Estudos apontam que manguezais evitam que atmosfera absorva carbono


A busca por uma melhor compreensão sobre como os manguezais podem contribuir para mitigar problemas climáticos tem mobilizado esforços de pesquisadores. Os resultados vêm mostrando que a recuperação desses ecossistemas pode ser uma das frentes de atuação para reduzir a disponibilidade de carbono no ambiente e, assim, desacelerar o ritmo do aquecimento global.

No início do mês, pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) finalizaram um estudo com foco nos manguezais situados em municípios fluminenses. As investigações se deram na Baía da Ilha Grande, Baía de Sepetiba, Baía de Guanabara, Baixada de Jacarepaguá e Baixada Norte Fluminense. Segundo concluíram, as áreas analisadas evitam ao todo a liberação de 25 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera. De acordo com o estudo, em valor monetário, esse volume equivaleria a cerca de R$ 500 milhões.

“Pela primeira vez, obtivemos uma visão detalhada do estoque de carbono nos manguezais, considerando diferentes escalas espaciais, como sistemas costeiros, municípios e unidades de conservação. Essa conquista representa um avanço significativo e coloca o Rio de Janeiro como o primeiro estado a ter um inventário de todos os seus manguezais, fornecendo um maior entendimento de seu papel na mitigação do aquecimento global”, registra postagem nas redes sociais do Núcleo de Estudos em Manguezais da UERJ, que conduziu o estudo.

Manguezais da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapi-Mirim e Estação Ecológica da Guanabara, região hidrográfica da Baía de Guanabara, Guapimirim, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Manguezais da Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim e Estação Ecológica da Guanabara, região hidrográfica da Baía de Guanabara – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Captação de carbono

Há dois anos, um outro levantamento, conduzido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, apontou que a captura de carbono é 57% maior em manguezais do que em outras vegetações tropicais. Denominada Oceano Sem Mistérios: Desvendando os Manguezais, a pesquisa indicou ainda que o ecossistema está associado ao ciclo de vida de diversas espécies marinhas de grande valor comercial, como robalos, tainhas, siris, ostras e caranguejos.

Os manguezais ocupam atualmente uma área de aproximadamente 10 mil quilômetros quadrados em todo o Brasil. São formações vegetais típicas de áreas alagadiças nas zonas litorâneas e desempenham importante função para o equilíbrio ambiental e para a manutenção da vida marinha. Situados na fronteira entre a terra e o mar e submetidos aos ciclos das marés que fazem o nível da água subir e descer, os manguezais abrigam grande biodiversidade e é um berçário natural para várias espécies de peixes e crustáceos que ali se reproduzem e se alimentam.

Mobilização

O movimento pela proteção dessas áreas mobiliza pesquisadores e ativistas não apenas no Brasil. Essa também é uma pauta mundial promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Nesta quarta-feira (26), a entidade celebra o Dia Internacional de Conservação dos Manguezais. O marco, fixado em 26 de julho, foi estabelecido dentro de uma estratégia para reverter a situação desses ecossistemas e estimular discussões sobre o manejo sustentável.

De acordo com nota divulgada mais cedo pela Unesco por ocasião da data, mais de três quartos dos manguezais do planeta estão em perigo. Eles estariam desaparecendo mais rápido do que as florestas globais em geral, o que gera impactos não apenas ecológicos, mas também socioeconômicos tendo em vista que são fonte de alimento e de renda para comunidades costeiras em todo o mundo.

Segundo a Unesco, a cobertura de mangue no planeta caiu pela metade nos últimos 40 anos, favorecendo a ocorrência de inundações e representando uma ameaça ao equilíbrio natural no combate às mudanças climáticas já que os solos dos manguezais são eficazes sumidouros de carbono, retirando grandes quantidades do gás da atmosfera. Para ajudar a reverter esse quadro, a entidade desenvolve diretamente ações em sete países da América Latina: Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Mexico, Panama e Peru. São projetos que, simultaneamente, geram oportunidades econômicas para as comunidades locais e fomentam o intercâmbio de conhecimento entre as populações e a comunidade científica.

