Incêndio destrói parte do Mercado da Encruzilhada, no Recife


Um incêndio destruiu parte do tradicional Mercado da Encruzilhada, na zona norte do Recife, neste domingo (3). Não houve mortes nem feridos e ainda não se sabe a origem das chamas, segundo as autoridades locais.

O Corpo de Bombeiros informou à Agência Brasil que a corporação foi acionada às 9h30 deste domingo para conter as chamas que se espalharam por dez boxes do mercado do mercado. Um dos principais mercados públicos da capital pernambucana, o estabelecimento conta com 214 boxes, segundo a prefeitura do Recife.

Ainda segundo os bombeiros, parte do teto desabou em decorrência das chamas. Os vídeos que circulam nas redes sociais neste domingo mostram uma intensa chama com densa fumaça saindo de dentro do mercado.

Nas redes sociais, a prefeitura informou que o fogo já foi controlado e que “todo apoio será dado aos permissionários”, que são os comerciantes do local. Ainda segundo a prefeitura, “tão logo seja possível, serão iniciados os trabalhados para o suporte estrutural e a reconstrução da área atingida”.




Fonte: Agência Brasil

“Inteligência fora do comum”, afirma Bethânia sobre Waly Salomão


O poeta, escritor e letrista da música popular brasileira (MPB) Waly Salomão, nascido em Jequié, na Bahia, faria 80 anos neste domingo (3). Artista inquieto, a sua morte, em 2003, em consequência de um câncer, é muito sentida até hoje por uma legião de amigos e admiradores, pelas lembranças de sua participação tanto nas diversas manifestações da arte quanto em movimentos em defesa da cultura brasileira.

“Acho que o Brasil perdeu, acho eu perdi, acho que o mundo perdeu uma inteligência, uma sensibilidade, uma novidade, incomuns. Meu grande amigo e poeta extraordinário”, disse à Agência Brasil a cantora Maria Bethânia.

“Eu fui muito amigo do Waly Salomão e, de fato, ele era uma pessoa especial. Primeiro porque era um poeta muito sensível, era um amor de pessoa e faz muita falta. Foi uma das pessoas mais sensíveis com quem me deparei na música popular brasileira. Pessoa muito inteligente e de cultura muito ampla”, contou o historiador e jornalista Ricardo Cravo Albin, pesquisador de MPB, à Agência Brasil.

Em 1967, Waly Salomão se formou em direito na Universidade Federal da Bahia, mas preferiu não exercer a profissão. Lá mesmo na faculdade, fez outro curso que lhe agradava mais. Entre 1963 e 1964 estudou na Escola de Teatro.

Na literatura, o primeiro livro foi Me Segura qu’eu Vou Dar um Troço, escrito enquanto estava preso, em 1971, em uma cela do Carandiru, em São Paulo, durante a ditadura militar. O lançamento, no entanto, só ocorreu um ano depois, após sair do presídio. Em 1997, foi vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de poesia Algaravias. O último livro, Pescados Vivos, foi publicado em 2004, depois da sua morte.

Na música, a parceria com Jards Macalé rendeu muitos sucessos, como Vapor Barato, um dos destaques da carreira da cantora Gal Costa e do grupo O Rappa. Os dois compuseram ainda Mal Secreto, que foi uma das músicas do show Fa-Tal de Gal Costa, considerado icônico. A canção foi gravada também por Luiz Melodia.

“Tudo que ele escreveu, tudo que ele criou, o espetáculo de Gal, Fa-Tal, é uma das obras-primas da música e do teatro brasileiro”, apontou Bethânia.

Além de letrista, Waly era produtor artístico e, nos anos 1990, realizou dois trabalhos com Cássia Eller: Veneno AntiMonotonia, em 1997, e Veneno Vivo, no ano seguinte. Cássia dizia que o encontro com Waly tinha tanta identidade que parecia um casamento.

No cinema, como ator, foi o personagem principal no filme Gregório de Matos, em 2003, que teve direção da cineasta Ana Carolina. O filme narra a vida do poeta baiano, na Bahia do século 17.

Tropicalismo

No movimento tropicalista na década de 1970, que se estendeu a diversas expressões artísticas incluindo música, poesia, cinema, teatro e artes plásticas, se juntou a Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Capinam, Tom Zé, Nara Leão, Gal Costa, Os Mutantes e Rogério Duprat, apesar das pressões militares da época.

“Uma pessoa muito culta que era, ele teve participação teórica nesses movimentos todos, escreveu muitas teses, escreveu sobre o tropicalismo, escreveu muito sobre este tipo de rebeldia tão natural ao tropicalismo que queria originalidade, coisas novas e referências brasileiras”, pontuou Cravo Albin.

A defesa da cultura levou Waly a ocupar alguns cargos na administração pública. Foi presidente da Fundação Gregório de Matos, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Na gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, no primeiro governo Lula, foi secretário nacional do Livro e Leitura e tinha como proposta incluir o livro na cesta básica brasileira.

“Saiu de cena muitíssimo cedo. Ele poderia ter continuado muito mais. O destino, no entanto, nos privou de ter o convívio de Waly Salomão. Viveu muito pouco, mas o pouco que viveu, marcou”, disse o pesquisador.

