Faustão é extubado e respira sem auxílio de aparelhos


Após passar por um transplante do coração, o apresentador Fausto Silva, conhecido como Faustão, foi extubado na manhã desta terça-feira (29) e está respirando sem auxílio de aparelhos. A informação é do boletim médico divulgado pelo Hospital Albert Einstein, onde o apresentador está internado.

Segundo o hospital, Faustão está consciente, conversa normalmente e apresenta boa função do coração. Apesar disso, ele segue internado na unidade de terapia intensiva (UTI).

No último domingo (27), Faustão recebeu um novo coração. Ele havia sido incluído na fila de transplantes do Sistema Único de Saúde após agravamento do quadro de insuficiência cardíaca, que é acompanhado desde 2020.




Fonte: Agência Brasil

Incêndios queimaram 30% de área do Pantanal em 2020, mostra estudo


Em 2020, incêndios de alta intensidade queimaram mais de 30% do território do Pantanal, na porção brasileira. É o que aponta uma nova pesquisa conduzida por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), publicada na revista científica Fire.

Segundo a pesquisa, esses incêndios queimaram uma área de 44.998 quilômetros quadrados na porção brasileira do bioma, valor bem acima do que havia sido estimado em levantamentos anteriores, que variavam entre 14.307 quilômetros quadrados e 36.017 quilômetros quadrados.

O levantamento foi feito com base em imagens de satélite da missão Sentinel-2, que deram mais precisão e refinamento às estimativas sobre as áreas queimadas.

A conclusão do estudo, segundo a Agência Fapesp, apontou sobre a necessidade de se melhorar os dados de impactos do fogo em regiões criticamente sensíveis às mudanças climáticas, como o Pantanal, que é a maior área úmida tropical do mundo. E essa preocupação aumenta neste ano de 2023, já que o fenômeno El Niño pode deixar o bioma mais seco e suscetível ao fogo.

Entre o dia 1º de janeiro e 28 de agosto deste ano, o Pantanal registrou 394 focos de fogo, segundo dados do Inpe. Nesse mesmo período de 2020, haviam sido registrados 8.895 focos de queimadas, maior número desde 1998 para o bioma.




Fonte: Agência Brasil

Número de brasileiros que procuram asilo nos EUA mais que triplica


O número de brasileiros que pediram asilo nos Estados Unidos aumentou mais de três vezes em junho deste ano, na comparação com outubro de 2022. Os pedidos saltaram de 206 para 695 no período. Os dados foram compilados pelo escritório de advocacia AG Immigration a partir de informações do Departamento de Estado e do Departamento de Segurança Interna dos EUA.  

A comparação é feita com outubro de 2022 porque é quando começa o ano fiscal nos Estados Unidos. Desde então, o governo americano recebeu 295 mil petições de asilo, sendo 3.417 (1,1% do total) de cidadãos brasileiros. Esse dado coloca o Brasil na 17ª posição entre as nacionalidades que mais pedem o benefício imigratório. Para efeito de comparação, no mesmo período do ano fiscal anterior (outubro 2021 e junho de 2022), foram 1.622 pedidos.

Recorde em maio

No ano fiscal corrente, o mês com maior demanda de brasileiros por asilo foi maio, com 777 registros, o que colocava o país como o 13º no ranking específico do mês.

“Nos últimos anos, vimos um aumento na quantidade de brasileiros flagrados na fronteira dos Estados Unidos com o México, justamente com o objetivo de solicitar asilo e eventualmente receber a autorização para morar no país. A maioria deles sai do Brasil para fugir da violência ou da pobreza”, explica a advogada de imigração Ana Barbara Schaffert.

Topo do ranking

Cinco países da América Latina e do Caribe lideram o ranking de procura por asilo e representam 70% dos pedidos de outubro do ano passado até junho de 2023: Cuba (74 mil), Venezuela (67 mil), Colômbia (25 mil), Nicarágua (23 mil) e Haiti (18 mil). O primeiro país fora do continente a aparecer na lista é o Afeganistão, na sétima posição, com cerca de 10 mil solicitações.

Schaffert esclarece que, de acordo com a lei americana, para um imigrante ser elegível ao asilo, ele precisa comprovar um medo crível de ser perseguido no país de origem por motivo de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou por integrar algum grupo social. Essas condições são mais claras de serem identificadas em países não democráticos.

Habitantes de países da América Central com grande presença do crime organizado recorrem ao asilo com frequência.

A advogada pontua que para esses países e para os brasileiros, as chances de sucesso não são altas. “O fato de a pessoa viver em uma cidade ou bairro violento ou na extrema pobreza não a torna elegível para pleitear asilo nos Estados Unidos. Ela precisa demonstrar claramente que será perseguida por um dos motivos previstos em lei se voltar para o país de origem”.

Taxa de aprovação

Números do Departamento de Justiça americano (equivalente ao nosso Ministério da Justiça) consultados pela AG Immigration mostram que 11% dos pedidos de asilo feitos por brasileiros foram aceitos no primeiro semestre do ano fiscal corrente. É a décima menor taxa de aprovação de uma lista de 65 países para os quais o dado está disponível.