Desafios

A pesquisa conduzida pela UERJ foi financiada pela Enauta, empresa sediada no Rio de Janeiro que atua na exploração de petróleo, óleo e gás natural. Os resultados foram entregues ao governo fluminense e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Tendo em vista o histórico de danos ambientais causados aos manguezais, o setor petrolífero é recorrentemente cobrado por ativistas para desenvolver suas atividades de modo sustentável.

Em 2000, por exemplo, grandes extensões do ecossistema foram atingidas em uma tragédia na Baía de Guanabara que fez circular imagens em todo o mundo: 1,3 milhão de litros de óleo foram derramados após o rompimento de um duto da Petrobras. Apontado como local mais afetado no episódio, a Praia de Mauá, no município de Magé (RJ), está novamente com uma densa vegetação e grandes populações de caranguejos e outros animais, como mostrou reportagem da Agência Brasil em 2018. Uma amostra de que a associação entre os intensos trabalhos de ambientalistas e a resiliência das espécies permite apostar na recuperação desses ecossistemas.

No entanto, os desafios para o combate à degradação dos manguezais são variados, uma vez que ela pode ocorrer devido a múltiplas atividades e a exploração petrolífera é apenas uma delas. Há danos também relacionados, por exemplo, com a mineração, com a produção industrial, com a pesca predatória, com a agricultura e com a carcinicultura (criação de camarão em cativeiro). Segundo o pesquisador Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os manguezais funcionam como um filtro retendo resíduos, poluentes químicos e todo tipo de lixo descartado de forma incorreta e carregado pelos rios em direção ao mar.

“Devido às suas raízes aéreas, os manguezais concentram muitos sedimentos e resíduos, fato que, inclusive, é usado por pessoas mal-intencionadas para justificar sua remoção”, diz Christofoletti em texto divulgado por ocasião do Dia Internacional de Conservação dos Manguezais e produzido pela Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Além disso, o lixo jogado nas praias ou poluentes derramados no oceano podem chegar aos mangues em decorrência das correntes marítimas. Apesar de carregarem esses resíduos maléficos, essas correntes marítimas são fundamentais para o desenvolvimento do ecossistema segundo apontado pode diversos estudos. Uma pesquisa recente, desenvolvida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que, por meio delas, há inclusive troca de material genético entre populações de manguezais localizados em distintos pontos do litoral brasileiro.

A dispersão das sementes das espécies vegetais que habitam os mangues, chamadas de propágulos, não ocorre por conta da ação de animais ou do vento. As águas é que as carregam e depositam pela costa. Através de simulações em computador e análises genéticas para avaliar grau de parentesco entre vegetais de diferentes áreas, a pesquisa coordenada por André Guilherme Madeira atestou a troca de material genético através das correntes costeiras. Os resultados foram publicados em maio na revista científica internacional Molecular Ecology Resources.




Fonte: Agência Brasil

Prefeitura do Rio investirá R$ 64 milhões no setor audiovisual


A prefeitura do Rio de Janeiro investirá mais de R$ 64 milhões no Pró-Carioca Audiovisual, programa de Fomento Carioca de 2023 lançado nesta quarta-feira (26), no Palácio da Cidade. Os valores do investimento, que será feito por meio da RioFilme, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura, sairão de recursos municipais e da aplicação da Lei Paulo Gustavo.

Na apresentação do programa, o diretor-presidente da RioFilme, Eduardo Figueira, disse que 2023 é o ano da consolidação dos programas que começaram com a retomada dos investimentos dois anos antes. “Em 2021, nós pegamos o mercado audiovisual totalmente destroçado no Rio de Janeiro, e também no Brasil, sem investimento nenhum. E 2022 foi o ano em que começamos a trabalhar uma política do audiovisual, com a licitação do Polo Cine Vídeo e apreço nas políticas afirmativas. E, neste ano lançamos o maior programa de audiovisual da cidade do Rio”, afirmou Figueira.

