inteligência e estratégia. Estamos no caminho certo”, avaliou Castro.

O procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, falou da importância da parceria dos órgãos estaduais e federais no combate à criminalidade. “A segurança pública é prioridade para o Ministério Público. Já atuamos de forma efetiva com investigação criminal, execução penal, ocupação irregular do solo e sistema financeiro, entre outras funções pertinentes ao Ministério Público. Com relação à transferência de presos, estamos trabalhando em conjunto com as forças de segurança estaduais e a lista será elaborada com responsabilidade e estratégia”, finalizou.




Fonte: Agência Brasil

Flup 2023 tem homenagens e batalhas de poesia falada


A 13ª edição da Festa Literária das Periferias (Flup) vai celebrar a oralidade ancestral que formou as diversas formas da cultura brasileira como a literatura e a música e ainda as periferias do mundo. O festival vai homenagear o escritor e fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL), Machado de Assis, que nasceu e cresceu na Ladeira do Livramento, no Morro da Providência, e Mãe Beata de Iemanjá, escritora e sacerdotisa de um sagrado sem bíblia, fundadora do terreiro de Candomblé Ilê Axé Omiojuarô, em Miguel Couto, na Baixada Fluminense.

Poetas de batalhas de poesia falada, conhecida como slam, artistas, escritores e escritoras vão participar, durante 9 dias, das atividades gratuitas de 12 a 15 e de 18 a 22 de outubro, na Vila Olímpica da Gamboa, Galpão da Ação da Cidadania e na Garagem Viação Regina’s, localizados ao redor do Morro da Providência, a primeira favela do mundo, na região central do Rio de Janeiro.

A homenagem a Machado de Assis vai destacar que a origem do escritor é a primeira periferia do Rio de Janeiro. “Machado de Assis, maior escritor brasileiro, não é o bruxo do Cosme Velho. Machado de Assis é cria a Providência. É uma pessoa negra de origem periférica, que nasceu no entorno no Cais do Valongo, na então primeira periferia do Rio de Janeiro”, disse o diretor fundador da Flup Julio Ludemir, em entrevista à EBC.

Mãe Beata

Mãe Beata vai ser homenageada com o lançamento, na sexta-feira (13), da biografia Mãe do Mundo, escrita pelo ativista Jefferson Barbosa, responsável pela curadoria da apresentação do babalorixá Adaílton Moreira, filho de Mãe Beata e líder Ilê Axé Omiojuarô, que vai discutir a importância do livro com Jurema Werneck, Lúcia Xavier e o próprio autor, com mediação da jornalista Maju Coutinho.

A homenagem se estende à mesa de debates A Casa da Mãe Beata e a Construção de Políticas Públicas para a População Negra, com a participação de Doya Moreira Costa, Laremi Emiliano, Thula Pires e mediação de Eliana Alves Cruz.

Ainda como parte da homenagem à Mãe Beata, a Aldeia dos Caboclos promoverá durante 7 dias encontros de mães e pais de santo da região metropolitana do Rio de Janeiro para falar sobre suas experiências com os caboclos.

Com curadoria de Valter Macumba, a Aldeia dos Caboclos terá shows que vão do Tecnomacumba, de Rita Benneditto, à voz ancestral de Tia Nicinha, passando por apresentações dos 22 terreiros envolvidos nessa ação, que terá líderes espirituais como Mãe Meninazinha, Torodi, Janaína Lázaro e o próprio Babá Adailton.

Slam

Depois da primeira edição, na Bélgica, em 2022, a Flup leva para o Rio de Janeiro o II Campeonato Mundial de Poesia Slam (World Poetry Slam Championship, em inglês), que reunirá poetas de diferentes países dos cinco continentes, representando África do Sul, Níger, Gana, Guiné, Burkina Faso, Quênia, Nigéria, Moçambique, Costa do Marfim, Marrocos, Bélgica, Itália, Luxemburgo, Inglaterra, Espanha, Eslovênia, Chipre, Eslováquia, República Tcheca, Irlanda, Lituânia, Japão, Israel, Nova Zelândia, Austrália, Canadá, México, República Dominicana, Costa Rica, Haiti, Uruguai, Colômbia, Chile, Venezuela, Peru, Argentina e Brasil. O slammer Ocotta vai representar o Brasil. A carreira dele começou em um dos processos formativos da Flup, o Slam Colegial de 2017.