“Acho que o Brasil deve uma reverência ao Waly, uma reverência nobre, bonita e ímpar, porque com ele não dava para ter igual pra ninguém. Ele era único no seu querer, no seu bem-querer, no seu mal-querer, na sua língua afiada, na sua inteligência, na sua beleza”, apontou Bethânia.

Os trabalhos com Waly foram muitos e intensificam as saudades que Bethânia sente do amigo e parceiro de momentos inesquecíveis. “Era meu amigo, vinha à minha casa para conversar naquele jeito estrondoso dele e tão delicado, tão fino com uma inteligência aguda fora do comum e um coração raro também. A vida perdeu muita graça sem ele. Sinto muita, mas muita falta dele em tudo, no meu trabalho, no meu cotidiano, nos meus dias, nas minhas noites, nas minhas conversas, nos encontros. Eu sinto falta do comentário do Waly, do olhar do Waly sobre aquilo. Sinto saudade dele, da figura, da pessoa. Waly foi, é, e será um poeta brasileiro, um amigo querido para sempre”, disse ela.

Waly foi autor de grandes sucessos da carreira de Bethânia: Talismã, Memória de Pele e Mel. “Waly dirigiu um espetáculo meu chamado Mel onde convivemos diariamente durante os dois meses de ensaio e mais toda a temporada e toda a turnê”, contou, saudosa.

Homenagem

No dia 19 de maio de 2003, o que era para ser uma conversa entre poetas na Bienal do Livro, no Riocentro, se tornou uma homenagem a Waly Salomão, falecido no dia 5 daquele mês. A edição do Café Literário: A Palavra Poética entre o cantor e compositor Caetano Veloso, o poeta, o compositor e escritor Antônio Cícero e a escritora Claudia Roquette-Pinto. No encontro, os participantes lembraram o espírito de liberdade e o humor afiado de Waly.

“Uma figura linda com um sorriso que ganhava o mundo. Meu querido. Morro de saudade dele. De todo modo, tudo que ele me deu, tudo que me ensinou, tudo que ele brincou, desenvolveu comigo, é tão bem guardado em mim com tanta doçura, com muitas saudades, que o meu único conforto assim, eu não quero esquecer, gosto de me lembrar de coisas de Waly. Eu quero ter ele ainda, não acredito e não gosto de saber que ele não está mais aqui junto com a gente. Morro de saudade dele e a vida perdeu um pouquinho o encanto sim. Viva o Waly!’, concluiu Maria Bethânia.




Fonte: Agência Brasil

Óperas são destaque do Theatro Municipal do Rio em setembro


O Festival Oficina da Ópera irá oferecer, no mês de setembro, o atrativo do canto lírico ao público, em algumas apresentações com preços populares. O evento também tem o objetivo de formar equipes de profissionais culturais.  

O Theatro Municipal vai apresentar as obras O Caixeiro da Taverna, de Guilherme Bernstein, com regência do próprio compositor nos dias 11 e 12 de setembro. A montagem Pagliacci será exibida em 15 e 17 de setembro, com coro e orquestra do Municipal e solistas convidados.

A opereta radiofônica O Sonho de Edgard, A Invenção do Rádio, de Adriano Pinheiro, será encenada nos dias 13 e 14 de setembro. Essa é uma parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O espetáculo leva ao público a vida de Edgard Roquette Pinto e o surgimento da Rádio MEC, hoje emissora da EBC. A história mostra como a Rádio MEC influenciou a sociedade, costumes, tendências e modismos, disseminando conhecimento e cultura pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil.

“É uma produção criativa e coletiva entre a Rádio MEC e o Theatro, e vai ser transmitida pela emissora no dia 13 de setembro. A história da rádio, como ela foi a primeira do Brasil, consequentemente é a história do rádio brasileiro”, conta Thiago Regotto, gerente-executivo das Rádios EBC, lembrando que a emissora completou 100 anos em 2023.

Democratização

O Festival Oficina da Ópera aposta na democratização da música clássica, concertos e apresentações eruditas. Duas das três obras estão incluídas no programa Municipal ao Meio-Dia, que propicia exibições a partir de R$ 2. As demais apresentações têm ingressos que variam de R$ 15 a R$ 60.

“Damos mais um passo rumo à democratização do Theatro Municipal, trazendo um público ainda mais amplo para conhecer nossos espetáculos”, diz Clara Paulino, presidente da Fundação responsável pelo Municipal.

Outra característica do festival é o programa elaborado com o objetivo de formar equipes criativas do setor no Rio de Janeiro, dando ênfase ao trabalho de jovens diretores cênicos.

“Jovens figurinistas, cenógrafos, iluminadores, três jovens diretores cênicos produzindo juntamente com a orientação de grandes profissionais da casa, pessoas experientes”, explica Eric Herrero, diretor artístico do Municipal.

A programação completa do Festival Oficina da Ópera e das apresentações até o fim do ano está no site do Theatro Municipal (theatromunicipal.rj.gov.br). O palácio histórico fica na Praça Floriano, s/nº, Centro, Rio de Janeiro.