RIO DE JANEIRO (RJ), 26/07/2023 – O secretário de Cultura Marcelo Calero, fala durante lançamento do Pró-carioca Audiovisual, Programa de Fomento Carioca em 2023, no Palácio da Cidade, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência

O secretário municipal de Cultura, Marcelo Calero, no lançamento do Pró-Carioca Audiovisual – Tomaz Silva/Agência Brasil

O secretário municipal de Cultura, Marcelo Calero, destacou a importância de uma política pública abrangente para a cidade, incluindo desde o cineclube, que faz o seu trabalho nas comunidades, até as produções chamadas de consolidadas. “Essa política abrangente se preocupa com os vários segmentos e também com políticas afirmativas das quais não abrimos mão. Políticas de democratização e de territorialização”, enfatizou o secretário.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, a cidade do Rio está de novo em um bom momento e, para continuar, é preciso usar elementos do passado e olhar para o futuro, pensando em grandes projetos. Paes disse que investimentos no setor de audiovisual resultam na melhoria da atividade econômica, e um dos reflexos dessa política é o aumento dos empregos e o impacto na cadeia produtiva do município.

As produções de cinema de rua, a formação profissional e a promoção internacional do audiovisual da cidade estão incluídos no Pró-Carioca Audiovisual. “O cinema de rua tem papel fundamental na movimentação das economias locais e na construção da cadeia exibidora. Em boa hora, a lei Paulo Gustavo nos permitiu fazer este investimento”, disse Calero.

Para o secretário, investimentos em cultura ajudam também a fortalecer a questão da identidade da cidade. “A maneira de ser do carioca, que é levada para outras telas, para outros povos, o que acaba, se tornando um objeto de desejo. Isso nos ajuda a consolidar o Rio, não apenas como destino turístico, mas como referência de cultura no mundo. E claro que isso também tem repercussão econômica.”

Ações afirmativas

A diversidade estará presente em ações afirmativas do programa. Os editais têm regras claras de pontuação adicional, com prioridade para grupos e territórios, entre os quais, mulheres, negros, população LGBTQIA+, indígenas e pessoas com deficiência. “Essa democratização engloba programas de ação afirmativa, fazendo com que segmentos que tradicionalmente têm dificuldades de acessar recursos públicos finalmente possam ter, por meio de pontuação adicional, a chance de serem contemplados nos nossos editais”, disse Calero.

A produtora de cinema Lucy Barreto elogiou o destaque para a diversidade nos projetos que serão apoiados pelo programa. “É importantíssimo porque somos um país de diversas raças, e a maior parte nunca teve essa oportunidade. Então estava mais que na hora disso acontecer”, disse Lucy à Agência Brasil.

O cineasta e historiador Sílvio Tendler também mostrou-se animado com o investimento no setor de audiovisual: “É fundamental, estou encantado porque achei o projeto grandioso. O Rio de Janeiro merece, e a cultura precisa.”

Inscrições

A inscrição dos projetos começa nesta quinta-feira (27) e vai até 25 de agosto e pode ser feita na área de editais do site da RioFilme, que traz a íntegra dos textos dos editais.

A coordenadora de Seleção e Contratação de Investimentos da RioFilme, Carol Ribeiro, começará a se reunir com produtores de periferias em sete regiões da cidade para explicar  como os projetos devem ser apresentados e quem pode se candidatar ao edital. Segundo Carol, a prefeitura quer aumentar a parcela desse público participando de linhas de editais como o de curta-metragem de novos realizadores, de ações em cineclubes e de pequenas oficinas de formação.

“Nossa ideia é fazer um giro na cidade, apresentando basicamente quem pode se inscrever, que tipo de proposta, critérios de avaliação de propostas, ações de passo a passo. Além disso, estamos construindo em nosso site um espaço de perguntas frequentes, e há também apresentações com tutoriais”, informou Carol.

Cenário

Na cerimônia, o prefeito Eduardo Paes anunciou também a ampliação em R$ 4 milhões da participação do município no sistema cash rebate, resultado do Edital de Incentivo à Atração de Produções Audiovisuais para o Rio de Janeiro, que inicialmente tinha previsão de R$ 12 milhões para produções nacionais ou internacionais que escolhessem o Rio de Janeiro como cenário. Desse valor, R$ 10 milhões vão para produções internacionais e R$ 2 milhões para as brasileiras.

A ideia com esse edital é atrair produções internacionais e de outros estados do Brasil para que filmem no Rio, disse Marcelo Calero. Para o secretário, a economia da cidade será favorecida direta e indiretamente em diferentes segmentos. Em 2022, o edital atraiu R$ 67 milhões para a economia da cidade, com impacto de R$ 82 milhões na economia local.