De acordo com Ocotta, no Brasil costuma-se falar muito sobre vivências e seu cotidiano, mas o assunto é livre e qualquer pessoa pode falar o que quiser. “O slam é o espaço de escuta para pessoa que não são escutadas. Dá voz para pessoas que não têm voz. Qualquer pessoa pode chegar em um slam e recitar uma poesia. Quando eu comecei a fazer slam tinha muita vontade de desenvolver uma arte, seja qual for, mas não tinha espaço para isso, e o slam foi o espaço que foi abeto para mim”, revelou.

As batalhas vão ocorrer em quatro línguas oficiais: português, espanhol, francês e inglês, com traduções simultâneas e intérpretes de libras. Todas as rodadas e a final serão transmitidas ao vivo pelo Youtube da Flup. Cada poeta tem 3 minutos e não pode usar objetos cênicos.

“Todos esses poemas terão a tradução projetada em um telão no fundo do palco para que a plateia possa entender a língua falada nas periferias globais”, informou o diretor fundador da Flup.

Além de sediar pela primeira vez uma competição mundial de Slam, a Flup 2023 terá de 18 a 22 de outubro as batalhas de poesia TransSlam Internacional, o II Slam Coalkan, primeiro slam indígena, o I Slam das Minas BR, o Slam de Cria e a IV Batalha de Rimas.

Na programação trans, o público vai poder ver a Batalha Vogue e o show de Linn da Quebrada. “Um grupo liderado pelo poeta e ativista Tom Grito organizará uma mesa para debater a transmasculinidade, e a própria Linn da Quebrada discutirá a oralidade como uma forma de defesa das mulheres trans com a atriz e performer Kika Sena, com mediação da deputada Dani Balbi. O TransSlam terá poetas trans de cinco países da América do Sul”, informann os organizadores.

Debates

A programação prevê ainda mesas de debates com presenças como a da escritora Conceição Evaristo; do lavrador, poeta e escritor Nêgo Bispo; do compositor e cantor Emicida; da ensaísta e dramaturga Leda Maria Martins; do rapper, escritor e cineasta MV Bill e do cantor e compositor Marcelo D2. Também nas mesas, a programação incluiu uma série de debates sobre os 20 anos das cotas na UERJ, que vão discutir os temas assédio e violência contra a mulher.

Shows

Já na programação musical haverá apresentações das cantoras Rita Benneditto, Leci Brandão, Teresa Cristina, Bia Ferreira, Linn da Quebrada, do rapper e compositor Xamã e da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem.

Hip-hop

O festival vai comemorar também os 50 anos do hip-hop no mundo e os 15 anos da chegada dos slams ao Brasil.

A banda afro-americana The Last Poets, considerada precursora do rap e influenciadora do cenário do hip-hop e do slam, com seu icônico e revolucionário repertório de spoken word music, é uma das atrações internacionais confirmadas na programação. Além da performance artística, os músicos participam de uma mesa de debates com o rapper, ator, cineasta e escritor MV Bill. No domingo (15), ele fecha a noite com um show.

“Celebrando os 50 anos do hip-hop no mundo, olhando o hip-hop como uma expressão da periferia mundial, e em nome dessa celebração a gente vai organizar a festa zoeira, que a partir da década de 90 projetou o hip-hop nacional e carioca com nomes como Marechal e D2, toda uma geração de rappers cariocas”, disse Ludemir.

Filme

Ainda na programação, haverá mesa de debate sobre o filme independente Slam, com a participação do músico, escritor e ator Saul Williams, protagonista do trabalho dirigido por Marc Levin, que foi escolhido como o melhor filme do Festival de Sundance, em 1998. Os dois vão contar como o filme contribuiu para os slams se espalharem pelo mundo. Na sexta-feira (13), Willians também fará uma performance poética e participará da mesa A Escola da Rua, com Emicida.

A programação do dia 20 reservou espaço para a discussão de uma pauta indígena, com a realização do II Slam Coalkan e a mesa Literatura indígena contemporânea, que tem como convidados Emil’ Keme aka Emilio del Valle Escalante, da Guatemala, e Graça Graúna, e mediação de Trudruá Dorrico. A mesa Poemas tatuados em nossas memórias, será mediada por Maryano e participações de Vanda Witoto e Xamã.

