Ciclone extratropical intensifica chuvas no sul do país


A Região Sul do Brasil deverá ter chuvas neste sábado (8) – especialmente no Rio Grande do Sul e nas áreas sul de Santa Catarina -, de acordo com a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O aumento da instabilidade é consequência do avanço de uma frente fria pelo Oceano Atlântico, desde quinta-feira (6). 

Segundo a previsão do Inmet, nesta sexta-feira (7), a frente fria ajudará a manter um canal de umidade sobre o Rio Grande do Sul, e a chuva deve se espalhar por grande parte do estado, atingindo, inclusive, áreas do sul de Santa Catarina.

Chuvas intensas

Neste sábado, com a configuração do ciclone extratropical, “os volumes de chuva tendem a aumentar, especialmente no leste e no litoral gaúcho, podendo superar 70 milímetros (mm) em 24 horas, e, de forma pontual, com valores em torno dos 100 mm”, informa aviso meteorológico do Inmet.

No domingo (9), a frente fria vai atuar sobre o mar, na altura da Região Sudeste. No mesmo dia, a chuva tende a ficar concentrada entre Santa Catarina, Paraná e nas regiões sul e leste de São Paulo, mas em menores volumes.

“Vale destacar que, quanto aos volumes de chuva, há diferença entre os diversos modelos numéricos de previsão do tempo quanto a área de concentração dos maiores valores, especialmente, na sexta-feira e no sábado. Diante disso, é importante o acompanhamento diário das atualizações da previsão do tempo e dos avisos meteorológicos especiais nos próximos dias no portal do Inmet”, informou a Meteorologia.




Fonte: Agência Brasil

TCU analisa arquivamento de projetos culturais em 2020 e 2021


Após pedido da Câmara dos Deputados, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um alto volume de projetos culturais arquivados em 2020 e 2021, no governo Bolsonaro, que pediam financiamento da Lei Rouanet e ficaram sem resposta. 

No meio das solicitações sem retorno, as amostras analisadas apresentavam – no resumo ou na sinopse – citações a temas como comunidade LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgênero, queer,  intersexo, assexual), feminismo, religiões de matrizes africanas e indígenas, movimento negro e populações tradicionais, entre outros.

Além disso, os auditores do TCU observaram que, em 2021, mais da metade dos pedidos de financiamento de projetos culturais foi negada. Também em 2021, o tempo de análise dos pedidos, que é de 60 dias, aumentou.

Direcionamento ideológico e censura

A Secretaria de Controle Externo de Desenvolvimento Sustentável do TCU atendeu requerimento – aprovado na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados – para avaliar “um eventual direcionamento ideológico e censura” na aprovação de projetos culturais em 2020 e 2021. Os pedidos de financiamento eram feitos para a então secretaria de Cultura, na época vinculada ao Ministério do Turismo.

Sob a relatoria do ministro Augusto Sherman, o TCU deu 90 dias para que o Ministério da Cultura encaminhe um plano de ação, providências e prazos para implementar formas de controlar e proteger as informações do Sistema de Acesso às Leis de Incentivo à Cultura – Salic.

O Ministério da Cultura ainda não se manifestou sobre o assunto.




Fonte: Agência Brasil

Bombeiros confirmam resgate da 2ª vítima de desabamento no Recife


O coronel Robson Roberto, do Corpo de Bombeiros confirmou o resgate de uma segunda mulher, pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com vida, dos escombros. Ela foi encaminhada para o Hospital Miguel Arraes. O Corpo de Bombeiros não informou a idade mas disse que ela estava consciente com fraturas.

Mais cedo outra mulher de 65 anos foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros com vida, após o desabamento de um prédio na Rua Dr. Luiz Inácio de Andrade Lima, na manhã desta sexta-feira (7), no Grande Recife. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, dois grupamentos trabalham no local. “A informação, em princípio, é que são 11 vítimas. Temos vítimas responsivas, ou seja, a medida que produzimos estímulos, as vítimas respondem, e trabalhamos com cães farejadores no local, diz o militar.

Moradores da região informaram aos militares que havia crianças no local. Segundo os Bombeiros, o desabamento foi parcial e os homens trabalham junto ao Samu às outras forças de salvamento como Defesa Civil e Polícia Militar em busca de sobreviventes.

O prédio fica localizado no bairro do Janga, em Paulista, no litoral norte de Pernambuco. O desabamento teria acontecido por volta das 6h30, e o Corpo de Bombeiros foi acionado alguns minutos depois.

O bloco que desabou é o D7 e já foi condenado pela Defesa Civil. Ele faz parte Conjunto Beira Mar, um complexo de moradias populares com 1.711 unidades distribuídas em 29 blocos, sendo 20 do tipo caixão e nove com estrutura de pilotis.

A construção tem 38 anos e já apresentava rachaduras em diversas unidades, de onde as famílias haviam sido retiradas em 2013.