Número de brasileiros que procuram asilo nos EUA mais que triplica. Foto: AG Immigration

Número de brasileiros que procuram asilo nos EUA mais que triplica – AG Immigration

“No Brasil, os casos que costumam ser bem-sucedidos são de brasileiros vítimas de perseguição de facções criminosas, embora casos de perseguição política tenham crescido do ano passado para cá”, explica Schaffert.

Os países com maiores taxas de concessão de asilo são Etiópia (78%) e Eritreia (78%), os dois na África Oriental; seguidos pelo asiático Myanmar (75%) e Belarus (73%), no Leste Europeu.

Aparecem com menos aprovações que o Brasil os latino-americanos El Salvador (10%), Guatemala (9%), Cuba (7%) e México (4%), que mesmo com sérios problemas de violência ou de funcionamento das instituições, não conseguem atender aos critérios exigidos em lei para o asilo.

Brasileiros no exterior

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, os Estados Unidos são o país com a maior comunidade brasileira no exterior. Vivem em território americano 1,9 milhão de brasileiros, o que incluem todos os tipos de moradia e não apenas os asilados. Esse número é pouco menor que o total de habitantes de Manaus (2.063.547, segundo o Censo 2022). Em seguida, aparecem Portugal (360 mil), Paraguai (254 mil), Reino Unido (220 mil) e Japão (207 mil).




Fonte: Agência Brasil

Após 4 anos, pescadores ainda pedem reparação por vazamento de óleo


Após quatro anos do derramamento de óleo nas praias dos nove estados do Nordeste, além do Espírito Santo e Rio de Janeiro, pescadores ainda reivindicam reparação pelo comprometimento de suas atividades produtivas e dos impactos ambientais nas áreas afetadas. Integrantes da campanha Mar de Luta estão em Brasília em reunião com autoridades e, nesta terça-feira (29), realizaram um ato em frente ao Palácio do Planalto.

A pescadora artesanal Joana Mousinho, de Itapissuma (PE), da Articulação Nacional das Pescadoras, disse que, até hoje, os impactos daquele acidente são muito fortes na economia e na saúde da população. Ela reclama que o Estado não deu nenhum tipo de acompanhamento aos pescadores prejudicados.

“De vez em quando, está aparecendo petróleo nas praias, sumiu algumas espécies, diminuiu as nossas espécies de pescado, de crustáceo, e também tem o problema da saúde. Muita gente que pegou no petróleo, para retirar das praias, dos manguezais, têm sequelas hoje, problemas de saúde”, disse à Agência Brasil.

Mancha de óleo atinge o litoral do Sergipe

Mancha de óleo atinge o litoral do Sergipe – Adema/Governo de Sergipe

“Nós estamos reivindicando praias limpas, nem um poço a mais, nem uma perfuração de petróleo a mais, e também para que cuidem de nossa saúde e que tenhamos um ambiente para poder trabalhar. Não queremos cesta básica, a gente quer o direito de trabalhar tranquilamente para cuidar dos nossos familiares”, reivindicou, alertando sobre os perigos de uma possível exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas.

De agosto de 2019 a março de 2020, foram encontradas manchas de óleo em mais de mil localidades, em 11 estados litorâneos, além do que restou submerso ou presente na forma de micropartículas no ambiente. Em dezembro de 2021, a Polícia Federal concluiu a investigação, que apontou que o material veio de um navio petroleiro de origem grega.

A estimativa é que o desastre ambiental afetou o modo de vida de aproximadamente 500 mil pescadores artesanais, que ficaram impossibilitados de vender e consumir os pescados. Na ocasião, o governo federal fez uma concessão extraordinária do seguro defeso e instituiu o auxílio emergencial financeiro para pescadores artesanais, encerrado em 2020. Mas, segundo Joana, a política foi ineficiente e a minoria desses trabalhadores recebeu os recursos, além do valor de um salário mínino, segundo ela, ter sido insignificante diante da repercussão das perdas financeiras.

A campanha Mar de Luta pede ainda a realização de pesquisas sobre a poluição e os impactos socioeconômicos e o rigoroso monitoramento das praias, mangues e oceanos da região afetada.

Brasília, 29/08/2023, Pescadores e pescadoras artesanais participam de ato em frente ao Palácio do Planalto para rememorar os 4 anos do crime do petróleo e para reivindicar reparação
. Foto: Henrique Cavalheiro/Divulgação

Pescadores e pescadoras artesanais participam de ato em frente ao Palácio do Planalto – Foto: Henrique Cavalheiro/Divulgação

As pessoas que manusearam o óleo também sentiram as consequências na saúde, até que as autoridades passaram a orientar o uso de equipamentos de proteção individual. Nos primeiros meses, as secretarias de Saúde confirmaram, ao menos, 70 casos de intoxicação.