Óperas são destaque do Theatro Municipal do Rio, em setembro. Arte: Divulgação

Óperas são destaque do Theatro Municipal do Rio, em setembro. Arte: Divulgação – Divulgação




Fonte: Agência Brasil

Passeio pelo bairro da Glória no Rio resgata memórias indígenas


A programação do quinto passeio do Rolé Carioca reúne atividades que visam ao resgate das memórias indígenas em um território originalmente ocupado pelo povo Tupinambá. Neste domingo (3), os participantes do circuito vão poder conhecer os pontos de identidade dessa etnia, no local hoje conhecido como bairro da Glória, na região central da capital fluminense, que é próximo ao Aterro do Flamengo e da Baía de Guanabara. A intenção é mostrar as presenças, contribuições e resistências indígenas, que, mesmo sendo essenciais para o desenvolvimento da cidade, passam por apagamento histórico no lugar.

Inicialmente o passeio estava previsto para o último dia 27, dentro das comemorações do Agosto Indígena, instituído em 2021, em São Paulo, para celebrar e reforçar a importância dos povos originários, além de preservar a história e incentivar o protagonismo dos indígenas que contribuem muito para a cultura brasileira.

“Nós queremos apresentar neste roteiro parte da história da nossa cidade, mas reconhecendo a importância e o protagonismo dos povos indígenas. Através do nosso patrimônio histórico e urbano vamos compartilhar informações não apenas das ações de resistência do povo Tupinambá, como também sua história, cultura, tecnologias e outras contribuições”, destaca à Agência Brasil a historiadora e pesquisadora do Rolé Carioca, Amanda Custódio.

“A importância desse rolé é garantir a visibilidade de uma luta que aconteceu ali, que é a grande luta da Confederação dos Tamoios, que, na verdade, foi a primeira resistência de povos Tupi e Guarani de vários lugares. Não existia uma etnia chamada tamoios. É porque o povo tupinambá vira para o português e diz ‘ta’mõi’, que em língua tupi quer dizer o mais velho, aquele que chegou primeiro e merece respeito. Os portugueses, que não entendiam nada, chamavam de tamoios, mas não existia o povo Tamoio, existia o povo Tupinambá”, conta a presidente da Associação Indígena Aldeia Maracanã (AIAM), Marize Guarani, em entrevista à Agência Brasil.

Circuito

O percurso foi traçado para visitar nove pontos: o Monumento a Pedro Álvares Cabral; o Projeto Caminho Ancestral da Glória, que é um mural galeria de arte a céu aberto; a Igreja de Nossa Senhora do Outeiro da Glória, que era Território Uruçumirim; o Monumento a São Sebastião, os Jardins do Palácio do Catete; o Posto 1 da Praia do Flamengo; a Foz do Rio Carioca, o Posto 2 da Praia do Flamengo e a Estátua de Estácio de Sá.

“A escolha do Rolé Carioca pelas Presenças Indígenas na Glória acontece porque nesse bairro ocorreu um processo de total relação com a fundação da cidade do Rio de Janeiro. Esse território pertencia ao povo Tupinambá que resistiu contra a colonização portuguesa e por isso sofreu um violento massacre. Foi no Outeiro da Glória que ocorreu a grande Batalha de Uruçumirim, um marco da colonização portuguesa no Rio de Janeiro, quando o povo Tupinambá foi derrotado e Estácio de Sá morto”, conta Amanda Custódio.

O Monumento a Pedro Álvares Cabral, em frente ao Metrô da Glória, escolhido para ser o ponto de encontro do circuito, permite reflexões. A pedagoga indígena Marize Guarani diz que isso também ocorre com o Monumento a São Sebastião, no centro da Praça Luís de Camões.

“A estátua de São Sebastião é colocada como se ele tivesse dado força aos portugueses, para que a guerra em que eles eram em maior número eles pudessem ganhar. Então, foi São Sebastião que ajudou os portugueses e se torna o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, só que isso é uma narrativa de uma guerra de imagens, ou seja, soterra a imagem do povo originário e em cima dela planta um santo católico”, diz.

Marize Guarani, que atua para manter a memória e a difusão da cultura dos povos originários, participou da equipe de pesquisa do rolé para a criação do passeio. “O Rolé Carioca vai tentar dar visibilidade a algo que a história da cidade não mostra, que é a presença do povo Tupinambá ali na região da Baía de Guanabara, onde havia 80 loteamentos”, revela.

A Glória não é a única região no Rio que no passado foi território indígena. Segundo Marize Guarani, basta apenas lembrar os nomes de diversos bairros que têm grafia tupi. “Ipanema, Grajaú, Turiaçu, tudo isso é território tupinambá. Isso é língua tupi. Tinham os aldeamentos em torno da Baía de Guanabara, mas também para dentro”, comenta, ao lembrar que há ainda presença do povo guarani em Maricá e na Costa Verde do Rio, onde em Paraty tem também uma aldeia Pataxó.

“Turiaçu fica entre Madureira e Rocha Miranda e não tem mais aldeia hoje. O único vestígio é o nome do lugar, como também o Grajaú, que não tem. Itatiaia também é nome indígena e não tem vestígio, vai apagando [a história]. Jacarepaguá esse nome é indígena. Tudo isso era também terra indígena”, pontua.

“É importante ressaltar que não só a Glória era um local com aldeamentos indígenas, mas sim todo o nosso território, por isso nós enquanto equipe do Rolé Carioca temos o compromisso de abordar a presença indígena em todos os circuitos históricos que realizamos”, completa Amanda Custódio.

De acordo com os organizadores do Rolé, a escolha pela Glória foi pelo caráter representativo de episódios da história colonial, “que ao mesmo tempo invisibilizou a memória dos povos ancestrais e a violência contra esses habitantes”. “O próprio nome do bairro revela uma das camadas de opressão e está associado ao genocídio dos povos indígenas no Rio de Janeiro”, destaca.