Fonte: Agência Brasil

Prédio desaba em Paulista, na região metropolitana do Recife


Uma mulher de 65 anos foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros com vida, após o desabamento de um prédio na rua Dr. Luiz Inácio de Andrade Lima, na manhã desta sexta-feira (7), na região metropolitana do Recife. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, oito viaturas com homens da Grupamento de Busca e Salvamento trabalham no local.

Ainda não há informações sobre o número de desaparecidos, mas moradores da região informaram aos militares que havia crianças no local. Segundo os bombeiros, o desabamento foi parcial, e os homens trabalham junto com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Defesa Civil e a Polícia Militar em busca de sobreviventes.

O prédio fica localizado no bairro do Janga, em Paulista, no litoral norte do estado.




Fonte: Agência Brasil

Santos Dumont é homenageado com concurso de fotos


Os fãs de Alberto Santos Dumont têm até o próximo dia 19 para se inscrever no Concurso de Fotografia do Comando da Aeronáutica (Comaer). A meta é homenagear os 150 anos do nascimento do pai da aviação e patrono da Aeronáutica, celebrados no dia 20 de julho. As fotos têm como tema “A vida, as obras e os valores de Santos Dumont”. O edital e as fichas de inscrição podem ser acessados aqui.

O concurso é aberto a pessoas físicas residentes no Brasil. Segundo o Comaer, cada participante poderá encaminhar até três fotografias de técnica livre. Criatividade é um dos principais critérios para a seleção dos ganhadores, além de originalidade, estética, qualidade fotográfica (técnica), relevância e qualidade informativa da mensagem, em consonância com o tema. Os candidatos poderão usar recursos complementares de lentes, filtros especiais e ampliação, entre outros.

A avaliação das fotografias será feita por uma comissão julgadora formada por membros do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) e profissionais especializados. As fotografias devem ser digitais e podem ser coloridas ou em preto e branco. O formulário de inscrição deverá ser acompanhado do termo de cessão de direito de uso de imagem. O resultado do concurso será divulgado no dia 31 deste mês, nos canais oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) na internet e mídias sociais, a partir das 16h.

Museu

No último fim de semana de julho (dias 29 e 30), o Museu Aeroespacial (Musal), situado na Avenida Marechal Fontenelle, 2000, Campo dos Afonsos, zona oeste do Rio de Janeiro, estará de portões abertos em comemoração ao sesquicentenário de Santos Dumont e, também, aos 50 anos do equipamento. A entrada é gratuita. Haverá atividades para toda a família, com demonstrações aéreas da Esquadrilha da Fumaça, mostras de filmes, ações educativas e visitas às salas temáticas do museu.

No dia 27 de agosto, o Musal dará prosseguimento à celebração do sesquicentenário de Santos Dumont, com a realização da segunda etapa de corrida (14 Bis), alusiva aos principais inventos do pai da aviação. A primeira etapa – denominada Balão Brasil – ocorreu no dia 18 de junho deste ano.

Fechando o circuito, para o dia 26 de novembro está prevista a terceira e última etapa de corrida (Demoiselle). Os interessados em participar das duas corridas podem se inscrever pelo Instagram e, também, pelo link.

Vida e obra

Alberto Santos Dumont é considerado um dos precursores da aviação e da criação de aeronaves no mundo. Ele nasceu em 20 de julho de 1873, no sítio Cabangu. O local passou, em 1890, a pertencer ao município de Palmyra, em Minas Gerais, um dos bens tombados sob tutela da Força Aérea Brasileira.

Ele era filho de Francisca Santos Dumont, de tradicional família portuguesa que veio para o Brasil em 1808, com D. João VI, e de Henrique Dumont, engenheiro civil de obras públicas que, anos mais tarde, se tornou cafeicultor em Ribeirão Preto (SP). De ascendência francesa, Henrique Dumont influenciou a trajetória do filho Alberto, direcionando os estudos do rapaz para a mecânica, física, química e eletricidade, dado o seu interesse pelo funcionamento de máquinas da fazenda.

O sonho de voar de Alberto surgiu aos 15 anos, quando ele viu um balão livre nos céus de São Paulo. Esse tipo de balão faz sua ascensão sem possuir nenhum tipo de dirigibilidade, ficando ao sabor das correntes aéreas. Emancipado pelo pai, o jovem Alberto, de 18 anos, viajou para Paris para completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar.

Ao chegar à capital francesa, ele se admira com os motores de combustão interna a petróleo que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e compra um para si, investigando todo o seu funcionamento. Logo estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.

Aos 24 anos, teve sua primeira decolagem bem-sucedida a bordo de um balão livre alugado. Um ano depois, em 1898, projeta e constrói, com a ajuda de operários e construtores de balões franceses, seu primeiro balão livre, que recebeu o nome de Brasil, o menor balão tripulado já feito, homenageando seu país de origem. Logo em seguida, Santos Dumont inventou os balões dirigíveis.

Em 1901, pilotou seu balão Número 6, movido a gasolina, sobre Paris, e ganhou prêmio de 100 mil francos por seu feito. Tornou-se o centro das atenções, despertando o interesse militar para seus balões. Após o sucesso conquistado com balões e dirigíveis, Santos Dumont partiu para outra linha de pesquisa que era voar com um veículo mais pesado que o ar.