Após o ato na Praça dos Três Poderes, os representantes da campanha agendaram reunião com a Secretaria-Geral da Presidência, responsável pelo diálogo do governo com a sociedade civil. A assessoria da pasta confirmou a agenda para recepção das reivindicações. Nesta segunda-feira (28), eles também estiveram na Defensoria Pública da União, e ainda há previsão de reunião com parlamentares e promotores.

A campanha Mar de Luta foi lançada em agosto de 2020 para pautar os impactos às comunidades pesqueiras afetadas pelo derramamento de petróleo e reivindicar respostas e reparações do Estado. Ela é organizada por movimentos sociais de pescadores artesanais e organizações ligadas às temáticas de direitos humanos e socioambientais, como o Conselho Pastoral dos Pescadores, o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais e a Articulação Nacional das Pescadoras.






Fonte: Agência Brasil

Apagão motivou ONS a determinar restrição do fluxo de energia


Além de deixar cerca de 29 milhões de brasileiros sem energia elétrica em quase todo o país o apagão do último dia 15 forçou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a reduzir o volume de energia elétrica disponível na rede que une as diferentes regiões do Brasil.

“Tínhamos que cortar a energia trafegando na rede”, declarou Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral da entidade privada responsável por coordenar e controlar a operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica que integram o sistema nacional.

Brasília (DF) 29/08/2023 - Diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, participam de audiência conjunta  das comissões de Fiscalização Financeira.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, em audiência na Câmara dos Deputados – Lula Marques/ Agência Brasil

Ao participar, nesta terça-feira (29), da reunião conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Ciocchi revelou que os especialistas do setor elétrico já identificaram ao menos duas causas que levaram quase todo o país a ficar sem energia elétrica. O único estado que não sofreu com a queda de energia foi Roraima, por não estar integrado ao Sistema Interligado Nacional,

Além do desligamento da linha de transmissão 500kV Quixadá-Fortaleza devido a uma “atuação indevida do sistema de proteção” que ainda está sendo analisada, os técnicos identificaram falha em equipamento, um regulador de tensão de uma usina, que demorou milissegundos além do previsto para entrar em operação após a falha na linha de transmissão. A demora inesperada sobrecarregou o sistema, gerando um efeito em cascata.

Segundo Ciocchi, após o reestabelecimento do serviço para todo o país, o ONS decidiu, por precaução, determinar a redução do volume de energia disponível na rede até que as causas do apagão estejam devidamente esclarecidas.

“Quando temos um evento de grandes proporções cujas causas ainda não estão completamente identificadas, o ONS tem a prerrogativa de assumir uma operação mais conservadora. O que [neste caso] consistiu na redução do fluxo de energia nas linhas de transmissão que conectam a Região Nordeste à Região Sudeste; o Norte com o Sudeste e o Norte com o Nordeste”, comentou o diretor-geral do ONS, explicando que, por razões operacionais, optou-se pelo “corte” de parte da produção eólica e solar.

“Devido a estarmos na época da seca, as [usinas hidroelétricas do Rio] São Francisco já estão operando com sua vazão e geração mínimas e não poderíamos reduzir ainda mais. A geração termoelétrica, em todo o Brasil, já estava trabalhando de forma que não poderia ser reduzida. Portanto, como o grande exportador do Nordeste são as fontes eólicas e solares, foi aí que tivemos que cortar. Não porque exista um problema de geração [destas duas fontes]”, acrescentou Ciocchi, garantindo que “a restrição do fluxo de energia” será momentânea e não impede que “100% das necessidades brasileiras sejam atendidas, de forma segura”.

Durante a mesma audiência, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, refutou o uso do termo apagão para se referir ao ocorrido no dia 15. “É só uma nomenclatura, mas prefiro me dirigir ao ocorrido como um evento, e não como um apagão, que passa à população a impressão de que temos qualquer risco de suprimento energético no país. Na verdade, há menos de dois anos, estivemos à beira de um colapso energético que custou ao povo brasileiro em torno de R$ 60 bilhões porque, naquele momento, nossos reservatórios estiveram em dificuldades e foi necessário contratar, de forma inflexível, R$ 40 bilhões em [energia] térmica emergencial. E que, agora, tivemos que agir com muito rigor para evitar que o consumidor brasileiro pagasse pelo uso de gás natural nestas térmicas em um momento em que temos abundância hidrológica, com Itaipu e Furnas vertendo água”.

Brasília (DF) 29/08/2023 Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, participam de audiência conjunta  das comissões de Fiscalização Financeira.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por Lula Marques/ Agência Brasil




Fonte: Agência Brasil

Mundo do teatro celebra hoje os 100 anos de Barbara Heliodora


Nascida Heliodora Carneiro de Mendonça, a crítica teatral Barbara Heliodora estaria completando nesta terça-feira (29) 100 anos de vida. Também professora, ensaísta, tradutora, ela era reconhecida como uma autoridade na obra de William Shakespeare. Durante muitos anos, foi professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A vice-presidente da Associação Paulista de Críticos de Artes de São Paulo (APCA), Kyra Piscitelli, defende que Barbara Heliodora “foi uma das últimas, senão a última, crítica a lotar ou a esvaziar um teatro. Ela ditava isso. Ela foi a última que conseguiu esse feito. Hoje em dia, não existe isso. Você não mobiliza nesse nível da crítica. A crítica ficou mais careta ou mais amiga. Ficou diferente”, analisou Kyra à Agência Brasil.