No último dia, a Flup vai ter um debate com Assa Traoré e o Cacique Marcos Xukuru. A ativista do ano da revista Times, de 2020, Assa Traoré se tornou uma das mais relevantes lideranças periféricas da França depois que a polícia francesa assassinou seu irmão Adama. O cacique Marcos Xukuru, também se tornou uma figura marcante após o assassinato do seu pai por pistoleiros, na década de 1990, em represália à sua luta pela demarcação das terras do povo Xukuru, na cidade de Pesqueira, no Agreste pernambucano.

O diretor fundador da Flup, Julio Ludemir, estima que, por causa das atrações, o festival vai receber cerca de 40 mil pessoas. “A gente está trabalhando muito concentradamente e com muito foco para entregar um grandíssimo festival literário cultural multimídia para o povo periférico brasileiro e do Rio de Janeiro. Normalmente quando se chega nesses lugares [periferia], chega com a violência, com o preconceito, com tiros, com acusações, e a gente está chegando com cultura, alegria e representatividade”.

* Com informações da repórter do radiojornalismo Cristiane Ribeiro




Fonte: Agência Brasil

Força-tarefa combate efeitos das chuvas em Santa Catarina


Uma força-tarefa do governo federal desembarcou na cidade de Navegantes, em Santa Catarina, para acelerar o apoio do governo federal a municípios atingidos pelas fortes chuvas e prestar assistência às comunidades.  

A comitiva – liderada pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes – sobrevoou, nessa quarta-feira (11), as cidades mais afetadas pelos temporais, no Vale do Itajaí, entre elas, Rio do Sul e Taió. Depois, por terra, percorreu algumas localidades de Blumenau, onde seus integrantes se reuniram com o governador catarinense, Jorginho Mello, prefeitos, parlamentares e a comunidade.

A comitiva ainda contou com as presenças da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; do diretor-presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Mauricio Abijaodi; do Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros; do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Nacional, Décio Nery de Lima, e do diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde, Márcio Henrique de Oliveira Garcia.

Ações federais

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, celebrou a sinergia entre as defesas civis nas três esferas de governo – nacional, estadual e municipal.

“Começamos a fazer reuniões antes mesmo de as chuvas acontecerem. Assim como no governo estadual, existe um monitoramento feito por uma sala de situação do governo federal, que emite alertas e relatórios diariamente”, explicou.

“A lógica é a que deve prevalecer. O cidadão é o mesmo para ser assistido por nós. Se nós quisermos assistir cada vez melhor, é melhor que a gente tenha um entendimento sempre entre as três esferas de poder, que a gente chega mais fácil, mais rápido, mais organizado para atender o cidadão e sua família, seja no sofrimento, ou depois, na reorganização da sua vida”, disse Waldez Góes.

O governador Jorginho Mello apontou a necessidade de obras nos rios para evitar futuras enchentes, a exemplo de limpeza, desassoreamento, alargamento, desobstrução, remoção ou escavação de material no fundo de rios. “Uma das nossas prioridades é investir em dragagens e temos pressa”, afirmou.

Sobre o auxílio financeiro para a reconstrução dos municípios afetados, Waldez Góes destacou que o governo federal já reconheceu, de forma coletiva, a situação de emergência em 82 municípios. “Os 82 municípios estão habilitados para entrar com seus planos de trabalho e nós estamos autorizados pelo presidente Lula a apoiar todos os municípios”.

Waldez Góes listou as atividades de vários ministérios e órgão federais que, neste momento, estão à disposição de Santa Catarina para somar esforços. De acordo com o ministro, a Caixa Econômica Federal poderá disponibilizar o Saque Calamidade do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aos trabalhadores de cidades com o estado de calamidade pública já reconhecido; assim como a antecipação do pagamento de benefícios sociais, como o Bolsa Família, pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, aos beneficiários residentes nestas regiões.

Insumos

O ministro ainda detalhou a entrega de kit de medicamentos e insumos estratégicos, pelo Ministério da Saúde, para atendimento aos municípios atingidos por desastres naturais.