O primeiro salto no ar do 14 Bis ocorreu no dia 7 de setembro de 1906, mas faltou potência. Em outubro do mesmo ano, com motor Antoinette de 50 HP, o 14 Bis voou, decolando, mantendo-se no ar por uma distância de 60 metros, a três metros de altura, e aterrissou. Foi o primeiro voo homologado do mais pesado que o ar para uma multidão de testemunhas eufóricas no campo de Bagatelle, em Paris.

No dia seguinte, toda a imprensa francesa enalteceu o fato histórico, o triunfo de um obstinado brasileiro, que, pelo feito, conquistou o prêmio Archdeacon oferecido pelo Aeroclube de França. O dinheiro do prêmio foi distribuído entre operários e pobres de Paris, como era o costume do inventor.

Santos Dumont se tornou uma celebridade conhecida mundialmente. Em 1909, ele voou no avião Demoiselle, um dos primeiros aeroplanos do mundo, que se tornou um sucesso comercial. O inventor brasileiro trabalhou também em melhorias no desenho do avião, entre os quais a adição de cauda vertical para melhor estabilidade e controle.

Seus projetos foram aperfeiçoados por outros aviadores e projetistas, uma vez que ele não os patenteava. Sua ideia era dotar a humanidade com meios que facilitassem as comunicações. Por isso, ficou desgostoso com o uso agressivo que o avião teve na Primeira Guerra Mundial.

Em 31 de julho de 1932, a cidade de Palmyra, em Minas Gerais, passou a ser conhecida como Santos Dumont, em homenagem ao pai da aviação.

Retorno

Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, Santos Dumont retornou ao Brasil, sendo recebido com festa pela população. Ele morreu em 23 de julho de 1932, em Guarujá (SP), mas seu legado vive até hoje. Seu coração está preservado sob a custódia da Força Aérea Brasileira e encontra-se em exposição no Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro.

Em 4 de julho de 1936, a Lei 218 declarou o dia 23 de outubro como o Dia do Aviador, homenageando, assim, o primeiro voo do mais pesado que o ar. No mesmo ano, o primeiro aeroporto do Rio recebeu o nome do aeronauta. Na década de 1970, ele foi considerado Engenheiro Honoris Causa pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Vídeo

Para lembrar o 20 de julho de 1873, a Força Aérea Brasileira lançou este mês um vídeo institucional, cujo objetivo é lembrar a vida, as obras e os valores desse brasileiro que se destacou no mundo inteiro pela característica da invenção e da inovação. De acordo com a FAB, o vídeo é uma oportunidade de resgatar a história desse brasileiro “que é motivo de orgulho para todo o país”.

Até o dia 10 deste mês, quem passar pelo saguão principal do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, poderá conferir a exposição 150 anos em 150 imagens, em comemoração ao sesquicentenário de Alberto Santos Dumont. O horário é de 8h às 20h. Realizada pelo Terceiro Comando Aéreo Regional, a mostra seguirá depois para o Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, onde ficará de 13 a 19 de julho, no horário de 10h às 22h.

O conteúdo traz imagens que retratam a vida, as obras e os valores de Santos Dumont; uma réplica da aeronave Demoiselle, voada pela primeira vez pelo inventor em 1907; itens pessoais, como o chapéu Panamá; miniaturas das aeronaves KC-390 Millennium, Gripen e 14-Bis; além de uma maquete da Casa de Santos Dumont, em Petrópolis, no estado do Rio. Militares estarão nos dois locais para tirar dúvidas dos visitantes durante o período das exposições.

Outro evento alusivo aos 150 anos de Santos Dumont se estenderá até o dia 14 deste mês. Trata-se de uma exibição de objetos pessoais do pai da aviação e trabalhos artísticos criados por alunos de escolas de Barbacena (MG). Intitulada 150 anos, 150 imagens, a exposição está aberta ao público no Ginásio Poliesportivo da Escola Preparatória de Cadetes do Ar.




Fonte: Agência Brasil

Atração do Latinidades, Buika se declara à vida: “é um prêmio”


To fly is not an easy thing to do. First they wanna teach you to do it wrong. They blame who was not there to learn. I rather learn from butterflies”. Este é um trecho da única música com o título em português, Cidade do Amor, do último álbum lançado por Buika, em 2015: Vivir sin miedo. Nessa música, em tradução livre, a cantora espanhola, considerada uma das melhores vozes da atualidade, descreve que voar não é fácil. “Primeiro, eles querem te ensinar errado. Eles culpam quem não estava lá para aprender. Eu prefiro aprender com as borboletas”.

Em um hotel, em Brasília, às vésperas de se apresentar no Festival Latinidades, Buika conversou com a Agência Brasil. Na entrevista exclusiva, ela fala do seu amor pelo Brasil e também do amor por si própria, conta como trabalha para se ouvir mais em vez de esperar a aprovação de outras pessoas. A rainha do flamenco fala também sobre o que considera o maior prêmio de todos: a vida. Em vez de esperar permissão para voar, Buika escolhe viver todos os dias intensamente, porque, como diz outro trecho de Cidade do Amor, “a vida, às vezes, dura apenas um dia”.