Para Kyra, Barbara Heliodora fazia uma crítica mais combativa, menos complacente, “menos conveniente talvez, no sentido de mobilizar os artistas e se mobilizar também”. Disse que mesmo com essa postura, as pessoas respeitavam o que Barbara escrevia. “Porque o que ela escrevia tinha embasamento. Todo mundo queria ler o que ela tinha para falar. As pessoas paravam para lê-la”.

Na avaliação de Kyra Piscitelli, a crítica teatral mudou muito depois dela, prendendo-se a se é bom ou ruim, para que público se destina. Já Barbara Heliodora tinha muito conceito e conteúdo. “Tudo que ela falava era muito embasado. Ia em todos os teatros. Isso é muito importante para um crítico que vai julgar uma coisa. A pessoa tem que estar no lugar. Ela era vista nos espaços. Mesmo antes de se aposentar e até morrer, ela ia no teatro”, lembrou.

Um amigo da vice-presidente da APCA, Alexandre Lima, recebeu a última crítica feita por Barbara Heliodora para o jornal O Globo. “Quando a secretária ligou para avisar que ela iria, Alexandre argumentou que era um teatrinho. Mas a secretária retrucou que não tinha problema e que a dona Barbara sabe. Ela ia a qualquer espaço”.

Medo

De modo geral, os artistas tinham medo de Barbara. Kyra afirmou que essa lenda era pura verdade. A tal ponto que alguns autores se juntaram para escrever a peça alternativa Barbara Não Lhe Adora. A peça ficou em cartaz em 2015, ano da morte da crítica teatral, e fazia uma brincadeira com ela.

A peça conta a história de um grupo de teatro mambembe que, após receber uma resenha negativa da famosa crítica Barbara Heliodora, resolve sequestrá-la. No cativeiro, o grupo faz uma segunda apresentação para a crítica, mostrando a encenação em detalhes. O preço do resgate é a publicação de uma nova resenha, mas que, desta vez, tem de ser positiva.

“Ao mesmo tempo em que Barbara era temida, as pessoas queriam ler sobre ela. E o que é muito interessante na crítica da Barbara, e que se perdeu um pouco hoje, talvez, é que ela escrevia nomes de todos, desde o pipoqueiro do teatro, o contrarregra, toda a equipe. Estava todo mundo contemplado. Isso é muito importante também porque a ideia do teatro é um tudo”, explicou.

“Para mim, principalmente, ela é uma inspiração, principalmente porque é mulher. Uma mulher ter pegado esse lugar no tempo que ela pegou, isso é muito importante. Ela era respeitada. Não era atriz, mas era muito respeitada pela classe artística, porque ela ia ao teatro.”

Barbara Heliodora encerrou uma era do teatro. Tinha uma seriedade e uma notoriedade que lhe permitiam falar o que pensava exatamente. “Eu não conheço uma crítica pós-Barbara Heliodora que tem esse carimbo de falar com essa imparcialidade”, comentou Kyra. Admitiu que na época de Barbara, os textos eram maiores, havia mais espaço. Mas Kyra não vê um substituto para ela. “Tem uma coisa que é da pessoa. O carisma é intransferível. E ela, de alguma forma, tinha isso.”

Biografia

Barbara Heliodora nasceu no Rio de Janeiro, filha mais nova de Anna Amélia e Marcos Carneiro de Mendonça. Iniciou sua carreira em 1958, aos 35 anos, como crítica teatral da Tribuna da Imprensa. De 1958 a 1964, assinou a coluna especializada do Jornal do Brasil, ganhando respeito graças à seriedade e à erudição dos seus artigos. Depois de se aposentar da UFRJ, em 1985, voltou a exercer, no ano seguinte, a crítica jornalística na revista Visão, passando depois para o jornal O Globo, onde se estabeleceu.

Com vários livros publicados, ela decidiu deixar o cargo em janeiro de 2014, aos 90 anos. Barbara foi internada no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio, em 23 de março de 2015. Morreu no dia 10 de abril daquele ano. Deixou três filhas, de dois casamentos, e quatro netos. Foi cremada no Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju, no Rio.

Diretor teatral

“Barbara era minha amiga, porque nós fomos críticos na mesma época”, disse à Agência Brasil o diretor teatral Flavio Marinho. Barbara acabou sucedendo Flavio, após este ter encerrado a profissão de crítico de teatro após 14 anos. “Éramos muito amigos. Eu frequentava a casa dela e ela a minha. Ela foi para mim muito importante porque acompanhou todo o meu trabalho quando larguei a crítica e passei a escrever sobre teatro e para teatro.”