Conforme os organizadores, esta edição do Rolé Carioca tem patrocínio da Petrobras e da White Martins, com realização do Ministério da Cultura e do governo federal. Conta ainda com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura da prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura-Lei do ISS, além de copatrocínio da Universidade Estácio, em parceria com o Instituto Yduqs, e da First RH Group.

Rolé Carioca

O projeto cultural Rolé foi criado em 2012 com o propósito de pesquisar, catalogar e difundir conteúdo sobre o patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro. Atualmente tem mais de 50 mil seguidores nas redes sociais. “O Rolé tem a missão de formar um acervo multiplataforma sobre a história, cultura e memória da cidade, com ações que o apresentam em diferentes formatos, tais como passeios guiados por mais de 650 roteiros, banco de dados com mais de 500 pontos mapeados, canal de vídeos, site, jogo, aplicativo etc”, informaram os organizadores.




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena acumula e prêmio pode chegar a R$ 55 milhões


Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2628 da Mega-Sena sorteadas neste sábado (2), em São Paulo. Com isso, o prêmio acumulado para o próximo sorteio que será realizado na terça-feira (5) pode chegar a R$ 55 milhões.

As dezenas do concurso 2628 foram: 05 – 14 – 32 – 40 – 53 – 54.

As apostas para o concurso 2629 podem ser feitas em qualquer casa lotéricas credenciada pela Caixa ou pela internet.




Fonte: Agência Brasil

Kizomba é celebrada como experiência cultural em São Paulo


A vivência da cultura da kizomba é a proposta do Kizomba Design Museum, entre os dias 6 e 8 de setembro na capital paulista. O ritmo, criado por imigrantes angolanos e caboverdianos em Portugal é a “maior expressão cultural da diáspora africana que se expressa em português”, nas palavras de um dos curadores do projeto, o músico e escritor Kalaf Epalanga.

“Nós queríamos recriar, de forma estilizada, claro, o que acontece nas nossas festas de quintal. As nossas festas de quintal, – que eu acho muito parecido com o samba – você tem a música, a galera que está em um canto discutindo futebol, em outro canto, discutindo política. Comida – sempre uma feijoada. E, claro, muita bebida também, muita cerveja. Essa é mais ou menos uma dinâmica de uma festa de quintal, muito parecida com a cultura brasileira também”, explica Epalanga sobre a ideia de reunir comida, música e discussões sobre linguagem, identidade e política.

O artista conta que a kizomba foi um ritmo não só fundamental para a construção do kuduro, movimento musical em que é um dos expoentes, com o Buraka Som Sistema, como também foi um refúgio aos trabalhadores africanos, que, como ele, vivem na Europa.

São Paulo (SP) - Kizomba Design Museum Debuts in São Paulo with a Three-day Immersive Experience. Foto: Kim Praise/Kizomba

Kizomba Design Museum será de 6 a 8 de setembro- Kim Praise/Kizomba

Refúgio

“Eu, jovem da diáspora em Lisboa, me reencontrei nesses lugares. Eram pequenos santuários, onde a gente ia não só matar saudade, mas também, de certa forma, ganhar de volta a nossa dignidade, enquanto seres pensantes que ocupam o espaço europeu, mas que por vicissitudes da vida estamos em um lugar da pirâmide social onde nos sentimos carne de canhão para o sistema capitalista. Estamos ali como operários de fato. E, às vezes, é negada a nossa subjetividade. Eu sempre senti que a kizomba devolvia a nossa subjetividade, o nosso sentido de pertencimento. Era a verdadeira cultura comunitária”, reflete.

Como uma cultura diaspórica, a kizomba tem influências e semelhanças com ritmos de diversas partes do mundo. Epalanga detalha que o ritmo surge a partir do semba, “que é um dos ritmos tradicionais em Angola, muito em voga nos anos 1950 e 1960”. Além de beber de movimentos musicais do Congo e do Caribe, especialmente do zouk das Antilhas. Assim como no ritmo caribenho, na kizomba os pares também dançam “agarradinhos”.

“É um lugar que você sente o calor humano da sua comunidade. E quando eu falo comunidade, não falo só de pessoas negras ou racializadas, é o sentido mesmo dessa massa periférica que está na camada mais baixa da pirâmide social que tem na kizomba a fonte da alegria extrema e absoluta”, define Epalanga.

Encontro de povos

Sobre o nascimento dessa cultura, o artista aponta como fundador o encontro de dois povos africanos em Portugal. “Quando um grupo de jovens angolanos, notadamente Eduardo Paim e Ruca Van-Dunem, se mudam para Lisboa, levando esses ritmos, essas músicas, essa inspiração, quando chegam em Lisboa, encontrando a comunidade caboverdiana que estava muito presente, aí passa surgimento da kizomba de fato”, diz o escritor, que em seu livro, Também os Brancos Sabem Dançar, reconstrói as origens do kuduro. Outro ritmo diaspórico que ganhou repercussão mundial. Como influências determinantes para esse surgimento, Epalanga destaca não só a própria kizomba, como ritmos tradicionais portugueses e a música eletrônica.