A conversa começa com o tema do festival deste ano, “Bem Viver”: “Bem viver é se dar a oportunidade de ter vindo a esse mundo para cumprir a missão para a qual se foi designada. Porque, afinal, é importante ter uma boa profissão, ter um bom status social, mas o importante é sair dessa vida tendo claro que a viveu até o fim”, diz, Buika. “Entenda que a sua vida é um prêmio. Você está sendo premiada. Não precisa que ninguém mais te premie. Amanhã, possivelmente, uma porcentagem da população mundial não abrirá os olhos. Se você abre, é um milagre. E tem que ser celebrado, é um dia de celebração”, complementa.

Para viver essa missão e, principalmente, para se aceitar, Buika defende que o importante não é esperar a aprovação dos demais. “Eu sinto que, infelizmente, estamos muito viciados na aprovação dos demais. Se você se aprova, está bem, entende? Somos muito vítimas da aprovação, muito vítimas que os outros nos digam que somos bonitas para que acreditemos. Somos vítimas de que os demais nos digam que fazemos algo bem. Eu me sinto bonita. Não necessito que ninguém me diga que sou bonita, eu me sinto bonita”.

María Concepción Balboa Buika, conhecida com Concha Buika, nasceu em 1972, em Palma, na ilha espanhola de Maiorca. É filha de refugiados políticos da Guiné Equatorial. O álbum Niña de Fuego, de 2008, foi indicado como álbum do ano no Grammy Latino e La Noche Más Larga foi indicado como melhor álbum de jazz latino no Grammy de 2014. El Último Trago (2009), álbum gravado em parceria com o pianista cubano Chucho Valdés, venceu o Grammy Latino 2010 como melhor álbum tropical tradicional. Segundo o portal Geledés, ela é comparada a nomes como Nina Simone, Cesaria Evora e Chavela Vargas.

Buika descreve a arte como um remédio: “A arte, na realidade, é um remédio para a alma. É um remédio que Deus pôs na Terra para curar, porque a arte ajuda a curar a sociedade, sobretudo as sociedades que são vítimas de guerra, de ódio. A arte tem um papel curador muito grande e é muito importante para a vida das pessoas”.

Apesar de se apresentar no festival apenas um dia, Buika estendeu em uma semana a estadia no Brasil, pois, segundo ela, estar aqui é ter um desejo realizado. “Brasil é um presente para este mundo e é um paraíso para a música. Os músicos brasileiros, os cantores, são um presente para a humanidade”.

Ela conta que pretende, nos próximos dias, “visitar, ver e saborear” o país. “Quero comer picanha”, diz sorrindo. “Vir ao Brasil já realizar um desejo. O que vem daqui já não é música brasileira, é do mundo. Acredito que seja bom para o Brasil e para os brasileiros, que se diga que o mundo inteiro o considera um presente. Os brasileiros são um presente para o mundo”.

Buika apresenta-se no sábado (8), no Museu Nacional da República, em Brasília, como parte da programação do Festival Latinidades. Além de Buika, apresentam-se Dj Beatmilla (DF), Letícia Fialho (DF), BellaDona (DF), Dj Aisha Mbikila (DF/SP), A Dama (BA) e Flora Matos (DF/SP). Os shows serão transmitidos pela Rádio Nacional.

O Festival é considerado hoje o maior festival de mulheres negras da América Latina. As ações que compõem a programação do festival são: debates, palestras, oficinas, vivências, painéis, conferências, lançamentos literários, rodada de negócios, desfiles e apresentações de dança, teatro e música.




Fonte: Agência Brasil

Poluição faz Rio Tietê formar espuma em cidades do interior


Cidades do interior do estado de São Paulo cortadas pelo Rio Tietê voltaram a registrar nesta semana a formação de uma espessa espuma branca sobre as águas do rio. Uma das cidades mais atingidas é Salto, onde a espuma chegou a tomar quase que a totalidade do curso d’água nas proximidades da cachoeira que dá nome à cidade.

De acordo com a diretora de Políticas Públicas do Instituto SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, a espuma é causada pelos fosfatos e fósforo presentes em produtos biodegradáveis domésticos como o sabão, detergente, saponácio, pasta de dente e shampoo, despejados em grande quantidade no esgoto da região metropolitana da cidade de São Paulo.

O Rio Tietê, que corre no sentido do interior, carrega esses produtos em sua água. Nas cidades com corredeiras ou cachoeiras ocorre a formação de espuma espessa em razão da agitação e consequente oxigenação da água. A concentração dos produtos é maior na atual época do ano, quando o rio está com menor volume de água, devido a pouca quantidade de chuvas.

“Você imagina 22 milhões de pessoas da região metropolitana de São Paulo usando esses produtos. O sistema de tratamento de esgoto não trata isso. Trata matéria orgânica, fezes e urina. Então esses componentes biodegradáveis, que são ricos em fosfato, eles se concentram na água”, destaca.