Flavio Marinho lembra que Barbara Heliodora foi uma espectadora muito atenta do seu trabalho e apontava o seu crescimento, os detalhes, sempre com precisão. “Em termos pessoais, ela foi ótima. Ela via tudo, cobria todas as peças, mapeava o movimento teatral carioca com muita dedicação, o que nós não temos mais hoje em dia e faz muita falta. A Barbara faz falta em todos os sentidos”, concluiu o diretor.

Professora brava

Uma professora brava. Essa é a imagem que a atriz e diretora Cristina Pereira tem de Barbara Heliodora. “Eu lembro dela com carinho, embora os atores tivessem pavor dela. Ficavam nervosos quando ela ia no teatro. A Barbara está aí!, exclamavam. Dava um frio na barriga.”

Cristina Pereira sempre considerou Barbara uma mulher muito culta mas, ao mesmo tempo, passava a imagem de uma professora brava “que a gente lembra para o resto da vida, a gente vai lembrar sempre, com carinho”. Barbara só elogiou o trabalho de Cristina Pereira como atriz quando esta trabalhou em cinco comédias de Flavio Marinho.

Mas não apreciava peças em que os atores comentassem sobre a obra de escritores, como a que Cristina fez, com base em texto da própria Cristina e de Teresa Monteiro, intitulado Entre o Céu e o Inferno, sobre a obra de Gil Vicente. “Ela não gostava do olhar de atores sobre escritores famosos. Preferia que eles encenassem peças do autor, em vez de comentarem sua obra. Na crítica, Barbara Heliodora indagou por que Cristina Pereira não está fazendo uma peça de Gil Vicente, em vez de fazer sobre a obra de Gil Vicente?”

Para Cristina, a crítica de Barbara era sempre uma visão de professora. “Ela tinha opinião só dela, mas eu nunca me senti ofendida pela Barbara. Lembro dela com carinho.”




Fonte: Agência Brasil

Falha em equipamento de usina contribuiu para apagão, revela ONS


O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, disse, nesta terça-feira (29), que o sistema de proteção de uma usina demorou mais tempo que o previsto para entrar em ação, gerando uma sobrecarga que causou o apagão energético do último dia 15.

“Esta avaliação só foi possível graças às informações que os agentes [do setor elétrico] nos passaram, mostrando o tempo que o aparelho [um regulador de tensão] de uma usina demorou a entrar em ação”, revelou Ciocchi na abertura da reunião conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

Segundo o diretor-geral do ONS – entidade privada responsável por coordenar e controlar a operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional – o equipamento em questão deveria ter demorado 15 milissegundos para entrar em ação, conforme previsto nos projetos habilitados pelos agentes econômicos, mas demorou entre 80 milissegundos e 100 milissegundos.

Ainda de acordo com Ciocchi, ao tentar reconstituir, em simuladores, os fatos que antecederam o apagão do último dia 15, os especialistas do setor não conseguiam obter o desligamento das fontes geradoras usando o tempo de resposta indicado nos projetos. Só ao receber “a pista” de que o equipamento de uma usina pode ter demorado além do tempo previsto para entrar em ação, os técnicos conseguiram reproduzir o evento.

“A grande pista, já discutida com técnicos, engenheiros e com vários experts do setor, é que aí está a causa de uma série de outros eventos, de aberturas de linhas, que levaram a esta desconexão que atingiu praticamente todo o Brasil”, acrescentou o diretor-geral do ONS.

Ciochi reforçou que, conforme divulgado anteriormente, o chamado “evento zero” que contribuiu para que o apagão acontecesse foi o desligamento da linha de transmissão 500kV Quixadá-Fortaleza. Segundo as autoridades do setor, isso ocorreu milissegundos antes da pane momentânea no sistema, por “atuação indevida” dos mecanismos de proteção do Sistema Interligado.

“Repetindo o que falamos à época, isso não foi a causa do fenômeno, pois o sistema brasileiro tem suas redundâncias [proteções em sequência] e é projetado para resistir a uma perda simples desta natureza”, comentou Ciochi, voltando a classificar a ocorrência do dia 15 como um “fenômeno completamente inusitado”.

O apagão energético deixou cerca de 29 milhões de brasileiros sem energia em quase todo o país, com exceção do estado de Roraima, cujo sistema não está ligado ao do resto do país. A interrupção do fornecimento de energia elétrica, que começou por volta das 8h30 (horário de Brasília) do dia 15, afetou as regiões do país de forma diferente.

Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, de acordo com Ciochi, o serviço foi restabelecido quase que integralmente em menos de uma hora. Já na Região Nordeste, a recuperação demorou mais. Foram necessárias três horas para restabelecer apenas 70% da carga afetada. O impacto foi ainda maior na Região Norte. “Foi praticamente um blecaute total e a recuperação enfrentou algumas dificuldades. Ainda assim, às 15h49, mais de 90% da carga estava recuperada”, apontou o diretor-geral do ONS, admitindo que, em termos nacionais, o apagão foi “de grandes proporções”.