Para dar visibilidade às locações cariocas no cenário audiovisual internacional, foi anunciada ainda a criação do selo Filmado no Rio (Filmed in Rio), que será aplicado nas obras que tiverem a cidade como locação principal em suas histórias e também as produções que tiverem o apoio da Rio Film Commission.

Os investimentos da Prefeitura do Rio têm espaço ainda para homenagens. Na solenidade, a RioFilme anunciou a criação do Cine Carioca José Wilker, em Laranjeiras, que vai funcionar como centro de referência das artes e do cinema brasileiro. Uma licitação para reestruturação e gestão desse espaço garantirá a aplicação de mais de R$ 1,4 milhão.

Mariana Vielmond, filha do ator, que morreu em 2014, disse que ter o nome do pai em um espaço cultural é um reconhecimento ao trabalho dele. “Meu pai está muito associado ao Rio de Janeiro, a cidade em que ele escolheu morar. Que a cidade tenha uma sala de cinema em homenagem a ele completa um ciclo. É um lugar de divulgação de cultura, uma coisa que ele sempre quis, a cultura ampla, aberta e acessível”, disse Mariana à Agência Brasil.

Ingresso mais barato

O programa Viva o Cinema de Rua contará com R$ 3,5 milhões para desenvolver oito propostas de reforma, manutenção e funcionamento de salas de exibição no Rio de Janeiro. A contrapartida será o ingresso mais barato para filmes brasileiros e os de pequena distribuição, considerados como de “arte”. A expectativa é de  ingressos a R$ 5, por meio do subsídio da RioFilme.

A contrapartida se estende ainda à reserva de 10% dos ingressos para distribuição gratuita a estudantes e professores das redes públicas municipais e estaduais, com direito a um acompanhante. Além disso, existe a obrigatoriedade de exibição de filmes brasileiros em volume 10% superior ao estabelecido pela Cota de Tela, que é a obrigação legal, adotada por muitos países, de exibir um mínimo de obras nacionais no cinema ou na televisão.

Alemão

O CineCarioca Nova Brasília, no Conjunto de favelas do Alemão também será reformado. O volume de R$ 800 mil será usado em reparos elétricos, troca de ar-condicionado, projetor, poltronas e pipoqueira. Pelos dados da prefeitura, a programação da sala atende cerca de 60 mil pessoas de 15 comunidades da região. Por meio do subsídio da RioFilme, o CineCarioca Nova Brasília oferece, desde a reabertura em 2021, quatro sessões diárias de filmes com ingressos a R$ 5.

Os investimentos no setor de audiovisual também serão notados fora do país. Para a promoção internacional do audiovisual carioca, a prefeitura informou que uma missão com produtores audiovisuais da cidade, liderada pela RioFilme, estará no Festival de Cannes, na França, em 2024.

Além disso, haverá uma parceria para viabilizar um braço de mercado do festival francês Séries Mania Fórum na cidade durante o Rio Market, um dos eventos do Festival do Rio. A intenção é fazer o encontro entre realizadores cariocas e representantes internacionais, para a criação de parcerias no campo da promoção internacional do conteúdo audiovisual carioca. De acordo com a prefeitura, o Séries Mania é um dos maiores festivais de séries realizados no mundo.




Fonte: Agência Brasil

Número de estupros, furtos e tentativas de homicídio aumentam em SP


O número de casos de estupros, estupros de vulnerável, furtos, e de tentativas de homicídio tiveram alta no primeiro semestre de 2023 no estado de São Paulo, com relação ao mesmo período de 2022. Já os crimes de homicídio, lesão corporal seguida de morte, latrocínio e roubos tiveram queda. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e foram divulgados nesta terça-feira (25). 

A quantidade de estupros subiu de 1.425, no primeiro semestre de 2022, para 1.692, no mesmo período de 2023, uma alta de 18,7%. Na mesma comparação, as ocorrências de estupro de vulnerável aumentaram de 4.725 para 5.397, uma elevação de 14,2%.

“O crime de estupro é o que tem o mais alto índice de subnotificação. De acordo com especialistas no tema, o número real de casos pode ser até quatro vezes maior do que o registrado atualmente, já que grande parte dos crimes acontece no ambiente familiar, que dificulta o flagrante e as denúncias”, destacou a SSP em nota.