Segundo Ribeiro, a espuma que sai da água carrega com ela demais poluentes do rio e pode ser perigosa para os moradores das suas proximidades. “As pessoas podem respirar os poluentes na forma de espuma e então se contaminar com bactérias e outros poluentes que estão na água e que vem com essas espumas. Por isso que se fala já há algum tempo que essas espumas são tóxicas”.

A diretora do SOS Mata Atlântica ressalta que a situação deve ser combatida na origem, ou seja, no controle da quantidade de fósforo e fosfatos permitidos nos produtos. “O que outros países fizeram que a gente não faz? Combater o problema na origem, diminuindo, com normas e resoluções, a concentração de fósforo e fosfato dos produtos biodegradáveis”. “Nossa legislação já fez essa redução de algumas décadas para cá, porém, com as mudanças climáticas, a gente precisa rever essa resolução de novo”, acrescenta.

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo disse em nota que trabalha em conjunto com os municípios paulistas para melhorar a condição do rio. “A previsão é que, até 2026, sejam investidos R$ 5,6 bilhões na ampliação da rede de saneamento básico, desassoreamento, gestão de pôlderes [muros de contenção, diques], melhorias no monitoramento da qualidade da água, entre outras medidas que irão ampliar a qualidade do rio na região de Salto e ao longo de toda a sua extensão”.

A pasta disse ainda que os episódios de formação de espuma ocorrem por conta de parcelas de esgotos urbanos ainda não adequadamente tratados, oriundos de municípios localizados antes da cidade de Salto, na bacia do Alto Tietê.

A prefeitura de Salto informou que monitora a situação do rio e orienta a população a evitar se aproximar do rio, principalmente quando estiver com espuma. “A poluição afeta, além do meio ambiente, notadamente a fauna silvestre que depende do rio, o turismo e a economia da cidade. Ressalte-se ainda, que essa é uma poluição para a qual Salto não dá causa, uma vez que Salto trata quase 100% do esgoto, mas, assim como todas as cidades do Médio Tietê, recebe o rio em péssimas condições”.




Fonte: Agência Brasil

Com celebração festiva, Teatro Oficina recebe velório de Zé Celso


Com as portas abertas e uma multidão de pessoas, o Teatro Oficina se prepara para a última despedida de José Celso Martinez Corrêa. Despedida que é feita com muito choro de saudade, mas também com muitos abraços, festa, música, dança, palmas e diversas folhas, que balançam no ar seguindo o movimento das mãos. Nesta quinta-feira (6), o Bixiga, tradicional bairro da capital paulista onde está localizado o teatro, se despede de um dos maiores nomes da cultura brasileira. O ator e dramaturgo Zé Celso, 86 anos, morreu em consequência de um incêndio que atingiu o apartamento dele. 

As redes sociais do Teatro Oficina informaram que o velório terá início às 23h e seguirá até as 9h desta sexta-feira (7). O rito será aberto ao público e serão organizadas filas para possibilitar a entrada de todos que desejarem no teatro. A Rua Jaceguai ficará fechada para a passagem de carros e um telão foi montado na rua.

A despedida ocorre da forma como Zé Celso vivia: cercado de amor e espalhando alegria. No início desta noite, ainda esperando pela chegada do corpo do diretor, amigos e atores do Oficina organizaram um grande cortejo pelo palco, o qual foi concebido pela arquiteta Lina Bo Bardi. Palco esse que inovou a concepção de teatro ao colocá-lo no centro, como se fosse um corredor, com a plateia nas laterais, se enfrentando como se estivessem em um ringue. “O cenário no ringue representa a metáfora da luta”, dizia Zé Celso sobre a premiada arquitetura do teatro.

Homenagens

O cortejo desta noite percorria todo o corredor do Oficina e chegava à rua, convidando as pessoas para a última homenagem ao dramaturgo. “Bixiga hoje é só arranha-céu. E não se vê mais a luz da Lua. Mas a Vai-Vai está firme no pedaço. É tradição e o samba continua”, cantavam.

A homenagem se estendeu para a rua, em frente ao teatro, onde escreveram no chão: “Zé Celso Vive!”. E também chegou pela forma de diversas flores, que foram enviadas para celebrar o grande nome do teatro brasileiro. Uma das coroas que estava no local havia sido enviada pelo casal Ana Estela e Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda.

O cantor Otto foi um dos que foram até o Oficina para homenagear o dramaturgo. “Zé Celso é uma inspiração, um mestre. O que será do Brasil sem a figura do Zé Celso, sem essa pessoa que vem há anos e anos tomando parte, influenciando, mostrando? Estamos aqui no Oficina, que é eterno, um legado muito grande. Foi uma tragédia. Mas o teatro é renovação, é esperança e celebração. Zé Celso sempre celebrou.”

Otto disse que pretende continuar a luta de Zé Celso pela construção do Parque do Bixiga, ao lado do Teatro Oficina, alvo de disputa com o apresentador Silvio Santos, que é o dono do terreno. “Estamos juntos com os meninos do Oficina e vamos lutar pelo Parque do Bixiga”, declarou.