Apesar da importância social, o artista acredita que falta reflexão estruturada sobre a cultura da kizomba. “Queremos, acima de tudo, criar memória. Aí, essa proposta de usar o termo museu e não só festival da kizomba. O termo museu está colocado ali estrategicamente. Nós queremos produzir pensamento a partir da memória da kizomba”, explica.

Comida, estilo e música

O Design Museum, que conta também com a curadoria do multiartista Nástio Mosquito, acontece no Copan, edifício icônico do centro paulistano. A programação passa pela Galeria Pivô, pela Livraria Megafauna e pelo Cuia Café.

As atrações começam com um matabicho – café da manhã angolano – servido pela chef Bel Coelho. O espaço da galeria vai receber ainda um mercado de beleza e estilo. Além dos debates, acontecem oficinas para quem quiser aprender alguns passos de kizomba.

A programação completa pode ser vista na página www.kizombadesignmuseum.com




Fonte: Agência Brasil

Hoje é Dia: semana da Independência celebra 100 anos da Rádio MEC


Esta semana tem um feriado nacional na quinta-feira. No dia 7 de setembro, o Brasil celebra um marco de sua história: o Dia da Independência, relembrando o momento em que o país conquistou sua autonomia política. A data já foi tema de diversas matérias de veículos da Empresa Brasil de Comunicação. Uma foi esta lista, publicada na Agência Brasil em 2017, com figuras importantes para a Independência. 

Também no 7 de setembro, há 100 anos atrás, houve o lançamento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, precursora da atual Rádio MEC AM. A fundação da emissora, que desempenha um papel crucial na educação e cultura do país, já foi tema de especiais como este do Portal EBC de 2016 e da Agência Brasil em 2021.

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Outras datas do mês

Em 5 de setembro, é também lembrado o Dia da Amazônia, uma oportunidade para aumentar a conscientização sobre a importância desse bioma tão vital para o planeta e para ressaltar a necessidade de sua proteção. Em 2017, o História Hoje, da Radioagência Nacional, falou sobre a data e sobre a região.

O Dia Internacional de Ação pela Igualdade da Mulher, em 6 de setembro, reforça a luta constante por igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Já o dia 8 de setembro, é o Dia Mundial da Alfabetização, reconhecido pela ONU. A data, que realça a importância da educação e da alfabetização como ferramentas essenciais para o desenvolvimento e progresso das sociedades, foi tema do Repórter DF em 2022. Assista:

Para fechar a semana, temos, em 6 de setembro, os 110 anos do nascimento de Leônidas da Silva, um dos primeiros craques da história do futebol brasileiro. Em 2013, o centenário dele foi tema do De Lá Pra Cá, da TV Brasil. Já em 2018, ele foi lembrado pelas Rádios EBC como o primeiro artilheiro brasileiro em Copas do Mundo.

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

Setembro de 2023

3

Nascimento do compositor, organista, teórico e poeta italiano do Renascimento tardio e princípios do Barroco Adriano Banchieri (455 anos)

Nascimento do poeta baiano Waly Salomão (80 anos)

Descoberta da penicilina por Alexander Fleming (95 anos)

4

Morte do cantor e compositor baiano Waldick Soriano (15 anos)

Morte do ator, diretor e produtor capixaba de teatro, cinema e televisão Fernando Torres (15 anos)

Registro da câmera Kodak pelo inventor norte-americano George Eastman (135 anos)

5

Morte da atriz fluminense Beatriz Segall (5 anos)

Desabamento do teto do Templo da Igreja Universal em Osasco, matando 24 pessoas e ferindo 467 (25 anos)

Dia Internacional da Caridade – data reconhecida pela ONU

Dia Internacional da Mulher Indígena – comemoração instituída durante o “2º Encontro de Organizações e Movimentos da América” que referendou decisão do “Congresso Camponês da Bolívia” de 1978, para marcar a data da morte da guerreira aymara e opositora do regime colonial espanhol, Bartolina Siza Maturana, que, juntamente com sua cunhada e também heroína aymara, Gregoria Apaza, foi enforcada e esquartejada por colonizadores espanhóis em 5 de setembro de 1782

Dia da Amazônia

6

Nascimento do músico, cantor e compositor inglês Roger Waters (80 anos) – um dos fundadores da banda de rock progressivo/rock psicodélico Pink Floyd, na qual atuou como baixista e vocalista

Morte do cineasta japonês Akira Kurosawa (25 anos)

Nascimento do futebolista e técnico fluminense Leônidas da Silva (110 anos)

Dia Internacional de Ação pela Igualdade da Mulher

7

Morte do violonista paulista Américo Jacomino, o Canhoto (95 anos)

Nascimento da atriz paulista Lucy Meirelles (95 anos)

Entra no ar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, predecessora da Rádio MEC AM (100 anos)

Início da circulação, a partir de Campanha-MG, do semanário “O Sexo Feminino”, dedicado “aos interesses da mulher” (150 anos)

Dia da Independência do Brasil

A Rádio Sociedade (atual Rádio MEC) entrou no ar (100 anos)

A Rádio Sociedade, doada ao Ministério da Educação e Saúde Pública, passou a se chamar Rádio Ministério da Educação (87 anos)

8

Dia Mundial da Alfabetização – data reconhecida pela ONU

9

Nascimento do compositor italiano Girolamo Frescobaldi (440 anos) – considerado um dos maiores compositores de música para cravo do século XVII. Foi também um organista reconhecido

Morte do militar, político e ex-presidente gaúcho do Brasil Hermes da Fonseca (100 anos)

Morte do cantor e compositor Mr. Catra (5 anos)




Fonte: Agência Brasil

Kayky Brito é transferido para hospital particular na zona sul do Rio


O ator Kayky Brito, 34 anos, foi transferido na tarde deste sábado (2) para o hospital Copa d’Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O artista foi atropelado no início da madrugada de hoje, ao atravessar a Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. Ele estava em um quiosque na orla da praia com amigos e atravessou a pista para ir ao carro. Quando retornou, foi atropelado por um motorista de aplicativo que tinha saído do Recreio dos Bandeirantes levando como passageiras uma mulher e uma criança. As passageiras e o motorista não se machucaram.