O detalhamento das causas e responsabilidades pelo apagão constarão de um relatório consolidado que o ONS divulgará nas próximas semanas.




Fonte: Agência Brasil

Operação Aliados pela Infância prende 14 suspeitos em São Paulo


Pelo menos 14 pessoas foram presas em flagrante nesta segunda-feira (28) durante a operação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) com o objetivo de combater internacionalmente crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet. Com os presos foram encontrados computadores e celulares, pen-drives e outros aparelhos com conteúdo pornográfico infanto-juvenil.

A Operação Aliados pela Infância teve, em São Paulo, 50 alvos, em mais de 20 municípios, incluindo a capital paulista. A ação também foi realizada simultaneamente na Argentina, Chile, Equador, Paraguai, Panamá, Porto Rico e Estados Unidos, totalizando 151 alvos. Nestes países, até agora, cerca de outras 23 pessoas foram presas em flagrante, também com material pornográfico envolvendo menores.

Segundo as informações da Polícia Civil, em São Paulo, para chegar aos suspeitos, foram analisadas 30 mil conexões, com mais de 650 mil arquivos. Todo o material apreendido será analisado pela perícia que também recuperará dados apagados. Se for encontrado material impróprio, o suspeito será indiciado.




Fonte: Agência Brasil

Polícia Civil mata dois suspeitos de participação em chacina na Bahia


A Polícia Civil da Bahia informou ter localizado, na madrugada desta terça-feira (29), três suspeitos da chacina que resultou na morte de nove pessoas na segunda-feira (27), no município baiano de Mata de São João. Em nota, a polícia informa que dois suspeitos foram mortos ao resistirem à ordem de prisão atirando nos policiais. O terceiro suspeito foi preso em flagrante.

Os três envolvidos na chacina que matou nove pessoas na localidade de JK, município de Mata de São João, foram localizados na madrugada desta terça-feira (29), por policiais civis do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core). Eles foram encontrados escondidos em uma região de mata.

“No revide, eles foram alvejados, socorridos para o hospital, mas não resistiram aos ferimentos. O quarto envolvido ainda está sendo procurado dentro de uma região de mata”, informou a diretora do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegada Christhiane Inocência.

Foram apreendidos, com os suspeitos, duas pistolas, carregadores, munições, rádios comunicadores e porções de drogas. “As oitivas seguem para identificar a motivação do crime”, informam os investigadores.




Fonte: Agência Brasil

Coletivos lésbicos fortalecem redes de mulheres nas periferias


Espaços de trocas, de formação, de resistência, de acolhimento e, também, de alegria e diversão. Nas periferias brasileiras, mulheres lésbicas criam coletivos e organizações e se fortalecem, juntas, na busca pela garantia de direitos. Para marcar o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, a Agência Brasil conversou com algumas dessas mulheres, que mostram a necessidade de se dar voz e garantir políticas públicas voltadas para a saúde, moradia, segurança pública, entre outras, especificamente para esse grupo.  

Brasília (DF) 29/08/2023 - Coletivos lésbicos fortalecem redes de mulheres nas periferias
Foto: Afonso Lua/Divulgação

Integrantes da Coletiva Lésbicas da Maré. Foto: Afonso Lua/Divulgação – Afonso Lua/Divulgação

Na cidade do Rio de Janeiro, na Maré, complexo de 16 favelas na Zona Norte, está a Casa Resistências, espaço de acolhimento voltado para mulheres lésbicas, bissexuais e trans moradoras de favela, criada em 2022. O espaço recebe também mulheres negras e mulheres imigrantes independente da orientação sexual, criado a partir da Coletiva Lésbicas da Maré, formada em 2016, em agosto, no mês da visibilidade.

“A ideia era de sociabilidade, isoporzinho, roda de conversa, para falar de vivência, de como estava sendo para a gente ser sapatão na favela”, conta a assistente social, coordenadora da Casa Resistência e fundadora da Coletiva Lésbicas da Maré, Dayana Gusmão.

Logo, as demandas foram crescendo e foi crescendo também a atuação da coletiva, que ganhou um tom mais crítico, voltado para a garantia de direitos. Mulheres que eram expulsas de casa por não serem aceitas pelas famílias por conta da sexualidade, buscavam a coletiva para receber apoio. Durante a pandemia, isso se intensificou, porque as pessoas passavam mais tempo em casa e acabavam sendo descobertas. Em 2022, a Casa Resistências virou um espaço físico para receber essas mulheres.

“A mulher negra hoje é jogada para um espaço de solidão absurdo e quando tem cruzamento de lésbicas e negras da favela, esse espaço de solidão é quase duplo. Quando meninas mais novas que olham para coletiva e veem que não estão sozinhas, quando vejo casa cheia de lésbicas novinhas convivendo com mais velhas, essa é a importância da coletiva, é servir como farol para lésbicas na favela perceberem que não estão sozinhas”, diz Dayana.