Segundo a secretaria, o Estado de São Paulo conta com 140 Delegacias de Defesa de Mulher, sendo que 11 delas funcionam 24 horas por dia. Há ainda 77 salas, também disponíveis 24 horas por dia, anexas aos plantões policiais, onde as vítimas são atendidas por videoconferência.

Demais crimes

O Estado de São Paulo registrou 1.327 homicídios dolosos nos seis primeiros meses de 2023 – a menor quantidade para um primeiro semestre em 23 anos. A quantidade é 4,9% menor que o registrado no mesmo período de 2022. Já a quantidade de tentativas de homicídio subiu, na mesma comparação, de 1.581 casos para 1.786, um crescimento de 12,9%.

O número de furtos registrados no primeiro semestre de 2023 cresceu também: foram 278.634 nos primeiros seis meses de 2022 e 286.673 no mesmo período de 2023, uma alta de 2,8%. Na mesma comparação, o furto de veículos aumentou de 45.139 para 47.196 casos, uma elevação de 4,5%.

Já os latrocínios recuaram 8,2% no primeiro semestre de 2023, de 85 (nos seis primeiros meses de 2022) para 78 ocorrências, menor número desde 2001. Na mesma comparação, a quantidade de roubos caiu de 116.760 para 113.559, ou seja, 2,7% a menos.




Fonte: Agência Brasil

Presos fazem rebelião em presídio no Acre


Detentos começaram na manhã desta quarta-feira (26) uma rebelião no Presídio Antônio Amaro Alves, em Rio Branco. O motim foi iniciado por 26 presos quando policiais penais faziam inspeção de segurança em um dos pavilhões.

Durante o motim, um policial foi atingido com tiro de raspão no olho. O agente foi socorrido, está consciente e não corre risco de morte. Um agente continua refém dos rebelados.

O governo do Estado declarou que instalou um gabinete de crise para conter o movimento.

Em nota, o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais, informou que vai enviar ao estado uma equipe de 40 homens de Força Tarefa da secretaria para reforçar a operação para retomar o controle do presídio.

“A Senappen reitera seu compromisso em cooperar com os estados em situações emergenciais e se solidariza com o governo do Acre nesse momento delicado. As ações de apoio da Força Tarefa visam contribuir para o restabelecimento da normalidade no presídio e para a manutenção da segurança pública na região”, informou o órgão.




Fonte: Agência Brasil

Incentivo para meninas desenvolverem tecnologia é tema da Campus Party


Competição de culinária com uso de impressoras 3D e de gamers, arena de robôs, cultura geek e palestras sobre startups e empreendedorismo são as principais atrações da Campus Party 2023. O evento começou nesta terça-feira (25) e segue até domingo (30).

Em uma área dominada por homens, uma das mesas na manhã desta quarta-feira (26) abordou iniciativas para incentivar meninas a seguirem na carreira de tecnologia.

A professora do Instituto Federal de Goiás, do campus Luziânia, Christiane Borges, é a única docente mulher do curso de ciências da computação. Ela falou sobre as dificuldades de ocupar essa posição.

“Quando tinha alguma atividade prática e eu estava no meio de um grupo que tinha rapazes, a primeira coisa que falavam para mim era: ‘Você é muito boa pra escrever. Você faz o relatório’. E eu questionava: ‘Mas e a parte prática?’.  Eu queria montar também. Então um dos motivos para a gente trazer um laboratório com atividades mais práticas e mais lúdicas para essas meninas é, principalmente, mostrar para elas que elas têm condições de fazer o que quiserem”, aponta a professora.

Christiane coordena há mais de dez anos o Metabotix, projeto que oferece um laboratório prático para mulheres executarem experimentos de robótica e metarreciclagem e que também incentiva a participação de meninas nessa área de tecnologia.

Talita Cypriano, que é professora do Instituto Federal de São Paulo, no campus Bragança, desenvolve atividades no projeto IF Meninas. Ela falou que o ambiente da tecnologia é hostil às mulheres por uma série de razões, mas que é necessário despertar desde cedo a curiosidade das meninas nas atividades tecnológicas. Para a professora, os exercícios práticos são a melhor forma de fazer isso.