O diretor do Ministério da Saúde, Márcio Henrique de Oliveira Garcia, explicou que cada kit Calamidade é suficiente para atender cerca de 15 mil pessoas por 30 dias. Além disso, o Exército colocou à disposição dos gestores catarinenses 1.200 militares, veículos e equipamentos para auxiliar nos trabalhos locais.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, explicou a ocorrência de tantos eventos extremos no Brasil, que têm se repetido com uma frequência maior, em 2023, influenciada pela ocorrência do fenômeno natural El Niño e pelo aquecimento das águas de oceanos. “As coisas vão se intensificando. E aquilo que levava 20 anos, 10 anos, agora, começa a acontecer amiúde,” acentuou.

Ela enfatizou que é preciso trabalhar com foco na prevenção. “Vamos trabalhar o emergencial preventivo, que é esse treinamento que a Defesa Civil vai fazer. E vamos trabalhar o emergencial estruturante. Não dá para a gente dizer mais que isso foi um fenômeno natural. Nós sabemos que vai se repetir! Não é fácil, mas, nós vamos fazê-lo”, frisou.

Gestão das águas

Durante a visita a Blumenau (SC), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e o governo de Santa Catarina assinaram o Pacto pela Governança da Água. O documento pretende aperfeiçoar a gestão de recursos hídricos e a regulação dos serviços de saneamento básico. A adesão catarinense deverá  garantir a oferta deste recurso mineral em quantidade e qualidade.

O diretor-presidente da ANA, Mauricio Abijaodi, enumerou partes do documento assinado. “A gente inclui, especificamente, a parte de capacitação, monitoramento hidrometeorológico, segurança de barragens, infraestrutura hídrica e a parte de saneamento básico, onde se busca, acima de tudo, levar dignidade às pessoas”, afirmou.




Fonte: Agência Brasil

Apesar de lei, direito de brincar não é plenamente garantido no país


Desde o fim do mês passado, a nova sede da Central Única das Favelas (Cufa) no Complexo da Penha – região que reúne 13 favelas na zona norte do Rio de Janeiro – é uma alternativa para atividades de lazer para a população, incluindo as crianças, que encontram lá um espaço para brincadeiras.

No entanto, no começo desta semana, frequentar o local não era mais uma coisa trivial. O motivo é que, na segunda-feira (9), começou uma megaoperação da polícia à procura de criminosos, o que desencoraja pais e responsáveis de sair de casa com os filhos. Assim, o dia da brincadeira ficou para outra ocasião.

Em outra parte da cidade, também na zona norte, o motorista Anderson Vargas encontra dificuldades para levar os filhos, de 2 e 7 anos, para brincar. Ele conta que em uma das pracinhas perto de casa, “os brinquedos são precários, muita das vezes quebrados”. Em outra, “cachorros estão sempre na praça, roubando espaço de brincadeira das crianças”.

Crianças brincam no Parque Estadual da Água Branca, na Barra Funda.

Estatuto diz que criança têm direito de “brincar”. Foto:  Rovena Rosa/Agência Brasil

Declaração

Os dois exemplos, mais do que uma falta de oportunidade, são uma violação de um direito garantido a todas as crianças, o de brincar. O Artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, diz que a criança e o adolescente têm direito de “brincar, praticar esportes e divertir-se”.

Indo além, a Constituição de 1988, em seu Artigo 227, impõe que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer”.

A garantia do direito de a criança brincar está expressa também na Declaração Universal dos Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1959. O Princípio 7º determina que “a criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se”.

Saúde e desenvolvimento

Não é à toa que esse direito está cravado na legislação. Neste Dia das Crianças (12), a médica Evelyn Eisenstein, coordenadora do grupo de trabalho em Saúde Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que “brincadeira é um direito de saúde”.

“A criança desenvolve as suas habilidades, não só de coordenação e autonomia, mas as habilidades do desenvolvimento neuropsicomotor. Ela vai se tornando independente à medida que aprende a correr, pular, saltar, brincar de roda, brincar em uma equipe, com os amigos, aprende a ganhar a perder, explicou à Agência Brasil.

“Ela ativa os mecanismos hormonais. A brincadeira é um elemento saudável, inclusive da saúde mental das crianças e adolescentes.”