Para ele, o legado de Zé Celso passa pela “arte, pela verdade, pela democracia, pela existência, pela celebração da vida e pela justiça social”.

Saudade

Quem também esteve hoje no Teatro Oficina e recebeu muitos abraços e afeto foi o ator Ricardo Bittencourt, que esteve com Zé Celso no apartamento no momento do incêndio. “Está todo mundo lamentando e eu também lamento a perda desse artista inigualável. Mas eu perco meu irmão, eu perco a minha casa, o meu lar. Minha amizade com o Zé e o Marcelo (Drummond, marido de Zé Celso) é coisa de 35 anos, mas com muita intimidade”, contou.

Ele lembrou o diretor como referência de família. “Eu perco a minha referência de família mais forte, meu lugar no meu mundo. Desde que a minha mãe morreu, meu lugar no mundo era a casa do Zé e do Marcelo. Minha dor é a dor de família. Eu perco um irmão, meu grande irmão”, disse ele.

Incêndio

À Agência Brasil, Bittencourt contou como foi o momento durante o incêndio. “Eu estava dormindo no meu quarto e acordei com a impressão de que o céu de São Paulo estava no meu quarto. Fiquei olhando e não entendia aquela fumaça. Achei que estavam queimando lixo na rua. E quando saí do quarto, e cheguei na sala, havia mais fumaça e estava mais escuro. O apartamento era conjugado. Eu olhei e comecei a ver uma coisa parecida com fogo, uma coisa escura”, relatou.

Ele encontrou Zé Celso já sendo levado por outro amigo. “Fui andando e vi um corpo no chão, muito queimado, o [também ator] Victor [Rosa] puxando [esse corpo]. E eu associei que era o Zé, mas eu não realizei na hora. Eu sabia, mas ao mesmo tempo não sabia. Não sei o que aconteceu comigo. Não consegui ter uma interpretação. Aquelas imagens não faziam sentido. E comecei a andar por esse espaço e fui vendo que era fogo mesmo. Fui então na porta do apartamento e vi que o prédio estava uma loucura, as pessoas correndo, gritando”, contou.

Em um dos momentos dessa intensa correria, Zé Celso estava no hall que dava para o elevador, deitado. “O Zé me pediu a mão e eu fui para o chão e fiquei segurando a mão dele por um tempo. E começou a cair alguns pedaços de teto na minha cabeça. Eu olhava para aquilo e comecei a pensar no meu filho. Segurei a mão dele e, nesse momento, os Bombeiros vieram, me levaram pela escada e então não vi mais o Zé, porque me colocaram em uma ambulância e o Zé foi para outra.”

Marcelo contou que ficou internado por ter inalado fumaça. E disse acreditar que o incêndio tenha começado com o aquecedor que havia no quarto de Zé Celso. “No quarto dele, não havia nada além desse aquecedor. No corredor havia muitos materiais como livros e cadernos. Parte desses cadernos, que não chegaram a ser digitalizados, foi perdida. Mas ainda não temos noção do que foi perdido”.

Estes foram os últimos momentos que Ricardo teve com Zé, mas ele prefere ter como última lembrança do amigo o que ocorreu antes do incêndio. “A gente tinha o hábito de jantar juntos todos os dias. O Marcelo dorme mais cedo, mas eu sou uma insônia eterna, e o Zé também. A gente tinha o hábito de jantar entre 2h e 3h da manhã. E, nesse dia, a gente estava tomando um sorvete de cupuaçu, que ele amava”, lembrou. Nesse jantar, a última conversa que tiveram foi sobre um telefonema feito pela cantora Daniela Mercury, que deixou o dramaturgo imensamente feliz.

Segundo ele, a cantora falou sobre um projeto para editar as obras de Zé Celso. “São dezenas de peças que nunca foram publicadas. E o Zé sempre quis publicar. Essa era uma luta nossa. E a Daniela tinha conseguido isso”, contou. “Brindamos [a essa notícia] com sorvete de cupuaçu”.

Ricardo conta que Zé Celso foi dormir feliz com a notícia. “No dia seguinte a gente ia começar a agilizar essa coisa que ele estava querendo há muito tempo, que era publicar suas obras.”

Outra lembrança que ele guarda do amigo, e que considera como a maior homenagem já feita ao dramaturgo, foi o casamento dele com Marcelo Drummond, que ocorreu há exatamente um mês, no dia 6 de junho. “Estavam todas as pessoas da vida dele. Zé fez a triagem de toda a lista dos convidados. Foram as pessoas que ele quis. Acreditamos que tenha dado quase 500 pessoas e todas se despediram dele assim – e ele todo feliz. Ele chegou a dizer que foi a grande noite da vida. Essa grande homenagem aconteceu em vida”, disse, emocionado.




Fonte: Agência Brasil

Amazônia tem redução de 33% em áreas sob alerta de desmatamento


Após cinco anos consecutivos de alta, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia teve queda de 33% no primeiro semestre de 2023, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Os números são considerados preliminares e foram coletados pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora alterações na cobertura florestal.