“Quando elas participam, por exemplo, das competições de empreendedorismo, eu vejo que é muito rico, porque elas sabem que podem fazer. Elas pegam o problema, propõem uma solução, tentam resolver, têm toda a jornada prática. Vejo que o desenvolvimento de projetos causa muito impacto na vida das estudantes a longo prazo”, avalia.

Ela também destacou a importância para a sociedade de se ter mais mulheres e uma maior diversidade de pessoas nas áreas de exatas e tecnologia.

“Se você coloca um grupo de pessoas que tem uma característica única, você não explora todas as possibilidades que aquela solução [tecnológica] pode ter. Se você quiser um argumento econômico para aumentar o número de mulheres, e não só mulheres, mas de diversidade nos projetos, você tem, porque é benefício para todo mundo. Criar ambientes que não sejam hostis para mulheres com certeza vai ser agradável para todos”, destaca.

A programação completa da Campus Party pode ser conferida no site do evento.




Fonte: Agência Brasil

No Rio, Climate Hub debate preservação de oceanos


Com o objetivo de dar mais visibilidade à necessidade de preservação dos oceanos, para valorizar o enfrentamento das mudanças climáticas, foi realizado nesta quarta-feira (26), no Museu Histórico do Exército, no Rio de Janeiro, o evento Oceano e Clima – A conservação marinha no combate às mudanças climáticas no Brasil. O encontro foi promovido pelo Climate Hub, centro de estudos do clima do Columbia Global Centers Rio, parte integrante da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos.

Atualmente, apenas 1% do orçamento de todos os países do mundo é destinado à pesquisa oceânica, disse à Agência Brasil a gerente de Projetos do Climate Hub Rio, Camila Pontual. “Sem avanços na pesquisa, não temos dados, a gente não consegue avançar em políticas públicas, e não preserva o que não conhece.”

A pesquisadora a destacou que, em 2021, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu até 2030 a década para a ciência oceânica, englobando não só a preservação dos oceanos, mas a pesquisa oceânica. “Exatamente porque temos um gap (lacuna) de conhecimento e de dados na questão dos oceanos, embora aquilo que sabemos já nos mostre a relevância dos oceanos.”

Carbono

A gerente de Projetos do Climate Hub Rio afirmou que os oceanos são o maior sumidouro de carbono. “Eles não só capturam o carbono, como asseguram que o elemento químico fique ali, a tecnologia mais importante que temos de mudança climática, para combater os gases de efeito estufa.”

O problema é que os seres humanos ainda conhecem muito pouco sobre a biodiversidade marinha, sobre os impactos das mudanças climáticas nessa biodiversidade, “que é fundamental para manter esse sumidouro”. Por causa disso, as Climate Hub, da Universidade de Columbia, se uniram para começar a reunir especialistas brasileiros para avançar a pesquisa de oceanos no Brasil.

Durante o evento foram feitas propostas para fomentar o orçamento para a ciência, fomentar a pesquisa, entender os impactos nessas temáticas, avançar com isso frente aos governos federal, estaduais e municipais, com o objetivo de criar comissões locais de debate, de modo a promover maior criação, por exemplo, de unidades de conservação marítima e outras.

Camila Pontual disse que um dos temas que serão estudados diz respeito à pesca artesanal, entendendo que essa é uma atividade fundamental para geração de renda de muitas famílias, em especial de baixa renda. Do mesmo modo, deverão ser trabalhados também os impactos da pesca predatória.

Edital

Especialistas brasileiros e da Universidade de Columbia deverão se aliar para promover, e debater cada vez mais, a colaboração entre os dois países nesse campo da pesquisa oceânica. Camila adiantou que ainda neste segundo semestre será lançado edital para pesquisadores brasileiros irem para a Universidade de Columbia, onde desenvolverão pesquisas sobre sustentabilidade, incluindo a área dos oceanos.

O evento no Forte de Copacabana foi realizado pelo Climate Hub Rio, em parceria com o Projeto Ilhas do Rio e o Núcleo de Vida Marinha da Secretaria de Meio Ambiente e Clima da Cidade do Rio de Janeiro (SMAC).

Para a secretária de Meio Ambiente e Clima do Rio, Tainá de Paula, é necessária uma atenção especial com a vida marinha não só no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Ela destacou que o país tem mais de 7,4 mil quilômetros de litoral e serve de referência quando o assunto é pesca ou sustentabilidade marinha. “Por isso, precisamos focar nossos esforços em sugerir políticas públicas que possam minimizar os impactos das mudanças climáticas no Brasil”, afirmou.