Brincadeira de criança

Adultos precisam entender a importância do brincar. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agênci

A coordenadora da secretaria executiva da ONG Aliança pela Infância, Leticia Zero, complementa que, ao brincar, a criança aprende a lidar com frustações, tolerância e diversidade. “O brincar é a expressão mais genuína”, diz.

A Aliança pela infância foi criada para fazer esse direito se espalhar por várias partes do país e classes sociais.

Uma das iniciativas é a difusão da Semana da Infância e Cultura de Paz, iniciada na segunda-feira (9) e que vai até o domingo (15).

Barreiras do brincar

Apesar de tanto incentivar o livre brincar, Leticia conhece bem as barreiras que as crianças brasileiras enfrentam para fazer valer essa necessidade. O primeiro obstáculo a ser citado é o vivenciado pelos moradores do Complexo da Penha, grandes cidades e áreas de periferia: a violência urbana. “Muitas vezes os espaços não são seguros para que a criança vá brincar.”

Leticia acrescenta outros fatores à lista, como a zeladoria e conservação de equipamentos públicos. Ela dá o exemplo de praças com mato alto, brinquedos quebrados e calçamentos irregulares que expõem ao risco de acidentes. Ou simplesmente a inexistência de pracinhas em algumas regiões.

A coordenadora da ONG destaca problemas como acessibilidade, tanto ao tornar o local inadequado para crianças com deficiência, quanto o deslocamento dos pais ao local em si. “Muitas vezes você tem jornadas de transporte que demoram muito tempo e custam dinheiro para chegar em um espaço onde a criança pode brincar.”

Uma pesquisa divulgada terça-feira (10) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que 60% das crianças e adolescentes brasileiros tinham alguma privação de direitos, como moradia, saneamento, educação e renda. Isso representa quase 32 milhões de pessoas.

Consequências

“Criança que não brinca é uma criança doente”, compara Evelyn Eisenstein, da Sociedade de Pediatria. “Ela fica deprimida, isolada, vai ficando sedentária.” Prova de que a necessidade de brincar é tão essencial é que nos hospitais há espaço para brinquedotecas, cita a médica. O mesmo vale para as escolas. Ao mesmo tempo em que dão o ensino obrigatório, oferecem o tempo que, para muitas crianças, é a melhor coisa do dia de aula: a hora do recreio.

“Quando a criança tem o acesso ao brincar prejudicado ou negado, ela deixa de se desenvolver”, acrescenta Leticia Zero.

Anderson percebe claramente as mudanças no comportamento dos filhos quando não brincam como deveriam. Ele nota que os filhos estranham a interação com outras crianças, ficam agitadas e dormem mal.

“Seria ótimo se tivesse um lugar onde eles pudessem gastar energia e fazer atividades com outras crianças. Quando eles fazem isso, eles dormem melhor, ficam realizados, com as carinhas de muito felizes”, afirma o pai.

Busca de soluções

Para a coordenadora Letícia, a  forma de fazer com que as brincadeiras sejam cada vez mais acessíveis às crianças passam por iniciativas do poder público, da sociedade e dos próprios pais ou responsáveis.

Um exemplo que a gestora da ONG cita é a regulamentação de leis, como a da existência de brinquedotecas em hospitais. Ela considera que algumas são decadentes e não cumprem o propósito.

Aa garantia de brincar, segundo a coordenadora, não deve ser tratada como política específica, direcionada para crianças apenas. Um exemplo que ela sugere seria “uma política pública que favoreça o transporte urbano em grandes cidades, de forma que os pais não fiquem duas horas para ir e voltar do emprego e possam ter um tempo de qualidade com a criança em casa”.

Além de mais zeladoria para equipamentos públicos e integração desses locais com a natureza, ela propõe a visão de que, mesmo lugares que não são específicos exclusivamente para crianças precisam ter um espaço para brincadeiras, por exemplo, em salas de espera de unidades básicas de saúde e serviços públicos de atendimento à população.

Pequenas e simples atividades cotidianas também devem ser vistas pelos pais e responsáveis como oportunidades de brincadeiras para as crianças, segundo a representante da ONG. “Entender que brincar não é uma atividade que só que vai acontecer em um período curto, específico”, ressalta.