Foi essa rede que trouxe a vice-coordenadora da casa de acolhimento, Camila Felippe, para a Coletiva Lésbicas da Maré. Ela relata que entrou no grupo em 2019. “Foi quando começo a virar a chave de entender que minha militância, enquanto mulher favelada e mulher negra, não pode estar dissociada de mulher sapatão”, diz. Segundo ela, o grupo tem demandas específicas, diferentes das demandas da população heterossexual e também das lésbicas não periféricas.

“A partir do momento em que somos vistas e notadas, vão começar a questionar sobre o que precisamos ou não precisamos, enquanto não conseguirmos isso, não conseguirmos nossa visibilidade, nossas questões não serão ouvidas, não serão de interesse.”

O espaço recebeu, neste ano, a medalha Chico Mendes, premiação voltada para homenagear pessoas ou grupos que lutam pelos diretos humanos. A psicóloga e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Beatriz Adura, que coordena o acolhimento explica que a casa adota um modelo chamado antimanicomial. Quem chega ali, recebe a chave de casa e pode ir e vir quando quiser. “É um projeto de morada, é uma casa, para que meninas expulsas de casa possam ter um lugar confortável, um lugar acolhedor”, diz.

Brasília (DF) 29/08/2023 - Coletivos lésbicos fortalecem redes de mulheres nas periferias
Foto: Afonso Lua/Divulgação

 Dayana Gusmão, Camilia Felippe e Paloma Marins, da Casa Residências. Foto: Afonso Lua/Divulgação – Afonso Lua/Divulgação

Tambores e ativismo

Na periferia de Fortaleza, foi criada, em 2010, a Tambores de Safo, pela iniciativa de mulheres lésbicas e bissexuais com o objetivo de dar visibilidade às demandas específicas dessas mulheres na 11ª Parada pela Diversidade Sexual do Ceará. “Foi quando a gente se reuniu e começou com oficinas de confecção dos instrumentos e, nesse processo de oficina de confecção de instrumentos, a gente fazia uma formação política entre nós, lésbicas e bissexuais, que estávamos presentes”, afirma Lídia Rodrigues, que faz parte da Tambores desde a fundação.

Com oficinas, músicas e espetáculos, a Tambores foi ganhando espaço e dando voz a mulheres lésbicas e bissexuais periféricas. “Somos periféricas, então, nossa construção é a partir das periferias”, diz Rodrigues. “É uma dimensão forte, porque a realidade de uma lésbica periférica é muito diferente da lésbica de classe média, são muitas questões e muitas camadas de opressão que se cruzam, desde o acesso a saúde, do acesso à educação, acesso à transporte, à violência policial. Então, a gente tematiza e evidencia muito sermos lésbicas periféricas”.

Rodrigues conta que se reconheceu lésbica aos 21 anos. Nessa época, já integrava movimentos feministas. As lutas, somaram-se. “Comecei a militar por direitos de crianças e adolescentes, depois conheci o feminismo, me reconheci negra e, posteriormente, sapatão. Tive, então, o diagnóstico de transtorno do espectro autista. Comecei a me entender como sapatão negra autista. A partir da vida fui me identificando e percebendo o que isso trazia de agravo e de benesses e fui engajando essa vida numa luta política, numa construção de tentativa de transformação da realidade.”

A Tambores criou dois espetáculos – Tambores que ecoam contra todas as opressões (2011) e A Voz do tambor periférico (2019) [LINK: https://www.youtube.com/watch?v=yGps-rhby0U], além do bloco de carnaval Cola Velcro. Também são várias as músicas e clipes gravados. Hoje, a Tambores de Safo, integra o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Ceará.

Entre as músicas e clipes, Rodrigues destaca Sapatão de Favela, cuja letra define: “Sou sapata de favela, negra, mãe e sou artista. Minha arte me compõe. Sou uma ruma de coisa, que nem cabe nessa lista”. Como diz a letra, Rodrigues diz que a arte é o diferencial da Tambores. “A arte é ferramenta e também método de ação, afetação e transformação da realidade. O tambor resgata ancestralidade, dialoga com nossos oris, com nossa espiritualidade. Tem poesia, música, jogo cênico e a dança. Tudo isso é político, não é simplesmente estético. E, por ser política e estética, é transformadora e construtora de uma ética.”

Segundo a integrante do grupo, isso faz com que as pessoas se engajem e recebam bem a Tambores. “A gente construiu o bloco Cola o Velcro, quando bota o bloco na rua, com músicas que problematizam a lesbofobia, tem pessoas que inclusive são heterossexuais e que engajam porque a alegria, ela agrega”, diz Rodrigues.

Lésbicas Amazônidas

Em Belém, em 2018 é criado o Coletivo Sapato Preto, grupo de lésbicas negras amazônidas. O nome do coletivo, como explica a cofundadora, a advogada Darlah Farias, busca ressignificar as palavras “sapatão e preta” que historicamente eram usadas para ofender mulheres negras lésbicas. Já as amazônidas, são aquelas que de alguma forma pertencem ao território, sem necessariamente terem nascido na Amazônia.