Para a coordenadora técnica do Projeto Ilhas do Rio, Aline Aguiar, é urgente reduzir os impactos humanos e implementar soluções baseadas no oceano. Ela ressaltou que a criação de áreas marinhas protegidas como áreas prioritárias para conservação e a restauração de manguezais e recifes de coral têm impacto direto na recuperação da biodiversidade, propiciando elevado potencial de fixação de carbono e aumento da produtividade de recursos pesqueiros.

Ao final do evento, os participantes visitaram a exposição A Esperança nas Águas e Ilhas do Rio, organizada pelo Projeto Ilhas do Rio e inaugurada no salão principal do Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana.




Fonte: Agência Brasil

Operação combate grupo que furta combustível da Transpetro


O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil deflagaram nesta quarta-feira (26) uma operação contra empresas e organizações criminosas que furtam combustível de oleodutos da Transpetro. Foram expedidos 47 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

Foram denunciadas 27 pessoas à Justiça pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Todas acusadas de furto qualificado, organização criminosa e corrupção.

A Operação Exagogi, que significa extração em grego, também tem como objetivo identificar empresas que adquirem o produto desviado.

As investigações tiveram início em 2019, quando os agentes receberam denúncias e informações sobre três caminhões que transportavam óleo bruto furtado no bairro Beira da Lagoa, no município de Quissamã, região norte fluminense. Agentes da Polícia Militar encontraram duas carretas com o produto no local e os motoristas confessaram o crime. Onze pessoas foram presas. O grupo criminoso, segundo a polícia, contava com um especialista que instalava a mangueira nos dutos onde os combustíveis eram furtados.

Transpetro

A Transpetro informou, em nota, que é vítima das ações criminosas e que colabora com as investigações. A empresa reforçou que o roubo de combustível em oleodutos pode trazer riscos para a segurança das pessoas e do meio ambiente, como vazamentos, incêndios e explosões. E que somente com equipamentos e funcionários especializados é possível garantir a extração e transporte eficientes dos combustíveis.

A companhia pediu que moradores vizinhos aos oleodutos ajudem no combate aos furtos, ligando para o número 168 para denunciar qualquer movimentação suspeita. O serviço telefônico é gratuito e funciona diariamente, durante 24 horas.




Fonte: Agência Brasil

Afeto e Memória: exposição retrata população negra no dia a dia


A exposição fotográfica Afeto e Memória, em cartaz no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso até 13 de agosto, apresenta 40 obras de dez fotógrafos negros que retratam a população negra em manifestações culturais e situações cotidianas.

“Geralmente, quando a gente está estampado dentro de um veículo jornalístico ou até revista impressa, a gente tem que estar relatando a nossa dor, nunca relatando esse processo de afeto e memória. Então a ideia é trazer outra perspectiva dos nossos corpos pretos, trazer um novo olhar, um olhar não colonial”, disse o fotógrafo Júlio César Almeida, cujas obras estão na mostra.

A proposta da curadoria é que o público possa refletir sobre a complexidade das emoções e os laços afetivos presentes nas comunidades negras. Com isso, a mostra busca ampliar a compreensão e o reconhecimento da contribuição da cultura afro-brasileira para a sociedade.

“São imagens belíssimas que conseguem retratar o que é o Brasil de outra perspectiva. Eu acho que são imagens que contam a nossa história, pensando não só no processo periférico, mas [de forma] abrangente, são imagens que contam a história do Brasil”, avaliou Almeida.

Ele acrescentou que “as imagens trazem, além dessa leveza e do processo de autoestima enquanto povo preto, o que é realmente o Brasil”. Almeida aponta ainda a necessidade de se levar referências negras para o audiovisual, que é excludente, caro e está ocupado majoritariamente por pessoas brancas.

Com entrada gratuita, a exposição tem curadoria de Bárbara Copque e Rosane Borges e reúne trabalhos de dez fotógrafos negros: Bete Marques, Daisy Serena, Eliária Andrade, Gsé Silva, Helen Salomão, Ina Henrique Dias, Júlio César Almeida, Mari Ser, Nego Júnior e Rodrigo Zaim.