Segundo o secretário executivo do ministério, José Paulo Capobianco, a redução é importante por reverter a tendência de alta que era contabilizada no segundo semestre de 2022, quando houve aumento de 54% na área sob alerta de desmatamento na Amazônia.

Considerado um dos meses de maior risco de desmatamento por estar no período seco, junho deste ano teve uma queda de 41% na área sob alerta, se comparado a igual mês do ano passado.

“Esse número é importante porque estamos em uma época com uma incidência de nuvens menor na Amazônia. Isso quer dizer que os dados têm um grau de assertividade muito maior do que períodos mais chuvosos. É um número com maior confiança de que o satélite conseguiu ver o desmatamento. E é muito importante também porque representa uma queda expressiva em um mês em que ocorre aumento do desmatamento ao longo da série histórica.”

Apesar disso, a queda ainda não garante que haverá diminuição no balanço anual das áreas sob alerta de desmatamento. Esse levantamento é contabilizado entre 1º de agosto de um ano e 31 de julho do ano seguinte, o que faz com que os seis últimos meses do governo anterior ainda sejam levados em conta nos dados que serão divulgados de forma definitiva em novembro deste ano.

“Esse número significa dizer que o esforço de reverter a curva de crescimento foi atingido. Nós revertemos. O desmatamento não está em alta. Se vamos conseguir uma redução neste semestre que compense a herança do semestre anterior e do governo anterior, não sabemos, porque vai depender do resultado de julho”, disse o secretário.

O balanço apresentado também mostra que Mato Grosso superou o Pará como estado com maior área sob alerta de desmatamento, com 34% do total contabilizado. O estado contrariou a tendência regional e teve aumento de 7,1% na área sob alerta de desmatamento no primeiro semestre de 2023.

“O Mato Grosso será objeto de ações muito importantes e parcerias”, prometeu o secretário.

Capobianco avaliou que a queda no desmatamento está ocorrendo nos estados da Amazônia como um todo, e não apenas em algumas regiões. No Amazonas, a redução da área sob alerta chegou a 55,2% no primeiro semestre deste ano, o que foi resultado de uma ação concentrada do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), especialmente na parte sul do estado.

Em Rondônia, a diminuição proporcional do desmatamento foi de 55,8%. E no Pará, de 32,6%.

O levantamento apresentado mostrou que 50% dos registros se concentram em 20 municípios considerados altamente críticos para o desmatamento. Entre eles, sete estão em Mato Grosso, seis no Pará, seis no Amazonas e um em Rondônia.

Alerta em alta no Cerrado

Diferentemente da Amazônia, o Cerrado teve aumento de 21% na área sob alerta de desmatamento no primeiro semestre de 2023, segundo o Deter/Inpe. Apesar dessa alta acumulada no primeiro semestre, o mês de junho teve queda de 14%, o que pode indicar o início de um declínio após um mês de maio que registrou alta de mais de 80% no alerta de desmatamento na região.

“O Cerrado já tinha entrado como um alerta importante, e agora esses dados mostram que a ação no bioma se tornou tão urgente e importante quanto na Amazônia, e é algo que está sendo desenvolvido com muita intensidade”, destacou Capobianco.

No caso do Cerrado, 81% do desmatamento está concentrado nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e da Bahia, conhecidos como região Matopiba. Entre eles, o maior peso está na Bahia, que concentra 28% das áreas sob alerta no bioma.

Fiscalização

Na apresentação dos dados, o Ibama complementou que o número de autos de infração neste semestre subiu 166% na Amazônia, com a aplicação de R$ 2,3 bilhões em multas, em 3.341 autos de infração. Já no Cerrado, foram 417 autos de infração, com R$ 113,8 milhões em multas.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por sua vez, aplicou 1.141 autos de infração na Amazônia no primeiro semestre, o que representa um aumento de 348% sobre a média dos primeiros semestres dos quatro anos anteriores, com R$ 125 milhões em multas. Já no Cerrado, foram 56 autos de infração e R$ 13,4 milhões em multas, números muito menores devido à menor presença de unidades de conservação no bioma.

Juntos, os dois órgãos de fiscalização apreenderam mais de 6 mil cabeças de gado em área de desmatamento ilegal na Amazônia.

Decisão política

Brasília (DF), 06/07/2023 – A Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante coletiva de imprensa, fala sobre desmatamento florestal na amazônia. Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva fala sobre desmatamento na Amazônia – Valter Campanato/Agência Brasil

Ao abrir a apresentação, a ministra Marina Silva destacou que os resultados positivos obtidos na Amazônia são fruto de recursos intangíveis e tangíveis, sendo esses últimos as equipes, orçamento e capacidade de implementação das decisões políticas tomadas.

“Tem os recursos intangíveis, que é a decisão de o presidente Lula assumir na campanha, após a campanha e como uma política de governo a continuidade da ideia de que a política ambiental brasileira será uma politica transversal”, disse. “A decisão política de fazer um enfrentamento da questão da mudança do clima e do combate ao desmatamento, para alcançar desmatamento zero até 2030. Isso é intangível, mas altamente potente.”