Para Farias, o coletivo é a realização de um sonho e é, segundo ela, o primeiro e único coletivo de lésbicas negras de Belém.

“O Coletivo Sapato Preto é um sonho de realização porque, quando comecei a visualizar essa movimentação de mulheres lésbicas e negras construindo para si esse espaço, eu comece a tomar isso como uma construção pessoal. Comecei a entender que estava construindo um espaço para mim também, um espaço não só político, mas pessoal, de experiência de vida e de crescimento.”

O coletivo realiza formações não apenas em Belém, mas em outros municípios do Pará, atua em comunidades quilombolas e territórios de matriz africana, sempre com a perspectiva racial e de gênero. Em 2020, com a pandemia, a Sapato Preto começa também a realizar um trabalho de base para garantir auxílio alimentar e realizar outras ações para fortalecer essas mulheres.

Farias atua hoje junto ao governo do Pará, como coordenadora estadual dos Direitos das Pessoas LGBTQI. “Hoje sou a primeira mulher negra e sapatão, no cargo de coordenação LGBTQI do estado e, pela primeira vez conseguimos colocar dentro do estado uma ação da visibilidade lésbica, voltado para lésbicas, com palestras para lésbicas. Isso é reflexo de Sapato Preto na minha vida”, diz.

Segundo Farias, um coletivo lésbico voltado para mulheres negras e periféricas é importante para dar visibilidade para demandas específicas desse grupo, como acesso a moradia, acesso à saúde pública, questões também ambientais e de sustentabilidade.

“Como essas mulheres lésbicas estão experienciando isso dentro dos territórios e das periferias? Como estão acessando os programas de moradias, se somos as primeiras a sermos expulsas de dentro de casa, como acessam o cadastro de moradia, de habitação? Falar da urgência de mulheres que amam outras mulheres, que quebram essa lógica normativa e, ainda dentro desse grupo, mulheres negras lésbicas, que ainda passam pela questão do racismo ou mulheres trans lésbicas, experiências que são ainda mais diferenciadas, com lesbofobia, transfobia”.

Lugares seguros de convivência

No Distrito Federal, em 2005, nasce a primeira organização lésbica feminista do DF, a Associação Lésbica Feminista de Brasília – Coturno de Vênus. “Existia à época, e ainda é comum entre as lésbicas, a necessidade de compartilhar experiências, formação, discutir e propor políticas públicas para lésbicas e construção de lugares seguros de convivência”, diz Melissa Navarro, uma das fundadoras da Coturno, que é arte educadora, microempresária e atua na militância e ativismo LGBTI+ desde o final dos anos 1990.

A Coturno baseia as ações e atividades em cinco eixos principais de atuação: articulação, formação e incidência política; cuidado e segurança coletivos; cultura e memória lésbica; visibilidade lésbica e direito à cidade; sustentabilidade econômica e educação. Em agosto, quando comemoramos o mês da Visibilidade Lésbica no Brasil, a Coturno desenvolve várias atividades em parceria com outras organizações do DF e do Brasil.

“O mês de agosto é importante para termos mais visibilidade e poder auxiliar jovens lésbicas e sapatões, que ainda não têm o apoio da família e sofrem diversos tipos de violências, para que tenham mais informações sobre seus direitos e como se proteger”, diz Melissa.

Para ela, os avanços são ainda poucos e instáveis, pois não há uma legislação definitiva pra garantia dos direitos das mulheres lésbicas. “No DF, não temos nenhuma legislação que combata a lesbofobia, existem leia estaduais e municipais, mas não nacionais. Nacionalmente, utilizamos as jurisprudências para nós proteger”, ressalta. Nesta terça-feira, uma conquista é de que haverá a primeira sessão solene na Câmara Federal em virtude ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica.

Visibilidade Lésbica

Agosto é o Mês da Visibilidade Lésbica, com duas datas, o dia 19, que é o Dia do Orgulho Lésbico, e dia 29, que é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. O dia 29 foi escolhido por ser a data do 1° Seminário Nacional de Lésbicas, em 1996, promovido para chamar a atenção para as pautas do grupo e para as violências sofridas.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo menos 0,9% das mulheres brasileiras declara-se lésbica e 0,8% bissexual. Entre 2021 e 2022, a Coturno de Vênus e a Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) realizaram o Lesbocenso Nacional, para conhecer o perfil das mulheres lésbicas brasileiras. Os dados mostram que 37,1% residem em bairro de classe média; 13,83%, em periferias; 2,8%, na zona rural; 1,7% em favelas e, 0,8% em comunidades quilombolas e 0,04% em aldeias indígenas.

A maior parte dessas mulheres, 78,61%, sofreu lesbofobia, ou seja, discriminação por serem lésbicas.






Fonte: Agência Brasil