A fotógrafa e idealizadora do projeto, Eliária Andrade, avalia que em um país onde a maioria das pessoas é preta e sempre estive à margem da produção cultural, “a exposição tem como premissa proporcionar um espaço de visibilidade e reconhecimento para fotógrafos negros e suas narrativas”.

Obra da fotógrafa Eliária Andrade na Exposição fotográfica Afeto e Memória - Praia Grande ( SP ) 01/12/2019 - 50° Festa de Iemanjá realizada na cidade de Praia Grande - Tradicional festa de Iemanjá, Rainha do Mar, onde religiosos adeptos dos

Obra da fotógrafa Eliária Andrade na exposição Afeto e Memória – 50° Festa de Iemanjá realizada na cidade de Praia Grande- Eliaria Andrade

Além da exposição, há ainda programação com rodas de conversa com os fotógrafos e curadores e uma oficina de colagem de lambes. “Tem a oficina de lambes, que é uma fotografia mais acessível e que é mais democrática, porque você consegue ampliar a imagem por um preço barato e consegue colar na rua. É uma intervenção política e você consegue fazer isso na rua, não precisa ter um lugar específico, uma galeria, para mostrar seu trabalho”, destacou Almeida.




Fonte: Agência Brasil

Incra reconhece terra quilombola em Angra dos Reis


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou, nesta quarta-feira (26), no Diário Oficial da União, a declaração de reconhecimento das terras da Comunidade Quilombola de Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. São 616 hectares no sul fluminense onde vivem 129 famílias descendentes de africanos escravizados para o trabalho na cafeicultura no século 19.

O território é alvo de grilagem de terra, especulação imobiliária e conflitos territoriais, desde a década de 1990, quando a comunidade ainda lutava por reconhecimento como remanescente quilombola. Foi em 1999, que a Fundação Cultural Palmares (FCP) reconheceu oficialmente a comunidade Santa Rita do Bracuí, mas a certificação só foi emitida em 2012.

Em 2020, o Ministério Público Federal chegou a recomendar a regularização fundiária das terras da comunidade, após a tentativa de instalação de um empreendimento turístico no território.

No estado do Rio de Janeiro, o processo das terras da Comunidade de Santa Rita do Bracuí era um dos 34 que aguardavam o reconhecimento e titulação. Os limites e as confrontações do território da Comunidade Quilombola de Santa Rita do Bracuí estão descritos na portaria do Incra. A planta e o memorial descritivo da área já foram disponibilizados no acervo fundiário da instituição e podem ser acessados pelo site do instituto.




Fonte: Agência Brasil

Governo autoriza 230 novas vagas em concurso


O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos publicou nesta quarta-feira (26) portaria que autoriza a realização de concurso público para preencher 100 vagas de analista no Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). O edital com todas as informações sobre o processo deve ser publicado em até seis meses.

As vagas disponibilizadas são de nível superior para analista de planejamento e orçamento. As áreas de atuação não foram especificadas. O último concurso público foi realizado em 2015. Durante o governo anterior o ministério foi extinto e voltou a ser instituído somente em janeiro de 2023, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O órgão é responsável por planejar e elaborar políticas públicas para o desenvolvimento do país, além de acompanhar o plano plurianual de investimentos, os orçamentos anuais e avaliar os financiamentos externos.

A portaria também estabelece que o prazo mínimo entre a publicação do edital e a realização da primeira prova do concurso público é de dois meses. O MPO é responsável por estabelecer as normas, observar as políticas de reserva de vagas para o planejamento e execução do processo de seleção.

A remuneração inicial para o cargo de analista de planejamento e orçamento, atualmente, é de R$ 20.924,80.

Anatel

Outra portaria publicada no DOU, autoriza a realização de concurso público para ocupar 50 cargos de nível superior, para especialista em regulação de serviços públicos de telecomunicações, na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os prazos para publicação do edital e realização da prova são os mesmos estabelecidos para o concurso do MPO.

Os cargos fazem parte do total das 3.026 vagas autorizadas pelo governo federal, conforme anunciou no dia 18 de junho, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) também foi autorizado por portaria a iniciar o processo de seleção para o preenchimento de 80 vagas. O concurso público será para nível médio, para o cargo de técnico de planejamento e pesquisa.




Fonte: Agência Brasil