O motorista parou o carro e aguardou a chegada da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. O ator foi transferido para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, zona sul do Rio. O motorista foi à delegacia da Barra da Tijuca prestar depoimento e, em seguida, foi levado ao Instituto Médico Legal, onde foi submetido a teste de alcoolemia no sangue. O exame deu negativo para bebida alcoólica.

Kayky Brito foi diagnosticado com vários traumas, além de traumatismo craniano. O estado de saúde do ator é considerado grave.




Fonte: Agência Brasil

Bienal do Livro 2023 destaca literatura de mulheres afro-brasileiras


Começou nesta sexta-feira (1°) a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que comemora os seus 40 anos e vai até o dia 10 no Rio Centro, zona oeste da cidade. Espalhadas pela extensa programação, algumas atrações destacam a produção literária de escritoras negras na atualidade.

A jornalista e pesquisadora Carla Serqueira, que defendeu recentemente seu doutorado com a tese Racismos nas Trajetórias Escolares e profissionais de Jornalistas Negras, explica que o tema tem muita relação com a literatura, inclusive no apagamento sofrido por décadas por escritoras negras pioneiras.

Ela destaca que a literatura afro-brasileira feita por mulheres surgiu na década de 1850, com a publicação de Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, e consolidou-se como importante movimento de expressão e protesto, ao dar visibilidade a histórias, experiências e vozes marginalizadas.

“Esse livro foi encontrado por um pesquisador já na década de 60 do século 20. Ou seja, a partir disso é que se ouviu falar, que a crítica começou a conhecer o livro Úrsula. Então, é um século de desaparecimento. Enquanto a gente sabe que a literatura brasileira tem toda uma antologia, tem pesquisas muito antigas que escritoras como ela jamais seriam citadas”.

A pesquisadora lembra que apenas na última década o livro recebeu o devido reconhecimento por parte das editoras e foi relançado. “E aí tem as impressões, mostrando como que havia também uma demanda reprimida para consumir essa literatura. Então, a história da Maria Firmina e do livro Úrsula mostram tanto o pagamento proposital das mulheres, das escritoras negras, como a demanda reprimida de consumo, num país em que mais da metade da população é negra. Então, foi negado às pessoas ter uma literatura na qual pudessem se ver”.

Duplamente pioneiro, o romance Úrsula, publicado em 1859, narra horrores da escravidão e inaugurou a literatura afro-brasileira com um romance abolicionista no Brasil, sendo um dos primeiros livros publicados por uma mulher.

A escritora maranhense Maria Firmina dos Reis também foi a primeira mulher a ser aprovada em um concurso público no Maranhão, em 1847, se tornando professora. Importante voz de denúncia e indignação contra os maus-tratos sofridos pela população escravizada, suas palavras batem forte até hoje.

“Não é a vaidade de adquirir nome que me cega, nem o amor próprio de autor. Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e a conversação dos homens ilustrados, que aconselham, que discutem e que corrigem; com uma instrução misérrima, apenas conhecendo a língua de seus pais, e pouco lida, o seu cabedal intelectual é quase nulo.” (Prólogo de Úrsula).

Maria Firmina foi a autora homenageada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) do ano passado.

Carolina Maria de Jesus

Rio de Janeiro (RJ) - Mostra traz ao público carioca fotos e fatos da vida da escritora Carolina Maria de Jesus. Quarto de Despejo foi a primeira obra da escritora, conhecida mundialmente. Foto: Divulgação/Mostra CMJ

Escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo. Foto: Divulgação/Mostra CMJ

Carla Serqueira destaca também Carolina Maria de Jesus, que deixou seus relatos em forma de diários sobre a dura realidade na favela, no livro Quarto de Despejo, publicado em 1960. Sua história de vida, relatada no livro, é repleta de luta, desamparo e sofrimento. Segundo a pesquisadora, este foi o primeiro livro de uma escritora negra que ela própria leu, já no doutorado, quando também teve o primeiro contato com outras intelectuais negras, como Lélia Gonzáles e Beatriz Nascimento.

“Naquele momento, ela teve os holofotes, né, ela inclusive vendeu o livro Quarto de Despejo, mas realmente não conseguiu viver da literatura. Inclusive teve as condições de vida muito precárias, com os filhos. Então, talvez tenha sido um momento em que a literatura branca achou interessante dar um destaque, naquele momento específico para ela, mas que não era exatamente uma abertura para que ela se consolidasse como uma escritora, com todo o reconhecimento que ela merecia”.