“Qualquer atividade que a gente faça, seja levando a criança para caminhar, para ir na padaria, ela vai querer subir e descer das rampinhas, pular degraus”, exemplifica. É preciso, de acordo com Leticia, entender que criança não se comporta como adulto. “A criança precisa poder se expressar livremente o tempo todo”, diz. “Os adultos precisam entender essa importância do brincar. É preciso reencantar o olhar do adulto para a criança.”

Recomendações

Apesar da importância do ato de brincar, pais e responsáveis precisam saber impor limites quando se trata de entretenimento por meio de telas, adverte a pediatra Evelyn Eisenstein.

“Uso excessivo precoce e prolongado dos videogames, televisão e qualquer tipo de tela é prejudicial à saúde das crianças e adolescentes. Ela fica fazendo uma distração passiva”, alerta.

Crianças assistem vídeos em celulares conectados no programa “Wi-fi na Praça”

Crianças assistem vídeos em celulares – Isac Nobrega/ PR

Essa “epidemia” das telas começa a ser tratada por políticas públicas.

Na terça-feira (10), o governo federal lançou uma consulta pública para a elaboração de um guia com orientações para o uso de telas e dispositivos digitais por crianças e adolescentes. A consulta é aberta a toda a sociedade e ficará disponível por 45 dias na plataforma Participa + Brasil.

Outro cuidado que a médica da SBP orienta é em relação a classificação etária e indicativa de brinquedos e fontes de entretenimento como filmes e vídeos. “As brincadeiras devem ser de acordo com a maturidade de cada criança”, orienta.

A adequação dos brinquedos em pracinhas públicas é mais um ponto que deve ser mais adequado, de acordo com Leticia Zero. “Parques estão acessíveis para crianças a partir de três, quatro anos. Onde ficam os bebês, onde brincam as crianças com menos de três anos?”, pergunta. “Qualificar os espaços para as crianças pequenas e para os bebês também é muito importante”.

Leticia defende que o tempo da infância seja respeitado. “A criança vai ser criança por 12 anos. É um tempo muito curto e ele é fundamental. Os processos de desenvolvimento que acontecem durante esse período são fundamentais para dignidade dessa pessoa.”

Para ela, uma lição deve ser aprendida com as comunidades indígenas. “Um indígena nunca pergunta o que a criança vai ser quando crescer, porque ele sabe que a criança já é tudo que ela precisa ser agora. Então a gente precisa garantir os direitos da criança. Ela precisa poder exercer a sua infância agora.”




Fonte: Agência Brasil

Rodovias federais têm segurança reforçada no feriado


Desde os primeiros minutos desta quinta-feira (12), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) colocou em ação a Operação Nossa Senhora Aparecida 2023. A meta é reduzir a violência no trânsito, com a queda no número de acidentes e de mortes nas rodovias. A mobilização seguirá até as 23 horas e 59 minutos de domingo (15).  

Neste período, quando é comum o aumento do fluxo de veículos nas estradas, o policiamento preventivo de acidentes e de fiscalização da PRF ganhará reforço, sobretudo, em pontos das rodovias federais com maior incidência de acidentes graves.

Em São Paulo, onde há grande concentração de romeiros que se deslocam a pé – por diversas rotas – até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida, as equipes da PRF vão acompanhar parte do trajeto feito pelos fiéis.

Morte de romeiro

Na madrugada de segunda-feira (9), um romeiro de 67 anos morreu atropelado na Rodovia Presidente Dutra durante o percurso para o Santuário Nacional de Aparecida para as celebrações do Dia da Padroeira do Brasil, nesta quinta-feira (12).

De acordo com a PRF, o atropelamento aconteceu por volta das 4h, no km 178, na região de Guaratema. O romeiro, que caminhava pela faixa de rolamento e não pelo acostamento, morreu na hora. De acordo com a PFR, chovia quando a vítima foi atingida por um carro.

Causas de acidentes

Segundo a PRF, as causas mais comuns de acidentes nas rodovias brasileiras estão relacionadas a ultrapassagens indevidas, excesso de velocidade, não uso do cinto de segurança e demais dispositivos de retenção obrigatórios, como assentos de elevação, falta de uso do capacete, embriaguez ao volante, pouco ou nenhum tempo de descanso; e muito frequentemente, , uso de telefone celular ao volante. Historicamente, essas condutas estão diretamente relacionadas aos altos índices de letalidade.




Fonte: Agência Brasil