A ministra disse que os decretos assinados por Lula já no primeiro dia de governo começaram a recuperar as atribuições e competências dos órgãos de controle ambiental, revertendo o apagão institucional que se estabelecia no setor.

“Isso dá autonomia para que pudéssemos ter uma equipe que sabe o que fazer, como fazer e quando fazer. Ter essa equipe técnica é algo que faz a diferença para que a gente possa fazer o enfrentamento de questões tão relevantes.”




Fonte: Agência Brasil

Mulheres negras são mais expostas ao racismo ambiental, diz quilombola


As mulheres quilombolas são mais vulnerabilizadas aos efeitos das mudanças climáticas e da falta de políticas públicas. A opinião é da secretária-executiva da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Selma Dealdina.

A indiferença com as comunidades tradicionais pode ser chamada de “racismo ambiental”, segundo explica. Ela vai tratar do tema no Festival Latinidades, nesta sexta (7), às 10h, no auditório 2 do Museu da República, em Brasília. O evento conta com o apoio da Empresa Brasil de Comunicação EBC.

“Os homens saem para as grandes cidades para trabalhar, enquanto que as mulheres ficam para cuidar da roça. São mais vulneráveis aos efeitos das mudanças de clima. Ainda são invisibilizadas no papel de quem deve cuidar da família e do campo”, afirma. Ela avalia que o Latinidades é uma realização que garante discussão de visibilidade das demandas das mulheres negras. “É um debate importante do clima ao racismo ambiental”, opina.

A coordenadora de Justiça Racial e de Gênero na Oxfam Brasil, Tauá Pires, que também estará presente no Latinidades, entende que a responsabilidade das mulheres nas comunidades tradicionais excede o campo do trabalho.

Ela destaca que as mulheres têm uma liderança fundamental. Não somente na questão do trato da terra, mas na dinâmica social, já que uma comunidade quilombola se organiza de uma forma diferente do que ocorre em centros urbanos. Na lógica comunitária, a terra não pertence a uma pessoa, mas às famílias.

Para a pesquisadora, o que está em jogo não é só o desmatamento ou a derrubada da floresta. “Mas é também como os recursos naturais são preservados e  utilizados para o bem social”, observa.

Nesse sentido, o racismo ambiental é um fato. “Quando a gente observa as pessoas que moram nesses territórios, são em sua maioria não brancas. A gente está falando de comunidades tradicionais com maioria negra e mais atingidas pelas emergências, como enchentes e secas”, enfatiza.

Responsabilidade

Ela identifica que são as mulheres que assumem maior responsabilidade comunitária e familiar porque cuidam, por exemplo, dos mais velhos e das crianças. “Então o racismo acaba atingindo de maneira diferente as mulheres”, opina.

Nesse sentido, Selma Dealdina salienta que as comunidades quilombolas buscam – a partir do exemplo das pessoas mais velhas – explicar diariamente a necessidade da preservação da natureza. “A gente tem que tentar sobreviver e enfrentar a invasão do agrotóxico, do desmatamento, das queimadas…”.

Afinal, as comunidades que vivem da agricultura familiar devem assimilar o cuidado como prática viva. Segundo o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há 6,5 mil comunidades quilombolas em 24 estados do país.

É possível, segundo Selma, constatar o racismo ambiental nas demonstrações de injustiças nas proximidades de comunidades dos quilombolas.

“Por que alguém coloca um aterro sanitário no território quilombola? Ou uma linha de energia elétrica sem beneficiar a comunidade? Ninguém coloca um gasoduto cortando a fazenda de um grande fazendeiro ou em um latifúndio brasileiro. Isso é racismo”, exemplifica.

Resistência ambiental

Os grupos quilombolas, diz Selma, são espaços de resistência. “Na minha comunidade (na cidade de São Mateus, no Espírito Santo), o rio secou. Minha família não parou de plantar e a água voltou a aparecer”. Foi plantando a bananeira às margens do Rio Angelim e o rio reapareceu.

“Hoje, as pessoas podem pescar e as crianças podem tomar banho”, comemora Selma. Ela contextualiza que as mudanças climáticas afastaram os mais jovens do trabalho no campo, inclusive com o avanço das plantações de eucalipto nas cercanias de comunidades quilombolas.

“Entendo que a gente precisa discutir como incentivar os jovens a ficar na roça e com possibilidade de geração de emprego e renda. Esse é o nosso grande desafio”, opina. Ela testemunha que houve, no campo, uma mudança de comportamento das chuvas.

Para a coordenadora da Oxfam Brasil, Tauá Pires, as comunidades quilombolas oferecem exemplos de práticas ambientais. A pesquisadora diz que a resistência passa pela influência da mulher.  “Os povos e comunidades tradicionais, na verdade, fazem um trabalho de preservação não só da floresta, mas da própria vida. Estão ajudando para que a situação não fique pior”, finaliza.




Fonte: Agência Brasil