A autora foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que foi à favela do Canindé para fazer uma matéria a ajudou a publicar seu primeiro e mais famoso livro. Carolina chegou a lançar seus livros fora do Brasil, tendo traduções em 14 línguas, relatando sua dura realidade:

“Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.” (Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus).

Nomes e desafios do século 21

Na atual cena literária, cresce significativamente a produção de escritoras negras que têm contribuído para ampliar o espaço de tais narrativas no Brasil. Conheça algumas que marcarão presença na Bienal do Livro.

Conceição Evaristo

Rio de Janeiro (RJ), 20/07/2023 - A escritora Conceição Evaristo lança a Casa Escrevivência, um espaço aberto ao público com biblioteca, no Largo da Prainha. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A escritora Conceição Evaristo lança a Casa Escrevivência, um espaço aberto ao público com biblioteca, no Largo da Prainha. Foto: Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

Uma das escritoras brasileiras mais celebradas da atualidade, Conceição Evaristo estará no Café Literário da Bienal no dia 5, às 18h. Serqueira detalha a alegria de ver o reconhecimento da escritora ainda em vida. Apesar de publicar livros desde a juventude, Evaristo só passou a ser conhecida depois dos 70 anos de idade.

“Tem livros clássicos da Conceição, já é uma mulher que realmente é clássica na literatura brasileira. Eu espero que ninguém, nem da academia, negue a importância que a Conceição Evaristo tem, não somente pelo fato de ser negra, isso é importante dizer, é pela qualidade do trabalho literário que ela oferece, autenticidade e, sem dúvida, a perspectiva né? Que é decolonial, contra hegemônica, em uma perspectiva que o Brasil era carente de ter como referência certo.”

Escritora, ficcionista e ensaísta, Evaristo é uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil. Com sete livros publicados, entre eles o vencedor do Prêmio Jabuti de 2015, Olhos D’água, suas obras, em especial o romance Ponciá Vicêncio, de 2003, abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe.

Ana Maria Gonçalves

Abertura do Festival Latinidades 2014: Griôs da Diáspora Negra, o maior festival de mulheres negras da América Latina. Na foto, a escritora brasileira, Ana Maria Gonçalves (Valter Campanato/Agência Brasil)

Escritora brasileira Ana Maria Gonçalves durante abertura do Festival Latinidades 2014. – Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil

Autora do monumental Um Defeito de Cor, atua também como roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa. Gonçalves participou no dia 1º da mesa Palavra-Chave, com o painel As muitas cores de um defeito de cor, além de ter sido homenageada na abertura do evento, na manhã do mesmo dia.

“É um livro genial, que conta a história de uma mulher negra desde que chegou no Brasil, na diáspora africana. É um livro que mereceria virar um seriado, outras formas, uma novela, quem sabe, que pudesse ganhar outros suportes para alcançar públicos além da literatura. É um livro que já tem assim anos que foi publicado e começa a ter também um holofote e um reconhecimento da importância dele existe”, ressalta a pesquisadora Carla Serqueira.

O painel debateu o romance de Gonçalves, que influenciou músicos, escritores e poetas, virou tema de uma exposição que reuniu diversos artistas contemporâneos e será levado à Marquês de Sapucaí como inspiração do enredo da Portela em 2024.

Ynaê Lopes dos Santos

Mestre e doutora em História Social pela Universidade de Sã Paulo (USP), professora de História das Américas na Universidade federal Fluminense (UFF). É autora dos livros Além da Senzala. Arranjos Escravos de Moradia no Rio de Janeiro, História da África e do Brasil Afrodescendente, Juliano Moreira: médico negro na fundação da psiquiatria do Brasil e Racismo Brasileiro: uma história da formação do país. A autora estará na Bienal no dia 7, às 19h na mesa Palavra-chave, com o painel Uma nova independência, que irá propor uma conversa sobre como a sociedade brasileira precisa entender suas origens para definir novos caminhos.

Cidinha da Silva

Escritora mineira com 17 livros publicados, Maria Aparecida da Silva é graduada em História pela Universidade federal de Minas Gerauis (UFMG), presidiu o Geledés – Instituto da Mulher Negra e foi gestora de cultura na Fundação Cultural Palmares. Premiada pela Biblioteca Nacional em 2019 com o livro de contos Um Exu em Nova York, na Bienal, participou nesta sexta-feira da mesa As muitas cores de um defeito de cor.

Eliana Alves Cruz

Nascida no Rio de Janeiro, é escritora e jornalista. Seu romance de estreia, Água de barrela, ganhou o prêmio Silveira Oliveira, da Fundação Palmares, em 2015. Também recebeu o Prêmio Jabuti em 2022, com o conto A Vestida. É autora ainda de O crime do cais do Valongo (2018) e Nada digo de ti, que em ti não veja (2020). Cruz participa do Café Literário no dia 3, às 16h, no painel Segredos de Família, que irá versar sobre as várias formas de narrar as relações familiares, e os procedimentos adotados na hora de contar as vidas e as histórias de pessoas que também são o retrato de uma sociedade.

Eliane Marques

Nascida na fronteira entre Brasil e Uruguai, é tradutora e coordena a editora Escola de Poesia Amefricana e o selo Orisun Oro. Filiada à Àpres Coup Psicanálise e Poesia, publicou Relicário (2009) e os premiados E se alguém o pano (2015) e O poço das marianas (2021). O primeiro romance, Louças de família, sai este ano. Estará na sessão Captura a fala do dia 3, ao meio-dia.

Stephanie Borges

Poeta e tradutora, seu livro de estreia, Talvez precisemos de um nome para isso (2019), venceu o IV Prêmio Cepe Nacional de Literatura. Participou da antologia As 29 poetas hoje, organizada por Heloisa Buarque de Hollanda, colabora com veículos como a Folha de S. Paulo e a Revista Quatro Cinco Um e é colunista do site da Livraria Megafauna. A poeta vai participar da Captura a fala no dia 3 e de duas mesas no dia 10: Diásporas e raízes, às 14h, e Páginas no palco – Macacos – Dramaturgia-denúncia com Clayton Nascimento, às 18h.

Natasha Felix

Poeta e performer santista, investiga as interlocuções entre o corpo negro, a palavra falada e manifestações culturais como a dança, a literatura e a música. Já participou de projetos como o espetáculo Black Poetry e Instrumental Poesia, no Sesc Av. Paulista. Foi assistente curatorial no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) do Rio de Janeiro, onde trabalhou nas exposições Terra em tempos: fotografias do Brasil, Nakoada: estratégias para a arte moderna e Atos de revolta: outros imaginários sobre independência. Atualmente, é editora artística no Museu do Amanhã. Publicou o livro Use o Alicate Agora (2018) e integra as antologias Nossos poemas conjuram e gritam (2019) e As 29 poetas hoje (2021). Na Bienal, participa da atividade Mais que o poema, no dia 4 às 18h.

*Colaborou o estagiário Francisco Eduardo Ferreira.




Fonte: Agência Brasil

Big Techs aprofundam dependência econômica do Brasil, diz pesquisador


O pesquisador, escritor e jornalista bielorusso Evgery Morozov está em viagem pela América do Sul divulgando sua pesquisa sobre os efeitos nocivos que as grandes empresas de tecnologia, as Big Techs, podem causar às economias que fazem uso dos serviços oferecidos pelas gigantes da tecnologia, como é o caso do Brasil.

Além de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, a agenda de Morozov prevê escalas no Chile e na Argentina.

Em palestra na Universidade de Brasília (UnB) com o tema Contestando o poder das Big Techs: soberania tecnológica e futuros digitais alternativos, o pesquisador defendeu que países como o Brasil devem buscar sua autonomia tecnológica, desenvolvendo técnicas e infraestruturas digitais próprias de forma a não depender das Big Techs estrangeiras.

“Em essência, estamos nos tornando mais dependentes, pagando cada vez mais por serviços e infraestruturas que, idealmente, deveriam ser desenvolvidos sob modelo diferente. Deveriam ser desenvolvidos sob o domínio do país que os consomem, da mesma forma que desejamos ter controle das nossas infraestruturas fundamentais, como petróleo e eletricidade”, destacou.

O pesquisador que vive na Itália afirma que a mera regulação das plataformas digitais, apesar de importante, não é suficiente. Para ele, a autonomia econômica de uma nação depende da autonomia tecnológica, ou seja, do domínio sobre as tecnologias digitais de ponta. “Defender a soberania tecnológica é defender a soberania econômica, o primeiro é pré-requisito para o segundo”, afirmou.

Papel do Estado

Morozov sustenta que somente o Estado pode liderar uma transformação no mundo digital capaz de fazer frente ao poder das Big Techs. “As nações devem investir em setores emergentes e promover novos empreendimentos que desempenhem papeis essenciais em tecnologia, desde microprocessadores para 5G, como Inteligência Artificial (IA)”, observou. Como essa agenda enfrentaria, segundo o pesquisador, fortes oponentes, apenas o Estado seria capaz de liderar um desenvolvimento tecnológico com base nacional.

“Haverá oponentes corporativos. Veremos agências de segurança nacional – como a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) – se opondo a mudanças. A única maneira de realizar de fato esse sonho é com o Estado equipado com todo seu poder e burocracia esforçando-se para implantar essa visão, ao mesmo tempo protegendo-se contra ameaças de subversão”, destacou.

O pesquisador citou o caso da China, que tem ampliado o investimento em semicondutores (chips), infraestrutura digital móvel (5G) e IA. “A China tentou se libertar dessa dependência, e os Estados Unidos (EUA) tomaram medidas significativas para evitar”, destacou.

Entre outras medidas, o presidente dos EUA Joe Biden proibiu, no mês passado, novos investimentos estadunidenses em “tecnologias sensíveis” na China, como semicondutores (chips) e IA.

Além disso, Morozov acrescentou que desenvolver infraestruturas digitais e IA alternativas custaria muito dinheiro, o que só poderia ser financiado pelo Estado.  “Tem que dedicar recursos, fundos públicos, para desenvolver infraestruturas digitais com bilhões de dólares em investimentos. Empresas como Google e Amazon investem de US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões por ano em tecnologia”, concluiu.

Tecnologia e Economia

As tecnologias como semicondutores, inteligência artificial e infraestrutura de telecomunicações móveis (como o 5G), têm sido consideradas por especialistas como um elemento gerador de receitas em diversos segmentos produtivos.

Neste sentido, seu desenvolvimento não está relacionado apenas a um setor de tecnologia de ponta, mas a um elemento base da chamada transformação digital, que já atinge agricultura, indústria, finanças e atividades cotidianas.




Fonte: Agência Brasil